Mostrando postagens com marcador Obituário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Obituário. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

.: Glória Menezes deixa seis décadas de história na dramaturgia brasileira


Atriz, que participou dos primeiros anos da televisão no país, construiu a carreira de sucesso no teatro, no cinema e em novelas como “Irmãos Coragem” e “Rainha da Sucata”. Foto: Globo/ Fábio Rocha


Um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, a atriz Glória Menezes morreu na tarde desta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, na casa dela, no Rio de Janeiro. Ela dedicou mais de seis décadas ao teatro, ao cinema e à televisão. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães adotou Glória Menezes como nome artístico. Filha de Nilo e Mercedes, teve o nome de batismo formado a partir da combinação dos nomes dos pais. Ainda criança, mudou-se para São Paulo, onde iniciou a formação artística e encontrou no teatro o caminho para a profissão.

Em 1959, recebeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão em “Um Lugar ao Sol”, novela da TV Tupi. A produção também marcou o encontro profissional com uma geração de atores que ajudaria a consolidar a teledramaturgia brasileira. No cinema, Glória Menezes estreou em “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O filme, lançado em 1962, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A atriz também participou de produções como “Independência ou Morte” e “Se Eu Fosse Você”.

Foi na televisão, porém, que o nome dela ganhou projeção nacional. Em 1963, na TV Excelsior, Glória Menezes e Tarcísio Meira protagonizaram “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A parceria profissional dos dois acompanharia boa parte da carreira de ambos. Glória e Tarcísio se casaram e permaneceram juntos por 59 anos. Em 1967, os dois foram contratados pela TV Globo e protagonizaram “Sangue e Areia”, de Janete Clair. A parceria seria retomada em outras produções, entre elas “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “O Homem que Deve Morrer” e “O Semideus”. Também trabalharam juntos em “Cavalo de Aço”, “O Grito” e “Espelho Mágico”.

Em “Irmãos Coragem”, exibida em 1970, Glória interpretou Lara, personagem que se tornou um dos destaques de sua trajetória. A atriz ainda participou de novelas como “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Corpo a Corpo” e “Brega e Chique”. Em 1988, voltou a dividir um trabalho com Tarcísio Meira em “Tarcísio & Glória”, série criada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de atuarem, os dois também participaram da produção do programa.

Um dos personagens mais populares da carreira veio em 1990. Em “Rainha da Sucata”, Glória viveu Laurinha Figueiroa, socialite falida que se tornou uma das vilãs mais lembradas da televisão brasileira. A personagem também marcou a primeira vez em que a atriz interpretou uma grande vilã em uma novela. Nos anos seguintes, vieram trabalhos em “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.

Em “O Beijo do Vampiro”, interpretou Zoroastra. Em “Senhora do Destino”, viveu a Baronesa Laura de Toledo Guimarães. Já em “A Favorita”, deu vida a Irene Fontini. A última novela da atriz foi “Totalmente Demais”, exibida em 2015, na qual interpretou Stelinha Alcântara. A carreira de Glória Menezes também foi marcada por personagens no teatro. Entre os trabalhos estão “Tudo Bem no Ano Que Vem”, que permaneceu em cartaz de 1976 a 1981, “Navalha na Carne”, “Jornada de um Poema” e “Ensina-me a Viver”, espetáculo que ficou em cartaz entre 2008 e 2016.

Por “Jornada de um Poema”, recebeu indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz e o Prêmio Governador do Estado. O trabalho também deu início a uma sequência de três vitórias no Prêmio Qualidade Brasil na categoria de Melhor Atriz Teatral – Drama. Posteriormente, recebeu o mesmo reconhecimento por “Ricardo III”, em 2006, e “Ensina-me a Viver”, em 2008. 

Glória Menezes acumulou ainda importantes prêmios ao longo da carreira. Recebeu o Prêmio APCA de Atriz Revelação do Teatro em 1960 e o Troféu Imprensa de Revelação Feminina na TV em 1959. Ao longo dos anos, foi indicada diversas vezes ao Troféu Imprensa e venceu como Melhor Atriz por “Teleteatro da Tupi”, “2-5499 Ocupado” e “Deus nos Acuda”. Em 2004, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto de sua obra na televisão. No ano seguinte, foi homenageada no Festival de Cinema de Gramado com o Troféu Oscarito, ao lado de Tarcísio Meira, pelo conjunto da contribuição do casal à arte brasileira.

Na vida pessoal, além do casamento de 59 anos com Tarcísio Meira, Glória Menezes era mãe de Tarcísio Filho, do relacionamento com o ator, e de João Paulo e Maria Amélia, de seu primeiro casamento. Deixou ainda netos e bisnetos. Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021. Quatro anos depois, Glória Menezes também se despede, encerrando uma trajetória que acompanhou praticamente toda a história da televisão brasileira.

