terça-feira, 5 de agosto de 2025

.: Musical "Brenda Lee e o Palácio das Princesas" faz nova temporada


Considerada referência na luta pelos direitos LGBTQIA+, a ativista Brenda Lee (1948–1996) é homenageada no musical, que ganhou os prêmios APCA de melhor peça, Bibi Ferreira de melhor roteiro e atriz revelação em musicais, além do Prêmio Shell de melhor atriz para Verónica Valenttino: Laerte Késsimos 


Com uma trajetória de muito sucesso, o musical "Brenda Lee e o Palácio das Princesas" faz nova temporada em São Paulo no Teatro Vivo a partir do dia 5 de agosto de 2025. O trabalho tem dramaturgia e letras de Fernanda Maia, direção e figurinos de Zé Henrique de Paula e música original e direção musical de Rafa Miranda.  O musical traz em cena seis atrizes transvestigêneres: Verónica Valenttino, Olivia Lopes, Tyller Antunes, Andrea Rosa Sá, Elix e Leona Jhovs, além do ator cisgênero Fabio Redkowicz. A orquestra é formada por Rafa Miranda (piano), Juma Passa (contrabaixo), Rafael Lourenço (bateria) e Carlos Augusto (guitarra e violão). Já a preparação de atores é assinada por Inês Aranha e a coreografia por Gabriel Malo.

Ao contar a história da travesti Caetana, que ficaria conhecida como Brenda Lee, o espetáculo cria uma discussão sobre a luta das travestis nas ruas de São Paulo, a escassez de oportunidades que as impele à prostituição e como foram apoiadas pela protagonista. Brenda nasceu em Bodocó (PE) em 1948, e mudou-se, aos 14 anos, para São Paulo, onde trabalhou com a prostituição até meados dos anos 1980, quando decidiu comprar um sobrado no Bixiga e abrir uma pensão para acolher travestis em situação de vulnerabilidade, muitas das quais estavam infectadas pelo vírus HIV/AIDS. 

O espaço foi muito importante porque, na época, como se sabia muito pouco sobre a epidemia, a maioria das travestis soropositivas estava condenada ao preconceito, à violência, ao abandono e à solidão. E, por esse trabalho essencial, a ativista passaria a ser conhecida como “anjo da guarda das travestis”. Mais tarde, o centro de apoio à população trans seria reconhecido como a primeira casa de acolhimento a pessoas com HIV/Aids no Brasil. Chamada de Palácio das Princesas, a instituição firmou convênios com a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e com o Hospital Emílio Ribas. E graças a um trabalho conjunto, essas entidades aprimoraram a forma de atender pacientes soropositivos, independentemente de gênero, sexo, orientação sexual e etnia.

Aos 48 anos, em 28 de maio de 1996, no auge de seu projeto, Brenda foi assassinada e encontrada no interior de uma Kombi estacionada em um terreno baldio, com tiros na região da boca e no peitoral. O crime teria sido motivado por um golpe financeiro cometido por um funcionário da casa. Em 2008, foi criado o “Prêmio Brenda Lee”, que contempla personalidades que se destacam na luta contra o HIV e prevenção da Aids.

A criação deste musical é uma continuidade das pesquisas do Núcleo Experimental sobre as possibilidades de interação entre música e teatro. Além disso, consolida a trajetória do grupo como criador de musicais originais brasileiros e comemorou os 10 anos de existência da sede do grupo na Barra Funda

“Contar a história do 'Palácio das Princesas' é não só manter viva a memória de Brenda Lee, mas retratar uma mulher trans protagonista em sua luta e ativismo. Com a criação deste musical, também pretendemos diversificar o grupo de artistas que trabalham com o Núcleo Experimental, empregando musicistas, atrizes, criativos e técnicos transexuais e transgêneros. Este projeto significa mais oportunidades para uma população discriminada no mercado de trabalho”, conta Fernanda Maia.

E a dramaturga ainda completa: “O Núcleo Experimental tem consolidado uma obra em que o musical aparece não somente como diversão, mas como uma forma de arte que pode também refletir e discutir a sociedade. Um espetáculo composto por atrizes transvestigêneres, sobre uma importante travesti no panorama do surgimento da Aids e do fim da ditadura militar nos anos 80 significa colocar no centro do processo artístico criativo quem sempre esteve às margens. Fazer isso sob forma de musical significa atingir um tipo de público não habituado às histórias da população trans, contribuindo para a diminuição do apartheid social em que nos encontramos”. Compre o livro "Brenda Lee e o Palácio das Princesas", de Fernanda Maia, neste link.


Concepção
A dramaturgia alia três planos. O primeiro deles é o dos números musicais, que faz uma homenagem às antigas boates da noite paulistana que nos anos 80 foram um porto seguro da população transgênero e geraram oportunidades de trabalho para as travestis. Neste plano, as meninas da casa da Brenda contam suas histórias pregressas e falam de seus sonhos e objetivos através de canções. Há também o plano da história cronológica em que Brenda abre mão do sonho de ter seu “Palácio das Princesas” para poder acolher as amigas que estavam doentes, e o plano das entrevistas.

“Na dramaturgia, inserimos transcrições de entrevistas reais de Brenda Lee colhidas de registros em vídeo na internet. Nestas entrevistas ela conta quem é, fala sobre sua família, sobre a prostituição, sobre como amealhou um patrimônio e o colocou à disposição de outras amigas. Fala sobre o trabalho na casa e sua relação com a morte. As moradoras da casa de Brenda Lee (Isabelle Labete, Ariela del Mare, Blanche de Niège, Raíssa e Cynthia Minelli) foram inspiradas pelas princesas de contos de fadas, em alusão ao apelido da casa. Suas histórias foram construídas a partir dos relatos de travestis reais através da nossa pesquisa”, explica Fernanda Maia.

“Conseguimos um material bibliográfico de apoio, além de depoimentos de pessoas que conheceram pessoalmente Brenda Lee, foram moradoras ou trabalharam na casa. Duas dessas pessoas foram os médicos Jamal Suleiman e Paulo Roberto Teixeira. O Dr. Jamal Suleiman é infectologista e ainda trabalha no Hospital Emílio Ribas. Ele conheceu Brenda Lee quando ela levava suas moradoras ao hospital, no início da epidemia. Como o Hospital ainda não possuía uma estrutura especializada no atendimento de HIV/Aids e como os médicos e enfermeiros não possuíam preparo para o atendimento da população transvestigênere, ainda muito marginalizada, ofereceu-se para atender dentro da casa de Brenda. O Dr. Paulo Roberto Teixeira, infectologista, atualmente aposentado, foi um dos pioneiros no enfrentamento da epidemia de Aids no Brasil. Graças ao seu esforço incansável e à sua luta pela quebra de patentes, os medicamentos antirretrovirais são distribuídos gratuitamente pelo SUS”, acrescenta.

As canções originais do musical têm elementos de brasilidade aliados à contemporaneidade, tendo como referência compositores queer, transgêneros e não binários. Bases eletrônicas deverão aludir à boate, mas as canções das personagens terão contornos melódicos elaborados e harmonias que reforcem o aspecto afetivo da canção. Num grande número final, as “filhas de Caetana” cantam suas vitórias e celebram sua grande protetora, que abriu caminho para que elas pudessem ter uma vida melhor.


Sinopse de "Brenda Lee e o Palácio das Princesas"
O musical "Brenda Lee e o Palácio das Princesas" é uma obra de ficção, inspirada na história de Brenda Lee.  O musical acompanha a mudança da pensão para travestis de Brenda, para a primeira casa de apoio para pessoas com HIV/Aids do Brasil, um local de acolhimento e segurança para pessoas tratadas com violência pela sociedade. Seu trabalho e dedicação deram a Brenda o título de o “anjo da guarda das travestis”.


Ficha técnica
Musical "Brenda Lee e o Palácio das Princesas"
Dramaturgia e letras: Fernanda Maia
Direção: Zé Henrique de Paula
Direção musical, música original e preparação vocal: Rafa Miranda
Elenco: Verónica Valenttino, Olivia Lopes, Tyller Antunes, Andrea Rosa Sá, Elix, Leona Jhovs e Fabio Redkowicz
Orquestra: Rafa Miranda (piano), Juma Passa (contrabaixo), Rafael Lourenço (bateria) e Carlos Augusto (guitarra e violão)
Design de som: João Baracho
Operação de som: João Baracho e Guilherme Zomer
Microfonista: Mateus Dantas
Design de luz e operação: Fran Barros
Figurinos: Ùga AgÚ
Preparação de atores: Inês Aranha
Coreografia: Gabriel Malo
Cenografia: Bruno Anselmo
Cenotécnico: Jhonatta Moura
Visagismo (cabelos e maquiagem): Dhiego D’urso
Coordenação de produção: Laura Sciulli
Produção: Victor Edwards
Design gráfico e artes: Laerte Késsimos
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Mídias sociais: 1812 comunicação


Serviço
Musical "Brenda Lee e o Palácio das Princesas"
Teatro Vivo: Avenida Dr. Chucri Zaidan, 2460
Terças e quartas, às 20h00
De 5 de agosto a 1° de outubro
* não haverá sessões nos dias 6, 26 e 27 de agosto
Vendas: Sympla
Ingressos: R$ 100,00
10 ingressos grátis por dia para pessoas trans. O formulário para solicitação dos ingressos será disponibilizado na rede social oficial do Núcleo Experimental todas as sextas-feiras anteriores às sessões da semana seguinte.

