Atriz, que participou dos primeiros anos da televisão no país, construiu a carreira de sucesso no teatro, no cinema e em novelas como “Irmãos Coragem” e “Rainha da Sucata”. Foto: Globo/ Fábio Rocha
Um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, a atriz Glória Menezes morreu na tarde desta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, na casa dela, no Rio de Janeiro. Ela dedicou mais de seis décadas ao teatro, ao cinema e à televisão. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães adotou Glória Menezes como nome artístico. Filha de Nilo e Mercedes, teve o nome de batismo formado a partir da combinação dos nomes dos pais. Ainda criança, mudou-se para São Paulo, onde iniciou a formação artística e encontrou no teatro o caminho para a profissão.
Em 1959, recebeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão em “Um Lugar ao Sol”, novela da TV Tupi. A produção também marcou o encontro profissional com uma geração de atores que ajudaria a consolidar a teledramaturgia brasileira. No cinema, Glória Menezes estreou em “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O filme, lançado em 1962, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A atriz também participou de produções como “Independência ou Morte” e “Se Eu Fosse Você”.
Foi na televisão, porém, que o nome dela ganhou projeção nacional. Em 1963, na TV Excelsior, Glória Menezes e Tarcísio Meira protagonizaram “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A parceria profissional dos dois acompanharia boa parte da carreira de ambos. Glória e Tarcísio se casaram e permaneceram juntos por 59 anos. Em 1967, os dois foram contratados pela TV Globo e protagonizaram “Sangue e Areia”, de Janete Clair. A parceria seria retomada em outras produções, entre elas “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “O Homem que Deve Morrer” e “O Semideus”. Também trabalharam juntos em “Cavalo de Aço”, “O Grito” e “Espelho Mágico”.
Em “Irmãos Coragem”, exibida em 1970, Glória interpretou Lara, personagem que se tornou um dos destaques de sua trajetória. A atriz ainda participou de novelas como “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Corpo a Corpo” e “Brega e Chique”. Em 1988, voltou a dividir um trabalho com Tarcísio Meira em “Tarcísio & Glória”, série criada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de atuarem, os dois também participaram da produção do programa.
Um dos personagens mais populares da carreira veio em 1990. Em “Rainha da Sucata”, Glória viveu Laurinha Figueiroa, socialite falida que se tornou uma das vilãs mais lembradas da televisão brasileira. A personagem também marcou a primeira vez em que a atriz interpretou uma grande vilã em uma novela. Nos anos seguintes, vieram trabalhos em “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Em “O Beijo do Vampiro”, interpretou Zoroastra. Em “Senhora do Destino”, viveu a Baronesa Laura de Toledo Guimarães. Já em “A Favorita”, deu vida a Irene Fontini. A última novela da atriz foi “Totalmente Demais”, exibida em 2015, na qual interpretou Stelinha Alcântara. A carreira de Glória Menezes também foi marcada por personagens no teatro. Entre os trabalhos estão “Tudo Bem no Ano Que Vem”, que permaneceu em cartaz de 1976 a 1981, “Navalha na Carne”, “Jornada de um Poema” e “Ensina-me a Viver”, espetáculo que ficou em cartaz entre 2008 e 2016.
Por “Jornada de um Poema”, recebeu indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz e o Prêmio Governador do Estado. O trabalho também deu início a uma sequência de três vitórias no Prêmio Qualidade Brasil na categoria de Melhor Atriz Teatral – Drama. Posteriormente, recebeu o mesmo reconhecimento por “Ricardo III”, em 2006, e “Ensina-me a Viver”, em 2008.
Glória Menezes acumulou ainda importantes prêmios ao longo da carreira. Recebeu o Prêmio APCA de Atriz Revelação do Teatro em 1960 e o Troféu Imprensa de Revelação Feminina na TV em 1959. Ao longo dos anos, foi indicada diversas vezes ao Troféu Imprensa e venceu como Melhor Atriz por “Teleteatro da Tupi”, “2-5499 Ocupado” e “Deus nos Acuda”. Em 2004, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto de sua obra na televisão. No ano seguinte, foi homenageada no Festival de Cinema de Gramado com o Troféu Oscarito, ao lado de Tarcísio Meira, pelo conjunto da contribuição do casal à arte brasileira.
Na vida pessoal, além do casamento de 59 anos com Tarcísio Meira, Glória Menezes era mãe de Tarcísio Filho, do relacionamento com o ator, e de João Paulo e Maria Amélia, de seu primeiro casamento. Deixou ainda netos e bisnetos. Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021. Quatro anos depois, Glória Menezes também se despede, encerrando uma trajetória que acompanhou praticamente toda a história da televisão brasileira.
Poucos dias antes da morte dela, em 12 de agosto, a atriz havia sido homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em reconhecimento ao legado construído na dramaturgia. Na cerimônia, foi representada pelo filho Tarcísio Filho. Glória Menezes deixa uma carreira construída em diferentes palcos e estúdios e personagens que permanecem na memória do público. De “Um Lugar ao Sol”, em 1959, a “Totalmente Demais”, em 2015, atravessou gerações de espectadores e ajudou a formar a própria história da dramaturgia brasileira.













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