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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

.: "Belos Fracassados", romance de Leonard Cohen, primeira vez no Brasil


Escrito às vésperas da guinada do autor rumo à música pop, em que se consagraria como um dos maiores compositores e intérpretes da segunda metade do século XX, "Belos Fracassados", romance de Leonard Cohen (1934-2016) agora relançado pela editora Todavia, chega pela primeira vez no Brasil como uma das obras mais experimentais da década de 1960. Mais do que isso: irreverente, por vezes chocante e alternando humor, erudição e acidez, o livro é um desabusado conto sobre desejo sexual e o fascínio por uma santa virgem e indígena do século XVII. 

Obra inovadora de um dos grandes poetas do rock, este romance - que até então não tinha sido publicado no Brasil - fala de sexualidade, História e povos originários. Com capa de Felipe Braga, livro conta com tradução e posfácio escrito por Daniel de Mesquita Benevides.

Girando em torno de quatro personagens centrais — e intrinsecamente imperfeitos —, esta é a história franca e bem-humorada de um narrador sem nome, sua esposa Edith, seu amigo e mentor F., e Catherine Tekakwitha, uma mítica santa virgem do povo mohawk. As complexidades dessa relação a três aumentam em espiral com a morte de Edith e F., logo no início do romance, levando o narrador, devastado pelas perdas, a questionar a natureza do amor, da sexualidade e da espiritualidade, em uma série de flashbacks líricos e eróticos.

Tal como imaginado por Cohen, o inferno é um apartamento em Montréal, cidade no Canadá marcada pela cultura francesa, onde o narrador enlutado e atormentado pela luxúria reconstrói as relações com seus mortos. A memória confunde-se numa fantasia sexual blasfema — e a redenção assume a forma de uma iroquesa virgem tornada santa, morta há trezentos anos, mas que ainda tem o poder de salvar até o mais degradado dos seus pretendentes. Extraordinário e inimitável romance do cantor e compositor canadense, "Belos fracassados" ecoa a poesia sombria e o humor irônico de suas canções atemporais sobre perda, amor, sexo e religião. Engraçado, angustiante e comovente, este livro é uma tragédia erótica clássica, incandescente em sua prosa e estimulante por sua arrojada união entre sexualidade, memória e fé. Compre o livro "Belos Fracassados", de Leonard Cohen, neste link.

Sobre o autor
Leonard Cohen  nasceu em Montréal em 1934 e morreu em Los Angeles em 2016. Estreou na música em 1967, gravando canções incontornáveis do rock e da música popular ao longo das cinco décadas seguintes. Antes disso, publicou aclamados livros de poesia e dois romances, hoje considerados clássicos do pós-modernismo em língua inglesa. Garanta o seu exemplar de "Belos Fracassados", escrito por Leonard Cohen, neste link.


O que disseram sobre o livro
“Acho que foi a melhor coisa que eu fiz.” — Leonard Cohen

“Escrito maravilhosamente.” — The New York Times


Trecho de "Belos Fracassados"
Catherine Tekakwitha, quem é você? Você é (1656-1680)? Isso é suficiente? Você é a Virgem Iroquesa? Você é o Lírio das Margens do Rio Mohawk? Posso te amar do meu jeito? Sou um velho acadêmico, mais bonito hoje do que antes. É o que acontece com quem nunca tira a bunda da cadeira. Vim te buscar, Catherine Tekakwitha. Quero saber o que se passa aí debaixo do seu manto cor-de-rosa.

Tenho esse direito? Fiquei apaixonado quando te vi num santinho. Você estava no meio de bétulas, minha árvore favorita. Só Deus sabe até onde iam os laços de seus mocassins. Atrás de você tinha um rio, com certeza o Mohawk. Na frente, à esquerda, dois pássaros pareciam loucos para receber um carinho seu nos pescocinhos brancos, ou que os usasse numa parábola. Tenho algum direito de ir atrás de você com a mente empoeirada e impregnada do conteúdo inútil de cinco mil livros? Logo eu, que quase nunca vou ao campo. Você me daria uma aula sobre as folhas? Sabe alguma coisa sobre cogumelos alucinógenos? 

Lady Marilyn morreu há poucos anos. Posso dizer que, daqui a uns quatrocentos anos, algum velho acadêmico, talvez da minha linhagem, irá atrás dela do mesmo jeito que estou atrás de você? A essa altura você já deve conhecer bem o Paraíso. Por acaso parece um desses altares de plástico que brilham no escuro? Juro que não me importo se parecer. As estrelas são mesmo pequenas, no fim das contas? Será que um velho acadêmico ainda pode encontrar o amor em vez de ficar, todas as noites, batendo punheta na cama até dormir? 

Eu nem odeio mais os livros. Já esqueci quase tudo o que li e, francamente, nem eu nem o mundo perdemos muito com isso. Meu amigo F. costumava dizer, com seu jeito alucinado: Precisamos aprender a nos deter bravamente na superfície. Precisamos aprender a amar as aparências. F. morreu numa cela acolchoada, com o cérebro apodrecido de tanta perversão sexual. Seu rosto ficou preto, vi com meus próprios olhos; disseram também que sobrou pouco de seu pau. 

Uma enfermeira me contou que ficou parecendo a parte de dentro de um verme. À sua saúde, F., amigo louco e leal! Me pergunto se será lembrado no futuro. E se quer saber, Catherine Tekakwitha, sou tão humano que sofro de prisão de ventre, meu prêmio por uma vida sedentária. Entende por que meu coração está nessas bétulas? Entende agora por que um velho acadêmico que nunca ganhou muito dinheiro quer entrar no seu postal Technicolor?

domingo, 10 de dezembro de 2023

.: Ruth Rocha lança "O Grande Livro dos Macacos" para público infantojuvenil

A premiada autora Ruth Rocha lança obra inédita que nos convida a explorar, rir e aprender com as travessuras e peculiaridades dos macacos


Com ilustrações de Veridiana Scarpelli, "O Grande Livro dos Macacos" é uma homenagem à diversidade dos macacos e um lembrete de que, apesar de nossas diferenças, temos muito em comum com esses seres fascinantes. No livro, Ruth Rocha traz dados científicos e textos lúdicos e ficcionais para desmistificar a vida dos primatas, desde o macaco-prego até o gorila. Ruth abraça a complexidade da nossa relação com os macacos, ressaltando a inteligência e as emoções que nos conectam a eles. Este livro mostra não só a capacidade da escritora de tecer narrativas encantadoras, mas também o seu desejo de instigar a curiosidade e o respeito pela natureza nas jovens mentes.

"A ideia de escrever sobre macacos era um desejo antigo meu. Esse livro estava guardado há tempos e, durante a pandemia, resolvi finalizá-lo. Juntei a ideia de contar histórias engraçadas de macacos com a teoria de Charles Darwin, a quem considero um dos cientistas mais importantes do mundo", diz Ruth Rocha.

Ruth possui uma trajetória marcada por cerca de 140 livros publicados pela Editora Salamandra, onde é autora exclusiva – com inúmeros contos, narrativas, poemas, crônicas e também adaptações de obras clássicas e documentos dos mais diversos, que visam garantir um dos direitos mais básicos da humanidade: o acesso à alfabetização e à educação.

Você pode comprar o livro "O Grande Livro dos Macacos", de Ruth Rocha aqui: amzn.to/41eL1q4

A autora é uma figura emblemática da literatura infantil brasileira. Com mais de 50 anos de carreira, suas histórias têm sido parte integral da educação e desenvolvimento infantil no Brasil, sempre com uma linguagem acessível e abordando temas que ressoam tanto em crianças quanto em adultos.

A escritora foi uma das primeiras a fazer parte dos catálogos Moderna e Salamandra, e em 2009, passou a ser, oficialmente, autora exclusiva da casa. Ao longo dos seus mais de 50 anos de carreira, já superou a marca de 40 milhões de exemplares vendidos, e encantou várias gerações de crianças do Brasil e do mundo.

Nascida na capital paulista em 1931, ao longo da vida, foi orientadora educacional e editora. Começou a escrever artigos sobre educação para a revista Cláudia, em 1967. Em 1969, deu início à produção de histórias infantis para a revista Recreio. Em 1976, teve o primeiro livro editado e, desde então, publicou mais de cem livros em território brasileiro e vinte no exterior, em 19 idiomas diferentes.

Ruth recebeu prêmios de diversas associações pela sua contribuição à literatura e à educação brasileira: Academia Brasileira de Letras, Associação Paulista dos Críticos de Arte, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o prêmio Santista, da Fundação Bunge, o prêmio de Cultura da Fundação Conrad Wessel, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e oito vezes o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Também foi homenageada pelas escolas e municípios, com seu nome batizando centenas de bibliotecas pelo país.

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Livro: "O Grande Livro dos Macacos"

Autora: Ruth Rocha

Editora: Salamandra


quinta-feira, 20 de abril de 2023

.: "O paradoxo de Atlas", de Olivie Blake, sequência de "A sociedade de Atlas"

Aguardada sequência do best-seller "A sociedade de Atlas" traz novas alianças, conspirações e embates com consequências devastadoras

 

Os leitores brasileiros em breve vão saber o que o futuro reserva para os escolhidos de Atlas Blakely em "O paradoxo de Atlas", de Olivie Blake. Na continuação do fenômeno do TikTok, os mágicos mais poderosos do mundo terão que lidar com revelações chocantes sobre a natureza da Sociedade Alexandrina e sobre si mesmos. Nesta trama eletrizante e envolvente, o destino é uma escolha, e toda escolha tem consequências devastadoras.

