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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: Pélico faz show de lançamento de “A Universa Me Sorriu” sábado no CCSP


Show terá participação de Marisa Orth. Foto: José de Holanda

Cantor e compositor, Pélico é referência da geração surgida no início dos anos 2000. Depois de quatro álbuns nos quais compôs sozinho as letras e melodias de praticamente todas as suas músicas, ele lançou recentemente “A Universa Me Sorriu - Minhas Canções com Ronaldo Bastos” (SóLóv/YB), composto em parceria com Ronaldo Bastos, figura fundamental do Clube da Esquina e que foi gravado por Milton Nascimento, Lô Borges, Elis Regina, Gal Costa, Lulu Santos e muitos outros.

Depois da primeira vez que se encontraram, em 2012, os dois ficaram em contato, em 2019 chegaram a fazer uma primeira canção e veio a ideia de um disco, que foi composto, gravado e lançado em 2025. É o show deste álbum que estreia no dia 31 de janeiro no CCSP. Pélico vai apresentar as novas “Infinito Blue”, “Sua Mãe Tinha Razão”, “Marinar” e “É Melhor Assim”, essa com participação especial da cantora Marisa Orth, levando para o palco o mesmo dueto que fizeram no disco. Também estão no repertório músicas mais conhecidas da sua carreira como “Não Vou Te Deixar, Por Enquanto”, “Machucado”, “Euforia”, “O Menino” e “Amanheci”, entre outras.

No show, Pélico (voz) será acompanhado por Jesus Sanchez (baixo), que também assina a produção do álbum, Regis Damasceno (guitarra e violão), João Erbetta (guitarra e violão), Jesus Sanchez (baixo), Clayton Martin (bateria) e Laura Lavieri (backing vocal).


Sobre o artista
Cantor e compositor, Pélico é referência da geração surgida no início dos anos 2000. Além de cinco álbuns e dois singles lançados, todos autorais, ele participou de vários projetos especiais e teve suas canções gravadas por CATTO, A Banda Mais Bonita da Cidade, Luiza Possi e outros. Ele acaba de lançar “A Universa Me Sorriu - Minhas Canções Com Ronaldo Bastos”.

 
Serviço
Show Pélico  “A Universa Me Sorriu”
CCSP  - Rua Vergueiro, 1000
Sábado, dia 31 de janeiro, às 19h00
Entrada gratuita

sábado, 24 de janeiro de 2026

.: A banalidade do mal e a história da homossexualidade no Reino Unido


Por Helder Bentes, escritor e professor. 

Assisti ao filme "Meu Policial" na Amazon Prime e fiquei fascinado. Tudo no filme é lindo, desde a fotografia dos cenários do Reino Unido, espaço da narrativa, à revelação de Harry Styles como ator. É ele quem interpreta o policial que dá nome ao filme. Mas para que vocês não pensem que gostei do filme apenas por causa de Harry no papel principal, eu devo dizer que a história se passa ao final da década de 50 do século XX, e é contada sob uma perspectiva das memórias registradas num diário lido por uma das personagens, quando todos os envolvidos já estão idosos, com uma sequência cênica que alterna entre o tempo da narrativa e o tempo na narrativa. Essa alternância é responsável por um dos efeitos catárticos do filme, ao lado de contexto histórico, lições sobre arte, opressão sexual e sexista, convenções sociais, amor, egoísmo, ciúmes, imprudência, inconsequência e fugacidade da vida. 

Em meados do século XX, o Reino Unido vivia sob o peso da Emenda Labouchere, desde 1885. Tratava-se de uma Lei que punia a homossexualidade masculina como indecência grave entre homens. Nesse contexto histórico, Patrick, o curador de arte de um museu britânico, conhece o policial Tom e se apaixona por ele. Mas Tom é um gay no armário, influenciado pela cultura homofóbica e com ideais pequeno-burgueses de se casar, ter filhos e constituir família. Apesar das dificuldades impostas por esse contexto, eles desenvolvem um romance secreto. 

Até que Tom casa-se com a jovem Marion, com a permissão de Patrick, que concorda em dividi-lo com uma mulher, já que não tinha outro jeito. Era preciso manter o emprego de ambos e, ao menos para Tom, o casamento era uma instituição mantenedora de sua carreira como policial. Ao longo do enredo, Marion descobre fazer parte de um triângulo amoroso. Movida por impulsos de ciúme, ela denuncia Patrick ao museu. Ele perde o emprego, é preso, e isso deixa Tom apavorado. Menos por preocupar-se com Patrick que por medo de perder seu emprego, seu casamento e sua imagem social. 

Marion arrepende-se, tenta consertar a merda que fizera e que poderia respingar em seu próprio lar, mas não adianta. A existência do diário lido na alternância temporal ao longo do filme torna-se prova documental do triângulo amoroso, e Tom acaba expulso da polícia. Passa a hostilizar Patrick por isso, e Marion é a única que, mesmo traída, sente alguma compaixão por Patrick. Anos mais tarde, ela se propõe a cuidar de Patrick já idoso e doente em sua própria casa, obrigando Tom a se confrontar com o passado e assumir as consequências das escolhas que fizera de se casar com uma mulher, mesmo sendo gay. 

"Meu Policial" é uma adaptação do livro homônimo escrito por Bethan Roberts e lançado em 2012. O filme, porém, é de 2022. A autora se inspirou na vida de E.M. Forster (1879-1970), escritor inglês que viveu uma história parecida com a trajetória do policial Tom Burgess.

Este filme propõe reflexões profundas sobre a perniciosidade de leis homofóbicas e a importância do combate à homofobia. Leis homofóbicas acabam gerando o cidadão sistêmico que a filósofa Hannah Arendt denuncia na banalidade do mal. Ela descreve de que maneira as pessoas comuns, não necessariamente sádicas, normalizam atentados contra os direitos humanos, por absoluta falta de consciência crítica. apenas aderindo, sem pensar, à burocracia ordinária de instituições como os diversos sistemas e aparelhos político-ideológicos do Estado e da cultura. Foi assim que o mal se tornou rotina no nazismo e em diversos outros sistemas que extrapolam os regimes totalitários. E essa banalidade acontece até hoje em diversos segmentos da vida social. 

Tom se via apenas como um policial que deveria cumprir tarefas de policial e de cidadão comum de um Estado homofóbico, sem questionar a moralidade de suas ações, sua própria homossexualidade, sua covardia, suas escolhas, a objetificação de Marion e do próprio Patrick, tampouco sobre o futuro, a velhice e a iminência compulsória da morte. Outro aspecto interessantíssimo do filme é que ele pode ser lido por perspectivas que se comunicam entre si. 

Da perspectiva heterossexual, Marion representa um tipo social vitimizado pela construção sistêmica da heterossexualidade. Como, por exemplo, um gay casar com mulher, para atender a uma reivindicação social, já é uma maldade banalizada, o cinespectador hétero tende a hostilizar Tom, o representante dos gays no armário.  Da perspectiva homossexual, porém, o filme mostra como a dicotomia coragem/medo classifica a comunidade LGBTQIAPN+. Tom representa o medo. Patrick, a coragem. Salvaguardadas as proporções da heterossexualidade compulsória que criminaliza quaisquer outras variantes sexuais. 

Isso abre a obra para um preenchimento concretizador que vai depender da inteligência e da alteridade de quem estiver assistindo ao filme. O espectador menos inteligente vai tentar achar, entre as personagens do triângulo amoroso, quem é o vilão, e provavelmente pode ser que Tom seja classificado como tal. A verdade, porém, é que a vilania desse enredo não reside em nenhum personagem. Todos são vítimas de um sistema que legitimou o preconceito homofóbico com base num critério ordinário e banalizado, igual se fizera com o racismo. 

