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segunda-feira, 23 de março de 2026

.: Leitura Miau: "Ferro Velho" e a estética da sustentabilidade em versos


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

O livro "Ferro Velho", do autor Emanuel Lima, publicado pela Costelas Felinas Editora, é uma coletânea de 28 poemas, escritos entre 1970 e 1998, que oferece uma ampla diversidade temática e estilística. Essa obra literária não apenas reflete as várias fases da vida do autor, como também exibe suas diferentes influências e inspirações ao longo de quase três décadas.

Seus poemas transitam entre paixões juvenis, carregadas de intensidade e reflexões místicas, ampliando a experiência do leitor e criando uma ponte entre o pessoal e o universal. Tal variedade de sentimentos faz de Ferro Velho uma leitura rica em camadas, com temas que tocam o íntimo e ao mesmo tempo dialogam com questões sociais mais amplas.

Entre os temas mais marcantes da obra, destacam-se a preocupação ambiental e social, que atravessam muitos dos poemas. Lima, ao abordar o desrespeito à natureza e à dignidade humana, imprime em seus versos uma crítica sutil, porém contundente, ao comportamento da sociedade em relação ao meio ambiente. Esses versos não são apenas reflexões poéticas, mas também um alerta que continua extremamente relevante nos dias atuais.

A musicalidade dos poemas de "Ferro Velho" também merece destaque. Alguns dos versos ganharam vida além da página, sendo gravados em CDs, o que reforça a versatilidade do autor. Mesmo na simplicidade de suas composições, Lima consegue impregnar seus poemas com ternura e acessibilidade, conquistando tanto leitores jovens quanto maduros.

Um dos pontos altos da obra é o conjunto de poemas dedicados às máquinas e objetos inanimados, com ênfase especial no poema que dá título ao livro. Esse tributo ao progresso industrial do século XX é, ao mesmo tempo, um reconhecimento do avanço tecnológico e uma reflexão crítica sobre o impacto desse progresso na vida humana e no meio ambiente.

terça-feira, 17 de março de 2026

.: A força da imaginação em “Meu Cavalo Azul Não Existe”


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Meu Cavalo Azul Não Existe", editado pela Costelas Felinas Editora, Hilda Curcio constrói uma narrativa delicada e sensível que dialoga diretamente com o universo da infância e com os desafios de preservar a imaginação diante das regras do mundo adulto.

A trama parte de um episódio simples, mas carregado de significado: uma criança retorna da escola entristecida após ser criticada pela professora por ter escrito sobre um cavalo azul. Esse pequeno conflito cotidiano torna-se o ponto de partida para uma reflexão maior sobre criatividade, liberdade de pensamento e a importância de acreditar nas próprias ideias.

Com uma escrita afetuosa e acessível, a autora leva o leitor para uma jornada emocional em que a imaginação surge como uma poderosa ferramenta de resistência e descoberta pessoal. O cavalo azul, símbolo do olhar livre e inventivo da criança, passa a representar tudo aquilo que muitas vezes é questionado ou reprimido quando não se encaixa nos padrões estabelecidos.

Hilda Curcio mostra que a verdadeira magia está na capacidade de manter viva os sonhos e a criatividade. Indicado para leitores a partir de seis anos, "Meu Cavalo Azul Não Existe" é uma história que conversa tanto com crianças quanto com adultos, baseada em um acontecimento real, a obra é uma literatura sensível e que apóia o direito de ser diferente e que celebra o universo infantil e toda sua imaginação.

segunda-feira, 2 de março de 2026

.: Leitura Miau: “Haicais dos Dias Finais”, de Yassashi Hito


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

“Haicais dos Dias Finais”, de Yassashi Hito, publicado pela Costelas Felinas Editora, conduz a uma experiência poética que ultrapassa a simplicidade formal do haicai para alcançar densidade existencial. Composto por 49 poemas escritos nos últimos dias de janeiro de 2024, o livro não se limita à concisão estrutural do gênero japonês: ele a utiliza como instrumento de tensão, síntese e revelação.

A tradição do haicai, marcada pela brevidade e pela contemplação do instante, encontra aqui uma inflexão contemporânea. Em vez de se ancorar exclusivamente na observação da natureza ou na captura do efêmero, Hito desloca o foco para a paisagem interior, revelando assim não apenas cenas, mas estados de espírito.

A coletânea compõe uma verdadeira cartografia afetiva: decepção, tristeza profunda, nostalgia, monotonia, delírio e arrogância não aparecem como temas isolados, mas como camadas que se sobrepõem. Há uma atmosfera de fim; não necessariamente apocalíptica, mas íntima, subjetiva, como se cada haicai fosse escrito à beira de um encerramento simbólico. A obra pode ser interpretada como o término de um ciclo, de uma relação, de uma ilusão ou mesmo de uma versão de si.