.: Espetáculo "Rumboldo", adaptação da obra de Eva Furnari, no Sesc Bom Retiro


Com direção de Rhena de Faria e texto de Eloisa Elena, espetáculo narra saga de um reizinho autoritário e com mania de poder. Fotos: Andréa Pasquini

Os delírios e manias de um pequeno monarca autoritário são mote de "Rumboldo", novo espetáculo infantil da premiada companhia Barracão Cultural, que, desta vez, adapta a obra homônima de Eva Furnari. O espetáculo estreia no Sesc Bom Retiro no dia 10 de agosto de 2025.

A peça tem texto de Eloisa Elena e direção de Rhena de Faria. E, no elenco, estão Caio Teixeira, Eloisa Elena, Leandro Goulart e William Simplício. A produção é possível graças ao ProAC 2024 - Montagem para público infantojuvenil, por meio da Secretaria de Cultura, do Governo do Estado de São Paulo. 

A trama narra a história de um príncipe que, ao herdar o trono, após a morte repentina de seu pai, o respeitado e querido Rei Rusbão, perde-se em seus desmandos e delírios de poder, criando leis absurdas e condenando à prisão todos aqueles que contestam suas decisões. Após levar à cadeia todo o reino, Rumboldo se vê sozinho, desprotegido e percebe que todos os seus súditos estão vivendo bem e felizes na Torre de Pedra, onde foram presos. 

A narrativa de Furnari se apresenta como um mote perfeito para pôr em pauta os perigos e consequências do exercício autoritário do poder. “Nos últimos anos vimos o fortalecimento de discursos anti-democráticos na esfera política mundial, gerando efeitos transversais que perpassam as relações interpessoais e coletivas, moldando e validando atitudes de intolerância e segregação na sociedade. Diante disto, acreditamos que se faz necessário trazer a reflexão sobre os efeitos do poder autoritário para o público infantil”, comenta Eloisa Elena.

A dramaturgia traz uma linguagem leve e ágil, que serve de base para o jogo da encenação, que explora as técnicas de improviso e os jogos de palhaçaria. Em cena, quatro intérpretes se revezam nas personagens, manipulam e conduzem a cenografia e cantam e tocam os instrumentos da trilha sonora de Morris, composta por canções executadas ao vivo. Compre o livro "Rumboldo", de Eva Furnari, neste link.


Sobre a Barracão Cultural
A Barracão Cultural é um núcleo de criação e produção que tem como proposta realizar projetos que priorizem a pesquisa de temas e de linguagem, que sejam acessíveis e atendam a diferentes públicos. Formado por alguns parceiros fixos e outros convidados a integrar cada trabalho, desenvolve há 24 anos um exercício permanente de criação e produção de espetáculos, que obtiveram excelente acolhida de crítica e público. 

Entre os espetáculos que fazem parte do repertório do grupo, estão “Trilha para as Estrelas” (2024),  “O Passarinho que Não Sabia Voar” (2023), “Jogo de Imaginar” (2022), “Um Arco-íris Colorindo o Céu” (2022), “Nós” (2019), “Entre” (2019), “On Love” (2017), “Já Pra Cama!”  (2015), “A Condessa e o Bandoleiro” (2014), “Facas nas Galinhas” (2012), “O Tribunal de Salomão e o Julgamento das Meias-verdades Inteiras” (2011), “Cacoete” (2008) e “A Mulher que Ri” (2008).


Ficha técnica
Espetáculo infantil "Rumbolo"
Texto: Eloisa Elena
Direção: Rhena de Faria
Elenco:  Caio Teixeira, Eloisa Elena, Leandro Goulart e William Simplício
Canções e direção musical: Morris
Cenário e Iluminação: Marisa Bentivegna
Figurino: Marichilene Artisevskis
Coordenação técnica e operação de som: Maurício Mateus
Operação de luz: Le Carmona
Preparação Corporal: Maurício Flórez
Adereços: Tetê Ribeiro
Bonecos: Ivaldo de Melo
Assistência de produção: Ale Picciotto
Produção e Realização: Barracão Cultural


Serviço
Espetáculo infantil "Rumbolo", com Cia. Barracão Cultural
Sesc Bom Retiro
Apresentações: 10 de agosto a 21 de setembro de 2025
Domingos, às 12h00
*Sessão extra no dia 18 de setembro, às 15h00
Inteira R$ 40,00 / Meia-entrada R$ 20,00 / Credencial Plena: R$ 12,00
Classificação: livre
Duração: 55 minutos

.: Livro transforma a eterna batalha pelo descanso em divertida odisseia familiar


Indicado como um presente inusitado para o Dia dos Pais, o livro "O Cochilo do Papai", publicado pela VR Editora, autora e ilustrador Vanessa BarbaraLalan Bessoni narram uma história que todo pai, em algum momento, já viveu: a eterna batalha entre tirar uma soneca e cuidar de uma filha com energia suficiente para atravessar continentes e até planetas. Lelé, a pequena protagonista, não aceita a ideia de ver alguém dormindo numa tarde preguiçosa. A partir daí, a imaginação dela entra em ação e começa uma perseguição hilária: do sofá à poltrona do vovô, da rede da titia ao trono do Rei da Inglaterra, até culminar em uma missão espacial que desafia a gravidade.

Com texto afetivo, leve e bem-humorado, Vanessa, premiada autora conhecida por transitar entre o jornalismo e a literatura, cria diálogos espertos e situações que divertem crianças e arrancam sorrisos dos adultos. As ilustrações de Lalan acompanham o ritmo com charme e inventividade, acendendo as peripécias encantadoras de Lelé com cores intensas e cenas mirabolantes. Este lançamento da VR Editora é daqueles livros que fazem pais e filhos rirem juntos, além de ser um lembrete aos adultos sobre o poder das pequenas presenças.

Indicado para leitura compartilhada a partir dos quatro anos, "O Cochilo do Papai "é um retrato afetuoso de uma relação paternal especial – daquelas em que até o cansaço entra na brincadeira e vira uma oportunidade de conexão. Afinal, quem precisa de descanso quando se pode brincar de nave espacial? Compre o o livro "O Cochilo do Papai", de Vanessa Barbara e Lalan Bessoni, neste link. 


Sobre a autora
Vanessa Barbara nasceu em São Paulo, em 1982. É jornalista e escritora, autora de onze livros de diferentes gêneros, como Noites de Alface (Prix du Premier Roman Étranger, na França), Operação Impensável (Prêmio Biblioteca do Paraná) e O Livro Amarelo do Terminal (Prêmio Jabuti). Entre os infantis, publicou Mamãe Está Cansada (Companhia das Letrinhas, 2023) e A Grande Invenção (FTD, 2025), entre outros. É colaboradora do The New York Review of Books e do The New York Times. Compre os livros de Vanessa Barbara neste link.

Sobre o ilustrador
Lalan Bessoni
é ilustrador e trabalha em casa, cercado de papéis, tintas e lápis de cor e muitas plantinhas. A parte que ele mais gosta em seu trabalho é a de desenhar para crianças, pois sabe que sua arte incentiva a imaginação e a descoberta de si e do outro. Desde criança, sonhava em ser desenhista e, hoje, seus desenhos estão espalhados por vários países. Tem livro na Turquia e na Argentina e tem livro que foi semifinalista do prêmio Jabuti em 2024. Lalan acredita que a arte torna o mundo um lugar um pouquinho mais divertido e colorido. Compre os livros ilustrados por Lalan Bessoni neste link.


segunda-feira, 4 de agosto de 2025

.: Filme "Amores Materialistas" destaca relacionamento preferido por 36%


“Qual a viagem dos seus sonhos?”
Com essa pergunta, Lucy, personagem de Dakota Johnson no filme "Amores Materialistas" ("Materialists"), acorda pela manhã ao lado do namorado Harry, vivido por Pedro Pascal, após passarem sua primeira noite juntos no apartamento dele de 12 milhões de dólares. O casal protagoniza o filme "Amores Materialistas", que acaba de estrear no cinema e vem gerando debates sobre relacionamentos modernos, com destaque para a hipergamia feminina, em que a mulher procura um homem que tenha status econômico e social superior ao seu, também conhecido como relacionamento Sugar, o famoso "Sugar Daddy".