A mim sensibilizou sobretudo a velhice de homossexuais que se mantêm fiéis a si mesmos e não aderem às compulsões ordinárias da heteronormatividade, mesmo correndo o risco de serem cobrados por serem quem são.  Outra proposta reflexiva interessante que esse filme traz nas entrecenas é sobre o poder do conhecimento adquirido através dos estudos. Estudar a linha do tempo da história da (des)criminalização da homossexualidade no Reino Unido foi uma das primeiras coisas que esse filme fez em mim. Há uma história secular de discriminação homofóbica no Reino Unido, tanto que as Leis que libertaram os gays só foram revogadas recentemente, na primeira década do século XXI. 

Antes disso, em meados do século XIX, a Lei de Sodomia previa pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados aos gays. No último quartel do século XIX, mais precisamente em 1885, entra em vigor a Emenda Labouchere, que contextualiza o filme. Essa emenda criminaliza relações sexuais entre homens, mesmo no privado. O escritor Oscar Wilde é um exemplo emblemático real do rigor dessa emenda. Ela foi o ordenamento jurídico que o condenou a dois anos de prisão com trabalhos forçados, o que prejudicou sua saúde, sua vida financeira e destruiu completamente sua imagem social. 

Essa emenda vigorou por quase um século no Reino Unido. Somente a partir de meados do século XX (1967), países como Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte começaram a descriminalizar a homossexualidade. Mesmo assim, os atos homossexuais deveriam ser consensuais, os envolvidos deveriam ser maiores de 21 anos, e tudo deveria permanecer no privado. O filme se passa nos anos de 1950. Então o enredo não alcança essa fase. Somente em 2001 a idade de consentimento para relações homossexuais foi igualada à idade consentida para héteros, 16 anos. E a abolição total das leis anti-homossexuais só acontece em 2008. Considerando-se que nenhuma cultura secular se desconstrói do dia para a noite, o Reino Unido não deve ser um lugar para onde os gays devam migrar. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Aline Campos enfrenta o jogo e paga o preço da sinceridade


Eliminada do "BBB 26", atriz reflete sobre embates, emoção e a decisão de não silenciar conflitos do passado. Foto: Globo/ Beatriz Damy


Eliminada no primeiro paredão do "BBB 26", Aline Campos deixou a casa mais vigiada do Brasil após receber 61,64% dos votos do público. Protagonista de um embate intenso com a participante Ana Paula Renault, a atriz e empresária entrou no jogo disposta a resolver pendências do passado e pagou o preço por jogar de forma frontal e emocional logo na primeira semana. Nesta entrevista, Aline faz um balanço honesto de sua passagem pelo reality, comenta os conflitos que marcaram sua trajetória, reflete sobre escolhas, estratégias e aprendizados, e revela quais laços gostaria de ter aprofundado caso tivesse permanecido no programa.


Que balanço faz da sua trajetória no "BBB 26"? 
Aline Campos - Estou feliz e com o coração tranquilo em relação à minha participação no "BBB" nessa primeira semana de jogo, que foi tão intensa. Acho que não tinha como ser diferente diante da bagagem que já existia na minha relação com a Ana Paula, que foi a narrativa principal que me envolveu nesses dias. Não teria como seguir o jogo com isso engasgado, sem zerar essa situação. Só que o fato de eu ter exposto isso a ela, de certa forma, gerou um olhar para mim de competição e também um mal-estar, por mais que ela tenha me pedido desculpas e eu tenha aceitado; o clima ficou ruim. Eu não me arrependo de nada do que fiz. Algo que eu pretendo avaliar, quando conseguir parar, é a minha forma de me expressar. É importante reforçar que uma pessoa que medita, que trabalha seu autoconhecimento e sua espiritualidade não é melhor do que ninguém e não está imune a se desequilibrar emocionalmente. Muito pelo contrário: uma pessoa que sabe que existe a sua sombra entende que precisa ser olhada para que não machuque ninguém. O fato de eu meditar não significa que eu sou só zen, só namastê. Tem sempre o outro lado da polaridade. Pelos poucos vídeos que eu consegui assistir até agora e pelo que eu me lembro, acho que está tudo coerente com o que eu vivi. Existiram momentos em que não dava para falar calminha; houve momentos em que a minha fala foi mais impactante. Por ser uma mulher forte, no sentido de já ter vivido muitas coisas e sempre tendo lutar, a gente acaba criando um escudo, camadas que fazem com que a gente não seja só leve e suave na vida. Existem outras mulheres na casa que eu considero que são assim como eu. Estou muito feliz, porque sei que agi com o coração do início ao fim. Por mais que eu tenha saído na primeira semana, consegui enxergar que foi um paredão difícil. Consigo enxergar que a Ana Paula é uma ótima jogadora. Em relação ao jogo, eu tiro meu chapéu para ela porque ela soube e sabe – e eu acho que ela vai muito longe – articular e fazer a coisa acontecer de uma forma inteligente e do jeito que ela quer para ela. Talvez jogar com o coração nem seja jogar. Eu simplesmente fui eu lá, de certa forma, até com uma inocência por ter entrado logo de cara num embate com uma das pessoas mais fortes dos reality shows que já aconteceram no Brasil. Mas não me arrependo de absolutamente nada, faria tudo igual, talvez lapidando a forma de me expressar.

 
O que faltou para ir mais longe na competição, na sua opinião? 
Aline Campos - Eu acho que para eu ir mais longe na competição ou teria que ter guardado para mim o que aconteceu aqui fora, pelo menos por um tempo – se eu tivesse feito isso, eu acredito que não teria ido para esse primeiro paredão – ou não ter tido coragem de colocá-la (Ana Paula) nesse primeiro paredão comigo quando tocou o Big Fone. Mas acredito que as coisas são como têm que ser. Talvez se eu tivesse criado mais oportunidade de discussão com ela e não tivesse cessado... Mas ela também não olhava no meu olho para que essa oportunidade surgisse. Uma das estratégias de jogo dela era não me dar enredo para continuar com mais narrativa.
 

Quando usou sua “touca da sorte”, com as flores, a Ana Paula fez uma piada te chamando de planta. Como avalia esse apontamento? 
Aline Campos - Eu acho que ela foi genial, porque aquela touca eu uso aqui fora quando estou me sentindo para baixo, eu amo aquela touca. Só que quando eu a coloquei na mala e decidir usar, nem pensei que aquilo podia ser motivo de piada. Mas ela foi genial; olhou e falou “planta”. Eu tive até que concordar que a piada dela foi boa (risos). Uma coisa muito positiva na Ana Paula, por mais que a forma de levar o jogo vá contra àquilo que eu acredito, é que ela é muito engraçada. Ela tem um humor ácido e uma leveza que são igual a quando você assiste a uma novela e gosta do vilão. Ela tem essa característica que eu acho que faz o povo abraçá-la. Contudo, não faz o menor sentido me apontar como planta. Eu tentava não levar a sério, porque ela queria me provocar. Ela falava o tempo todo que eu era planta e, de certa forma, manipulava também o público de casa, porque ela sabia que esse era o" BBB" que não tolerava planta. Mas uma planta não movimenta o jogo como eu movimentei. Uma planta não tem coragem de falar para a participante mais confiante o que eu falei, de bater de frente. Eu não concordo e aquilo ali não me atingiu em absolutamente nada.
 

Por que acha que o Marcelo te puxou para o paredão após atender o "Big Fone"? E como foi sua escolha pela Ana Paula no contragolpe? 
Aline Campos - Eu tinha acabado de conversar com o Marcelo. Quando eu me conectei com ele inicialmente, ele foi um querido comigo. Eu achei que nunca fosse ter problema com ele. Mas ele acabou sendo um fiel escudeiro da Ana Paula e, quando eu vi, ele tinha parado de falar comigo. Mesmo depois da conversa que eu tive com ele, o Big Fone tocou e, no calor da emoção, me vendo conversar com ela também, não teria como ele pensar em outra pessoa. Eu entendo ele ter me colocado, por mais que a gente tenha conversado e, na hora, ter parecido que ficou tudo bem entre a gente, aquilo ali é um jogo. Quando eu peguei a pulseira, eu ainda dei uma analisada na casa, mas eu realmente não tinha dúvidas de quem colocar. Por mais que eu achasse ela uma pessoa forte, eu acredito que não tinha como ter sido diferente. Não por acaso o Big Fone tocou naquela hora, dando todos os sinais de que era para haver aquele embate. Não tive nem como pensar em outra pessoa.


