terça-feira, 7 de outubro de 2025

.: Sérgio Mamberti tem jornada artística revisitada em série documental


Dirigida por Evaldo Mocarzel, produção em três episódios traça o mapa afetivo e político de um dos maiores intérpretes do país, da cena underground à gestão cultural. Foto: Matheus José Maria

A memória é também um palco por onde transitam vozes, imagens e silêncios que compõem a vida de um artista. É desse movimento que nasce "Sérgio Mamberti, Memórias de Um Ator Brasileiro", série documental dirigida por Evaldo Mocarzel, que revisita a trajetória do ator, diretor e gestor cultural falecido em 2021. Com três episódios, a produção estreia em 26 de setembro de 2025, às 22h00, no SescTV, com exibição semanal, e fica disponível na íntegra no site do canal e na plataforma e app Sesc Digital.

Mais do que um registro biográfico, a série apresenta um percurso em primeira pessoa, a partir de depoimentos de Mamberti e de extenso material de arquivo. Entrelaçam-se ali a história do teatro brasileiro, a resistência política, a cena cultural dos anos 1960 e 1970 e a intimidade de um artista que nunca separou vida e obra.

No primeiro episódio, o ator retorna à infância em Santos, no litoral paulista, onde o Clube de Cinema organizado por seu pai lhe apresentou mitos da cena brasileira, como o ator, diretor e dramaturgo Procópio Ferreira e a cantora Nora Ney. Foi também nesse período que, aos doze anos, conheceu a jornalista e escritora Patrícia Galvão, a Pagu, figura central na formação de seu olhar crítico.

Aos 17, mudou-se para São Paulo. Frequentava o Teatro de Arena, a Biblioteca Mário de Andrade e os bares onde bebiam José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi e uma geração decidida a reinventar a dramaturgia nacional. Ingressou na Escola de Arte Dramática da USP, a EAD. Fundada em 1948, a escola era referência nas discussões sobre o teatro moderno e se posicionava como peça central da dramaturgia paulistana.

A estreia profissional de Mamberti aconteceu em 1964, em meio ao Golpe Militar, na montagem de “O Inoportuno”, de Harold Pinter, sob a direção de Antônio Abujamra. Em apenas três anos de carreira, o ator recebeu o prêmio Saci - um dos mais cobiçados da época. Reconhecido pela crítica e pelo público, cultivou amizades duradouras no meio teatral, como Cacilda Becker, Walmor Chagas e o mestre polonês Zbigniew Ziembinski, arquiteto da encenação moderna no Brasil, por quem nutria devoção.

Os anos de censura e perseguição marcaram sua atuação política. "Durante o período da ditadura, o teatro assumiu a vanguarda da resistência, porque era um teatro extremamente politizado", recorda Mamberti. Filiado ao Partido Comunista, esteve em montagens como “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos, e “O Balcão”, do francês Jean Genet, encenado pelo dramaturgo argentino Victor Garcia. Carregadas de crítica social, essas obras se tornaram símbolos de contestação e alvo frequente da repressão.

O segundo episódio da série conduz o espectador à casa de Mamberti no bairro da Bela Vista, em São Paulo. O espaço, aberto a artistas e intelectuais, transformou-se em ponto de encontro da contracultura. Uma casa de portas abertas, por onde transitavam nomes como Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, os Novos Baianos, entre outros. Foi lá que recebeu a companhia anarquista norte-americana Living Theatre, cuja proposta de revolução sexual e dissolução das fronteiras entre arte e vida influenciou decisivamente sua geração.

Paralelamente ao teatro, Mamberti consolidava sua carreira no cinema, tornando-se um rosto familiar na filmografia marginal e autoral brasileira. Seus personagens em obras como “Toda Nudez Será Castigada” (1973), de Arnaldo Jabor, “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla, “Maldita Coincidência” (1979), de Sergio Bianchi, e “Brava Gente Brasileira” (2000), de Lúcia Murat, testemunhavam sua versatilidade nas telas. Cinéfilo voraz, o ator assistia de oito a dez filmes por semana e nutria o desejo silencioso de dirigir.

O episódio final da série remonta a uma experiência em Londres, nos anos 1970, ao lado de Gilberto Gil. A cena - um ritual lisérgico com mescalina - tornou-se profecia: em um futuro ainda distante, ambos estariam juntos na reconstrução da política cultural brasileira. Décadas mais tarde, no Ministério da Cultura de Gil (2003-2008), Mamberti foi Secretário de Políticas Públicas para Música e Artes Cênicas, ministro interino em diversas ocasiões e representante do país em fóruns internacionais, realizando, com um sorriso irônico, o desejo antigo de seu pai de vê-lo como diplomata. Esteve também à frente do extinto Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, que se destacou por promover shows a preços populares e revelar novos nomes da música brasileira, como Cássia Eller, Zélia Duncan e Chico César.

Apesar da intensa atuação como gestor, Mamberti nunca deixou de se reconhecer, antes de tudo, como ator. "O ator tem uma função social, ele tem esse efeito multiplicador", reflete. Seus cadernos de colagens, utilizados como parte do processo criativo, revelam a disciplina com que construía personagens. Mesmo presente na televisão - em diversas novelas e na marcante série infantojuvenil Castelo Rá-Tim-Bum - e no cinema, ele mantinha o teatro como núcleo de sua trajetória e era categórico em sua fala: "O teatro é a arte do ator".

A série se encerra com uma visita ao Teatro Ruth Escobar, onde encenou a peça “O Balcão” por dois anos. O espaço se torna metáfora de um ciclo que se completa."Sérgio Mamberti, Memórias de Um Ator Brasileiro" ilumina uma vida dedicada à cena, marcada pela resistência, pela paixão e pela crença inabalável no poder transformador do palco. Compre a biografia de Sérgio Mamberti neste link.


Serviço
"Sérgio Mamberti, Memórias de Um Ator Brasileiro"
Série documental
Direção: Evaldo Mocarzel
Conteúdo: três episódios
Duração aproximada: 50 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Estreia: 26 de setembro, sexta-feira, às 22h


Sob demanda
Quando: a partir de 26 de setembro de 2025
Assista em sesctv.org.br/mamberti e sesc.digital
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.: "Tudo É Rio", produzido pela Boutique Filmes: distribuição da Vitrine Filmes

Inspirado no livro homônimo de Carla Madeira, longa será dirigido por Julia Rezende, roteirizado por Gustavo Lipsztein e tem previsão de estreia para 2027

O longa-metragem "Tudo É Rio", inspirado no livro homônimo de Carla Madeira com produção da Boutique Filmes, será distribuído pela Vitrine Filmes e deve chegar aos cinemas em 2027. O anúncio foi realizado durante o painel da distribuidora na Expocine na última sexta-feira, 3 de outubro. "Tudo É Rio" conta a história do casal Dalva e Venâncio, abalado por um acontecimento extremo e violento. Como reparação de seu desencanto, Dalva utiliza o silêncio e o desprezo para se vingar. Mas, o surgimento de Lucy, uma prostituta enigmática, cria um triângulo em que desejo, ciúme e obsessão se entrelaçam.

