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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: Renan Oliveira canta a nova edição de “Os pagodes Que a Gente Gosta”


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Em um momento em que o mercado da música redescobre a força dos medleys e da nostalgia como estratégia para conquistar novas gerações, Renan Oliveira segue apostando em um caminho que já virou marca registrada de sua carreira. Depois de a primeira parte do audiovisual “Os Pagodes Que a Gente Gosta – Volume 3”, já ultrapassou de 3 milhões de reproduções nas plataformas digitais em poucas semanas, o cantor lança a segunda etapa do projeto gravado na Quadra da Portela; no Rio de Janeiro,  tendo como destaque o encontro inédito com Thiago Soares.

A parceria acontece no medley “Entre a Cruz e a Espada / Namorada Nota Dez / História Combinada”, escolhido como faixa foco do lançamento. O encontro reúne dois artistas identificados com o pagode romântico em um repertório que atravessa diferentes gerações e reforça a proposta do projeto: revisitar clássicos que permanecem vivos na memória afetiva do público, sem abrir mão de uma interpretação contemporânea.

Gravado diante de cerca de quatro mil pessoas na Quadra da Portela, o audiovisual mostra que existe espaço para um pagode que cresce menos pela lógica dos desafios virais e mais pela conexão emocional com o público. O repertório reúne canções que marcaram os anos 1990 e 2000, período considerado um dos mais férteis da história do gênero, e transforma sucessos conhecidos em medleys que mantêm a energia de uma roda de samba.

A nova etapa também consolida o crescimento do projeto “Os Pagodes Que A Gente Gosta”, que já realizou mais de dez edições, passou por diferentes cidades brasileiras, reuniu públicos superiores a 15 mil pessoas e acumula mais de 64 milhões de reproduções considerando os lançamentos anteriore

"Apaga / Pensa Bem / Nuvem"


sábado, 8 de agosto de 2026

.: Globoplay lança último episódio da série "Meu Nome É Preta"


Capítulo final chega ao streaming neste sábado, dia 8 de agosto, destacando a transparência da artista diante do câncer e seus grandes amores. Foto: divulgação

No dia em que Preta Gil celebraria seu aniversário, neste sábado, 8 de agosto, o Globoplay lança o quarto e último episódio da série "Meu Nome É Preta", produzida pela Conspiração. O capítulo de encerramento da produção coloca o Carnaval como a grande paixão e o fio condutor da vida da artista: desde as memórias das fantasias de infância até a criação do lendário "Bloco da Preta", onde arrastou multidões de apaixonados pelo Rio de Janeiro.

O episódio percorre momentos de grande sensibilidade da vida de Preta Gil, como o fim de seu casamento e o diagnóstico de câncer em 2023. Diante da doença, que interrompeu a folia, a cantora fez questão de transformar o tratamento em um ato público de coragem, fé e transparência, e contou com uma inabalável rede de apoio formada por sua família e amigos inseparáveis. "Talvez por isso que o mais normal que aconteceu foi a gente estar com ela nos últimos três anos de vida dela. Para além de ser uma artista, acho que ela gostaria de ser lembrada pela mulher que ela foi, absolutamente transparente pra todo mundo", reflete Gominho.

A série traz à tona ainda a última paixão vivida por Preta, acompanhada pelo depoimento do cantor Kanalha, que relembra a generosidade e o aprendizado da troca entre os dois: "Tudo foi vivido muito intensamente, a gente curtiu muitos momentos juntos, muita coisa boa. Ela sempre queria me ver prosperando, sempre queria me ver avançando".

Entre as memórias da família e dos amigos mais íntimos, o capítulo conta com depoimentos de amigos como Ivete Sangalo, Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Thiaguinho, Gominho, Hugo Gloss, além do filho Francisco Gil, que desabafa sobre a saudade constante da mãe: "Não tenho nem mais como falar o que mais sinto falta. Penso nela o tempo todo, não tem um minuto que não venha ela na minha cabeça. Sinto falta de estar perto dos amigos dela que estavam o tempo todo com ela. Porque estar com minha mãe muitas vezes era isso, era estar na bagunça".

A diretora da série, Mini Kerti, reforça como a superação das dores e a construção dessa teia de amor se tornou o pilar central do documentário: "A Preta tem uma história muito rica de pessoas, de assuntos, de música, de alegrias e de dramas. E aí, depois de tudo isso, uma doença terrível, da qual ela fez questão de falar abertamente, desmistificando a morte. Pra mim, contar a história dela é um grande desafio e uma enorme alegria. Porque é, acima de tudo, uma história de afetos".

Para fechar a série documental, o quarto episódio celebra as homenagens que eternizaram o legado de Preta Gil nos Carnavais do Rio e de Salvador. O cantor Gilberto Gil encerra a obra definindo a essência e a ideologia de vida deixada por sua filha: "Tudo que ela foi, ela foi. Ela foi ela. A gente seguiu, a gente acompanhou, a gente amou, a gente apreciou, a gente admirou, a gente aplaudiu, se emocionou com tudo aquilo. Fica a saudade no sentido mais melancólico da palavra, mas fica também essa alegria que era quase que ideológica dela. Ela era uma ideóloga da alegria".

A série "Meu Nome É Preta" tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil. O quarto e último episódio da produção estará disponível para assinantes do Globoplay a partir deste sábado, dia 8 de agosto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

.: Rodrigo Vellozo idealiza álbum que revisita a obra de Benito Di Paula


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Poucos artistas conseguiram construir uma obra tão popular e, ao mesmo tempo, tão singular quanto Benito Di Paula. Entre o samba, a canção romântica, a influência jazzística do piano e uma escrita profundamente brasileira, Benito criou um universo musical próprio que atravessa gerações há mais de sete décadas. Agora, ao completar 85 anos de vida e 55 anos de carreira, sua obra ganha uma nova leitura através de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça", álbum homônimo idealizado por seu filho, o cantor, compositor e pianista Rodrigo Vellozo lançado pela ADA/Companhia de Discos do Brasil.

 Ao lado de Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça - artistas da cena contemporânea brasileira - Rodrigo Vellozo revisita canções marcantes do repertório de Benito sem recorrer à nostalgia. O álbum propõe um diálogo entre tradição e invenção, revelando a força e a modernidade de composições que continuam profundamente conectadas ao presente.

As cinco primeiras faixas de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça" funcionam como um verdadeiro primeiro ato do álbum e estabelecem uma conexão direta com um momento histórico da trajetória de Benito Di Paula. “Maria Baiana Maria”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Tudo Está Mudado” e “Meu Maior Afeto” reproduzem a sequência de abertura do disco lançado por Benito em 1976 pela Copacabana.

 Ao revisitar esse repertório na mesma ordem concebida originalmente, Rodrigo Vellozo e seus parceiros prestam homenagem não apenas às canções, mas também à arquitetura artística de um dos discos mais importantes da carreira do compositor. A escolha reforça o diálogo entre passado e presente que norteia todo o projeto, revelando a permanência e a atualidade de uma obra que segue emocionando e inspirando novas gerações. O disco tem outros momentos interessantes, que mostram a força do trabalho de Benito. Que por sinal merece ser reverenciado como um dos compositores mais singulares de nossa MPB.

"Tudo Está no Seu Lugar"

"Maria Baiana Maria"

"Violão Não Se Empresta a Ninguém"

sexta-feira, 31 de julho de 2026

.: O Baú da Hora Fértil": documentário inédito desvenda história dos Tribalistas


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O documentário inédito "Tribalistas - O Baú da Hora Fértil", dirigido por Dora Jobim, faz pré-estreia para convidados no 4º Curta! Festival, dia 3 de agosto.  O longa mergulha na história do grupo formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, revelando bastidores dos álbuns homônimos e do processo criativo do trio.


A obra, viabilizada em parceria com o Curta!, chegará ao canal com exclusividade no primeiro semestre de 27. Antes, no entanto, participa de festivais nacionais e internacionais. A produção é da Phonomotor, Kappamakki e Estúdio Morro Dois Irmãos.