No primeiro mercado da Xepa, os outros brothers não atenderam ao seu pedido pela caixa de ovos. Ao reivindicar, você acabou discutindo com a Ana Paula. Você se sentiu incompreendida naquele momento? 
Aline Campos Eu me senti muito incompreendida, porque com as estalecas que eu dava para fazer a compra coletiva, eu também comprava a carne da galera e outros itens que eu nem consumia. Na minha cabeça, não fazia sentido nenhum alguém me privar de, com o meu próprio dinheiro, – mesmo eu participando do “ratatá” da carne que eu não comia – comprar uma caixa de ovos. Então, eu me senti, sim, injustiçada, por pura implicância.
 

Que aprendizados ficam dessa experiência no reality?
Aline Campos Eu acho que ainda vou ter muitos aprendizados no pós-"BBB" por estar me analisando, entendendo como eu sou nas reações e tudo mais. Mas o aprendizado é sobre lidar com pessoas diferentes de mim. É importante, porque chega um momento na nossa vida em que a gente consegue escolher mais as pessoas com quem a gente convive e isso torna a nossa vida mais confortável. Se eu não quero estar com você, eu não preciso. Só que quando você está com pessoas com quem você não quer estar, existem muitos aprendizados que a gente só entende vivendo. Por exemplo, lidar com vários sentimentos, estar naquela casa, acordar com a música alta e só querer ver as pessoas que eu amo, mas ter que lidar com quem estava me odiando lá dentro. Então, eu ainda estou assimilando tudo, a ficha demorou a cair quando eu entrei e está demorando para cair agora que eu saí. Eu acho que o aprendizado é sobre lidar com emoções que eu não escolho, porque no dia a dia, graças a Deus, hoje eu posso escolher quem está do meu lado.
 

Entre camarotes e veteranos, você disse que já conhecia alguns dos participantes. Sua percepção sobre algum deles mudou durante o game?  
Aline Campos - Sim. Eu saí com uma percepção esquisita a respeito do Babu, eu diria. Talvez se eu tivesse ficado mais tempo lá, eu poderia esclarecer com ele, porque sempre gostei muito dele, do papo dele, de quando ele está na conversa com todo mundo. Mas o negócio que ele me falou depois do Sincerão não fez sentido para mim, eu achei que ele “pipocou”. Ele disse que, se não tivesse colocado a Sol (Vega), ele teria me colocado na posição de quem ele não gostaria que ganhasse o "BBB". Aí eu falei: “Como assim? Das 20 e poucas pessoas, você me chama de amiga, e eu sou a pessoa que você não gostaria que ganhasse o BBB?”. Aí ele respondeu: “Não, amiga, não é isso. Mas é porque você está num paredão muito difícil, então eu ia te colocar porque eu achava que você sairia”. Aí eu falei ele estava sendo incoerente, porque a pergunta do Tadeu foi clara: “Quem você gostaria que não ganhasse o 'BBB'?”. E que se ele me colocasse, ele iria declarar que queria que eu perdesse. Aí ele ficou tentando dar uma enrolada para algo que não tinha o que enrolar. A pergunta foi clara e isso me deixou um pouco decepcionada, porque ele me chamava de amiga e eu realmente tinha uma grande consideração e carinho por ele - tenho ainda. Ali eu enxerguei de uma outra forma, vi que realmente é um jogo. Mas eu espero que depois a gente converse e que fique tudo ajustado.
 

Essas relações com brothers e sisters que já conhecia aqui fora ajudaram na convivência ou dificultaram de alguma forma?
Aline Campos - Eu acho que ajudaram, de alguma maneira. O Jonas foi superfofo de me levar para o Almoço do Anjo quando eu estava abalada emocionalmente e na Xepa, com opções limitadas para comer. Com relação a Sol (Vega) também. Ela é uma mulher incrível, forte e inspiradora, só que não se envolve muito no jogo. Eu tinha o acolhimento de uma pessoa que eu conhecia desde o início, uma mulher madura. Eu gostei muito dessa edição, porque há muitas pessoas de idades diferentes, desde 21 anos até pessoas mais velhas, então deu essa equilibrada. Na verdade, eu acho que esse fato mais me ajudou do que atrapalhou.
 

Acredita que você e a Sol seguiriam como aliadas se tivesse permanecido no programa?
Aline Campos - Eu acho que sim. Se eu tivesse permanecido, a gente iria estreitar cada vez mais a amizade. Eu achei tão fofo ela chorando na minha saída. A gente estava se conectando cada vez mais. Nós somos duas pessoas de personalidades diferentes, mas a gente se conectou através do nosso coração, do olhar. Ela é uma mulher muito verdadeira e o que a gente tem em comum é a força da mulher que teve que passar por preconceitos para chegar aonde chegou. Ela também tem a voz forte, que muitas vezes é mal interpretada. Eu acho, sim, que a gente fortaleceria nossa amizade se eu tivesse ficado mais tempo lá. Eu a admiro muito, torço para que ela fique bem e seja acolhida por pessoas legais.
                                                                                                                                                                                
Mais quem você gostaria de ter como aliado no jogo se tivesse continuado no "BBB"?
Aline Campos A Jordana. Foi no final que a gente se conectou, mas é uma mulher que pensa muito parecido comigo e que se posiciona muito bem. Ela não tem medo de não escolher um lado, mesmo concordando mais com a opinião do outro lado. Eu acho que, sim, ela vai receber ataques, porque não escolheu um lado específico e fica perto das pessoas que ela acredita, mas ela se posiciona; quando não gosta ela fala. Vou torcer muito por ela!
 

Para mais quem, além dela, fica sua torcida? 
Aline Campos - Além da Sol (Vega) e da Jordana, eu me conectei muito, mesmo que rápido, com a Gabizinha, que chegou por último. A gente gosta das mesmas coisas. Ela é uma menina de 21 anos, muito forte, que passou por uma situação que talvez eu não passaria, o Quarto Branco. Eu acho ela muito verdadeira e corajosa e acredito que vá longe. A minha torcida vai para Sol (Vega), para a Jordana, para a Gabi e eu gosto muito do Juliano (Floss) também. Eu gosto do Brigido...Tem muitas pessoas que eu saí de lá gostando e que eu quero acompanhar e torcer.

 
O que muda na Aline que entrou no "BBB" no dia 12 de janeiro e a que saiu ontem? 
Aline Campos Muda o olhar para o ser humano, para as relações. Porque, se a gente se abre para as relações improváveis e desafiadoras, a gente aprende muito e se conhece mais. Eu quero muito analisar os vídeos, as cenas principais com calma e avaliar o meu olhar, o meu comportamento, a minha forma de me expressar. Como eu disse, eu sou simplesmente eu e a intenção que eu coloco em cada fala é genuína, é do coração. Só que, da mesma forma que eu falei para a Sol (Vega) sobre a forma dela de discutir sobre algo que ela acredita, que pode ser lapidada para que ela não dê motivo para as pessoas se voltarem contra ela, eu falo para mim também. Ela disse para mim: “Mas eu sou assim, amiga”. E eu respondi: “eu sei, amiga. E é essa é sua força, mas dá para lapidar, dá para você entender aos poucos onde você pode suavizar mais para que a gente não perca a razão”.

sábado, 17 de janeiro de 2026

.: Entrevista com Samir Murad: ator leva o passado ao limite do palco


Em cartaz na Arena B3, o solo de Samir Murad confronta imigração, memória e saúde mental sem concessões. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Samir Murad entra em cena sozinho e não pede empatia antecipada. Em “O Cachorro Que Se Recusou a Morrer”, em cartaz no Teatro da Arena B3, neste final de semana, dias 17 e 18 de janeiro, com sessões às 14h30 e 17h00, o ator não transforma a própria história em confissão nem usa a memória como ornamento. O que se vê é um trabalho de risco: lidar com imigração, herança familiar, saúde mental e pertencimento sem o conforto da explicação fácil ou da catarse fabricada. 

