terça-feira, 20 de abril de 2021

.: Resenha: "Fome Animal", comédia e terror gore de Peter Jackson


Por Mary Ellen Farias dos Santos


São muitos os filmes antigos esquecidos em meio a trocentas novidades fresquinhas disponíveis por aí que esbanjam efeitos tecnológicos aos sedentos pelo novo. Contudo, entre os longas com quase 30 anos está a produção de Peter Jackson, diretor de clássicos cinematográficos como a saga de "O Senhor dos Aneis", "O Hobbit" e "King Kong"

Em 1992, o diretor entregou ao público, gastando 3 milhões de dólares, o filme gore "Fome Animal"O longa de 1h 44m apresenta uma história de amor. Não somente entre Paquita (Diana Penalver) e Lionel (Timothy Balme), mas também entre Vera (Elizabeth Moody) e Lionel, ou seja, entre mãe e filho. Na verdade, a mãe não quer dividir o filho com ninguém, muito menos com uma latina. 

Ao perseguir Lionel num encontro com Paquita, no zoológico, Vera é mordida por um macaco raro e pavoroso. Acamada, a mãe precisa de toda a atenção do jovem que tenta esconder o problema da mãe que se acentua com o passar do tempo. Enquanto Lionel tenta jogar o grave problema para debaixo do tapete, até a última consequência, Vera transmite a doença a outros inocentes.


Assim, o mal começa a se espalhar pela cidade, Lionel tenta acalmar os ânimos com soluções tranquilizantes enquanto luta para não perder o amor de Paquita. O longa é cheio de sangue escorrendo pelas paredes, membros decepados. Em contrapartida, é um meio de critiar o protecionismo exarcebado de muitas mães por seus filhos já crescidos e até bem acompanhados.

"Fome Animal" não é para ser levado a sério e nem tem esse objetivo. O filme de Peter Jackson segue o estilo de outro clássico mais antigo, "A Casa do Espanto" (1986), de Steve Miner. Ambos são filmes com histórias que usam e abusam de monstros pavorosos que expelem muita escatologia e faz a trama acontecer, na maioria das vezes, dentro de casa. As fãs de terror gore com toque trash, "Fome Animal" é um prato cheio de pura diversão!



Filme: Fome Animal (Braindead)

Gênero: Terror/Comédia

Diretor: Peter Jackson

Elenco: Timothy Balme, Diana Penalver, Elizabeth Moody e mais.

Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh, Stephen Sinclair

Orçamento: 3 milhões USD

Bilheteria: 242.623 USD

Data de lançamento: 13 de agosto de 1992 (Nova Zelândia)



*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

Trailer





.: “9-1-1: #LoneStar”: 4 destaques da segunda temporada que estreia hoje


Nesta terça-feira, 20 de abril às 22h00, estreia no STAR Channel a segunda temporada do drama “9-1-1: Lone Star”. Os novos episódios da série, que acompanha um grupo experiente de bombeiros e paramédicos de Austin, no Texas (EUA), prometem trazer mais adrenalina e situações inusitadas que a primeira temporada.

A produção da dupla Ryan Murphy e Brad Falchuk ("Pose"), é um spin-off do aclamado drama de emergência “9-1-1" e, no Brasil, terá exibição de dois episódios por semana, todas as terças, no mesmo horário no canal.

E para celebrar a chegada da nova temporada, confira 4 destaques do que esperar do batalhão comandado pelo capitão Owen Strand (Rob Lowe):


PANDEMIA DE COVID-19

Assim como tem acontecido em outras produções mundiais e nacionais, a pandemia de Covid-19 será retratada na segunda temporada de “9-1-1: Lone Star”, que atualmente ainda está em exibição nos Estados Unidos. A situação traz uma nova personagem à trama: Gwyneth "Gwyn" Morgan (Lisa Edelstein), que é ex-esposa de Owen e mãe de TK. Ela chega em Austin após a hospitalização do filho e traz turbulências para a trama. Ao longo dos episódios, o ex-casal Owen e Gwyn redescobre a centelha de paixão que um dia compartilharam.

CROSSOVER COM 9-1-1

O terceiro episódio desta temporada contará com um crossover emocionante com a série original "9-1-1", quando Hen, Buck e Eddie se juntam à equipe de Owen para salvar um acampamento de adolescentes em perigo de um incêndio florestal.

NOVA INTEGRANTE

Nos 14 episódios de uma hora cada da segunda temporada, a equipe da estação 126 dá as boas-vindas à nova capitã paramédica Tommy Vega (Gina Torres, “Suits”), após a partida de Michelle Blake (Liv Tyler). Tommy estava no auge quando largou seu uniforme há oito anos para criar suas filhas gêmeas. Porém quando o restaurante de seu marido entrou em colapso devido à pandemia, ela não teve escolha a não ser retornar ao mercado de trabalho para sustentar a família. Apesar de partir seu coração estar separada de suas filhas, Tommy deve provar que ainda é uma grande capitã.

#TARLOS

O casal formado pelo bombeiro T.K. (Ronen Rubenstein) e o policial Carlos Reyes (interpretado pelo ator brasileiro Rafael Silva), apelidado pelos fãs de #Tarlos, segue agitando a trama. Ambos seguem lutando para se entender e manter o relacionamento, e dão passos importantes sobre isso.

"9-1-1: Lone Star" é produzido pela 20th Century Fox Television em colaboração com a Ryan Murphy Television e Brad Falchuk Teley-Vision. Ryan Murphy, Brad Falchuk e Tim Minear são os criadores, produtores executivos e autores da série. Além de atuar na produção executiva, Bradley Buecker dirigiu o episódio de estreia da série. Alexis Martin Woodall, Rashad Raisani e John J. Gray atuam também como produtores executivos, e o ator Rob Lowe participa ainda como co-produtor executivo.