Todo o enredo é vivido em torno da profissão de Lucy, que é casamenteira e, por isso, entende as características essenciais que seus clientes buscam em alguém para se relacionar, na tentativa de proporcionar um match ideal. Em uma festa de casamento de um de seus clientes, Lucy conhece Harry e ambos acabam engatando em um relacionamento que a deixa encantada. Isso por conta da raridade do perfil de Harry, que chega a ser chamado de "unicórnio" na trama por reunir muitos dos atributos mais importantes nas listas que Lucy costuma elaborar para suas clientes. “Eu me sinto valorizada por você” , ela afirma em um momento-chave do roteiro.

A empresa em que Lucy trabalha cumpre um papel social semelhante ao dos sites de relacionamento. Se no filme, a própria casamenteira afirma querer um homem que seja em primeiro lugar rico, na vida real os números não negam que essa é a intenção de muitas brasileiras: pioneiro em relacionamento Sugar, o site de relacionamento MeuPatrocínio tem hoje 16 milhões de inscritos, sendo 11 milhões de usuárias em busca de um Sugar Daddy dos sonhos, que tenha atributos semelhantes aos de Harry.


Homem dos sonhos: qual tipo de relacionamento e características elas mais buscam
Em um momento crucial do filme, Lucy expressa claramente suas intenções a Harry e afirma que busca um homem que seja rico. Essa preferência não é só dela: no Brasil, uma pesquisa do MeuPatrocínio, em parceria com o Instituto QualiBest, entrevistou mulheres de 18 a 29 anos de todo o país e mostrou o quanto a hipergamia - relacionamento em que há o interesse por alguém mais rico que você - atrai o interesse das mulheres. Ao serem questionadas sobre diferentes tipos de relacionamentos modernos, 36% afirmaram ter algum tipo de interesse em uma relação em que o homem seja mais rico.

A mesma pesquisa ressalta as principais qualidades buscadas pelas jovens brasileiras em um parceiro. As respondentes podiam escolher até três opções em primeiro, segundo e terceiro lugares. O mais votado? A gentileza, que é expressa por Harry em diversos momentos de Amores Materialistas, teve 42% de votos das mulheres em primeiro lugar, 16% em segundo lugar e mais 9% como terceira opção. A segurança emocional também aparece em destaque, com 20% dos votos como primeira opção, 13% em segundo lugar, e 11% em terceiro. E a estabilidade financeira também não pode faltar: como primeira opção, foram 7% de votos; como segunda opção, mais 18%; e em terceiro lugar, outros 14%.

Caio Bittencourt é especialista em relacionamento do MeuPatrocínio e comenta: “A relação com alguém mais rico, experiente e gentil, um cavalheiro, sempre foi a escolha de pessoas que procuram se cercar de quem soma na vida. O fato de muitas mulheres sentirem falta do cavalheirismo à moda antiga também as levou para uma nova realidade na busca por alguém; elas estão à procura de relacionamentos sinceros, leves e maduros”, contextualiza.

Sobre as preferências apontadas pela pesquisa da plataforma, o especialista é enfático: "Muitas pessoas hoje estão descobrindo que a busca pela felicidade pode estar mais intimamente ligada à estabilidade financeira do que se imaginava. O dinheiro não só traz felicidade mas a falta dele muito provavelmente vai trazer problemas para a vida conjugal, 57% dos divórcios no Brasil ocorrem devido a dificuldades financeiras. Por isso, mulheres hoje buscam homens bem-sucedidos, mais maduros e experientes, o famoso Sugar Daddy”.

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Programação do Cineflix Santos
“Amores Materialistas” | “Materialists” | Sala 3
Classificação indicativa: 
14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Celine Song. Roteiro: Celine Song. Elenco: Dakota Johnson, Chris Evans, Pedro Pascal, Zoë Winters, Marin Ireland, Dasha Nekrasova, Louisa Jacobson, Sawyer Spielberg, Eddie Cahill, John Magaro (voz), entre outros. Distribuição: Sony Pictures. Duração: 1h57. Cenas pós-créditos: não.

Sinopse resumida de "Amores Materialistas"
Lucy, uma casamenteira de elite em Nova York, vive unindo casais. Na véspera de seu décimo casamento de sucesso, conhece Harry, um verdadeiro “par perfeito”, mas reencontra John, seu ex-namorado garçom e aspirante a ator. Dividida entre conforto e paixão, ela precisa questionar se o amor pode ou deve ser quantificado a partir de status e segurança emocional, ou se ainda vale deixar-se levar pelo sentimento.

Dublado
4/8/2025 - Segunda-feira: 15h10
5/8/2025 - Terça-feira: 15h10
6/8/2025 - Quarta-feira: 15h10

Legendado
4/8/2025 - Segunda-feira: 17h40 e 20h10
5/8/2025 - Terça-feira: 17h40 e 20h10
6/8/2025 - Quarta-feira: 17h40 e 20h10

.: Abertura da exposição World Press Photo 2025 será nesta terça em SP


A abertura da exposição contará com a presença dos fotógrafos brasileiro premiados, Anselmo Cunha e Amanda Perobelli, e do presidente do júri Sulamericano, o também brasileiro, Lalo Almeida. Foto: Aeronave em Pista Inundada, registrada durante a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024 | Anselmo Cunha - Agence France-Presse


A exposição itinerante "World Press Photo 2025", que apresenta os vencedores do 68º Concurso Anual, chega na CAIXA Cultural de São Paulo nesta terça-feira, dia 5 de agosto. Este ano, a mostra, que reúne o melhor do fotojornalismo, traz 42 projetos vencedores que refletem os temas mais urgentes da atualidade: política, gênero, migração, conflitos armados e a crise climática, reunindo histórias captadas por fotógrafos de 31 países. 

Entre os premiados, estão três profissionais brasileiros: Amanda Perobelli, André Coelho e Anselmo Cunha. O Brasil também ganhou protagonismo na lente de profissionais internacionais, o mexicano Musuk Nolte com imagens da seca na Amazônia e Jerome Brouillet com a foto do atleta olímpico Gabriel Medina. Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a mostra segue em cartaz em São Paulo até o dia 28 de setembro, depois segue para Brasília, Curitiba e Salvador.

Em 2025, as imagens documentam desde protestos e levantes em países como Quênia, Myanmar, Haiti, El Salvador e Geórgia, até retratos inesperados de figuras políticas nos Estados Unidos e na Alemanha. Também revelam histórias comoventes de jovens ao redor do mundo – como um homem trans de 21 anos nos Países Baixos, uma jovem ucraniana traumatizada pela guerra e a foto do ano que mostra uma criança palestina vivendo com amputações após bombardeios em Gaza, captada por uma fotógrafa da mesma nacionalidade.

Outro destaque desta edição é o impacto das mudanças climáticas em diferentes partes do mundo, com registros de desastres no Peru, Brasil e Filipinas. Há ainda um retrato potente da comunidade LGBTQIAPN+ celebrando o orgulho em um local secreto em Lagos, Nigéria, onde atos dessa natureza podem ser criminalizados. Destaque também para Tamale Safale, o primeiro atleta com deficiência a competir com atletas não deficientes em Uganda.

“Uma foto vencedora no World Press Photo não é apenas um registro histórico, é arte. Ela documenta, mas também fica na memória. O prêmio valoriza os projetos que jogam luz a questões urgentes e relevantes, que estão em debate em todo o mundo. E enxergar o nosso país nesse lugar de potência traz ainda mais satisfação em representar a exposição aqui”, explica Flávia Moretti, representante do World Press Photo no Brasil. 


Brasil
Três fotógrafos brasileiros estão entre os premiados da América do Sul no World Press Photo 2025. Na categoria Individual, Anselmo Cunha foi reconhecido pela imagem Aeronave em Pista Inundada, registrada durante a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Com o mesmo tema, Amanda Perobelli venceu na categoria Reportagem com a série As Piores Enchentes do Brasil, que retrata os impactos das chuvas na cidade de Canoas, uma das mais afetadas pelo desastre climático. Também na categoria Individual, o fotógrafo André Coelho foi premiado com a imagem Torcida do Botafogo: Orgulho e Glória, que mostra a comemoração dos torcedores do clube carioca após a conquista inédita da Copa Libertadores da CONMEBOL, em novembro de 2024. 