Entre humor seco e drama frontal, Murad constrói um solo que recusa tanto a reverência quanto a autopiedade. Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, ele fala sobre caos criativo, genealogia, urgência, dublagem, corpo, e sobre por que o teatro ainda é o lugar onde certas histórias podem ser ditas sem se tornarem espetáculos de si mesmas.

Resenhando.com - Ao transformar lembranças familiares em cena, você sente que está organizando o passado ou aceitando, finalmente, o seu caos? O que o teatro permite fazer que a memória, sozinha, não dá conta?
Samir Murad - Creio que a aceitação do caos provocado pelas lembranças, é fundamental para um verdadeiro processo criativo, principalmente quando se lida com as memórias reais de uma vida. No caso desse trabalho onde sou criador da escritura literária e cênica, a memória se potencializa. Como sou essencialmente um ator, essa memória se torna carne e osso ou seja, quando escrevo, aquele texto já tem um endereço certo: a Cena. E sim. Creio que o Teatro mais do que qualquer outro veículo, possibilita esse recurso de dividir a palavra e o ato que é intimo, com uma infinidade de outros universos pessoais


Resenhando.com - O espetáculo fala de imigração e pertencimento, mas também de saúde mental. Há algo de adoecido na própria ideia de “origem”, quando ela passa a nos definir demais?

Samir Murad - Acho que qualquer definição que rotule ou categorize o ser-humano pode incorrer em erros graves. Tipo “eu sou assim porque sou de origem tal...”, sem a possibilidade de ressignificação da própria origem”. Estamos em um momento que se fala muito de questões que procuram ligar as pessoas e povos às suas origens ancestrais, tendo o sangue e a terra como principais referências e penso que, esse resgate de identidade,faz sentido nos tempos atuais e eu mesmo faço isso nesse trabalho. Quando vemos segmentos étnicos como índios, negros, só para citar dois, se embebedando e se drogando para aguentar o desvio forçado que tiveram de suas origens, aí sim podemos ver a doença mental se instalando. Quando falo de uma irmã que teve um surto esquizofrênico que, por uma sensibilidade mal direcionada, não suportou a “ barra” de uma criação excessivamente pesada, acho que estou falando de muitas famílias que tem um doente mental em casa e muitas vezes nem sabem ou não dão a devida atenção. Assim não acho a ideia de busca da “origem” em si, adoecida. Qualquer busca verdadeira envolve uma abertura de visão ou uma reflexão sobre o objeto no qual se debruça e isso a meu ver já é válido.


Resenhando.com - O humor aparece no espetáculo quase como um desvio estratégico. Você ri para sobreviver às histórias que conta ou para impedir que elas se tornem insuportavelmente solenes?

Samir Murad - Gostei do quase. Na verdade, eu não usaria um desvio estratégico somente para não cansar o espectador ou pesar demais a mão. A minha sobrevivência se dá no ato de decidir fazer Teatro para poder fazer esse trabalho com todas as suas assumidas variações de humor, inclusive com uma absoluta solenidade em algumas passagens. Mas por incrível que pareça, há muito humor em algumas situações que narro e meu pai mesmo, era um contador de histórias muito engraçado, com uma picardia que se estende a outros membros de minha família. Naturalmente não estou falando de um humor fácil ou apelativo mas de uma forma de perceber a Vida, ligeiramente colorida pela ironia ou também de uma seriedade excessiva que acaba ficando cômica. Além disso eu queria alguns traços de humor , embora não me ache propriamente um comediante, para prestar homenagem a personagens de minha infância como Chaplin e Ronald Golias e me permiti esse exercício.


Resenhando.com - Filho de imigrantes libaneses, você carrega uma herança cultural muito marcada. Em que momento essa herança deixou de ser um legado e passou a ser uma cobrança?
Samir Murad - Pode-se dizer que a cobrança estava nas entrelinhas, em relação à aspectos morais, relacionais e de conduta, principalmente durante a minha infância. Como eu fui temporão, já peguei uma pai mais velho e cansado que acho, afrouxou um pouco a corda. Havia uma preocupação até maior dos irmãos para que eu seguisse alguma carreira rentosa de preferência ligada ao comércio que é uma tradição libanesa. A adolescência para variar foi bem difícil. Quando já no vestibular decidi ser artista e que fique claro, meu pai nunca me impediu disso, acho que transformei meu legado dramático em Teatro e pude pensar e sentir minha história através das lentes da Arte


Resenhando.com - A encenação aposta em projeções, trilha original e uma atuação descrita como visceral. O corpo, para você, ainda é um território confiável para contar histórias — ou também é um campo de conflito?
Samir Murad - Acho que o corpo é o principal instrumento para um ator. Confiável numa medida pessoal em que cada ator o valoriza e também é um campo de conflitos. A meu ver esses conflitos são extremamente poderosos e criativos e quanto mais controle você tem do seu corpo mais você pode experimentar um descontrole e contar uma história de diferentes maneiras. Para mim o conflito subjaz na existência do ator e na sua necessidade de estar em cena. Esse é o grande conflito: “por que eu tenho que entrar em cena e contar uma história? Como posso fazer isso da melhor forma possível?” Olha aí o conflito.


Resenhando.com - Depois de décadas atuando, dublando, ensinando e dirigindo, você retorna a um trabalho profundamente autobiográfico. Isso é um gesto de coragem tardia ou de urgência absoluta?

Samir Murad - Aí que está. Eu não retornei. Eu continuei. Esse trabalho é o coroamento de uma quadrilogia que se iniciou em 2000 com meu primeiro solo. Todos esses trabalhos solos falam de genealogia, pertencimento, ancestralidade e saúde mental entre outros temas comuns. Sem eles O Cachorro... não existiria. O ineditismo desse, é que me debrucei sobre minhas próprias lembranças , mas todos os outros trazem elementos que mesclam as trajetórias das personagens com elementos da minha história. Todos são afinados com minha pesquisa que tem Antonin Artaud como principal referência ética e estética. Acho que a coragem tardia veio na verdade com meu primeiro solo que aliás, só tornou-se um solo por uma sequência de coincidências e que foi o trabalho que mais deu certo em minha vida, um divisor de águas. Ele nasceu com uma urgência absoluta assim como os outros, inclusive esse último. Acho que essa urgência eu trago comigo, ainda e que acredito seja uma mistura do espirito artaudiano que me habita com o desespero árabe e que se estende as outras atividades que você cita na pergunta. Podem rir.


Resenhando.com - A dublagem ocupou mais de 20 anos da sua vida. Que vozes alheias ficaram em você - e quais delas precisaram ser silenciadas para que essa voz autoral emergisse?

Samir Murad - Não percebo dessa forma excludente, de precisar silenciar vozes para que voz autoral emerja. Essa voz existe desde que escrevia músicas e poemas na adolescência e foi aparecendo como uma extensão de meu trabalho de ator, quando comecei a escrever meus textos. A dublagem surgiu como um veículo a mais para ampliar minhas possibilidades de atuação. Já fiz teatro, televisão e dublagem ao mesmo tempo e tudo tinha a sua importância, a sua própria voz. Sempre procurei imprimir em qualquer veículo, um alinhamento artístico coerente com o que me constitui. Hoje me dedico cada vez mais às minhas construções autorais, que me dão maior autonomia sobre o processo, mas a possibilidade de participar de projetos alheios será sempre bem-vinda. As vozes da dublagem assim como os personagens de novelas e peças que fiz e que não faço mais, hibernam em um cantinho aconchegado do meu coração.


Resenhando.com - O espetáculo se constrói como um encontro íntimo com o público. Você teme que essa intimidade seja confundida com exposição, ou acredita que o teatro ainda é o último lugar possível para esse risco?