.: Cristina Serra lança coletânea de entrevistas com grandes nomes da arte

Novo livro da escritora traz entrevistas com grandes nomes da literatura brasileira


"Entrevista", lançamento da Kotter Editorial, é o novo livro da jornalista e escritora Cristina Serra nos apresenta 12 entrevistas com romancistas e poetas brasileiros, feitas nos anos 1980, quando trabalhou para o periódico Leia, especializado em literatura e mercado editorial.

Com textos de introdução a cada uma das entrevistas, onde a autora reconstitui como as conseguiu, como foi a receptividade dos autores à jovem repórter em começo de carreira, as impressões que absorveu em cada encontro e que ficaram registradas em anotações guardadas até hoje no arquivo da jornalista.

As edições originais foram resgatadas no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP), parceira do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), que guarda a coleção completa do LEIA.  Carlos Drummond de AndradeFerreira Gullar, João Cabral de Melo NetoMário Quintana e Jorge Amado são alguns dos brasileiros entrevistados, além da chilena Isabel Allende.

Cristina conseguiu extrair dos entrevistados reflexões profundas sobre seus processos criativos e método de trabalho, sobre a literatura e o Brasil. Algumas entrevistas são marcadamente confessionais. Carlos Drummond fala de sua poesia: "São meus problemas, meus dramas, os meus sequestros, os meus complexos, a minha dificuldade de adaptação à vida, todo esse sofrimento”. Mário Quintana afirma que “poesia não deixa de ser uma forma de falar sozinho”. Gullar diz que “poesia só tem um sentido: mudar as coisas”. Jorge Amado conta que escrevia todos os dias até às 10h da manhã porque depois desse horário começava a “emburrecer”.

Segundo o professor Jaime Oliva, do IEB-USP, a entrevista já é considerada um gênero literário por vários estudiosos de literatura e, a seu ver, o livro "Entrevista" confirma esse entendimento. “Cristina faz poetas e romancistas exporem com clareza as entranhas da criação literária compondo um panorama dessa prática artística de uma geração bem relevante”.

A autora lamenta apenas ter perdido as fitas com as gravações originais das entrevistas, que ela pretendia tornar acessíveis em plataforma digital para os leitores. A umidade, porém, impossibilitou que o áudio fosse recuperado. Cristina Serra estreou na literatura com o livro “Tragédia em Mariana – A História do Maior Desastre Ambiental do Brasil”. A obra é uma investigação sobre o desastre provocado pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015.


Sobre a autora:
Cristina Serra nasceu em Belém do Pará e formou-se em Jornalismo na Universidade Federal Fluminense.  Trabalhou nas redações dos jornais Resistência, Tribuna da Imprensa, Leia, Jornal do Brasil, da revista Veja e da Rede Globo. Na TV, foi repórter de política em Brasília, correspondente em Nova York e comentarista do quadro “Meninas do Jô”, no Programa do Jô.

Em 2015, foi escalada para a cobertura do desastre em Mariana, pelo programa "Fantástico". Como escritora, lançou as obras “Tragédia em Mariana: A História do Maior Desastre Ambiental do Brasil” e “A Mata Atlântica e o Mico-leão-dourado: Uma História de Conservação”. Atualmente é colunista da Folha de S.Paulo.

Ficha técnica
Título:
"Entrevista"
Autora: Cristina Serra
Editora:
Kotter
Páginas: 168
Link na Amazon: https://amzn.to/3sxSqOr

 

.: Novidades na loja do Resenhando.com no Shopee. Vem ver!


O Resenhando tem uma loja no Shopee com itens novos e usados. Para acessar os produtos basta clicar em shopee.com.br/resenhando e conferir os produtos disponíveis para venda. Nessa junção do Portal Resenhando.com ao grande site de vendas do momento, quem sai ganhando é quem busca por precinho campeão e adora frete grátis. 

Entre os produtos cadastrados na lojinha administrada pelos Resenhanders Helder Miranda e Mary Ellen Farias dos Santos, estão cartazes de seriados como o de "Stranger Things", "The End Of The Fxxxing World 3", "Sintonia", "Sex Education" e até do filme "A Barraca do Beijo". Há também livros para venda, entre eles: dois volumes de "Walter Benjamin", "Magia e técnica, arte e política" e "Rua de Mão Única"; o livro infantil "Filhote de Cruz-Credo", de Fabrício Carpinejar; e o livro clássico "Reclam", de Goethe em alemão.

Na loja virtual há também brinquedos como um lote com os engradados dos Shopkins, miniaturas que servem para brincar, enfeitar a casa e até para colocar na ponta do lápis para estudar, além da "Lata de Shopkins" com acompanha dois exemplares do produto DTC. A lata é o espaço destinado para o armazenamento das miudezas que encantam as crianças. Outro item para os pequenos é a boneca Lullie com roupas estilo o desenho animado Frozen e até a gata Blissa, que é o bichano da Barbie em trabalho grande para a criança brincar.

O Shopee é um espaço de compras simples, realizadas na internet. Você pode buscar pelos itens, entrar em contato com o vendedor para tirar dúvidas, pagar e levar o produto. Para fazer as compras é preciso realizar um cadastro fácil e rápido. Assim, a compra pode ser feita usando cartão de crédito ou boleto bancário, além de juntar itens no carrinho de compras. 

Você compra, a gente vende e todo mundo fica bem. Visite a nossa lojinha no Shopee: shopee.com.br/resenhando!