Detentora do conhecimento perdido das grandes civilizações da Antiguidade, a Sociedade Alexandrina guarda mistérios que a cada década precisam ser desvendados por mágicos excepcionais. Comandada por Atlas Blakely, um homem misterioso com um passado sombrio, o lugar garante aos seus membros uma vida de prestígio e privilégios.

Para garantir um lugar na Sociedade, seis jovens aceitaram participar de um jogo incendiário, mas apenas cinco deles concluíram a iniciação. Agora, eles precisam lidar com suas decisões e entender quem — ou o quê — está por trás da instituição, enquanto tentam decifrar um enigma que desafia as leis do espaço-tempo.

Alianças começam a ruir e novos pactos são forjados, e eles logo se veem presos numa intrincada teia de conspirações que põe à prova tudo em que acreditavam. Diante de dois caminhos implacáveis que podem definir o futuro da humanidade, é preciso escolher um lado. Se o conhecimento cobra um preço, o que mais eles vão sacrificar?

Os mágicos caóticos e extraordinários de Olivie Blake também poderão ser vistos nas telas, em uma série da Amazon Studios com produção-executiva da Brightstar e da própria autora, ainda sem previsão de estreia. Com grandes doses de magia, mistério e jogos de poder, O paradoxo de Atlas prepara o terreno para uma conclusão épica em que a realidade e a humanidade como as conhecemos podem nunca mais ser as mesmas.

Você pode comprar "O paradoxo de Atlas", de Olivie Blake aqui: amzn.to/3KVbVvs


Olivie Blake é o pseudônimo de Alexene Farol Follmuth, uma apaixonada por histórias e por ficção especulativa, gênero que inclui seu webtoon Clara and the Devil, ilustrado por Little Chmura, e a série A sociedade de Atlas, fenômeno literário que viralizou no TikTok. Blake também é autora de "Alone With You in the Ether". Ela mora em Los Angeles com o marido, o filho e o pit bull que resgatou.


Livro: "O paradoxo de Atlas"

Autora: Olivie Blake

Tradução: Karine Ribeiro

Páginas: 464

Editora: Intrínseca

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

.: "Por essa eu não esperava": comédia romântica divertida de Jesse Q. Sutanto

Comédia romântica da autora de "Disque T para titias" é uma carta de amor para a Indonésia

 

A Intrínseca apresenta mais uma comédia romântica emocionante e divertida de Jesse Q. Sutanto. Em "Por essa eu não esperava", a autora de "Disque T para titias" traz uma história repleta de reviravoltas, boas risadas e parentes fofoqueiros, acompanhada por fatos históricos e culturais e paisagens incríveis de sua terra natal, a Indonésia.

Depois de ser flagrada pela mãe em uma situação vergonhosa com Bradley, seu namorado lindo (e secreto), Sharlot Citra é obrigada a deixar Los Angeles para passar o verão em Jakarta, na Indonésia, terra natal da mãe.

Como se não bastasse o nome ilustre, George Clooney Tanuwijaya é flagrado por seu pai e sua irmã numa situação bastante… íntima. Chocado com a cena, o pai do garoto decide que o filho precisa encontrar uma namorada, já que a família — uma das mais ricas da Indonésia — tem uma reputação a zelar.

Sharlot e George têm planos parecidos: desaparecer até o constrangimento ser esquecido. Mas tudo muda quando os jovens descobrem que os pais estão paquerando com alguém em uma rede social, e pior: se passando por eles. Agora, mesmo revoltados com a situação, eles precisam se conhecer a contragosto e sustentar uma grande mentira.

Por essa eu não esperava é uma história perfeita para os leitores que se apaixonaram por Não nasci para agradar e a trilogia Para todos os garotos que já amei. A edição brasileira traz uma capa original com diversos detalhes da trama, assinada pela ilustradora Isadora Zeferino. Com muito bom humor e leveza, a autora apresenta uma carta de amor à Indonésia, celebrando suas origens e as relações familiares.

Você pode comprar o livro "Por essa eu não esperava", de Jesse Q. Sutanto aqui: amzn.to/3uysKVe

“Jesse Q. Sutanto é a rainha dos protagonistas excêntricos em situações caóticas.”

BuzzFeed

 

“Uma comédia romântica de timing preciso com toques de drama dignos das melhores novelas.”

Publishers Weekly


Foto: Michael Hart

 

Jesse Q. Sutanto cresceu entre Indonésia, Singapura e Oxford e se sente em casa nos três lugares. Fez mestrado na Universidade de Oxford, mas ainda não encontrou um jeito de contar isso sem parecer arrogante. Tem quarenta e dois primos de primeiro grau e trinta tios, muitos dos quais moram na mesma rua. Jesse adorava jogar videogame, mas não tem mais passatempos por conta da vida agitada com as duas filhas pequenas e o marido. Ela torce para reencontrar um passatempo um dia. Pela Intrínseca, também publicou "Disque T para titias".


Livro: Por essa eu não esperava 

Autora: Jesse Q. Sutanto

Editora Intrínseca

Tradução: Ana Beatriz Omuro

336 páginas

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terça-feira, 16 de agosto de 2022

.: "Continência ao Amor" chega em livro pela Intrínseca e já pode ser comprado

Livro que inspirou fenômeno global da Netflix está em pré-venda e chega às lojas em novembro

 

Com mais de 100 milhões de horas de exibição na Netflix nas primeiras semanas de lançamento, "Continência ao Amor" já é o filme mais bem-sucedido do serviço de streaming em 2022. O livro homônimo, que inspirou o longa, chega ao Brasil em novembro pela Intrínseca e já está em pré-venda. Primeiro romance voltado para o público adulto de Tess Wakefield, a obra tem tudo para repetir nas livrarias o estrondoso sucesso da adaptação, que conquistou os fãs de histórias de amor nada convencionais ao trazer para as telas o encontro entre uma aspirante a artista e um militar.

Cassie Salazar, interpretada por Sofia Carson (Descendentes), e Luke Morrow, por Nicholas Galitzine (Cinderela), são totalmente diferentes. A jovem tenta ganhar a vida trabalhando à noite, em um bar em Austin, no Texas, enquanto corre atrás do sonho de ser cantora e compositora. Já Luke é um militar prestes a ir para a guerra, que identifica na disciplina implacável do Exército o conforto de que precisa.

Após receber o diagnóstico de diabetes, Cassie é soterrada por despesas médicas. Ao encontrar seu velho amigo Frankie, que se alistou ao Exército, ela propõe casar-se com ele em troca de um plano de saúde melhor e dividir o dinheiro a mais que a instituição concede por eles serem uma “família”. Quando Frankie recusa a proposta, seu atraente amigo Luke se oferece para se casar com Cassie no lugar dele. O que ela não sabe é que o jovem militar também tem suas razões para concordar com o matrimônio de fachada.

Mesmo não esperando muita coisa depois de confirmarem os votos, os dois precisam deixar de lado as diferenças para que o arranjo deles pareça um casamento de verdade. Até que uma tragédia acontece, e os limites entre o que é real e o que é mentira começam a se confundir. Um romance intenso e inesquecível, que mostra como o amor pode ser encontrado nos lugares mais improváveis.

Tess Wakefield mora em Golden Valley, no estado norte-americano de Minnesota. Quando não está trabalhando em suas obras de ficção, atua como redatora e comediante amadora e cuida de uma porção de plantas. Você pode comprar "Continência ao Amor", de Tess Wakefield, aqui: amzn.to/3A2y0mi


Livro: Continência ao Amor

Autora: Tess Wakefield

Editora Intrínseca

Tradução: Gabriela Araújo, Isadora Prospero, Laura Pohl e Sofia Soter     

Páginas: 336

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quinta-feira, 26 de maio de 2022

.: "Coloquem suas máscaras!: As muitas pandemias sob o olhar da charge"

Novo livro apresenta charges de artistas do mundo todo como forma de expressão e crítica à pandemia. Lançamento da Editora Senac São Paulo, a obra propicia a reflexão sobre as transformações ocorridas durante o desafio sanitário de imensas consequências políticas, sociais e econômicas


O confinamento, necessário para conter a Covid-19, afetou bilhões de pessoas que tiveram seu cotidiano radicalmente transformado de forma mais ou menos duradoura. O mundo parou diante a uma doença que fez centenas de milhares de vítimas. Desde o início dessa crise sem precedentes, a associação Cartooning for Peace, cuja rede de cartunistas se estende por 67 países de todo o globo, reuniu diversas charges e retratou a situação internacional no livro "Coloquem suas máscaras!: as muitas pandemias sob o olhar da charge".

Novidade na Editora Senac São Paulo, a obra apresenta uma pluralidade de crônicas visuais com diversas temáticas como saúde, economia, meio ambiente, sociopolítica e meios de comunicação. Como forma de expressão e um olhar crítico ao período, as charges retratam como diferentes culturas enfrentaram a pandemia - problemas e conflitos locais, questões globais e humanas, que em maior ou menor grau atingiram a todos.

Em parceira com a Anistia Internacional, foram selecionadas 120 charges, rastreando o aparecimento do vírus e revisitando os meses que atravessamos, antes de conseguirmos vislumbrar o mundo pós-Covid. Os direitos autorais da obra serão revertidos para a Cartooning for Peace, direcionados a cartunistas que têm suas vidas ameaçadas.