Samir Murad - Acho que você já respondeu. Sim, o Teatro ocupa esse lugar para mim, seja atuando em uma peça de minha autoria ou não. A intimidade do ator em cena em um solo só será confundida com exposição se ele e(ou) a encenação assim o desejar e aí ao meu ver o fenômeno teatral não acontece e tanto faz ser um solo ou não. Em "O Cachorro..." eu estou só em cena e falo um texto escrito por mim sobre a minha família. Isso por si só poderia constituir-seem uma obra com tintas excessivamente auto referentes. O fato é que existem muitos espetáculos que seguem essa linha ou seja, não existe nada de inédito no meu trabalho desse ponto de vista. Acredito que o diferencial esteja em como as formas e conteúdos apresentados por cada um desses espetáculos chega até o querido espectador de Teatro.


Resenhando.com - Em um país que frequentemente romantiza a imigração e ignora os traumas desse ato, que tipo de desconforto você espera provocar em quem assiste?

Samir Murad - O espetáculo tem algumas divisões como digamos, uma pequena sinfonia e os momentos mais dramáticos compõem apenas uma parte dele. Por isso chamo a peça de drama bem humorado. Nas temporadas que fizemos o que percebi, é que há um envolvimento maior do espectador nas partes mais dramáticas. Não sei muito bem porque mas atribuo isso à empatia provocada pelas situações talvez comuns a muitos, como já ouvi de espectadores ao vivo e em depoimentos gravados. O riso, a farsa divertem e afastam, o drama aproxima. Acho que é isso. O fato é que o drama da imigração é um problema atual e mundial e algumas imagens realmente podem tocar o coração do espectador. O desconforto que pode surgir, advém da crueza das situações que são denunciadas onde o imigrante é visto sem véus, como uma pessoa que teve que abandonar sua terra natal para tentar a vida numa terra desconhecida. Isso por si só já e cruel.


Resenhando.com - Depois de transformar memórias familiares em cena, o que sobra quando as luzes se apagam: alívio, esgotamento ou a sensação de que ainda há histórias que se recusam a descansar?
Samir Murad - Linda pergunta. Olha, há uma sensação muito grande de missão cumprida. Um esgotamento gostoso. Boa parte desses textos foram retirados de uma autobiografia que comecei a escrever e foram adaptados para o Teatro. Essa outra obra, aí sim literária, naturalmente traz muitas outras histórias entrelaçadas como essa e se propõem um dia a virar um livro. Então claro, essas histórias se recusam a descansar e sem dúvida existe uma urgência em termina-las. No entanto, o cansaço da vida tem me ensinado a não correr mas a viver caminhando junto com a Arte. Muito obrigado por essa linda entrevista. Espero todos lá!


Ficha técnica
Espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Criação, texto e atuação: Samir Murad
Direção: Delson Antunes e Samir Murad
Cenografia: José Dias
Figurino e Adereços: Karlla de Luca
Desenho de Luz: Thales Coutinho
Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad
Direção de Movimento: Samir Murad
Videocenário: Mayara Ferreira
Assistente de Direção: Gedivan de Albuquerque
Programação Visual: Fernando Alax
Fotos: Fernando Valle
Direção de produção: Fernando Alax
Produção executiva: Wagner Uchoa
Operação audiovisual: Marco Agrippa
Operação de luz: Chico Hashi
Realização: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí... 


Serviço
"O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Dias 17 e 18 de janeiro, sábado e domingo, sessões às 14h30 e 17h00
Arena B3 - Centro Histórico de São Paulo
Duração: 70 minutos
Classificação: L=livre
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114363/d/355043/s/2395277?

 
Sobre a B3

A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 



quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

.: "Quando Somos Quando", adaptação do romance de Virgínia Woolf, reestreia


Com direção de Ines Bushatsky e dramaturgia de João Mostazo, o espetáculo propõe uma releitura desse clássico da literatura e narra a vida do protagonista depois dos acontecimentos do livro. Foto: Wilian Aguiar


O Laboratório Siameses de Dança abre sua temporada de 2026 com a reestreia do espetáculo "Quando Somos Quando", uma leitura livre do romance “Orlando: Uma Biografia”, da escritora britânica Virginia Woolf (1882-1941).  O trabalho, com direção de Ines Bushatsky e texto de João Mostazo, fica em cartaz no Galpão do Folias até 8 de fevereiro (veja as datas abaixo), com entrada gratuita. A peça acompanha a vida de Orlando depois dos acontecimentos do livro e suas desventuras para reinventar sua vida na restauração de arte, um esforço tão grande que acaba o fragmentando em dois. 

A obra escrita em 1928 por Virginia Woolf conta a história de um jovem nascido no século 16 que vive por mais de 300 anos. Aos 30 anos, na metade do livro, Orlando passa por uma misteriosa mudança de sexo e se transforma numa mulher. Aos 36, ela é vista pela última vez, no dia 11 de outubro de 1928. O que aconteceu com Orlando depois disso, ninguém sabe bem. 

Ao longo do século 20, ele percorreu dezenas de países trabalhando como bailarina em diversas companhias. Também dominou a técnica da mudança de sexo e da oscilação de gênero: ora aparecia como mulher, ora como homem. No início do século 21, cansado e angustiada com o rumo do mundo, Orlando decide esquecer toda a sua vida e apagar da memória os quatro séculos que viveu. Pressentindo que o tempo está se esgarçando ao limite, e que o passado talvez seja maior do que o futuro, Orlando se refugia num pequeno estúdio e passa a dedicar todo o seu tempo ao restauro de obras de arte.

Ao imaginar o que aconteceu com o personagem depois disso, "Quando Somos Quando" nos abre um caminho para pensar a própria natureza da Dança. Aqui, o livro se mistura às memórias reais e ficcionais dos bailarinos Maurício de Oliveira e Mariana Muniz (representada em cena por Danielle Rodrigues). E, assim como Orlando, cada dançarino carrega em seus corpos séculos de tecnologias que conhecemos como dança. O trabalho estreou em 2025 e garantiu indicações a Oliveira e Rodrigues ao Prêmio APCA 2026 pela sua atuação. O espetáculo ainda conta com a cenografia de Fernando Passetti, figurino de Ana Luiza Fay, desenho de luz de Pedro Moura e uma trilha sonora original composta pelo MaatDuo e Dudu Damazzio.  Este projeto tem o apoio do Proac Editais, do Governo do Estado de São Paulo.


Ficha técnica
Espetáculo "Quando Somos Quando"
Direção: Ines Bushatsky
Assistente de direção e dramaturgia: João Mostazo
Pesquisa dramatúrgica: Maurício de Oliveira e Mariana Muniz
Elenco: Maurício de Oliveira e Danielle Rodrigues
Voz (prólogo): Laura Paro
Direção musical: Izandra Machado e Dudu Damazzio
Violino: Izandra Machado
Harpa: Nalu Pimenta
Piano: Dudu Damazzio
Desenho de luz: Pedro Moura
Cenografia: Fernando Passetti
Design de figurino: Ana Luiza Fay
Corte e costura: Judite de Lima
Modelagem: PW L'atelier
Vestido: Polyana Wiendl
Aventais: Pontogor
Adereço: Ziane Campelo
Peruca: Eli Viegas
Videoarte: Suka
Fotos de divulgação: Victor Otsuka
Assistente de fotografia: Eduardo Pontes
Fotos do espetáculo: William Aguiar
Videografia: Thiago Capella
Mídias sociais: Lyvia Gamerc
Supervisão de acessibilidade: Joselba Fonseca
Libras: Talita Messias - Sign Consultoria e Comunicação em Libras
Concepção e direção de projeto: Tono Guimarães
Gestão de projeto: Leonardo Birche
Agradecimentos: Einat Falbel, Claúdio Gimenez Filho, Aline Assumpção, Rafaela Malta, Sarah Bernardo e toda a equipe do Núcleo de Restauração do MASP, Diego Rimaos, Eduardo Couto (Santa Marcelina), Jane Oliveira, Cássia Navas, Felipe Lemos, Victor Hugo Mattos, Alex Merino e Sala Cênica Barra Funda, Museu do Ipiranga. 