Além da pré-estreia, o 4º Curta! Festival realiza na terça, 4, e quarta, 5, atividades presenciais gratuitas abertas ao público com retirada de senhas no Sympla neste link. Serão realizadas masterclasses com o cineasta Jorge Furtado e com o pesquisador de imagens Antônio Venâncio; sessões ‘Sala de Montagem’, com exibição de trechos exclusivos e bate-papo com profissionais das equipes dos longas “Dos à Deux”, de Roberto Bomtempo, “Aqueles Olhos de Carvão Acesso”, de Isabella Poppe, e “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira; além de um debate sobre “As Novas Fronteiras da Pós-Produção” reúne os profissionais Marcelo Pedrazzi e Thiago Anjos.


As atividades marcam a última etapa do evento, iniciado com exibição e votação de cerca de 170 produções de ficção e documental, entre filmes e episódios de séries. Os vencedores serão conhecidos na sexta, 7, em evento com transmissão ao vivo pelo youtube do canal: https://www.youtube.com/@canalcurta/streams.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

.: Ivan Lins lança álbum dedicado ao samba com grandes parcerias


"Sambadouro" traz composições da carreira do músico carioca com arranjos tradicionais do samba, além de uma faixa inédita. Na imagem, capa do álbum. Projeto gráfico: Alexandre Amaral

"Sambadouro", novo álbum de Ivan Lins lançado pelo Selo Sesc, retoma as raízes de um dos maiores nomes da música brasileira, trazendo composições consagradas do músico, além de canções menos conhecidas do público, com arranjos tradicionais de samba. O álbum chega às principais plataformas de áudio em 24/7, sexta-feira. Além da versão digital, o álbum chega também em versão física nas Lojas Sesc. O Sesc Pinheiros recebe os shows de lançamento do disco nos dias 29 e 30 de agosto.

Uma das preciosidades de Sambadouro são as participações de peso do álbum: Zeca Pagodinho, Xande de Pilares, Mart’nália, Péricles, Ferrugem e Diogo Nogueira nas vozes, Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas e Rafael dos Anjos nos arranjos, além de Hamilton de Holanda no bandolim. “Quando eu decido fazer um disco só de samba, estou realizando um sonho que eu sempre carreguei durante muitos anos. Tô quase morrendo do coração aqui porque eu tô ouvindo a minha música de uma maneira que eu, pessoalmente, não me sentiria capaz de fazer exatamente dessa forma”, declara Ivan.

"Sambadouro" surge como um álbum que preza pela criação coletiva e realiza o sonho de Ivan de prestar uma homenagem ao samba, reafirmando o amor pela música de um dos grandes mestres da Música Popular Brasileira, que completou 80 anos em 2025. “O samba sempre conviveu comigo, e ele foi entrando devagar porque eu já vinha com outras influências. Eu sempre gostei muito de tudo quanto é tipo de música. Isso é um dom que eu recebi. E o samba cada vez foi se incorporando mais. Foi me levando a esse amor pelas nossas raízes, pelo meu próprio país. O samba me ajudou a amar mais o meu país”.
 
"Sambadouro" abre com "Nosso Samba Já É Um País", canção de 2014 presente no álbum "América, Brasil". "Diplomação", canção de 2001 de "Basta Um Tambor Bater" traz Zeca Pagodinho em parceria com Ivan, seguida de "Prece ao Samba", de 2006. Xande de Pilares empresta sua voz a "Saravá, Saravá", canção de 2004 comporta em parceria com Martinho da Vila. Em "É de Deus", de 1995, do disco "Anjo de Mim", precede "Porta Entreaberta", de "Cantando Histórias", lançado em 2004 e que em "Sambadouro" Ivan vem acompanhado de Diogo Nogueira. Ambas de 1974, presentes em "Modo Livre", o disco segue com "Não Tem Perdão" e "Deixa Eu Dizer", esta com participação de Ferrugem. Entre elas, homônima ao álbum, "Sambadouro", de 1993, presente em "Coisas de Brasil". Ivan Lins e Hamilton de Holanda trazem "Parei Contigo", novamente de "Contando Histórias", seguida da parceira com Mart'nália com "Sou Eu", canção de 1990 de "A Doce Presença de Ivan Lins". Fechando o disco, Ivan Lins entoa "Maravilhado", faixa inédita que condiz com a sensação da realização do disco.
 
“O samba significa, para mim, uma identidade. Inclusive uma identidade citadina. É uma identidade urbana no Brasil. Desde que eu me senti capaz de entender e compreender música, eu escuto samba”, completa Ivan. A capa do álbum foi inspirada na única foto da casa de Tia Ciata, local que teve papel central para o samba enquanto gênero e na sua relação com o carnaval e que foi frequentado por figuras como João da Baiana, Pixinguinha, Hilário Jovino e Sinhô, hoje demolido. A foto pertence ao Arquivo Geral do Rio de Janeiro.
 
Reconhecido internacionalmente, Ivan Lins construiu uma carreira que atravessa mais de cinco décadas, com mais de 20 álbuns autorais, e canções suas gravadas por importantes nomes da música nacional e internacional como Elis Regina, Gonzaguinha, Sting e Barbara Streisand. Vencedor por cinco vezes do Grammy Latino, o artista recebeu o último deles em 2025 com o Prêmio à Excelência Musical, um reconhecimento à sua produção e à sua relevância na música, que é corroborada agora com Sambadouro.
 

Faixas 

1 – "Nosso Samba Já É Um País" (Ivan Lins e Vitor Martins)
2 – "Diplomação" (Ivan Lins e Celso Viáfora) part. Zeca Pagodinho 
3 – "Prece ao Samba" (Ivan Lins e Nei Lopes)
4 – "Saravá, Saravá" (Ivan Lins e Martinho da Vila) part. Xande de Pilares 
5 – "É de Deus" (Ivan Lins e Vitor Martins)
6 – "Porta Entreaberta" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Diogo Nogueira 
7 – "Não Tem Perdão" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Péricles 
8 – "Sambadouro" (Ivan Lins e Vitor Martins)
9 – "Deixa Eu Dizer" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Ferrugem 
10 – "Parei Contigo" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Hamilton de Holanda 
11 – "Sou Eu" (Ivan Lins e Chico Buarque) part. Mart’nália 
12 – "Maravilhado" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

.: Clássico, “Coisas”, de Moacir Santos, é relançado no mês do centenário


Um dos maiores músicos do Brasil, Moacir Santos teria completado 100 anos dia 26 de julho, mesmo mês que a Polysom repõe em estoque o clássico absoluto, “Coisas” (1965). Primeiro álbum do compositor, maestro e professor pernambucano, “Coisas” apresentava a inovadora música de Santos, que trazia elementos do jazz, ritmos afrobrasileiros e música erudita.

Cultuado tanto no Brasil como no exterior, “Coisas” foi considerado um dos 100 maiores discos de jazz pelo crítico americano Ben Ratliff no livro “The New York Times Essential Library: Jazz: A Critic's Guide to the 100 Most Important Recordings”. A edição de “Coisas” em LP, pela Polysom, foi lançada em 2013 dentro da coleção “Clássicos em Vinil” e continua em catálogo até hoje, tendo sempre alta procura.

.: "Memórias Póstumas", novo álbum de Jão, mostra evolução e profundidade


Por Pedro Só, jornalista e crítico musical. Foto: Hugo Comte

"Memórias Póstumas", novo álbum de Jão, mostra evolução e profundidade de um ídolo pop de primeiro time. Este quinto álbum é um disco de expansão e avanço. Um grande passo, um salto, um grand jeté de um artista cada vez mais original. Perto de celebrar dez anos de sua estreia fonográfica (com o single “Dança Pra Mim”, que remonta a novembro de 2016), Jão chega ao quinto álbum de estúdio com assinatura própria e graciosa caligrafia lapidada, sem pedir licença a ninguém no mais alto patamar do que pode se chamar de pop adulto brasileiro.

“Memórias Póstumas” é pop com transcendência e transitoriedade, feito pelas regras da arte, território onde o confessional pode brincar de esconde-esconde com o eu lírico, deslocando pontos de vista, confundindo e, claro, encantando. Foi composto e inspirado num período de interrupção dos shows e recolhimento da vida digital de Jão, marcado pela perda de seu pai — que está presente na primeira faixa, “Catedral” (que reflete sobre a morte a partir de sua partida) e em outros pontos do disco. “É algo que ainda não processei e acho difícil que aconteça, porque meu pai ainda é muito presente. E as pessoas sempre têm receio de falar sobre ele comigo, mas elas não sabem que eu adoro falar sobre ele, mantê-lo vivo.”