A linguagem de Hito é precisa e econômica, fiel à estética do haicai, mas carrega um peso emocional que expande o alcance de cada palavra. O silêncio entre os versos torna-se tão significativo quanto o que é dito. Nesse espaço vazio, o leitor é convocado a completar sentidos, a projetar suas próprias inquietações e a reconhecer-se nas fissuras do eu-lírico.

Mais do que uma coletânea de poemas breves, “Haicais dos Dias Finais” constitui uma experiência de introspecção concentrada. A força do livro reside justamente na tensão entre forma e conteúdo: na delicadeza estrutural que abriga emoções densas e por vezes perturbadoras. Yassashi Hito demonstra domínio da síntese poética e oferece um livro que, embora breve em extensão, é vasto em reverberações emocionais.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

.: Entre silêncios e conveniências, a tragédia íntima de "As Traíras"


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"As Traíras", de Roberto Masssoni, publicado pela Costelas Felinas Editora apresenta-se como uma releitura contemporânea da tragédia clássica, ambientada em uma pequena comunidade insular onde tradição, moralidade e aparência social se entrelaçam de maneira sufocante. A obra articula uma narrativa que examina as fissuras das relações familiares e os mecanismos silenciosos de opressão que se instauram em espaços aparentemente pacatos.

No centro do enredo encontra-se a viúva Teodora e seus filhos, João e Sofia, cuja convivência é marcada por um vínculo proibido que desafia as convenções morais da comunidade. A partida de João para a guerra funciona como catalisador dramático, expondo tensões e desencadeando uma reorganização emocional entre as personagens femininas. Isoladas em sua própria dor e confinadas a uma convivência inevitável, mãe e filha transitam entre gestos de afeto e confrontos silenciosos, revelando ressentimentos acumulados, culpas veladas e ambiguidades afetivas que sustentam a densidade psicológica do romance.

Masssoni constrói personagens secundários expressivos, que desempenham papel decisivo na composição da crítica social. Suas vozes ecoam julgamentos e hipocrisias. Esse coro social não apenas observa, mas interfere simbolicamente na narrativa, ampliando o clima de vigilância e intensificando o conflito interno das protagonistas.

A linguagem do autor é marcada por introspecção e lirismo contido, privilegiando atmosferas densas e silêncios carregados de significado. O texto evita excessos dramáticos e aposta na construção gradual das tensões, o romance afirma-se como uma tragédia moderna que dialoga com a tradição literária ao mesmo tempo em que investiga as fragilidades contemporâneas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Lilith Preta", de Coelho de Moraes, ultrapassa rótulos fáceis


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Lilith Preta", do autor Coelho de Moraes, apresenta-se como uma obra poética que ultrapassa rótulos fáceis e propõe uma imersão nas dimensões simbólicas do desejo, da espiritualidade e da experiência sensível. Dialogando com a tradição lírica brasileira - e evocando, em certos momentos, ecos do legado de Carlos Drummond de Andrade - o autor constrói uma poesia marcada pela densidade imagética e pela musicalidade dos versos.

A figura de Lilith, associada ao mistério e à força do feminino, surge como eixo simbólico da obra. Mais do que personagem, ela funciona como metáfora de atração, liberdade e confronto interior. É por meio dessa presença que o eu poético transita entre o impulso do desejo e a busca de transcendência, compondo um percurso que reflete sobre entrega, vulnerabilidade e consciência do próprio corpo como território de experiência.

Coelho de Moraes utiliza a sensualidade de forma estética e reflexiva, integrando-a a uma investigação mais ampla sobre a condição humana. Seus poemas alternam luz e sombra, concretude e sugestão, criando um jogo de contrastes que convida o leitor a participar ativamente da construção de sentidos. Há, na obra, um cuidado com a linguagem e com o ritmo que evidencia maturidade poética e intenção artística.

Mais do que um livro de poesia de temática erótica, "Lilith Preta", publicado pela Costelas Felinas Editora, pode ser lido como um percurso de autoconhecimento mediado pela palavra poética. A leitura propõe não apenas fruição estética, mas também reflexão, ao transformar símbolos de tentação em caminhos de compreensão do ser.

Assim, a obra se destaca como um exemplo de como a poesia voltada ao sensorial pode alcançar profundidade filosófica e literária, oferecendo ao leitor uma experiência rica em camadas de interpretação e sensibilidade.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Este Livro Odeia Você", leitura difícil e desconforto literário


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

O título de “Este Livro Odeia Você” funciona como um aviso e, ao mesmo tempo, uma armadilha. A provocação inicial sugere agressividade, confronto direto, talvez até um ataque ao leitor. No entanto, o próprio texto se encarrega de desmontar essa expectativa: não há ódio real em suas páginas. O que existe é a irritabilidade diante de quase tudo; um estado de fricção contínua com o mundo, reconhecível e profundamente humano.

