quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

.: Marcos Damigo desmonta o mito bandeirante para rir de projeto colonial


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Heloísa Bortz

Entre o mito e a farsa, a história do Brasil sempre foi um território disputado - não apenas por quem a escreveu, mas por quem decidiu o que não poderia ser falado. Ao longo de três décadas de trajetória, Marcos Damigo tem feito do teatro um espaço de fricção entre passado e presente, revisitando narrativas oficiais para expor o grotesco escondido sob o verniz da civilização e do progresso. Ator, autor e diretor, ele transforma pesquisa histórica em jogo cênico, ironia e desconforto, recusando a ideia de que o palco deva apenas ilustrar a história. Antes, ele a interroga.

Em cartaz com "Entre a Cruz e os Canibais", comédia farsesca ambientada na São Paulo de 1599, até dia até dia 15 de fevereiro no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, Damigo desmonta o mito bandeirante ao revelar o desajuste entre o projeto colonial e a realidade violenta que o sustentou. Em entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, o artista fala sobre humor como estratégia crítica, a permanência de estruturas coloniais no Brasil contemporâneo, o risco do fracasso como método criativo e o papel do teatro na disputa por outras formas de imaginar o passado e, talvez, o futuro.


Resenhando.com - Você começou a vida adulta estudando agropecuária e agronomia. Em que momento o Brasil real - do campo, da terra e da exploração - virou matéria estética e política do seu teatro, e não apenas uma lembrança biográfica?

Marcos Damigo - Desde sempre, na verdade. Quando fazia agronomia, participava do movimento estudantil e tive muita convivência com a MST. O primeiro texto que eu escrevi nesse viés de história do Brasil no teatro foi sobre a Guerra de Canudos, eu tinha lido “Os Sertões” do Euclides da Cunha com 16, 17 anos, e foi um livro que me impactou muito. Então, quando abandonei a agronomia e caí no teatro, trouxe essas vivências e interesses pro meu fazer artístico. Essa questão da disputa pela terra e de histórias do Brasil ainda dizem muito pra gente - e da gente - são emblemáticas de estruturas que ainda permanecem hoje no Brasil, e elas estão presentes no meu trabalho desde o começo. Um certo idealismo que germinou em mim quando era mais jovem forjou o artista que eu me tornei.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o riso nasce do grotesco. Você acredita que hoje o humor é mais eficaz do que o drama para desmontar mitos nacionais, ou ele corre o risco de anestesiar a violência histórica que denuncia?
Marcos Damigo - O humor e o drama têm, cada um, sua força. O drama opera mais pela identificação, talvez, e a comédia pressupõe um distanciamento crítico. E eu fui me inspirar numa tradição de comédia popular pra escrever esse texto, desde Aristófanes, que criticava os poderosos da Grécia, mas passando também pelos nossos grandes brasileiros, como Martins Pena e Artur Azevedo, por exemplo. O Dario Fo também faz isso muito bem na “Descoberta das Américas”, por exemplo. Nesse caso, de “Entre a Cruz e os Canibais”, operamos no desmonte de uma certa ideia bem sedimentada no nosso imaginário, que é o bandeirante como esse desbravador, destemido, que vai gerar essa cidade-trabalho. Não à toa, quando o mito bandeirante é forjado, na passagem do século 19 para o 20, quando os barões do café investem na construção dessa imagem dos bandeirantes como heróis e de São Paulo como locomotiva do Brasil, é também quando a cidade tem a sua explosão populacional. De uma certa maneira, a construção do mito bandeirante foi muito bem sucedida, né? E eu acho que através do riso e da farsa, e de desmontar e mostrar o absurdo disso, a gente consiga talvez abrir espaço para se pensar outros modos de vida e outros modelos de cidade.


