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domingo, 26 de abril de 2026

.: Entrevista: Milena Moreira Lages, a "Tia Milena" do "BBB 26" fez história no reality show


Com personalidade marcante, Milena Moreira Lages fez história no "Big Brother Brasil". Foto: Beatriz Damy

De volta ao mundo real, Milena tomou consciência de que fez história no "Big Brother Brasil". A Pipoca que foi mais longe na disputa em 2026 alcançou o segundo lugar no pódio da temporada. Jogadas arriscadas, conflitos e provocações frequentes fizeram parte de seu dia a dia no programa. A amizade com os “eternos” foi um dos pontos altos de sua jornada no reality show. Ao lado de Ana Paula Renault, a mineira esteve no centro dos embates que agitaram a edição, e colocou em prática atitudes controversas contra os adversários que despertaram reações diversas no público.

Além de tudo isso, a babá e recreadora mergulhou num intenso processo de autoconhecimento. Seu maior medo no "BBB", declara, era ser esquecida. Hoje, ela acredita que a rebeldia e a coragem foram características que lhe levaram tão longe. “Eu deitava na cama e pensava: ‘Gente, o que eu vou fazer?’ Era procurar uma treta ou um paredão, está entendendo? Era o único jeito de ser o centro. Machucar não dava, não era opção. Então era paredão ou tretar”, detalha. A ex-participante já planeja um possível retorno ao reality como veterana, e na entrevista a seguir, conta quais são seus planos mais próximos. Tia Milena também revela suas primeiras percepções depois de deixar o confinamento.
 

Pouco antes do final da temporada, você afirmou que não era mais a mesma pessoa que entrou pela porta no dia 12 de janeiro. O que mudou na Milena de 100 dias atrás e a Milena que saiu ontem como a segunda colocada do ‘BBB 26’? De que forma essa experiência te transformou?
Milena Moreira Lages -
Mudou tudo! Aquela Milena existiu, eu sei que ela está aqui dentro ainda, mas ela deu espaço para uma Milena melhor, para uma evolução. Essa experiência me transformou de todas as maneiras.
 

Logo nos primeiros dias na casa, você estabeleceu uma relação de amizade com a Ana Paula Renault. Como se deu essa conexão entre vocês duas? 
Milena Moreira Lages - O Brigido tirou a Ana Paula da primeira prova e logo após isso eu caí. Quando eu chego na casa, o Juliano (Floss) vem e me dá o conforto. Aí eu lembro que eu tinha brigado com a Sol e ele não deixou a Sol cair. Eu fiquei brava com ele e falei: “Cadê a Ana Paula?”. A única pessoa naquele momento que me veio à cabeça foi ela. Não vamos esquecer de quando eu entrei na casa e falei “a última é ela”. Eu falei: “Olha elaaaa, cadê o seu bordão?”. E ela com cara de “por que vocês estão esperando isso de mim?”. Foi uma conexão verdadeira e real. Se depender de mim, do meu coração e da minha mente vai permanecer igual. Nós somos eternos. Aquela frase do Tadeu eu não gostei muito, não – “Que seja eterno enquanto dure”. Mas é a mais pura verdade, porque a gente não pode entrar na mente das pessoas. Elas têm seu próprio pensamento.
 

A organização do seu pódio mudou do início do jogo para o final. Enquanto a Samira foi para o segundo lugar, a Ana Paula foi para o terceiro. O que provocou essa mudança? 
Milena Moreira Lages - Eu expliquei para a Ana Paula. A Samira estava num momento muito difícil, eu nunca vi ter medo de paredão daquele jeito. Eu era a louca que gostava do risco do paredão. E o pessoal aqui fora sofria muito com isso, porque eu praticamente pedia para ir ao paredão. Inclusive, em um que eu fui indicada, quem me indicou falou: “Ela pediu, é só por isso”. Foi uma semana que o Juliano se aproximou muito da Ana. E eu, quando eu vi aquele momento da Samira no paredão, acolhi e me aproximei muito mais dela. Quando eu vi aquilo, foi uma mega surpresa para mim, fiquei muito brava. Gente, como assim? Essa é a hora de colocar ela, essa é a hora de o público ver que os eternos são eternos ainda. Então, quando eu falei meu pódio, acho que foi uma surpresa até para Ana também, apesar de ela ter me falado que não foi tão surpresa assim, porque eu estava muito ligada à Samira. Eu fiquei muito brava com o Juliano e com a Ana. E, no fim, eles estavam certos, né? Porque foi o pódio dos dois que vingou. Eu dormi e, quando acordei, a primeira coisa que eu falei foi: “Ana, por que vocês fizeram isso com a Samira?”. Mas depois eles me explicaram e hoje eu super vejo e entendo que a gente não manda no pensamento, no coração das pessoas. É o natural, é o que a pessoa tá sentindo. Uma coisa que o Tadeu falou e a Ana falava também é que é semana após semana, dia após dia. Em um segundo pode mudar tudo, um milésimo. E mudou, né? 
 

Você foi apontada pelo público como uma das mais marcantes Pipocas do "Big Brother Brasil". O que te levou ao segundo lugar do "BBB 26", na sua opinião?  
Milena Moreira Lages - A rebeldia e o fato de não ter medo. É um conselho que eu dou sempre para quem se inscreve: vá sem medo. Você vai sofrer depois... porque agora a minha ficha está caindo. Eu desliguei o botão daqui de fora, eu me priorizei. Lá era a minha vida, era como se não existisse ninguém aqui fora. Eu precisava disso para viver lá dentro. Eu precisava desligar a conexão que eu tinha aqui fora para me conectar lá dentro. Só que eu voltei, eu tenho a conexão e o botão teve que ser ligado novamente. É como a gente sempre disse lá: nunca julgar externo, sempre jogar com as armas que nós temos dentro da casa. E cancelar pessoas também não, tá, gente? Nessa edição não tem cancelamento. É uma edição divertida, legal e histórica, como muitos disseram. Então, zero cancelamento, viu? 
 

Você também foi reconhecida pelo jogo arriscado e dizia, lá dentro, que gostava da adrenalina. Qual era a sua estratégia para vencer o "BBB"? 
Milena Moreira Lages - Eu deitava na cama e pensava: “Gente, o que eu vou fazer?” Era procurar uma treta ou um paredão, está entendendo? Era o único jeito de ser o centro. Machucar não dava, não era opção. Então era paredão ou tretar. E treta sem sentido não dava certo. Falei: “O único jeito é o paredão. Vambora, vou atrás dos meus embates e vou desafiar eles. Você é corajoso? Me coloca". E eles me colocavam. Eram os dias em que eu dormia melhor. Todo mundo louco lá dentro por não querer sair; o povo aqui fora arrancando os cabelos. Eu deitava e dormia. Inclusive o Tadeu falava: “Mas que confiança é essa?”. Era porque eu sabia que quem me olha não dorme e os vivos aqui fora também não dormiam não, viu? 
 

Alberto Cowboy e Jonas foram grandes adversários seus ao longo da temporada. O que a incomodava no jogo deles? 
Milena Moreira Lages - Só eles ganhavam prova; juntos foram oito lideranças. Inclusive a liderança em dupla foi de quem? Dos dois! Por isso que eu dei o monstro para o Jonas. Com certeza um queria colocar a Ana Paula e o outro queria me colocar. Eu falei: “Gente, vamos resolver esse trem logo de uma vez? Toma o seu monstro, já que você gostou de colecionar colares. E por favor, gente, palmas pra mim”. Aí me bateram palma. Eles entraram em consenso – ainda não vi essa parte do programa – e me colocaram, tudo bem. Desde o primeiro paredão, eu não me permiti mais ser pega de surpresa. Eu com aquela mira no braço e todos falavam: “Ele não vai te colocar, ele não vai te colocar...” O que ele fez? Ele me colocou. Apesar de me incomodar o fato de não conseguir vencer prova, o público não ia tirar eles de lá porque eles ganhavam. É um mérito deles: o físico, o mental. Mas eles me incomodavam em tudo. Principalmente pela questão da Ana Paula. Eles estavam sempre ali tentando. E ela também não era uma santa, né? Ela também tentava. Nós tivemos um jogo muito parecido nessa questão de ir atrás dos embates.
 

Com a postura mais provocativa, você se tornou alvo logo na primeira semana, mas também demonstrava segurança ao encarar as berlindas. Como lidou com essa ameaça constante de deixar o reality?  
Milena Moreira Lages - A primeira foi terrível, porque na minha cabeça o primeiro que sai é sempre o esquecido. Não sei como foi com a Aline (Campos), mas nas outras edições, o primeiro nunca é lembrado. Eu sempre tive o medo de ser esquecida. Se fosse para sair, que eu tivesse feito algo que presta, algo para ser lembrada. Mas no fundo, no fundo, tinha um medo. Eu só não ia demonstrar isso para os meus adversários. Sabe por quê? Porque se eles não me conhecem, eles podem julgar o tanto que eles quiserem errado. Eu me conheço e é o que importa. Era o que a Ana sempre dizia: “A nossa vantagem é que eles não nos conhecem. Deixa eles pensarem que nós somos destemidas, que nós não temos medo”. Foi isso que nos ajudou a chegar até aqui. 
 

Quais foram os momentos mais especiais da temporada para você? E os mais difíceis? 
Milena Moreira Lages - Com certeza o primeiro foi a conexão que eu tive com a Ana, depois a conexão com a Samira. A lealdade que eu tive. E as pessoas não entendiam a lealdade que eu tinha com o Breno. Eles tinham que assistir à casa de vidro para saber o porquê. O Breno me salvou de ser desclassificada ali mesmo. Eu consegui lá dominar esse meu jeito explosivo. Eu fiquei a ponto de machucar alguém e isso não era o que eu queria. Não era nem tanto pela explosão, é porque isso não é de mim mesmo. 
 

Na prova do finalista, você se desentendeu com a Ana Paula por conta do apoio ao Leandro. Como foi essa questão para você?
Milena Moreira Lages - Eu não queria que o sonho de ninguém acabasse, essa foi a minha frase. Mas é um jogo e o sonho de alguém tem que acabar para o do outro continuar. Inclusive, não é só no jogo, na vida também. Mas aqui a gente consegue controlar um pouco; lá não, está na mão do público. Depois que eu saí do primeiro grupo, quando ficou eu, Ana, Juliano e Samira, eu tive uma certa resistência de aceitar outras pessoas. E eles me apoiaram a aceitar o boneco, porque foi o único do quarto branco e da “família feliz” que sobrou. Então, eu fui aplaudida e senti que eu estava fazendo o certo em abraçá-lo: “Você é um eterno agora”. Só que depois eu me senti mal porque parecia que eu não estava sendo fiel, não estava sendo leal com ele em querer que ele saia a qualquer custo. Sendo que ele estava no quarto, ele estava no eterno. E era isso que eu tentava explicar e eles não entenderam muito. Outra coisa que foi polêmica foi a voz. Eu amo a voz e eu sempre falei, desde o primeiro paredão, que a melhor parte é conversar com ela naquele papo com o emparedado. Aí quando a Ana veio para mim e falou: “Tia Milena, já é uma vitória. Já é grande não ter subido nós três, que era um medo desde o início.” Aí eu virei para ela e falei: “Não, a melhor parte para mim é a voz. A segunda é essa”. Aí ela largou minha mão. Mas é óbvio que eu fiquei feliz de não ir o Juliano, eu e a Ana, porque era melhor o Boneco ter saído do que eu, do que a Ana. Sobre as informações da prova, na verdade, foi mais uma brincadeira. Inclusive, ele não estava dormindo. O cara ficou seis dias no quarto branco, acordado. Você acha que numa prova, para garantir a final, ele iria vacilar e dormir? Jamais ele dormiria ali. E essa foi a informação pela qual eles brigaram comigo e o Juliano até ficou com o pé atrás de me passar... Estudar comigo, porque eu não considero que ele passou a informação. Acho que foi uma forma diferente de eu estudar, que eu pegava melhor. Aí foi uma brincadeira para descontrair, foi o susto. 
 