Serviço
"Quando Somos Quando", com Laboratório Siameses de Dança

Dias 16, 17 e 18 de janeiro, de sexta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h
Dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no sábado, às 20h e no domingo, às 19h
Dias 7 e 8 de fevereiro, no sábado, às 20h e no domingo, às 19h
**As sessões de sábado e domingo serão acompanhadas de interpretação em Libras e Audiodescrição.
Galpão do Folias - Rua Ana Cintra, 213, Campos Elíseos, São Paulo
Ingressos: Grátis, retirados no local uma hora antes de cada sessão ou pelo site https://www.sympla.com.br/evento/quando-somos-quando-a-partir-do-romance-orlando-uma-biografia-de-virginia-woolf/3267576?algoliaID=fec598df59a1eb236323f6272385043b
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos

sábado, 10 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Amanda Mirásci transforma a autoconfiança masculina em sátira


Amanda Mirásci usa o humor para desmontar certezas masculinas e iluminar fragilidades coletivas em cena. Foto: Julia Lego

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

E se a autoconfiança masculina - essa certeza inabalável que dispensa escuta, dúvida e autocrítica - pudesse ser sintetizada em cápsulas? Em "A Autoestima do Homem Hétero", que retorna para duas apresentações no Teatro Arena B3, em São Paulo, neste final de semana, Amanda Mirásci parte dessa provocação para construir uma comédia que ri do óbvio, expõe o cansaço feminino e transforma comportamentos naturalizados em matéria-prima de cena. Criado, escrito e protagonizado pela atriz, o monólogo, indicado ao Prêmio do Humor nas categorias Melhor Texto e Melhor Direção, aposta no riso para falar sobre comportamentos masculinos que há tempos precisam ser modificados. 

Ao interpretar Carina, uma farmacêutica que decide lançar no mercado a “pílula” definitiva da confiança masculina, Amanda cruza experiências pessoais, relatos de mulheres e observações do cotidiano para montar um espelho desconfortável, especialmente para quem nunca se reconheceu como problema. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, a atriz fala sobre humor como estratégia, ego em cena, síndrome da impostora e o momento em que a gargalhada deixa de ser defesa e vira pergunta.


Resenhando.com - Amanda, ao transformar experiências pessoais e relatos de amigas em sátira, em que momento você percebeu que o riso podia ser mais subversivo do que o confronto direto?
Amanda Mirásci - Eu sinto que o riso abre portas. O humor cria uma fresta de escuta: ele desarma, aproxima e permite que a pessoa se veja sem se sentir imediatamente atacada. Muitas vezes, rir é o primeiro passo antes de admitir: “isso aqui é comigo”. O riso não anula a crítica. Ele faz de forma mais efetiva, porque entra de forma sorrateira.


Resenhando.com - A personagem Carina cria uma pílula a partir de homens reais. Vocês temem que algum espectador saia do teatro convencido de que foi, sem saber, matéria-prima do medicamento?

Amanda Mirásci - Olha, até hoje todo homem que assistiu ao espetáculo me disse que se reconheceu em pelo menos um personagem. Muitos, com certeza, se viram em vários. Os homens retratados são reais: inspirados no meu pai, no meu namorado, em amigos que eu amo profundamente. Homens maravilhosos, mas que reproduzem comportamentos tão naturalizados que, muitas vezes, nem percebem o quanto algumas atitudes são risíveis. Do cara que foge das tarefas domésticas ao pai que só vê os filhos de quinze em quinze dias, muitos homens saem do teatro com a sensação de que, sim, foram matéria-prima dessa pesquisa.


Resenhando.com - Apresentar um monólogo tão povoado de personagens é também um exercício de controle do ego cênico. O que foi mais difícil: multiplicar identidades ou silenciar excessos?

Amanda Mirásci - Caramba, que pergunta boa. As duas coisas são difíceis, mas percebo que, quando você encontra a identidade de um personagem, os excessos tendem a se ajustar naturalmente. O grande desafio foi diferenciar tantos personagens sem cair no estereótipo vazio. A gente queria que o público se reconhecesse ali: as mulheres, pelas experiências vividas; os homens, por se verem refletidos. Como é humor, existe uma liberdade para carregar nas tintas, mas encontrar o equilíbrio entre o colorido da comédia e a verdade da identificação é um trabalho constante, que eu sigo fazendo a cada apresentação.


Resenhando.com - A peça fala de homens que explicam o óbvio, ocupam espaços e se sentem geniais por existir. Em que ponto isso deixa de ser caricatura e vira quase um documentário de costumes?

Amanda Mirásci - Quando a plateia começa a reagir antes mesmo da piada terminar. Quando escuto, do palco, algumas mulheres dizendo “já vivi isso”, enquanto os homens riem meio sem saber exatamente por quê. Acho que a caricatura vira documento quando ela organiza algo que já está espalhado na vida real. Que é comum a todos. O que parece absurdo no palco, muitas vezes, é apenas a realidade sem filtro.


Resenhando.com - Ao colocar a “síndrome da impostora” em cena, você sentiu que estava expondo uma ferida pessoal ou devolvendo ao público uma dor coletiva demais para ser individual?
Amanda Mirásci - No começo, parecia muito pessoal. Eu vivi a "síndrome da impostora" intensamente durante o processo de escrita do texto que hoje, inclusive, está indicado a um prêmio de humor! Uau! Eu estava morrendo de medo de escrever. Literalmente, tomei uma pílula de autoestima do homem hétero. Mas logo ficou claro que eu não estava sozinha. A síndrome da impostora é quase um idioma comum entre mulheres. É um autoboicote coletivo que, quando compartilhado, gera uma identificação muito potente.


Resenhando.com - O espetáculo convida homens a rirem de si mesmos. Você já presenciou risadas que soaram como defesa, e não como autocrítica?
Amanda Mirásci - Acho que só a própria pessoa, se estiver minimamente em dia com a terapia, consegue saber exatamente de onde vem a risada. Acho que a defesa é natural, especialmente depois de milênios de normalização desses comportamentos. Uma das grandes alegrias que esse espetáculo me trouxe foi perceber que existem homens dispostos a escutar o que as mulheres estão dizendo. Ainda é uma bolha, ainda há um longo caminho pela frente, mas, nessa peça, eles estão convidados a estar junto.


Resenhando.com - Se essa peça fosse montada daqui a vinte anos, o que você gostaria que tivesse envelhecido mal: os comportamentos masculinos ou a necessidade de ainda falar sobre eles?
Amanda Mirásci - Eu gostaria muito que os comportamentos tivessem envelhecido mal. Que causassem constrangimento real. Mas, sendo honesta, acho que ainda teríamos muito o que conversar. Eu brinco que essa peça pode virar tipo Harry Potter: "A Autoestima do Homem Hétero 1, 2, 3… 11". É muita coisa para falar e, principalmente, muita coisa para trocar entre mulheres.


Resenhando.com - Há um risco de o público sair do teatro querendo a pílula em vez da reflexão. O humor pode anestesiar ou, no caso de vocês, ele funciona como um leve desconforto que não passa fácil?
Amanda Mirásci - Não posso dar spoiler, mas, no fim do espetáculo, o público entende que essa pílula pode ser fatal. Então esse risco, propriamente, não existe. O que eu desejo é que as mulheres reconheçam melhor as armadilhas de certos comportamentos masculinos e, ao mesmo tempo, se olhem com mais empoderamento. A peça fala de uma fragilidade masculina escondida atrás de uma superioridade fantasiosa e, assim, celebra todas nós, mulheres, que estamos cada vez mais dispostas a olhar para dentro e para o coletivo.


Resenhando.com - “A Autoestima do Homem Hétero” fala mais sobre reinventar o feminino ou sobre desmontar a confortável fantasia masculina de que tudo já está resolvido?
Amanda Mirásci - Fala dos dois, mas talvez fale ainda mais sobre as mulheres. Sobre parar de pedir licença, parar de buscar validação onde não existe troca e começar a confiar mais na própria experiência. Ao desmontar a fantasia masculina, o espetáculo acaba iluminando o feminino. Não como algo frágil, mas como algo extremamente poderoso.