Em um mergulho nas intensidades humanas, a trama é marcada pela violência e suas consequências, onde amor, perda e desejo se misturam. A história ainda traz temas como perdão e a tensão entre corpo e alma. O longa-metragem será dirigido por Julia Rezende, roteirizado por Gustavo Lipsztein, produzido por Gustavo Mello e tem previsão de início das filmagens para agosto de 2026. Compre o livro "Tudo É Rio", de Carla Madeira, neste link.

.: Teatro: "As Aves da Noite", de Hilda Hilst, circula em São Paulo


Espetáculo, cuja história se passa em um campo de concentração nazista, tem apresentações gratuitas em São Bernardo do Campo, Campinas, São Caetano do Sul, São Paulo e Ribeirão Preto. Foto: Heloísa Bortz


O espetáculo "As Aves da Noite", drama teatral escrito por Hilda Hilst, há 57 anos, vencedor do Prêmio APCA 2022 de Melhor Espetáculo Virtual, tem apresentações gratuitas em cinco cidades paulistas, incluindo a capital. A circulação tem início no dia 10 de outubro e segue até 02 de novembro. A encenação, que se passa em um campo de concentração nazista de Auschwitz, tem direção de Hugo Coelho e elenco formado por Marco Antônio Pâmio, Marat Descartes, Regina Maria Remencius, Rafael Losso, Walter Breda, Fernando Vítor, Marcos Suchara, Wesley Guindani e Heloisa Rocha.

A circulação começa por São Bernardo do Campo, com apresentações nos dias 10 e 11/10, sexta e sábado, no Teatro Lauro Gomes, às 20h30. Em Campinas, a sessão é no Teatro Municipal José de Castro Mendes, no dia 16/10, quinta, às 20h. Em São Caetano do Sul, ocorrem duas sessões no Teatro Municipal Santos Dumont, no dia 17/10, sexta, às 18h e às 20h. O Teatro Alfredo Mesquita, na zona norte de São Paulo, recebe três apresentações, dias 24, 25 e 26/10, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Fechando a circulação, a montagem ocupa o palco do Teatro Municipal de Ribeirão Preto, nos dias 01 e 02/11, sábado, às 20h, e domingo, às 18h. Este projeto tem o apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura por meio do Edital ProAC/PNAB nº 27/2024 de Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais.

O enredo de "As Aves da Noite" parte da história real do padre franciscano Maximilian Kolbe, que apresentou-se voluntariamente para ocupar o lugar de um judeu sorteado para morrer no chamado “porão da fome” em represália à fuga de um prisioneiro. Segundo o diretor Hugo Coelho, “esta é uma versão contemporânea do texto de Hilda. Não é uma reconstituição de Auschwitz, partimos de Auschwitz. O espetáculo é um grito contra a barbárie, contra o fascismo que usa a violência como instrumento de ação política”.

No porão da fome, a autora coloca em conflito os prisioneiros condenados a morrer na cela: o Padre, o Carcereiro, o Poeta, o Estudante e o Joalheiro, que são visitados pelo Oficial da SS, pela Mulher que limpa os fornos e por Hans, o ajudante da SS. Na montagem, eles aparecem isolados, confinados em gaiolas como um signo, uma alusão à prisão onde a história se passa. “A primeira coisa que os governos totalitários e ditatoriais fazem ao prender alguém é destituí-lo de sua dignidade e submetê-lo ao sofrimento extremado, e isso os nazistas fizeram com requintes inimagináveis de crueldade”, comenta o diretor.  Segundo ele, a proposta de concepção de Hilda Hilst é muito clara, colocando as personagens em estado de reflexão sobre suas próprias condições no confinamento. A leitura que a autora faz dos aspectos éticos e humanos passa por questionamentos sobre Deus, sobre o mal e sobre a crueldade.

Nos diálogos estão o embate entre a vida e o que lhes resta, os devaneios entre o desespero e o delírio. O Poeta declama como se morto estivesse, o Estudante sonha com outro tempo, o Joalheiro ainda lembra-se da magnitude das pedras, enquanto a Mulher é humilhada em sua condição inferior. O Carcereiro, mesmo sendo um condenado, ironiza a condição dos demais e os trata com escárnio; o SS os chama de porcos e os agride e menospreza, enquanto o estado de debilidade emerge da vida e da já não existência desses humanos subjugados.

A montagem de "As Aves da Noite" busca elucidar a humanidade e densidade contida no texto, mergulhando nas possibilidades inesgotáveis do drama para emergir na poética da tragédia. “O discurso racional não dá conta da realidade. A arte tem o papel de traduzir esse discurso como uma segunda realidade que passa pela razão, mas também pelo sensorial e pela emoção”, reflete Hugo Coelho. “E temos a sorte de reunir um elenco de extrema grandeza. O talento desses atores é um pilar fortíssimo no resultado final do trabalho”.

Sobre o texto, Hilda Hilst falou: “Com 'As aves da noite', pretendi ouvir o que foi dito na cela da fome, em Auschwitz. Foi muito difícil. Se os meus personagens parecerem demasiadamente poéticos é porque acredito que só em situações extremas é que a poesia pode eclodir viva, em verdade. Só em situações extremas é que interrogamos esse grande obscuro que é Deus, com voracidade, desespero e poesia”.

O cenário, que traduz o cárcere com gaiolas humanas, foi concebido pelo diretor. O figurino (de Rosângela Ribeiro) faz alusão aos uniformes de presidiários, reforçando a imagem do encarceramento. A iluminação (de Fran Barros) dá foco a cada personagem, reforça o clima denso e claustrofóbico do ambiente, privilegiando o espaço teatral, e a trilha sonora, assinada por Ricardo Severo, traz uma canção original do texto que remete à tradição judaica, cantada pelas personagens, e segue a mesma orientação da iluminação.

Hugo Coelho afirma que o propósito do espetáculo é trazer à cena o discurso poderoso e contundente de Hilda Hilst. “'As Aves da Noite' nos faz encarar toda a barbárie do poder, do domínio, do autoritarismo, das torturas nos porões das ditaduras. Auschwitz é uma ferida aberta na humanidade para a qual é difícil encontrar palavras que a qualifique. As Aves da Noite mostra o reverso, o outro rosto da humanidade, perverso, doente e profundamente violento. Não podemos permitir que a violência e a barbárie continuem sendo normatizadas ao longo da história. Por isso essa obra, de extrema qualidade literária, é tão importante para o momento em que vivemos”, finaliza o encenador.

"As Aves da Noite", idealizado pelo produtor Fábio Hilst, teve sua primeira temporada apresentada virtualmente, devido à pandemia da covid-19. Foi gravado em vídeo, 80 anos após a morte de Maximilian Kolbe, exatamente no momento em que o mundo vivia uma experiência de confinamento. Kolbe morreu em Auschwitz, em 1941, e foi canonizado em 1982, pelo Papa João Paulo II. São Maximiliano é considerado padroeiro dos jornalistas e radialistas e protetor da liberdade de expressão.


