Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
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segunda-feira, 23 de março de 2026
.: Leitura Miau: "Ferro Velho" e a estética da sustentabilidade em versos
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
terça-feira, 17 de março de 2026
.: A força da imaginação em “Meu Cavalo Azul Não Existe”
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
Em "Meu Cavalo Azul Não Existe", editado pela Costelas Felinas Editora, Hilda Curcio constrói uma narrativa delicada e sensível que dialoga diretamente com o universo da infância e com os desafios de preservar a imaginação diante das regras do mundo adulto.
A trama parte de um episódio simples, mas carregado de significado: uma criança retorna da escola entristecida após ser criticada pela professora por ter escrito sobre um cavalo azul. Esse pequeno conflito cotidiano torna-se o ponto de partida para uma reflexão maior sobre criatividade, liberdade de pensamento e a importância de acreditar nas próprias ideias.
Com uma escrita afetuosa e acessível, a autora leva o leitor para uma jornada emocional em que a imaginação surge como uma poderosa ferramenta de resistência e descoberta pessoal. O cavalo azul, símbolo do olhar livre e inventivo da criança, passa a representar tudo aquilo que muitas vezes é questionado ou reprimido quando não se encaixa nos padrões estabelecidos.
Hilda Curcio mostra que a verdadeira magia está na capacidade de manter viva os sonhos e a criatividade. Indicado para leitores a partir de seis anos, "Meu Cavalo Azul Não Existe" é uma história que conversa tanto com crianças quanto com adultos, baseada em um acontecimento real, a obra é uma literatura sensível e que apóia o direito de ser diferente e que celebra o universo infantil e toda sua imaginação.
segunda-feira, 2 de março de 2026
.: Leitura Miau: “Haicais dos Dias Finais”, de Yassashi Hito
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
“Haicais dos Dias Finais”, de Yassashi Hito, publicado pela Costelas Felinas Editora, conduz a uma experiência poética que ultrapassa a simplicidade formal do haicai para alcançar densidade existencial. Composto por 49 poemas escritos nos últimos dias de janeiro de 2024, o livro não se limita à concisão estrutural do gênero japonês: ele a utiliza como instrumento de tensão, síntese e revelação.
A tradição do haicai, marcada pela brevidade e pela contemplação do instante, encontra aqui uma inflexão contemporânea. Em vez de se ancorar exclusivamente na observação da natureza ou na captura do efêmero, Hito desloca o foco para a paisagem interior, revelando assim não apenas cenas, mas estados de espírito.
A coletânea compõe uma verdadeira cartografia afetiva: decepção, tristeza profunda, nostalgia, monotonia, delírio e arrogância não aparecem como temas isolados, mas como camadas que se sobrepõem. Há uma atmosfera de fim; não necessariamente apocalíptica, mas íntima, subjetiva, como se cada haicai fosse escrito à beira de um encerramento simbólico. A obra pode ser interpretada como o término de um ciclo, de uma relação, de uma ilusão ou mesmo de uma versão de si.
A linguagem de Hito é precisa e econômica, fiel à estética do haicai, mas carrega um peso emocional que expande o alcance de cada palavra. O silêncio entre os versos torna-se tão significativo quanto o que é dito. Nesse espaço vazio, o leitor é convocado a completar sentidos, a projetar suas próprias inquietações e a reconhecer-se nas fissuras do eu-lírico.
Mais do que uma coletânea de poemas breves, “Haicais dos Dias Finais” constitui uma experiência de introspecção concentrada. A força do livro reside justamente na tensão entre forma e conteúdo: na delicadeza estrutural que abriga emoções densas e por vezes perturbadoras. Yassashi Hito demonstra domínio da síntese poética e oferece um livro que, embora breve em extensão, é vasto em reverberações emocionais.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
.: Entre silêncios e conveniências, a tragédia íntima de "As Traíras"
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
.: #LeituraMiau: "Lilith Preta", de Coelho de Moraes, ultrapassa rótulos fáceis
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
"Lilith Preta", do autor Coelho de Moraes, apresenta-se como uma obra poética que ultrapassa rótulos fáceis e propõe uma imersão nas dimensões simbólicas do desejo, da espiritualidade e da experiência sensível. Dialogando com a tradição lírica brasileira - e evocando, em certos momentos, ecos do legado de Carlos Drummond de Andrade - o autor constrói uma poesia marcada pela densidade imagética e pela musicalidade dos versos.