Resenhando.com - O bandeirante já foi herói, vilão, estátua e nome de avenida. O que mais assusta você nessa figura: o passado que ela representa ou a facilidade com que ainda é celebrada no presente?
Marcos Damigo - As duas coisas estão intimamente conectadas: o passado que ele representa, na maneira como esse mito bandeirante foi construído, justifica e fundamenta a celebração dele no presente, na forma das estátuas, das estradas, do Palácio do Governo. É realmente assustador pensar que a gente não está conseguindo se libertar de um paradigma cujo fracasso está cada vez mais evidente, porque ninguém aguenta mais, essa é a verdade, a gente está cada vez mais precarizado, trabalhando cada vez mais, ganhando cada vez menos, tudo em nome desse desenvolvimento desenfreado, e esse paradigma está ancorado nessa imagem dos bandeirantes.


Resenhando.com - Seus trabalhos com Machado de Assis dialogam com ironia, ambiguidade e corrosão moral. Ao olhar para o Brasil colonial, você se sentiu mais próximo de Machado ou de um cronista indignado dos dias de hoje?
Marcos Damigo - Eu sinto que hoje a gente está mais literal, talvez, né? Os discursos estão mais explícitos e nós, como artistas, estamos sendo convocados a nos posicionar de uma maneira mais explícita, para que não haja dúvida do nosso posicionamento e a gente não sofra cancelamentos e tal. O Machado é um pouco o oposto disso, né? Ele vivia, como homem negro, numa sociedade escravista, e alçou uma posição entre uma elite branca e letrada. Então, ele precisava da ironia como arma, que é justamente esse mecanismo de dizer sem dizer. Ele foi desenvolvendo isso como ferramenta, e isso é um dos elementos que o torna genial. Então, de uma certa maneira, nesse equilíbrio precário entre uma posição e outra, eu acho que eu me sinto mais próximo do Machado.


Resenhando.com - Você afirma ter pedido aos atores que “destruíssem” o seu texto. O que mais interessa a você hoje: o controle autoral ou o risco do fracasso em cena?

Marcos Damigo - Eu não tenho nenhum apego ao meu texto, de verdade, eu acho que essa questão do controle autoral é uma armadilha, porque o texto precisa estar a serviço da cena, e não da vaidade do autor. E quando eu escrevo essas peças de conteúdo histórico, tem uma pesquisa prévia muito grande, então é natural que o texto fique um pouco “gordo”, com excesso de referências e tal. E aí é na cena, no ensaio com os atores, que as coisas vão ser testadas, e o que funciona fica, o que não funciona naturalmente cai. O próprio processo começa a se autogerir nesse sentido, e o trabalho do diretor passa a ser muito mais de abrir uma escuta para o que a cena pede do que exatamente impor um ponto de vista. Mas eu gosto de fazer essa dupla comigo mesmo, na dramaturgia e na direção, porque essas escolhas são fundamentadas na pesquisa que eu já fiz. No caso de “Entre a Cruz e os Canibais”, o “destruir o texto” que eu pedi para os atores no começo do processo era justamente nesse sentido de pegar aquilo que eu tinha estruturado através de uma pesquisa e colocar a serviço de uma cena que explicitasse o grotesco das situações.


Resenhando.com - Ao tratar personagens históricos como “tipos”, você rejeita a reconstituição fiel. Em tempos de disputas por narrativas históricas, o teatro deve disputar a verdade ou assumir a mentira como estratégia crítica?
Marcos Damigo - 
Hoje existe uma disputa sobre narrativas, a gente vê isso muito explicitamente na questão da ditadura empresarial-militar que existiu no Brasil, é importante usar essa denominação, que algumas pessoas ainda insistem em chamar de “revolução”. O que a peça faz, na verdade, é mais do que disputar a verdade: é revelar, pelas contradições, a farsa do projeto Moderno. Porque, de uma certa maneira, se a gente parar para pensar, toda a história é uma grande farsa, pelo menos da maneira como a gente conta sem pensar muito no que está dizendo. Se você pensar no Brasil colonial, bem no começo, ali, século 16, costumamos dizer “ah, o Brasil era colônia de Portugal”. Mas, na verdade, o que Portugal conseguiu ocupar eram pontinhos muito isolados de um imenso território. Ou mesmo o Tratado de Tordesilhas, que todo mundo aprende da escola: então quer dizer que um Papa, lá na época, reúne o rei de Portugal e o rei da Espanha, e fala “Vamos traçar uma linha nesse pedaço do mundo aqui e esse lado fica para você e esse outro fica para você”. Não é meio absurdo? Claro que esses absurdos foram se sedimentando no nosso imaginário e criando o mundo da maneira como ele é hoje. Mas a comédia tem essa função de revelar a farsa e talvez abrir possibilidades para outras formas de pensar o mundo.