O Brasil também se destacou em outros dois projetos internacionais. O mexicano Musuk Nolte retratou os efeitos socioambientais da redução do nível dos rios na região norte do país. A série Seca no Rio Amazonas foi uma das vencedoras na categoria Reportagem da América do Sul. Já o fotógrafo francês Jerome Brouillet, da AFP, venceu na categoria Individual da região Ásia-Pacífico e Oceania, com a imagem de grande repercussão que  mostra o surfista brasileiro Gabriel Medina emergindo triunfante de uma onda em Teahupo’o, no Taiti, quando garantiu a medalha de bronze  nas Olimpíadas de Paris

O fotógrafo Lalo de Almeida, vencedor na categoria Individual da América do Sul na edição de 2024, foi escolhido para presidir o júri na América do Sul. “Ter a experiência de estar do outro lado do balcão é uma honra. É uma grande responsabilidade, pois todas as histórias são importantes e todas as fotografias selecionadas eram impressionantes. Há muitos fotógrafos trabalhando em histórias profundas e foi incrível ver a forma como a América do Sul produz boas histórias”, afirma ele, que também integrou o júri global.


Campanha Feminicídio Zero
Durante o período de exibição no Brasil, a  "World Press Photo 2025" adere à campanha "Feminicídio Zero" para ampliar o debate sobre violência de gênero e os desafios enfrentados por mulheres em diferentes contextos ao redor do mundo. As histórias retratadas em diversas imagens vencedoras da mostra nesta edição, tais como Corpos Femininos Como Campos de Batalha (Cinzia Canneri), Maria (Maria Abranches), Jaide (Santiago Mesa), Terra Sem Mulheres (Kiana Hayeri) e Crise no Haiti (Clarens Siffroy) evidenciam como o corpo e a vida das mulheres continuam sendo alvos de opressão, controle e violência. Ao conectar essas narrativas visuais com os objetivos da campanha, a mostra convida o público a refletir sobre os direitos das mulheres, a urgência do enfrentamento ao feminicídio e o papel da arte na promoção da conscientização social.


Concurso
Desde 1955, o Concurso Anual World Press Photo reconhece e celebra o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental produzidos ao longo do último ano. Em 2021, o concurso passou a adotar um modelo regional de premiação, o que o tornou mais representativo globalmente. A edição de 2025 mantém esta estrutura, com seis regiões globais: África; América do Norte e Central; América do Sul; Ásia Ocidental, Central e Sul Asiático; Ásia-Pacífico e Oceania; e Europa. 

Neste ano, a novidade é a mudança de um para três vencedores nas categorias Fotografia Individual e Reportagem em cada região do mundo, além de um vencedor por região na categoria Projeto de Longo Prazo. A exposição será apresentada em mais de 60 cidades, incluindo a estreia mundial em Amsterdã, seguida de Londres, Roma, Berlim, Viena, Budapeste, Cidade do México, Montreal, Jacarta e Sydney. 

As inscrições são julgadas e premiadas de acordo com a região onde as fotografias e histórias foram produzidas — e não pela nacionalidade do fotógrafo. Cada região contempla três categorias baseadas em formato: Individual (Singles), Reportagem (Stories) e Projetos de Longo Prazo (Long-Term Projects). 

Em 2025, o concurso, que acontece em meio às comemorações de 70 anos da Fundação World Press Photo, realizadora da premiação, ampliou o número de fotógrafos e projetos premiados – de 33, em 2024, para 42. Foram recebidas 59.320 inscrições, enviadas por 3.778 fotógrafos, de 141 países. As inscrições sempre são avaliadas de forma anônima. A primeira etapa da seleção foi realizada por júris regionais, que fizeram a pré-seleção dos trabalhos. Em seguida, os vencedores foram definidos por um júri global independente, composto pelos presidentes dos júris regionais e o presidente global.

A exposição no Brasil é patrocinada pela CAIXA e pelo Governo Federal, e tem o apoio do Jornal Folha de S. Paulo. A organização sem fins lucrativos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) é apoiadora da programação paralela da World Press Photo. 


Serviço
Exposição "World Press Photo 2025"
CAIXA Cultural São Paulo
De 5 de agosto a 28 de setembro de 2025
Praça da Sé, 111 - Centro – Próximo à estação Sé do Metrô
Horário de visitação: de terça a domingo, de 8h00 às 19h00
Entrada gratuita
Classificação etária: 12 anos
Mais informações: https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/default.aspx /@caixalculturalsp/tel: (11) 3321-4400
Importante: A exposição terá visitas mediadas com Libras e todas as imagens contarão com audiodescrição.

.: Entrevista com Cassiana Pérola Negra, filha de Jovelina, joia rara do samba


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Claudia Ribeiro

Filha de Jovelina Pérola Negra, Cassiana Belfort, mais conhecida como Cassiana Pérola Negra, poderia ter sido apenas “a continuação” ou a sombra respeitosa de um mito. Preferiu o risco: tirou a sandália, botou o pé no chão e fez da rua o próprio batismo artístico. Vinte anos depois daquele primeiro tributo inocente no Espírito Santo, ela grava a segunda parte de um registro audiovisual repleto de autenticidade. 

Definitivamente, ela não é a cópia da mãe, mas como intérprete de si mesma - com banjo, suor, partido alto e um público que responde no estalo da palma. Cassiana não canta por protocolo. No palco, ela mistura raiz e reinvenção, tradição e desobediência, abrindo espaço para perguntas que incomodam: o samba sobrevive ao algoritmo? Qual o limite entre herança e autonomia? Quem dita o ritmo: o tamborim ou o streaming

Recentemente, ela gravou na quadra do Império Serrano, em cuja ala das baianas Jovelina desfilava, a  segunda parte do audiovisual "Cassiana 20 Anos”, projeto contemplado no edital Fluxos Fluminense, da Secretaria do de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro. No repertório, além do repertório da própria mãe, obras de Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e Almir Guineto. Também foi oferecida uma oficina de banjo com o músico e Luthier Márcio Vandelei, Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, a cantora falou com a objetividade de quem canta entre o peso do nome e a leveza de ser o que se é.


Resenhando.com - Cassiana, sua carreira começou meio que sem intenção de seguir os passos de sua mãe, Jovelina Pérola Negra. Hoje, como você lida com o peso dessa herança tão forte?
Cassiana Pérola Negra - É uma benção! Uma herança única, algo inexplicável. Lido muito bem, hoje está mais tranquilo.


Resenhando.com - Você já declarou que “quem faz o artista é a rua”. Em tempos digitais, com lives e redes sociais dominando, como você vê a importância da rua e da presença física no samba e no seu trabalho?
Cassiana Pérola Negra - Eu vejo isso como algo importante, pois a presença na rede social é agregador para o nosso trabalho. Porém, para mim a rua continua sendo extremamente essencial. Na rua, você está cara a cara com o público, é mais quente. As redes sociais são um veículo de extensão. 


Resenhando.com - O samba partido alto tem uma tradição oral e coletiva muito forte. Como você enxerga o desafio de preservar essa essência em um mundo cada vez mais individualista e digitalizado?
Cassiana Pérola Negra - O desafio é grande, porém, precisamos preservar essa cultura que é do nosso povo preto, que tanto luta para manter esse vertente.  


Resenhando.com - A gravação da segunda parte do audiovisual aconteceu na quadra do Império Serrano, local onde sua mãe desfilava. Como é para você transitar entre esses dois espaços - o palco e o universo da escola de samba?
Cassiana Pérola Negra - Para mim é ótimo, pois posso eternizar os caminhos que minha mãe trilhou! 


Resenhando.com - A oficina de banjo ministrada por Márcio Vandelei reforça a importância dos instrumentos tradicionais. Como você avalia o papel do instrumental no samba hoje, especialmente para artistas jovens que talvez nunca tenham visto um banjo de perto?
Cassiana Pérola Negra - Essa oficina é essencial e importante para abrir caminhos para jovens e adolescentes conhecerem, aprofundarem e sentirem esse instrumento com som tão único e ensinado por um grande mestre e referência do ramo, chamado Márcio Vanderlei. 


Resenhando.com - Existe um estigma ou resistência em torno do samba partido alto por não ser “comercial” o suficiente? Como você encara essa percepção e o que gostaria de mudar no cenário da música popular brasileira?
Cassiana Pérola Negra - Na Música Popular Brasileira, não mudaria nada. Porém, nós trabalhamos para que o partido alto seja reconhecido como merece ser conhecido. 


Resenhando.com - Em 20 anos de carreira, qual foi o momento mais difícil de se manter fiel à sua arte e às suas raízes, mesmo diante das pressões do mercado ou da indústria?
Cassiana Pérola Negra - Nenhum, a fidelidade foi do início até hoje. É isso que eu gosto. 


Resenhando.com - Se pudesse dar um conselho para sua Cassiana de 20 anos atrás, no começo da carreira, o que seria? E qual conselho daria para os jovens sambistas que hoje começam a trilhar seu caminho?
Cassiana Pérola Negra - O conselho que eu me daria é: continue que vai valer a pena. O que eu falaria para os jovens é: estude, ame o que você faz e dedique-se! 