O livro é prefaciado pela filósofa Viviane Mosé, que fala sobre a pandemia e o abismo civilizatório, contribuindo para o debate não só de nosso cotidiano particular, mas do coletivo, que repercute em toda a sociedade.

Valorizando a charge como meio de expressão, a Editora Senac São Paulo visa, por meio deste lançamento, ampliar o acesso às crônicas visuais de artistas do mundo todo, suscitando debate e reflexão sobre o momento que vivemos.

Sobre os autores: Viviane Mosé é capixaba e mora no Rio desde 1992. É psicóloga e psicanalista, com mais de vinte anos de experiência clínica, mestra e doutora em filosofia, pelo IFCS-UFRJ, e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas, pela UFES.

Tem 11 livros publicados entre poesia, filosofia e educação, e foi duas vezes indicada ao Prêmio Jabuti, pelos livros Stela do Patrocínio -- Reino dos bichos e dos animais é o meu nome e A escola e os desafios contemporâneos. Escreveu e apresentou o quadro Ser ou não ser no Fantástico, da TV Globo, em 2005 e 2006, no qual trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana. Durante seis anos fez comentários diários na Rádio CBN, no quadro Liberdade de expressão. É sócia e diretora da Usina Pensamento.

Anistia Internacional é um movimento de mais de 7 milhões de pessoas que lutam todos os dias e por toda a parte para promover e fazer respeitar os direitos humanos estabelecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Trata-se de uma organização independente de governos, tendências políticas, interesses econômicos e crenças religiosas, que intervém no mundo inteiro a fim de prevenir e fazer cessar violações graves ao conjunto desses direitos.

Você pode comprar "Coloquem suas máscaras!: As muitas pandemias sob o olhar da charge" aqui: amzn.to/3wML1jt

 

Livro: Coloquem suas máscaras!: As muitas pandemias sob o olhar da charge

Páginas: 144

Editora Senac São Paulo

domingo, 26 de abril de 2020

.: Livro "A Viagem de Cilka" recria história de sobrevivente do Holocausto

Qual o limite entre a ficção e a realidade? Romance histórico brinca com essas fronteiras para narrar a luta de uma sobrevivente do Holocausto. O livro "A Viagem de Cilka", sequência do best-seller "O Tatuador de Auschwitz", de Heather Morris, reacende a relação entre a literatura e a educação socioemocional.

O livro "A Viagem de Cilka", que acaba de chegar ao Brasil pela Editora Planeta, faz um poderoso testemunho de como era o cotidiano de uma mulher nos campos de concentração. O fio narrativo da trama é a história real de Cecilia Kovachova, uma jovem de 16 anos que foi feita prisioneira no campo de concentração nazista de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. A obra mescla fatos históricos com um trabalho investigativo com experiências de mulheres sobreviventes do Holocausto.

Em seu segundo livro, a renomada escritora que emocionou milhões de leitores com sua obra anterior, volta com toda a potência que a consagrou e que caracteriza o best-seller no topo da lista de mais vendidos do New York Times, "O Tatuador de Auschwitz". Em "A Viagem de Cilka", Heather Morris transforma Cecilia na personagem Cilka Klein, uma heroína símbolo de luta feminina que já aparece no primeiro livro e que agora ganha o posto de protagonista.

A literatura como testemunho da História
Mas, afinal, por que o gênero romance histórico tem tanto poder de admirar leitores de todas as idades em todo o mundo? Quais os limites entre a realidade e a ficção? Livros como "A Viagem de Cilka", que jogam com dados de realidade e os misturam a elementos ficcionais, reacendem a importância de falar sobre a importância da narração como testemunho e ferramenta potente para reparar feridas históricas, como é o caso deste que é um dos períodos mais sombrios da História, o genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

"O romance histórico não deve mostrar nem existências individuais nem acontecimentos históricos, mas a interseção de ambos: o evento precisa trespassar e transfixar de um só golpe o tempo existencial dos indivíduos e seus destinos", diz o pesquisador Fredric Jameson, no estudo "O Romance Histórico Ainda É Possível? ". As histórias como ferramenta de cura emocional - Se a filósofa alemã Hannah Arendt estava certa quando disse que "toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história", a protagonista de "A Viagem de Cilka" é uma prova potente da resiliência da mulher contra todas as probabilidades.

Ao narrar uma história, nomeamos angústias, damos vazão a sentimentos difíceis e, ao mesmo tempo, ajudamos a compor trajetórias inspiradoras que contribuem para lidar coletiva e individualmente com a dor de uma tragédia. Romances históricos, por seu caráter documental e ao mesmo tempo ficcional, nos colocam diante da dor outro e formula uma linguagem para ela, confrontando o leitor com suas próprias questões. 

Faz parte da nossa educação socioemocional como sujeitos lidar com esse enfrentamento, e a literatura pode ser um instrumento bastante eficaz. "É por meio do ‘era uma vez’ que o ato de ir além do mundo, em outras palavras, a metafísica, é introduzida na vida de cada indivíduo", afirma o escritor francês Jean-Claude Carrière no livro "O Círculo dos Mentirosos".

No caso deste livro, a tragédia cotidiana que era ser mulher em um campo de concentração nazista, é revisitada a partir de elementos ficcionais. Os estupros, a violência psíquica, os abusos simbólicos e concretos, o trabalho forçado: tudo isso era rotina para mulheres como a protagonista da história, que precisavam lutar diariamente para sobreviver a uma guerra que só não foi perdida graças à resiliência humana e à capacidade de, por cima da dor, poder contar uma história, exatamente como dizia Hanna Arendt.

Trecho do livro
"Auschwitz-Birkenau, 1944
Cilka observa enquanto centenas de mulheres nuas passam por ela. A neve tem vários centímetros de altura e continua a cair, rodopiando com o vento. Ela puxa a gola do casaco sobre a boca e o nariz, o chapéu quase cobrindo os olhos. As mulheres passam por ela e não se sabe aonde vão, a morte delas é a única certeza. Cilka está paralisada e não consegue se mexer. É como se fosse testemunhar o horror - ela poderá sobreviver a esse inferno na Terra e ser a pessoa que precisará contar o que viu."

Sobre a autora
Nascida na Nova Zelândia, Heather Morris é autora do best-seller número 1 do The New York Times, "O Tatuador de Auschwitz". É apaixonada por histórias de sobrevivência, esperança e resiliência. Em 2003, enquanto trabalhava em um grande hospital de Melbourne, na Austrália, Heather conheceu um senhor que "talvez tivesse uma história para contar"

Esse senhor era Lale Sokolov, o tatuador de Auschwitz, e dessa convivência nasceu o romance, que continua um enorme sucesso de vendas, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos no mundo. "A Viagem de Cilka" é o segundo romance da autora. Para saber mais, acesse o site oficial da escritora.

Ficha técnica 
"A Viagem de Cilka"
Título original: "Cilka’s Journey" (2019)
Autora: Heather Morris
Assunto: Ficção; Auschwitz; Guerra Mundial
ISBN: 978-85-422-1906-7
Formato: 16 x 23
Páginas: 304
Preço: R﹩ 49,90

domingo, 3 de dezembro de 2017

.: Vencedor do Prêmio SP de Literatura: Maurício de Almeida prepara dois livros

Após vencer um dos prêmios literários mais importantes do Brasil, escritor finaliza dois livros que devem ser publicados no próximo ano


Ganhador do Prêmio Sesc de Literatura 2007 com o livro de contos Beijando Dentes, o escritor Maurício de Almeida foi recentemente anunciado vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2017 na categoria autor estreante com menos de 40 anos pelo seu primeiro romance, A Instrução da Noite. A história acompanha o relato de um filho descomposto pelo retorno inesperado de um pai ausente.

Além das duas publicações, Maurício também participou de diversas antologias, assina peças de teatro e roteiros de curta-metragem. O autor aposta no trânsito entre as diferentes linguagens e nas novidades que uma pode trazer à outra. As experimentações acontecem tanto nas próprias histórias quanto na forma de seus textos. Exemplo é o conto Duelo, de Beijando Dentes, um texto dividido por duas colunas representando uma discussão entre duas pessoas que não são capazes de se ouvir.

Independente da forma escolhida, os textos de Maurício têm a tendência comum de discutir questões familiares – suas tensões, fragilidades e urgências. Antropólogo, o autor também identifica uma carga alta de alteridade nas suas discussões literárias. 

“Muitos textos reagem a dificuldades de convívio e da tentativa de compreender o outro, mostrar empatia. Também busco por uma narrativa com ação mais interna e psicológica”, diz Maurício. O autor complementa que os recortes psicológicos de seus textos literários recriam situações mais pelas sensações do que pelos fatos externos.

Entre suas referências, Maurício destaca diversos autores que também trabalham a tensão interna de seus personagens em detrimento da ação, como Raduan Nassar (Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera), Osman Lins (Avalovara e Nove, Novena), Luis Sérgio Metz (Assim na Terra), Clarice Lispector (A Paixão Segundo G.H), Lúcio Cardoso (Crônica da Casa Assassinada) e Hilda Hilst (O Caderno Rosa de Lori Lamby).

O autor cita ainda autores contemporâneos conhecidos por trabalhar “linguagens que criam sensações”, como Rafael Gallo e Bernardo Carvalho - escritores em atividade - e Max Martins e Roberto Piva, falecidos em 2009 e 2010, respectivamente.