Se tivesse a chance, faria algo diferente no "BBB"? 
Milena Moreira Lages - Faria tudo igual. Porque se eu não tivesse feito, eu não estaria aqui onde eu estou hoje. Inclusive, eu voltarei. Eu sei que haverá novas regras, mas venho em busca do meu primeiro lugar. E que fique bem claro, eu estou muito feliz que cheguei na final e estou aqui vivendo uma vida que jamais imaginava. Eu estou mega feliz pela Ana, sério. Eu e o Juliano estamos explodindo de felicidade por ela. Ela é milionária, inclusive vai pagar a minha viagem internacional todinha (risos). O combinado é que o milionário paga. 
 

Que aprendizados ficam dessa experiência tão longa e tão intensa? 
Milena Moreira Lages - O maior aprendizado é o da descoberta, de se remontar e saber que tudo que você acredita e vive não é verdade. Ou pode ser verdade e sempre se adequar, sempre se redescobrir. Eu descobri umas dez Milenas que eu não sabia que existiam, que eu trouxe para cá. Elas vão ter que continuar dominando e é isso aí.
 

Quais são seus próximos planos depois de participar do ‘BBB 26’? O que deseja realizar daqui para frente? 
Milena Moreira Lages - Eu só queria uma casa para a minha mãe; para mim, depois eu correria atrás. Uma coisa que o "BBB" ensinou é: “jamais tenha planos”. Ou tenha planos, mas siga o baile, gente. O que vier é lucro. Inclusive, eu sei que tem muitas “publis”. Se a Globo quiser renovar comigo, se ela quiser que eu cante, eu canto. Se ela quiser que eu vire atriz, eu viro. Viro produção também... eu estou aberta a tudo. Tudo que vem é um aprendizado para o futuro, para esse novo crescimento da Milena.
 

Que amizades deseja cultivar fora da casa? 
Milena Moreira Lages - Ana, Samira e Juliano. Com os três eu desejo muito continuar aqui fora. Eu vejo os “eternos” bem velhinhos sentados ali, lembrando de tudo e rindo. É engraçado que eu crio afeto pelas pessoas muito facilmente. Mas lá eu tentei não criar esse afeto, porque a gente sofre. Não tem como amar sem sofrer. Inclusive, a Ana ficou muito brava comigo. Eu não esqueci tudo que a Jordan fez, mas naquela noite do pijama foi a primeira vez que eu me permiti olhar de verdade nos olhos dela e ter uma conversa normal, sem ter na cabeça de “ela é sua inimiga, ela é terrível; lembra de tudo o que ela fez com você...”. Eu lembrava, mas foi a primeira vez que eu me permiti olhar para ela, conversar. E eu senti realmente que ela ficou feliz ali pela minha conquista com o RBD e por estarmos os cinco ali.

.: Entrevista: Juliano Floss, no flow do "Big Brother Brasil 26"


Cheio de molejo e atitude, Juliano Floss foi um dos destaques do "BBB 26". Foto: Globo/ Beatriz Damy

Juliano Floss teve uma trajetória intensa no "BBB 26", marcada por posicionamentos firmes e muita lealdade com quem estava ao seu lado, o que o fez conquistar o público, escapar de diversos paredões e garantir seu lugar no pódio como o terceiro colocado da edição. Desde as primeiras semanas, o dançarino se destacou por não fugir de conflitos e protagonizar embates relevantes, sempre com uma leitura estratégica da casa. Estabeleceu uma amizade admirável com Ana Paula Renault e Milena Moreira Lages, com quem permaneceu até o fim. Ele foi o primeiro a garantir uma vaga na final ao vencer a Prova do Finalista. "Um momento muito especial pra mim também foi quando eu fui para o paredão falso, porque ali eu realmente achei que eu poderia estar saindo do jogo. Eu fiquei muito feliz, porque eu achei que iria embora. E quando eu voltei, deu sangue no olho pra jogar, pra continuar no game. Entrar na casa é mágico, voltar pra casa é mais mágico ainda", lembra. Na entrevista a seguir, Juliano analisa os principais acontecimentos que o levaram ao terceiro lugar e comenta quais são seus planos após o programa. 

Você alcançou o 3º lugar no pódio do "BBB 26". A que atribui essa posição no reality? Que balanço faz da sua trajetória? 
Juliano Floss - 
Nossa, eu acho muito doido, porque a gente realmente tem a sensação de que não sabe de nada. Em relação ao público mesmo. Pelo menos eu e Ana Paula, quando a gente jogava junto, a gente ligava muito os pontos. Mas nossos pontos poderiam estar errados, era o que a gente pensava, a gente jogava de acordo com os nossos achismos. Então, poderia estar certo ou errado. Então a gente não ficava pensando nisso. Só que agora ver que o público deixou a gente ficar até a final, ver “os eternos” na final, eu acho que é uma coisa muito simbólica pra gente. A gente ainda não está conseguindo raciocinar muito bem devido a tudo que aconteceu. A gente espera muito pra chegar na final e a final passa muito rápido. A gente quer ficar lá muito tempo pra aproveitar essa sensação. Mas ouvir o Tadeu falar quem ganhou foi muito incrível. Eu nem consegui dormir essa noite, porque eu estou muito feliz. Durante a minha trajetória eu tinha muita fé, mas não dava pra ter certeza de que isso ia acontecer. Então chegar de fato, depois de 100 dias lutando muito, foi uma coisa que me deixou muito orgulhoso mesmo, sabe? E sem o público isso não seria possível. Então eu estou mais feliz ainda de saber não só que eu cheguei, mas que o público foi comigo.  

 

O público acompanhou sua evolução no jogo ao longo da temporada. Em que momento percebeu que estava crescendo dentro do jogo? 
Juliano Floss - Não sei se você vai acreditar em mim, mas foi só agora que eu cheguei na final. Eu juro. Quando voltei do meu primeiro paredão, eu fiquei muito feliz. Todos os paredões são intensos, na verdade. Cada um tem um sentimento diferente. Mas, no primeiro, você realmente está mais perdido. Quando você volta do primeiro, você sente que tem alguém com você. Mas se está forte no jogo? Não tem como saber. Isso a gente até pensou em esquecer lá dentro. Jogamos com base no que a gente estava vendo e com a lealdade do nosso grupo. Mas não tinha como saber de nada mesmo. Um paredão nunca te responde nada, isso é muito doido. Na final eu vi, por exemplo, um vídeo da minha cidade, a galera usando máscara, usando faixa... e até aquele momento eu ainda não tinha conseguido processar que a gente estava na final. Eu falei isso com a tia Milena quando a gente saiu do programa. Eu perguntei: você entendeu? E ela falou: cara, eu não entendi, você entendeu? E aí a gente ficou assim, bobos de felicidade. 

 

Como integrante do grupo Camarote, você entrou no "BBB" com uma grande base de fãs. Em algum momento isso foi uma preocupação no confinamento? 
Juliano Floss - Eu optei, na verdade, por não pensar nisso. Porque, se não, eu poderia me confundir, porque eu acho que o que importava é o que estava acontecendo lá dentro mesmo. A gente conversou sobre isso várias vezes, a gente nunca julgou alguém como forte ou fraco. A gente pensava no jogo. Eu sabia que pra mim o que ia importar mais é o que eu fazia lá dentro. Mas eu sabia que poderia decepcionar muitas pessoas também. Eu acho que é mais sobre isso. Você não pensa que está forte, você pensa em quanto você pode decepcionar. Então sair e ver que tem uma galera que torceu muito me deixou muito feliz. 

 

Por algum tempo, você foi o elo entre os grupos de Babu Santana e Ana Paula Renault – a chamada “grande família” - mas quando o grupão rachou, você se viu no meio deles. Como foi lidar com essa situação e ter que escolher um lado para seguir? 
Juliano Floss - O começo foi muito complicado, pra ser sincero, porque eram duas pessoas por quem eu tinha carinho, só que eu me encaixava mais no jogo da Ana Paula, eu sempre me encaixei mais. A gente sempre conversou sobre o jogo, a gente tinha uma troca muito da hora. Com tia Milena também, eu sempre tive um carinho muito grande desde o começo do jogo. Eu preferia jogar com elas mesmo, por isso que eu estava naquele quarto desde o primeiro dia. Mas o Babu era uma pessoa que a gente estava se aproximando, começamos um grupo de nove pessoas. Eles jogavam juntos, só que chegou um momento do jogo em que eles começaram a se desentender, por causa de uma prova. E eu estava no meio.  E aí quando a gente saiu daquela prova, eles começaram a tretar já logo depois. No jogo, você pode ter uma relação de carinho pelas pessoas e não jogar junto com elas, sabe? Porque às vezes você pode não concordar com o jogo e ter uma boa troca com a pessoa. No fim, o Babu veio até mim e falou que não queria mais jogar comigo. Acabou sendo bom, porque aí eu pude conversar com ele sobre música, sobre cinema, mas jogar com quem eu concordava mais. 

 

Na reta final, você e Samira tiveram um grande desentendimento e ficaram alguns dias sem se falar. Naquele momento você achou que poderia ser o fim dos ‘eternos’? Como se sentiu quando soube que ela votou em você? 

Juliano Floss - Eu confesso que eu fiquei muito decepcionado naquele momento do jogo, porque eu não estava esperando mesmo, a gente tinha um objetivo de ir nós quatro até o fim. A gente tinha combinado de tentar fugir do paredão, de fazer estratégias pra gente ficar junto. Então, quando ela votou em mim, eu fiquei triste. Mas, de qualquer jeito, eu acho que é tudo muito intenso lá dentro. Realmente, eu não entendi na hora, foi algo que eu achei desnecessário. Mas a gente conseguiu conversar depois, a gente se resolveu. E foi triste quando ela saiu, porque a gente tinha esse negócio de “eternos até o final”, sabe? 

 

Você foi visto como alguém que conseguia manter a calma em meio ao caos. Qual foi sua maior estratégia para não se deixar levar pelas tensões da casa? 
Juliano Floss - Eu acho que é muito difícil não se deixar levar. Eu me entreguei muito, no sentido de “eu vou viver isso aqui o máximo possível, intensamente”. Então, quando algo mexia comigo, mexia também com o meu jogo. Mas não tinha como fugir das tensões. Em vários momentos eu só passava uma vassoura ou sei lá, lavava uma louça... ficava na academia pra ter pelo menos um momento em que eu não ficasse estressado. Porque realmente foi um jogo de muita treta. Mas eu não queria fugir delas em nenhum momento, foi só uma forma de aliviar a tensão. Eu tentava me distrair. 

 

Quem foi seu maior adversário no jogo? 
Juliano Floss - Pra mim foi o Jonas, porque realmente, teve um dia até que eu olhei pra ele e falei, ou você vai sair ou eu vou sair, porque a gente pensa totalmente diferente. Ele olhou pra mim um dia e falou que eu não ia ganhar nenhuma prova. Ele foi o meu maior adversário no jogo, mas eu não tenho nenhum rancor também. Foi só no jogo. 