Sobre a Arena B3
Situada no Centro Histórico de São Paulo, a Arena B3 ocupa um dos prédios centenários da bolsa, antes palco dos tradicionais pregões viva-voz, e hoje se transforma em um ponto de encontro cultural com programação acessível aos finais de semana. A curadoria é assinada pela Aventura, produtora de espaços como a EcoVilla Ri Happy, Teatro YouTube, BTG Pactual Hall, Teatro Riachuelo Rio e Teatro TotalEnergies, além de musicais como "Hair", "A Noviça Rebelde", "Elis, o Musical", "Mamma Mia!" e "O Jovem Frankenstein".

Ficha técnica
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Idealização, texto e atuação: Amanda Mirásci
Direção: Martha Nowill
Colaboração dramatúrgica: Bruna Trindade e Martha Nowill
Assistência de direção: Iuri Saraiva
Direção de movimento: Julianne Trevisol
Direção de arte: Luiza Mitidieri
Visagismo: Isabella Oliveira
Trilha sonora: Aline Meyer
Luz: Júnior Docini
Preparação vocal: Verônica Machado
Direção de Produção: Marlene Salgado
Design gráfico: Harú Estúdio Criativo
Fotos: Julia Lego
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção associada: Amanda Mirásci e Marlene Salgado
Realização: Arrakasta Produções Artísticas

Serviço
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Dias 10 e 11 de janeiro – Sábado e domingo, 14h30 e 17h00
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114190/d/354261/s/2389064?
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

.: James Cameron já filmou grandes sucessos de Hollywood, saiba quais


Premiado no Oscar e dono da maior bilheteria da história, cineasta revolucionou a ação e a ficção científica nas telonas

Poucos cineastas têm uma carreira tão brilhante quanto James Cameron. Em uma trajetória que já dura mais de 40 anos, o diretor de "Titanic" (1997), "Avatar" (2009) e muito mais, construiu uma filmografia que coleciona troféus no Oscar e lidera o ranking da maior bilheteria de todos os tempos. Mesmo com todos esses recordes e honrarias, ele não planeja parar tão cedo e atualmente pode ser visto em  "Avatar: fogo e Cinzas", um dos filmes mais esperados de 2025, em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil.

A história de Cameron começa como a de muitos trabalhadores do cinema: de forma independente. Inspirado pelo lançamento do primeiro filme de "Star Wars", em 1977, ele se juntou ao amigo Randall Frakes para escrever e dirigir "Xenogenesis", curta de ficção científica financiado por dentistas e filmado na sala de casa. O projeto trouxe temas e ideias que Cameron veio a explorar no futuro – como o convívio entre humanos e robôs, alienígenas azuis e mais –, mas é mais lembrado por tê-lo levado ao lendário diretor, roteirista e produtor Roger Corman.

Na produtora de Corman, o jovem James Cameron teve seus primeiros trabalhos formais na indústria, indo desde miniaturas e efeitos especiais à direção de arte. Essas experiências renderam ao cineasta a chance de mostrar a que veio em "Piranha II: assassinas Voadoras" (1982), em que trabalharia como diretor de efeitos especiais, mas assumiu o comando quando o diretor original deixou o projeto por diferenças criativas. Infelizmente, o próprio Cameron teve sua cota de problemas com os produtores e ficou tão descontente com o resultado final que o renega ao ponto de não considerá-lo sua estreia em longas-metragens.

Se você perguntar a Cameron, ele vai dizer que estreou como diretor em "O Exterminador do Futuro" (1984). Inspirado pelo slasher "Halloween - A Noite do Terror" (1978) e por um pesadelo envolvendo um tronco metálico armado por facas, o cineasta criou a história de Sarah Connor (Linda Hamilton), uma jovem perseguida em 1984 pelo "Exterminador" (Arnold Schwarzenegger), um ciborgue enviado de 2029 para matá-la e impedir que ela dê à luz ao futuro salvador a humanidade da extinção pelas mãos das máquinas.


Arnold Schwarzenegger em "O Exterminador do Futuro"
O filme fez enorme sucesso, catapultando as carreiras do elenco e, principalmente, do diretor, que usou o reconhecimento de crítica e bilheteria para convencer executivos a deixá-lo comandar a continuação de "Alien: o Oitavo Passageiro" (1979). Ciente de que seria impossível recapturar a magia do primeiro, um clássico instantâneo do terror, ele decidiu incrementar o novo capítulo com a combinação entre ação e suspense que havia dominado no longa anterior.

O resultado foi "Aliens: o Resgate" (1986), que mostra o despertar de Ellen Ripley (Sigourney Weaver) décadas após o encontro com o Xenomorfo. Traumatizada e desacreditada, ela acaba de frente com os alienígenas novamente quando precisa embarcar em uma missão para investigar a perda de comunicação com uma colônia humana na Lua onde os ovos dos alienígenas assassinos foram encontrados.

Não é exagero dizer que James Cameron dobrou a intensidade, a tensão e o escopo em relação a "O Exterminador do Futuro", ao ponto de Aliens ser um raro caso em que a sequência é tão boa - se não melhor - que o antecessor. Todo esse capricho compensou com sucesso de público, com uma bilheteria que dobrou a de Exterminador, e de crítica, sendo o primeiro filme da carreira do diretor a ser indicado ao Oscar, levando os troféus de Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais.


Sigourney Weaver em "Aliens: o Resgate"
Com o prestígio de "Aliens: o Resgate", James Cameron decidiu explorar uma ideia antiga sobre uma de suas paixões: o fundo do mar. "O Segredo do Abismo" (1989) é um suspense que acompanha um grupo da marinha dos EUA investigando o misterioso desaparecimento de um submarino norte-americano. Porém, em vez de um possível crime de guerra, eles se deparam com algo ainda mais sinistro: alienígenas.

Assim como outros títulos da filmografia do diretor, o longa é resultado de uma produção tão ambiciosa quanto grandiosa, com 40% do filme situado embaixo d’água. Essa escolha criativa levou a desafios práticos, que vão desde gravações em gigantescos tanques de água em uma usina nuclear abandonada até um trabalho de computação gráfica que levou as possibilidades da técnica ao limite da época. Um trabalho que depois foi reconhecido no Oscar, que deu a O Segredo do Abismo o prêmio de Melhores Efeitos Visuais.

Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrantonio em "O Segredo do Abismo"
Após explorar o fundo do mar, James Cameron voltou para a superfície e, mais específicamente, para o universo que lhe abriu as portas em Hollywood. Em 1991, chegou aos cinemas "O Exterminador do Futuro 2: o Julgamento Final" (1991), que nasceu da inusitada ideia de transformar o exterminador em herói e mostrá-lo unindo forças a Sarah Connor e seu filho, John (Edward Furlong), o jovem destinado a destruir o império das máquinas que novamente tenta matá-lo enviando um ciborgue do futuro.

O longa marcou um novo auge na carreira do diretor em praticamente todos os sentidos, o que se refletiu na maior bilheteria de sua carreira até ali e a vitória em quatro categorias no Oscar, incluindo na tradicional categoria de Melhores Efeitos Visuais. A produção também firmou uma nova parceria entre o cineasta e Arnold Schwarzenegger, justamente a estrela de seu filme seguinte.

Cameron deu sequência a "Exterminador 2" com "True Lies" (1994), filme inspirado no francês "La Totale!" (1991), em que misturou ação e comédia para contar a história de Harry Tasker (Schwarzenegger), um espião do governo dos EUA que está no encalço de um grupo terrorista. Porém, durante a missão, ele descobre que a persona chata que usa como disfarce o afastou da esposa, Helen (Jamie Lee Curtis), que está cada vez mais entediada e descontente com o casamento. Harry decide levá-la na missão, em tentativa desesperada de salvar o mundo e seu relacionamento ao mesmo tempo.