Novos Projetos: Atualmente, Maurício está em processo de finalização de outros dois livros: um de contos e um romance – ambos com títulos a serem revelados em breve.

O livro de contos traz relatos de viagens. As personagens, de modo geral, estão fora de seus lugares de origem e devem lidar com o estranhamento de estarem em locais que não conhecem e lidar com hábitos muito distintos dos seus. Algumas passagens do livro são inspiradas nas próprias viagens que Maurício faz como antropólogo em visitas a aldeias indígenas e outros espaços muito diferentes dos que habita na rotina.

Já o romance perpassa por uma relação familiar e, de alguma forma, dialoga com A Instrução da Noite. Dois irmãos com rotinas e vivências completamente distintas têm os caminhos distorcidos e são colocados em contato após uma situação ocorrer com o pai deles.

Sobre os livros, Maurício diz que eles marcam caminhos para fora e não mais para dentro dos personagens. “São pessoas fora de suas zonas de conforto e que estão em pleno movimento. Enquanto nos livros anteriores as personagens ficavam mais contidas com suas elucubrações, agora as situações explodem, vão para fora”, diz o escritor.

Sobre Maurício de Almeida: Maurício de Almeida nasceu em Campinas, em 1982. Formou-se em antropologia pela Unicamp. Seu primeiro livro, Beijando Dentes, foi vencedor do Prêmio SESC de literatura 2007. Mora atualmente em Brasília. Site: mauriciodealmeida.com.br.

A Instrução da Noite: Depois de anos desaparecido, um pai volta para casa, provocando, além de surpresa, uma avalanche de sentimentos contraditórios nos membros da família. Vencedor do Prêmio SESC de Literatura por Beijando Dentes, Maurício de Almeida costura com grande habilidade o drama psicológico vivenciado por cada um dos personagens de seu intrincado novelo familiar em A instrução da noite, sua estreia na Rocco. Dialogando com a literatura de Osman Lins e Raduan Nassar, o autor cria belas metáforas para falar de situações e sentimentos como perdas, traição, frustração, solidão, medo e abandono, e dos traumas que cada um carrega, muitas vezes por uma vida inteira, e que influenciam as escolhas que fazemos ao longo dessa mesma vida.

Livro: Beijando Dentes
Escritor: Maurício de Almeida
144 páginas
Selo: Rocco

.: Casa-Museu Ema Klabin comemora dez anos com lançamento de livro

Foto Henrique Luz

Escrito por especialistas, publicação mostra a importância do colecionismo de Ema Klabin para a cidade de São Paulo. Show com a Banda Tito Martino Jazz Band também faz parte das comemorações


Mais de quinze mil  pessoas visitaram a Casa  em 2017. 
No próximo dia 9 de dezembro, sábado, às  14 horas, acontece o lançamento do livro “A Coleção Ema Klabin”  em comemoração aos dez anos de abertura da Casa-Museu Ema Klabin. O livro, organizado pelo curador Paulo de Freitas Costa,   traz um panorama do acervo  de Ema Klabin (1907-1994), uma mulher à frente de seu tempo que dedicou-se com empenho e competência a colecionar obras de arte, que hoje fazem parte da sua Casa-Museu,  no Jardim Europa, em São Paulo.  As comemorações se estendem durante todo o dia com visitas à casa e um show com Tito Martino Jazz Band.

A publicação reúne textos de dez especialistas em história da arte e artes plásticas, como Paulo de Freitas Costa,  docentes do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e da Universidade de São Paulo (USP) e tem prefácio de Celso Lafer, diretor presidente da Fundação Ema Klabin.  Com 268 páginas, o livro revela em cada um dos seus treze capítulos  um pouco sobre a coleção  de  mais de 1500 peças da Casa-Museu.

Na publicação, os especialistas  analisam  desde  a  construção do imóvel-sede da Fundação, realizada ao longo dos anos de 1950,  até a coleção:  pintura holandesa; flamenga e francesa; a arte colonial brasileira nas talhas de mestre Valentim; a arte do Japão, China e da África; o modernismo Europeu e a “Escola de Paris”,  o modernismo brasileiro,  a coleção  de  artes decorativas, o mobiliário; os objetos da antiguidade clássica; e a biblioteca com três  mil volumes, muito deles raríssimos. O livro comemorativo dos dez anos da abertura da Casa-Museu Ema Klabin aprofunda trabalhos anteriores, como o  livro Sinfonia de Objetos (Editora Iluminuras Ltda, 2007),  do curador Paulo Costa.

Nesses dez anos de atuação, a Casa-Museu Ema Klabin tem muito a comemorar. Cerca de 55 mil pessoas visitaram o espaço cultural que ofereceu  177 shows gratuitos, 194 cursos e palestras, 57 Tramas Culturais,  46 visitas temáticas, 52 arte- papos com artistas contemporâneos e 18  exposições temporárias , duas delas em andamento até o dia 17 de dezembro: Anaconda, de Alex Flemming e Penetra, de Marcius Galan. Desde setembro de 2016 a Casa-Museu ampliou  o atendimento das visitas guiadas, abrindo aos finais de semana, sem a necessidade de agendamento.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM/MINC), Marcelo Mattos Araujo, a Casa- Museu Ema Klabin é referência nacional e internacional no campo de museus-casa de colecionador “Esses primeiros dez anos de atividades ininterruptas da Fundação Ema Klabin comportaram um importante programa de ações de salvaguarda de seu vasto e complexo acervo museológico, bem como seus destacados acervos bibliográfico e arquivístico. 

Paralelamente, desenvolveu um sólido programa de divulgação por meio de diferentes ações expositivas e educativas; e , como poucas instituições museológicas entre nós ,   logrou constituir  e implantar um alentado programa de pesquisa em torno da figura de sua instituidora, de sua prática colecionista, e do acervo por ela reunido, cujos os resultados foram sempre generosamente compartilhados em publicações e apresentações em seminários por todo o pais”, salienta.

A publicação tem apoio cultural do ProAC/ICMS - Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura e Klabin S.A.

Sobre a Casa-Museu: Aberta ao público desde 2007, a  Casa-Museu, antiga residência da mecenas, colecionadora e empresária Ema Klabin (1907-1994)  abriga um valioso acervo de mais de 1500 obras, entre pinturas do russo Marc Chagall, do holandês Frans Post, talhas do mineiro Mestre Valentim, mobiliário, peças arqueológicas e decorativas.

Inspirada no Palácio de Sanssouci, em Potsdam, Alemanha, a Casa-Museu de 900 m², construída na década de 50 pelo engenheiro-arquiteto Ernesto Becker especialmente para abrigar as obras da colecionadora, é uma atração à parte. Até o jardim do museu, projetado por Burle Marx, é uma obra de arte.
A coleção foi adquirida por  Ema Klabin ao longo de mais de quatro décadas em galerias e antiquários no mundo inteiro e possui obras de artistas  que não são encontradas em nenhum grande museu brasileiro. A primeira compra, em 1948, foi realizada por indicação de Pietro Maria Bardi, que então iniciava a formação do acervo do MASP.

Além das obras de arte, a biblioteca que possui um  acervo de 3 mil volumes, reduto favorito de Ema Klabin, merece destaque. Nela há  livros raros que engloba desde manuscritos iluminados até os primeiros exemplares do livro impresso,  bem como relatos de viajantes europeus pelo Brasil, datados do século XVI ao XIX. Inicialmente, a coleção de livros teve a orientação do bibliófilo José E. Mindlin. O acervo está aberto para pesquisas, um dos pedidos da colecionadora.

A empresária Ema Gordon Klabin (1907-1994), carioca criada em São Paulo, foi uma personalidade notável da vida paulistana. Entre as suas iniciativas (que pouca gente conhece) está a compra do terreno para abrigar o Hospital Israelita Albert Einstein, no Morumbi. Mecenas, ela integrou conselhos de museus como o Masp.

Serviço:
Data: 9 de dezembro - sábado
14h - Lançamento do livro “A Coleção Ema Klabin”  em comemoração aos dez anos de abertura da Casa-Museu
16h30 - Tito Martino Jazz Band  - 170 lugares
Entrada franca
Visita ao museu: De quarta a domingo, das 14h às 17h (com permanência até às 18h), sem agendamento. Aos finais de semana e feriados a visita tem entrada franca. Nos outros dias, o ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).
Local: Casa-Museu Ema Klabin
Endereço: Rua Portugal, 43 - Jardim Europa, São Paulo -  11 3897-3232

sábado, 2 de dezembro de 2017

.: Os 5 principais arrependimentos das pessoas antes de morrer

Eis que, ao falar da morte, Bronnie Ware nos enche de vida nestas preciosas páginas. Sem a intenção de escrever um livro de autoajuda, ela acaba nos revelando lições imorredouras.

E nos ensina que ser quem somos exige muita coragem; que o valor verdadeiro não está no que possuímos; que o que importa é como vivemos as nossas vidas; que podemos fazer alguma diferença positiva; que a vida não nos deve nada, nós é que devemos a nós mesmos; que a gratidão por todos os dias ao longo do caminho é a chave para reconhecer e curtir a felicidade agora; que a culpa é tóxica; que a solidão não é a falta de pessoas, mas de compreensão e aceitação; que é possível inventar vidas e demolir prisões criadas por nós mesmos. Enfim, ao falar da morte, baseada nos relatos de dezenas de pacientes terminais, a escritora nos revela que a percepção do tempo limitado pode aumentar a consciência que temos da vida, esta preciosidade indefinível.

