Esta é uma obra que será lida com a alma. "Botão em Flor e o Jardim", das autoras Mãe e Filha, como definido na capa do livro (Daniela e Marina Genaro), publicado pela Costelas Felinas Editora, pertence à rara estirpe de obras que transcendem o objeto impresso para se tornarem um relicário sentimental, um jardim de lembranças e monumento íntimo ao amor familiar.
O projeto desta obra já a distingue: uma mãe que, em meio ao cotidiano, percebeu a extraordinariedade das palavras infantis de sua filha e teve a delicadeza de registrá-las. O que poderia parecer apenas singela anotação doméstica revela-se, em um ato de altíssima sensibilidade. Guardar as frases de uma criança é preservar a centelha inaugural da linguagem, é recolher pérolas espontâneas antes que o tempo as dissolva. Daniela, ao anotar os lampejos verbais de Marina, não colecionou apenas frases: colheu auroras.
Em expressões como: “O teu abraço eu guardei no meu coração” ou “No bolso não, mamãe. Sonho a gente guarda na imaginação”, a infância se apresenta em sua forma mais pura: inventiva, filosófica e terna. O leitor não encontra apenas a menina Marina, mas reencontra a criança universal que um dia habitou em todos nós.
A beleza do livro não reside somente na voz da filha ou no olhar amoroso da mãe. A obra se engrandece pela tessitura familiar que a compõe. O pai participa, além de escrever as orelhas do livro, como presença estruturante, afetuosa e cúmplice; figura que integra o cotidiano e o alicerce emocional dessa narrativa doméstica. Já o avô, ao prefaciar a obra também inscreve sua sensibilidade, amplia o alcance simbólico do livro: mostra que memória e ternura também se herdam, se transmitem, se cultivam entre gerações.
"Botão em Flor e o Jardim" torna-se uma constelação genealógica de afetos. Cada página pulsa como testemunho de que o amor familiar não se limita aos gestos grandiosos, mas se manifesta no detalhe, no riso espontâneo, na frase inesperada, no cuidado silencioso de quem anota para não perder, é um daqueles livros que não se colocam na estante, guardam-se no colo, na memória e no coração.













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