FICHA TÉCNICA - Texto: Hilda Hilst (1968). Direção: Hugo Coelho. Elenco: Marco Antônio Pâmio (Pe. Maximilian), Marat Descartes (Carcereiro), Regina Maria Remencius (Mulher), Walter Breda (Joalheiro), Rafael Losso (Estudante), Fernando Vítor (Poeta), Marcos Suchara (SS), Wesley Guindani (Hans) e Heloisa Rocha. Direção de produção: Fábio Hilst. Assistência de direção e produção: Fernanda Lorenzoni. Cenografia: Hugo Coelho. Figurino e objetos de cena: Rosângela Ribeiro. Desenho de luz: Fran Barros. Música original e desenho de som: Ricardo Severo. Cenotecnia: Wagner José de Almeida. Serralheria: José da Hora. Pintura de arte: Alessandra Siqueira. Assistência de cenotecnia: Matheus Tomé. Confecção de figurino: Vilma Hirata e Natalia Hirata. Fotos: Priscila Prade e Heloísa Bortz. Design gráfico: Letícia Andrade. Gerenciamento de mídias sociais: Felipe Pirillo. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Produção: Três no Tapa Produções Artísticas. Realização: Fomento CultSP, Governo do Estado de São Paulo através da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura, Governo Federal - União e Reconstrução.


Serviço | Programação

Espetáculo: As Aves da Noite

Duração: 75 min. Gênero: Drama. Classificação: 16 anos.

Ingressos: Gratuitos - Bilheterias dos teatros: 1h antes das sessões.

Ingressos antecipados: Sympla - www.sympla.com.br (reserva no início de cada semana); exceto em Ribeirão Preto, pela https://megabilheteria.com.


Teatro Lauro Gomes - São Bernardo do Campo/SP

Dias 10 e 11 de outubro - Sexta e sábado, às 20h30

Rua Helena Jacquey, 171 - Rudge Ramos. São Bernardo do Campo/SP.

Tel.: (11) 4368-3483. Capacidade: 526 lugares.

Sessão com Intérprete de Libras e bate-papo com o público: 11/10 (sábado).


Teatro Municipal José de Castro Mendes - Campinas/SP

Dia 16 de outubro - Quinta, às 20h

Rua Conselheiro Gomide, 62 - Vila Industrial. Campinas/SP.

Tel.: (19) 3272-9359. Capacidade: 760 lugares.

Sessão com Intérprete de Libras e bate-papo com o público.


Teatro Municipal Santos Dumont - São Caetano do Sul/SP

Dia 17 de outubro - Sexta, às 18h e às 20h

Avenida Goiás, 1111 - Centro. São Caetano do Sul/SP.

Tel.: (11) 4221-8347. Capacidade: 370 lugares.

Intérprete de Libras: sessão das 20h.


Teatro Alfredo Mesquita - São Paulo/SP

Dias 24, 25 e 26 de outubro - Sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Avenida Santos Dumont, 1770 - Santana. São Paulo/SP.

Tel.: (11) 2221-3657. Capacidade: 198 lugares.

Intérprete de Libras, audiodescrição e bate-papo com o público: 26/10 (domingo).

 

Teatro Municipal de Ribeirão Preto - Ribeirão Preto/SP

Dias 01 e 02 de novembro - Sábado, às 20h, e domingo, às 18h

Praça Alto do São Bento, s/nº - Campos Elísios. Ribeirão Preto/SP.

Tel.: (16) 3625-6841. Capacidade: 515 lugares.

Intérprete de Libras e bate-papo com o público: 02/11 (domingo).


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

.: Entrevista com Marco Ribeiro: a voz por trás do "Homem de Ferro" fala


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com. Na imagem, Marco Ribeiro com um dos personagens mais incônicos que emprestou a voz: o Woody de "Toy Story". Foto: divulgação

Ele é a voz por trás de alguns dos personagens mais amados - e lembrados - do cinema mundial. Marco Ribeiro não apenas fala por Woody, de "Toy Story", Tony Stark, o "Homem de Ferro" da Marvel, ou pelos atores Jim Carrey e Tom Hanks: ele dá alma brasileira a esses ícones globais. Em 38 anos de carreira, o dublador, ator e diretor de dublagem ajudou a construir o que hoje se reconhece como a “escola brasileira de dublagem” - sensível, criativa e tecnicamente impecável.

Entre as cabines de som e os grandes estúdios, Marco transita com naturalidade entre fé, arte e técnica. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ele revisita personagens lendários, comenta o fim da liberdade criativa nos estúdios, reflete sobre inclusão e revela qual “virada de trama” ainda espera para a própria vida. Do humor anárquico de "O Máskara" à emoção existencial de "Toy Story", Marco Ribeiro fala com a serenidade de quem entende que dublar é, no fundo, traduzir almas - e que a voz certa pode atravessar gerações.

Resenhando.com - Você dá voz a heróis que enfrentam vilões intergalácticos, detetives excêntricos, brinquedos com crises existenciais e até insetos revolucionários. Qual desses personagens exigiu a dublagem mais difícil de sustentar?
Marco Ribeiro -
Creio que tenha sido o Woody, pela sutileza da interpretação do Tom Hanks. São várias nuances em uma mesma frase e buscamos ficar bem em cima da obra original.


Resenhando.com - Já que estamos falando de vozes: existe algum personagem que gostaria que tivesse chegado até você e ainda não aconteceu?
Marco Ribeiro - 
O Batman e o Superman, assim como o Homem de Ferro, fizeram muito parte da minha infância pelos filmes e quadrinhos. Gostaria de ter dublado um desses heróis com capa, mas, na verdade, eles já estão em boas mãos com dubladores maravilhosos.


Resenhando.com - Em Yu Yu Hakusho, seu Yusuke virou lenda urbana com frases como “pára o bonde que Isabel caiu”. Existe improviso assim hoje em grandes franquias ou a dublagem atual virou refém do “politicamente correto”?
Marco Ribeiro - 
Hoje, por várias questões, não temos mais tanta liberdade como tínhamos. O caso de Yu Yu Hakusho foi especial: uma união de ótimos dubladores, criativos, com liberdade de criação por parte do diretor, que era eu (risos), e também dos clientes.

Resenhando.com - Você é dublador do Robert Downey Jr. há quase três décadas. Já teve a impressão de que, no imaginário do público brasileiro, a sua voz é a voz original do ator?
Marco Ribeiro - 
Sim. Já dublei o Robert Downey Jr. em vários filmes e personagens diferentes - psicopata, bonzinho, infantil, dramático. Colocamos a voz e a interpretação onde o personagem exige. Nas minhas redes sociais, vejo muita gente dizendo que não consegue mais ver o ator com outra voz. Alguns até afirmam que a voz brasileira é melhor que a original. Paixões à parte, acredito que criei uma identidade brasileira para o ator, e é isso que a boa dublagem deve fazer. Foi assim que ela se tornou respeitada, elogiada e admirada no mundo todo.

Resenhando.com - Se você pudesse reunir no mesmo estúdio todos os personagens que já dublou… quem brigaria com quem, e quem sairia de alma lavada?
Marco Ribeiro - (
Risos) Creio que seria uma convivência pacífica. Até os mais agitados ficariam calmos participando da magia do estúdio e da dublagem. Seria um clima de harmonia.