.: Com Maria Giulia Pinheiro, espetáculo digital "A Palavra Mais Bonita", estreia


Processo de luto e incomunicabilidade é tema de espetáculo que trata da relação entre pai e filha. Foto: Mylena Sousa


A atriz Maria Giulia Pinheiro apresenta o espetáculo "A Palavra Mais Bonita", uma homenagem ao seu pai vítima de uma doença degenerativa que o deixou impossibilitado de falar antes de morrer. "A Palavra Mais Bonita" é uma performance, que mescla a prosa humorística característica dos stand-ups com o spoken word, a poesia falada. A artista se consagrou em quarto lugar na Coupe de Mónde Slam, em Paris em 2020 representando Portugal. 

Em cena, a atriz usa palavras recebidas pelo público em suas redes sociais e mistura momentos autobiográficos com os poemas criados a partir dessas palavras. Com esse mecanismo Maria Giulia cria beleza a partir da dor, de forma leve e coletiva, dando também às pessoas que estão assistindo ao espetáculo poemas com suas palavras preferidas. O espetáculo é pertinente ao momento em que estamos atravessando, pois aborda a questão da morte também sentido simbólico do luto coletivo. A curta temporada digital é de 20 a 25 de abril, terça a domingo, às 20h, pelo YouTube.

A incapacidade da fala causada por uma doença neurodegenerativa levou a poeta e performer Maria Giulia Pinheiro a criar "A Palavra Mais Bonita", projeto que apresenta traços de uma história real entre pai e filha e de como a artista aprendeu a se comunicar com seu pai quando ele perdeu a capacidade de falar. A apresentação começa a partir de palavras enviadas pelas redes sociais da atriz mesclando a prosa humorística dos stand-ups, contação de história e a poesia falada. O espetáculo foi gravado no Pequeno Ato e será transmitido pelo YouTube de 20 a 25 de abril, terça a domingo, às 20h.

A ideia começou em meados de 2018, depois que o pai de Maria Giulia, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica Bulbar (ELA), morreu em abril. A artista escreveu um post no Facebook convocando as pessoas a comentarem suas palavras preferidas. Ela teve mais de 200 retornos em poucas horas. A partir desse repertório compartilhado começou a escrever poemas. Depois levou a criação para o palco, um show-lírico em formato de jogo, no risco de fazer ao vivo com a participação da plateia. Menos de um ano depois o espetáculo estava pronto e começou a circular com apresentações em São Paulo, Lisboa (Portugal), Maputo (Moçambique) e Santiago De Compostela (Espanha).

Para as apresentações online, como o espetáculo é gravado, pediu em suas redes sociais que os seguidores enviassem as suas palavras mais bonitas. Com esse mecanismo Maria Giulia cria beleza a partir da dor, de forma leve e coletiva, dando também às pessoas que estão assistindo ao espetáculo poemas com suas palavras preferidas. O espetáculo trabalha a tensão entre os extremos, a palavra e o silêncio, a prosa e a poesia, como forma de aproximar o público do texto e exercitar a capacidade de escutar o outro. Mistura momentos autobiográficos com os poemas criados a partir das palavras enviadas pelas redes sociais.

“São três camadas narrativas: a palavra, a visão da memória e a biografia tensionada a partir da memória. Quando eu retomo o campo das memórias, tenho um filtro de um luto que se desenvolveu ao longo desse período. O luto se transforma, e, portanto, transforma essa memória. Com isso crio esse jogo do que é verdade ou ficção, pois retomar a lembrança não é viver a experiência em si. Eu falo sobre o processo, sobre o luto tentando retomar a experiência através da palavra”, explica Maria Giulia.

No palco, três elementos chamam a atenção, no proscênio, dois microfones; mais ao fundo, no centro, um retroprojetor, além de muitos papéis espalhados pelo chão. Em um microfone, Maria Giulia compartilha sua história, pensamentos e até o processo da obra. No outro, apenas as poesias reverberam.

A iluminação é composta por três plataformas que dialogam com a proposta narrativa do espetáculo. A narração biográfica ganha cores mais frias, o microfone poético tem cores mais quentes e teatrais, com lacunas e silêncios. A iluminação foi inspirada nos modelos de stand-up comedy, palestras e no quarto de escritório de uma escritora. Como se esses três espaços convivessem no palco.

O figurino utilizado em cena é constituído por roupas que simulam as do pai de Maria Giulia e que se revelam e se transformam ao longo do espetáculo, como afetos que se ressignificam ao tratarmos da ausência. Nesse jogo, Maria Giulia também brinca com o masculino e o feminino nos padrões de vestimenta, se masculinizando e, aos poucos, transformando esse vestuário de formas socialmente aceitas como femininas até o final do espetáculo.

Maria Giulia ressalta que “neste momento de luto coletivo mundial que estamos atravessando, torna-se incontornável elaborar questões que abordem temas éticos e estéticos que abarquem a morte não só no seu sentido literal, mas também simbólico – o luto coletivo.  Também no cerne do debate está a privação da fala.  A doença pandêmica que impõe a distância, a ausência de contato, do encontro, do debate, do diálogo presencial, dos afetos. É preciso entender a possibilidade de falar sobre morte, ritualizar a morte nesse momento. Eu realmente acredito que o que vai nos tornar humanos novamente é fazer o luto coletivamente para voltar o olhar para uma perspectiva de vida”, finaliza.


Sobre Maria Giulia Pinheiro
Autora de "Da Poeta ao Inevitável", pela Editora Patuá (2013), "Alteridade", pelo Selo do Burro (2016) e "Avessamento", pela Editora Urutau (2017), "30 (Poemas de Amor) para (os) 30 (Anos de Alguém que Nunca Amei Tanto Assim)" editora Urutau 2020, além de dramaturga dos espetáculos "Mais Um Hamlet", "Alteridade" e "Bruta Flor do Querer", em que também assina a direção. Fundadora do grupo teatral Companhia e Fúria, em que atua, dirige e escreve. Criadora e organizadora do ZONA Lê Mulheres, um sarau em que todas e todos podem ler, desde que textos escritos por mulheres. É performer e poeta nos espetáculos "Alteridade" e "A Palavra mais Bonita".