 

Em vários momentos, você se destacou pela leitura de jogo. Qual foi a jogada ou movimentação que mais te surpreendeu vindo dos adversários? 
Juliano Floss - Teve um momento que a Jordana fez uma negociação com a Ana Paula, mesmo com elas sendo adversárias, se votando o jogo inteiro. Elas fizeram um combinado pra nenhuma delas ir para o paredão. Eu achei isso muito inteligente e estratégico. 

 

Quais foram os momentos mais especiais da temporada para você? E os mais desafiadores? 
Juliano Floss - Pra mim foi a volta do meu primeiro paredão, a volta do meu segundo paredão, a volta do meu terceiro paredão, a volta do meu quarto paredão (risos). Porque todo paredão é um paredão, né? Pode ser o fim ou pode ser o começo. E um momento muito especial pra mim também foi quando eu fui para o paredão falso, porque ali eu realmente achei que eu poderia estar saindo do jogo. Eu fiquei muito feliz, porque eu achei que iria embora. E quando eu voltei, deu sangue no olho pra jogar, pra continuar no game. Entrar na casa é mágico, voltar pra casa é mais mágico ainda.  

 

Quais são seus próximos planos depois de participar do "BBB 26"?  
Juliano Floss - Eu tenho que focar na minha carreira artística agora, porque tem muita coisa que eu estava segurando. Tem um projeto de dança incrível que eu estava fazendo há alguns meses. Então, eu já estou pensando nisso. Nos meus projetos de dança, nas minhas músicas, no meu curso de teatro. E eu quero agora tirar uma CNH também, porque eu ganhei um carro no Big Brother, e agora preciso dirigir (risos). 

 

Que amizades deseja cultivar fora da casa? 
Juliano Floss - Com certeza Ana Paula e tia Milena, maximamente. A gente combinou, fazermos um juramento de dedinho de que nós íamos continuar a nossa amizade.  A gente ainda vai viajar junto, mas agora a agenda delas deve ficar apertada, pelo visto, e a minha também. Então, vamos ter que achar a data certa. 

domingo, 5 de abril de 2026

.: Bruna Martiolli rejeita a leitura superficial e reafirma força da literatura


Bruna Martiolli revisita a própria formação como leitora, atravessa perdas e questiona o papel da literatura em um tempo que acelera tudo — inclusive a leitura. Imagem a partir de uma foto do acervo pessoal da autora, modificada por IA

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

É tempo de morangos e a conversa com Bruna Martiolli começa antes da primeira pergunta. Passa por estantes, algoritmos e histórias que não cabem em qualquer postagem. Entre uma lembrança de infância e outra, aparecem "A Hora da Estrela", Clarice Lispector, Elena Ferrante, José Saramago, Lygia Fagundes Telles, Eça de Queiroz e Lima Barreto como presença contínua na vida de quem aprendeu cedo a ler o mundo pelos livros e, mais tarde, a desconfiar deles também.

Escritora, podcaster, professora e doutoranda, acompanhada por centenas de milhares de leitores nas redes sociais, ela estreia com o livro "É Tempo de Morangos - Reflexões Sobre Livros", publicado pela Editora Intrínseca, sem organizar a própria trajetória em linha reta. As memórias aparecem acompanhadas de leituras, mudanças de rota e perdas que ainda não se acomodaram. Bruna prefere ficar numa literatura que desestabiliza, erra junto, volta atrás e continua insistindo. Em entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ela retoma esse percurso em primeira pessoa, entre livros, escolhas e aquilo que ficou pelo caminho. Compre o livro "É Tempo de Morangos", de Bruna Martiolli, neste link.

Resenhando.com - Você foi uma criança que brincava de dar aulas para suas bonecas. Em sua trajetória, os livros se tornaram não só companheiros, mas guias. Como você enxerga esse movimento de infância para a maturidade literária?
Bruna Martiolli - Sinto que esse movimento foi menos uma ruptura e mais um desdobramento natural, já existia ali um desejo muito genuíno de entender o mundo, as relações, as pessoas sobretudo. Os livros entraram nesse cenário quase como aliados silenciosos. Na vida adulta a leitura deixou de ser apenas uma atividade prazerosa e passou a ser uma ferramenta de investigação. 


O que aconteceu entre esses dois momentos para que a leitura se transformasse em uma ferramenta tão poderosa para você?
Bruna Martiolli - Eu comecei a ler para compreender as pessoas, os conflitos, os silêncios e as contradições, inclusive as minhas. No fundo, acho que não sou muito diferente daquela criança que ensinava as suas bonecas, a diferença é que hoje entendo que, antes de ensinar, estou sempre aprendendo a ler o mundo.


Resenhando.com - O título do seu livro, "É Tempo de Morangos", evoca um tempo mais doce e nostálgico. Mas, ao mesmo tempo, a literatura que você aborda traz à tona reflexões profundas e dolorosas. Qual é a relação entre esses dois tempos na sua obra? 
Bruna Martiolli - O título vem da última frase da “A Hora da Estrela” da Clarice, não posso explicar abertamente pois seria o maior spoiler sobre a Macabéa (protagonista do livro), mas, eu vejo esses dois tempos não como opostos, mas como camadas que coexistem. Existe ali uma nostalgia, sim, mas é mais um convite a lembrar que a vida é feita de instantes, fases, ciclos, mas que ela acaba e  por isso é preciso viver os morangos, viver cada fase. Porque viver e, principalmente, olhar com atenção para a vida inevitavelmente nos coloca diante das complexidades, das dores, das ausências, das perguntas que não têm resposta fácil. 

O que significa para você “morar” entre os morangos e as complexidades da vida?
Bruna Martiolli - “Morar” entre os morangos e as complexidades é, para mim, um exercício de equilíbrio e de honestidade. É entender que a doçura não anula a dor, e que a dor também não invalida a beleza. Eu não acredito em uma literatura que romantiza a vida a ponto de apagá-la, mas também não me interessa uma escrita que se fixa apenas no peso das coisas. O que me move é justamente esse "entrelugar" da Clarice, há sensibilidade suficiente para perceber o que é leve, mas também coragem para sustentar o que é difícil. Acho que os morangos me devolveram à vida, me ensinaram a aceitar que posso estar vivendo um momento bonito enquanto ainda carrego algo que dói. Eu amei o lançamento do livro no Rio e em São Paulo, principalmente por ter conseguido estar o máximo possível com as pessoas que amo. Mas ainda assim existe uma sensação de incompletude: a ausência da minha avó ali também doeu e é essa a vida que vou ter pra sempre.


Resenhando.com - Você fala da importância da literatura em momentos de desamparo, como foi no seu caso. Em tempos de crise, como o que todos estão vivendo, a literatura pode ser a cura ou só um paliativo? 
Bruna Martiolli - Eu não sei se a literatura pode ser chamada de cura, e talvez a Martha Nussbaum me ajude a sustentar isso. Quando ela fala da importância das emoções na vida ética, ela não está dizendo que a arte resolve a dor, mas que ela nos educa sensivelmente para lidar com ela. A literatura, não elimina o sofrimento, mas amplia a nossa capacidade de compreendê-lo, de nomeá-lo, de reconhecê-lo no outro.


Qual é o papel da ficção no enfrentamento das nossas angústias contemporâneas?
Bruna Martiolli - A ficção, muitas vezes, abre espaço para vozes que foram historicamente silenciadas e, ao fazer isso, desloca o nosso olhar. Em tempos de crise, isso é fundamental, porque nos tira de uma experiência isolada da dor e nos coloca em relação. Então talvez a literatura não seja cura no sentido de apagar a angústia, nem apenas um paliativo que anestesia. Ela é uma forma de resistência num mundo que frequentemente simplifica, acelera e silencia o ser humano. A ficção nos obriga a demorar, a escutar, a sustentar ambiguidades,  e isso muda a forma como habitamos e sentimos a vida. No meu caso, foi exatamente isso: a literatura não me salvou da dor, mas me deu condições de não me perder completamente dentro dela.


Resenhando.com - Clarice Lispector e Elena Ferrante foram influências marcantes na sua vida. Mas, se você pudesse resgatar um autor que considera fundamental para a sua formação literária e que talvez não tenha sido mencionado em suas reflexões, quem seria?
Bruna Martiolli - Tem um nome muito fundamental e que nem sempre aparece quando falo das minhas influências, eu diria Lima Barreto. A escrita dele tem uma urgência crítica, quase incômoda, que desmonta ilusões sobre o nosso país, sobre as nossas instituições e sobre a própria ideia de progresso. No "Triste Fim de Policarpo Quaresma" ele expõe o abismo entre o ideal e a realidade brasileira com uma ironia que ainda hoje é perturbadora. Lima me ensinou a encarar a estrutura  histórica, racial e política que molda as nossas experiências.


Resenhando.com - Você traz uma relação íntima com a literatura de língua portuguesa, mas também abre espaço para reflexões sobre como ela pode estar sendo negligenciada, principalmente pelos jovens que consomem literatura através de plataformas como o BookTok. Qual é o risco que se corre ao não valorizar mais a literatura nacional em favor de tendências globais e rápidas?
Bruna Martiolli - Eu me baseio nisso pelo olhar sensível que Alfredo Bosi tinha para a literatura como forma de consciência histórica e digo que o risco é profundamente cultural. Quando a literatura de língua portuguesa passa a ser deixada de lado em favor de tendências globais rápidas, como as que circulam no BookTok, a gente não está só trocando um tipo de leitura por outro. A gente está, aos poucos, enfraquecendo a nossa própria capacidade de nos reconhecer enquanto sujeitos históricos, sociais e afetivos num país que fala a língua portuguesa. Bosi sempre defendeu que a literatura é uma forma de memória viva. Ela não é só entretenimento: ela carrega conflitos, linguagem, identidade, modos de ver o mundo. Quando o jovem leitor deixa de acessar autores nacionais, ele perde contato com experiências que dialogam diretamente com a realidade dele, seja ela urbana, periférica, rural, atravessada por desigualdades ou por afetos muito específicos do nosso contexto. O problema das tendências globais e rápidas não está necessariamente na sua existência, mas na lógica de consumo que as sustenta. Inclusive, eu também as leio e, gostando ou não, formo minhas próprias opiniões. São leituras frequentemente mediadas por algoritmos, por modas passageiras e por uma estética da velocidade que não favorece a profundidade. Isso acaba formando um leitor que consome mais do que elabora, que atravessa os textos sem, de fato, ser transformado por eles. E é aí que reside o maior risco: a formação de uma relação superficial com a leitura. Sem o contato com obras mais densas da literatura nacional, o leitor pode perder a oportunidade de desenvolver um olhar crítico mais refinado sobre as próprias vivências, além de uma sensibilidade mais complexa para a linguagem e para a realidade. Valorizar a literatura de língua portuguesa, dos nove países que falam a língua portuguesa, não é um gesto de resistência vazia ou de nacionalismo simplista porque “tô a fim”. É, na verdade, um modo de preservar a nossa capacidade de pensar a partir de nós mesmos. Porque, no fim, quando a gente abandona essas vozes, a gente também corre o risco de se tornar estrangeiro dentro da própria cultura.


