Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
Na segunda metade dos anos 60, Ronnie Von decidiu dar um novo rumo para a carreira. Com forte influência do surrealismo na arte, ele lançou a chamada trilogia psicodélica, que apesar de ter sido um tremendo fracasso comercial na época, passaria a ser redescoberta nas décadas seguintes por uma nova geração de musicoa que entenderam o aspecto visionário dessa fase do cantor.
Ronnie Von já tinha lançado três discos, tendo como pano de fundo o inocente movimento musical da Jovem Guarda. Isso embora ele não fizesse parte daquele grupo que fazia as festas das jovens tardes de domingo; Pelo contrário: ele comandava um outro programa na televisão também com a mesma proposta de atingir o público jovem.
Mas em 1968 ele decidiu fazer o que realmente queria. A união com o produtor Arnaldo Saccomani foi fundamental para que os três discos que seriam lançados passassem a ter uma sonoridade mais experimental. Bem distante da Jovem Guarda e mais próxima do movimento Tropicália, capitaneado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil e pelo maestro e arranjador Rogério Duprat.
Na primeira faixa do ´álbum de 1968, intitulado "Ronnie Von", ele declama um trecho de poesia antes de entar na canção "Meu Novo Cantar" (“Doa a quem doer, então eu vou cantar..."). As demais faixas que se sucedem na audição mostram um artista interessado em explorar caminhos diferentes do pop convencional que predominava na época,
Desse disco talvez a faixa mais emblemática seja "Silvia 20 Horas Domingo", que passou a ser venerada pelas novas gerações de músicos. A canção narra um encontro fictício marcado para o final de semana, que na verdade nunca aconteceu de fato.
O segundo disco da trilogia tem um título extenso ("A Misteriosa Luta do Reino de Para Sempre Contra o Império de Nunca Mais") E já tem duas versões de canções pop internacionais em português ("I Started A Joke" e "My Cherie Amour", dos Bee Gees e de Stevie Wonder). Mas mesmo assim conserva a aura de experimentalismo nas faixas "Regina e o Mar" e "Mares de Areia".
Fechando a trilogia psicodélica, é lançado em 1970 o álbum "A Máquina Voadora" também tem algumas faixas com concessões mais comerciais, por imposição da gravadora. Mas é possível notar ecos do psicodelismo na faixa título e em outras como "Baby de Tal" e "O Verão nos Chama". A faixa título fala sobre uma das paixões de Ronnie Von: a aviação. Ele foi piloto de aviões na juventude.
Em uma entrevista dada ao podcast "Disco Voador", Ronnie Von revelou que esse processo de redescoberta de sua obra o fez sentir vingado. Pois apesar de na época as críticas terem sido bastante negativas, a "Trilogia Psicodélica" ainda continua despertando o interesse de colecionadores e de jovens músicos.
"Silvia 20 Horas Domingo"
"Mares de Areia"
"A Máquina Voadora"













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