sexta-feira, 3 de abril de 2026

.: "Libitina - Elegias e Alguns Infortúnios", de Jorge Ventura


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

A existência mostra-se frágil e breve qual um singelo e inofensivo joguete nas mãos da deusa Libitina, a guardiã dos funerais e dos rituais fúnebres dos tempos ancestrais e obscuros das mitologias. Porém, nas páginas de "Libitina - Elegias e Alguns Infortúnios", pequeno e grandioso livro de Jorge Ventura, seus caprichos, manipulações e artifícios revelam-se ante nossos olhos com profunda sagacidade e perspicácia com o intuito de abreviar os dias das espécies ante a imperativa subjugação das fatalidades. Através de concisos relatos, o autor nos apresenta três dezenas de micro-contos, onde o clímax final destaca-se nos óbitos de cada personagem.

A configuração do livro, publicado por Ventura Editora, traz páginas alternadas em branco e preto. Os textos estão impressos em papel couchê ornamentados por arabescos e amparados por páginas vestidas de luto negro. Traz, ainda, ilustrações de Waldez Duarte com temas sinistros, mórbidos e surreais revestindo de forma coerente o teor funéreo dos textos. A fugacidade dos dias vividos e seu repentino término são realçados pela escrita sintética e certeira a nos conduzir, inapelavelmente, para o fim de cada trajetória de vida.

O projeto gráfico de Victor Marques traz capa negra com letras prateadas em estilo gótico e uma árvore com os galhos totalmente ressecados a emoldurar sua concepção artística. É complementado por prefácio de Almir Zarfeg e orelhas a cargo de Alexandre Brandão. Salientamos, ainda, que o poeta e jornalista Jorge Ventura com este décimo terceiro livro publicado expande sua marca literária de forma abrangente e significativa.

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