Esgotados os quatro elementos (terra, ar, água e fogo) associadas conceitualmente aos álbuns passados, o novo trabalho é, como o próprio Jão define, “uma história com começo, mas sem fim”. Mais complexa, mais aberta a interpretações. O artista mudou as faixas até o último segundo antes da entrega. “Memórias Póstumas” não foi escrito de maneira linear. “Eu fiz as pazes com isso. São vários caquinhos, sentimentos que você ainda não sabe o nome e um monte de vômitos de palavras que você vai remontando e que, quando você se afasta, revelam a figura toda. A ordem deste disco está pautada em não achar uma solução para a maior pergunta dele”, comenta.

Ao apresentar a lista de faixas do álbum nas redes sociais, ele as definiu como “músicas sobre a vida, nem sempre como ela é”.  O título remete a “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, clássico de Machado de Assis (1839-1908) —- a famosa dedicatória do romance, “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”, aparece elipticamente nos versos da última faixa, a gótico-romântica - no sentido literário e no temático também - “Memórias Póstumas” (“tente não ser o primeiro a roer as frias carnes do meu corpo passageiro”).

“Neste disco, a vida e a literatura são a mesma coisa. Quando comecei a escrever, eu precisava usar as palavras para dar novos significados às coisas”, diz Jão. Ele cita “Memórias Crônicas e Declarações de Amor”, de Marisa Monte, “MTV Acústico”, do Kid Abelha, e “Ray of Light”, de Madonna, entre as inspirações musicais desse período de composições ultrafértil, apesar de ser o que ele cita como “o mais sem método” entre todos os seus discos.

“Tudo começou com frases e pela forma como eu estava quase vomitando elas, blocos e blocos de notas, com frases soltas como ‘já construí todos os cenários, e se não for com você?’ (em ‘O Arquiteto’). Algumas muito boas e outras péssimas. Foi um fluxo muito grande de pensamentos, que em outros discos, eu teria me censurado e pensado no que seria ‘perfeito’.  Mas combinamos que neste álbum seria diferente, escreveríamos o quanto quiséssemos, e quando estivéssemos mais centrados, iríamos editar e polir com muita delicadeza. Na nossa última conta, foram 68 músicas, que viraram 14”.

Jão é autor de 13 das 14 canções do álbum, oito em parceria com Pedro Tófani, seu namorado e diretor criativo de seus shows. Pedro escreveu sozinho a belíssima “João”, com um texto sobre casal em idas e vindas, contemplando separação, que remete a mestres da cartografia sentimental popular brasileira (Roberto e Erasmo Carlos, Altay Veloso). “Contar pras famílias e descartar os nomes que pensamos para os nossos filhos: Maria, Francisco e o seu, que é o meu favorito”, canta Jão.

Ele assina a produção de todas as faixas, dividindo a maioria delas com Zebu, o produtor e músico paulista Guilherme Santos Pereira, com quem trabalha direto desde “Pirata”, e duas (“Catedral” e “Eu Sempre Volto”) com Janluska e Gabriel Duarte, responsáveis por trabalhos de Marina Sena e Anavitória. “Eu e Zebu gostamos muito de esmiuçar as coisas, procurar aquele timbre que ninguém vai prestar atenção, mas que é o nosso favorito. Ele já se acostumou com a dinâmica que temos, eu e Pedro (Tófani) compondo juntos, que é confusa, então é sempre muito confortável estar com ele”, comenta Jão. O time mais presente no estúdio ganhou uma nova adição, Érica Silva, tocando baixo e violão em várias faixas (também autora do arranjo de cordas de “Eu Sempre Volto”). “Eu sempre fico muito nervoso pra trabalhar com pessoas que não conheço, porque sou um pouco específico e acho que bastante irritante também. Mas fiquei surpreso com a genialidade musical dela, às vezes eu queria que ela ficasse tocando os dois mil instrumentos que ela sabe tocar”, elogia Jão.

Um destaque nos arranjos é a presença de flautas, tocadas por Audryn Souza, trazendo delicadeza e um toque barroco diferenciado a momentos diversos. Jão explica: “Este é um álbum muito cotidiano, de ver a beleza nos detalhes do dia a dia, e eu queria um instrumento que fosse muito singelo e brasileiro para representar isso. A flauta está no disco quase como uma mensageira, em ‘Por Você’, ‘Aurora’, ‘Literatura’”.

A religiosidade está presente não só nas letras, mas também em referências musicais do álbum. “Eu sempre fui uma pessoa muito espiritual, desde criança. E apesar de ter estudado a vida toda em uma escola franciscana e ter crescido com esses símbolos católicos, já passeei por muitas religiões. Não sei em busca de quê, sinceramente. Mas tem algo dentro de mim que tem fome pelo inexplicado, pelo oculto… e esses símbolos são marcados quase como uma programação dentro de uma criança do interior de São Paulo. A austeridade das figuras cristãs, da culpa, da obediência. Tudo isso tem muito a ver com uma relação pai e filho. E acho que a música foi a coisa que mais se aproximou desse sentimento que eu busco tanto”.

Jão também usou áudios dos pais e amigos, registrados no fim da última turnê. “Eu queria guardar isso em música. Pra que meus filhos entendam, conheçam a voz dele. E como a gente se fala de forma quase musical, foi bem natural encaixar isso nas músicas”. Na épica “O Amor”, Jão e Zebu dividem os créditos com o veterano Marco Mazzola, produtor de clássicos da MPB, de Raul Seixas e Rita Lee, que agregou à ficha técnica o legendário Rick Ferreira, fiel escudeiro de Raul Seixas, no violão de cordas de aço, e o baixista Paulo César Barros, fundador de Renato & Seus Blue Caps, mais de seis décadas de serviços prestados à música brasileira. 

“Quando eu, Zebu e Pedro convidamos o Mazzola, era justamente pela admiração de toda a carreira dele e como os músicos que rondam o seu ecossistema são fodas. Fico muito honrado por eles terem feito parte deste disco.” O arranjo épico tem espaço ainda para o brilho do coral de vozes e a seção de metais, com destaque para Diogo Mandu Duarte no trompete e no flugelhorn, emoldurando versos marcantes como “eu acho horrível e bonito que o amor não escolhe pra onde vai”.

“Memórias Póstumas” é o primeiro álbum que há mais de uma faixa escrita e produzida exclusivamente por Jão. Também é o primeiro álbum em que há uma faixa, “João”, onde ele não assina a letra — mas produz e toca todas as “teclas”. Confortável ocupando esse lugar, ele lamenta por demorar muito no processo. “É algo que eu gostaria de ter mais tempo para explorar. Adoro ser o dono das minhas coisas, sempre quero comemorar e sofrer por decisões que foram minhas, e não de outras pessoas. E esta faixa só existe porque foi feita pelo Pedro, que é a pessoa que divide a vida comigo, então meu ego deixou acontecer”.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Deep Purple segue no hard rock setentista com o lançamento de "Splat!"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A  banda britânica Deep Purple está com material novo na praça. Na contramão da tendência atual do mercado fonográfico,  o veterano grupo apresenta 13 cançoes inéditas no formato de um álbum convencional. E se mantém fiel a sonoridade baseada no hard rock da década de 70. 
Da formação considerada clássica, há três integrantes: Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo) e Ian Paice  (bateria). Complementam a formação Don Airey (teckados) e Simon McBride. Formação essa, aliás, que mostra um entrosamento incrível nesse novo disco intitulado "Splat!".

O grande acerto nesse álbum foi investir  em um material mais básico, com canções mais curtas e diretas e sempre baseadas no rock dos anos 70. Os riffs de guitarra são marcantes e se por um lado o vocal de Ian Gillan já não consegue alcançar  os antigos agudos, ele se moatra perfeitamente adaptado a sonoridade atual. Há também os tradicionais duelos de solos da guitarra com o órgão Hammond. Don Airey e Simon McBride  são excelentes músicos e conseguem entregar aquilo que o ouvinte fã de hard rock  gosta de ouvir. Nem preciso falar das performances de Ian Paice e Toger Glover, ambos mestres em seus respectivos instrumentos.