Poucos dias antes da morte dela, em 12 de agosto, a atriz havia sido homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em reconhecimento ao legado construído na dramaturgia. Na cerimônia, foi representada pelo filho Tarcísio Filho. Glória Menezes deixa uma carreira construída em diferentes palcos e estúdios e personagens que permanecem na memória do público. De “Um Lugar ao Sol”, em 1959, a “Totalmente Demais”, em 2015, atravessou gerações de espectadores e ajudou a formar a própria história da dramaturgia brasileira.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado de oito décadas


Em homenagem à atriz, TV Globo exibe o especial "Tributo" nesta terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo". Foto: Globo/Matheus Malafaia

Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, aos 98 anos, na casa dela, em São Paulo. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, ela se tornou uma das figuras mais importantes da dramaturgia brasileira e construiu uma trajetória artística que atravessou oito décadas, passando pelo rádio, televisão, teatro e cinema. A informação sobre a morte da atriz foi divulgada durante a manhã desta terça-feira, dia 18.

Como homenagem à artista, a TV Globo exibe nesta tarde o especial "Tributo", logo após "Além do Tempo", na Edição Especial. Gravado em 2024, o episódio da série documental revisita momentos marcantes da vida e da carreira de Laura, com depoimentos de amigos e colegas, além de lembranças da infância da atriz. Com a mudança na programação, o filme previsto para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

A atriz começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, deu os primeiros passos no rádio, na Rádio Cosmos. O reconhecimento nacional veio em 1952, quando participou do programa "Tribunal do Coração", da recém-inaugurada TV Tupi. Na emissora paulista, trabalhou com diretores como Dionísio Azevedo e Teixeira Filho e permaneceu até o encerramento das atividades, em 1980. Ao longo da carreira, a atriz acumulou mais de uma centena de trabalhos na televisão, entre novelas, séries e especiais. 

Quando chegou à Globo, em 1981, já carregava o status de estrela. A estreia na emissora aconteceu em "Brilhante", de Gilberto Braga, na pele de Alda Sampaio, mãe da protagonista Luiza, interpretada por Vera Fischer. Depois de uma passagem pela TV Bandeirantes, onde participou de "Ninho de Serpente", de Jorge Andrade, e "Renúncia", de Geraldo Vietri, ambas em 1982, Laura voltou à Globo e retomou uma parceria importante de sua trajetória: a colaboração com o autor Walther Negrão. Com textos de Negrão, esteve em três novelas consecutivas: "Pão-Pão, Beijo-Beijo" (1983), como a inesquecível Donana; "Livre para Voar" (1984); e "Fera Radical" (1988).

A década de 1990 trouxe outros personagens marcantes. Laura participou de "Rainha da Sucata" (1990), de Silvio de Abreu, e "Felicidade" (1991), de Manoel Carlos. Em "Mulheres de Areia" (1993), interpretou Isaura Araújo, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Gloria Pires. No ano seguinte, foi a médium Guiomar, em "A Viagem".

Em 1995, viveu Sinhana, a chamada "mãe Coragem" da segunda versão de "Irmãos Coragem", clássico de Janete Clair dirigido por Luiz Fernando Carvalho. No mesmo ano, interpretou a cigana Soraya em "Explode Coração", de Glória Perez. A parceria com Walther Negrão voltou a render frutos em "Vila Madalena" (1999), novela em que Laura deu vida a Deolinda, uma matriarca italiana. Depois de uma breve passagem pela Record, onde esteve em "Vidas Cruzadas" (2000), de Marcos Lazarini, retornou à Globo em "A Padroeira" (2001), de Walcyr Carrasco. Em "Esperança" (2002), de Benedito Ruy Barbosa, interpretou Madalena, imigrante italiana que sonhava encontrar um marido. A personagem, novamente dirigida por Luiz Fernando Carvalho, estava entre as preferidas da atriz.


Do drama à comédia
Laura Cardoso tinha uma característica que ajudou a torná-la tão admirada: a capacidade de transitar por diferentes gêneros e personagens. Em "Chocolate com Pimenta" (2003), de Walcyr Carrasco, divertiu o público como Carmem, a avó do núcleo caipira. Em "Hoje é Dia de Maria" (2005), sua primeira minissérie na Globo, emprestou a voz à Senhora dos Dois Mundos, avó responsável por narrar histórias para Maria. A produção foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

A atriz também participou do remake de "O Profeta" (2006), adaptado por Duca Rachid e Thelma Guedes a partir da obra de Ivani Ribeiro; de "Duas Caras" (2007), de Aguinaldo Silva; e de "Caminho das Índias" (2009), de Glória Perez, novela vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, na qual interpretou a matriarca indiana Laksmi Ananda.

Em "Araguaia" (2010), de Walther Negrão, Laura viveu Mariquita, amiga de Antoninha, personagem de Regina Duarte, a quem cabia a criação do filho Fernando Rangel, interpretado por Edson Celulari. Já em 2012, ganhou novamente os holofotes ao interpretar Dorotéia em "Gabriela", releitura assinada por Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. A personagem, uma beata considerada "o pilar moral de Ilhéus", caiu no gosto do público.