Resenhando.com - O Brasil é um dos países mais respeitados do mundo quando o assunto é dublagem. Mas ainda há quem torça o nariz para o “filme dublado”. Que resposta você faria para esse público?
Marco Ribeiro - 
Hoje falamos muito de inclusão, mas não pensamos nos 11 milhões de analfabetos que temos no Brasil e nos quase sete milhões de cegos ou pessoas com deficiência visual. A dublagem é, sobretudo, inclusiva. Ela proporciona a essas pessoas, muitas vezes excluídas do entretenimento, a chance de sonhar, se divertir e se emocionar com histórias, vozes e aventuras. O que precisamos é exigir sempre uma boa dublagem. Se ela for ruim, feita por pessoas sem qualificação e sem qualidade artística, devemos reclamar — como fazemos com qualquer produto malfeito.


Resenhando.com - Você já dublou personagens que morrem, ressuscitam, trocam de universo ou de consciência. Se a vida fosse roteirizada como os filmes que você dubla, qual virada de trama você ainda espera para o seu próprio enredo?
Marco Ribeiro - Espero poder viver em paz e contribuir para o bem do mundo e das pessoas ao meu redor, levando uma mensagem de esperança, amor e fé, através de Jesus.

Resenhando.com - Você é a voz de Robert Downey Jr., Tom Hanks e Jim Carrey. Qual a sua opinião pessoal sobre esses artistas? Já chegou a conhecê-los pessoalmente?
Marco Ribeiro - 
Infelizmente ainda não os conheci pessoalmente, mas são atores fantásticos, para os quais tenho o prazer de emprestar minha voz. Espero que tenham longa vida e muito trabalho, e que eu também possa estar por aqui para dar vida, em português, a tantos personagens incríveis que eles venham a interpretar. Sempre reforçando a hashtag criada por mim em 2017: #PrestigieABoaDublagem, para valorizar e preservar essa linda arte.


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.: Entrevista com Bea, defensora do pagode no "Estrela da Casa"


Natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, cantora defendeu o pagode ao longo da temporada e agora planeja se dedicar a um projeto audiovisual. Foto: Globo/Fábio Rocha


Bea deixou a disputa do talent show "Estrela da Casa" no último dia 30, já mirando na carreira de sucesso que pretende trilhar. Com 27 anos, a cantora natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, defendeu o pagode ao longo da temporada e agora planeja se dedicar a um projeto audiovisual. Com a certeza de que foi fiel à sua verdade do início ao fim, Bea afirma que não mudaria nada em sua participação no reality. “Tudo que as pessoas viram na TV é exatamente o que eu sou no dia a dia.  Eu sou isso na vida e não pretendo mudar”, ressalta. 


O que foi mais especial na sua participação no "Estrela da Casa"?
Bea -
Todo o aprendizado que eu pude absorver. Todas as oficinas, desafios de composição, as provas, tudo tinha um aprendizado muito genuíno. O que eu mais consegui desenvolver através desse aprendizado foi o meu lado de composição. Eu sempre compus, mas sempre tive uma limitação para compor. Sempre precisava de algum acontecimento para me inspirar. Hoje eu consigo compor aqui, sentada, só pegando um papel e uma caneta e começando a inventar. Isso é graças ao "Estrela da Casa". 
 

Qual foi sua dinâmica preferida? 
Bea - Eu acho que o "Desafio Musical" com o tema "Vilão de Novela", em que a gente teve que fazer uma música para o personagem Marco Aurélio, da novela "Vale Tudo". Foi literalmente um desafio, mas foi muito legal de fazer, porque eu usei todo o meu lado engraçado para compor a música junto com as outras pessoas. E foi interessante como saiu uma música muito boa, que super poderia ser usada na trilha da novela. 

 
De qual apresentação sua você mais gostou? 
Bea - Quando cantei “A Loba”, da Alcione. Foi a melhor de todas. Eu amo todas as minhas apresentações, mas eu nunca me entreguei 100% como eu me entreguei nessa apresentação, em toda a minha vida. 
 

Quais aprendizados você levou do "Estrela da Casa" para sua carreira? 
Bea - Bom, primeiro que a gente precisa organizar a carreira antes de subir no palco. Isso em todo o quesito: jurídico, comunicativo, visual, olhar para toda a gestão de carreira em si. A gente precisa ter uma estrutura para atender contratantes e donos de casas de shows. Não dá para ir faltando nada. Posicionamento no palco. Entender para onde olhar. Como se comunicar com o público. Como trazer o público para você. Aprender como ensinar o público a sua música nova, isso eu aprendi com a Daniela Mercury quando ela nos visitou no Centro de Treinamento. É preciso pensar no que fazer no pós-show. Por mais que se tenha uma equipe que responda para você, o artista tem que entender tudo o que está acontecendo. Não dá para eu entregar todas as suas demandas na mão de alguém sem saber o que esse alguém vai fazer. Então, essas coisas foram aprendizados muito importantes e que eu vou levar para a vida. Porque eu quero ter vários e vários anos de carreira. 
 

O que faria diferente, se tivesse a chance? 
Bea - Acho que eu não faria nada diferente. Eu seria exatamente o que eu fui, porque meu melhor amigo falou para mim que eu nunca fui tão fiel a mim como nesse programa. Nunca fui eu de maneira tão íntegra. E tudo que as pessoas viram na TV é exatamente o que eu sou no dia a dia. Com os meus pais, com os meus irmãos, com os meus amigos, com os meus fãs, com os meus funcionários, meus sócios. Eu sou isso na vida e não pretendo mudar. Mesmo que algumas pessoas não concordem com algumas coisas, sempre vai ter alguém que não vai concordar. Nem Jesus agradou todo mundo, então eu também não tenho como agradar. Mas me alegra saber que estou sendo eu. 
 

Quem tem mais chances de sair vencedor ou vencedora? E para quem fica sua torcida?   
Bea - Eu acho que quem tem mais chance é o Hanii, porque ele é um artista completo. Ele tem vocal, tem performance, ele lida bem com a câmera, é um artista confiante. Ele pode estar passando a barreira que for, mas se ele precisa entregar alguma coisa, ele se concentra e entrega. Ele é dedicado, ensaia igual louco, se cobra, pede opinião... é uma pessoa empática. É uma pessoa que trata muito bem os fãs. Ele merece muito porque ele é de fato uma estrela. E a minha torcida é toda para ele. Eu vou votar muito, dar a minha vida para esse menino ganhar esse programa. 

Quais são os próximos passos da sua carreira?
Primeiro eu quero entender como ficaram as coisas aqui fora. Eu tenho um projeto de pagode lá em Campinas, em São Paulo, e eu tive que deixar esse projeto com alguns amigos cantando no meu lugar, fazendo o projeto no meu lugar, que rola todo sábado. E agora eu quero entender como é que ficou isso, se a casa vai comportar o meu público novo, se esse projeto vai continuar. Mas a minha grande meta, a médio prazo, é o meu audiovisual, o meu DVD. Já estou com várias ideias. Algumas coisas já passei para o bloco de notas do celular. Quero pôr em prática para, no máximo, já ter gravado até abril do ano que vem. 