A obra se constrói a partir do nervosismo como reação passageira. Raiva, frustração e incômodo surgem como estímulos momentâneos, e o autor Cleber Vinícius Lima de Brito deixa claro que ninguém sustenta esse estado permanentemente, portanto a escrita não funciona como descarga emocional, mas como filtro. Esse movimento se reflete diretamente na estrutura do livro, há deslocamentos constantes, transições e essas transmutações acenam no texto a instabilidade emocional que o livro carrega. O resultado é uma leitura assumidamente difícil, trata-se de uma obra que exige atenção, entrega e disposição para o desconforto.

“Este Livro Odeia Você”, publicado pela Costelas Felinas Editora, não busca agradar, consolar ou oferecer respostas. Sua força está justamente na recusa de um pacto fácil com o leitor. Ao transformar irritação em linguagem, o livro propõe uma experiência literária de enfrentamento, essa é a proposta que o leitor encontrará nas páginas desta obra: uma leitura que inquieta a mente e o livro não pede desculpas por causa disso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Rota 69", de Maycon Assunção, um olhar e muitas rotas


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

O autor Maycon Assunção nos convida a embarcar em uma jornada literária fascinante, onde a obra se transforma em um guia através do vasto mundo dos livros. Com uma abordagem única, Assunção explora obras clássicas e contemporâneas, apresentando suas nuances e contextos de maneira acessível e envolvente.

"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros", publicado pela Costelas Felinas Editora, leva o leitor a percorrer diferentes gêneros e estilos, pois cada capítulo é como uma parada em uma nova estação, onde podemos conhecer autores renomados e suas obras, bem como redescobrir histórias que marcaram época. Assunção não apenas resume os enredos, mas também analisa temas, estilos e a relevância cultural de cada obra, proporcionando ao leitor uma visão ampliada e enriquecedora.

Uma das grandes qualidades de Rota 69 é a paixão que transparece nas palavras de Assunção. Sua apreciação pela literatura é contagiante e ele consegue transmitir essa empolgação ao leitor, incentivando-o a explorar novos livros e a revisitar velhos conhecidos. O autor também oferece reflexões pessoais que tornam a leitura ainda mais íntima e acessível, mostrando como os livros podem impactar nossas vidas de maneiras profundas e inesperadas.

Além de ser uma obra informativa, "Rota 69" é uma celebração do ato de ler. Assunção lembra aos leitores que cada livro é uma porta para novos mundos e experiências e que a literatura possui o poder de nos transformar e expandir nossos horizontes.

"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros" é uma obra imprescindível para quem deseja aprofundar-se no universo literário e encontrar inspiração em cada página. Maycon Assunção se estabelece como um guia literário habilidoso, fazendo desta leitura uma experiência memorável e enriquecedora. Ao final da viagem, o leitor perceberá que aprenderá a ver a leitura por outros ângulos e constatará sobre a importância da literatura como uma companheira constante em nossa jornada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Deixa que Eu Conto - Volume 2", de Maria Braga Canaan


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Deixa que Eu Conto - Volume 2: Rabiscos", publicado pela Costelas Felinas Editora, a autora Maria Braga Canaan aprofunda um projeto literário que se constrói à margem das classificações tradicionais. A autora propõe uma escrita que não se submete a gêneros rígidos nem a expectativas formais, optando por textos que surgem como fragmentos de pensamento, impressões sensíveis e confissões veladas.

A escolha do termo “rabiscos” é fundamental para a compreensão da obra. Longe de indicar precariedade ou improviso inconsequente, o conceito funciona como chave estética do livro. Os textos nascem do gesto imediato, do registro quase cru daquilo que pulsa, mas carregam uma densidade emocional e reflexiva que revela domínio da linguagem e consciência do próprio fazer literário. A espontaneidade, aqui, não exclui profundidade; ao contrário, é por meio dela que a autora alcança um grau elevado de intimidade com o leitor.

Neste volume os pensamentos, afetos e contradições que normalmente permanecem ocultos, tornam-se visíveis em uma escrita fragmentária. Essa postura confere ao livro uma força particular, fazendo da leitura uma experiência de aproximação, a fragmentação não fragiliza a obra; pelo contrário, sustenta sua unidade.