Resenhando.com - Sua trajetória transita entre teatro, televisão, cinema e audiolivros. O que muda - ética e artisticamente - quando sua voz serve à ficção, à história oficial ou à memória traumática, como em "Última Parada: Auschwitz"?

Marcos Damigo - O que muda, principalmente, é que no teatro, especialmente nesses projetos que eu idealizo e que construo do zero, eu tenho uma autonomia maior para determinar os modos como essa obra vai operar com as questões. Quando eu estou a serviço de um outro produto, seja na televisão, no cinema ou mesmo no audiolivro, eu tento emprestar a minha sensibilidade e a minha visão de mundo para esses trabalhos, e isso obviamente é um importante na maneira como eu sou visto como artista e até do porquê eu sou contratado para esses trabalhos. Mas eu tenho muito menos autonomia, obviamente. Então quando eu pego um livro como esse que você mencionou, “Última Parada: Auschwitz”, eu fico muito feliz porque é um livro importante para entender o que aconteceu num momento tenebroso da história da humanidade.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o progresso nasce junto da barbárie. Você diria que São Paulo ainda vive sob essa mesma lógica colonial, apenas com nomes mais sofisticados?
Marcos Damigo - Desde a minha última peça, “Babilônia Tropical”, que estreou no CCBB BH em 2023, eu tive essa percepção muito evidente desse casamento entre “progresso” e “barbárie”. E cada vez mais vivemos essa distopia, essa dissociação entre o modo como as coisas realmente são e o que elas parecem ser. Então acredito que sim, tanto que eu cheguei a escrever uma frase, falando de “Entre a Cruz e os Canibais”, que é: “revelar o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”. E é isso, né? A gente hoje, por exemplo, vive uma situação de exploração absurda, mas através de uma captura do nosso desejo, por algo que alguns autores chamam de “servidão voluntária”. A gente não precisa mais ser obrigado a trabalhar porque a gente mesmo se obriga, a gente quer poder consumir, usufruir de uma vida confortável, e tudo certo, é legítimo, claro, mas isso mascara a violência e o absurdo da situação como um todo. Ainda mais no Brasil, que é um dos países com maior concentração de renda do mundo.


Resenhando.com - Depois de tantos anos revisitando a história do Brasil em cena, o que mais o incomoda: o que ainda não foi contado ou o que já foi contado demais, sempre do mesmo jeito?

Marcos Damigo - Essas duas questões andam juntas, porque o que a gente escolhe contar e a maneira como a gente escolhe contar diz muito de quem nós, coletivamente como sociedade, nos tornamos. Por exemplo, em “Leopoldina, Independência e Morte”, peça que eu escrevi sobre a imperatriz Leopoldina, questionando a maneira como a vida dela era contada, colocando ela só num lugar de mulher traída e abandonada, mãe… Isso mascarava a importância política que ela teve, porque não era interessante, numa sociedade patriarcal, que uma mulher fosse retratada tendo a importância e inteligência que ela teve naquela época. Então recontar histórias, que nos acostumamos a contar de um certo modo, de outros modos, é o que me move nessa pesquisa com a história do Brasil no teatro.