A figura de Lilith, associada ao mistério e à força do feminino, surge como eixo simbólico da obra. Mais do que personagem, ela funciona como metáfora de atração, liberdade e confronto interior. É por meio dessa presença que o eu poético transita entre o impulso do desejo e a busca de transcendência, compondo um percurso que reflete sobre entrega, vulnerabilidade e consciência do próprio corpo como território de experiência.
Coelho de Moraes utiliza a sensualidade de forma estética e reflexiva, integrando-a a uma investigação mais ampla sobre a condição humana. Seus poemas alternam luz e sombra, concretude e sugestão, criando um jogo de contrastes que convida o leitor a participar ativamente da construção de sentidos. Há, na obra, um cuidado com a linguagem e com o ritmo que evidencia maturidade poética e intenção artística.
Mais do que um livro de poesia de temática erótica, "Lilith Preta", publicado pela Costelas Felinas Editora, pode ser lido como um percurso de autoconhecimento mediado pela palavra poética. A leitura propõe não apenas fruição estética, mas também reflexão, ao transformar símbolos de tentação em caminhos de compreensão do ser.
Assim, a obra se destaca como um exemplo de como a poesia voltada ao sensorial pode alcançar profundidade filosófica e literária, oferecendo ao leitor uma experiência rica em camadas de interpretação e sensibilidade.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
.: #LeituraMiau: "Este Livro Odeia Você", leitura difícil e desconforto literário
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
O título de “Este Livro Odeia Você” funciona como um aviso e, ao mesmo tempo, uma armadilha. A provocação inicial sugere agressividade, confronto direto, talvez até um ataque ao leitor. No entanto, o próprio texto se encarrega de desmontar essa expectativa: não há ódio real em suas páginas. O que existe é a irritabilidade diante de quase tudo; um estado de fricção contínua com o mundo, reconhecível e profundamente humano.
A obra se constrói a partir do nervosismo como reação passageira. Raiva, frustração e incômodo surgem como estímulos momentâneos, e o autor Cleber Vinícius Lima de Brito deixa claro que ninguém sustenta esse estado permanentemente, portanto a escrita não funciona como descarga emocional, mas como filtro. Esse movimento se reflete diretamente na estrutura do livro, há deslocamentos constantes, transições e essas transmutações acenam no texto a instabilidade emocional que o livro carrega. O resultado é uma leitura assumidamente difícil, trata-se de uma obra que exige atenção, entrega e disposição para o desconforto.
“Este Livro Odeia Você”, publicado pela Costelas Felinas Editora, não busca agradar, consolar ou oferecer respostas. Sua força está justamente na recusa de um pacto fácil com o leitor. Ao transformar irritação em linguagem, o livro propõe uma experiência literária de enfrentamento, essa é a proposta que o leitor encontrará nas páginas desta obra: uma leitura que inquieta a mente e o livro não pede desculpas por causa disso.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
.: #LeituraMiau: "Rota 69", de Maycon Assunção, um olhar e muitas rotas
"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros", publicado pela Costelas Felinas Editora, leva o leitor a percorrer diferentes gêneros e estilos, pois cada capítulo é como uma parada em uma nova estação, onde podemos conhecer autores renomados e suas obras, bem como redescobrir histórias que marcaram época. Assunção não apenas resume os enredos, mas também analisa temas, estilos e a relevância cultural de cada obra, proporcionando ao leitor uma visão ampliada e enriquecedora.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
.: #LeituraMiau: "Deixa que Eu Conto - Volume 2", de Maria Braga Canaan
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
.: #LeituraMiau: "13 Dias no Inferno: Ele Existe", de Emerson Sobral
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
Em "13 Dias no Inferno: Ele Existe", livro publicado pela Costelas Felinas Editora, o autor Emerson Sobral mergulha nas profundezas de sua experiência pessoal de sobrevivência à covid-19, apresentando uma narrativa emocionante e profundamente realista. A obra vai além de um simples relato: é um testemunho visceral de luta, superação e transformação.
Por meio de uma escrita direta e sensível, o autor recria os momentos mais sombrios de sua batalha contra a doença - da febre intensa às dificuldades respiratórias - conduzindo o leitor por uma jornada física e emocional. O realismo com que descreve esses dias difíceis impressiona e comove, mas nunca abandona um fio de esperança que atravessa toda a narrativa. Emerson Sobral equilibra com maestria a dureza da experiência com uma sensação de redenção que se revela ao final.