No ano seguinte, Laura foi Veridiana em "Flor do Caribe". Aos 87 anos, em 2014, participou de três produções: o seriado "Segunda Dama" e as novelas "Boogie Oogie" e "Império". Em 2016, voltou a interpretar uma vilã, Dona Sinhá, em "Sol Nascente", de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer. Em 2017, destacou-se como Caetana em "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco. Dois anos depois, reencontrou o autor em "A Dona do Pedaço", na qual interpretou Matilde.


Teatro, cinema e muitos prêmios
A televisão foi apenas uma das frentes de uma carreira gigantesca. Laura Cardoso também construiu uma história de respeito nos palcos e no cinema, acumulando prêmios e homenagens. No teatro, recebeu o Prêmio Shell em 1990 e 1993 pelas atuações em "Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu", dirigida por Gabriel Villela, e "Vereda da Salvação", com montagem de Antunes Filho. Também foi reconhecida pela APCA, pelo Grande Otelo e por outras importantes premiações.

No cinema, estreou em 1964, com "O Sol", de Geraldo Vietri, e participou de mais de 20 filmes. Pela atuação como Selma em "Através da Janela", de Tata Amaral, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Em 2001, conquistou o Grande Prêmio Cinema Brasil por "Copacabana", dirigido por Carla Camurati.

Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro por sua contribuição ao cinema, ao teatro e à televisão. Em 2021, recebeu o Prêmio Guarani Honorário. Em 2023, foi homenageada com o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado, reconhecimento a uma trajetória fundamental para a história do audiovisual brasileiro.

Em outubro de 2025, Laura Cardoso ganhou uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, eternizando seu nome entre os grandes artistas que ajudaram a construir a dramaturgia brasileira. Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, Laura Cardoso deixa as filhas Fátima e Fernanda, as netas Claudia e Adriana e o bisneto Fernando. O velório acontece na manhã desta terça-feira, em São Paulo, em cerimônia restrita a familiares e amigos. A partida encerra uma das carreiras mais longevas e respeitadas da cultura brasileira. Laura Cardoso deixa personagens, histórias e uma presença artística que atravessou gerações — da era do rádio à televisão contemporânea.


Sobre "Tributo"
O especial dedicado a Laura Cardoso foi gravado em 2024 e recupera momentos da trajetória da atriz, reunindo depoimentos de colegas e amigos e memórias de sua infância. Exibição: terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo" (Edição Especial). Observação: em razão da exibição do especial, o filme programado para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

sábado, 21 de março de 2026

.: Juca de Oliveira deixa o Brasil sem um de seus intérpretes mais lúcidos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Na imagem, Juca Chaves abraçado com Jô Soares durante gravação de entrevista para o programa "Jô Soares Onze e Meia". Foto: Moacyr dos Santos


O ator, diretor e dramaturgo Juca de Oliveira morreu na madrugada deste sábado, dia 21 de março, aos 91 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março, tratando uma pneumonia associada a uma condição cardiológica. A morte ocorreu cinco dias após o artista completar aniversário. Nascido em São Roque, em 1935, José Juca de Oliveira Santos iniciou a formação em Direito na Universidade de São Paulo, mas abandonou o curso para ingressar na Escola de Arte Dramática de São Paulo, onde se formou ator. 

No início da carreira, integrou o Teatro Brasileiro de Comédia e, posteriormente, o Teatro de Arena, período em que trabalhou com nomes como Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Durante a ditadura militar, chegou a se autoexilar na Bolívia em razão de sua militância política. A trajetória na televisão começou na TV Tupi, com participações em teleteatros, e ganhou projeção nacional a partir da década de 1970. Entre seus papéis mais marcantes está o personagem João Gibão, da novela Saramandaia. Ao longo das décadas seguintes, consolidou-se como um dos principais atores da televisão brasileira, com atuações em produções como "Fera Ferida", "O Clone" e "Avenida Brasil". 

No teatro, a principal base de atuação dele, participou de mais de 60 montagens e também se destacou como autor. Entre os textos que escreveu e encenou estão comédias de grande alcance de público, como "Meno Male" e "Caixa Dois". Ao longo da carreira, recebeu prêmios importantes, incluindo o Prêmio Molière, o Prêmio APCA e o Kikito do Festival de Gramado. Juca de Oliveira também teve atuação no cinema, com participações em filmes como "O Caso dos Irmãos Naves" e "Bufo & Spallanzani". 

Na televisão, seguiu ativo até os anos recentes, com trabalhos em novelas como "Flor do Caribe" e "O Outro Lado do Paraíso". Em nota, o SBT lamentou a morte do artista e destacou sua contribuição para a dramaturgia brasileira. “Seu talento enriqueceu de modo exemplar o repertório cultural do país”, afirmou a emissora. Juca de Oliveira deixa a esposa, Maria Luiza, com quem foi casado por mais de cinco décadas, e a filha Isabela. A trajetória dele atravessa diferentes fases da televisão e do teatro no Brasil, com personagens que se tornaram referência para o público e para a própria história da dramaturgia nacional.
Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.