É perda de tempo tentar defini-la — o mundo é espelho, reflexo de nós mesmos.

Bronnie Ware: É escritora, cantora e compositora australiana. Ficou conhecida através de seu blog pessoal, em que compartilhava as principais histórias e experiências de seus pacientes à beira da morte. Com o sucesso do blog, decidiu publicar o seu primeiro livro, Antes de partir. Seu site oficial é o www.bronnieware.com.

Livro: Antes de partir - Os 5 principais arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer
Autora:  Bronnie Ware
Tradutor: Chico Lopes
Categoria: Desenvolvimento Pessoal


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

.: Livro infantil chama atenção para síndrome rara e estimula o respeito

Criança com síndrome raríssima conversa com outras crianças e revela o seu modo de ver o mundo


Como falar às crianças e adolescentes sobre respeito às diferenças? E se essas diferenças forem algo de certa forma muito difícil de explicar? É isso que faz de forma poética e muito alegre o livro Você sabe quem eu sou? Então vou te contar, de Herica B. T. Secali.

Herica, a autora, é mãe de Daniella, uma garotinha de 21 anos, mas uma garotinha. Quando Daniella nasceu, os médicos logo chamaram a atenção da família sobre as dificuldades que eles teriam, o que demandaria muita força, paciência e dedicação. Daniella é uma Cornélia. Sim, é assim que se chamam as crianças que têm a Síndrome de Cornélia D’Lange, de que se tinha pouquíssimas informações na época do seu nascimento, em 1996, quando a Internet ainda estava começando.

Com muito esforço e aprendizado, os dedicados pais viram sua filha chegar aos 21 anos, contrariando algumas expectativas médicas que se limitavam ao primeiro ano. Aos três meses de idade, Daniella já fazia fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para estimulá-la ao máximo, dando a ela uma boa condição de vida. Depois veio a série de cirurgias com os mais diversos especialistas. Mas, definitivamente, não é sobre isto que trata o livro.

O texto escrito pela mãe como se fosse a filha é uma verdadeira celebração à vida e ao amor incondicional. “Este livro surgiu em comemoração a essa importante fase de aprendizado, aceitação e superação. Assim como a Daniella, todos nós da família renascemos para a vida”, afirma Herica. A relação entre mãe e filha está presente do começo ao fim da obra. A autora empresta seus sentimentos e observações. Daniella, em retribuição, oferece seu carinho, força e perseverança.

Daniella fala, por meio de sua mãe, sobre seus primeiros anos, a sua maneira de ver, entender e explicar o mundo. Com muita leveza e a ingenuidade típica das crianças, ela conversa com outras crianças e adolescentes, mostrando que é possível aprender juntos a respeitar o que é diferente. Um estímulo à reflexão para crianças de todas as idades. Por meio de um texto poético e questionamentos, o livro convida o leitor a uma atitude de pesquisa, reflexão e analise sobre a sua própria história de vida. Um estímulo à leitura desde os primeiros anos, excelente ferramenta paradidática e uma fonte de inspiração para que outras famílias venham a fazer o mesmo.

Raríssimas e Casa dos Marcos, importantes referências mundiais
Segundo a Associação Brasileira Síndrome de Cornélia de Lange, esta é uma rara doença de origem genética que provoca déficit global do desenvolvimento físico, motor e intelectual. Cerca de 90% dos portadores não desenvolvem a fala. A taxa de ocorrência na população em geral é estimada em até um caso a cada 62.500 nascimentos. No Brasil, esse número não chama atenção para ações de saúde pública. Em Portugal, Paula Costa, a mãe de um Cornélia chamado Marco, fundou a Raríssimas, associação dedicada a doenças raras, e construiu a Casa dos Marcos, uma das mais importantes inciativas mundiais nessa área, com o apoio de personalidades como primeira-dama Maria Cavaco Silva e da rainha da Espanha Letizia Ortiz.


Para saber mais sobre Cornélia D’Lange e outras síndromes muito raras:
www.cdlsusa.org
www.cdlsbrasil.org
www.rarissimas.pt
https://rarissimas.pt/casadosmarcos/

Video apresentação Casa dos Marcos


Serviço
Livro: Você sabe quem eu sou? Então vou te contar
Autora: Herica B. T. Secali
Editora: Pandorga
32 páginas
Lançamento com sessão de autógrafos: terça-feira, 5 de dezembro de 2017, das 18h30 às 21h30
Onde: Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 965, Vila Madalena, São Paulo, tel: (011) 3814-5811

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

.: Entrevista com Carlos Minuano, autor da biografia de Clodovil Hernandes

"Clodovil não era fácil. E escrever sobre ele, muito menos".
Carlos Minuano, jornalista e autor de "Tons de Clô",
 a primeira biografia de Clodovil Hernandes


Por Helder Moraes Miranda, em novembro de 2017.

Autor de "Tons de Clô", a primeira biografia do estilista, apresentador de programas na televisão e deputado federal Clodovil Hernandes, Carlos Minuano promete polêmica ao revelar histórias ainda desconhecidas do grande público. 

Lançada pela editora Best-Seller, a obra promete decifrar, ou quase, a personalidade de Clodovil que, com temperamento intempestivo e colecionador de desafetos, era amado e odiado pelas mesmas características que o consagraram: a autenticidade e a irreverência.

O livro revela os bastidores da vida regada a luxo, glamour e sexo, que foi interrompida em 2009 e até hoje é envolta em muitos rumores, mistérios e dúvidas. Conhecido por contratar garotos de programa, Clô, como era apelidado, sempre teve dificuldade para lidar com a sexualidade, mas usava bordões que falavam disso como uma maneira de se defender.

Carlos Minuano, o autor da obra, é jornalista e pós-graduado em cinema. Em 20 anos de carreira, já escreveu nos principais veículos do país, como no jornal Folha de S.Paulo, revistas Carta Capital e Rolling Stone, além de diversas publicações da editora Abril. Atualmente, é repórter do jornal Metro (Band) e colaborador no portal UOL.

Ele está estreando no audiovisual com uma websérie sobre sexualidade, protagonizado pela escritora Nalini Narayan, que deve estrear ainda esse ano no YouTube. E também trabalha em um próximo livro sobre a bebida psicodélica ayahuasca. "Tons de Clô" será lançado na próxima quarta-feira, dia 22 de novembro, a partir das 19h, na livraria da Vila da Fradique Coutinho.

RESENHANDO - Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre Clodovil Hernandes?
CARLOS MINUANO - Começou em uma reportagem para o UOL, fui cobrir a inauguração de um espaço em homenagem a ele em Ubatuba. Nessa viagem, comecei a conhecer algumas histórias e falei sobre elas com meu amigo Guilherme Fiúza. Ele começou a por pilha na história até que o Carlos Andreazza, do grupo Record, me ligou e me convidou para fazer o livro.

RESENHANDO - O que foi mais desafiador em escrever essa biografia?
C.M. - Tudo foi desafiador. Clodovil não era fácil. E escrever sobre ele, muito menos. Digo isso porque ele não deixou herdeiros, e em seu círculo de amizades encontrei uma boa quantidade de pessoas que decidiram não colaborar com o livro. Deu bastante trabalho.

RESENHANDO - Quando você percebeu que estava na hora de parar de pesquisar e começar a escrever?
C.M. - Foram dois anos de pesquisa e redação, encontrei muita coisa que demandava mais tempo de apuração. Mas trabalho em um jornal diário e a vida por lá não é fácil. Estourei o prazo algumas vezes e quando a paciência da editora estava acabando percebi que era hora de começar a escrever.

RESENHANDO - De que maneira teve acesso às histórias secretas de Clodovil, como a contratação de garotos de programa?
C.M. - Em uma pesquisa, ao buscar uma informação, acontece de se encontrar muitas outras. Uma fonte pode levar a outras, e foi isso o que aconteceu no caso da biografia do Clodovil. Várias pessoas que entrevistei me contaram histórias sobre os garotos de programa.

RESENHANDO - Houve algum ponto da biografia de Clodovil que o chocou?
C.M. - O mais chocante foram histórias sobre a morte dele, mas que não pude contar no livro, por falta de provas, tempo e recursos para investigação. Tem muito a ser apurado na fase pós-morte.

RESENHANDO - Dos desafetos públicos que Clodovil tinha, qual é o mais controverso na sua opinião? 
C.M. - Foram muitos. Não sei dizer qual o mais controverso. O mais impactante, talvez, tenha sido a briga com o programa "Pânico na TV". Foi o que mais desequilibrou Clodovil. 

RESENHANDO - Clodovil estava certo em relação às brigas que comprava?
C.M. - Isso é muito relativo. Ele comprou algumas brigas importantes e pagou caro por isso. Por exemplo quando criticou ao vivo o processo da constituinte, em 1988, que estava sendo aprovada de maneira não tão transparente. Perdeu o emprego por isso. Mas em tantas em outras, não tinha razão alguma. Foi por puro destempero mesmo. Clodovil era assim.   

RESENHANDO - No mundo politicamente correto e careta de hoje, Clodovil conseguiria se tornar o Clodovil Hernandes que ele foi? Teria mais dificuldades ou facilidades?
C.M. - Difícil dizer isso. Penso que seria a mesma coisa. Um desfile de encrencas e confusões, mas sempre com muito estilo e autenticidade.