.: Clássico de García Márquez, "Cem Anos de Solidão" ganha edição ilustrada


Romance fundamental na história da literatura, "Cem Anos de Solidão" ganha edição primorosa em capa dura, com ilustrações inéditas da artista chilena Luisa Rivera. O romance é a obra-prima de Gabriel García Márquez, mestre do realismo mágico latino-americano, um dos autores mais importantes do século XX, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. As obras dele já venderam quase 3 milhões de exemplares só no Brasil e foram adaptadas para filmes e minisséries. A tradução é de Eric Nepomuceno e as lustrações são de Luisa Rivera

"Cem Anos de Solidão", um dos maiores clássicos da literatura latino-americana e mundial, narra a incrível e triste história dos Buendía - a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” - e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerada uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou Gabriel García Márquez como um dos maiores escritores do século XX.

Em nenhum outro livro o autor colombiano empenhou-se tanto para alcançar o tom com que sua avó materna lhe contava os episódios mais fantásticos sem alterar um só traço do rosto. Assim, ao mesmo tempo que a incrível e triste história dos Buendía pode ser entendida como uma enciclopédia do imaginário, ela é narrada de modo a parecer que tudo faz parte da mais banal das realidades.

Gabo, apelido de Gabriel García Márquez, costumava dizer que todo grande escritor está sempre escrevendo o mesmo livro. “E qual seria o seu?”, perguntaram-lhe. “O livro da solidão”, foi a resposta. Apesar disso, ele não considerava "Cem Anos..." sua melhor obra (gostava demais de "O Outono do Patriarca"). O que importa? O certo é que nenhum outro romance resume tão bem o formidável talento desse contador de histórias de solitários - que se espalham e se espalharão por muito mais de cem anos pelas Macondos do mundo inteiro.

Os milhões de exemplares vendidos de uma obra que abriu caminho no “boca a boca”, como gostava de dizer Gabo, são a mais palpável demonstração de que a aventura fabulosa da família Buendía-Iguarán, com milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações, representa ao mesmo tempo o mito e a história, o drama e o amor de um mundo inteiro. E a melhor homenagem que se pode fazer a García Márquez é lê-la. Compre o livro "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez. neste link.


O que disseram sobre o autor

“Nenhum escritor desde Dickens foi tão lido e tão amado quanto Gabriel García Márquez.” – Salman Rushdie

“Pode-se dizer que poucos autores escreveram livros que mudaram todo o curso da literatura. Gabriel García Márquez fez exatamente isso.” – Guardian

“Um dos autores mais visionários – e um dos meus favoritos de quando eu era jovem.” – Barack Obama


Sobre o autor
Gabriel García Márquez
nasceu em 1927 na aldeia de Aracataca, nas imediações de Barranquilla, Colômbia. Autor de alguns dos maiores romances do século XX e mestre do realismo mágico latino-americano, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Entre suas principais obras estão "Cem Anos de Solidão", "O Amor nos Tempos do Cólera", "Crônica de Uma Morte Anunciada", "Doze Contos Peregrinos", "Ninguém Escreve ao Coronel" e "Memória de Minhas Putas Tristes". Compre os livros de Gabriel García Márquez neste link.

.: Com Thalles Cabral, espetáculo narra a jornada de filho que investiga memórias


O texto, inspirado no livro "Triste Não É ao Certo a Palavra", de Gabriel Abreu, marca a estreia de Nicolas Ahnert como dramaturgo e diretor em solo protagonizado por Thalles Cabral. A peça estreia em temporada de dois meses no Teatro Do Núcleo Experimental. Foto: Diego Rodrigues


A partir do livro "Triste Não É ao Certo a Palavra", escrito por Gabriel Abreu e publicado em 2023 pela Companhia das Letras, Nicolas Ahnert estreia como dramaturgo e diretor na peça "Triste! Triste… Triste?", que narra as angústias de um jovem vivendo um luto anunciado, ao descobrir que sua mãe tem apenas um mês de vida. A estreia tem data marcada para 11 de outubro no Teatro do Núcleo Experimental. A temporada segue pelo mês de outubro, com sessões aos sábados, às 20h00, e domingos, às 19h00, e novembro nos mesmos horários aos finais de semana e também às 20h00 das segundas-feiras. 

O espetáculo amplia o universo do livro para explorar os anseios de uma geração anestesiada em busca de sua própria identidade. Muitas perguntas assombram o personagem, no solo vivido pelo ator Thalles Cabral, em uma busca urgente de conhecer a profunda essência da mãe, resgatando e reescrevendo suas memórias, enquanto se depara com a sua própria vulnerabilidade. 

A peça parte, portanto, de um dos maiores dilemas humanos para expor essa crise identitária: a perda da figura materna. O corpo inerte da mãe lança o protagonista nessa autoinvestigação desesperada, explorando as consequências da orfandade prematura na formação do seu caráter. Apesar de tocar em camadas profundas, a peça também traz leveza, requintes de humor e cinismo na construção da personalidade e das vivências do personagem, cuja concepção foi a grande inspiração do autor. 

O encontro de Nicolas Ahnert com o texto se deu de maneira totalmente casual. Ao se deparar com o livro durante um despretensioso passeio à livraria, prontamente se interessou pelo título, sinopse, orelha, até devorá-lo por completo. “Assim que terminei a leitura me veio a ideia de transformar o texto em uma peça. Entre muitas coisas que me chamaram a atenção, tem um hibridismo na linguagem, por usar de recursos como cartas, bilhetes, lembretes, fotos. Ele consegue costurar uma história linear com outros elementos, para além da própria narrativa, e isso soou para mim muito teatral”, pontua. 

Inspirado pela história de "Triste Não É ao Certo a Palavra", o autor e diretor buscou não simplesmente representá-la no palco, mas sim criar uma outra narrativa, focada principalmente em desvendar esse filho, para além do que já existe na literatura original, revelando a profundidade da dor que o atravessa, mesmo quando escondida em seu comportamento cínico e aparentemente arrogante, em alguns momentos. “Meu maior interesse foi desenvolver esse personagem, e a liberdade dramatúrgica que o Gabriel me deu foi fundamental para isso. Para mim era importante que o público pudesse enxergar e entender a dor desse filho, para além do luto. Identificar nele um personagem humano, complexo, e não um herói ou uma vítima. Desejo que as pessoas possam se reconhecer em alguma medida e sair tocadas do teatro”, ressalta.

 
Sinopse de "Triste! Triste… Triste?"
Um filho recebe a notícia de que sua mãe tem apenas um mês de vida. Uma descoberta inesperada o obriga a revirar o passado para conhecer quem essa mulher foi, antes que o tempo acabe. Obcecado em preencher essas lacunas, os limites entre as suas memórias e as da mãe começam a se confundir. Quando uma mãe deixa de existir, o que sobra de um filho? Triste! Triste…Triste? é inspirado no livro Triste não é ao certo a palavra, de Gabriel Abreu, da Companhia das Letras. A peça amplia o universo do livro para explorar os anseios de uma geração anestesiada em busca de sua própria identidade. Siga a peça no Instagram @triste.espetáculo

 
Ficha técnica
Epetáculo "Triste! Triste… Triste?"
Texto e direção: Nicolas Ahnert. Elenco: Thalles Cabral. Cenário e figurino: Pazetto. Iluminação: Nicolas Caratori. Trilha sonora: Alê Martins. Direção de produção: Nicolas Ahnert. Produção: Laura Sciulli e Victor Edwards. Realização: ZERO TEATRO.