Resenhando.com - Se o espetáculo "Entre a Cruz e os Canibais" fosse visto daqui a 50 anos, o que você gostaria que o público entendesse sobre nós: que finalmente aprendemos com o passado ou que seguimos rindo para não encarar a realidade?
Marcos Damigo - É interessante pensarmos um pouco nesse paralelo entre o tempo atual e o tempo da história que é retratada em “Entre a Cruz e os Canibais”, porque foram ambos tempos de grandes transformações. Ali, a gente estava nas navegações, a Europa descobrindo outros continentes, povos, culturas, cobiçando muito também essas riquezas e se transformando a partir de tudo isso que eles foram encontrando. Porque é uma via de mão dupla, sempre. E muitas vezes nos acostumamos a pensar a colonização como uma sociedade impondo seus valores sobre outra. Mas o inverso também ocorre, embora seja silenciado, obviamente. E hoje a gente está vivendo essa revolução digital, também um mundo em grande transformação. Então é difícil imaginar como é que o espetáculo seria visto daqui a cinquenta anos. Sendo muito otimista, eu espero que a gente tenha superado questões urgentes, que têm a ver com as crises climáticas, as crises democráticas do mundo. Para que a gente pudesse olhar para essa peça pensando “nossa, que loucura que era naquele tempo!”, e não se identificasse tanto com as questões que ela suscita.

.: "Solte os Cachorros", estreia de Adélia Prado na prosa, volta às livrarias


"Solte os Cachorros",
livro que marca a estreia de Adélia Prado na prosa e no qual a poeta mineira se apresenta como uma narradora feroz, consciente de sua voz e sem receio de se impor para retratar a vida das mulheres de sua geração, volta às livrarias pela Editora Record. Quase 50 anos após a publicação original, o livro permanece surpreendentemente atual, não apenas pelos temas que aborda, mas pela liberdade com que Adélia encara o corpo, a fé, o desejo e o tempo.

A nova edição traz capa assinada pelo premiado designer Leonardo Iaccarino, a partir de obras do artista plástico Pedro Meyer, reforçando o diálogo entre literatura e artes visuais e atualizando o livro para novos leitores. A narrativa que dá título ao livro apresenta uma mulher “na metade da vida”, figura central na obra de Adélia. Amparada pela experiência, ela observa o mundo com alguma contundência, mas sempre com afeto. A voz da personagem se alterna conforme o assunto - ora reflexiva, ora divertida, ora desesperada ou esperançosa - compondo um retrato complexo e profundamente humano da mulher madura.

Na segunda parte do livro, em um exercício de concisão que denuncia a origem poética da autora, Adélia flerta com o miniconto. São narrativas enxutas, de linguagem coloquial e ritmo preciso, que expõem a beleza e a musicalidade do português falado, transformado em matéria literária de alta voltagem. "Solte os Cachorros" é, assim, uma celebração de uma língua inventada por Adélia Prado - ao mesmo tempo doméstica e metafísica - e do universo que ela criou para retratar a mulher de meia-idade, que, apesar do mundo, do tempo e das interdições, não desistirá de desejar.

Aos 90 anos, Adélia Prado segue reconhecida como uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos, vencedora de prêmios como Camões, Machado de Assis, Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional. Em 2014, foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural, coroando uma trajetória que uniu rigor literário, espiritualidade e profunda escuta do cotidiano.

Em recente entrevista ao podcast Casa do Livro, Adélia falou sobre sua relação com o mistério, elemento central da obra dela. “Eu vivo de mistérios, dou graças a Deus pelos mistérios existirem, desde o mistério da Santíssima Trindade ao mistério da encarnação de Deus, até a física quântica. Dá uma energia, esse mundo desconhecido, que eu não sei como é, o além, o depois disso”, afirmou. Ao refletir sobre o passar do tempo e as transformações no modo de escrever, foi ainda mais contundente: “Por dentro, ainda tenho as mesmas curiosidades, as mesmas dificuldades, os mesmos sofrimentos, as mesmas perguntas de quando eu tinha 18”. Compre o livro "Solte os Cachorros", de Adélia Prado, neste link.


Sobre a autora
Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde vive até hoje e que se tornou cenário recorrente de sua obra. Começou a escrever versos aos 15 anos, após a morte da mãe, experiência que marcaria profundamente sua relação com a palavra e com o sagrado. Formou-se no Magistério em 1953 e iniciou a carreira como professora em 1955. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos.

Antes do nascimento da filha caçula, Adélia e o marido ingressaram no curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, formando-se em 1973, um ano após a morte do pai da escritora. Poucos anos depois, enviou seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que os submeteu à leitura de Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond classificou os textos como “fenomenais” e recomendou sua publicação ao editor Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago.