RESENHANDO - Conhecedor da história de Clodovil, aponte a principal qualidade e o principal defeito dele.
C.M. - Sua principal qualidade acho que foi a autenticidade. O defeito, sua mania de se envolver em brigas e confusões. 

RESENHANDO - Por que Faustão e Silvio Santos se recusaram a falar sobre Clodovil em seu livro?
C.M. - Bom, sei lá, mas acho que talvez porque não costumam dar entrevistas mesmo.

RESENHANDO - Depois de biografar a obra do estilista, qual é a sua opinião pessoal sobre ele?
C.M. - O Clodovil era cheio de contradições, mas me impressionou seu lado criativo, o profissionalismo e a espontaneidade. Foi sem dúvida uma pessoa incrível.

*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

As 7 maiores polêmicas de Clodovil

"Pânico na TV" - A saga de Clodovil


domingo, 19 de novembro de 2017

.: Tudo sobre o vencedor do Prêmio Sesc de Literatura: “O Abridor de Letras”


Escritor e ativista ambiental, João Meirelles Filho explora o universo da Amazônia Oriental, do Pará, do Maranhão e de Belém, onde vive há 13 anos. Livro será lançado nas unidades do Sesc em São Paulo, Brasília e Belém nos dias 28 de novembro, 5 e 7 de dezembro, respectivamente.

A vivência de 40 anos na Amazônia sempre fez com que João Meirelles Filho buscasse a fronteira entre o real e o imaginário. Escritor e empreendedor social há 30 anos, ele é autor de diversos livros de não-ficção sobre a floresta amazônica. Este ano ele estreou na ficção e conquistou o Prêmio Sesc de Literatura com o livro “O Abridor de Letras”.

A natureza e as mudanças climáticas também estão presentes nos oito contos reunidos no livro. “Muitas das questões socioambientais são desinteressantes à maioria, a ficção permite uma abordagem intimista e, quem sabe, mais persuasiva e que raramente procura encerrar problemáticas tão complexas”, afirma o autor.

Nos textos, a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga e o Pantanal são explorados por meio do linguajar caboclo, pelos saberes e fazeres locais e pelo contraste entre o urbano e o rural. “Há algo genérico no sertão interior, onde as palavras se tornam mais inquiridoras à medida que avançam rios e serras adentro, em novos contatos com outras paisagens culturais”, declara.

Conciliando a vida de escritor com a de ativista social, Meirelles já prepara o segundo livro de contos e conta que o Prêmio Sesc de Literatura foi um grande estímulo. “Primeiro, porque nunca participara de prêmio algum e, assim ele  me diz com todas as letras –  vai, siga adiante –; e, depois, porque as narrativas estão surgindo à medida que deixo a porteira aberta”. “O Abridor de Letras” chega às livrarias neste mês de novembro pela Editora Record.

Trecho
“Trapiche. Nossa! Achava lindo, aquela palavra se acompridando pra dentro d’água e na boca- tra-pi-cheee. Muxoxo, outra que se deliciava com o biquinho que a boca formava. Tinha vontade de se empanzinar com um cardume de muxoxos como se fossem doces recheados de creme. Maxixe, calafate. Misterioso este calafate, parece coisa muito antiga. E é, soube, das profissões mais antigas deste mundo. Abridor de letras, isso era o paraíso das palavras. Estes abridores de letras também abriam palavras?  Abriam frases? Abriam livros? Ai, que lindo.”

Sobre o autor
João Meirelles Filho é escritor e ativista ambiental. Trabalha há 20 anos no Instituto Peabiru, ONG que atua na área dos direitos sociais e ambientais. Nascido em São Paulo, dedica sua vida à Amazônia e, em especial, a Belém, Pará, onde reside com sua mulher. É autor de ensaios e livros de não-ficção, como "O Livro de Ouro da Amazônia" (Ediouro) e "Grandes Expedições À Amazônia Brasileira", em dois volumes (Editora Metalivros).

Serviço:
Lançamentos “O Abridor de Letras” 

28 de novembro, São Paulo- Sesc 24 de maio
Rua 24 de maio, 109, Centro, São Paulo

5 de dezembro, Brasília-Sesc Presidente Dutra
Edifício Presidente Dutra - Setor Comercial Sul, SHCS, DF

7 de dezembro, Belém-Sesc Boulevard
Av. Blvd. Castilhos França, 522/523 - Campina, Belém

“O Abridor de Letras”
João Meirelles Filho

144 páginas
R$ 32,90
Editora Record
(Grupo Editorial Record)

sábado, 18 de novembro de 2017

.: "Tons de Clô": biografia revela todos os segredos de Clodovil Hernandes


“Clodovil era um cara indigesto, especialmente para os hipócritas. Um vilão convicto no mercado politicamente correto – portanto um herói de seu tempo.”
Guilherme Fiúza

“Amado e odiado, temido e admirado, brilhante e, algumas vezes, cruel. Capaz de devolver ao mundo em dobro a agressividade com que a vida o tratou desde o momento em que foi rejeitado pela mãe biológica por ser um bebê feio e doente. Uma ferida que o sucesso não conseguiu cicatrizar.”
Sonia Abrão

“A língua afiada e o gatilho rápido eram pontuais. Quem entrava na relação de desafetos dele, jogava a toalha.”
Amaury Jr.

Pioneiro na moda do Brasil, polêmico apresentador de programas de sucesso na TV e até deputado federal, Clodovil Hernandes teve uma vida intensa, marcada por grandes afetos e enormes brigas, muito luxo, glamour e sexo. Foi com esse personagem ímpar que o jornalista Carlos Minuano topou em 2012, quando esteve em Ubatuba, onde Clô mantinha uma mansão, para fazer uma reportagem sobre um espaço que seria inaugurado em homenagem a ele. 

Clodovil morrera em 2009 e, mesmo após sua morte, continuou sendo alvo de fofocas e rumores. Até a suspeita de que foi assassinado ainda ronda a sua história, contada em detalhes no livro “Tons de Clô”, que será lançado por Minuano no final de novembro.

“Ele costurou, como ninguém, uma extensa teia de polêmicas e controvérsias de grosso calibre. Em resumo, uma vida de contrastes, mas sempre transbordada de luxo, glamour e celebridades. Enredada à sua história, uma extensa lista de famosos. Nomes como o de Marília Gabriela e Marta Suplicy, com quem dividiu o comando do antológico programa feminino TV mulher, na Globo, e do qual pediu demissão por desentendimentos com as colegas de trabalho. O circuito de afetos e desafetos de Clodovil é mais um desfile de celebridades, que são fontes essenciais na história do estilista. Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, entre tantas outras, tiveram atritos com o estilista. Mas ele também foi querido de outros gigantes midiáticos, como Faustão e Silvio Santos. Ambos, porém, se recusaram a falar para esta biografia”, revela o jornalista, na apresentação que escreveu para o livro.

Escandaloso, sincero e intempestivo, Clodovil colecionou encrencas e arrumou inimigos por onde passou. Em entrevista para o livro, amigos disseram que era ao mesmo tempo divertido e bipolar. O jornalista lembra que, por trás da fama, do dinheiro e do sucesso profissional, Clodovil guardava algumas frustrações, como a descoberta de que era filho adotivo e a dificuldade que sempre teve com a sexualidade. Clodovil não se casou e disse só ter tido um amor na vida, não concretizado. Conhecido por contratar garotos de programa, usava bordões que falavam da sexualidade para se defender: “Vocês acham que eu sou passivo? Pisem no meu calo para ver”, dizia durante a campanha para deputado federal. São tantas as frases marcantes que o autor decidiu publicar em destaque uma a cada capítulo.

O livro tem um belo encarte com fotos do personagem e traz na orelha depoimento de um dos antigos desafetos de Clô, o também estilista Ronaldo Ésper. Ele será lançado no dia 22 de novembro, a partir das 19h, na livraria da Vila da Fradique Coutinho.

Orelha de "Tons de Clô", por Por Ronaldo Ésper:

“Foi assustador quando Carlos Minuano me falou dessa biografia do Clodovil, pelo simples fato de que tudo em torno do biografado nos assusta. O autor penetrou no ateliê do costureiro e ousou estilhaçar todos os espelhos onde, infinitamente, Clodovil tentou se encontrar. Estilhaçados os espelhos, o resultado dessa profanação foram muitos cacos. Alguns inofensivos, outros, porém, pontiagudos e cortantes. O autor, a custo de se ferir e, por conseguinte, ferir também o leitor, nos apresenta a verdade a respeito do estilista. Aquele que passou anos vestindo os nus encontra-se aqui desnudado pelos fortes ventos de Minuano. No mundo da moda é quase ilegal dizer a verdade, mas essa ilegalidade torna-se aceitável na presente obra. Minuano enfrenta um monte de retroses embaraçados e vai desembaraçando com fina habilidade o caos de sedas e agulhas. Não é, pois, uma biografia comum, porque se houve alguém incomum, esse foi Clodovil. Além disso, cumpre ressaltar que esta é a primeira biografia a seu respeito. Aplausos ao autor. Ao lado de Dener, Clodovil foi um dos maiores criadores de moda dessa primeira geração de estilistas e, para muitos, um dos maiores fashion designers do Brasil. 'Tons de Clô', um resgate oportuníssimo, destaca o esforço nacionalista de Clodovil na tentativa de impor uma ‘moda brasileira’ e nos leva também da agonia ao êxtase na vida do homem Clodovil, à qual me referi como assustadora. Aqui está o artista, sua moda, o personagem, a difícil pessoa, o cortante talento de alguém curioso e único. Por isso, ouso dizer que há um pouco de Clodovil em todos os estilistas que o seguiram. Seu fantasma assombra todos os ateliês de moda, e coube a Minuano conduzir esse trem deliciosamente fantasmagórico. Vida atormentada e polêmica até culminar com sua misteriosa morte. Todos os retalhos dessa vida foram costurados por Minuano, e o resultado é um vestido sério, sem fantasias, porém estupendo.”