Co-idealizadora e apresentadora do slam "Ciranda-Jogo de Palavra Falada". Pesquisa a tradição de mulheres na arte, a importância de um Imaginário feminista, além de estruturas de comunidades livres desde 2012, quando lançou o manifesto "Por Um Imaginário". Foi Analista de Pesquisa do documento "Precisamos Falar com os Homens? Uma Jornada pela Igualdade de Gênero", realizada pela ONU Mulheres e o portal PapodeHomem, com viabilização do Grupo Boticário. Coordena o Núcleo Feminista de Dramaturgia no Pequeno Ato desde 2016. Formou-se jornalista pela Fundação Cásper Líbero e atriz pelo Teatro Escola Célia Helena, especializou-se em Roteiro para TV na Academia Internacional de Cinema e é pós-graduada no curso Arte na Educação: teoria e prática – ECA/USP.


Ficha técnica:
Espetáculo:
"A Palavra mais Bonita"
Texto, direção e atuação: Maria Giulia Pinheiro.
Direção de produção e comunicação: Danielle Cabral.
Iluminação: Luisa Dalgalarrondo.
Operação de luz: Giuliano Caratori.
Diretor técnico: Dugg Mont.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Artes divulgação: Lucas Sancho.
Gravação: Cachalote Fúria & Filmes.
Projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc.


Serviço:Espetáculo: "A Palavra mais Bonita"
De 20 a 25 de abril - Terça a domingo, às 20h.
Duração: 75 minutos.
Classificação etária: 14 anos.
Ingressos: Grátis.
Transmissão: youtube.com/mariagiuliapinheiro

.: "Sede", de Eugene O’Neill, em versão online e gratuita da Cia. Triptal


Texto escrito em 1914 e nessa montagem com direção de André Garolli traz no elenco Camila dos Anjos, Fabrício Pietro e Diego Garcias. De 23 a 30 de abril, às 21h30, no YouTube do Centro Cultural São Paulo.  

Contemplada pelo Proac Lab 36 do Estado de São Paulo a Cia Triptal avança para nova etapa com o texto SEDE, escrito em 1914 por Eugene O’Neill, propondo agora uma encenação gravada diretamente do palco do Teatro Gamaro. No elenco estão Camila dos Anjos e Fabrício Pietro, parceria bem realizada no trabalho mais recente da companhia “Inferno, Um Interlúdio Expressionista”, de Tennessee Williams. Soma-se no palco o jovem ator Diego Garcias, convidado após audição.

O diretor André́ Garolli realizou uma investigação profunda sobre a obra de Eugene O’Neill. Dirigiu diversas peças do dramaturgo, entre elas, “Luar sobre o Caribe”, "Longa Viagem de Volta para Casa”, "Macaco Peludo", “Rumo a Cardiff” (03 indicações ao Prêmio Shell, 2006) e “Zona de Guerra” (Prêmio APCA – Melhor espetáculo teatral, 2006). Com 30 anos no comando das produções da Cia. Triptal, Garolli retoma o caminho do mar que tanto inspirou a companhia.

"Sede" foi escrita apenas dois anos após o naufrágio do Titanic, o que pode ter influenciado O’Neill a escrever uma peça dessa natureza. Um Cavalheiro, uma Bailarina e um Marinheiro estão à deriva em uma balsa sem comida e água, longe das rotas comuns de navegação, cercados por tubarões e progressivamente enlouquecendo. "Sede" é uma peça sobre a luta por um sentido de humanidade em estruturas colapsadas. Qual seria a dose precisa de humanidade para a humanidade não colapsar?  

A peça aborda em muitos aspectos a natureza humana e a filosofia dos comportamentos, e isto já́ seria material suficiente para discorrer em defesa da essencialidade deste texto, porém há́ analogias circunstanciais presentes nesta obra e que ampliam sua atualidade e as possibilidades de um amplo diálogo com o público. 

"Deve ser horrível ouvir os gritos dos que estão morrendo". "O que nós fizemos pra ter que sofrer assim?". "É como se uma desgraça após a outra acontecesse pra tornar nossa agonia mais terrível". "Para isso serviram todos os meus anos de trabalho?". "Já́ não me lembro mais dos dias". "Que criaturas dignas de pena somos nós".

Estas frases reunidas aleatoriamente estão presentes no texto escrito por O’Neill. Frases que poderiam ser ditas neste episódio recente dos nossos tempos, o surto coletivo, pandêmico, enquanto buscamos no isolamento e no distanciamento chances de sobrevivência. As certezas que sempre asseguraram nossos planos e ambições colapsaram, mas as barreiras que delimitam os territórios sociais seguem inabaláveis, definindo quem entre quem será sacrificado primeiro. Estamos todos cercados. Há um inimigo invisível, letal e oportunista a espreita. Dizem que aguarda pelos mais fracos. 

Na trama Eugene O’Neill reúne em um mesmo bote salva-vidas um homem branco vestido em traje de gala (Fabrício Pietro), uma mulher branca vestida em traje elegante de uma dançarina (Camila dos Anjos) e um homem negro vestido em seu uniforme de marinheiro (Diego Garcias). Três figuras com papéis sociais bem definidos e que semanas antes ocupavam lugares distintos no navio que naufragou.