O resultado foi o lançamento de "Bagagem", em 1976, no Rio de Janeiro, em um evento que reuniu nomes como Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon. Desde então, a obra de Adélia Prado consolidou-se como um dos pilares da literatura brasileira contemporânea, abrangendo poesia, contos, romances, livros infantis e teatro - sempre marcada por uma escrita que une o sagrado e o profano, o cotidiano e o absoluto, o riso e a dor. Compre os livros de Adélia Prado neste link.



.: Zé Manoel estreia “Do Sambalanço ao Pagode 90” no Sesc Pinheiros


Show tem participações de Eliana Pittman, Evandro Okàn e Thalma de Freitas. Foto: Kelvin Andrad

O cantor, compositor e pianista Zé Manoel estreia no dia 1º de fevereiro de 2026, domingo, às 18h00, no Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran, o show “Do Sambalanço ao Pagode 90”, novo espetáculo que propõe uma viagem musical e dançante pela história do samba brasileiro. A apresentação contará com participações especiais de Eliana Pittman, Evandro Okàn e Thalma de Freitas

Resultado de um projeto de pesquisa idealizado pelo próprio artista, o show constrói uma linha do tempo sonora que parte do samba-jazz e do sambalanço dos anos 1960, atravessa a ginga do samba-rock - com referências ao lendário Trio Mocotó - e desemboca na estética afetiva e popular do pagode dos anos 1990. O repertório dialoga com sucessos e matrizes que marcaram gerações, evocando nomes como Raça Negra e Só Pra Contrariar, entre outros.

Com arranjos inovadores, performance carismática e uma banda que exala groove, Zé Manoel revisita clássicos do samba e os reconecta com a brasilidade contemporânea. O resultado é um show dançante, cheio de balanço e emocional, em que o diálogo entre samba e jazz amplia as possibilidades rítmicas e afetivas do repertório.

Além da estreia deste novo espetáculo, o artista vive um momento de grande projeção na carreira. Seu álbum mais recente, Coral (2023), considerado um marco estético e político de sua discografia, reúne colaborações com Luedji Luna, Liniker e Alessandra Leão, reafirmando Zé Manoel como uma das vozes mais relevantes da música brasileira contemporânea. Paralelamente, Zé Manoel está em turnê ao lado do pianista Amaro Freitas, com um espetáculo dedicado ao universo do Clube da Esquina, revisitando obras fundamentais do cancioneiro nacional em novas leituras para piano e voz.


Sobre Zé Manoel
José Manoel de Carvalho Neto, conhecido artisticamente como Zé Manoel, nasceu em Petrolina, Pernambuco. Desde cedo, demonstrou talento e paixão pela música, o que o levou a estudar na Universidade Federal de Pernambuco. Sua carreira começou a ganhar destaque com o lançamento de seu disco de estreia, "Zé Manoel", em 2012, seguido por "Canção e Silêncio" em 2015, e “Delírio de um Romance a Céu Aberto”, em 2016, sendo este, vencedor do Prêmio da Música Brasileira na categoria Projeto Especial. Aclamado pela crítica, Zé Manoel rapidamente se estabeleceu como um dos grandes nomes da nova MPB.

Em 2021, seu álbum "Do Meu Coração Nu" foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Zé Manoel é conhecido por suas composições sutis e profundas, influenciadas pelas águas do rio São Francisco e pela rica cultura nordestina. Ao longo de sua carreira, ele colaborou com renomados artistas brasileiros como Alaíde Costa, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Ná Ozzeti, Jussara Marçal, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Ana Carolina e Vanessa da Mata. Atualmente está em turnê por todo o Brasil com o show “Amaro Freitas e Zé Manoel interpretam Clube da Esquina”, ao lado do pianista Amaro Freitas.

Zé Manoel continua a inovar e evoluir em sua música, sempre buscando novas formas de expressar suas experiências e emoções. Seu trabalho é uma fusão de tradição e modernidade, resultando em uma sonoridade única e cativante que ressoa profundamente com o público.