Resenhando.com - Na sua obra, há uma relação direta entre livros e transformações de vida, como no caso da sua mudança para Portugal. Quais livros você recomenda para quem está passando por uma transição significativa, seja pessoal ou profissional?
Bruna Martiolli - Um livro que eu destacaria, sem dúvida, é "Sodade", da Ana da Cunha. É uma obra muito recente, mas que já nasce com essa força de tocar em algo muito íntimo: a sensação de ausência, de deslocamento, de viver entre lugares. O que me atravessa ali é a maneira como a saudade deixa de ser só um sentimento e vira quase uma estrutura de vida. Para quem está em transição, esse livro não oferece respostas fáceis, e isso é essencial, mas legitima o desconforto, a ambivalência, a incompletude. E, talvez trazendo mais para perto da nossa tradição, eu lembraria de "Dois Irmãos", do Milton Hatoum, que toca em questões de origem, memória e pertencimento dentro de um contexto marcado por heranças migratórias. É um livro que fala muito sobre como carregamos nossos lugares dentro da gente, mesmo quando tudo muda ao redor.


Resenhando.com - Você menciona como a "Tetralogia Napolitana" de Elena Ferrante se tornou dolorosa após o esmorecimento de uma grande amizade. A literatura tem o poder de refletir as vivências, mas até que ponto a ficção é uma extensão da realidade ou um escape dela? 
Bruna Martiolli - Eu acho que a literatura nunca é só uma coisa ou outra, ela não é puramente espelho, nem puramente fuga. Quando li a "Tetralogia Napolitana", não foi nada confortável, abandonei a cadeira na faculdade e fugi mesmo, não era momento. A ficção, pra mim, funciona como uma espécie de lente que me faz ver melhor e vendo melhor reorganiza o que já existe dentro da gente. Às vezes ela amplia, às vezes distorce, às vezes ilumina coisas que estavam ali, quietas, esperando uma linguagem. 


Resenhando.com - Você já se deparou com momentos em que a literatura também a traiu, revelando mais do que você gostaria?
Bruna Martiolli - Sim, já senti que a literatura me traiu. Mas não no sentido de enganar, no sentido de expor. De colocar em palavras algo que eu ainda não tinha coragem de formular. É como se o texto dissesse: “olha, é isso aqui que você tá sentindo”, antes de estar pronta pra admitir. E aí não tem mais como fingir que não viu. Respondendo melhor: a vida trai mais do que a literatura, prefiro ela.


Resenhando.com - A literatura sempre teve papel central na sua vida, mas você também compartilha esse amor com uma grande audiência através das redes sociais e seu podcast "É Tempo de Morangos". Como você equilibra a pressão da visibilidade pública com a intimidade da sua escrita, que é, em essência, tão pessoal?
Bruna Martiolli - Eu sou filha única e vivo uma solidão que, apesar de boa, às vezes até assusta. A internet, pra mim, nunca foi sobre números, sempre foi sobre pessoas que, infelizmente, eu nunca esbarrei na vida. Tive poucas amigas que gostavam de ler, e acho que virei professora muito por essa necessidade de continuar falando sobre livros, de não deixar essa conversa morrer. Eu devo muito a eles: a vida que levo hoje, bem vivida, gostosa, calma, passa diretamente pela literatura. E eu nunca pensei “vou postar sobre livros nas redes sociais”. Eu falo de literatura onde eu estiver, na internet ou fora dela. Não existe uma separação tão rígida pra mim. Quando paro pra pensar no número de ouvintes, fico triste. Não quero saber quantas pessoas estão ali, isso é uma grande ilusão da nossa geração, o que me importa é ouvir essas pessoas. É por isso que gosto tanto dos comentários: é ali que descubro o que gostam, onde moram, vejo suas fotos, seus cabelos, suas famílias. As pessoas. Eu gosto de livros, mas gosto muito de gente. E a internet é só o que me aproxima delas. No fundo, não acho que o que eu digo seja pessoal. Pessoal, pra mim, é quem ouve, quem escolhe me dar um pedaço do próprio tempo de vida.


Resenhando.com - Se a literatura fosse uma pessoa, como você a descreveria em termos de identidade? Ela seria amiga, amante ou uma figura de autoridade?
Bruna Martiolli - A literatura é a formiga e ao mesmo tempo a cigarra. É o gato de Cheshire e a Alice, a literatura é a dúvida. É amiga e, ao mesmo tempo, é uma figura de autoridade. É uma pessoa, mas é aquela ideia do Fernando Pessoa de que em um cabem mil. 


Resenhando.com - Você defende a ideia de que a boa literatura não precisa agradar à primeira vista. No entanto, as redes sociais e plataformas como o BookTok são movidas por emoções rápidas e “recompensas instantâneas”. Como é possível reconstruir um espaço literário que valorize o tempo de amadurecimento, sem se perder nas urgências da era digital?
Bruna Martiolli - Eu não acho que seja uma questão de disputar com a lógica das redes, porque a literatura nunca funcionou no tempo da pressa, e talvez nem deva tentar funcionar. O que dá pra fazer é criar pequenos desvios dentro desse fluxo. As redes sociais, operam muito pela reação imediata, pelo entusiasmo rápido, pela necessidade de sentir algo agora e isso não é necessariamente um problema, é só uma linguagem diferente. O risco está quando a gente começa a confundir intensidade com profundidade, como se o impacto imediato fosse o único critério de valor. Mas, reconstruir um espaço literário mais paciente, pra mim, passa por insistir em outras formas de presença. Falar de um livro que não “funcionou” de primeira, revisitar uma leitura depois de um tempo, admitir silêncios, dúvidas, mudanças de opinião. Mostrar que a experiência literária também é feita de demora, de estranhamento, de algo que vai se abrindo aos poucos. E, principalmente, confiar que existe gente disposta a isso. Porque existe. Nem todo mundo está buscando recompensa instantânea o tempo todo, muitas pessoas só não encontram com frequência espaços que legitimem esse outro ritmo. Acho que não se trata de desacelerar a internet inteira, o que seria impossível, mas de sustentar, dentro dela, um outro tempo. Um tempo em que o livro não precisa agradar de imediato para permanecer porque ele pode incomodar, escapar, e ainda assim continuar trabalhando em quem lê.

quarta-feira, 11 de março de 2026

.: Entrevista: Babu Santana reflete sobre a polêmica participação no "BBB 26"


Ao analisar a trajetória no programa, ator destaca o que faria diferente. Foto: Globo/ Beatriz Damy

Ator consagrado, Babu Santana se permitiu viver mais uma vez a experiência de participar do "Big Brother Brasil". Seis anos depois de inaugurar o grupo Camarote, o ator virou veterano no "BBB 26" e, nessa nova jornada, acredita que a postura anteriormente “passiva”, como diz, deu lugar a uma posição enérgica de jogo. Foi nesta edição que Babu alcançou a famigerada liderança, realizou o sonho de desfrutar de uma festa a seu gosto e integrou um grande grupo que mais tarde viria a se dividir por divergências internas. O embate do participante com a também já conhecida Ana Paula Renault marcou uma virada em sua trajetória no reality show e contribuiu para sua segunda ida ao paredão, já que a recreadora Milena Moreira definiu em consenso com Jonas a indicação do brother. 

Na berlinda contra Milena e a amiga Chaiany Andrade, o ator acabou eliminado com 68,62% dos votos. Ao analisar a trajetória no programa, Babu destaca o que faria diferente: “Depois da conquista da liderança, eu pisaria mais no freio para poder sair com alguma coisa da casa. Com a condição de ser TOP 10 para ganhar o apartamento, eu desaceleraria aquele embate com a Ana Paula, deixaria o meu incômodo um pouco mais guardado para depois, então, pensar de forma mais tranquila o que fazer com aquela insatisfação”. Na entrevista a seguir, Babu Santana observa como o jogo deve seguir depois de sua saída e conta sobre próximos passos depois do "BBB".

 
Depois de inaugurar o grupo Camarote no "BBB 20", você retornou ao programa como um Veterano nesta edição. Quais foram as maiores diferenças entre essas duas experiências? 

Babu Santana - A maior diferença foi que da primeira vez eu entrei a esmo total, à revelia, a pura atitude de aventura. Não tinha nenhum tipo de malícia nem expectativa. E agora, no "BBB 26", eu acho que eu entro com a intenção de não ser tão passivo. Eu adoto uma postura de jogar, de tretar e acelerar o jogo. Eu vim com esse intuito de ter mais atitude para que o entretenimento se tornasse mais interessante. O "BBB 20" tem o Babu mais passivo e o "BBB 26", o Babu mais ativo.
 

No início da temporada, você chegou a comentar que não sabia como era ser querido dentro da casa, comparando a recepção dos brothers nas duas edições. O que mudou de lá para cá, na sua opinião?
Babu Santana É muito engraçado, porque no "BBB 20", quando eu entrei, eu só sabia quem era a Manu Gavassi. E no "BBB 26", eu já entro com a Solange Couto e o Henri Castelli, que são pessoas que já trabalharam comigo; o Edilson (Capetinha), que é um cara em que eu me amarro pra caramba; a Sol,  que já fez parte do Nós do Morro; a Sarah (Andrade), que em algum momento a gente havia se encontrado aqui fora; o Jonas (Sulzbach)... Ali eu já encontro familiaridades e me sinto mais acolhido logo ao abrir a porta. E por eu já ter esse acolhimento externo eu acho que aquilo se espalhou e me deu um conforto que me incomodou. Eu falei: “Opa, não vim aqui para ficar confortável”. Essa foi a principal mudança. Já no "BBB 20", eu me sentia um bicho acuado.

Acredita ter sido por isso que levou um certo tempo para se estabelecer em um grupo de aliados para jogar? 
Babu Santana Sim. Começou a me incomodar ter o conforto, ainda mais pilhado com a Ana Paula falando que o pessoal estava num resort. Aí eu falei: “Opa, não vamos transformar o 'BBB' num sarau”. Logo ali eu comecei a tentar identificar pessoas com linhas filosóficas e de vida mais compatíveis com a minha e também a tentar entender quem eram aquelas pessoas, sem criar uma panelinha de veteranos. Eu gosto de misturar. Logo cedo a gente começou a entender quem teria a filosofia de jogo parecida e eu acho que isso foi bem interessante.

Você voltou do paredão que eliminou a Sarah Andrade um mês atrás. A que atribui a sua eliminação agora, nessa segunda berlinda?
Babu Santana O ataque em excesso à Ana Paula (Renault). Eu querer trazer uma questão tão complexa em um programa editado num mundo fragmentado. Acho que faltou inteligência emocional nesse quesito. E isso tudo foi desencadeando outros problemas.

Na segunda semana da temporada, você conquistou a liderança pela primeira vez e celebrou bastante essa vitória. Como foi essa experiência?
Babu Santana Foi lindo! Acho que foi a melhor experiência que eu tive nos dois "BBB"s. Quarto do líder, o roupão, o "contato" com as pessoas que eu tinha deixado aqui fora, a festa... Poder celebrar a minha liderança com uma festa que homenageava o grupo que originou toda a minha carreira foi especial. Dessas dores todas, eu vou guardar esse momento bom.