O que torna "13 Dias no Inferno" ainda mais impactante é a profunda mudança que essa vivência provocou em sua vida. Suas reflexões sobre a fragilidade humana, o autocuidado e a relação com o sistema de saúde são instigantes e provocativas. Para o autor, a cura não foi apenas física, mas também emocional e espiritual. E essa transformação transparece em cada página. Sua nova maneira de enxergar o mundo é transmitida com sinceridade, despertando no leitor momentos de empatia e introspecção.
Como primeira obra publicada, Emerson Sobral demonstra notável habilidade ao transformar uma experiência tão íntima e dolorosa em literatura acessível e envolvente. A decisão de expor sua história exigiu coragem, e essa honestidade se reflete em cada linha, fazendo com que o leitor se sinta parte de sua trajetória. "13 Dias no Inferno: Ele Existe" é uma leitura intensa e necessária, recomendada a quem deseja compreender os impactos humanos da pandemia e, ao mesmo tempo, encontrar inspiração em uma história verdadeira de resiliência e esperança.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
.: #LeituraMiau: "Amores Improváveis", de JC. Sibila
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
Ao longo do livro, o autor constrói atmosferas narrativas marcadas por um delicado equilíbrio entre estranhamento e familiaridade. Situações aparentemente banais são lentamente contaminadas por acontecimentos improváveis, gestos simbólicos e imagens de forte carga metafórica. Esse deslocamento sutil da realidade não busca o espetáculo do absurdo, mas a criação de um espaço literário em que o leitor é convidado a suspender certezas e aceitar novas formas de sentido. Em Amores Improváveis, o fantástico não serve como fuga, mas como lente de ampliação da realidade emocional e subjetiva.
JC. Sibila apresenta uma linguagem simbólica e metafórica, utilizando-a como ferramenta central de construção narrativa. Cada conto opera como uma espécie de alegoria aberta, permitindo múltiplas camadas de leitura e interpretação. Os símbolos não são fechados nem didáticos; ao contrário, permanecem em estado de tensão, convocando o leitor a participar ativamente do processo de significação. Há, nesses textos, uma clara recusa de respostas prontas, o que confere à obra uma densidade reflexiva rara e instigante.
Embora dialogue com a tradição do realismo mágico latino-americano, o autor não se limita à reverência estética. Sua escrita revela uma apropriação autoral, reinterpretando-o à luz de inquietações contemporâneas e de uma sensibilidade própria. O nonsense, quando aparece, não funciona como mero jogo formal, mas como expressão legítima das contradições do desejo, da memória e da afetividade. O resultado é uma literatura que transita entre o poético e o psíquico, explorando zonas de ambiguidade onde o racional já não dá conta da experiência humana.
Os contos de "Amores Improváveis" sugerem, de maneira recorrente, um mergulho no inconsciente. Personagens são frequentemente confrontados com forças que escapam à lógica convencional, como se o texto encenasse conflitos internos, afetos reprimidos e lembranças fragmentadas sob a forma de acontecimentos mágicos ou inexplicáveis. O improvável, nesse contexto, torna-se não apenas possível, mas necessário: é por meio dele que a obra alcança uma compreensão mais profunda e poética da existência.
Outro aspecto relevante da coletânea é sua abordagem dos afetos. O amor, longe de ser tratado de forma idealizada ou romântica, aparece como experiência ambígua, por vezes desconcertante, atravessada por ausências, estranhamentos e desencontros. São amores que desafiam expectativas, normas e certezas — amores que, justamente por sua improbabilidade, revelam verdades íntimas e universais. A escrita de JC. Sibila captura essas experiências com delicadeza, evitando excessos sentimentais e apostando na sugestão, no silêncio e na entrelinha.
Mais do que contar histórias, "Amores Improváveis" constrói um ritmo de leitura que exige entrega e contemplação. O livro se posiciona contra a pressa interpretativa e a lógica do consumo rápido, propondo uma experiência literária mais lenta e reflexiva. Cada conto deixa ressonâncias, perguntas em aberto e imagens persistentes, prolongando-se para além da última página. A leitura se transforma, assim, em um processo de escuta sensível e de disponibilidade ao enigma.