Serviço
Estreia do show “Do Sambalanço ao Pagode 90”

Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran 
Dia 1º de fevereiro, domingo, às 18h00
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 90 minutos
Ingressos: R$ 18 ,00(credencial plena), R$ 30,00 (meia-entrada), R$ 60,00 (inteira)


Sesc Pinheiros  

Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30
Estacionamento com manobrista


Como chegar de transporte público
São 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus). Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: Nação Zumbi em concerto sinfônico pelos 30 anos do disco "Afrociberdelia"


Grupo pernambucano, expoente do movimento Manguebeat, faz apresentação especial com a Orquestra Experimental de Repertório do Municipal de São Paulo. O programa conta com as músicas do disco "Afrociberdelia", reimaginadas para orquestra. 
Foto: André Almeida/Divulgação


Em fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo segue com sua programação dedicada a encontros inéditos entre diferentes linguagens musicais. Nos dias 2 e 3, de fevereiro às 20h00, a Sala de Espetáculos recebe "Nação Zumbi Sinfônico - Afrociberdelia 30 Anos", concerto especial que celebra três décadas de “Afrociberdelia” (1996), segundo disco da Nação Zumbi da formação com Chico Science e produzido pelo paulistano Eduardo Bidlovski (BID), um álbum histórico e marco do movimento manguebeat. Os ingressos variam de R$30 a R$140 (inteira), classificação livre para todos os públicos, duração de 75 minutos.

Uma das bandas mais celebradas da música brasileira, a Nação Zumbi surgiu no início dos anos 1990, no Recife, então sob o nome Chico Science & Nação Zumbi, e inaugurou a cena Mangue com uma sonoridade que mescla funk, rock, maracatu, embolada, e psicodelia, sendo reconhecida como uma das contribuições mais importantes para a modernização da música brasileira, ao lado da Bossa Nova e do Tropicalismo.

O projeto promove um encontro inédito entre a banda e a Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Wagner Polistchuk, com orquestrações assinadas pelo pernambucano Mateus Alves, em uma criação concebida especialmente para o palco do Municipal. No palco, Jorge Du Peixe (vocal) lidera a Nação Zumbi ao lado de Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).

No repertório, a banda toca o disco na íntegra e apresenta versões orquestrais de faixas como Mateus Enter, Etnia, Manguetown, Maracatu Atômico e outras. No Carnaval 2026, a Nação Zumbi será homenageada pela Acadêmicos da Grande Rio no desfile da escola na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com o enredo "A Nação do Mangue", dedicado ao movimento Manguebeat. O Manguebeat foi um movimento de contracultura surgido em Recife no início dos anos 1990, liderado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Misturou ritmos regionais (maracatu, coco) com rock, hip-hop e música eletrônica, com o objetivo de valorizar a cultura local e criticar a desigualdade social. 


Serviço
Nação Zumbi Sinfônico - "Afrociberdelia 30 Anos"
Sala de Espetáculos do Theatro Municipal 
Dias 2 e 3 de fevereiro, às 20h00
Nação Zumbi: Jorge Du Peixe, vocal; Dengue, baixo; Toca Ogan, percussão; Marcos Matias e Da Lua, tambores; Tom Rocha, bateria; Neilton Carvalho, guitarra; Mateus Alves, orquestração.
Orquestra Experimental de Repertório: Wagner Polistchuk, regência
Ingressos de R$ 30,00 a R$ 140,00 (inteira)
Duração de 75 minutos
Classificação: livre para todos os públicos — sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária

.: “Song Sung Blue” aposta na música para narrar o valor do "quase" sucesso



Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro, apostando na delicadeza de uma história real que percorre a música, a persistência e o amor. Dirigido e roteirizado por Craig Brewer, o longa-metragem se inspira no documentário homônimo de 2008 para acompanhar a vida de Mike e Claire Sardina, um casal de músicos de Milwaukee que jamais alcançou o estrelato global, mas construiu uma existência sustentada pela arte e pelo desejo de permanecer no palco.