 
Depois de uma briga com o Jonas, você decidiu se aliar à Ana Paula. Mas em determinado momento do jogo, optou por se distanciar dela e da Milena, e também por não falar mais de jogo com o Juliano, que era um de seus principais aliados. Por que tomou essa decisão sem que houvesse uma conversa com o grupo antes? 
Babu Santana A convivência com elas começou a me incomodar e, para que eu não brigasse, eu saí. Para que eu não conflitasse com o Juliano - eu não deixei de jogar com ele - eu falei: “Eu não vou falar mais de jogo com você, mas também não vou participar de nenhuma estratagema que inclua você para votar”. Isso nos afastou, até porque a gente já tinha tido algum tipo de discussão boba ali. E me incomodava muito - foi quase um ciúme - ele estar mais próximo da Ana Paula e não de mim. Depois da insatisfação dela de ter sido tirada da prova do anjo, ele também ficou chateado. Eu falei para ele: “Por que você acha que fui eu que te tirei se foi ela que te chamou e ainda debochou falando que você é o filho do Babu? Por que era óbvio? Desculpa, era óbvio que ela iria te tirar e de repente era até uma forma de te mostrar que você não era prioridade dela”. E aí, como ele disse para mim que não queria mais ver a gente brigando, que era uma coisa que o estava incomodando, eu continuei no jogo com o mesmo foco, que foi até o final. Porém, a minha convivência com a Ana Paula não estava agradável para mim. Como ele optou por ficar com ela - e em termos de jogo fez o certo - eu não quis atrapalhá-lo. Então, eu acho que foram esses exageros, ter jogado toda a minha revolta em cima de uma pessoa só, mas também me recuso a dizer que eu deixei de jogar com o Juliano, porque eu jamais deixaria votarem nele. Inclusive votei quase todas as vezes igual a ele.

Naquele momento você decidiu seguir jogando com Solange Couto, Leandro (Rocha), Chaiany e Breno (Corã). Foram eles seus maiores aliados nesta edição? 
Babu Santana Sobretudo Solange Couto, Boneco e Chaiany. O Breno é uma figura flutuante, um ser humano interessantíssimo. Eu acho que talvez ele consiga se esgueirar e chegar longe. Sabendo aqui da preferência do público, talvez ele não ganhe, mas acho que ele vai conseguir chegar longe.

 
Dentro da casa, você foi visto pelos adversários como uma espécie de “pai” desse terceiro grupo que se formou. Acreditava exercer algum tipo de liderança naquele contexto do quarto “Sonho do Amor”?
Babu Santana Houve uma dinâmica em que a gente tinha que decidir um líder. Quando a gente foi fazer a votação para essa ação, foi solicitado um líder para aquele grupo de pessoas e não fui eu o escolhido. E eu nem questionei ser ou não ser. Eu julgava haver ali pessoas maduras, com exceção da Chaiany que era a mais nova. O momento que talvez eu tenha errado foi a indignação que eu tive com a manipulação da Samira (Sagr) para com a Chai, que a levaria a retirar o anjo da amiga dela (Gabriela Saporito), o que eu achava que seria um erro na linha histórica do jogo da Chaiany. Esse foi o único momento que eu impus uma condição para ela pensar. Eu disse: “Cara, você está jogando o tempo todo com a menina (Gabriela), que te deu o anjo mesmo sendo sua adversária. Você não vai fazer o mesmo? Não vai ser recíproco, por causa de uma pessoa que não está ameaçada? A pessoa fala que tem uma cama vaga lá em cima, diz para você ir para lá, te expulsa e é sua aliada?”. Eu acho que nos dois meses essa foi a única questão na qual eu posso ter influenciado algum jogador. Sobre o resto, eu sempre fui uma pessoa que propõe o debate e que cada um defenda a sua autonomia. Eu não me vejo numa posição de liderança em momento algum.

Olhando para sua trajetória, faria algo diferente, se tivesse a chance?
Babu Santana Faria muitas coisas diferentes. Depois da conquista da liderança, eu pisaria mais no freio para poder sair com alguma coisa da casa. Com a condição de ser Top 10 para ganhar o apartamento, eu desaceleraria aquele embate com a Ana Paula, deixaria o meu incômodo um pouco mais guardado para depois, então, pensar de forma mais tranquila o que fazer com aquela insatisfação.

Que movimentos você vislumbra no jogo a partir da sua saída?
Babu Santana Eu acho que a galera vai ter uma certeza da força da dupla Milena e Ana Paula. Eu acho que eles vão se inclinar mais a essa dupla e a esse estilo de jogo. Eu espero que a Solange e o Boneco não cometam os mesmos erros que eu.

E para quem fica a sua torcida?
Babu Santana Para a Chaiany.

O que deseja realizar profissional e pessoalmente após essa segunda passagem pelo reality?
Babu Santana Eu vou me concentrar para exercer uma nova função na minha profissão, que é dirigir um projeto, e também pretendo voltar à direção do Nós do Morro. 

domingo, 8 de março de 2026

.: Maxiane Rodrigues relembra alianças, avalia conflitos e conta quem quer levar


Após deixar o “BBB 26”, Maxiane Rodrigues relembra alianças, comenta os principais embates do jogo e revela quais amizades pretende manter fora da casa. Foto: 
Globo/ Beatriz Damy


Eliminada do “BBB 26” com 63,21% dos votos, Maxiane Rodrigues deixou a casa mais vigiada do país após enfrentar um paredão disputado contra Milena Moreira e Chaiany Andrade. A votação mobilizou o público e alcançou 3 milhões de CPFs únicos, tornando-se a maior desde a implantação do sistema que separa voto de torcida e voto único. Natural de Nazaré da Mata, em Pernambuco, a influenciadora digital faz um balanço de sua trajetória no reality, revisita alianças, comenta rupturas estratégicas e reflete sobre os conflitos que marcaram sua participação. Na conversa a seguir, Maxiane também fala sobre os aprendizados que leva da experiência e revela quais amizades pretende cultivar fora da casa.
 

Quais foram os momentos mais especiais do "BBB" para você?
Maxiane Rodrigues - Fazer alianças que se transformaram em amizades que quero levar para a vida toda foi muito especial. Entre elas, destaco a de Sarah e a de Marciele, que foram grandes parceiras minhas. Um dos pontos mais incríveis do programa também foi ser Líder, porque é o ápice do reality. Viver tudo aquilo foi extraordinário. A minha festa também foi marcante, pois me ajudou a me reconectar com minha identidade e origens. Em algum momento do jogo, a gente acaba se perdendo, porque a dinâmica nos faz focar demais no jogo. Mas quando olhamos para as fotos e lembramos de onde viemos, isso nos faz relaxar e sentir em casa. Sempre tive curiosidade sobre as festas do "BBB" e foi muito especial participar delas, conhecer os cantores de perto e viver todas as dinâmicas.


E os mais desafiadores?
Maxiane Rodrigues - Os momentos mais desafiadores foram lidar com a hostilidade. Aqui fora, quando não nos damos bem com alguém, simplesmente nos afastamos. Lá dentro, isso não é possível, e os embates acabam acontecendo. Muitas vezes falamos coisas que não deveríamos, por causa da raiva e da pressão. Além disso, a imprevisibilidade das dinâmicas também foi difícil. Em um dia pode haver um “sincerão” pesado, e no outro algo mais leve, o que muda completamente o clima da casa. Outro desafio foi ter que votar e tirar o sonho de alguém. Cada pessoa ali é vitoriosa e merece estar naquele lugar, então machucar e ser machucada fez parte dos momentos mais difíceis para mim.


Você começou o jogo em um grupo e depois acabou indo para o outro lado. Por que optou por esse movimento? Houve algum momento de virada?

Maxiane Rodrigues - O momento de virada foi a prova do Líder, mas isso já vinha acontecendo gradualmente. Eu e Marciele nos identificávamos mais com a forma de jogar de um grupo, especialmente com Sarah, com quem me conectei muito. Aos poucos, fomos nos afastando do outro grupo, e chegou um momento em que era preciso tomar decisões. A prova do Líder apenas consolidou essa escolha. Eu não queria ficar em cima do muro; preferia jogar com pessoas com quem me identificava, mesmo correndo o risco de sair. O "BBB" é muito sobre o dia a dia e a convivência, e foi isso que nos levou a essa mudança.

Nos últimos dias, também houve um rompimento da sua aliança com Breno e Marcelo. Por que acha que isso aconteceu? 
Maxiane Rodrigues - Eu e Marciele nos identificávamos mais com Sarah, Sol, Cowboy e Jonas, enquanto Breno e Marcelo tinham afinidades com Babu, Juliano e Boneco. Essa ruptura foi acontecendo gradualmente, não de forma repentina. O jogo exige que, muitas vezes, passemos por cima de sentimentos para seguir nossas razões, porque no final só um vence, só um sai no paredão. Cada um tomou suas decisões, pensando em si, e tudo bem.

Quando o Marcelo foi eliminado, você chorou a saída dele, embora já não estivessem mais jogando juntos. Sentiu-se culpada pela eliminação dele?
Maxiane Rodrigues - Quando ele saiu, foi um choque. Eu realmente não acreditava que ele fosse sair, e acho que ninguém na casa imaginava. Todo mundo lá dentro acreditava que ele movimentava o jogo, que articulava, tinha presença, opinião e boas relações. Então, imaginávamos que ele protagonizava e jamais sairia. Eu até falei para ele, minutos antes, que não iria sair. Quando anunciaram o nome dele, eu pensei: “Ué, Nossa Senhora!”. A gente acaba se sentindo culpada de alguma forma, embora ele já tivesse embates com Jonas. Se Jonas o colocou, é porque tinha motivos para isso. E se o Marcelo saiu, foi porque o público quis que ele saísse. Não era minha responsabilidade. Só que eu só consegui entender isso ao longo dos dias, porque lá dentro todo mundo acreditava que era paredão falso, inclusive o meu. Ficamos naquela expectativa de que ele voltaria. Eu sou muito emoção e agi com o coração. Por mais que uma pessoa saia pela porta, você não deseja mal a ela. A gente conhece as histórias das pessoas, e quando alguém sai, é também um sonho que vai embora, junto com seus propósitos e objetivos. Sofri muito com a saída dele porque não queria que acontecesse, embora todas as dinâmicas sejam cheias de surpresas. Fui pega de surpresa no contragolpe. Mesmo que tenhamos nos afastado, eu jamais desejaria que ele estivesse fora da casa. Desejava que continuássemos juntos ali, mesmo jogando em lados opostos. Isso vem do fundo do coração.. 


Enquanto eles se afastavam, Jordana acabou se aproximando de você e da Marciele. As duas foram suas maiores aliadas no reality?

Maxiane Rodrigues - A Jordana era parceira da Aline, que saiu, e depois da Sol, que também saiu. Ela sempre deixava claro que estava ali e poderia jogar com a gente. Minha relação com a Jordana e com a Marciele foi acontecendo de forma gradativa, e chegou um momento em que precisei decidir se jogava ou não com ela. Foi uma excelente decisão, porque Jordana é uma mulher inteligente, articulada e que vai para o embate sem abaixar a cabeça. Às vezes eu até dizia: “Jordana, menos, segura um pouco a onda”, porque ela é intensa e enfrenta tudo de frente. Temos histórias e profissões parecidas, e antes de sair ela me disse que me admirava muito. Isso foi especial, porque sempre quis que minhas conexões fossem naturais e não forçadas.

Seus embates com a Ana Paula fizeram parte da rotina da casa nas últimas semanas. Na sua opinião, o que provocou esses conflitos?
Maxiane Rodrigues - Foram as diferenças de pensamento e de forma de jogar. Ela já tem experiência, é uma mulher inteligentíssima e estratégica, com sua maneira própria de se posicionar. Eu tenho a minha forma de ver e de jogar. Por sermos muito diferentes, o afastamento aconteceu naturalmente. Em alguns posicionamentos, ela tinha total razão, mas só conseguimos enxergar isso depois que saímos, porque viver e assistir são coisas bem diferentes. Esses embates refletem personalidades distintas, e no BBB é inevitável ir para o confronto.