Ao final, a obra se revela como um convite à percepção do invisível que habita o cotidiano. Amores Improváveis sugere que a magia não está nos eventos extraordinários em si, mas na forma como aprendemos a olhar para aquilo que não compreendemos plenamente. Com uma escrita precisa, elegante e profundamente evocativa, JC. Sibila oferece ao leitor um livro que desestabiliza suavemente, provoca reflexão e reafirma o poder da literatura como espaço de mistério, descoberta e ampliação da experiência humana. Aquisição: https://catalogocostelasfelinaseditora.blogspot.com/2025/04/conto-amores-improvaveis-jc-sibila.html
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
.: #LeituraMiau: as sequência de "Poesias Polêmicas" de Amador Maia
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
Os poemas que compõem o livro funcionam como um memorial poético às mulheres assassinadas pela violência de gênero. Cada verso carrega a dor interrompida, o silêncio imposto, os sonhos abortados. Maia escreve a partir da urgência: seus poemas não pedem licença, não ornamentam a tragédia, não transformam a violência em espetáculo. Pelo contrário, expõem o horror cotidiano que muitas vezes é naturalizado, reduzido a números frios ou notícias efêmeras.
A linguagem direta e, por vezes, áspera, é uma escolha ética e estética. Ao evitar eufemismos, o autor recusa qualquer forma de complacência com a violência. Sua poesia é denúncia, mas também é luto coletivo. É o reconhecimento de que cada mulher assassinada representa uma falha social, política e cultural. Nesse sentido, o livro ultrapassa o campo individual da dor e aponta para estruturas históricas de opressão, machismo e silenciamento.
"Poesias Polêmicas 2" também se constrói como um gesto de resistência. Ao dar voz às que foram caladas Maia transforma a palavra poética em ato político. Há, nos poemas, uma tentativa de resgatar humanidade onde houve brutalidade, de devolver nome, corpo e memória a quem foi reduzida à estatística. A poesia surge, assim, como ferramenta de enfrentamento e de permanência: enquanto se escreve, a violência não é esquecida.
Mais do que um livro de poesia, a obra é um chamado à consciência. O autor convoca o leitor a sair da posição confortável de espectador e a refletir sobre seu papel diante dessa realidade persistente. Ler "Poesias Polêmicas 2" é aceitar o desconforto e compreender que a literatura pode - e deve - intervir no mundo.
Essencial e necessário, o livro de Amador Maia, Costelas Felinas Editora, Reafirma o poder da poesia como instrumento de denúncia social e transformação. É um lembrete contundente de que a palavra, quando comprometida com a vida, pode manter acesa a memória das mulheres que partiram cedo demais e fortalecer a luta por justiça, dignidade e igualdade.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
.: Vicente de Carvalho: resgate do poeta santista por Flávio Viegas Amoreira
A obra "Vicente de Carvalho - Redescoberto", organizada por Flávio Viegas Amoreira, representa um marco para a preservação e revitalização da obra do icônico poeta santista Vicente de Carvalho. Com uma seleção cuidadosa de poemas e o ineditismo de um conto resgatado, a obra é um convite ao mergulho na lírica do “Poeta do Mar” e nos sentimentos da alma caiçara.
Além do encanto e da relevância de um conto publicado há 90 anos, o livro ganha um brilho especial com o prefácio escrito por Vicente Augusto de Carvalho (neto do autor) e por Ives Gandra Martins (membro da Academia Brasileira de Filosofia e ex-presidente da Academia Paulista de Letras). A edição em capa dura reforça o caráter de preservação cultural que esta obra representa.
Para a cidade de Santos, o resgate da obra de Vicente de Carvalho é muito mais do que uma homenagem; é um gesto de recuperação e valorização da história literária regional. Suas poesias, que celebram o mar, a natureza e o cotidiano, refletem o espírito do povo santista e reavivam uma conexão afetiva com as origens culturais da cidade. Esse livro não apenas enriquece a biblioteca da literatura brasileira, mas também reitera a importância de preservar a herança literária para futuras gerações. A edição organizada por Flávio Viegas Amoreira é, portanto, uma joia literária e um presente para os amantes da poesia e da cultura santista.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
.: #LeituraMiau: "Mistério no Sótão", um segredo repleto de suspense
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
.: #LeituraMiau: "O Sagrado e o Além-Túmulo", de Carlos Carvalho Cavalheiro
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
.: #LeituraMiau: "Argumentos e Roteiros para Curtas-Metragens"
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
.: #LeituraMiau, de Cláudia Brino: Vieira Vivo e um traje para chamar de seu
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
"Coletânea Trajes Poéticos" do autor miau Vieira Vivo, é uma obra que se destaca por sua proposta didática e estética ao mesmo tempo. Trata-se de um verdadeiro guia prático para a arte da versificação, oferecendo ao leitor uma imersão profunda nas estruturas da poesia. Composto por 60 poemas que exploram 41 estilos poéticos, 12 figuras de linguagem e 7 tipos de rimas, o livro serve tanto como material de estudo para estudantes e pesquisadores da literatura quanto como uma experiência sensível para apreciadores da poesia.