A linguagem é direta, mas não simplista. Há uma economia de palavras que intensifica o impacto de cada frase, exigindo uma leitura atenta e pausada. Assim, Deixa que eu Conto – Volume 2: Rabiscos se firma como um livro que valoriza o processo criativo e a verdade do instante. Ao transformar a escrita em gesto de risco e de honestidade radical, Maria Braga Canaan entrega uma obra sensível, provocadora e profundamente humana.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

.: #LeituraMiau: "13 Dias no Inferno: Ele Existe", de Emerson Sobral


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "13 Dias no Inferno: Ele Existe", livro publicado pela Costelas Felinas Editora, o autor Emerson Sobral mergulha nas profundezas de sua experiência pessoal de sobrevivência à covid-19, apresentando uma narrativa emocionante e profundamente realista. A obra vai além de um simples relato: é um testemunho visceral de luta, superação e transformação.

Por meio de uma escrita direta e sensível, o autor recria os momentos mais sombrios de sua batalha contra a doença - da febre intensa às dificuldades respiratórias - conduzindo o leitor por uma jornada física e emocional. O realismo com que descreve esses dias difíceis impressiona e comove, mas nunca abandona um fio de esperança que atravessa toda a narrativa. Emerson Sobral equilibra com maestria a dureza da experiência com uma sensação de redenção que se revela ao final.

O que torna "13 Dias no Inferno" ainda mais impactante é a profunda mudança que essa vivência provocou em sua vida. Suas reflexões sobre a fragilidade humana, o autocuidado e a relação com o sistema de saúde são instigantes e provocativas. Para o autor, a cura não foi apenas física, mas também emocional e espiritual. E essa transformação transparece em cada página. Sua nova maneira de enxergar o mundo é transmitida com sinceridade, despertando no leitor momentos de empatia e introspecção.

Como primeira obra publicada, Emerson Sobral demonstra notável habilidade ao transformar uma experiência tão íntima e dolorosa em literatura acessível e envolvente. A decisão de expor sua história exigiu coragem, e essa honestidade se reflete em cada linha, fazendo com que o leitor se sinta parte de sua trajetória. "13 Dias no Inferno: Ele Existe" é uma leitura intensa e necessária, recomendada a quem deseja compreender os impactos humanos da pandemia e, ao mesmo tempo, encontrar inspiração em uma história verdadeira de resiliência e esperança.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Amores Improváveis", de JC. Sibila


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Amores Improváveis", de JC. Sibila é uma coletânea de contos que se afirma como um exercício refinado de imaginação literária e sensibilidade narrativa, inserindo-se de maneira consistente no campo do realismo mágico contemporâneo. A obra propõe uma leitura em que o cotidiano é constantemente atravessado pelo insólito, não como ruptura abrupta, mas como parte orgânica da experiência humana. O extraordinário, nesse universo ficcional, não se impõe com estridência; ao contrário, surge com naturalidade, como se sempre tivesse estado ali, à espera de um olhar capaz de reconhecê-lo.

Ao longo do livro, o autor constrói atmosferas narrativas marcadas por um delicado equilíbrio entre estranhamento e familiaridade. Situações aparentemente banais são lentamente contaminadas por acontecimentos improváveis, gestos simbólicos e imagens de forte carga metafórica. Esse deslocamento sutil da realidade não busca o espetáculo do absurdo, mas a criação de um espaço literário em que o leitor é convidado a suspender certezas e aceitar novas formas de sentido. Em Amores Improváveis, o fantástico não serve como fuga, mas como lente de ampliação da realidade emocional e subjetiva.

JC. Sibila apresenta uma linguagem simbólica e metafórica, utilizando-a como ferramenta central de construção narrativa. Cada conto opera como uma espécie de alegoria aberta, permitindo múltiplas camadas de leitura e interpretação. Os símbolos não são fechados nem didáticos; ao contrário, permanecem em estado de tensão, convocando o leitor a participar ativamente do processo de significação. Há, nesses textos, uma clara recusa de respostas prontas, o que confere à obra uma densidade reflexiva rara e instigante.

Embora dialogue com a tradição do realismo mágico latino-americano, o autor não se limita à reverência estética. Sua escrita revela uma apropriação autoral, reinterpretando-o à luz de inquietações contemporâneas e de uma sensibilidade própria. O nonsense, quando aparece, não funciona como mero jogo formal, mas como expressão legítima das contradições do desejo, da memória e da afetividade. O resultado é uma literatura que transita entre o poético e o psíquico, explorando zonas de ambiguidade onde o racional já não dá conta da experiência humana.

Os contos de "Amores Improváveis" sugerem, de maneira recorrente, um mergulho no inconsciente. Personagens são frequentemente confrontados com forças que escapam à lógica convencional, como se o texto encenasse conflitos internos, afetos reprimidos e lembranças fragmentadas sob a forma de acontecimentos mágicos ou inexplicáveis. O improvável, nesse contexto, torna-se não apenas possível, mas necessário: é por meio dele que a obra alcança uma compreensão mais profunda e poética da existência.