 
Serviço
Epetáculo "Triste! Triste… Triste?"
Estreia dia 11 de outubro de 2025.
Temporada: outubro (sábados, às 20h00, e domingos, às 19h00). Novembro (sábados, às 20h00, domingos, às 19h00, e segundas, às 20h00)
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: R$80
Teatro Do Núcleo Experimental
R. Barra Funda, 637 - Barra Funda/São Paulo
Capacidade: 100 lugares.

.: Montagem inédita de "O Filho", do francês Florian Zeller, estreia no Brasil


Depois do enorme sucesso da peça "O Pai", Léo Stefanini dirige montagem inédita no Brasil de "O Filho", também do francês Florian Zeller, com estreia em outubro no Teatro Vivo Com elenco formado por Maria Ribeiro, Gabriel Braga Nunes, Thais Lago, Andreas Trotta, Marcio Marinello e Luciano Schwab, espetáculo é um novo mergulho na teia complexa das relações familiares. Na imagem. Maria Ribeiro, Andreas Trotta e Gabriel Braga Nunes. Foto: Ronaldo Gutierrez


Montada em mais de 20 países e adaptada ao cinema, "O Filho", peça do premiado cineasta e dramaturgo francês Florian Zeller, ganha finalmente sua versão brasileira, ainda inédita no país, com direção de Leo Stefanini. O espetáculo estreia no dia 9 de outubro no Teatro Vivo, onde segue em cartaz até 7 de dezembro de 2025, com sessões de quinta a sábado, às 20h00, e domingos, às 18h00. No elenco estão Andreas Trotta, Gabriel Braga Nunes, Maria Ribeiro, Thais Lago, Marcio Marinello e Luciano Schwab.

Este é o segundo trabalho de Zeller dirigido por Léo Stefanini, que esteve à frente da montagem de “O Pai”, vista por mais de 120 mil espectadores no Brasil e que rendeu o Prêmio Shell de melhor ator para Fúlvio Stefanini. “Eu conhecia a peça e tinha vontade de montá-la desde 2018. E, graças ao sucesso de 'O Pai', reconhecido pelo próprio Florian, que nos parabenizou pelo trabalho em sua rede social, pudemos trazer 'O Filho', que também ambienta esse conturbado universo das relações familiares”, revela o encenador brasileiro.

A trama acompanha Nicolas (Andreas Trotta), um adolescente de 16 anos que se sente perdido em um difícil processo de depressão. Filho de pais separados (Maria Ribeiro e Gabriel Braga Nunes), ele deixa a casa da mãe para morar com o pai e a madrasta (Thais Lago) enquanto tenta reencontrar o sentido em sua vida. 

O texto provoca uma reflexão sobre as relações familiares e os mistérios insondáveis da mente. “A depressão em adolescentes é tema fundamental na reflexão sobre nossa sociedade atual. Não faltam dados que comprovam o aumento exponencial de casos, em todas as classes sociais, em grande parte dos países do mundo. Não à toa a peça se tornou uma febre, sendo montada em todos os continentes. E poder jogar luz sobre o tema é importante para impactar o público de maneira única, provocando a reflexão sobre os caminhos possíveis para a redução de um quadro alarmante”, explica Stefanini.

O diretor ainda conta que a encenação é completamente pautada pelo trabalho com os atores. “O público vai acompanhar um espetáculo em ‘close’, valorizando cada detalhe da trama através de seus olhares e expressões. Neste sentido, não há ‘pirotecnia’ na cena. O cenário, a luz e a trilha seguem a sinteticidade proposta pelo texto”, acrescenta.


Ficha técnica
Espetáculo "O Filho"
Autor: Florian Zeller
Tradução: Carol Gonzales
Elenco: Maria Ribeiro, Gabriel Braga Nunes, Thais Lago, Andreas Trotta e Marcio Marinello e Luciano Schwab.
Direção Geral: Léo Stefanini.
Direção de Produção: Thiago Wenzler.
Trilha Sonora Original: Sérvulo Augusto.
Desenho de Luz: Cesar Pivetti.
Figurinos: Yakini Rodrigues.
Fotografia: Ronaldo Gutierrez.
Mídias Sociais: Metamorphose Marketing.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio.


Serviço
Espetáculo "O Filho"
Temporada: 9 de outubro a 07 de dezembro de 2025
De quinta a sábado, às 20h00, e domingos, às 18h00
Teatro Vivo - Av. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo-SP
Vendas online em Sympla.com
Ingressos: R$ 150 (inteira) R$ 75 (meia)
Bilheteria: (11) 3430-1524.  Funcionamento somente nos dias de peça 2h antes da apresentação. Ponto de Venda Sem Taxa de Conveniência: Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 (antigo 860),  Morumbi
Estacionamento no local - Entrada pela Av. Roque Petroni Junior, 1464. Valor R$30. Funcionamento: 2h antes da sessão até 30 minutos após o término da apresentação.
Capacidade: 274 lugares
Classificação: 16 anos
Duração: 80 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Acessibilidade para deficientes visuais.
Acessibilidade para deficientes auditivos.
Acessibilidade para deficientes intelectuais: monitores treinados para auxiliar esse público.

.: Literalistas: Alex Andrade indica livros de Raul Damasceno e Renata Belmonte


O escritor Alex Andrade começou a se interessar por livros na infância. Leitor nato, ele se aventurou na escrita e hoje tem 17 livros publicados, entre literatura para as infâncias e literatura brasileira contemporânea, romances e contos. O último romance dele, "Meu Nome é Laura", publicado pela editora Confraria do Vento, traz a história da construção de uma identidade. Com delicadeza, o autor consegue captar o leitor para um assunto tão sério e atual, a transição de gênero. Entre tantas leituras, Andrade destaca dois livros que gostaria de compartilhar com os leitores.

As indicações são: "O Rio Que Me Corta por Dentro" do escritor Raul Damasceno. "Um livro que narra a história de amor entre Cícero e Luzimar, ambientada no sertão cearense. Com 162 páginas, a obra explora a complexidade das emoções humanas, a saudade e a busca por identidade em um contexto de amor proibido. À medida que Cícero enfrenta a ausência da mãe, ele descobre sentimentos profundos ao lado de Luzimar, desafiando as normas sociais de sua comunidade. A narrativa sensível e poética promete cativar os leitores, trazendo à tona questões sobre amizade, amor e a luta por aceitação".