Sem demais sobreviventes à vista estão os três à deriva, em alto mar, confinados, limitados e rodeados por tubarões. Impulsivamente, cada um resgatou do navio, em tempo, um único objeto, aquele que mais lhe representa em vida, contudo todos carecem de algo mais elementar, comida e água. Só lhes resta esperar, questionar ou desesperar. 

Para a encenação inédita o time ganhou reforço de uma equipe artística completa. Beto França, parceiro de longa data da Triptal, apostou em efeitos especiais da maquiagem para desgastar o aspecto das personagens. A figurinista Telumi Hellen, estreante na companhia, propõe em sua criação a desconstrução das castas que cada personagem simboliza.

O cenário foi criado por Júlio Dojcsar propõe o isolamento e a dificuldade   entre os náufragos. A luz é uma criação de André Garolli em parceria com Sendi Moraes e estabelece um contraponto entre realidade e ilusão. A fotografia de vídeo é de Tato Vilela e a produção de vídeo da produtora Kroon.

Em 2020. a Cia. Triptal apresentou ao público uma leitura encenada do texto "Sede", com transmissão única e ao vivo pelo Facebook e YouTube. Na ocasião o trabalho foi realizado de forma remota com cada ator em sua casa. Ao apostar em uma iluminação básica e em uma linguagem simples que priorizava o entendimento do texto, a leitura alcançou ótima aceitação com 1,8 mil visualizações nas redes.


A presença do corpo negro e o pacto da branquitude
Ao conceber "Sede", O’Neill introduz a figura de um marinheiro, mas lhe atribui outra característica que é a condição de ser um marinheiro negro. Este fato não é algo que deve passar despercebido, mas que deve ser analisado de maneira minuciosa, de forma a levantar alguns questionamentos sobre a discussão racial presente no texto.

A pesquisadora Maria Aparecida Bento, em sua tese de doutorado defendida na USP, cunhou a expressão “pacto narciso de branquitude”, um acordo silencioso entre pessoas brancas que se contratam, se premiam, se protegem.  Este pacto de branquitude está presente na peça e é o que une o Cavalheiro e a Dançarina nos seus diálogos conspiratórios contra o marinheiro.

A cumplicidade que se estabelece entre os dois faz com que encontrem o “bode expiatório” perfeito para culpabilizar o negro pela morte iminente. A discussão sobre a representatividade e o protagonismo negro é uma questão que influencia o pensamento e a produção artística atual. É um debate que tem possibilitado instrumentos para disputar a narrativa da história do modo que nos foi contada e mais do que isso criar novas.

São muitas as novas dramaturgias que surgem e colocam a figura do negro em outro lugar e sob outra perspectiva, mas existem também peças de autores consagrados, como Sede em que propicia um olhar sobre a situação estrutural do negro e que merece um estudo aprofundado. 


O autor
Eugene Gladstone O’Neill (Nova Iorque, 16 de outubro de 1888 – Boston, 27 de novembro de 1953) foi um dramaturgo anarquista e socialista estadunidense. Recebeu o Nobel de Literatura de 1936 e o Prêmio Pulitzer por várias vezes. Suas peças estão entre as primeiras a introduzir as técnicas do realismo influenciado principalmente por Anton Tchekhov, Henrik Ibsen e August Strindberg. Sua dramaturgia envolve personagens que habitam as margens da sociedade, com seu comportamento desregrado, tentando manter inalcançáveis aspirações e esperanças do "milagre norte-americano".

Tendo escrito apenas uma comédia, (Ah, Wilderness!), todas as suas peças, desenvolvem graus de tragédia pessoal e pessimismo. Sua dramaturgia influenciou reconhecidamente um importante dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, além de uma de suas peças, "O Imperador Jones" ("The Emperor Jones"), ter sido o ponto de sua partida do Teatro Experimental do Negro de Abdias do Nascimento.


Ficha Técnica:

Ministério do Turismo, Secretaria Especial de Cultura e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e Cia Triptal 30 anos apresentam:


Ficha técnica
Espetáculo:
"Sede" (1914)
Autor: Eugene O’Neill
Direção artística: André Garolli
Elenco: Camila dos Anjos, Diego Garcias e Fabrício Pietro.
Voz off: Ricardo Ripa
Cenografia: Julio Dojcsar
Figurino: Telumi Hellen Yamanaka
Assistente de figurino: Mariana Morais
Visagismo e maquiagem: Beto França
Desenho de luz: André Garolli
Técnico de luz: Rodrigo Alves (Salsicha)
Técnico assistente de luz: Rafael Augusto Moreno Parra
Produção executiva: André Garolli e Fabrício Pietro
Assessoria administrativa e de produção: Maristela Bueno
Assessoria de imprensa: Morente Forte
Gerenciamento de mídias online: Carol Rossi e Fabrício Pietro
Design gráfico: Nando Medeiros
Fotografia (steel): Carla Gobbi e Catherine Gobbi
Apoio cultural: Kroon
Equipe audiovisual: Kroon - produção
Diretor de produção: Felipe Janowsky
Produtor executivo: Evandro Ragonha
Coordenadora sr. de produção: Mariana Milanez
Produtor: Bruno Sechini
Assistente de produção: Eloah Sat
Assistente de produção: Felipe Agresta (Milk)
Coordenadora de pós produção: Beatriz Hatori
Editor: Andreas Couto
Garagem filmes: suporte técnico
Diretor de fotografia: Tato Vilela
Desenho de luz: Sendi Morais
Operador de câmera: Felipe Agresta (Milk)
Operador de câmera: Arthur Machado
Técnico de som: Ivan Muniz


Greyhound media - transmissão
Diretor de transmissão:
Mário Costa Junior


Equipe Teatro Gamaro:
Conservação:
Dayane Louise Oliveira
Coordenadora: Monize Bueno
Analista de eventos PL: Thiago Cavalcante


Equipe protocolo Covid-19
Enfermeira:
Majorie Santos
Consultoria Covid-19: BioSafe
Laboratório testes Covid-19: Mendelics
Comercial Mendelics: Aline Bastos
Comercial Mendelics: Kleber Silva
Serviço de catering: Food Film
Fiscal de set – Protocolo Covid: Eloah Sat


segunda-feira, 19 de abril de 2021

.: Diário de uma boneca de plástico: 19 de abril de 2021

Querido diário,

Hoje é 19 de abril... Quando celebramos o "Dia do Índio", o aniversário de 80 anos do cantor da Jovem Guarda Roberto Carlos e também da escritora Lygia Fagundes Telles que faz 98 anos. 