Assim como "O Segredo do Abismo", "True Lies" é ofuscado por estar entre dois grandes clássicos da carreira de James Cameron. Afinal, três anos após essa comédia de ação descompromissada, o cineasta lançou nos cinemas outra de suas obras primas: "Titanic" (1997). Baseado na tragédia real do naufrágio do RMS Titanic em 1912, o longa conta o improvável romance de Rose (Kate Winslet) e Jack (Leonardo DiCaprio), casal que se conhece e vive uma avassaladora história de amor a bordo do navio. Isso é, até ele colidir com um iceberg, causando uma intensa luta por sobrevivência da qual parte da tripulação não sai com vida.

Quase 30 anos depois, o filme dispensa apresentações e isso se deve ao nível de espetáculo trazido à tela. O épico que mistura romance e desastre arrebatou o público e se tornou a maior bilheteria da história – até ser superado por outro projeto do diretor anos depois. A crítica também se rendeu ao longa, que venceu 11 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Impressionante por si só, esse número deu a "Titanic" o posto de maior vencedor da história da premiação ao lado de "Ben-Hur" (1967) e "O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei" (2003), que também levaram 11 troféus para casa.


Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em "Titanic"
Após o bombástico sucesso de "Titanic", James Cameron voltou suas atenções a duas coisas distintas. A primeira foi a direção de documentários, começando com "Fantasmas do Abismo" (2003), em que explorou os destroços do RMS Titanic com tecnologia 3D e utilizou as imagens atuais para reconstituir a aparência original do navio. O projeto foi seguido por Criaturas das Profundezas (2005), em que se uniu a cientistas da NASA e biólogos para explorar o sistema montanhoso localizado no fundo do mar para investigar como vivem criaturas nesse ambiente e como essas condições poderiam moldar espécies alienígenas.

Por trás das câmeras, Cameron se dedicou ao desenvolvimento de tecnologias cinematográficas potentes o suficiente para realizar um projeto que estava em sua mente desde a década de 1990: "Avatar". Novamente inspirado por um sonho e por histórias clássicas de aventura e ficção científica, o cineasta criou Pandora, uma lua que se torna alvo de colonização por parte dos humanos, que querem extrair uma substância valiosa. O plano colonizador coloca em risco toda a vida no local, o que leva os nativos Na’Vi a se levantarem contra a exploração com a ajuda de Jake Sully (Sam Worthington), um humano que passa a habitar um corpo Na’Vi graças ao avançado Programa Avatar.

"Avatar" chegou aos cinemas em 2009 trazendo um espetáculo que transpira trabalho e criatividade. Além do impressionante aspecto tecnológico, que possibilitou uma exibição em 3D com qualidade nunca antes vista e a criação de um mundo fantástico com uma inigualável riqueza de detalhes, a produção conta com designs de encher os olhos e até trouxe uma língua própria desenvolvida pelo renomado linguista Paul Frommer. Um trabalho que levou o público em massa aos cinemas, transformando-o na maior bilheteria de todos os tempos. Prestígio que chegou também ao Oscar, que deu ao longa três estatuetas, incluindo um prêmio de Melhores Efeitos Visuais que nunca foi tão merecido.

Zoe Saldaña e Sam Worthington em "Avatar"
Apaixonado por esse universo e seus personagens, James Cameron passou a se dedicar quase exclusivamente às aventuras em Pandora. O cineasta e sua equipe começaram a trabalhar para expandir o longa não em uma, mas em quatro sequências, focadas em desenvolver a épica jornada de Jake e sua esposa, a Na’vi Neytiri (Zoe Saldaña), enquanto exploram novos locais e culturas do planeta. A primeira continuação foi "Avatar: o Caminho da Água" (2022), que chegou aos cinemas mais de uma década após o longa original e provou que o público está mais do que disposto a acompanhar o cineasta em sua saga sci-fi. Situado anos após Avatar, a sequência acompanha Jake, Neytiri e seus filhos buscando abrigo no Povo da Água após o retorno dos humanos.

O longa abocanhou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais e arrecadou dinheiro o suficiente para se tornar a terceira maior bilheteria da história – unindo-se a um top 5 que inclui o primeiro "Avatar" (1º) e "Titanic" (4º).


Zoe Saldaña e Sam Worthington em "Avatar: o Caminho da Água"
Felizmente, os fãs não precisam esperar mais de uma década para conferir o novo capítulo dessa saga. Três anos após "O Caminho da Água", a franquia que retornou em dezembro de 2025 com "Avatar: fogo e Cinzas", longa que mostrará a família Sully lidando com o perigoso Povo das Cinzas, que renegou a pacífica cultura dos Na’Vi em favor de um caminho mais sombrio que os leva a unir força com os humanos, ainda interessados em explorar Pandora.


Ficha técnica
“Avatar: Fogo e Cinzas” | “Avatar: Fire and Ashes” (título original)

Gênero: ficção científica, aventura, ação
Classificação indicativa: 12 anos
Ano de produção: 2025
Idioma: Inglês (dublado e legendado em português no Brasil)
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet
Distribuição no Brasil: Walt Disney Studios Motion Pictures Brasil / 20th Century Studios
Duração: 3h17m
Cenas pós-créditos: não 


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As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


Cineflix Miramar | Santos | Sala 1

26/12/2025 a 30/12/2025 | Sessões legendadas | 16h40 e 20h30
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos/SP. Ingressos neste link.


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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

.: Crítica: "Bob Esponja: Em busca da calça quadrada" é história de superação

 "Bob Esponja: Em busca da calça quadrada" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em dezembro de 2025


A aventura animada em formato de longa, "Bob Esponja: Em busca da calça quadrada", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos, leva o público ao fundo do Oceano Pacífico para reencontrar a turma que habita a Fenda do Biquíni. Assim, o querido Bob Esponja calça quadrada encara uma nova missão após ficar impressionado com as palavras do chefe, o Seu Sirigueijo.

Tudo começa quando Bob finalmente alcança a altura necessária para embarcar na super montanha-russa do parque, mas, faz jus ao tom de pele e amarela com muito medo. Ao comentar sobre o ocorrido com o Seu Sirigueijo, acaba sendo aconselhado a viver uma grande aventura para provar que cresceu, ou seja, que é maduro.

Com uma interpretação super errônea, Bob Esponja leva o amigo Patrick para provar seu valor e os dois esbarram no aventureiro pirata fantasma conhecido como Holandês Voador, quem está cheio de más intenções. Percebendo que lançou Bob Esponja em águas traiçoeiras, Seu Sirigueijo arrasta o Lula Molusco na missão de salvamento e assim vão passando por toda a Fenda do Biquíni.

O longa de 1 hora e 36 minutos é entretenimento puro no colorido incrível do universo fictício que muitos cresceram amando e os mais velhos ainda assistem com total prazer. O resultado é garantia de diversão para todas as idades. O que se vê em "Bob Esponja: Em busca da calça quadrada"é um texto afiado, com piadas que fazem rir, unindo sempre o humor absurdo e a emoção. Entregando então, uma envolvente história de superação animada.

Há ainda uma surpresa, antes da animação do Bob Esponja, é exibido um curta do quarteto justiceiro que usa os esgotos de Nova Iorque como base secreta para patrulhar os telhados para combater o mal: As Tartarugas Ninja, sendo que agora eles precisam acertar as contas com a IA. Como se vê, a ida ao cinema em família vale muito a pena. Divirta-se!

O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

"Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada". (The SpongeBob Movie: Search For SquarePants). Direção: Derek Drymon Roteiro: Pam Brady, Matt Lieberman, Marc Ceccarelli Elenco (Vozes originais): Tom Kenny, Clancy Brown, Rodger Bumpass Gênero: Animação, Aventura. Duração: 1h 28. Distribuidor: Paramount País de Origem: Estados Unidos  Sinopse: A história acompanha um Bob Esponja que descobre ter crescido e agora tem 36 mariscos de altura, querendo provar que não é mais um bebê, embarcando em uma aventura com o Holandês Voador para conseguir um certificado de aventureiro, o que o leva a uma jornada inesperada em Santa Monica.

Trailer de "Bob Esponja: Em busca da calça quadrada"


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