Por diversas vezes o seu grupo especulou que os eliminados às terças-feiras estariam em paredões falsos, o que não aconteceu. As eliminações não davam nenhuma pista do jogo para vocês lá dentro?
Maxiane Rodrigues - Não. Por exemplo, o discurso da Sarah foi tão suave que acreditávamos que ela ficaria. Eu a via como uma pessoa coerente, cautelosa, gentil e cuidadosa com o que dizia. Ninguém imaginava que ela fosse sair. Ficamos sete dias esperando que fosse um paredão falso. Lá dentro, todos estavam sempre com essa expectativa, mas nunca se confirmava.

Com que participantes deseja manter amizade fora da casa?
Maxiane Rodrigues - Estou com o coração muito tranquilo. Lá dentro sempre falei que, apesar dos conflitos, mágoas e ressentimentos, tudo ficaria naquela porta para dentro. Aqui fora quero levar apenas coisas boas. Quem quiser se aproximar de mim, estou de coração aberto; quem não quiser, está tudo bem também, porque cada um sente e reage de uma forma. Há muitas pessoas que quero levar para a vida: Marciele, Jordana, Breno, Babu, que é um cara que respeito muito, Chai, que tem uma história magnífica, Gabi, Cowboy... Enfim, muita gente. Mas isso precisa ser recíproco. Eu estou de peito aberto, porque tudo que foi ruim ficou lá dentro. Aqui é vida real.

Que aprendizados carrega dessa experiência?
Maxiane Rodrigues - Foram muitos aprendizados. Aprendi a falar menos e ouvir mais. A julgar menos. Muitas vezes é melhor refletir antes de falar ou decidir se vale a pena bater de frente. Esses são aprendizados que quero levar para a minha vida.

Já conseguiu assimilar o que muda na sua vida depois da passagem pelo "BBB"? Pretende seguir atuando como influenciadora digital?
Maxiane Rodrigues - Estou assimilando tudo aos poucos, porque é uma bomba de informações. Saímos de lá vulneráveis e desestabilizados, com a frustração de sair sem o prêmio. Acho que ainda não consegui absorver nem 10% de tudo. Mas eu amo trabalhar com o que faço. Já atuava como influenciadora na minha região, e até o Gil comentou isso no bate-papo. Quero continuar nesse caminho, mas também quero investir no meu negócio como empreendedora. Trabalhar é minha fonte inesgotável de energia e vigor, é o que me ajuda a perceber quem eu sou e aonde quero chegar. Então, quero seguir tanto como influenciadora quanto como empreendedora. Para mim, está tudo certo. É isso que eu quero. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

.: Katia Simões e Roberto Prioste dizem porque Love Story desafiou o moralismo


Em entrevista, Katia Simões e Roberto Prioste revelam como a Love Story se tornou patrimônio afetivo da noite paulistana e por que um lugar assim talvez hoje não sobrevivesse à era da vigilância digital. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com

Durante mais de duas décadas, a Love Story ocupou um endereço físico no centro de São Paulo - mas construiu algo muito maior do que uma pista de dança. Entre a Boca do Lixo e a Boca do Luxo, a casa atravessou transformações urbanas, crises econômicas, mudanças de comportamento e revoluções tecnológicas sem perder aquilo que a tornaria lendária: a capacidade de reunir, no mesmo espaço, fama e anonimato, desejo e discrição, excessos e códigos próprios de convivência.

Ali, travestis dividiam a pista com empresários, jovens anônimos dançavam ao lado de celebridades internacionais e mulheres frequentavam sozinhas um ambiente que, para muitos, ainda carregava o estigma da noite. Havia exageros, contradições, episódios que hoje seriam lidos sob outras lentes morais e, sobretudo, uma sensação rara de liberdade compartilhada. A Love Story era um microcosmo da São Paulo que fervia depois da meia-noite.

Agora, essa memória ganha registro no livro "Love Story - A Casa de Todas as Casas", biografia não autorizada escrita pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste. Construída a partir de mais de 25 horas de depoimentos, a obra evita tanto a romantização fácil quanto o julgamento retrospectivo. Em vez disso, propõe um mergulho documental nos bastidores de um espaço que se tornou patrimônio afetivo da cidade e que talvez só pudesse existir antes da era da vigilância permanente.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, Katia Simões e Roberto Prioste falam sobre os riscos de narrar uma história sem controle institucional, os silêncios que encontraram pelo caminho, a fama de “puteiro” que o livro confronta e a pergunta inevitável: a Love Story acabou porque o tempo mudou - ou será que o tempo mudou porque lugares como a Love Story deixaram de existir? Compre o livro "Love Story - A Casa de Todas as Casas" neste link.

Resenhando.com - Ao optar por uma “biografia não autorizada”, vocês se libertaram de controles, mas também assumiram riscos. Em algum momento pensaram: isso aqui talvez não devesse ir para o papel e decidiram ir mesmo assim?
Katia Simões - A intenção sempre foi retratar um ícone importante da noite paulistana, e não invadir a vida pessoal dos frequentadores e das pessoas envolvidas no negócio, muito embora seja natural que, em alguns momentos, seja difícil realizar essa separação.
Roberto Prioste - Usar a expressão uma “biografia não autorizada” foi uma necessidade. Alguns relatos se referiam a terceiros. Embora a maioria das histórias foi checada, há ótimos relatos que não conseguimos cruzar as informações. Mesmo assim foram mantidos. Um exemplo é o caso do frequentador que se passava por delegado de polícia e certa vez levou na conversa até o Delegado Geral.


Resenhando.com - A Love Story aparece no livro como um território onde fama e anonimato coexistiam sem hierarquia. Hoje, numa era de stories, câmeras e vigilância constante, um lugar assim ainda seria possível?
Katia Simões - Não existe mais anonimato, vivemos num eterno Big Brother desde que as redes sociais ganharam voz e os celulares registram cada passo. Enquanto os flagrantes eram feitos apenas com máquinas fotográficas, os seguranças davam conta de inibir os “bisbilhoteiros” já na revista. Depois, com a chegada dos celulares, a tarefa ficou mais árdua, até se tornar impraticável. Não há mais espaço para uma casa noturna com o perfil do Love Story, tanto pela mudança dos costumes, quanto pelo uso massivo da tecnologia.
Roberto Prioste - Entendo que não. Hoje vivemos num mundo cercado por olhos e ouvidos eletrônicos.


Resenhando.com - O livro evita romantizar a noite, mas também não a demoniza. Como foi o equilíbrio entre documentar excessos e preservar a potência libertária que a Love Story representava?
Katia Simões - A noite abordada no livro, que é a da música, da diversão, do lazer, da paquera, não tem de ser demonizada. O que procuramos traduzir foi a atmosfera noturna paulistana que não existe mais. Vale observar que o que hoje é excesso, naquela época não era visto como tal, o que não significa que não havia. O livro retrata passagens envolvendo drogas, bebedeiras, brigas e até armas dentro do contexto da época.
Roberto Prioste - Foi justamente documentando excessos (bebidas/substâncias/atitudes) que conseguimos preservar a potência libertária. Porque a abordagem ousada, por exemplo, ao mesmo tempo em que era tolerada pela sociedade, no Love era combatida. Não era não! Várias mulheres contam passagens que confirmam essa postura e por isso se sentiam livres naquele ambiente.
 

Resenhando.com - Entre mais de 25 horas de depoimentos, o que chamou mais atenção: o motivo das pessoas que não quiseram falar ou o das histórias que nunca haviam sido ditas antes?
Katia Simões - Acredito que as duas coisas. Recebemos com surpresa a negativa de vários grupos, que eram assíduos frequentadores da casa, como os jogadores de futebol. Embora suas passagens foram registradas na mídia, preferiram ficar calados. Histórias surpreendentes também vieram à tona e nos ajudaram a rechear a narrativa.
Roberto Prioste - Na minha percepção, sem dúvida, foram as histórias nunca contadas. Ainda que reveladas sob pseudônimo ou aquelas em que preservamos a identidade do famoso ou do empresário.


Resenhando.com - A Love Story atravessou Boca do Lixo e Boca do Luxo. Em que momento vocês perceberam que estavam contando, na verdade, uma biografia da própria São Paulo e não apenas de uma boate?
Katia Simões - Porque a Love Story era um recorte de um retrato maior do que acontecia na noite, na sociedade e na São Paulo das décadas de 1990 e 2000. Ali estavam representados os perfis e trajetórias mais diversos. Homens, mulheres, nativos e estrangeiros, migrantes e imigrantes, homossexuais, prostitutas, doutores, banqueiros, trabalhadores da noite, artistas, ricos e pobres, como acontece na capital que abraça a todos.
Roberto Prioste - Foi quando as pessoas começaram a verbalizar, para além das histórias de azaração, o carinho com a Love Story. Quando revelavam memórias incrivelmente emocionais. Foi aí que percebemos que estávamos diante de um patrimônio imaterial da cidade de São Paulo.


Resenhando.com - Muitos relatos apontam a Love como um espaço de igualdade radical, onde roupa, profissão ou status social não importavam. Isso era um projeto consciente da casa ou um efeito colateral da noite bem vivida?
Katia Simões - Não acredito que seja um projeto consciente, mas resultado dos sentimentos de liberdade e alegria que as pessoas dividiam na pista. Na LS todos eram recebidos da mesma maneira, com as honras da casa.
Roberto Prioste - Não foi consciente, por óbvio. Entendo que ninguém constrói sozinho - e aqui eu me refiro à alma do Love, o tio João - um espaço tão democrático. Mas foi, efetivamente, o efeito colateral de uma atitude coletiva: receber e tratar bem a todos. Existe uma frase lendária que resume tudo. No Love ia do porteiro ao Garnero (Álvaro).


Resenhando.com - O pacto de discrição parece ter sido um dos grandes segredos da Love Story. O que esse cuidado com a privacidade revela sobre a relação entre desejo, liberdade e espetáculo naquela época?
Katia Simões - Até a chegada da internet o pacto da discrição funcionou. Não era permitida a entrada com máquina fotográfica, filmadoras, os seguranças barravam. Com a chegada dos celulares, contudo, ficou impossível controlar, restringir ao Love o que acontecia no Love.
Roberto Prioste - Estamos falando de um pacto não escrito. A certeza do anonimato (não se entrava com máquinas fotográficas) fazia com que jovens e casais abastados, do interior e da capital, se divertissem tranquilamente juntos e misturados com garotas de programa, malandros. Sem falar nas damas da sociedade e de casadas que iam ao Love viver fantasias, dançar nos famosos queijinhos (os pequenos palcos) sem qualquer pudor. Isso é bastante revelador.


Resenhando.com - Ao ouvir depoimentos tão diversos - de artistas a frequentadores anônimos -, houve alguma versão da Love Story que contrariou frontalmente a memória afetiva que vocês mesmos tinham da casa?
Katia Simões - A memória afetiva e a ligação com a Love Story entre quem viveu a casa nos anos 1990 e na primeira década dos anos 2000 é muito diferente das recordações de quem frequentou a pista nos seus últimos anos. Talvez esteja aí alguns pontos contraditórios.
Roberto Prioste - Pelo menos duas gerações passaram pela Love Story. A do Love raiz, da década de 1990, e a do gourmet, após 2010. É claro que quem viveu uma, estranha a outra. Pessoalmente, ao ouvir alguns relatos, revisitei memórias de quando era um jovem estudante e circulava de vez em quando pela Boca do Luxo. Calçadas cheias, neon, paqueras, carros em baixa velocidade. Estava tudo lá. Agora, existiu a fama, quase senso comum, de que o Love era um puteiro. Nesse ponto o livro vai contrariar a percepção de muitos, principalmente daqueles só conheceram o Love por fora.