Resenhando.com - Olhando para o futuro, quais novos territórios musicais ou artísticos você gostaria de explorar - e o que ainda resta para ser desbravado dentro do samba para você?
Cassiana Pérola Negra - Sinto-me bem confortável onde estou. Amo o que faço.

domingo, 3 de agosto de 2025

.: Mouhamed Harfouch revela a história por trás do espetáculo mais pessoal


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Claudia Ribeiro

Um nome pode ser destino, fardo, bandeira ou metáfora. No caso de Mouhamed Harfouch, foi ponto de partida para um mergulho teatral - e existencial. Após rodar por cinco palcos no Rio de Janeiro, o monólogo "Meu Remédio" estreia em São Paulo no Teatro Santos Augusta, com sessões aos sábados e domingos, entre os dias 30 de agosto e 28 de setembro.

Escrito, produzido e protagonizado por Harfouch, com direção de João Fonseca, o espetáculo mistura memórias, músicas e ancestralidade em 75 minutos de pura exposição - do ator ao homem, do filho ao artista. Com humor, lágrimas e acordes tocados ao vivo, o texto revela não só uma trajetória marcada pela reinvenção, mas também o peso e a força que cabem em um nome.

Nesta entrevista exclusiva para o Resenhando.com, o ator que brilhou em novelas como "Cordel Encantado" e "Órfãos da Terra", e em musicais como "Querido Evan Hansen", fala sobre coragem, pertencimento e os bastidores emocionais da peça mais íntima da vida dele. Entre feridas, risos e confissões, Mouhamed abre espaço para aquilo que ainda está em processo. Porque, como ele mesmo afirma em cena, "aceitar quem somos é curativo".

Resenhando.com - “Meu Remédio” surge de um nome difícil de carregar. Que tipo de cura você acredita que um nome pode atrasar, ou apressar, na vida de alguém?
Mouhamed Harfouch - Se você pensar que o nome é aquilo que te individualiza num primeiro momento, é o teu cartão de visita, e que esse nome é algo que você não escolhe quando nasce, você recebe, de certa forma, de maneira imposta, isso tem um peso. Quando há um casamento perfeito e você gosta é uma maravilha. Mas isso nem sempre ocorre, e com minha peça tenho visto que muita gente teve ou tem dificuldades com o próprio nome. E as razões são diversas. Mas o interessante é que pensar sobre nosso nome pode nos levar a uma viagem muito transformadora sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. É uma oportunidade de nos revisitarmos. A peça sugere esse diálogo consigo mesmo. Agora sobre atrasar ou apressar, não penso assim. Tudo tem seu tempo correto e faz parte do processo de amadurecimento de cada indivíduo. A cura, muitas vezes, pode vir do resultado deste processo de amadurecimento e isso, sim, é libertador! 


Resenhando.com - A peça é uma travessia íntima embalada por humor e dor. Você teve medo de se expor demais ou, pior, de ser confundido com as caricaturas que também interpreta?
Mouhamed Harfouch - Tive muito medo, por isto levei dois anos escrevendo, ou melhor, maturando. Escrevia uma parte e parava meses. Tinha medo da exposição, tinha dúvidas sobre levar algo tão íntimo para o palco e se isso poderia ser interessante para alguém. Meu diretor João Fonseca foi fundamental nesse processo, pois me deu a mão e me motivou a seguir em frente. Não me deixou desistir. O resultado me deixou realmente muito feliz. Fomos acolhidos pelo público e a crítica carioca de uma maneira muito linda.


Resenhando.com - Ao se lançar como autor, ator e produtor, qual foi o momento mais tentador para desistir, e o que impediu você?
Mouhamed Harfouch - Já tinha produzido e atuar é o meu ofício. Agora escrever é um desafio enorme, ainda mais quando é sobre sua própria história. Sempre tive em mente o título e o como gostaria de terminar a peça, mas como chegar até lá? Como desenvolver isso de forma teatral? Isso foi, sem dúvida,  meu maior desafio, mas tive que vencer um por vez. Vencida a etapa da escrita, veio a de produzir, levantar recursos, viabilizar! Levei quase três anos com uma ideia na cabeça para conseguir materializar. Quando consegui levantar recursos e pautar o espetáculo para a estreia, veio o medo absurdo, o do ator. Afinal, é o primeiro monólogo que levo aos palcos. Para conseguir vencer tantos desafios, foi fundamental contar com uma equipe maravilhosa como a minha. Mas preciso agradecer aos meus filhos, minha primeira plateia e escuta. Eles riam e adoravam ouvir a leitura do meu texto, das minhas histórias que fazem parte deles, e ver meus primeiros ensaios….Isso me deu muita força e coragem.


Resenhando.com - Você cresceu entre sírios e portugueses num Brasil ainda mais pouco preparado para lidar com o “outro”. Já sentiu que era preciso performar uma brasilidade mais palatável para ser aceito?
Mouhamed Harfouch - Nunca pensei sobre. Sempre fui extremamente brasileiro, nasci e cresci aqui, estudei em um colégio católico e só o que destoava da aparente normalidade era justamente o meu nome, porque era onde as pessoas codificavam a minha diferença. Então, minha luta era me entender enquanto parte desta mistura, e não ter vergonha de ser diferente. Saber carregar um nome tão forte e repleto de significados. Se tivesse adotado um outro nome, isto sim, poderia ser parte de um processo para me tornar mais palatável talvez.


Resenhando.com - Há uma cena ou uma canção em "Meu Remédio" que, até hoje, ainda dói apresentar? O que você poupa da plateia?
Mouhamed Harfouch - Meu espetáculo não transita  pela dor, mas pela alegria e emoção. Sempre me emociona a cena onde falo da mala que a gente abria quando meu pai voltava da Síria, ou quando algum primo trazia para meu pai. Era abrir a mala e subir o cheiro de um outro continente, outra cultura, outro povo. Essa cena sempre me faz lembrar da minha infância junto aos meus irmãos, meus pais e isso me emociona muito. Minha mãe acabou falecendo depois que escrevi e estreei a peça. Foi logo depois que estreei, na verdade. Escrevi a peça e me referia a ela presente, e agora me refiro a ela em lembrança. Então, a cena em que falo sobre ela, sobre como ela preparava pratos e mais pratos para nós e também o chancliche, queijo árabe maravilhoso, que cito na peça. Acabou virando um momento que me toca muito e que tenho que respirar para seguir com a história. Mas revivê-la todos os dias no teatro me faz muito feliz. E essa é a tônica da peça: as pessoas saem felizes. E isso é a minha alegria.  


Resenhando.com - Você já deu vida a muitos personagens na TV, no cinema e no teatro. Quem é mais difícil de encarar: o protagonista da própria história ou os papéis que exigem negar quem se é?
Mouhamed Harfouch - Como artista, quero provocar, tocar as pessoas, emocionar, divertir e ampliar horizontes. Então, contar uma boa história é minha busca. Quando cheguei a ao ponto final de “Meu Remédio” fiquei muito empolgado, muito feliz mesmo, achava que tinha uma boa história para contar. Os seis meses de temporada no Rio nos mostraram que sim. Mergulhar na nossa verdade não é tarefa fácil, ter coragem para se revisitar é um processo delicado, mas muito libertador. Sempre tentei achar a verdade de cada personagem, comigo não poderia ser diferente (risos). 


Resenhando.com - Seu espetáculo defende que “aceitar quem somos é curativo”. Mas o que você ainda não aceita em si e que talvez ainda esteja em tratamento?
Mouhamed Harfouch - No momento, tento curar a ausência da minha mãe e me entender sem ela. Neste ponto, o teatro me ajuda mais uma vez. Mas não só isso, não somos uma coisa só. Algo definitivo. A medida que crescemos, amadurecemos, vencemos algumas barreiras, alguns desafios, lidamos com vitórias, derrotas, frustrações, sonho, medos e desejos. A vida não é corrida de cem metros, é maratona, e eu tô correndo, sem pressa de chegar. Que venham os novos desafios. 

Resenhando.com - João Fonseca dirigiu nomes como Cazuza, Tim Maia, Cássia Eller. O que ele revelou de Mouhamed que nem você sabia que estava guardado?
Mouhamed Harfouch - Acho que, ao não me deixar desistir,  pude me entender melhor. Entender  o quanto o teatro me salvou e me deu pertencimento. A entender minha relação com meu nome, minha família e minha própria história. A gente vai vivendo, realizando as costuras da vida, fazendo nossas escolhas e os caminhos, somos atropelados pela correria do agora, então, de certa forma, João me mostrou o quanto as minhas escolhas construíram aquilo que me fez chegar até aqui. Ele me mostrou o quanto tive consciência dessas escolhas, mesmo sem fazer ideia que eu tinha essa consciência. Hoje vejo que sempre fui fiel ao que acredito. 