Há uma parcela dos críticos na imprensa que defende a aposentadoria da banda. Entretanto, se essa mesma parcela ouvir com atenção esse "Splat!" terá a oportunidade de mudar de opinião. Deixem os veteranos seguirem-na trilha do hard rock enquanto eles se sentirem motivados. Os fãs do grupo agradecerão.


Deep Purple - "Diablo"

Deep Purple - "Guilti Trppin"

Deep Purple - 
"Arrogant Boy"

quinta-feira, 23 de julho de 2026

.: "Sentimento Louco": Marília Mendonça ganha primeira exposição sensorial


"Marília Mendonça - Sentimento Louco" convida o público a viver uma experiência imersiva inédita sobre a vida, a obra e o legado da artista a partir do dia 9 de outubro. Vendas de ingressos abrem nesta quinta-feira, dia 23 de julho. Mostra conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime, que lançam, no dia 16, um documentário homônimo sobre a vida e obra da cantora sertaneja. Na imagem, o projeto 3D da sala da exposição intitulada "Infiel – Closet", voltada à identidade visual da cantora


A voz que transformou a música sertaneja e marcou uma geração ganha agora uma homenagem à altura de seu legado. Hoje, 22 de julho, dia em que Marília Mendonça completaria 31 anos de idade, o MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo anuncia, para o dia 9 de outubro, a exposição “Marília Mendonça - Sentimento Louco”, a primeira grande mostra dedicada à trajetória da artista. Realizada em parceria com a Axon Content, a exposição conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime, que lançam, no dia 16, um documentário de mesmo nome sobre a vida e obra da cantora sertaneja.

Os ingressos começam a ser vendidos nesta quinta-feira, dia 23 de julho, e podem ser adquiridos pela plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS.. A exposição biográfica propõe uma experiência sensorial e imersiva que convida o público a revisitar a história de Marília Mendonça por meio de ambientes inspirados em suas músicas, objetos pessoais, figurinos, registros inéditos, instalações audiovisuais e experiências interativas. Em aproximadamente 1.000 m², distribuídos pelos dois andares do MIS, os visitantes poderão mergulhar na trajetória de uma das artistas mais importantes da música brasileira contemporânea.

 Conhecida como a "Rainha da Sofrência", Marília Mendonça revolucionou o sertanejo ao dar protagonismo às mulheres e transformar experiências cotidianas em canções que atravessaram gerações. Sua autenticidade como compositora e intérprete fez com que milhões de pessoas encontrassem em suas letras um espaço de identificação, acolhimento e memória afetiva. Mesmo após sua morte, em 2021, aos 26 anos, sua presença continua viva na cultura brasileira. Com mais de 10 bilhões de reproduções no Spotify, dois Grammy Latino e uma das carreiras mais marcantes da música nacional, Marília consolidou um legado que ultrapassa os números e permanece presente na vida de fãs em todo o país.

 A exposição acompanha diferentes momentos de sua trajetória, desde a infância e os primeiros passos como compositora até a consagração nos palcos, mostrando também os bastidores da carreira, seu processo criativo e a relação construída com milhões de admiradores. Cada espaço da mostra foi concebido a partir de títulos de músicas que marcaram sua carreira. 

Entre os ambientes estão Skyline Marília, instalação que dá início à experiência; "Eu Sei de Cor - Ouro de Mina", dedicado às origens da artista; "A Flor e o Beija-Flor - Quintal da Criação", que revela seu processo criativo; "Esqueça-me Se For Capaz - Quarto", ambiente intimista com memórias pessoais; "Infiel - Closet", voltado à sua identidade visual; "Camarim", que apresenta os bastidores da carreira; "Sentimento Louco - Sala 360º", experiência audiovisual imersiva; "Alô Porteiro - Primeiro DVD", dedicado aos primeiros grandes marcos de sua trajetória; "Show", que recria a energia de suas apresentações ao vivo; "Minha Herança - Universo das Palavras", sobre suas composições; "Fã Clube", homenagem ao vínculo construído com seu público; e "Todos os Cantos", espaço dedicado ao projeto que percorreu o Brasil levando sua música a diferentes cidades.

“Marília Mendonça – Sentimento Louco” celebra uma mulher que transformou sentimentos individuais em experiências coletivas, deu voz a milhões de brasileiros e deixou um legado que continua ecoando através de sua música. A mostra também contará com uma loja oficial, reunindo produtos exclusivos inspirados na trajetória da cantora. Realizada pelo MIS em parceria com a Axon Content, a exposição une pesquisa, narrativa, tecnologia e audiovisual para transformar a visita em uma experiência de emoção e memória. O projeto conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime.


Sobre o documentário “Marília Mendonça - Sentimento Louco”
A série documental Original Prime retrata a trajetória de vida e a carreira meteórica de uma das maiores vozes do sertanejo brasileiro e a artista feminina mais ouvida do país. O projeto revisita os passos de uma cantora que marcou uma geração e transformou, para sempre, o cenário da música nacional. Natural de Cristianópolis, Goiás, Marília Mendonça se consagrou como uma das principais representantes do sertanejo, abrindo caminho para outras mulheres no gênero com suas composições marcantes e presença autêntica.

Com acesso exclusivo a arquivos pessoais e depoimentos de amigos, familiares e parceiros de estrada, a produção revela os bastidores de uma carreira construída com verdade, talento e emoção. Marília conquistou uma legião de fãs com seu carisma e seu amor incondicional pela música. Mesmo após sua partida precoce, sua voz segue ecoando por todo o Brasil, reafirmando sua força, sensibilidade e o legado eterno da Rainha da Sofrência. A série é produzida pela Chatrone e Kromaki, e dirigida por Susanna Lira. Valentina Castello Branco, Gabriela Altaf e Fabiana Assis integram o time de roteiristas.

 
Serviço | Exposição “Marília Mendonça - Sentimento Louco”
Período: 9 de outubro de 2026 a 29 de novembro de 2026
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
Avenida Europa, 158, Jardim Europa – São Paulo
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada), vendidos pela plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS
Horários: terças a sextas, das 10h00 às 19h00. Sábados, das 10h00 às 20h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h00. Permanência até uma hora após o último horário.
A exposição é uma realização Museu da Imagem e do Som, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Axon Content, com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime.
O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual, por por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

.: “Preta Gil nunca teve medo”, destaca Mini Kerti em "Meu Nome É Preta"


Produzida pela Conspiração, série de quatro episódios se aprofunda em momentos íntimos da trajetória da artista, com depoimentos inéditos de familiares e amigos. Imagem: divulgação


Conhecida pela irreverência, amor escancarado pelos amigos e a coragem de viver sem filtros, a cantora Preta Gil fez da vida uma celebração de afeto e liberdade. Um ano após o falecimento dela, o público poderá revisitar sua trajetória a partir desta segunda-feira, dia 20 de julho, com a estreia da série "Meu Nome É Preta", original do Globoplay. Dividida em quatro episódios, a produção reconstrói a história da artista a partir do olhar daqueles que compartilharam sua vida, compondo um mosaico afetivo sobre seu legado. Produzida pela Conspiração e dirigida por Mini Kerti, a obra terá o primeiro episódio disponível e aberto para todo o público, incluindo não assinantes do streaming

Para dar forma a essa narrativa, a produção resgata registros históricos e familiares raros, incluindo filmes inéditos em Super 8 de sua infância na Bahia, a vivência de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, e imagens comoventes do seu irmão Pedro Gil, falecido em 1990. Em contraste com essa atmosfera íntima, os arquivos de mídia dos anos 2000 relembram os embates públicos enfrentados pela cantora, evidenciando seu pioneirismo ao pautar discussões sobre corpo, orientação sexual e diversidade quando esses temas ainda eram tabus. “Fizemos um recorte que narra sua vida a partir dos acontecimentos marcantes que mudaram seu rumo: a morte do irmão mais velho ainda na adolescência, o primeiro disco em que posou nua na capa, a criação da Noite Preta, depois o Bloco da Preta”, descreve a diretora Mini Kerti. 