Resenhando.com - O livro documenta uma época em que a noite era lugar de invenção social. Vocês enxergam a Love Story como um espaço político, mesmo sem jamais se assumir como tal?
Katia Simões - Era um espaço de contestação de costumes, não de política. Bem diferente dos tempos atuais de polarização em todos os lugares.
Roberto Prioste - O livro cobre um longo período. Portanto, diverso social e politicamente. Não ouvimos relatos que corroborem com a tese, a não ser na questão de costumes. Mas podemos entender como um ato político o fato de mulheres frequentarem o Love sozinhas, sem medo. Ou trans e travestis expressando preferências e condutas sem qualquer repressão.


Resenhando.com - Depois de escrever "A Casa de Todas as Casas", o que ficou mais evidente: que a Love Story acabou porque o tempo mudou ou que o tempo mudou porque lugares como a Love Story deixaram de existir? As pessoas mudaram de lá para cá? 
Katia Simões - O LS acabou porque o tempo mudou, os costumes são outros, a tela do celular encurtou distâncias, mudou a maneira como as pessoas se conhecem e se relacionam. A noite, assim como a cidade, se tornou mais violenta. Hoje, as pessoas estão menos tolerantes, mais preconceituosas e pouco dispostas a saírem da própria bolha. Embora se fale tanto de diversidade - mais na teoria, do que na prática -, o Love por décadas fez da diversidade uma marca registrada.
Roberto Prioste - Acabou porque os tempos são outros. E não estou olhando para a degradação do centro ou para a violência. Hoje, ninguém precisa sair de casa para paquerar, comer ou se divertir. Está tudo na palma da mão. E sim, as pessoas mudaram. Tanto que sentimos necessidade de alertar o leitor sobre termos usados por entrevistados que denotam cargas de machismo, homofobia, enfim... Conceitos e posições comuns e aceitáveis à época, mas que hoje são impensáveis.


.: Entrevista: cantora Claudya completa 60 anos de carreira com novo show


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A cantora Claudya está completando 60 anos de carreira com um novo show em que revisita as canções que marcaram a sua trajetória. Ela construiu um percurso singular na música popular brasileira, transitando com naturalidade entre o samba, a bossa nova, o soul, a canção romântica e a música internacional. Dona de uma voz marcante, de timbre quente e fraseado preciso, ela se destacou desde cedo não apenas como intérprete, mas como uma artista atenta ao tempo histórico, às transformações estéticas e às múltiplas linguagens da canção brasileira. Em entrevista para o portal Resenhando.com, Claudya conta algumas de suas passagens e a sua expectativa para reencontrar o público na nova turnê. “Levarei para o palco o melhor das canções que gravei”.

Resenhando.com - Desde quando você sentiu que entraria no mundo da música?
Claudya -
Desde menina. Lembro que a primeira vez que cantei foi em uma festa, com meu tio ao violão. Ao ouvir as palmas no final, senti que aquilo era o que queria fazer. E o interessante é que antes eu queria ser bailarina. O Ballet perdeu uma dançarina, mas acabou ganhando uma cantora


Resenhando.com - Você é reconhecidamente uma autodidata como intérprete. Como você cuida de sua voz?
Claudya - 
Eu passo por acompanhamento de uma fonoaudióloga, que sempre me recomenda alguns exercícios para manter a voz. E evito bebida alcóolica e o cigarro. Procuro viver para a minha arte de cantar.


Resenhando.com - Como você  está preparando esse show para a turnê?
Claudya - Terei uma banda com nove integrantes. Os arranjos serão do Alexandre Vianna e terei a alegria de contar com minha filha, Graziela Medori no backing vocals. Para o show em São Paulo convidei a Alaíde Costa, que além de ser uma pessoa da melhor qualidade, ainda continua cantando muito bem. E convidei também o Ayrton Montarroyos, que representa com louvor a nova geração de intérpretes. Ele é muito talentoso e vai brilhar cada vez mais. Vou repassar alguns momentos importantes, como o repertório dos três discos que gravei pela Odeon entre 71 e 73. Essas são canções que marcaram a minha trajetória na música.


Resenhando.com - Você tem uma relação direta com os festivais de música.
Claudya - Em todos em que estive, consegui sempre classificar a canção ou ganhar como melhor intérprete. Teve um festival  na década de 70 na Grécia em que cantei Minha Voz Virá do Sol da America, dos irmãos Paulo Sérgio e Marcos Valle. Gnhamos o primeiro lugar.


Resenhando.com - E foi marcante também a sua participação no musical Evita. Como foi essa experiência?
Claudya - Foi em 1983. Titubeei muito para aceitar, porque não era atriz e sabia que seria comparada a Bibi Ferreira e Marília Pêra. A trilha sonora era dificílima. Mas valeu a pena.  O esforço foi recompensado com elogios da crítica, capas em jornais e revistas e indicação ao Prêmio Molière.


Resenhando.com - E a turnê começa em São Paulo. Há planos de estender para outras localidades?
Claudya - Com certeza. A estreia será na Casa Natura, em São Paulo. Mas estamos acertando algumas apresentações em unidades do Sesc. Quem sabe conseguimos uma data no Sesc de Santos, que tem um teatro maravilhoso? Quero levar esse repertório para o maior número de pessoas que for possível.  E agradeço a todos que ajudaram a divulgar essa apresentação. Será um momento mais do que especial.

"Com Mais de 30"

"Deixa Eu Dizer"

"Pois É Seu Zé"

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

.: Entrevista: Marcelo Alves, do "BBB 26": "Meu maior adversário fui eu mesmo"


Ao relembrar a trajetória no reality show, ele reconhece erros cometidos no programa e afirma que deveria ter se expressado mais. Foto: Globo/ Beatriz Damy

Da casa de vidro para o "BBB 26", Marcelo Alves foi eliminado no quinto paredão da temporada, com 68,56% dos votos, na última terça-feira, dia 17 de fevereiro, em uma disputa contra Solange Couto e Samira Sagr. Ao relembrar a trajetória no reality show, ele reconhece erros cometidos no programa e afirma que deveria ter se expressado mais. "Senti falta de externar meus pensamentos. Era importante que o público soubesse o que eu estava pensando. Algumas atitudes me irritavam, mas eu não falava. Planejava conversar com Ana Paula antes do paredão para mostrar que estava com eles, mas não fiz. O rompimento com Maxiane e Marciele apenas confirmou o que eu já pensava, mas não estava mostrando para fora. Na minha cabeça, eu estava bem-posicionado, mas não deixei isso claro para o público, que era o principal", observa. Em entrevista, o ex-participante analisa os fatores que atrapalharam a permanência dele na competição e faz um balanço de sua passagem pelo programa. Marcelo também revela o que teria feito de diferente e como seria seu pódio com quem ainda segue na disputa.


Como resume o que foi o "Big Brother Brasil" para você? 
Marcelo Alves - O "BBB", para mim, foi a realização de um sonho. Eu me inscrevo desde 2014. Sei que tive minhas flutuações no jogo. Não consegui me mostrar por inteiro, tive minhas falhas e consigo reconhecê-las. Dentro da casa já percebia isso, e aqui fora só se confirmou. Mas estou muito feliz, viveria tudo de novo. Se fosse chamado novamente para participar, iria com outros olhos, com outra garra, com um posicionamento diferente e sendo 100% eu. Acredito que não consegui entregar totalmente quem eu sou.


Quais foram os erros e acertos dessa experiência?
Marcelo Alves - Erro foi não ter conseguido me doar 100% por causa de medos e inseguranças relacionados à minha sexualidade. Eu tinha muito receio de como isso iria repercutir aqui fora, tanto para mim quanto para minha família. Ser gay não é fácil, e isso me deixava inseguro. Outro erro foi me apegar rápido às pessoas e ser leal muito cedo, o que me fez tomar partido por outros e me perder no jogo. Eu deveria ter me posicionado de um lado só, não importava qual, mas firme. Infelizmente, percebi isso apenas no final, quando já era tarde.

Apesar de não ser tão próximo ao grupo do quarto Sonho da Eternidade, houve ocasiões em que você e o Breno se juntaram a eles para combinar votos. Como avalia essa posição de jogo?
Marcelo Alves - Sempre tive carinho pelas pessoas do quarto da Eternidade, como Babu, Juliano, Boneco (que veio comigo da casa de vidro) e Chay. Tive uma questão pequena com Ana Paula, mas lá dentro tudo ganha proporções maiores. Acabei tomando a dor do que aconteceu com Maxiane. Hoje, vendo de fora, percebo que a situação com Ana Paula foi mínima e eu a transformei em algo grande. Gosto muito dela, mesmo com as implicâncias. Faltou percepção e força para me situar em um lugar só. Minha questão foi tomar dores que não eram minhas e esquecer que o jogo era individual. Um exemplo foi a situação com Jonas, que virou justificativa para ele me colocar no paredão, mesmo não tendo sido algo diretamente comigo.

A prova do líder da última semana marcou um rompimento entre você, a Maxiane e a Marciele?Marcelo Alves - Senti falta de externar meus pensamentos. Era importante que o público soubesse o que eu estava pensando. Algumas atitudes me irritavam, mas eu não falava. Planejava conversar com Ana Paula antes do paredão para mostrar que estava com eles, mas não fiz. O rompimento com elas [Maxiane e Marciele] apenas confirmou o que eu já pensava, mas não estava mostrando para fora. Na minha cabeça, eu estava bem-posicionado, mas não deixei isso claro para o público, que era o principal.


Como acredita que as duas irão se posicionar daqui para frente? E o Breno, após a sua saída?
Marcelo Alves - Já sentia que iria sair, porque tinha consciência da minha flutuação e de não estar me entregando por inteiro. Tive crises de ansiedade e insegurança pela questão da sexualidade e pelo medo de minha família ser atacada. Antes de sair, falei para o Breno: “Se posicione. Fique do lado dos meninos, Babu, Juliano e Boneco.” Mas sei que as meninas vão querer conversar com ele, e Breno cede muito fácil. Espero que não ceda, porque minha eliminação foi consequência disso. Se elas tivessem me colocado sentado [na prova do Líder] uma ou duas vezes e eliminado Jonas ou Cowboy, que são fortes em provas, eu ou Breno poderíamos ter vencido a liderança e mudado o cenário. Infelizmente, percebi isso tarde demais..


Depois da indicação do líder Jonas, você relembrou que ele o havia colocado no primeiro castigo do monstro da temporada e que não teria argumentos para votar em ti. Imaginava receber essa indicação ou o voto dele te pegou de surpresa? 
Marcelo Alves - Eu já imaginava. Minutos antes do paredão, senti que seria eu e perguntei ao Breno se estava preparado, porque seríamos os dois na berlinda. Jonas tinha colocado Babu, que puxou Sarah, e ela saiu. Então, se ele colocasse Juliano, poderia eliminar Alberto, amigo dele. Ele preferiu o caminho mais fácil. Infelizmente, estamos em uma fase do jogo em que eles acham que os pipocas são fracos. Tenho até dó quando colocarem Chai no paredão, porque vão ver que não somos fracos. Fico feliz por Chaiany, que tem um coração enorme e uma inocência boa. Inclusive, Ana Paula perguntou a Jonas por que ele me indicou, e ele disse que as outras opções, Milena e Chai, estavam imunizadas. Ou seja, mais uma vez, tudo sobre os pipocas. Mas é aí que eles vão se surpreender.