Outro aspecto relevante da coletânea é sua abordagem dos afetos. O amor, longe de ser tratado de forma idealizada ou romântica, aparece como experiência ambígua, por vezes desconcertante, atravessada por ausências, estranhamentos e desencontros. São amores que desafiam expectativas, normas e certezas — amores que, justamente por sua improbabilidade, revelam verdades íntimas e universais. A escrita de JC. Sibila captura essas experiências com delicadeza, evitando excessos sentimentais e apostando na sugestão, no silêncio e na entrelinha.

Mais do que contar histórias, "Amores Improváveis" constrói um ritmo de leitura que exige entrega e contemplação. O livro se posiciona contra a pressa interpretativa e a lógica do consumo rápido, propondo uma experiência literária mais lenta e reflexiva. Cada conto deixa ressonâncias, perguntas em aberto e imagens persistentes, prolongando-se para além da última página. A leitura se transforma, assim, em um processo de escuta sensível e de disponibilidade ao enigma.

Ao final, a obra se revela como um convite à percepção do invisível que habita o cotidiano. Amores Improváveis sugere que a magia não está nos eventos extraordinários em si, mas na forma como aprendemos a olhar para aquilo que não compreendemos plenamente. Com uma escrita precisa, elegante e profundamente evocativa, JC. Sibila oferece ao leitor um livro que desestabiliza suavemente, provoca reflexão e reafirma o poder da literatura como espaço de mistério, descoberta e ampliação da experiência humana. Aquisição: https://catalogocostelasfelinaseditora.blogspot.com/2025/04/conto-amores-improvaveis-jc-sibila.html

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

.: #LeituraMiau: as sequência de "Poesias Polêmicas" de Amador Maia


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Poesias Polêmicas 2", Amador Maia reafirma a poesia como território de confronto, denúncia e memória. A obra se debruça sobre uma das feridas mais abertas da sociedade contemporânea - o feminicídio - e o faz sem suavizações, sem metáforas confortáveis ou distanciamento estético. Trata-se de um livro que não busca apenas emocionar, mas inquietar, desestabilizar e exigir posicionamento.

Os poemas que compõem o livro funcionam como um memorial poético às mulheres assassinadas pela violência de gênero. Cada verso carrega a dor interrompida, o silêncio imposto, os sonhos abortados. Maia escreve a partir da urgência: seus poemas não pedem licença, não ornamentam a tragédia, não transformam a violência em espetáculo. Pelo contrário, expõem o horror cotidiano que muitas vezes é naturalizado, reduzido a números frios ou notícias efêmeras.

A linguagem direta e, por vezes, áspera, é uma escolha ética e estética. Ao evitar eufemismos, o autor recusa qualquer forma de complacência com a violência. Sua poesia é denúncia, mas também é luto coletivo. É o reconhecimento de que cada mulher assassinada representa uma falha social, política e cultural. Nesse sentido, o livro ultrapassa o campo individual da dor e aponta para estruturas históricas de opressão, machismo e silenciamento.

"Poesias Polêmicas 2" também se constrói como um gesto de resistência. Ao dar voz às que foram caladas Maia transforma a palavra poética em ato político. Há, nos poemas, uma tentativa de resgatar humanidade onde houve brutalidade, de devolver nome, corpo e memória a quem foi reduzida à estatística. A poesia surge, assim, como ferramenta de enfrentamento e de permanência: enquanto se escreve, a violência não é esquecida.

Mais do que um livro de poesia, a obra é um chamado à consciência. O autor convoca o leitor a sair da posição confortável de espectador e a refletir sobre seu papel diante dessa realidade persistente. Ler "Poesias Polêmicas 2" é aceitar o desconforto e compreender que a literatura pode - e deve - intervir no mundo.

Essencial e necessário, o livro de Amador Maia, Costelas Felinas Editora,  Reafirma o poder da poesia como instrumento de denúncia social e transformação. É um lembrete contundente de que a palavra, quando comprometida com a vida, pode manter acesa a memória das mulheres que partiram cedo demais e fortalecer a luta por justiça, dignidade e igualdade.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

.: Vicente de Carvalho: resgate do poeta santista por Flávio Viegas Amoreira


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

A obra "Vicente de Carvalho - Redescoberto", organizada por Flávio Viegas Amoreira, representa um marco para a preservação e revitalização da obra do icônico poeta santista Vicente de Carvalho. Com uma seleção cuidadosa de poemas e o ineditismo de um conto resgatado, a obra é um convite ao mergulho na lírica do “Poeta do Mar” e nos sentimentos da alma caiçara.