Diário, há alguns anos, aqui ao lado, em Santos, aconteceram algumas edições de uma "Feira de Livros" que logo virou uma "Feira de Escolas Particulares"... Bem, quando ainda era como que uma "Bienal do Livro", no quesito qualidade, a minha dona "topou" com a escritora Lygia Fagundes Telles, no banheiro desse evento.

Sabe quando se fica em choque? Foi o que aconteceu com ela! Só olhou bem nos olhos da escritora e abriu um super, super sorriso que foi retribuído com alguma palavra delicada, mas pelo nervoso e o passar do tempo se perdeu.

Minha dona só diz lembrar de que ela é "linda, linda"! 

Ah! Minha dona e o marido também foram ao show do Roberto Carlos... Lembra da época em que ele fez sucesso com a música "Grude"?! Pois é! Foi bem por esse tempo aí...

E o Índio? Bem, minha mãe que é branquinha, branquinha diz com todas as letras que um dos bisos dela era índio!

Enfim... Tem coisas que acontecem na vida que não tem preço, né?

E a hoje a música "É o amor" completa 30 aninhos... Huhuhu!!

Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,

Donatella Fisherburg




.: "Roberto Carlos - Por Isso essa Voz Tamanha", de Jotabê Medeiros


Ídolo de muitas gerações, Roberto Carlos, que completa 80 anos nesta segunda-feira, dia 19, tem sua vida e obra apresentadas por Jotabê Medeiros. Livro é uma bem-sucedida tentativa de compreender um dos maiores nomes de nossa música.

Ninguém na música brasileira foi — e ainda é — mais popular do que Roberto Carlos. As dezenas de milhões de discos vendidos, a onipresença na televisão desde os anos 1960, os trunfos artísticos e os dramas pessoais, a figura pública reservada, a religiosidade, as brigas na justiça — todos esses fatos são públicos e notórios. 

Mas são poucas as fontes acessíveis — não apenas a seus inúmeros fãs, mas também a qualquer interessado na cultura brasileira — capazes de traçar, sem arroubos de tiete ou cores sensacionalistas, o percurso desse artista singular. Publicada no momento em que Roberto Carlos completa 80 anos, "Roberto Carlos: Por Isso Essa Voz Tamanha", biografia de Jotabê Medeiros, consegue justamente isso.

Autor de consagrados livros sobre Belchior e Raul SeixasJotabê se aprofunda na formação musical do artista, desde a infância em Cachoeiro de Itapemirim e os primeiros passos cantando à moda de João Gilberto, até a explosão como líder do incipiente rock nacional e os hits que ao longo de décadas emplacou entre os mais ouvidos do país.

Ao contrário da bossa nova, de origem burguesa e universitária, o rock no Brasil surgiu na periferia carioca. O ritmo chegou pelas mãos de jovens talentosos, atentos ao que acontecia nos Estados Unidos, mas que atravessavam a cidade de ônibus para trabalhar e estudavam à noite. Este livro percorre o universo suburbano por onde Roberto Carlos circulava no início dos anos 1960, pouco antes de estourar no rádio, com Splish splash e É proibido fumar, e na televisão, à frente da Jovem Guarda. 

Os programas de rádio do Rio e de São Paulo que pegavam fogo, as bandas de rock que se multiplicavam arrastando multidões, o impacto comportamental e publicitário do iê-iê-iê, os ecos na personalidade metódica e na carreira construída com esmero, as amizades e turbulências com Tim Maia, Erasmo Carlos e o exuberante Carlos Imperial, tudo isso salta com vigor destas páginas — e com a verve de um jornalista musical tarimbado que testemunhou boa parte do que narra no livro.

"Roberto Carlos: Por Isso Essa Voz Tamanha" é uma biografia musical interessada em compreender a complexidade de um ídolo. É um livro que o debate cultural brasileiro há tempos faz por merecer. 


O autor
Nascido em 1962, na Paraíba, o repórter e crítico musical Jotabê Medeiros já atuou na Veja São Paulo e nos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. É autor de "Belchior: Apenas Um Rapaz Latino-americano" (2017) e "Raul Seixas: Não Diga que a Canção Está Perdida" (2019), ambos publicados pela Todavia

Ficha técnica
Título: "Roberto Carlos: Por Isso Essa Voz Tamanha"
Autor: Jotabê Medeiros
Gênero:
não-ficção brasileira
Categoria: biografia
Capa: Elohim Barros e Renata Mein
Páginas: 512
Formato: 13,5 × 20,8 × 2,9 cm
Peso: 635 gramas
Link na Amazon: https://amzn.to/3sv8T5N

.: Roberto Carlos pela crítica: "Querem Acabar Comigo", livro de Tito Guedes


O livro "Querem Acabar Comigo" (Máquina de Livros), publicação de Tito Guedes que conta a trajetória de Roberto Carlos pelo olhar da crítica musical, que chega às principais livrarias e sites do país quando ele completa 80 anos. No formato impresso e em e-book, o livro é um retrato da obra do Rei a partir de uma perspectiva inédita — do modo como os jornalistas especializados escreveram durante a trajetória do cantor.