A abordagem técnica do autor não compromete a fluidez da leitura. Pelo contrário, cada poema é trabalhado de forma a equilibrar rigor formal e expressão artística. O livro é voltado para um público diversificado, incluindo acadêmicos, escritores em formação e entusiastas da poesia que desejam compreender melhor os mecanismos do verso.
Além de seu valor pedagógico, "Trajes Poéticos" também se sobressai pela diversidade de temas, associada à variedade formal, confere à obra um dinamismo raro, que mantém o leitor envolvido e curioso a cada página.
Vieira Vivo demonstra maestria ao combinar teoria e prática, transformando o livro em uma referência tanto para o aprendizado quanto para a apreciação literária. Trajes Poéticos é uma leitura essencial para quem deseja aprofundar-se na arte do verso, seja pelo estudo técnico ou pelo prazer estético que proporciona.
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
.: #LeituraMiau: A beleza das palavras denuncia os limites do indomável caos
Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas
Em "Deixa que Eu Conto - Volume 2: Rabiscos", a autora miau Maria Braga Canaan constrói uma escrita que desafia classificações. Seus textos, espontâneos e densos, não pretendem se encaixar em moldes: são manifestações da alma, rabiscos feitos com a coragem de quem entende que escrever é uma forma de exposição ainda mais intensa que o ato de se desnudar.
Canaan abraça a natureza fragmentária dos sentimentos. Cada texto é como uma janela entreaberta - às vezes luminosa, às vezes turva - para o universo íntimo que ela partilha com o leitor. A escritora reconhece a beleza das palavras, mas também denuncia seus limites diante do indomável caos emocional que todos carregamos.
Publicada pela Editora Costelas Felinas, a obra propõe uma experiência de leitura sensível e aberta, recusando definições fechadas sobre tema ou propósito. Cada leitor, portanto, se encontrará (ou se perderá) nesses fragmentos, reconhecendo neles algo de si.
O livro é um convite à experiência: cabe ao leitor percorrer esses caminhos de sentidos múltiplos, sentir-se tocado ou desafiado pelas entrelinhas. Maria Braga Canaan oferece uma travessia de impressões, um espaço onde o inacabado e o verdadeiro coexistem com rara honestidade.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
.: #LeituraMiau: "Escutando Demônios", um suspense psicológico perturbador
"Escutando Demônios", do autor Miau João Alexandrino, é um mergulho profundo nas sombras da mente humana — um suspense psicológico que confronta o leitor com os limites entre a lucidez e o delírio, a justiça e a perdição. A história acompanha um juiz de reputação impecável, homem de princípios firmes e carreira exemplar, cuja vida começa a desmoronar após um erro irreversível cometido no exercício da função. A partir desse instante, algo se rompe em seu interior: uma voz enigmática e insistente passa a ecoar dentro de sua mente, insinuando verdades que ele não quer ouvir - ou que talvez sempre tenham estado ali.
Enquanto tenta silenciar o sussurro que o persegue, o juiz assiste, impotente, à queda moral e emocional das pessoas ao seu redor. Cada gesto, cada olhar, cada decisão parece manipulado por forças que escapam à razão. Aos poucos, o mundo que o cercava se converte em um labirinto psicológico, onde culpa, poder e desejo se confundem numa espiral de destruição.
Com uma narrativa densa e inquietante, João Alexandrino constrói um retrato perturbador da consciência humana em colapso. A atmosfera é claustrofóbica, a escrita é precisa e cortante — e o leitor, prisioneiro da tensão crescente, se vê compelido a questionar junto ao protagonista: até que ponto a voz interior é apenas nossa, e quando ela passa a ser o eco de algo mais sombrio?
Entre revelações, delírios e verdades incômodas, Escutando Demônios é mais do que um romance psicológico - é uma descida aos abismos da alma, onde cada escolha carrega o peso do pecado e da redenção possíveis. Compre o livro "Escutando Demônios", de João Alexandrino, neste link.
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
.: E.F. Goodman e Vlamir Belfante falam sobre capoeira e berimbau na música
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segunda-feira, 3 de novembro de 2025
.: #LeituraMiau: Cláudia Brino estreia coluna com livro de Luiz Antonio Canuto
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