Resenhando.com - A plateia ri, chora, se identifica. Mas houve alguma reação do público que te desmontou completamente?
Mouhamed Harfouch - Não esperava que a plateia se identificasse tanto com minha história, de verdade.  Que participasse tanto... Teve uma senhora, no Rio, que foi cinco vezes ao meu espetáculo e pagando, tá? Na quinta vez, eu virei para ela e disse: "Agora você não paga mais! É minha convidada tá?" (risos). Tudo isso me surpreendeu positivamente.


Resenhando.com - Depois de olhar tão profundamente para dentro, que tipo de personagem você nunca mais aceitaria interpretar?
Mouhamed Harfouch - Não gosto de personagens vazios. Não gosto de caricatura. Não tenho tesão em fazer algo gratuito, sem alma, sem propósito… por que somos tocados pelo o que é humano. E isso só vem quando é de verdade.

.:"'O Mar, o Rio e a Tempestade", reúne ensaios de Pedro Süssekind


O livro "O Mar, O Rio e A Tempestade: sobre Homero, Rosa e Shakespeare", do professor e escritor Pedro Süssekind, foi finalista da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico no eixo Ciência e Cultura na categoria Letras, Linguística e Estudos Literários. A obra, publicada pela Tinta-da-China Brasil, estabelece um diálogo entre três pilares da literatura universal: a Odisseia de Homero, Rei Lear de Shakespeare e Grande sertão: veredas de Guimarães Rosa.

Com a filosofia como ponto de partida, Süssekind constrói uma ponte intelectual que atravessa milênios e culturas, oferecendo uma leitura que percorre a história das ideias desde a Grécia Antiga, passando pela Inglaterra moderna, até chegar ao Brasil contemporâneo. O livro combina diferentes perspectivas críticas para revelar conexões surpreendentes entre essas três obras. 

"O Mar, O Rio e A Tempestade" se divide em três partes: na primeira, dois ensaios dedicados à "Odisseia" exploram a busca da verdade na Telemaquia e a narrativa do episódio das sereias através da lente da Dialética do Esclarecimento de Adorno e Horkheimer. A segunda parte mergulha em "Rei Lear", extraindo da tragédia shakespeariana questões que atravessam história, matemática, antropologia e filosofia, além de abordar sua controversa recepção crítica. A terceira parte examina como Guimarães Rosa se apropria de temas tradicionais da filosofia e literatura em sua obra-prima, analisando o romance modernista e regionalista.

Nas palavras dos coordenadores da coleção Ensaio Aberto, Pedro Duarte e Tatiana Salem Levy, o livro oferece "uma viagem pelo mar de versos de Homero, pela tempestade da dramaturgia de Shakespeare e pelo rio de literatura de Guimarães Rosa". A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, reunindo autores, editores, pesquisadores e representantes das principais instituições científicas e acadêmicas do país. 

Criado em 2024, o Prêmio Jabuti Acadêmico pretende reconhecer a excelência da produção científica, técnica e profissional nacional, além de dar visibilidade às contribuições desses campos para o desenvolvimento do Brasil. Compre o livro "O Mar, O Rio e A Tempestade: sobre Homero, Rosa e Shakespeare", de Pedro Süssekind, neste link.


Sobre o autor
Pedro Süssekind Viveiros de Castro
(Rio de Janeiro, 1973) é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do CNPq. Doutor em filosofia pela UFRJ, com estágio de pesquisa na Freie Universität de Berlim, é autor de importantes estudos sobre estética e literatura, incluindo "Shakespeare, o Gênio Original" (Zahar, 2008), "Teoria do Fim da Arte" (7Letras, 2017) e "Hamlet e a Filosofia" (7Letras, 2021). Como ficcionista, publicou o livro de contos "Litoral" (7Letras, 2004) e os romances "Triz" (Editora 34, 2011) e "Anistia" (HarperCollins Brasil, 2022). Compre os livros de Pedro Süssekind, neste link.


Sobre a Coleção Ensaio Aberto
A Coleção Ensaio Aberto é resultado de uma parceria originada no âmbito do Programa de Internacionalização da Capes (Capes‑Print) entre a Universidade Nova de Lisboa e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Os livros são publicados simultaneamente pela Tinta-da-china em Lisboa e pela Tinta-da-China Brasil em São Paulo, com apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT - Portugal).


Sobre a Tinta-da-China Brasil
É uma editora de livros independente, sediada em São Paulo, gerida desde 2022 pela Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos. Sua missão é a difusão da cultura do livro.

.: Em "Bet Balanço", Érico Brás mistura stand-up, banda ao vivo e escândalos


Em "Bet Balanço", Érico Brás mistura stand-up, banda ao vivo e escândalos reais em comédia musical sobre dinheiro, influência e honestidade no Brasil. Foto: Ronald Cruz

Qual o preço de se manter honesto em uma sociedade que cada vez mais premia os atalhos, os escândalos e os discursos vazios? Essa é a provocação que dá partida ao espetáculo inédito "Bet Balanço", com texto e direção de Giovani Tozi, em cartaz no Teatro Itália, em temporada aos sábados, às 23h00. Na trama, Érico Brás interpreta Jurandir, um homem íntegro, mas sufocado pelas contradições de um país onde o sucesso parece estar sempre ligado à esperteza, e não ao mérito. O ponto de partida dramatúrgico é o conto "A Teoria do Medalhão", de Machado de Assis, que Tozi atualiza para o contexto de 2025.

“Desde que li esse texto no colégio, fiquei impressionado com o humor do Machado, e aquilo me despertou pra obra dele. Sempre quis levar esse conto ao palco, mas foi só agora, que a vontade encontrou o momento certo”, conta Tozi. No conto, Machado apresenta a figura do “medalhão”, um sujeito que conquista notoriedade sem ter feito nada de relevante. Ele é respeitado, ouvido, homenageado, apenas porque representa uma imagem de virtude. “Hoje, o medalhão de Machado é o influencer que aparece em campanhas, acumula seguidores e vira referência, muitas vezes sem ter dito absolutamente nada com substância. E é sobre isso que 'Bet Balanço' fala, fama sem mérito, dinheiro sem trabalho, e um país onde o maior talento parece ser o de parecer importante”.

Mais de uma década após trabalharem juntos no Rio de Janeiro, o reencontro entre Érico Brás e Giovani Tozi marca o nascimento de um espetáculo que une humor ácido, crítica social e música ao vivo. Durante esse tempo, Tozi chegou a procurar Érico para integrar o elenco de uma comédia americana, projeto que ainda não saiu. Mas foi o convite de Érico, esse ano, que deu origem à parceria atual. “Fiquei muito feliz com o contato do Érico porque admiro muito a história dele, como ser humano e artista. Pra além de um ator cheio de recursos, é um cara que tem uma energia muito boa, e isso faz toda a diferença num processo criativo”, afirma Tozi. “Quando ele me procurou pra esse trabalho e me contou sobre os temas que interessavam a ele, eu pedi uma semana e revirei minha ‘gaveta das vontades’. São projetos ou fragmentos que ainda quero realizar. E lá estava esse: a atualização do conto 'Teoria do Medalhão', do Machado de Assis”.

A proposta foi justamente essa: falar sobre o poder do dinheiro, como ele molda comportamentos, impõe silêncios e transforma a ideia de sucesso. No conto, um pai aconselha o filho a se tornar um medalhão, alguém admirado e respeitável sem precisar se comprometer com ideias próprias. No mundo de hoje, esse medalhão é o influencer. E é nesse salto que o espetáculo mergulha. "Bet Balanço" traz Érico Brás em um solo tragicômico, musicado, que mistura elementos de stand-up comedy, teatro político e show musical. Em cena, uma banda ao vivo acompanha o ator, que canta clássicos da música brasileira sobre dinheiro, poder e vaidade. Canções populares de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Cartola ajudam a costurar as passagens mais intensas do espetáculo.

Além do humor e da música, o texto toca em feridas muito atuais, como o racismo estrutural — especialmente no universo da publicidade — e o escândalo das casas de apostas online, que aliciam artistas e influenciadores para promover um sistema onde, quase sempre, o pobre é quem perde. "Bet Balanço" propõe uma reflexão urgente: em um tempo em que a influência vale mais do que o conteúdo, e o sucesso pode ser medido em curtidas, o que ainda tem valor?


Sinopse de "Bet Balanço"
Jurandir é um homem comum, íntegro, batalhador, que um dia vê sua vida mudar após recusar, e depois aceitar, uma proposta milionária para divulgar uma casa de apostas online. A partir dessa escolha, ele mergulha numa espiral de lembranças, dilemas morais e questionamentos sobre sucesso, fama e dinheiro. Partindo da Teoria do Medalhão, de Machado de Assis, a história atualiza o conto para expor os bastidores de uma sociedade onde parecer vale mais do que ser, e onde a linha ética entre ganância e ambição é cada vez mais turva. Tudo isso costurado por música ao vivo, bom humor e uma linguagem que mistura stand-up, teatro e crítica social. BET BALANÇO é uma tragicomédia contemporânea sobre o preço das escolhas num mundo que transformou a influência em moeda e a vaidade em virtude.