Com depoimentos inéditos que se transformam em verdadeiras cartas de amor, a obra conta com a participação especial de amigos, como Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Duh Marinho, Gominho, Ivete Sangalo, Hugo Gloss, Alice Carvalho e Ana Carolina, bem como de familiares, entre eles, Gilberto Gil, Sandra Gadelha, Fran Gil, Flora Gil, Bela Gil, Otávio Muller e Davi Moraes, que revelam momentos importantes da jornada de Preta. A presença marcante da artista se reflete na própria estrutura da série, que coloca Preta Gil como narradora de sua história, num “diálogo” com os amigos e parentes, guiando o público por meio de um extenso trabalho de pesquisa que recupera entrevistas concedidas por ela ao longo de toda a vida. O vasto material de arquivo aborda desde o seu nascimento, passando pela maternidade, sua atuação pioneira como empresária, até sua forte ligação com o Carnaval.

 Segundo a diretora Mini Kerti, a produção evidencia a personalidade monumental de Preta, mas sem perder a sensibilidade dos bastidores. “A série mostra que Preta Gil nunca teve medo de revelar a sua essência para o mundo. Ela se conectava de forma generosa com as pessoas e se expunha impiedosamente. Ela não criava pautas, ela era a própria pauta”, pontua.

 A produtora Luísa Barbosa complementa: “O que mais surpreende ao mergulhar na história de Preta Gil é a coerência radical entre a pessoa pública e a privada. Fica claro que aquela personalidade expansiva, generosa e sem filtros que o público via era exatamente quem ela era na intimidade. Contar sua história é reconhecer a força de quem escolheu viver com autenticidade, mesmo sob julgamento constante, e evidenciar o impacto real que isso teve na cultura e no imaginário coletivo”.

A preservação dessa memória e legado estende-se para além do streaming, integrando o projeto "Quanto Mais Preta Melhor" uma homenagem da Globo à trajetória e à força da artista. No dia 20 de julho, mesma data de estreia da série do Globoplay, a TV Globo exibe o filme documental "Preta - Eu Não Ando Só". O projeto nasceu de um pedido da própria Preta Gil e é focado em sua luta contra o câncer, construído com imagens de celular gravadas por ela mesma e por sua rede de apoio durante o tratamento. O filme tem direção artística de Monica Almeida, direção de Sandra Kogut, roteiro de Renato Terra, produção executiva de Fernanda Neves e produção de Elaine Sá. 

No Globoplay, os episódios de "Meu Nome É Preta" terão publicação semanal, chegando ao streaming às segundas-feiras. O quarto e último episódio será lançado em uma data especial: no sábado, dia 8 de agosto, celebrando a efeméride de aniversário de Preta Gil. A série Original tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil. O primeiro episódio estará disponível também para não assinantes. Confira a entrevista com a diretora Mini Kerti e com a produtora Luísa Barbosa.

 
Que significado tem, para você, contar a história de uma mulher como a Preta Gil?
Mini Kerti -
Eu chorei vários dias, nas filmagens e na ilha de edição. Preta foi muito ela mesma, sob milhares de holofotes e, muitas vezes, incompreendida, o que não é nada simples. Mas mesmo assim foi construindo uma rede enorme de afetos. Pra mim, contar a história dela é um grande desafio e uma enorme alegria. 

 
Como a trilha sonora foi pensada para dialogar com a história de Preta?
Luísa Barbosa -
A trilha sonora segue esse retrato íntimo e histórico, começando nas referências formativas de Preta, como os Doces Bárbaros e o rock anos 80 da sua prima Marina Lima, até chegar na própria carreira de Preta, marcada pela mistura de gêneros como axé, funk, MPB e pop. 

 
O que mais surpreendeu ao mergulhar na história da Preta durante o processo da série?
Mini Kerti -
A liberdade. Preta era livre e profundamente fiel a si mesma, sem medidas.

 
Quais critérios orientaram a escolha dos amigos e pessoas próximas que aparecem na série?
Luísa Barbosa -
Adotamos dois critérios centrais: reunir pessoas que ajudassem a cobrir diferentes momentos da linha do tempo de sua vida e, ao mesmo tempo, que representassem as muitas facetas que ela assumiu: filha, irmã, mãe, avó, amiga, empreendedora, influenciadora, ativista e cantora. 

 
Preta Gil sempre foi uma voz ativa em diferentes temas da atualidade. Como esses pilares foram abordados na narrativa da série?
Mini Kerti -
Esses temas diversos aparecem por meio da própria história de vida da Preta, com suas palavras, atitudes e pensamentos. De maneira clara, pessoal e íntima.

 
Que novas perspectivas a obra traz sobre sua história e legado?
Luísa Barbosa -
Ao colocar a própria Preta como narradora de sua história, a série revela suas contradições, fragilidades e afetos, oferecendo um retrato muito mais humano, profundo e complexo de sua biografia.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: "Foreign Tongues": Rolling Stones desafiam o tempo em novo álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cada novo álbum dos Rolling Stones, o público acaba se surpreendendo de forma positiva. Os seus veteranos integrantes recusam solenemente uma eventual aposentadoria e seguem produzindo ótimas canções que mesclam as suas principais influências musicais, entre elas o blues e a música folk americana, além dos pioneiros do rock como Chuck Berry.

Em "Foreign Tongues", que acaba de ser lançado em formato físico e nas plataformas digitais, a fórmula se repete e da muito certo. A exemplo do que ocorreu no disco anterior,  o produtor Andrew Watt manteve intacta a formula dos Stones, sem se preocupar em soar mais contemporâneo. Mick Jagger (vocal ) e Keith Richards (guitarra e backing vocals) assinam a maior parte da autoria das canções, enquanto Ron Wood cumpre seu papel no grupo nos solos e guitarra base.

O disco abre com "Rough And Twisted", um blues rock bem ao estilo dos Stones. E segue  com  a animada  "In The Stars" que tem um forte apelo radiofônico nos riffs e no refrão. Nessas duas faixas o vocal de Jagger esta limpo e impecável,  assim como em todas as demais.Steve Jordan (batéria) e Daryl Jones (baixo) complrmentam a banda. Na faixa "Covered In You" o ex-beatle Paul McCartney participa tocando baixo,  enquanto Steve Winwood participa de várias faixas  tocando teclados. E a banda gravou  um cover de "You Know I'm No Good", de Amy Winehouse, que ficou acima da média. Os Stones não são highlanders do rock. Mas é fato que eles seguem desafiando o tempo. Pelo menos enquanto se sentirem capazes de dar conta do recado. 

"Tough and Twisted"

"In The Stars"

sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Crítica musical: Alceu Valença, 80 anos de genialidade musical


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Um dos nomes mais importantes da nossa MPB, o pernambucano Alceu Valença completou 80 anos mantendo a mesma disposição para produzir verdadeiras pérolas musicais com aquele tempero nordestino inconfundível e irresistível.

Alceu é um talento multifacetado. Além da música teve passagens marcantes no cinema e até na literatura com um livro de poesias, Mas foi na música que ele se tornou conhecido, mesclando as influências  musicais de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro com outras que ele ouvia nas rádios.

Seu primeiro disco foi gravado em parceria com o igualmente genial Geraldo Azevedo em 1973. No ano seguinte lança o disco Molhado de Suor, frequentemente apontado como um de seus melhores trabalhos. E desde então não parou mais.

Basta um breve olhar em sua discografia para perceber a riqueza de sua obra. Álbuns como o "Espelho Cristalino" (1975), "Coração Bobo" (1980), "Cavalo de Pau" (1982). "Anjo Avesso" (1983) e "Mágico" (1985), só pra citar alguns exemplos, reúnem uma coleção de canções antológicas, algumas até se tornaram hits nas rádios, como a irresistível Tropicana.

A genialidade de Alceu se explica pelo fato de ele se manter autèntico, sem se render para concessões comerciais impostas pelas grandes gravadoras. E essa postura só comprovou que sua obra sempre teve o apelo popular. Basta ver seus shows sempre com grande presença de público.

Para nossa felicidade, Alceu segue em pela atividade comemorando merecidamente os seus 80 anos. E tomo emprestado os versos da canção Sete Desejos: E agora penso que a estrada/Da vida, tem ida e volta/Ninguém foge do destino/Esse trem que nos transporta.

"Estação da Luz"

"Sete Desejos"

"Coração Bobo"

.: “Tomo Controle Contigo”, novidade: Suzy McCalley lança novo single


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cantora brasileiro-americana Suzy McCalley está lançando um novo single. Bebendo na fonte das músicas brasileira e americana, Suzy está lançando a música “Tomo Controle Contigo”, pela Ada Brasil Music em todas as plataformas musicais. “A inspiração para essa música é o posicionamento da mulher no momento do flerte, da atração. Ela está entrando num clube, há aquele momento de tensão sexual, e no final é a mulher que escolhe o parceiro”, conta Suzy.