Desde a Jovem Guarda, Roberto Carlos é um sucesso de público e fenômeno de vendas. A crítica musical, porém, demorou a lhe esten- der o tapete vermelho. A maior parte do tempo ele foi visto como um cantor alienado, brega, carola e acomodado. Chegou a ser rotulado como “debilóide”. Para contar a trajetória do mais bem-sucedido nome da música brasileira de todos os tempos, sob o ponto de vista da imprensa especializada, o pesquisador Tito Guedes garimpou cen- tenas de resenhas publicadas desde os anos 60 até hoje. O resultado é "Querem Acabar Comigo", um retrato da obra do Rei a partir de uma perspectiva inédita.

Em mais de meio século de carreira, Roberto viveu uma relação difícil com a crítica, pouco generosa em suas análises e na contramão da crescente popularidade do ídolo. "Querem Acabar Comigo" mostra, curiosamente, que os raros momentos de trégua se deram quando medalhões da MPB abraçaram o cantor: na Tropicália, com Caetano Veloso à frente; com o LP de Nara Leão com repertório todo do cantor no fim dos anos 70; ou quando Maria Bethânia gravou um aplaudido tributo ao Rei. E a mesma crítica que no início da carreira de Roberto defenestrou o iê-iê-iê e seus primeiros sucessos românticos, décadas depois exaltaria canções desta fase, classificando-a como “obra-prima”.

"Querem Acabar Comigo" é fruto de uma pesquisa extensa de Tito Guedes, que trabalha no Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB). O autor pinçou textos sobre os álbuns de Roberto Carlos publicados em grandes veículos como Folha de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Manchete e Veja. Muitas dessas resenhas foram assinadas por jornalistas, escritores e críticos de prestígio, entre eles Sérgio Cabral, Flavio Marinho, Augusto de Campos, Fausto Wolff, José Miguel Wisnik, Antonio Carlos Miguel, Tárik de Souza, Jotabê Medeiros, Mauro Ferreira e Carlos Calado.

Como destaca no prefácio outro jornalista consagrado, Arthur Dapieve, "Querem Acabar Comigo" “não é tanto sobre a carreira do cantor e compositor consagrado na Jovem Guarda – embora, naturalmente, ela seja indiretamente historiada a cada linha – e sim o modo como os jornalistas especializados a comentaram”. Editado pela Máquina de Livros, Querem acabar comigo chega às principais livrarias e sites do país às vésperas de Roberto Carlos com- pletar 80 anos, no formato impresso e em e-book.


Ficha técnica:
Título: "Querem Acabar Comigo – Da Jovem Guarda ao Trono, a Trajetória de Roberto Carlos na Visão da Crítica Musical"
Autor:
Tito Guedes
Editora: Máquina de Livros
Páginas: 144
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.: Resenha de "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria"

 

Por: Mary Ellen Farias dos Santos


O livro "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria", escrito pelo pastor Yago Martins e publicado pela Editora Record em 252 páginas incomoda ao trazer à tona a realidade dos moradores de rua, fato para o qual muitos insistem em tapar os olhos. Martins foi além ao se disfarçar de mendigo para entender como é a vida que ninguém deseja ter. Assim, retrata também a economia que mantém essa roda problemática a girar sem parar.

O livro dividido em três partes: "As Duas Filhas da Sanguessuga", "As Ruas Escuras da Alma" e "O Cadáver da Fé", é composto por sete capítulos, além de apresentar um texto de introdução e conclusão. "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria" expõe em letras garrafais que a miséria de um, na verdade "uns", pode ser o ganha-pão do outro. "Claro que nem toda pessoa que paga suas contas através do gerenciamento de ações de caridade possui sentimentos oportunistas, mas é de espantar que existem tantos profissionais da caridade que se esforçam em propagar as ideias políticas mais famosas por manter pessoas na pobreza durante mais tempo. Se, nestes casos, isto for mesmo proposital e pensado, há uma genialidade macabra na indústria da generosidade", expõe o autor.

Escrita pela ótica do pastor, a obra também apresenta relatos como o de Soares, policial militar de 59 anos, que vive na rua há três. "A mulher morreu de leptospirose. Ele não teve coragem de ir ao enterro. Diz que pegou o carro do filho, acelerou o máximo que pôde e bateu em um poste. Dias de coma e algumas cirurgias. [...] Foi do hospital direto para a rua porque não aguentava olhar para os filhos.

Yago Martins registra em "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria" que tentou comer lixo, mas vomitou. "Vomitei por comer o que para outros é dejeto. Vomitei pelo que aquilo representava, não pela alimentação em si. Tenho ânsias de vômito só de escrever isto". Contudo, o morador de rua Marcelo revela comer lixo e não vomitar. "Para ele é natural. O que precisa acontecer no psicológico de uma pessoa para que ela consiga se contentar em comer dejetos domésticos?"

A obra é um estudo que retrata a vida do homem nas ruas e conscientiza a respeito das variantes que levam a essa sobrevivência. "Não somos tão diferentes de mendigos. A tentativa humana de fugir da inevitabilidade da morte através de um apego cada vez maior à existência terrena é tão fútil e fracassada quanto as braçadas de desespero de quem tenta se agarrar às ondas para evitar o afogamento. Todos vamos morrer. Mais que isso, todos já estamos morrendo. E, considerando a brevidade da vida humana, sempre é mais cedo, nunca mais tarde. Numa perspectiva a longo prazo, todas as expectativas de vida tendem a zero."