Hugh Jackman interpreta Mike, um cantor que sobrevive como imitador de Don Ho até cruzar o caminho de Claire, vivida por Kate Hudson, que se apresenta como Patsy Cline em feiras e eventos locais. O encontro dos dois resulta na criação da Lightning & Thunder, uma banda-tributo a Neil Diamond que conquista fama regional e transforma os protagonistas em pequenas celebridades de Wisconsin. A história, no entanto, nunca se rende ao mito do sucesso absoluto. Brewer prefere observar o que acontece quando o reconhecimento é limitado, quando os sonhos se realizam apenas em parte e quando isso, ainda assim, é suficiente.

A opção narrativa dialoga diretamente com a filmografia do diretor, especialmente com “Ritmo de Um Sonho” (2005), ao recusar a lógica da ascensão meteórica. Em vez disso, “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” constrói uma crônica íntima sobre sobreviver, insistir e dividir a vida com alguém que acredita no mesmo sonho, ainda que o mundo não pare para aplaudir. A câmera privilegia os bastidores emocionais do casal, os silêncios, as frustrações domésticas e, sobretudo, os momentos de comunhão no palco, quando a música funciona como abrigo.

Jackman, com sua formação nos musicais da Broadway, assume novamente o posto de showman carismático, cantando ele próprio as músicas do filme. Ainda assim, é Kate Hudson quem concentra o coração dramático da narrativa. Sua Claire equilibra vulnerabilidade e teimosia, esperança e desgaste, tornando-se o eixo emocional da história. Não por acaso, foi a única atuação do filme a receber reconhecimento na temporada de prêmios internacionais, segundo a imprensa especializada.

O elenco de apoio reforça o tom de humanidade cotidiana, com nomes como Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir e Hudson Hilbert Hensley, compondo uma galeria de personagens que orbitam o casal sem caricatura. Há também curiosidades que ajudam a dimensionar a singularidade da trajetória retratada: em 1995, os verdadeiros Lightning & Thunder chegaram a dividir o palco com Eddie Vedder, do Pearl Jam, em um encontro improvável que o filme recria de forma contida.

Ficha técnica
“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” | "Song Sung Blue" (título original)
Gênero: comédia musical, drama. Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: inglês. Direção e roteiro: Craig Brewer. Elenco: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Hudson Hilbert Hensley. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h13m. Cenas pós-créditos: não.


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.: Grátis no Rio: Armando Babaioff e Sergio Saboya em conversa sobre teatro


O ator e produtor Armando Babaioff e o diretor de produção Sergio Saboya participam de um bate-papo aberto ao público no Teatro Municipal Carlos Gomes, nesta quinta-feira, dia 29, das 14h00 às 16h00. A conversa é sobre teatro e empreendedorismo cultural, com foco na internacionalização do espetáculo "Tom na Fazenda". Com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e apoio do Instituto Guimarães Rosa, "Tom na Fazenda" vem se consolidando como um dos casos mais expressivos de circulação internacional do teatro brasileiro contemporâneo.

Ao longo de nove anos desde a estreia do espetáculo, Babaioff e Saboya compartilham com o público carioca as experiências, desafios, estratégias e aprendizados de uma produção independente criada no Rio de Janeiro, que já soma mais de 600 apresentações e um público superior a 200 mil espectadores em cinco países. 

A trajetória inclui participações em alguns dos mais importantes eventos das artes cênicas no mundo, como o Festival de Edimburgo, no Reino Unido, e o Festival de Avignon, na França. O encontro propõe uma reflexão sobre os caminhos possíveis para a internacionalização das artes, a sustentabilidade da produção teatral e o papel do empreendedorismo cultural no fortalecimento da cena artística brasileira.