O single faz parte de um projeto chamado “Amor e Atitude”, que terá outras músicas lançadas ao longo do ano. No caso de “Tomo Controle Contigo”, a vocação de Suzy para extrapolar fronteiras aparece também numa batida meio caribenha, fruto da troca de experiências com o produtor Carlos Yael, vencedor de cinco Grammys.

Suzy nasceu no Brasil, filha de mãe brasileira e pai americano, ambos músicos. Mudou-se para os Estados Unidos aos 9 anos e mora lá até hoje, mas está sempre no Brasil e nos últimos três anos intensificou sua imersão musical, visitando Minas Gerais e o Nordeste, sempre em busca de novas influências e conhecimentos.  

Nos Estados Unidos, Suzy tornou-se uma espécie de embaixadora da cultura brasileira. Além de se apresentar com sua banda, realiza eventos que incluem, além de música, dança e gastronomia brasileiras. “É incrível compartilhar a cultura brasileira. Principalmente onde moro agora, na Carolina do Norte, onde as pessoas normalmente só conhecem “Garota de Ipanema” e uma ou outra música brasileira”,  concluiu.

"Tomo Contro Contigo"

sábado, 4 de julho de 2026

.: Madonna retorna às pistas com o aguardado “Confessions II”


Ícone pop revisita o universo de Confessions on a Dance Floor em novo álbum com participações de Sabrina Carpenter, Feid, Martin Garrix, Stromae e Lola Leon; projeto já está disponível. Foto: Rafael Pavarotti 


"As pessoas acham que a música eletrônica é superficial, mas estão completamente enganadas. A pista de dança não é apenas um lugar, é um portal. Um espaço ritualístico, onde o movimento substitui a linguagem", afirma a cantora Madonna ao comprovar que a pista de dança está mais viva do que nunca. O aguardado novo álbum dela, “Confessions II”, já está disponível pela Warner Records, com distribuição nacional da Warner Music Brasil. O projeto também ganha vinil em edição limitada, merchandising oficial e outros produtos exclusivos.

Ao reencontrar o produtor Stuart Price, Madonna inaugura um novo capítulo do universo revolucionário criado em “Confessions on a Dance Floor”, álbum de 2005 e vencedor do Grammy®. Ao longo das 16 faixas mixadas de forma contínua que compõem “Confessions II”, a artista mergulha em temas como amor, trauma, perda e cura. O trabalho reafirma sua convicção de que a música eletrônica vai muito além do entretenimento: a pista de dança é um espaço de refúgio, conexão, liberdade e sobrevivência — um lugar capaz de salvar quem se entrega a ela. Na primavera do hemisfério norte, Madonna apresentou uma prévia com o single “I Feel So Free”, que alcançou o primeiro lugar na parada Billboard Dance Airplay. Ela também estreou “Bring Your Love”, parceria com Sabrina Carpenter, durante sua apresentação no Coachella, celebrando os 20 anos de sua estreia no festival. A faixa alcançou o topo da UK Club Chart.

O álbum conta com a participação de sua filha, Lola Leon, na emocionante “The Test”, composta pelas duas e marcada por versos profundamente pessoais que refletem o processo de cura e a evolução da relação entre mãe e filha. Madonna também une forças pela primeira vez ao DJ e produtor holandês Martin Garrix em “Bizzare”, faixa que explora as complexidades do amor. Já o artista belga Stromae imprime seu estilo inconfundível à sedutora “My Sins Are My Savior”. Andrew Watt e Cirkut também assinam a produção, ao lado de Stuart Price, de “Danceteria” e “L.E.S. Girl”, músicas que revisitam os primeiros anos de Madonna em Nova York, homenageando o lendário clube, as amizades que marcaram sua trajetória e a vida singular que somente ela poderia retratar.

Recentemente, foi anunciado que Madonna será uma das atrações principais do primeiro show do intervalo da história da final da FIFA World Cup 26™, que acontece em 19 de julho, no New York New Jersey Stadium. Com uma audiência global estimada em mais de 1,5 bilhão de espectadores, a apresentação promete marcar um dos momentos culturais mais importantes do evento. A faixa “Read My Lips”, de “Confessions II”, com participação do cantor colombiano Feid, tornou-se um dos hinos do torneio.

No mês passado, Madonna apresentou “Confessions II – The Film” durante a 25ª edição do Tribeca Film Festival. Dirigido por Torso, o filme oferece uma experiência cinematográfica imersiva que dá vida às seis primeiras faixas do álbum por meio de uma narrativa visual ousada, que rompe as fronteiras entre música, cinema e performance. A produção foi recebida com entusiasmo pela crítica especializada. 

Na noite anterior, Madonna surpreendeu o público com uma apresentação inesquecível na Times Square, em Nova York. Anunciado apenas 30 minutos antes do início, o show reuniu cerca de 50 mil pessoas, que acompanharam pela primeira vez, ao vivo, músicas de “Confessions II”, além de sucessos de “Confessions on a Dance Floor”. O evento transformou o coração de Manhattan em uma enorme pista de dança e foi transmitido ao vivo, com exclusividade, pelo Grindr. 

.: Justin Bieber lança “Swag Live From Coachella (Weekend II)”


Transmissões oficiais no YouTube dos shows de Justin Bieber como headliner do Coachella nos finais de semana 1 e 2 também já podem ser conferidas. Foto: Amber Asaly
 
 
Após o lançamento surpresa, na última sexta-feira, de “Swag Live From Coachella (Weekend I)”, seu primeiro álbum ao vivo, Justin Bieber mantém o ritmo com a chegada de um segundo registro ao vivo, “Swag Live From Coachella (Weekend II)”. A gravação continua documentando as históricas apresentações de Justin como headliner do Coachella Valley Music and Arts Festival, realizadas em abril deste ano, desta vez destacando os principais momentos de seu show no segundo fim de semana do festival.

A segunda apresentação de Justin como atração principal foi amplamente elogiada pela crítica, com muitos veículos destacando que o artista conseguiu superar uma estreia que já havia sido considerada um sucesso. A Variety escreveu que "Justin Bieber trouxe a artilharia pesada durante seu show como headliner no segundo fim de semana do Coachella", enquanto a Billboard descreveu a apresentação como "um espetáculo repleto de estrelas".

Os críticos também ressaltaram a confiança ainda maior de Bieber no palco, observando que ele "conseguiu superar a si mesmo ao assumir o palco com confiança". O USA Today destacou que "às vezes os headliners não fazem muito diferente no segundo fim de semana, mas Bieber realmente entregou uma performance excepcional", elogiando a expansão da produção e a execução do espetáculo. Outros veículos reforçaram essa avaliação, afirmando que "Justin Bieber elevou o nível de seu show no segundo fim de semana do Coachella com um repertório ampliado e participações surpresa", enquanto a Consequence classificou a apresentação como "muito mais bem ensaiada" e elogiou seus "momentos surpresa cheios de emoção".

“Swag Live From Coachella (Weekend II)” conta com participações especiais de Sexyy Red, Dijon e SZA. Além dos novos álbuns ao vivo, os fãs agora podem reviver, pela primeira vez no YouTube, as apresentações completas de Justin como headliner nos dois finais de semana do Coachella. Disponibilizados exatamente como foram transmitidos durante o festival, os vídeos oficiais incluem imagens exclusivas preservadas nos arquivos da produção. O segundo fim de semana tornou-se ainda mais memorável com as participações especiais de Big Sean e Billie Eilish, acrescentando mais uma camada inesquecível a essa apresentação histórica.

Após o lançamento de “Swag Live From Coachella (Weekend I)”, a The Fader celebrou o momento ao declarar: "Finalmente, a Bieberchella está de volta." Juntos, os álbuns ao vivo e os vídeos completos dos shows oferecem aos fãs a experiência definitiva de uma das performances ao vivo mais celebradas da carreira de Justin Bieber.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

.: Música: Prime Vídeo disponibiliza documentário de Paul McCartney


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O streaming Amazon Prime Video disponibilizou para os assinantes o documentário "Man On The Run" que narra a trajetória do ex-beatle Paul McCartney no período p´pós-Beatles e a criação da banda Wings, até chegar na sua atual carreira solo. O documentário é narrado por McCartney. Mas está longe de ser uma produção tipo chapa branca. Nele são mostrados não só os pontos positivos como também as mancadas homéricas, como a sua prisão em 1980 no Japão por porte de entorpecente.