Sobre o autor:
Jornalista, pós-graduado em cinema, em cerca de duas décadas de carreira já escreveu nos principais veículos do país, como no jornal Folha de S.Paulo, revistas Carta Capital, Rolling Stone, e em diversas publicações da editora Abril. Atualmente é repórter do jornal Metro (Band) e colaborador no portal UOL.



.: “Os Bolds”: livro infantil sobre bichos que assumem a identidade de humanos

Os Bolds são como muitas famílias: moram em uma casa agradável, trabalham, gostam de fazer compras no mercado e levam sempre seus filhos para o colégio. A única diferença é que eles são hienas.

O Sr. e a Sra. Bold moravam em uma savana na África até presenciarem um casal de turistas ser atacado por um jacaré. É neste momento que eles resolvem assumir a identidade dos humanos. 

Por um tempo, tudo dá certo. Eles assimilaram rápido a rotina da cidade grande, conseguiram controlar as risadas histéricas típicas das hienas e aprenderam que, escondendo o rabo e as orelhas, ninguém iria desconfiar da verdadeira identidade da família.

Porém, um vizinho intrometido parece suspeitar de que algo está errado e um pequeno descuido pode comprometer o segredo dos Bolds.

Elogiado pelos principais sites como Publishers Weekly, Kirkus e The Guardian, “Os Bolds” é escrito pelo comediante inglês Julian Clary e tem ilustrações assinadas por David Roberts.  A obra, voltada para o público infantil, chega às prateleiras pela Bertrand Brasil.

Sobre o autor:
Quando Julian Clary não está contando piadas no palco, costuma passar tempo com seus animais de estimação. Seu amor pelos animais ao longo da vida inspirou-o a contar uma história sobre o que aconteceria se eles fingissem ser humanos.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

.: Encontro com os escritores recebe a historiadora Mary Del Priore

Em comemoração aos 30 anos da Editora Unesp, a Universidade do Livro oferece gratuitamente o próximo Encontro com os escritores, que recebe Mary Del Priore, para falar sobre sua carreira, processo de escrita, vida pessoal e autografar seus livros. O evento acontece no dia 29 de novembro, às 19h, e será mediado pelo jornalista Manuel da Costa Pinto.

A série Encontro com os escritores consiste em um ciclo de conversas com autores renomados nos mais diversos segmentos, de romancistas e poetas a quadrinistas, biógrafos e divulgadores científicos. Os encontros anteriores foram com Luis Fernando Verissimo, Milton Hatoum, Laurentino Gomes, Laerte e Luis Gê, Ignácio de Loyola Brandão e Pedro Bandeira. 

Mary Del Priore é doutora em História pela Universidade de São Paulo e pós-doutora pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1996). Atualmente é professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira (Universo/ Niterói) Tem pesquisas na área de história colonial, história da cultura, história de gênero. É autora de mais de 35 livros de História. Recebeu vários prêmios literários, dentre eles o Jabuti, o Casa Grande & Senzala, o da APCA e o Ars Latina. Pela Editora Unesp publicou os livros: História do corpo no Brasil, organizado em parceria com Marcia Amantino; História do esporte no Brasil, organizado em parceria com Victor Andrade de Melo; A presença dos mitos em nossas vidas; História dos homens no Brasil, organizado em parceria com Marcia Amantino; Ao sul do corpo - 2ª edição. 

Na ocasião, Mary Del Priore também autografa seu mais recente título publicado pela Editora Unesp História dos crimes e da violência no Brasil, organizado em parceria com Angélica Müller. Neste livro, autores de diversas áreas buscam compreender os mecanismos que colocam em marcha no país a violência em suas variadas manifestações. 

Encontro com Mary Del Priore
Data: quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Horário: das 19h às 21h
Inscrições: até às 15h do dia 29 de novembro ou enquanto houver vagas.
Entrada gratuita
Local: Universidade do Livro - Praça da Sé, 108, 7º andar (esquina com rua Benjamim Constant) – São Paulo (SP)
Clique aqui para mais informações e inscrições on-line.   

Mais informações sobre a Universidade do Livro estão disponíveis em: www.editoraunesp.com.br/unil


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

.: "Foi assim": Wanderléa lança autobiografia

Entre dramas pessoais e sucesso na carreira artística, Wanderléa revela detalhes de sua vida em autobiografia. “Foi assim” chega às livrarias em novembro e mostra versatilidade da artista que gravou boleros, choros, músicas de carnaval e os ‘malditos’ da MPB, além de ter sido estrela de um dos movimentos culturais mais importantes do Brasil, a Jovem Guarda, ao lado de Roberto e Erasmo Carlos. Original e pioneira, Wandeca, a eterna Ternurinha, também influenciou a moda e o comportamento da época 



Foi em Lavras, no interior de Minas, que a menina Leinha começou a fazer seus primeiros shows caseiros, para a família, aos 3 anos de idade. Ela cantava na varanda de casa e chegou a sair pelas ruas vendendo as frutas plantadas no quintal para comprar papel crepom e compor o cenário para o seu “palco”. Não demorou muito para que a vizinhança descobrisse os dotes da menina e ela foi chamada para cantar num show de caridade da cidade. Logo depois, foi também convidada a se apresentar num programa infantil da Rádio Difusora de Lavras. A canção escolhida foi “Caminhemos”, de Herivelto Martins. Aprendeu essa e outras músicas ouvindo rádio em casa, com a mãe, que também tinha dotes artísticos, o pai e os seis irmãos. A versatilidade, o talento vocal e o domínio total do palco seriam as principais marcas da menina de Lavras que nunca deixou trocarem seu nome de batismo e seguiu como Wanderléa, numa das carreiras mais bem-sucedidas da MPB. A história toda ela conta agora em sua autobiografia, “Foi assim”, que chega às livrarias de todo o Brasil em novembro, pela editora Record.

O livro, cujos rascunhos ela escreveu durante anos e teve edição e pesquisa do jornalista Renato Vieira, foi uma espécie de terapia para Wanderléa. Ao mesmo tempo em que conquistou sucesso, independência econômica e liberdade na carreira, a cantora enfrentou uma série de dramas pessoais. A perda de uma de suas irmãs, no Rio de Janeiro, por uma bala perdida; o acidente do então namorado José Renato, filho do apresentador Chacrinha, que o deixou tetraplégico; a perda do irmão, que era seu estilista e uma espécie de assessor especial, para a AIDS, nos anos em que também viu vários de seus amigos serem derrotados pela doença; a morte da mãe, na véspera da morte de Maria Rita, mulher de Roberto Carlos, seu melhor amigo. Por fim, uma das maiores dores, a perda de seu filho Leonardo, afogado na piscina de casa, recém-comprada com o marido Lalo. “Adversidades grandes demais para enfrentar me fizeram viver um dia de cada vez. Existir, e por tantas vezes resistir, era mais importante do que guardar coisas na cabeça naturalmente desligada. Acho que agora os cantos escuros da minha vida, as lembranças perdidas, estão iluminadas de uma forma que não sei se é a melhor, mas penso ser a mais humana e verdadeira”, escreveu Wanderléa no prólogo do livro. 

As páginas da autobiografia revelam também histórias saborosas vividas pela cantora, como a amizade com Roberto Carlos, de quem recebeu o primeiro beijo na boca, e Erasmo Carlos, que tentou diversas vezes namorá-la, durante o auge da Jovem Guarda, movimento que se desdobrou em programa de TV, discos, shows e filmes. Mostram ainda as dificuldades que enfrentou nas gravadoras, sempre avessas a investir em projetos originais e autorais. Tanto que nos cinco primeiros discos, na CBS, ela gravou basicamente canções de Roberto e Erasmo e, em sua maioria, versões de músicas estrangeiras, muitas vezes contra a sua vontade. Foi só em 1972, quando foi para a Polydor e fez o LP “Maravilhosa”, que tinha Nelson Motta como assistente de direção, que ela conseguiu gravar nomes como Gilberto Gil, Assis Valente, Jorge Mautner, Hyldon, Paulinho Tapajós e Roberto Menescal, entre outros. No segundo disco pela empresa, “Feito gente” (1975), ela gravou Gonzaguinha, João Donato, Joyce Moreno, Sueli Costa, Luiz Melodia e Hermínio Bello de Carvalho.