 
Serviço
Espetáculo "Bet Balanço". 
Sábados, às 23h00. Teatro Itália - Av. Ipiranga, 344 ,  República / São Paulo. Ingressos: R$ 80,00 (inteira) R$ 40,00 (meia). Classificação: 12 anos.

.: Cine Dom José, no centro de São Paulo, é palco para peça “Sinfonia Capital"


O Cine Dom José é um cinema com exibições de conteúdo adulto, ativo, localizado no centro de São Paulo e abriga há 15 anos a Cia. Les Commediens Tropicales. Cena do espetáculo. Foto de Cia. LCT


Celebrando 20 anos de atuação na cidade de São Paulo, o grupo teatral Cia. LCT e o quarteto à Deriva estreiam o espetáculo “Sinfonia Capital - Em Tempos de Segunda Mão”. A temporada acontece no Cine Dom José, até dia 31 de agosto, com sessões de quinta a domingo, às 20h, totalizando 20 apresentações. O ponto de encontro com o público é na Galeria Olido, em São Paulo.

A peça é livremente inspirada no livro “O Fim do Homem Soviético” (2013), da escritora bielorrussa, vencedora do Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Alexijévich. A dramaturgia foi construída por Carlos Canhameiro, que está em cena ao lado de Beto Sporleder, Daniel Gonzalez, Daniel Muller, Guilherme Marques, Michele Navarro, Paula Mirhan, Rodrigo Bianchini e Rui Barossi.

Para explorar os escombros afetivos e ideológicos do pós-socialismo, a montagem recria, dentro do cinema, uma típica cozinha soviética, transformando o espaço íntimo em um território também político, onde vozes, memórias e fantasmas dividem o pão com o presente. O cenário é assinado por José Valdir Albuquerque e aposta na cor vermelha, inspirado na obra Desvio para o Vermelho, de Cildo Meireles. Ao longo do espetáculo, o grupo prepara conservas de tomate ao vivo, em referência à tradição russa; ao final, os potes podem ser adquiridos pelo público.

Em funcionamento desde 1976, o Cine Dom José é um conhecido cinema adulto. “Estamos hospedados no Cine Dom José desde 2009, e realizar uma peça dentro da sala de cinema é um sonho antigo. Acredito que, para o público, será um encontro inusitado entre linguagens artísticas distintas - arquitetura, teatro, música, cinema - além de gerações e histórias quase esquecidas”, comenta Canhameiro.


Sobre a encenação
A narrativa do espetáculo se organiza como uma sinfonia em quatro movimentos - ideia que, inclusive, inspirou o título da obra. Nesse contexto, a música não serve apenas como trilha, mas conduz a encenação. “Uma sinfonia costuma ser composta por quatro movimentos. Seguimos essa estrutura para criar a peça, variando os temas presentes no livro de Svetlana. Há um prólogo, seguido por movimentos que exploram a cozinha política - espaço de conspiração e reflexão soviética -, o amor, a cultura e, por fim, um réquiem”, explica o dramaturgo.

 A Cia. LCT e o quarteto À Deriva mantêm uma parceria criativa há 13 anos, e em Sinfonia Capital é a música que estrutura a dramaturgia da peça. A montagem explora as características estéticas do quarteto - com ênfase na improvisação sonora - em diálogo com a voz da cantora Paula Mirhan, combinando canções experimentais e atmosferas que transitam entre o épico e o intimista. Neste contexto, o cinema se transforma também em palco para um concerto musical.

 Definida como uma ficção documental, “Sinfonia Capital” investiga o que resta após o colapso do mundo soviético e de um modo de vida - e o que ainda resiste a desaparecer. A cada movimento da sinfonia, tensionam-se as fronteiras entre política, intimidade e arte. Com esse mosaico de vozes, a Cia. LCT e o quarteto À Deriva reforçam a ideia de que a memória coletiva se constrói, sobretudo, a partir das experiências individuais e dos relatos de pessoas comuns - mais do que pelos grandes acontecimentos históricos. “Svetlana desenvolve em seus livros um trabalho minucioso de escuta e reconstrução da memória e do passado. Como seria inviável levar todos os depoimentos do livro O fim do homem soviético para o palco, buscamos compreender o método da autora e criar nossa própria experiência cênica, partindo da ideia de que o fim, na verdade, é uma ilusão”, explica Canhameiro.

 O trabalho conta com interlocuções cênicas de Maria Thaís, Jé Oliveira e Janaina Leite. O projeto foi contemplado pela 43ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.


Atividade paralela - Cine Conserto
A Cia. LCT também se destaca por suas produções audiovisuais em parceria com a Brutaflor Filmes. Como parte das comemorações de seus 20 anos, a companhia exibirá gratuitamente quatro obras cinematográficas na sala de cinema do Cine Dom José.

 As exibições contarão com trilha sonora ao vivo do quarteto À Deriva e intervenções cênicas dos atores e atrizes da companhia. As obras escolhidas são o documentário Medusa in Conserto e as videoartes Música para Poltronas Vazias, in.verter à deriva e omuroreverorumo. Cada título terá três sessões, sempre às segundas, terças e quartas-feiras, às 20h, ao longo do mês de agosto. O ponto de encontro com o público será na Galeria Olido. Entrada gratuita.


Sinopse
"Sinfonia Capital - Em Tempos de Segunda Mão" é a nova criação da Cia. LCT com o quarteto À Deriva, celebrando 20 anos de trajetória conjunta. Livremente inspirada em "O Fim do Homem Soviético", de Svetlana Aleksiévitch, a peça ocupa o Cine Dom José, transformado em cozinha soviética, e propõe uma sinfonia em quatro movimentos onde música e memória constroem a cena. Entre ruínas afetivas e ecos históricos, a peça é uma elegia documental sobre o que resiste a desaparecer em tempos de vidas de segunda mão.


Ficha técnica
Espetáculo "Sinfonia Capital - Em Tempos de Segunda Mão" 
Encenação: Cia. LCT & quarteto À Deriva
Dramaturgia: Carlos Canhameiro a partir do livro "O Fim do Homem Soviético", de Svetlana Aleksiévitch
Elenco: Beto Sporleder, Carlos Canhameiro, Daniel Gonzalez, Daniel Muller, Guilherme Marques, Michele Navarro, Paula Mirhan, Rodrigo Bianchini e Rui Barossi
Criação musical e música ao vivo: quarteto À Deriva e Paula Mirhan
Iluminação: Daniel Gonzalez
Cenário: José Valdir Albuquerque
Figurinos: Anuro e Cacau Francisco
Interlocução cênica: Janaina leite, Jé Oliveira e Maria Thaís
Pensamento corporal: Andreia Yonashiro
Preparação vocal e canto: Yantó
Videocenografia: Vic von Poser
Técnico de som: Pedro Canales
Técnico de luz: Cauê Gouveia
Produção: Mariana Pessoa
Assistência de produção: Leonardo Inocêncio
Estagiária: Beatriz Guelfi
Estudos teóricos: Elena Vassina, Jean Tible, Marcela Morgana e Mario Ramos Francisco
Apoio: FJ Cines
Este projeto foi contemplado pela 43ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura


Serviço
Espetáculo "Sinfonia Capital - Em Tempos de Segunda Mão" 
Até dia 31 de agosto, de quinta a domingo, às 20h
Local: Cine Dom José - ponto de encontro: Galeria Olido (entrada lateral)
Endereço: Rua Dom José de Barros, 312 - República / São Paulo
Atenção - Ingressos reservados somente pela Sympla. Não há bilheteria física no local e não poderá entrar após o início do espetáculo. A meia-entrada é R$ 20,00 ; a inteira R$ 40,00 (inteira)
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 50 lugares
Acessibilidade: o espaço não conta com infraestrutura acessível para pessoas com dificuldade de locomoção.

.: "São Paulo Surrealista" faz Teatro do Incêndio confrontar o conservadorismo


Sucesso no repertório da companhia, a peça questiona um mundo em ruínas, e integra a programação dos 30 anos de trajetória que o Teatro do Incêndio comemora em 2026. Foto: André Pottes

O Teatro do Incêndio, agora sob gestão da Colmeia Produções, volta em cartaz com "São Paulo Surrealista - Corpo Antifascista", até dia 31 de agosto de 2025. As sessões ocorrem aos sábados e domingos, às 20h00. O espetáculo é um ritual teatral dirigido por Marcelo Marcus Fonseca, que mergulha no surreal para retratar símbolos e fantasias de São Paulo. É uma ode à cidade e seus personagens, confrontando - em um jogo de imagens sobrepostas - as contradições e fantasias da metrópole.