"Piscinas Russas", da escritora Renata Belmonte, recém publicado pela editora Tusquets. "Combinando suspense e ousadia de estilo, 'Piscinas Russas' discute as histórias que nos formam enquanto pátrias e pessoas, questiona as fronteiras entre autoria e ficção, enquanto também celebra a beleza maior da literatura: a capacidade de, a partir do contato com o idioma particular do outro, acessarmos nossos próprios espaços desconhecidos".

domingo, 5 de outubro de 2025

.: Kikito na mochila e boletos na bolsa: Isabel Guéron fala sobre as entressafras



Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.comFoto: Manuel Águas

Atriz e escritora, Isabel Guéron volta aos palcos com o monólogo "Entressafra", uma comédia de sutilezas e dores, construída a partir do livro homônimo escrito por ela. No palco do Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, ao longo das quatro quartas-feiras de outubro, 8, 15, 22 e 29, sempre às 20h00, ela transforma o que há de mais comum - boletos, maternidade, reuniões de pais, ônibus lotados e silêncios - em arte.

Com humor e delicadeza, Isabel expõe a rotina sem filtro de uma mulher-atriz de mais de 40 anos, desafiando o estereótipo do glamur e colocando o público diante do avesso do ofício. A conversa a seguir, exclusiva para o portal Resenhando.com, revela bastidores da peça, o equilíbrio entre a artista e a mãe, a parceria familiar em cena e as cicatrizes das “entressafras” da vida. Um diálogo sobre arte, sobrevivência e o riso como forma de resistência.

Resenhando.com - "Entressafra" mostra a vida sem filtro de uma atriz com mais de 40 anos. Qual foi a situação mais “glamurosa” da sua vida que, por dentro, era puro caos e boleto atrasado?
Isabel Guéron -
Quando ganhei em Gramado, foi uma surpresa. Eu não ia ao festival, estava há duas semanas de uma estreia no teatro, Depois da Chuva, que eu fiz com direção do Thierry Tremouroux, com ensaios a todo vapor. Mas a produção do filme me convenceu a ficar só dois dias, eu pedi dispensa dos ensaios e fui. Cheguei no dia da exibição do "Buffo Spallanzani", o filme que eu fiz, e no dia seguinte já era a premiação! Eu não tinha visto os filmes concorrentes, estava totalmente sem expectativa. Aí, de repente, meu nome foi anunciado! Tomei um susto! No caminho da minha cadeira até o palco eu só pensava que não tinha preparado nada pra dizer. Quem me entregou o prêmio foi o Othon Bastos! Foi uma emoção sem fim, noite de gala, fotos, festa de cinema. No dia seguinte voltei correndo pro Rio. Fui do aeroporto pro ensaio com o Kikito na mochila (risos). Aí fiz a graça de no meio do ensaio tirar um Kikito da mochila, assim como quem não quer nada; foi uma alegria!


Resenhando.com - No palco você ri de si mesma e do ordinário. Mas e quando o cotidiano não tem graça nenhuma? Como você segura a atriz que mora dentro de você para não transformar tudo em espetáculo?
Isabel Guéron - 
Eu rio de mim mesma no palco e fora do palco. A peça fala sobre isso também: a graça das coisas que aparentemente são banais, a beleza por trás dos acontecimentos banais. E ser atriz, assim como escrever, me joga muito nesse lugar, de observadora. Uma vez, quando trabalhamos juntos, o Tony Ramos me disse que aceitou fazer o personagem quando leu uma cena singela, onde o detetive (personagem em questão) guardava um bolinho num envelope e punha na gaveta, pra lanchar depois. Ele enxergou a profundidade do personagem aí, nesse momento singelo e sem importância. Achei isso tão bonito, tão particular. A vida é assim: se revela nos detalhes. Eu vou vivendo e sendo atriz, é tudo junto. Às vezes é mesmo um espetáculo, mas na maioria do tempo a gente tá ensaiando. 


Resenhando.com - Você já ganhou um Kikito em Gramado, mas também já contou que enfrentou períodos de vazio profissional. Qual dos dois momentos foi mais difícil de encarar: o auge ou a ausência?
Isabel Guéron - 
O elogio e a crítica não podem ser levados muito a sério. É claro que o reconhecimento é uma alegria, e a entressafra pode ser muito dura. Mas eu não tenho outra opção senão continuar.


Resenhando.com - No espetáculo, a reunião de pais aparece como cena. Na vida real, já aconteceu de uma mãe ou pai te reconhecer ali como “a atriz da novela” e você ter que responder ao boletim escolar com a mesma seriedade de uma protagonista de Nelson Rodrigues?
Isabel Guéron - 
(Risos) Não, nunca aconteceu. Imagina uma personagem rodrigueana numa reunião de pais! Eu sou uma mãe mais leve... (risos).


Resenhando.com - A peça fala do ordinário, mas sua trajetória cruza com gente como Walter Lima Jr. e Maria Ribeiro. O que essas pessoas já disseram de você que não caberia num release, mas que ficou gravado na sua memória?
Isabel Guéron - 
Tenho a felicidade de ter amigos muito especiais e eles me dizem o tempo todo coisas importantes. Maria é minha parceira, amiga que eu amo, ficamos grávidas juntas as duas vezes, criamos um podcast juntas, o Isso não é Noronha foi um barato. Estamos amadurecendo juntas e temos uma relação familiar. O Walter é amigo que admiro muito, tenho profundo afeto. Já fui dirigido por ele algumas vezes e sempre tenho algo a aprender. Certa vez ele viu uma peça minha e me chamou pra um café e me disse Bel, você precisa, sua rapidez de raciocínio, sair do texto se for preciso. Ele estava reclamando do meu jeito CDF, de não querer errar e com isso me enrijecer. Tem anos isso, e eu nunca mais abri mão desse conselho. Ontem mesmo nos encontramos no caixa do mercado. Somos vizinhos!


Resenhando.com - A autoficção pode apresentar um reflexo perigoso: o que você descobriu sobre a Isabel Guerón que preferia não ter revelado ao público - mas que o palco a obrigou a escancarar?
Isabel Guéron - 
Descobri muito sobre mim escrevendo o texto. Na hora de adaptar e ensaiar eu atravessei muitos momentos. Chorei sozinha no ensaio algumas vezes e no processo de criação apresentei um esboço da peça em alguns lugares. Escola noturna, universidade, grupo de alunos de teatro. Foi importante entender o que gerava identificação nas pessoas mais diversas, escolher o que era extrapolação do âmbito pessoal. Eu não queria que fosse uma peça sobre mim, e acho que não é. Sou uma desculpa, um pretexto pra falar o que queria dizer.


Resenhando.com - Seu marido está na trilha sonora, seu filho opera o som. Família no teatro é mais companhia ou mais exposição? Alguma vez você já quis “desescalá-los” do processo criativo?
Isabel Guéron - 
Meu marido está na trilha sonora porque ele é um músico genial, sou muito fã do trabalho dele, e eu tenho essa sorte de ser casada com meu trilheiro oficial. Já trabalhar com o Joaquim é uma experiência nova. Quando a gente vê os filhos cresceram, né? E o Joca além de escrever suas músicas, está estudando teatro. Então, achei que seria uma oportunidade interessante para ele, estar dentro da equipe, encarar uma temporada. E ele estava doido pra trabalhar! Foi lindo de ver a dedicação e seriedade dele. Além da sensibilidade e companhia deliciosa! Eles sempre estiveram próximos. Quando eu fazia turnê com eles pequenos, de vez em quando, levava um filho comigo. Eu gosto dessa onda família de circo. E gosto também de viajar sozinha, de sair de casa, de ficar fora um tempo.