Além do encanto e da relevância de um conto publicado há 90 anos, o livro ganha um brilho especial com o prefácio escrito por Vicente Augusto de Carvalho (neto do autor) e por Ives Gandra Martins (membro da Academia Brasileira de Filosofia e ex-presidente da Academia Paulista de Letras). A edição em capa dura reforça o caráter de preservação cultural que esta obra representa.

Para a cidade de Santos, o resgate da obra de Vicente de Carvalho é muito mais do que uma homenagem; é um gesto de recuperação e valorização da história literária regional. Suas poesias, que celebram o mar, a natureza e o cotidiano, refletem o espírito do povo santista e reavivam uma conexão afetiva com as origens culturais da cidade. Esse livro não apenas enriquece a biblioteca da literatura brasileira, mas também reitera a importância de preservar a herança literária para futuras gerações. A edição organizada por Flávio Viegas Amoreira é, portanto, uma joia literária e um presente para os amantes da poesia e da cultura santista.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

.: #LeituraMiau: "Mistério no Sótão", um segredo repleto de suspense


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Mistério no Sótão" da autora Gladys Floriano, é uma narrativa envolvente e sensível às experiências do público infantojuvenil, a obra conduz o leitor por uma aventura cheia de descobertas, laços e desafios. A história gira em torno de Diana, Raul, Luca e Malu - quatro jovens conectados por uma antiga casa e um segredo guardado no sótão.

A mudança de residência dá início à trama, quando Diana e Raul, recém-chegados ao novo lar, conhecem Luca, o ex-morador com informações valiosas, e Malu, a vizinha curiosa. Juntos, eles embarcam em uma investigação repleta de suspense, explorando pistas e enfrentando dilemas que tocam temas como justiça, amizade, escola e os primeiros sinais de paixão.

A autora equilibra mistério e cotidianidade com maestria, proporcionando momentos de tensão e também de identificação com situações comuns da vida de qualquer jovem leitor. Mais do que um enigma a ser resolvido, o livro é um convite à imaginação, à empatia e ao valor da colaboração.

Ideal para leitores em formação, 'Mistério no Sótão' é uma leitura instigante, leve e cheia de alma, que acende a curiosidade e o prazer pela leitura.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

.: #LeituraMiau: "O Sagrado e o Além-Túmulo", de Carlos Carvalho Cavalheiro


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "O Sagrado e o Além-Túmulo - Milagreiros e Santos Profanos de Sorocaba", Carlos Carvalho Cavalheiro reúne décadas de observação, pesquisa de campo e levantamento documental para lançar luz sobre um tema tão fascinante quanto negligenciado pela historiografia tradicional: a devoção popular aos chamados “santos de cemitério”. O autor se volta a personagens cuja trajetória, marcada por tragédias, mortes prematuras ou circunstâncias excepcionais, transformou-os - pela força da fé popular - em intercessores capazes de operar graças e milagres.

Ao explorar a cidade de Sorocaba e seus cemitérios históricos, Cavalheiro faz emergir uma cartografia emocional da fé local. Cada tumba, cada inscrição e cada objeto deixado pelos devotos constituem fragmentos de uma narrativa construída coletivamente ao longo de gerações. O livro, assim, não é apenas um inventário dos milagreiros sorocabanos, mas um estudo aprofundado sobre a forma como comunidades ressignificam a morte e constroem uma espiritualidade muito própria, alheia às fronteiras formais entre religiosidade oficial e crença popular.

A escrita de Cavalheiro alia precisão historiográfica a uma sensibilidade etnográfica rara. O autor articula depoimentos, documentos, crônicas, registros iconográficos e tradições orais para reconstruir o percurso de cada figura sagrada. Há um cuidado especial em não apenas descrever fatos, mas contextualizá-los dentro de um universo cultural mais amplo, revelando como cada “santo profano” se insere na vida cotidiana da cidade.

A presença das fotografias, cuidadosamente selecionadas, amplia significativamente o alcance da obra. Elas não funcionam como simples ilustrações, mas como material de leitura paralela, que convida o leitor a percorrer os mesmos caminhos do pesquisador. Os registros visuais revelam túmulos ornamentados, placas de agradecimento, velas, flores, marcas de devoção silenciosa - elementos que, somados ao texto, constroem uma experiência quase imersiva. A materialidade da fé, assim, é apresentada com força e dignidade.

Cavalheiro demonstra, ao longo da obra, que a devoção aos santos de cemitério não é apenas sobrevivência de uma prática antiga, mas também uma forma contemporânea de resistência, memória e identidade comunitária. Suas análises evidenciam a complexidade sociocultural que envolve essas crenças: a interseção entre dor e esperança, morte e permanência, anonimato e consagração.