Considera ter sido ele seu maior adversário no programa? Ou outra pessoa? 
Marcelo Alves - Acredito que meu maior adversário fui eu mesmo. Se tivesse seguido minhas intuições e me firmado de um lado da casa, sem ficar no meio, teria ido muito bem. Não tive nenhum adversário que me desestabilizasse de verdade.

Neste paredão, o grupo do qual ele faz parte conseguiu colocar três adversários na berlinda. Acha que faltou articulação ou foi questão de sorte?
Marcelo Alves - Eu conseguia articular bem, mas não pensei que o voto de Alberto estava vetado. Se tivesse percebido isso, teria articulado para colocar Jordana e Maxiane no paredão. Quando fui indicado, queria ter ido com Maxiane, mesmo que saísse. Podia ter gritado na sala: “Votem em Maxiane!”, mas não fiz. Talvez tivesse mudado tudo. Para mim, seria mais confortável sair contra ela do que contra pessoas do meu grupo.

Você e o Breno protagonizaram o primeiro beijo da edição e desde então mantiveram uma relação próxima dentro da casa. Foi ele seu maior aliado? 
Marcelo Alves - Sim. Falei para ele que, se não estivesse tão próximo, eu teria me perdido ainda mais. Mesmo com meus medos e inseguranças, ele conseguia me reconectar comigo em momentos difíceis. Foi uma aproximação genuína, de afeto, que quero levar para fora da casa, seja da forma que for.

Que amizades fez no "BBB" e deseja cultivar aqui fora?
Marcelo Alves - Chai, Leandro, Juliano, Babu, Samira e Breno, claro. Quero ver como ficará a situação com Ana Paula e Milena, porque tenho carinho por elas. As outras meninas ainda me deixam chateado, então prefiro falar das pessoas de quem tenho certeza.

Quais são seus planos a partir de agora? Pretende seguir atuando na Medicina e voltar para Currais Novos (RN)? 
Marcelo Alves - Meus planos serão conforme Deus me guiar. Se aparecer trabalho, adoro fotografar, fazer publicidade, televisão... O que vier, estarei aberto. Se não, volto para minha cidade para exercer a Medicina com orgulho, porque amo ajudar pessoas. Comentei com Babu que um dos meus maiores sonhos é ir até a África para ajudar com meu trabalho quem realmente precisa.

Se pudesse montar seu pódio agora que deixou a disputa, como ele seria? 
Marcelo Alves - Chai, Breno e Leandro.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

.: Renato Amado enfrenta a finitude e expõe contradições em “Nonada”


Em entrevista para o portal Resenhando.com, o autor carioca fala sobre melancolia, machismo estrutural, erotização da ausência e o salto no escuro que o levou da carreira jurídica à literatura. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com

Em um mundo hiperconectado e afetivamente exausto, Renato Amado escolheu ampliar as distâncias para falar de proximidade. Em "Nonada", publicado pela Editora Cajuína, segundo romance assinado por ele, o escritor carioca imagina uma Terra plana e mil vezes maior que a nossa para narrar a crise silenciosa de Galeano - motorista de aplicativo, ex-praticante de wingsuit e homem marcado por melancolia, desejo e contradições.

Entre telescópios que substituem o toque, diálogos de Uber que revelam microviolências cotidianas e um machismo que opera quase sem ruído, o romance combina ficção científica, existencialismo e crítica social. Mais do que contar uma história de amor à distância, Amado investiga o medo da morte, a dificuldade de sustentar vínculos profundos e a tentação permanente de adiar o desespero com doses de intensidade. Nesta entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, ele fala sobre o vazio como gesto político, a literatura como adiamento e exercício de aceitação, e o risco de viver quando já se sabe o desfecho da batalha. Compre o livro "Nonada", de Renato Amado, neste link.

Resenhando.com - Galeano observa o mundo à distância, mas evita o contato pleno. Em que medida "Nonada" sugere que o homem contemporâneo prefere o risco da imaginação ao perigo real do encontro?
Renato Amado - Galeano é deslocado em relação à realidade imediata, mas se conecta com uma mulher de outro canto do planeta. Do mesmo modo, por meio de telas damos preferência a ausentes e nos afastamos dos que estão à nossa volta. Parece que a presença assusta. Quanto mais instâncias de mediação, mais protegidos nos sentimos. E mais eficaz do que a distância, só o anonimato.


Resenhando.com - ⁠A Terra plana e descomunal do romance amplia distâncias físicas para falar de abismos emocionais. Essa distopia nasce mais do medo da tecnologia ou da incapacidade humana de sustentar vínculos profundos?
Renato Amado - 
Sem dúvida da dificuldade em sustentar vínculos profundos. A mulher do outro lado do oceano é uma fantasia: a voz não chega, o idioma é outro. Eles estabelecem traços de linguagem que permitem alguma comunicação, mas uma comunicação incompleta, com espaço para vazios preenchidos pela fantasia. Já as pessoas próximas se apresentam com seus defeitos, manias, irracionalidades, teimosias. Não é fácil se conectar em um nível mais profundo com seres tão imperfeitos. Além disso, todos carregamos abismos inomináveis que o outro não alcança, o que gera solidão. No fim das contas, somos sós em nossos universos internos, acessíveis ao outro apenas por brotamentos pontuais na fala, nos gestos, nas expressões.


Resenhando.com - Galeano não é apresentado como vilão, mas como produto de um machismo estrutural “inconsciente”. Até que ponto humanizar esse homem é um gesto crítico e até que ponto pode ser lido como complacência?
Renato Amado - 
O romance não adota um tom panfletário nem subestima a inteligência do leitor. A literatura nos dá uma oportunidade que não existe fora dela: de entrarmos na cabeça do outro. Isso amplia nossa compreensão do humano. A literatura que me interessa, portanto, humaniza qualquer tipo de personagem, pois a desumanização é necessariamente uma simplificação. E humanizar não é justificar, mas compreender processos. Galeano é um homem comum, atravessado pelo machismo estrutural como praticamente todos nós. Desumanizá-lo seria desumanizar a todos. Ele funciona como espelho: reconhecemos nele traços nossos. Ao criticar o machismo estrutural, o livro acaba por criticar também o leitor e o autor.


Resenhando.com - ⁠O telescópio permite ver, mas não tocar. Em tempos de redes sociais, aplicativos e amores espectrais, você diria que estamos vivendo uma erotização da ausência?
Renato Amado - 
O que se apresenta parece não ter mistério: está ali, na nossa frente, é aquilo e pronto. Acostumamo-nos a não perscrutar mais profundamente. Já o que está ausente é promessa, fantasia, possibilidade. Sem precisar caçar para sobreviver, o ser humano moderno - ao menos aquele incluído nos confortos da modernidade – tornou-se um grande entediado. Será que, da tela que despeja bits e bytes em todas as suas variações, não virá algo mais interessante do que a melancolia que nos cerca? Essa expectativa pelo novo e pelo surpreendente a qualquer instante na palma da mão é, sim, uma erotização da ausência. Deseja-se menos o que existe do que o que ainda não se mostrou. O presente tornou-se quase sempre insuficiente.


Resenhando.com - ⁠Os diálogos no Uber expõem um Brasil saturado de preconceitos e microviolências. Galeano escuta muito, reage pouco. O silêncio dele é forma de resistência ou mais um sintoma de acomodação masculina?
Renato Amado - 
É fruto de melancolia, de falta de energia, de desistência. Mas é também uma forma de dar voz ao leitor. A literatura deixa espaço e o leitor o ocupa. O silêncio é uma convocação.


Resenhando.com - ⁠"Nonada" é um romance curto, rarefeito, cheio de vazios. Você escreveu pensando no silêncio como escolha estética ou como limite ético diante do que não pode, ou não deve, ser explicado?
Renato Amado - 
Não deve ser explicado por escolha estética. Obras que explicam subestimam o leitor. Obras que apenas sugerem requerem sua intervenção. É nesse momento, quando o leitor precisa completar o texto, que a experiência se torna realmente marcante. Informações mastigadas podem até parecer interessantes, mas costumam se dissipar rapidamente. Já os fragmentos que tocam a emoção e exigem elaboração produzem uma experiência mais duradoura e, se intensos o bastante, passam a integrar a própria constituição psíquica de quem lê.


Resenhando.com - Há algo de paradoxal em um ex-atleta radical, habituado ao risco extremo, tornar-se um homem paralisado diante da vida afetiva. O medo da morte é menor que o medo da intimidade? 
Renato Amado - Por paradoxal que possa parecer, é por medo da morte que Galeano se tornou praticante de esportes radicais. Galeano via a morte como inimiga (só há inimigo quando há temor; não existe inimizade na indiferença) e queria mostrar que poderia vencê-la, ainda que provisoriamente. Uma forma de fazê-lo não era apenas se arriscar, mas viver intensamente: no absoluto do momento, a morte não existe. Mas ele quase foi derrotado, ao sofrer um grave acidente, e a ilusão se rompeu. A morte mostrou-se, “estou aqui, te pego a qualquer hora!”. E Galeano passou a se debater ininterruptamente com a finitude. É uma briga perdida. Se habitamos uma batalha cujo resultado desfavorável já conhecemos, e que perdurará por toda a vida, a consequência é a melancolia. Como se entregar a uma relação afetiva estando tomado pela melancolia? Se a morte cobre e esvazia tudo, nada tem sentido ou beleza. Nada conecta. Ao menos até Galeano ver, através de um telescópio, aquele olho do outro lado do planeta.


Resenhando.com - ⁠Ao trocar uma carreira estável no Direito por uma vida dedicada à literatura, você também realizou um salto no escuro. Que partes de Galeano dialogam, ainda que indiretamente, com essa decisão?

Renato Amado - Assim como Galeano tentava enganar a morte pela intensidade praticando wingsuit, eu tentei fazer o mesmo, buscando outras intensidades. A carreira no Direito não me dava vida, me dava salário. Precisei saltar no escuro, buscar a vida a 100% para enganar a morte.


Resenhando.com - ⁠O título "Nonada" sugere o “quase nada”, o resto, o intervalo. Em um mundo obcecado por performance, produtividade e respostas rápidas, escrever sobre o vazio é um gesto político?

Renato Amado - Existir e escrever, o que seja, é um gesto político, pois implica propor um modo de estar no mundo. Nesse sentido, Nonada se insere em uma das vocações mais recorrentes da arte: não oferecer respostas, mas abrir questões, sugerir possibilidades. Em um contexto obcecado por performance e produtividade, sustentar o vazio, a pausa e o intervalo, torna-se, por si só, uma forma de resistência.


Resenhando.com - ⁠Você afirma que a melhor saída diante da finitude é a aceitação. A literatura, para você, é um caminho real para essa aceitação ou apenas uma forma mais sofisticada de adiar o desespero?
Renato Amado - Faço muitas coisas para adiar o desespero. São as tais ações que buscam intensidade, que nos permitem esquecer a nossa condição por instantes, viver inteiros. Não vejo isso como algo negativo: talvez a melhor estratégia seja justamente adiar o desespero a tal ponto que a morte chegue antes de termos tido tempo para nos desesperar. Quanto à aceitação, ela é difícil, muito difícil, mas também é um caminho. A literatura pode ser ambas as coisas: adiamento e exercício de aceitação. Em Nonada, ao escrever o percurso de Galeano, que se constitui como um ser humano mais íntegro à medida que caminha em direção a uma aceitação ao menos parcial, eu buscava fazer o mesmo. Escrevi este livro para lidar com meus fantasmas, equilibrar-me. O caminho de Galeano é o meu caminho.

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