Ainda que mostre de uma forma superficial, a produção acaba conseguindo mostrarcomo o músico superou a desconfiança inicial da mídia sobre o seu trabalho na época. O Wings teve várias formações. permanecendo o aeu  nucleo com McCartney. Linda Eastman e Denny Lane. E deixou gravados álbuns antológicos, como o Band on the Run, de 1973 E Venus And Mars, de 1975.

Além de imagens raras da época, a produção utiliza como trllha sonora as canções clássicas de McCartney, acentuando o clima saudosista. Destaco a gravação de Band on TheRun, que foi realizada na Nigeria com vários problemas técnicos e situações turbulentas. Na prática, o documentário joga uma luz na trajetória vitoriosa do ex-beatle. Comprovando que nem sempre esse caminho foi um mar de rosas. Mas solidifivou o mito  e seu talento nato para a música pop mundial.

"Band On The Run"

"My Love"

Trailer de "Man On The Run"


domingo, 21 de junho de 2026

.: 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba será realizado no Rio de Janeiro


Encontro do MinC reúne Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz, Dorina Barros e outros grandes nomes do samba

O Rio de Janeiro será palco de um grande encontro entre diferentes gerações do samba brasileiro. Entre os dias 22 e 24 de junho, o Ministério da Cultura (MinC) realiza o 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba, reunindo sambistas históricos, novas vozes do gênero, pesquisadores, gestores públicos, lideranças culturais e representantes de rodas de samba de todo o país para discutir os desafios, as potências e o papel dessas manifestações na vida cultural brasileira.

O encontro também reunirá o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares; a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins; o gerente de Projetos da Secretaria Executiva do MinC, Fabrício Antenor; a deputada federal Benedita da Silva, a deputada estadual Verônica Lima, a secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, e o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha.

Realizado no Palácio Gustavo Capanema e no Renascença Clube, dois espaços simbólicos da cultura brasileira, o seminário propõe uma reflexão sobre temas como economia criativa, patrimônio cultural, memória, participação social, ocupação dos espaços públicos e desenvolvimento territorial. As rodas de samba constituem importantes redes de sociabilidade, geração de renda, circulação cultural e preservação das tradições afro-brasileiras. Presentes em milhares de comunidades pelo país, movimentam trabalhadores da cultura, fortalecem identidades locais e mantêm vivas práticas culturais que atravessam gerações.

Ao longo dos três dias, a programação será organizada em eixos de debate sobre economia do samba, sustentabilidade e economia criativa das ruas; memória, identidade, território e patrimônio; inovação e novas gerações; articulação cultural e movimento; além de políticas públicas, controle e participação social. A abertura do seminário contará com mesa de boas-vindas com a participação de Márcio Tavares, Danielle Barros, Lucas Padilha e Verônica Lima. A conferência de abertura reunirá Sereno, Roberta Martins, Wanderso Luna, Benedita da Silva, Dorina Barros e Lucas Lima, diretor de Políticas Públicas da Ambev.

A programação inclui ainda debates com nomes como Helena Theodoro, Tadeu Kaçula, Nilcemar Nogueira, Aline Calixto, Rafa Rafuagi, Rogério Familia, Marina Iris, Thiago Carvalho, além de representantes do Ministério da Cultura, Funarte, Iphan e instituições parceiras. No dia 24 de junho, o seminário será encerrado no Renascença Clube com uma mesa inspiradora reunindo Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz e Márcio Tavares. Na sequência, haverá uma noite cultural com roda de samba comandada por Marcelinho Moreira em homenagem à Tia Surica. Credenciamento de público geral: clique aqui para acessar o formulário.


Serviço
1º Seminário Nacional das Rodas de Samba: Cidade, Patrimônio e Desenvolvimento
Data: 22, 23 e 24 de junho de 2026

Locais
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

Renascença Clube
Rua Barão de São Francisco, 54 – Andaraí – Rio de Janeiro (RJ)

Entrada gratuita


Programação
Dia 1 - 22 de junho - Palácio Gustavo Capanema
9h00: Mesa de Boas-Vindas
Márcio Tavares - Ministro da Cultura Substituto
Danielle Barros - Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro
Lucas Padilha - Secretário de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro
Verônica Lima - Deputada Estadual e Presidenta da Comissão de Cultura

10h00: Conferência de Abertura
Sereno - Fundador do Fundo de Quintal / Criador do Tantan
Roberta Martins (SAFCC/MINC)
Wanderso Luna - Rede Carioca de Rodas de Samba
Benedita da Silva - Dep. Federal - Lei da Salvaguarda do Samba
Dorina Barros - Mulheres na Roda de Samba
Lucas Lima - Diretor de Políticas Públicas da Ambev
Zé Luiz do Império - Compositor

14h00 às 17h00 : Eixo 1: Economia do Samba - Fomento, Sustentabilidade e a Economia Criativa das Ruas
João Grand Jr. - Cidade, Economia Criativa e o Ecossistema de Rodas de Samba do Rio de Janeiro
Anderson Lins - Sesc RJ - A Experiência com as Rodas de Samba no Edital Sesc Pulsar
Marquinhos de Oswaldo Cruz - A Feira das Yabás e o Trem do Samba
Ellen Oliveira - Festival Divas do Samba (DF)


Dia 2 - 23 de junho - Palácio Gustavo Capanema
9h30 às 12h00: Eixo 2: Memória, Identidade, Território e Patrimônio
Mediação: Aline Vila Real (Funarte)
Helena Theodoro - O Samba de lá e o Samba de Cá - Tia Ciata de Santo Amaro e do Samba Carioca
Samora Lopes (Banjo Novo) - Salvador, Terra do Samba e das Rodas de Samba
Fabiola Machado - As Rodas de Samba do Rio de Janeiro
Tadeu Kaçula - SP - O Samba Paulistano
Marina Lacerda - Iphan

13h30 às 16h00: Eixo 3: Inovação e Novas Gerações: “A tradição como lanterna” - Redes Integradas e Dados
Mediação: Fabricio Antenor (MinC)
Chico Reguera - Jornalista/Globo RJ
Dorina - Mulheres na Roda de Samba
Nilcemar Nogueira - Dossiê Matrizes do Samba no Rio de Janeiro / Museu do Samba
Simony Maia - Agência Mural de Jornalismo das Periferias - São Paulo
Dani Miranda - Blog de Samba

16h30 às 18h00 - Mesa: Articulação Cultural e Movimento
Mediação: Roberta Martins (SAFCC/MinC)
Rafa Rafuagi - Construção Nacional do Hip Hop / Museu do Hip Hop
Rogério Família - Rede Carioca de Rodas de Samba
Aline Calixto - Bloco da Calixto (MG)
Cláudia Ajeum - Pérola de Oyá - Fortaleza


Dia 3 - 24 de junho - Renascença Clube
9h30h às 12h00: Eixo 4: Das Rodas às Políticas Públicas: Territórios que transformam o Brasil
Mediação: Daniel Samam (CNPC/SAFCC)
Marina Iris, Wanderson Luna, Thiago Carvalho - Bahia, Fabrício Antenor (SE/MinC) e Aline Vila Real (Funarte)

12h00 às 14h00 - Almoço: Feijoada no Renascença

14h00: Mesa inspiradora / Encerramento
Nei Lopes, Teresa Cristina, Márcio Tavares e Moa Luz

17h30 - Roda de Samba com Marcelinho Moreira
Homenagem à Tia Surica

sexta-feira, 19 de junho de 2026

.: Paul McCartney traz suas lembranças em novo disco


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Prestes a completar 84 anos e realizando mais uma turnê mundial, o ex-beatle Paul McCartney lança um novo disco no qual expõe suas lembranças do período da infância e da adolescência; "The Boys of Dungeon Lane" retrata como era sua vida no tempo em que vivia em Liverpool ainda como aspirante a músico.