A peça, que cumpriu temporadas com ingressos esgotados em 2012, 2013, 2014 e 2019, retornou atualizada em 31 de maio de 2025, debochando da atual onda de conservadorismo, tendo no movimento surrealista a inspiração política de provocar as estruturas pela imagem poética. Claudio Willer (1940 - 2023) - escritor e poeta, cujos vínculos literários são com a criação mais rebelde e transgressiva, como o surrealismo e geração beat - foi consultor da companhia para esse projeto. Willer será homenageado nessa versão 2025.

O espetáculo não conta necessariamente uma história. O que não significa que a peça não tenha uma dramaturgia sólida e uma linha narrativa. Para revelar a cidade real, nada é realista. Os textos são colagens emolduradas por imagens e figuras da metrópole, sejam elas reais ou distorcidas, tendo na música ao vivo um elemento essencial para traduzir sua pulsação.

Mário de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos comuns, ninfas e animais recebem o surrealista André Breton, observado por Antonin Artaud (dramaturgo francês, surrealista), para um mergulho na capital paulista, percorrendo Os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri. “Esta montagem propõe também que o espectador perceba a cidade pelos olhos de André Breton, um dos criadores do surrealismo, em um jogo que ressalta pontos turísticos, monumentos, terreiros, restaurantes e bordeis paulistanos”, explica Marcelo Marcus Fonseca.

O público precisa, invariavelmente, ir fantasiado ao teatro ou não será permitido seu ingresso. “Como em um carnaval estendido, o público deve chegar ao teatro com figurinos para compor a plateia como personagem. Vale tudo”, afirma o diretor Marcelo Marcus Fonseca, liberando os espectadores usarem a criatividade. Em cena estão 25 artistas em uma celebração musical da cidade com alusões ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Frederico Fellini e textos escritos durante o processo e com colaboração do elenco da primeira montagem, com base na escrita automática característica do Surrealismo. Todas as canções foram compostas por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins especialmente para o espetáculo, algumas delas “em parceria” com Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire.


O projeto
Esta temporada integra o projeto Aumentar É Aumentar-se, que dá início às comemorações dos 30 anos de trajetória que a Companhia Teatro do Incêndio completa em 2026, agora com toda a sua programação sob gestão da Colmeia Produções. Completam a programação: montagens de dois espetáculos inéditos - "Dois Perdidos Numa Noite Suja", de Plínio Marcos, e "Vocês Não Entenderam Nada", de Marcelo Marcus Fonseca, livremente inspirado em René de Obaldia (15/11 a 15/12); "Incêndios da Memória - Rodas de Conversa e Vivências" (2/8 a 6/9, sábados, às 15h) e show "Com o Coração na Boca", de Cida Moreira e Rodrigo Vellozo;  ações de projeto permanente "A Aurora É Coletiva - Iluminar" (curso de iluminação para jovens maiores de 18 anos), "Vivência Artística" (para jovens maiores de 18 anos) e "Residência Artística" (para um grupo, coletivo ou coletividade desenvolver suas atividades artísticas e de pesquisa na sede do Teatro do Incêndio).


Ficha técnica | "São Paulo Surrealista - Corpo Antifascista". Com: Cia. Teatro do Incêndio. Projeto: Aumentar é Aumentar-se. Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca. Elenco: Josemir Kowalick, André Pottes, Amy Campos, Marcelo Marcus Fonseca, Isabela Alonço, Livia Melo, Sabrina Sartori, Mariana Peixoto, João Paulo Villela, Anna Bia Viana, Thauany Mascarenhas, Camilo Guadalupe, Sabrina Rodriguez, Bruno Vizzotto, Ana Ferrari, Stefanie Araruna, João Victor Silva, Giovanna Garcia, Fiore Scheide e Joviana Venture. Direção musical: Dedéco (André Pereira Lindemberg). Direção musical original: Wanderley Martins. Música ao vivo: Xantilee Jesus, Bruno Vizzotto, Ricardo Martins e Dedéco. Iluminação: Rodrigo Sawl. Cenografia: Marcelo Marcus Fonseca. Figurino: Sabrina Sartori. Aderecista: Vyvy Vanazzi. Fotos: Kym Kobayashi e Cristiano Pepi. Designer gráfico: Livia Melo. Assessoria de mídias sociais: Amy Campos. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Direção de produção: Vanda Dantas. Gestão: Colmeia Produções. Realização: Cooperativa Paulista de Teatro - CPT, Edital Fomento CULTSP PNAB Nº 38/2024 Manutenção e Modernização de Espaços Culturais - Programa de Ação Cultural - ProAC São Paulo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal e Cia. Teatro do Incêndio.


Serviço
Espetáculo "São Paulo Surrealista - Corpo Antifascista"
Temporada: 2 a 31 de agosto - Sábados e domingos, às 20h
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Vendas on-line - https://www.sympla.com.br/evento/sao-paulo-surrealista-corpo-antifascista-temporada-popular/2998801 
Bilheteria: uma hora antes das sessões. Aceita dinheiro, PIX e cartão.
Gênero: surrealismo. Duração: 70 minutos. Classificação: 18 anos.
Importante: É obrigatório ao público ir com figurino (criação livre).
Local: Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 - Bela Vista/Bixiga. São Paulo/SP.
Tel.: (11) 2609-3730. Na Rede: @teatrodoincendiooficial
Estacionamento pago em frente ou entorno ao Teatro.

.: “Aonde Está Você Agora?”, inspirada em música da Legião Urbana, em cartaz


Os atores Felipe Camacho e Marcos Moraes no espetáculo retrata o poder da amizade e da memória, com inspiração na música “Vento no Litoral”, da banda Legião Urbana. Foto: divulgação


A peça “Aonde Está Você Agora?” chega aos palcos de São Paulo está em cartaz até o dia 28 de agosto, sempre às quintas-feiras, às 20h30, na Casa de Artes SP. O texto é de Regiana Antonini, direção de Marinho Moraes e no elenco Felipe Camacho e Marcos Moraes. O espetáculo retrata o poder da amizade e da memória, com inspiração na música “Vento no Litoral”, da banda Legião Urbana.

A trama acompanha a trajetória de Pedro e Gabriel, dois garotos que apesar das diferenças sociais, desenvolvem uma profunda amizade, mas se separam na juventude, mantendo contato apenas através de memórias, pensamentos e um “Livro da Sorte”. A história se desenrola ao longo de sete anos, com passagens entre as cidades de Vila Velha, no Espírito Santo, e Nova Iorque, nos Estados Unidos, nas décadas de 80 e 90. Os flashbacks revelam momentos marcantes da juventude e os sonhos que os uniram.

Esta é a primeira vez que a autora Regiana Antonini, conhecida por seu olhar poético e delicado sobre as relações humanas, apresenta esta montagem na cidade de São Paulo, que já passou por diversas cidades brasileiras e algumas cidades no exterior. A produção também marca a estreia do diretor Marinho Moraes, que dirige sua primeira peça teatral, Marinho é conhecido por dirigir diversas novelas infanto-juvenis no SBT, como Cúmplices de um Resgate, Poliana e A Infância de Romeu e Julieta.

No palco, Felipe Camacho estreia no teatro dando vida ao personagem Gabriel. Natural de Niterói , o cantor e ator de 28 anos iniciou a carreira artística após atuar como jogador de futebol profissional. Hoje se divide entre a música e o teatro, com formação em instituições como CAL, Tablado e Escola de Atores Wolf Maya.

Marcos Moraes, 38 anos, dá vida ao personagem Pedro. Com uma carreira teatral e passagens pela TV, Marcos é formado pelo Teatro Escola Macunaíma e soma mais de 12 espetáculos no currículo, além de experiências como assistente de direção e diretor de curta-metragem. A montagem tem duração de 60 minutos, com classificação livre e é uma realização da produtora Sonhos em Ação, em parceria com a empresa de assessoria MM Estratégia de Imagem. A primeira versão do espetáculo foi montada em 1995 e, desde então, a peça já ganhou 12 montagens diferentes, emocionando plateias de várias regiões do país.


Serviço
Peça: “Aonde Está Você Agora?”
Texto: Regiana Antonini
Direção geral: Marinho Moraes
Elenco: Felipe Camacho e Marcos Moraes
Curta temporada: 31/07 a 28/08
Dias: Quintas-feiras, às 20:30h
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos.
Produção: Sonhos em Ação e MM Estratégia de Imagem.
Local: Casa de Artes SP - Rua Major Sertório, 476, - Vila Buarque - São Paulo / SP.
Valor: À partir de R$ 40,00
Ingressos disponíveis em: Link
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