"A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria" é um livro que expõe um problema que, geralmente, insiste em ser jogado para debaixo do tapete. A publicação destaca a brevidade da vida humana, o apego excessivo à futilidade e a necessidade de ver o próximo como alguém que pode precisar de sua ajuda. No entanto, usa a ideia do trabalho de entidades religiosas voltado a esse público, ainda que o Brasil seja um país laico. "O trabalho e sua teologia podem ser úteis no estabelecimento so senso humano de dignidade cósmica".

Ao analisar os efeitos colaterais da caridade durante o ano em que viveu nas ruas, mesmo sem muita fundamentação teórica, o autor apega-se a própria visão diante do que experienciou. Por outro lado, Yago Martins lança luz a um tema esquecido. 

Autor: Yago Martins é pastor batista e autor de cinco obras sobre cristianismo. Dá aulas de teologia e de economia em níveis de graduação e pós-graduação em Fortaleza, São Paulo e Brasília, além de palestras por todo o Brasil e América Latina. É formado em Teologia pela Faculdade Teológica Sul-Americana (Londrina/PR), especialista em Escola Austríaca de Economia pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro (São Paulo/SP) e estudante do Sacrae Theologiae Magister (Th.M) em Teologia Sistemática do Instituto Aubrey Clark (Fortaleza/CE). É presidente do Conselho da Missão GAP, membro do corpo de especialistas do Instituto Ludwig von Mises Brasil e apresentador do canal Dois Dedos de Teologia no YouTube.

Livro: A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria, O Pastor que Fingiu Ser Morador de Rua Explica Por Que Nossas Tentativas de Vencer a Pobreza Continuam Fracassando

Autor: Yago Martins

Editora Record

252 páginas

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*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

.: "Lucky: Uma Mulher de Sorte" estreia no Cinema Virtual na próxima quinta


Mulher perseguida por mascarado dá o tom de terror para o filme, que chega com exclusividade à plataforma dia 22 de abril.

O longa do gênero terror "Lucky: Uma Mulher de Sorte" estreia no  Cinema Virtual na próxima quinta-feira, 22 de abril. Protagonizado por Brea Grant, que também assina o roteiro, o filme conta a história de uma popular escritora de livros de autoajuda, que é perseguida todas as noites por um homem mascarado. Sem contar com a ajuda de outras pessoas, ela tem de enfrentar o desconhecido sozinha. 

Exibido no SXSW 2020, “Lucky – Uma Mulher de Sorte” é dirigido por Natasha Kermani. A direção é de Natasha Kermani. No elenco, Brea Grant, Dhruv Uday Singh, Leith M. Burke. Para assistir aos filmes, o público pode acessar a plataforma pelo NOW ou escolher a sala de exibição preferida em www.cinemavirtual.com.br e realizar a compra do ingresso. O filme fica disponível durante 72 horas para até três dispositivos.
 
Outros 11 filmes também estão disponíveis no Cinema Virtual: "Doce Obsessão", "Uma Mulher Inesquecível", "Terminal Sul", "Prisioneiro Espacial", "A Poucos Passos de Paris", "Um Amor Proibido", "Mambo Man - Guiado Pela Música", "O Muro", "A Jornada de Jhalki", "O Mistério de Frankenstein", "Inteligência Artificial - Ascensão das Máquinas".

#CinemaVirtual #EliteFilmes #Trailer #Lançamento #Now #ClaroNow #Lucky

.: Nicole Marangoni para apresenta o monólogo "EU|TELMA" nesta quarta


Grátis e online, a atriz Nicole Marangoni apresenta o monólogo "EU|TELMA", direto de São Paulo, dentreo da programação teatral do projeto #EmCasaComSesc. Foto: Rafael Latorre


Nesta quarta-feira, dia 21, às 19h, o Teatro #EmCasaComSesc recebe a atriz Nicole Marangoni para apresentar o monólogo "EU|TELMA", direto de São Paulo. O espetáculo, com concepção geral, direção, dramaturgia e atuação de Nicole, mescla depoimentos ficcionais e autobiográficos que permeiam a temática da morte. A partir de uma experiência particular (os cuidados de fim de vida de seu pai), a atriz desenvolve a narrativa ficcional de Telma, uma cuidadora de idosos que perdeu a mãe prematuramente e vive com seu pai jardineiro. 

Em ambos os planos narrativos, as personagens se encontram num instante de fragilidade e vulnerabilidade, porém, sem deixar de trocar benquerença e carinho com quem está partindo. A obra busca ressignificar o conceito da morte. Após a exibição, acontece um bate-papo com Nicole Marangoni, sendo a mediação da pesquisadora Naiene Sanchez Silva. Classificação indicativa: 16 anos.. 

No ar desde maio do ano passado, a programação Teatro #EmCasaComSesc segue em 2021 com espetáculos diversificados, sempre mesclando artistas, companhias e grupos consagrados no cenário brasileiro com as novas apostas. As apresentações seguem às quartas-feiras e aos domingos, sempre às 19h, no Instagram Sesc Ao Vivo e no YouTube Sesc São Paulo .

Em conformidade ao anúncio do Governo de São Paulo, que reclassificou todo o estado para a fase mais restritiva da quarentena onde são permitidas apenas atividades essenciais, as transmissões do #EmCasaComSesc serão realizadas da residência ou estúdio de trabalho dos artistas, seguindo todos os protocolos de segurança.

A série #EmCasaComSesc teve início em abril de 2020, com um conjunto de transmissões ao vivo das linguagens de Música, Teatro, Dança, Crianças e Esporte - que somaram 13,5 milhões de visualizações, até dezembro do ano passado, no total de 434 espetáculos. Transmissões ao vivo acontecem no YouTube do Sesc São Paulo e no Instagram do Sesc Ao Vivo: youtube.com/sescsp e instagram.com/sescaovivo.

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