E é preciso ressaltar o ato de coragem que McCartney teve ao lançar um álbum no formato tradicional. Isso numa época em que as pessoas envolvidas com música têm dado preferência aos singles que são lançados invariavelmente em doses homeopáticas. Gravar, produzir e lançar um álbum com 14 faixas  se tornou uma façanha que poucos conseguem realizar hoje em dia.

Comparando com os discos anteriores, "The Boys of Duingeon Lane" pode ser considerado um álbum conceitual;  A voz de McCartney já sente um pouco os inevitáveis efeitos da idade; Em alguns momentos ela soa um pouco trêmula e hesitante. E em outros ele se mostra um melodista competente, que ainda sabe como fazer pulsar uma banda.

Falando das faixas, citaria "The Days We Left Behind", "Montain Top" e "Down South" como destaques, assim como a igualmente ótima "Home Of Us", cantada em dueto com o ex-beatle Ringo Starr. Dessa forms, Ringo retribuiu a gentileza de McCartney que participou de faixas de um de seus discos mais recentes. Na faixa "Momma Gets By", McCartney homenageia o casamento dos seus pais.

Esse novo álbum está longe de ter a densidade de outros discos lançados nos anos 70, como o "Band On The Run". E creio que esse nem era o objetivo de McCartney. Se por um acaso McCartney anunciar uma aposentadoria, esse disco encerraria de forma digna a sua discogrsafis. Porem eu continuo torcendo para ouvir o seu próximo lançamento.

"As You Lie There"

"Ripples In a Pond"

"Never Know"

sexta-feira, 12 de junho de 2026

.: Crítica musical: Julie Wein, um talento entre pianos e canções


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Isabela Espindola

Cantora, compositora, atriz, instrumentista e Doutora em Neurociências pela UFRJ, Julie Wein celebra a tradição do piano popular na canção brasileira no álbum "Pianos e Canções", reunindo músicas de compositores como Johnny Alf, Tom Jobim, Ivan Lins e Benito di Paula. “A seleção desse repertório foi um mergulho na memória afetiva e um resgate da pluralidade que fundamenta a nossa identidade musical. Gravei compositores que sempre me inspiraram a escrever canções e a me acompanhar ao piano, cantando e tocando, aproximando no mesmo disco universos tão distintos quanto os de Benito di Paula e Tom Jobim”, pontua Julie Wein.

Além de figurarem no álbum como compositores, dois destes mestres dividem os vocais com Julie Wein: Francis Hime em “Trocando em Miúdos” (Francis Hime e Chico Buarque), e Ivan Lins em “Bilhete” (Ivan Lins e Vitor Martins). O repertório reúne ainda “Retalhos de Cetim” (Benito di Paula), “Rapaz de bem” (Johnny Alf), “Olha Maria” (Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque) e “Balada do Louco” (Arnaldo Batista e Rita Lee). A autoral “Homem Virtuoso”, composta por Wein e Matheus Prevot, completa a seleção.  

Em um país cuja tradição do violão na canção popular é muito presente, Julie Wein lembra que, em outras épocas, a cidade do Rio de Janeiro chegou a ser apelidada de “Pianópolis”: “Este disco nasce também do desejo de celebrar a tradição do piano popular brasileiro, através de artistas que tiveram o instrumento como elemento fundamental de suas composições. Espero produzir novos volumes, gravando compositores como João Donato, Marcos Valle, Guilherme Arantes, Eduardo Dusek, Flávio Venturini, Arrigo Barnabé, Tania Maria, Angela Ro Ro, entre outros”, finaliza Julie Wein.

Com direção e produção musical de Jorge Helder, “Pianos e Canções” repete a dobradinha da artista com a gravadora Biscoito Fino, por onde lançou seu projeto de estreia, “Infinitos Encontros”, em 2020. Com um currículo longo nas artes e na ciência, Julie Wein se destaca na nova cena musical brasileira. Seja na pesquisa acadêmica ou frente ao microfone, a música é a sua matéria-prima. Premiada no Festival de Música da Rádio MEC e eleita Melhor Intérprete de MPB pelo Prêmio Profissionais da Música (PPM), Julie foi vencedora do Prêmio TOCA 2025.

 Participou de espetáculos musicais como “Musical Noel Rosa: Coisa Nossa” (2023) e “Peça Dois Amores e Um Bicho (2017-2020), como atriz e cantora, e como preparadora vocal em peças como “Ayrton Senna - o musical” (2017) e “Haddad e Borghi”(2025). Em 2022, estreou o show “Julie Wein canta Chico Buarque”. É  pesquisadora do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino desde 2011, onde percorreu todas as etapas acadêmicas, da Iniciação Científica ao Pós-Doutorado (posição atual). Graduada em Biofísica pela UFRJ. Doutoranda em Neurociências (Ciências Morfológicas - Biomedicina UFRJ), foi duas vezes premiada pela Jornada Giulio Massarani e Graduada com Dignidade Acadêmica. Recebeu também Menção Honrosa do Prêmio Juarez Aranha Ricardo.

"Retalhos de Cetim"

"Bilhete"

"Trocando em Miudos"

.: "Bem Brasil" recebe Sandra Sá neste domingo, com grandes sucessos


Uma das vozes mais marcantes da música brasileira celebra mais de 40 anos de trajetória em show ao vivo, direto do Sesc Itaquera. Divulgação: Sandra Sá

A cantora Sandra Sá é a convidada do programa "Bem Brasil" neste domingo, dia 14 de junho, às 12h00, em um show especial transmitido ao vivo pela TV Cultura, a partir do meio-dia, diretamente do Sesc Itaquera, em São Paulo. A apresentação reúne sucessos que marcaram mais de 40 anos de carreira de uma das vozes mais importantes da música brasileira, como "Retratos e Canções", "Joga Fora", "Bye Bye Tristeza" e "Olhos Coloridos".

Com uma trajetória marcada pela mistura de MPB, soul, samba, funk e pop, Sandra Sá leva ao palco canções que evidenciam a diversidade musical de sua obra e sua capacidade de dialogar com diferentes gerações de público. Wandi Doratiotto apresenta o Bem Brasil, que conta ainda com a participação da jornalista Roberta Martinelli, que interage com o público presente no Sesc Itaquera. O programa tem transmissão ao vivo pela TV Cultura, canais da TV Cultura, sesc.tv e no canal do youtube.com/sescsp. O público também pode acompanhar as apresentações do "Bem Brasil" no Sesc Itaquera. Os ingressos são gratuitos.


Sobre o "Bem Brasil"
Reconhecido como um dos mais importantes programas musicais da TV pública brasileira, o "Bem Brasil" voltou à TV Cultura após 18 anos, em 7 de junho, por meio de uma parceria entre a emissora e o Sesc São Paulo. A nova fase da atração tem apresentação de Wandi Doratiotto e participação da jornalista Roberta Martinelli. Ao longo da trajetória, o programa tornou-se um registro vivo da diversidade e da riqueza da música brasileira, contribuindo para a democratização do acesso à música na televisão aberta.

A atração estreou em 5 de maio de 1991, na TV Cultura, com a proposta de levar shows musicais ao vivo à televisão aberta, sempre com plateia presente. O nome do programa foi inspirado no choro Bem Brasil, de Altamiro Carrilho, que também participou da edição de estreia ao lado do grupo Isaías e Seus Chorões. Inicialmente exibido ao vivo do anfiteatro da USP, em São Paulo, o programa rapidamente se consolidou como um palco democrático da música brasileira, reunindo artistas de diferentes estilos e gerações.

Ao longo de sua história, o "Bem Brasil" realizou mais de 600 programas e recebeu artistas como Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Djavan, Tim Maia, Gal Costa, Cássia Eller, Chico Science & Nação Zumbi, Zeca Baleiro, Lenine, Elba Ramalho, Alceu Valença, Martinho da Vila e Alcione, entre muitos outros. O programa também abriu espaço para bandas de rock e pop, como Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Skank, além de valorizar o choro, a música instrumental e novas gerações da música brasileira.


Serviço
"Bem Brasil" - TV Cultura

Domingo, dia 14 de junho, às 12h00

Show com Sandra Sá
Sesc Itaquera – Avenida Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000 – Itaquera – São Paulo
Ingresso gratuito

Transmissão para São Paulo e Brasil por meio da TV Cultura, afiliadas e canais digitais da emissora, sesc.tv e no canal do youtube.com/sescsp.

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