Em meio à rotina frenética de shows e gravações, Wanderléa enfrentava o drama do acidente de José Renato, seu namorado, então com 22 anos. Numa viagem a uma fazenda em Petrópolis, o filho de Chacrinha resolveu mergulhar na piscina e se machucou seriamente, ficando tetraplégico. Wanderléa ficou noiva e casou com ele, com quem manteve uma relação que durou sete anos, alguns dos quais vivendo nos Estados Unidos, para onde se mudaram em busca de tratamento. No quesito grandes amores, depois de um namorado que chegou a brigar com Roberto Carlos, por ciúme do amigo e companheiro de shows de Wanderléa, ela encontrou Egberto Gismonti, com quem namorou e mantém até hoje laços de amizade. Com o músico, que escreveu a orelha deste livro, Wanderléa migrou para a EMI-Odeon e gravou “Vamos que eu já vou” (1977), disco com arranjos e produção executiva de Gismonti. Na companhia, ela fez ainda “Mais que a paixão” (1978), com produção de Renato Corrêa e composições de Djavan, Altay Veloso, Capinan, Moraes Moreira e o próprio Gismonti. Nessa fase da carreira, Wanderléa disse não ter tido muito apoio da gravadora na divulgação, mas mostrou que era mais que uma musa da jovem Guarda. Era uma grande cantora, versátil, inteligente e com total domínio de sua arte.

“Cantei boleros, choros, músicas de carnaval, gravei os tais ‘malditos’ da MPB (benditos sejam!), experimentei sonoridades eletrônicas, rasguei o verbo na hora da raiva e, em uma nova estação, me reencontrei com minhas origens. Ao longo de todos esses anos, transgredi, segui as regras da sociedade, me recolhi e logo em seguida fui em frente”, relembra, em outro trecho do prólogo. As primeiras transgressões da Ternurinha começaram em casa. Seu pai, descendente de árabe e com uma educação rígida, a acompanhava no rádio e na gravadora, mas, em determinado momento, achou que a “brincadeira” estava indo longe demais. Ele não queria que ela seguisse a carreira artística, mas Wanderléa logo conseguiu independência financeira e, com ela, a independência da família. Quando comprou um carro, o pai também não gostou. Dirigir, na década de 60, não era coisa de mulher. Suas roupas eram um capítulo à parte. Com o irmão estilista, ela inventava os próprios figurinos, ousadíssimos para a época. A moda da minissaia ganhou força com ela, para horror da sociedade da época e delírio das fãs mulheres. Na época do programa Jovem Guarda, foi criada a grife Ternurinha, com pagamento de royalties e tudo, no que ela considera o “marco zero do mercado consumidor jovem no Brasil”. “Enquanto a minissaia criada por Mary Quant ficava a um palmo do joelho, a minha era quatro dedos abaixo da pélvis”, relembra ela, num dos capítulos do livro.

Wanderléa, assim como Roberto e Erasmo, não gostava de falar de política. Mas, em termos de comportamento, a sua geração foi uma das mais transgressoras. Além das roupas e da atitude no palco, na vida pessoal ela namorava sem culpa, viajava sozinha e chegou a fazer dois abortos, dos quais fala abertamente. “Apesar das minhas convicções, passar por dois abortos, aos 20 e poucos anos, foi difícil. Não fiquei imune aos conflitos pessoais e psicológicos, que, admito, se tornaram mais presentes na maturidade. (...) Não cabe a ninguém discriminar essa atitude. Devemos apoiar e respeitar essa escolha, pois a própria mulher é a que mais sofre. A legislação deve ampará-las sem que elas sejam julgadas por esse ato”, escreve.

 A maternidade traria alegrias e tristezas para a vida de Wanderléa. O primeiro filho, com o marido Lalo, nasceu em 1981. Ela vivia um momento incerto na carreira. Os álbuns mais autorais não tiveram boas vendas. “Alguns homens de gravadora têm responsabilidade nisso. Eles ainda queriam a Ternurinha, argumentando que em time que está ganhando não se mexe, e não bancaram o mínimo necessário de divulgação pelo simples propósito de boicotar meus novos voos.” Sem o público da Jovem Guarda e sem o reconhecimento da crítica, ela também teve seu estúdio roubado, com todos os equipamentos comprados nos Estados Unidos sendo levados por ladrões. Foi nessa época difícil que conheceu Lalo, músico chileno que faria um show com ela numa boate em São Paulo. Os dois logo passaram a viver juntos e veio a gravidez. Ela tinha 35 anos quando Leonardo nasceu.          
               
Quando o menino estava prestes a completar 2 anos, ela e Lalo decidiram comprar uma casa na Zona Oeste de São Paulo, para dar a Leo uma infância mais próxima à natureza. No dia 1º de fevereiro de 1984, Wanderléa tinha uma gravação no programa de Flávio Cavalcanti, no SBT, para divulgar seu mais recente compacto. Antes de sair, tirou algumas fotos com o menino. As últimas imagens que guardaria do filho, que, sem ninguém ver, saiu da casa e caiu na piscina. Não houve tempo para o socorro. Ao contrário do marido, que se recolheu, a cantora decidiu nunca deixar de falar no menino. “Percebi que as alegrias que tive com meu filho durante seus 2 anos e 3 meses de vida foram um presente que Deus me enviou. (...) Passei a agradecer a dádiva do nosso convívio, em vez de viver para sempre lamentando sua partida.”

Wanderléa engravidaria outras duas vezes de Lalo. Na primeira, aos 40 anos, quando esperava a filha Yasmim, ela inovou: aceitou posar nua, com o barrigão à mostra, para a revista masculina Status. Na edição histórica, Erasmo escreveu pequenos versos para acompanhar as imagens. No livro, ela lembra que a atriz americana Demi Moore escandalizou o mundo, seis anos depois, com a mesma atitude, posando para a Vanity Fair. “Alguns jornalistas saudaram sua atitude, dizendo que ela havia sido inovadora nesse sentido. Modéstia à parte, a pioneira a fazer isso foi uma cantora brasileira nascida em Governador Valadares, a filha do severo seu Salim.” Yasmim nasceu em 1985 e Jadde, dois anos depois.

Ela e o marido continuam juntos, mas vivendo em casas separadas. Em seu apartamento, Lalo montou um estúdio, onde ele e Wanderléa passam horas cantando e tocando bossa nova, samba-canção e rock contemporâneo. Com ele, ela gravou CDs marcantes, como o “Nova estação” (2008), com composições de Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Johnny Alf, Roberto e Erasmo, entre outros, que ganhou o prêmio de melhor disco daquele ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). O disco a levou em excursão com a família: a banda era montada por Lalo, o cenário de Yasmim e percussão de Jadde. Em novembro de 2016, Wandeca inovou mais uma vez: convidada pelo produtor cultural Frederico Reder, ela estreou como protagonista no espetáculo musical “60! Década de arromba”, grande sucesso de público e crítica em suas temporadas carioca e paulista. O espetáculo volta em novembro para o Rio, no mês em que o livro também será lançado.

Aos 71, Wanderléa está no auge e planeja lançar um disco de inéditas e outros mais autorais com o marido Lalo. A filha Yasmim está grávida de uma menina e ela se tornará avó ainda em 2017. Como escreveu no prólogo, Wanderléa acha que continua a ser a “mistura de eterna teenager com cigana centenária”, como a definiu uma vez o seu mestre de cabala.

Cantora vai lançar a obra nos dias 21 de novembro, a partir das 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional; e no dia 27 de novembro na Travessa do Leblon, no Rio, a partir das 19h

Leia no blog o prólogo da obra: http://bit.ly/2A5EBzZ  

               
ORELHA:

Escrever sobre Wanderléa é quase um exercício de sustos intercalados com ousadias. Ela é boa demais, amiga, mulher, mãe, filha, solidária, com um grau de benevolência a todos que dá gosto de conviver! Parece dominar uma energia desconhecida por nós, mortais ou súditos da sua história surpreendente, rica em solidariedade, beleza e independência. Léa tem alma do interior, gosto de mato molhado pela chuva e de terra rica que dá frutos cheirosos de cores brilhantes e vivas. É um tipo singular de pessoa, que faz com que os adjetivos percam a função de indicar-lhe um atributo…

Em 1977, fiz com meu amigo e parceiro Geraldo Carneiro uma música que representasse nossa admiração por ela, “Educação sentimental” (“Se você diz: eu te amo/ Meu coração se mira no espelho/ E faz piruetas de circo”). Ela deu vida à composição, cantou com o humor necessário, e nós ganhamos uma canção bem-humorada, bem cantada e com a cara dela. Nós nos aproximamos ainda mais: a alegria da sua companhia sempre foi bem-vinda e desejada. No mesmo ano, fizemos juntos o seu LP Vamos que eu já vou, e eu pude conhecer melhor sua musicalidade, seus amigos, suas ideias, sua liderança e sua capacidade de se reinventar todos os dias.

Para minha alegria, o destino nos permitiu uma aproximação capaz de misturar os melhores sentimentos, renovando dia a dia a esperança de que poderíamos viver mais felizes juntos. E nunca mais nos separamos. Selamos uma admiração e um respeito tão grandes quanto sua competência de viver privilegiando a beleza com esperança e fé.

Léa hoje se confunde com as filhas Yasmim e Jadde, lindas, donas do legado composto por curiosidade, paciência e experimentação. Elas são a representação da mãe, e uma prova de que sua sabedoria se refletiu, além da arte, também na vida cotidiana.
                
Esta autobiografia é linda, escrita com delicadeza, verdade e entrega a cada passo do processo — como fez nos anos 1970 com o disco que produzimos e com todos os outros. Bom saber que sua história poderá ser acompanhada e compreendida também pelos jovens, que seguem aplaudindo Léa, suas canções e sua trajetória, certos de que ela segue nos ensinando os bons caminhos para uma vida feliz.

                Com amor, amizade e saudade, Egberto Gismonti


Livro: Foi assim
Autora: Wanderléa
Pesquisa e edição de Renato Vieira
Páginas: 392
Editora: Record / Grupo Editorial Record
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