Resenhando.com - 
Você vive a entressafra como estado natural da existência. Mas, sinceramente: qual foi a entressafra mais dolorida, aquela que fez você cogitar largar tudo?
Isabel Guéron - 
Depois do meu primeiro filho fiquei assustada. Eu fiquei um ano e meio cuidando dele e depois foi difícil voltar. Porque não é só voltar a trabalhar, é se reencontrar depois da maternidade e ter estrutura pra deixar a criança. Aí fui fazer aulas, oficinas e fui voltando. Outro momento difícil foi a pandemia. Foi pânico total. Eu e Rodrigo somos artistas, ele trabalha com Carnaval, tudo parado. Nós, profissionais da cultura, fomos os primeiros a parar e os últimos a voltar. Eu montei estúdio caseiro e gravei um audiolivro atrás do outro pra fazer algum dinheiro, Rodrigo fazia show e aula on-line, as crianças tendo aula em casa, aquele cenário desolador no país com Bolsonaro, foi um momento que eu pensei: Acabou! Não vamos mais conseguir viver disso que a gente sabe fazer. Mas passou porque tudo passa. A gente ainda se sente meio reconstruindo, mas acho que isso é inerente.


Resenhando.com - A desigualdade social atravessa sua narrativa, do ônibus ao palco. Como atriz e cidadã, você sente que a arte que faz consegue tocar essa ferida ou, no fundo, ainda se fala para uma bolha privilegiada?
Isabel Guéron - 
Eu sou uma mulher ligada em política de modo geral. Meus pais eram professores universitários, de esquerda. Meus três irmãos trabalham com educação. Na minha casa sempre se discutiu política na mesa de jantar, todo mundo sempre tinha uma opinião sobre as coisas. É da minha natureza que as questões sociais atravessem minha vida e consequentemente meu trabalho. Mas eu tenho consciência da bolha em que vivo, e, por isso, meu esforço na dramaturgia da peça foi escapar da bolha. Talvez não escapar, porque é difícil. Mas o que reverbera aqui na minha bolha é que também pode reverberar em outros lugares? Ainda não sai do Rio com a peça. Mas o que eu mais gosto é de viajar com teatro e chegar em lugares diferentes. Jamais vou esquecer quando fui fazer uma peça com Silvio Guindane e Ângelo Paes Leme em Juazeiro, no Ceará, e a fila do teatro dava a volta na Praça. É lindo demais quando a gente consegue isso!


Resenhando.com - Se "Entressafra" fosse adaptado para a televisão - essa máquina de glamour e ilusão -, qual cena você faria questão de manter crua, sem maquiagem, para que ninguém dissesse depois: “a vida real não é assim”?
Isabel Guéron - 
Eu quero adaptar para TV! Já estou até pensando nas parcerias. Adoro a cena em que eu vou registrar minha casa no cartório. Foi uma situação tão inusitada, beirando o absurdo, que não poderia deixar de fora. Agora quem quiser ver a cena tem que ir assistir a peça no Teatro Glaucio Gill, dias 8, 15, 22 e 29 de outubro, quartas-feira. Em curtíssima temporada!

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

.: Crítica musical: Muñoz, a volta do psych rock


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Muñoz é um duo de heavy blues formado pelos irmãos Mauro e Samuel Fontoura. Naturais de Mineiros, município de Goiás, eles formaram a banda em Uberlândia, em Minas Gerais no ano de 2012. E se destacaram com o EP "Muñoz" em 2013 e o álbum "Nebula" em 2014, produzidos por Rafael Vaz no Caverna Estúdio. O seu mais recente lançamento é o CD "Twins", que reforça a sonoridade do duo no estilo psych rock.

A proposta de "Twins" foi produzir um trabalho que representasse com sinceridade a alma da banda: um duo barulhento, visceral e honesto. As letras, seguem uma linha surrealista, introspectiva e sarcástica, dentro do universo do psych rock, abordando temas como ego, solidão, tempo, sonho e loucura. No entanto, o foco do álbum não está nas palavras em si, mas na experiência sonora como um todo, onde voz, ruído e ambiência ocupam o mesmo espaço narrativo.

A capa do disco reforça o caráter íntimo e simbólico do projeto: uma fotografia dos irmãos ainda crianças, nos anos 90. A imagem remete à infância e à conexão fraterna que se traduz também na música - ora nostálgica, ora explosiva. Algumas faixas trazem uma pegada mais garageira, com espírito frenético, que remete à energia do garage rock como expressão juvenil. Se você curte ouvir bandas do segmento indie rock certamente irá se identificar com a sonoridade do Muñoz. Que está distante do som que você ouve nas rádios. E isso já serve como motivo para você conferir o trabalho desse interessante duo.


"Inner Voice"


.: Jair Oliveira e Luciana Mello revivem "Dois na Bossa"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação.

A ideia partiu de Jair Oliveira (Jairzinho): resgatar a memória e celebrar os 60 anos de “Dois na Bossa”, primeiro álbum ao vivo de Jair Rodrigues, Elis Regina e o Jongo Trio, lançado em 1965 e que ultrapassou a marca de 500 mil cópias, um feito inédito na música brasileira até então. Para marcar a data simbólica, Jair subiu ao palco ao lado da irmã, Luciana Mello, em uma noite que reafirmou a vitalidade de um legado que atravessa gerações.

O espetáculo aconteceu no dia 13, no Amaturo Theater, parte do Broward Center for the Performing Arts, em Fort Lauderdale - um dos principais espaços culturais da Flórida, nos Estados Unidos. Os ingressos foram esgotados, evidenciando não apenas a potência de Jair e Elis, mas também o carisma e a solidez artística de Jairzinho e Luciana, que conquistam reconhecimento do público internacional como continuadores e inovadores da tradição musical brasileira. 

O repertório inclui clássicos como "Disparada", "Como Nossos Pais", "Canto de Ossanha", "Arrastão", "Águas de Março" e "Upa, Neguinho", além de medleys que revisitam sambas e canções da bossa nova. O show teve ainda participações de Boca Melodia e da filha de Jair, Isabela Oliveira. “Fiquei ainda mais feliz por ter idealizado este show. ‘Dois na Bossa’ foi um marco na música brasileira e um grande momento na carreira do meu pai e de Elis Regina. Minha intenção sempre foi prestar essa homenagem e reviver toda a emoção que o álbum carrega. Estar fora do país, com ingressos esgotados em um teatro de tanta relevância, e dividir o palco com a minha irmã Luciana torna esse momento ainda mais especial”, afirma Jair Oliveira.

E completa: “De alguma forma, o Jairzão estará com a gente neste show, como se também dividisse o palco conosco - e isso nos emociona profundamente. Queremos que essa homenagem não se restrinja aos Estados Unidos: a ideia é levá-la ao Brasil em 2026, para que o público brasileiro também possa viver de perto essa celebração tão especial da nossa música”. A direção musical é de Jair Oliveira, acompanhado por Cássio Coutinho (teclados), Wesley Cosvosk (bateria) e Kai Sanchez (baixo).


"Medley Dois na Bossa"

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