Em um momento histórico no qual as expressões da religiosidade popular ainda são subestimadas ou tratadas como curiosidades folclóricas, "O Sagrado e o Além-Túmulo" reafirma seu valor como documento imprescindível. A obra contribui para o debate sobre o sagrado no espaço urbano, amplia o repertório de estudos sobre Sorocaba e oferece ao leitor uma rara oportunidade de compreender como a fé se manifesta nos interstícios da vida e da morte.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

.: #LeituraMiau: "Argumentos e Roteiros para Curtas-Metragens"


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Argumentos e Roteiros para Curtas-Metragens" do autor H. Francisconi, é uma obra singular que cruza as fronteiras entre literatura e cinema de forma criativa. Sem a pretensão de ensinar ou oferecer fórmulas, o autor apresenta uma coletânea de histórias em dois formatos: primeiro como narrativa literária, depois em versão roteirizada para o cinema.

Mais do que um exercício de estilo, essa duplicidade revela o potencial das ideias e a riqueza de seus desdobramentos. O leitor é convidado a observar como o mesmo enredo pode ganhar diferentes nuances ao migrar do texto literário para a estrutura cinematográfica, explorando os silêncios, os cortes, as imagens sugeridas — e tudo aquilo que escapa à palavra escrita.

Francisconi oferece um jogo inteligente entre forma e conteúdo, em que a técnica não se impõe, mas se dissolve na fluidez do gesto criativo. A obra, longe de ser um manual, é um convite à experimentação, à leitura atenta e à sensibilidade artística. Ideal para leitores interessados nas interseções entre literatura e cinema, Argumentos e Roteiros para Curtas-Metragens é uma proposta ousada que instiga tanto quem escreve quanto quem observa os bastidores da criação.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

.: #LeituraMiau, de Cláudia Brino: Vieira Vivo e um traje para chamar de seu


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Coletânea Trajes Poéticos" do autor miau Vieira Vivo, é uma obra que se destaca por sua proposta didática e estética ao mesmo tempo. Trata-se de um verdadeiro guia prático para a arte da versificação, oferecendo ao leitor uma imersão profunda nas estruturas da poesia. Composto por 60 poemas que exploram 41 estilos poéticos, 12 figuras de linguagem e 7 tipos de rimas, o livro serve tanto como material de estudo para estudantes e pesquisadores da literatura quanto como uma experiência sensível para apreciadores da poesia.

A abordagem técnica do autor não compromete a fluidez da leitura. Pelo contrário, cada poema é trabalhado de forma a equilibrar rigor formal e expressão artística. O livro é voltado para um público diversificado, incluindo acadêmicos, escritores em formação e entusiastas da poesia que desejam compreender melhor os mecanismos do verso.

Além de seu valor pedagógico, "Trajes Poéticos" também se sobressai pela diversidade de temas, associada à variedade formal, confere à obra um dinamismo raro, que mantém o leitor envolvido e curioso a cada página.

Vieira Vivo demonstra maestria ao combinar teoria e prática, transformando o livro em uma referência tanto para o aprendizado quanto para a apreciação literária. Trajes Poéticos é uma leitura essencial para quem deseja aprofundar-se na arte do verso, seja pelo estudo técnico ou pelo prazer estético que proporciona.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

.: #LeituraMiau: A beleza das palavras denuncia os limites do indomável caos


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Deixa que Eu Conto - Volume 2: Rabiscos", a autora miau Maria Braga Canaan constrói uma escrita que desafia classificações. Seus textos, espontâneos e densos, não pretendem se encaixar em moldes: são manifestações da alma, rabiscos feitos com a coragem de quem entende que escrever é uma forma de exposição ainda mais intensa que o ato de se desnudar.

Canaan abraça a natureza fragmentária dos sentimentos. Cada texto é como uma janela entreaberta - às vezes luminosa, às vezes turva - para o universo íntimo que ela partilha com o leitor. A escritora reconhece a beleza das palavras, mas também denuncia seus limites diante do indomável caos emocional que todos carregamos.

Publicada pela Editora Costelas Felinas, a obra propõe uma experiência de leitura sensível e aberta, recusando definições fechadas sobre tema ou propósito. Cada leitor, portanto, se encontrará (ou se perderá) nesses fragmentos, reconhecendo neles algo de si.

O livro é um convite à experiência: cabe ao leitor percorrer esses caminhos de sentidos múltiplos, sentir-se tocado ou desafiado pelas entrelinhas. Maria Braga Canaan oferece uma travessia de impressões, um espaço onde o inacabado e o verdadeiro coexistem com rara honestidade.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

.: #LeituraMiau: "Escutando Demônios", um suspense psicológico perturbador


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Escutando Demônios", do autor Miau João Alexandrino, é um mergulho profundo nas sombras da mente humana — um suspense psicológico que confronta o leitor com os limites entre a lucidez e o delírio, a justiça e a perdição. A história acompanha um juiz de reputação impecável, homem de princípios firmes e carreira exemplar, cuja vida começa a desmoronar após um erro irreversível cometido no exercício da função. A partir desse instante, algo se rompe em seu interior: uma voz enigmática e insistente passa a ecoar dentro de sua mente, insinuando verdades que ele não quer ouvir - ou que talvez sempre tenham estado ali.

Enquanto tenta silenciar o sussurro que o persegue, o juiz assiste, impotente, à queda moral e emocional das pessoas ao seu redor. Cada gesto, cada olhar, cada decisão parece manipulado por forças que escapam à razão. Aos poucos, o mundo que o cercava se converte em um labirinto psicológico, onde culpa, poder e desejo se confundem numa espiral de destruição.

Com uma narrativa densa e inquietante, João Alexandrino constrói um retrato perturbador da consciência humana em colapso. A atmosfera é claustrofóbica, a escrita é precisa e cortante — e o leitor, prisioneiro da tensão crescente, se vê compelido a questionar junto ao protagonista: até que ponto a voz interior é apenas nossa, e quando ela passa a ser o eco de algo mais sombrio?

Entre revelações, delírios e verdades incômodas, Escutando Demônios é mais do que um romance psicológico - é uma descida aos abismos da alma, onde cada escolha carrega o peso do pecado e da redenção possíveis. Compre o livro "Escutando Demônios", de João Alexandrino, neste link.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

.: E.F. Goodman e Vlamir Belfante falam sobre capoeira e berimbau na música


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Além do valor musical você encontrará nesta simbologia do berimbau uma imersão profunda desde as raízes afro-brasileiras até a presença inesperada em composições nacionais e internacionais.

"Capoeira e Berimbau na Música Brasileira" dos autores E.F. Goodman & Vlamir Belfante é uma obra que se destaca por seu rigor investigativo e sensibilidade cultural ao abordar um dos instrumentos mais emblemáticos da musicalidade brasileira. O livro oferece uma imersão profunda na trajetória do berimbau - desde suas raízes afro-brasileiras até sua presença inesperada e, muitas vezes, surpreendente em composições nacionais e internacionais.

O berimbau, tradicionalmente associado à capoeira, transcende aqui seu uso comum e se revela como uma ponte entre culturas, estilos e continentes. Os autores percorrem trilhas históricas para mostrar como esse instrumento de uma corda só conquistou espaço em gêneros como o jazz, a música eletrônica, o pop e o experimentalismo sonoro contemporâneo. A pesquisa apresentada no livro é sólida e bem documentada. A obra se apoia em registros sonoros.

Além do valor musical, o livro também destaca a simbologia do berimbau enquanto resistência cultural e espiritualidade. Em um país de herança africana tão forte, o instrumento carrega consigo a força de um legado que se renova a cada geração. Nesse sentido, a obra cumpre um papel fundamental ao preservar e difundir o conhecimento sobre esse ícone sonoro e cultural.

Publicações como essa, são fundamentais em um contexto em que muitas tradições sonoras correm o risco de desaparecer diante da globalização e da padronização estética. "Capoeira e Berimbau na Música Brasileira" reafirma a importância de olhar com atenção para nossos instrumentos, nossas histórias e nossas vozes - muitas vezes silenciadas - que ainda ressoam, com potência e beleza, por todo o mundo. Compre o livro neste link.


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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

.: #LeituraMiau: Cláudia Brino estreia coluna com livro de Luiz Antonio Canuto


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Uma jornada cuja leitura o levará para o centro
das lutas e transformações de uma cidade.

Em “O Nascer de Uma Cidade - As Origens de Santos”, o professor e historiador Luiz Antonio Canuto resgata. com rigor histórico, os primeiros capítulos da formação de Santos, cidade que viria a ocupar papel de destaque no cenário nacional. O livro oferece uma rica reconstituição dos tempos iniciais do povoamento, revelando figuras emblemáticas, episódios marcantes e os entrelaçamentos políticos, sociais e culturais que deram forma à identidade santista.

Não é apenas um relato cronológico, a obra propõe uma incursão reveladora pelos alicerces de uma cidade que guarda, em seu passado, as marcas de lutas, transformações e permanências. Leitura fundamental para estudiosos e apaixonados por História. O livro contribui, também, para o entendimento do presente urbano à luz de suas origens. Adquira o livro neste link.


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