Serviço
Bate-papo: “'Tom na Fazenda' e a internacionalização do Teatro Brasileiro”
Participantes: Armando Babaioff e Sergio Saboya
Local: Teatro Municipal Carlos Gomes
Endereço: Praça Tiradentes, s/n, Centro-RJ
Data: quinta-feira, dia 29 de janeiro
Horário: das 14h00 às 16h00
Entrada: gratuita (lotação mediante ordem de chegada)
Público-alvo: artistas, produtores culturais, estudantes de artes, gestores culturais e público interessado em teatro, economia criativa e internacionalização da cultura brasileira.
Este bate-papo é uma ação de democratização de acesso do Pronac 2412588 – Tom na Fazenda | Turnê Brasil, apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais. Realização: ABGV Produções, @minc e @govbr.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Gustavo Pinheiro desafia a crônica no teatro para provocar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Pino Gomes

Grande nome da dramaturgia contemporânea, Gustavo Pinheiro escreve para colocar conflitos em suspensão. Nas peças teatrais assinadas por ele, nada é o que parece: o encontro nunca é confortável, o afeto jamais é neutro e o silêncio costuma dizer mais do que qualquer discurso bem articulado. Autor de textos como "Dois de Nós", em cartaz no Teatro Tuca em São Paulo, "A Tropa", e "A Lista", ele construiu uma dramaturgia que observa o Brasil pelo detalhe íntimo: um quarto de hotel, um apartamento na pandemia, um quarto de hospital. Em comum entre os textos, está o tempo, que resolve pedir a palavra.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, Pinheiro reflete sobre o gesto de escrever para o palco como um exercício de escuta, sobre a fronteira por vezes ilusória entre o drama privado e a política, e sobre o compromisso ético de dialogar com o público sem subestimá-lo. Entre memória, maturidade e risco, o autor revela por que prefere provocar pensamento a oferecer respostas prontas e porque acredita que o teatro só faz sentido quando continua reverberando depois que as luzes se apagam.


Em "Dois de Nós", os personagens se veem frente a frente com versões mais jovens de si mesmos. Se você encontrasse hoje o Gustavo que escreveu "A Tropa", o que ele cobraria e o que você tentaria justificar?

Gustavo Pinheiro - Não sei dizer o que aquele Gustavo de dez anos atrás me cobraria. Na verdade, acho que ele ficaria orgulhoso e até um pouco surpreso com a versão de hoje. Mas sei o que eu diria hoje ao Gustavo “jovem”: que ele fosse menos ansioso, tivesse calma, fé no caminho, que tudo iria dar certo. E o que não deu, com certeza foi para abrir espaço para coisas melhores que vieram logo em seguida.


Seus textos parecem obcecados por encontros inevitáveis: pais e filhos, mães e filhas, casais que já deveriam ter ido embora, versões passadas que insistem em voltar. Você escreve para provocar reconciliação ou para expor o quanto ela é, muitas vezes, impossível?
Gustavo Pinheiro - Acho que cada relação tem sua própria dinâmica. Algumas relações podem ser irreconciliáveis, mas outras podem ser reconciliadas com o tempo, com a palavra certa, com o respeito ao sentimento alheio. As peças abordam situações muito diversas, é difícil generalizar. Mas gosto que o público acredite que pode fazer mais e melhor a partir do momento em que sai do teatro ao final da peça. O relato que recebemos dos espectadores nas redes sociais é que isso acontece muitas e muitas vezes.


"A Lista", "A Tropa" e "Dois de Nós" lidam com conflitos íntimos marcados por contextos históricos e sociais. Existe, para você, alguma fronteira ética entre o drama privado e a crônica do Brasil, ou tudo acaba sendo político, mesmo quando surge do afeto?
Gustavo Pinheiro - Uma vez um colega, depois de assistir “A Lista” e “A Tropa” disse que eu faço uma dramaturgia que flerta com a crônica. Nunca tinha pensado nisso. Mas acho que faz um pouco de sentido, na medida em que tenho a formação de jornalista. Esse é o meu olhar para o mundo. Gosto de política, não da partidária, mas dos grandes temas que motivam e movem a sociedade. Tenho prazer que temas políticos, econômicos, comportamentais, sexuais e culturais invadam, sutilmente, a realidade dos personagens. Nesse sentido, minhas peças são políticas, mas sem serem panfletárias. Exponho o panorama, os personagens se defendem, defendem seus pontos de vista e o espectador é convidado a pensar por si mesmo. É por isso que públicos tão heterogêneos, de todo o Brasil, se identificam com as peças. Aconteceu várias vezes de, ao final de “A Tropa”, por exemplo, espectadores de esquerda e de direita darem os parabéns pelo espetáculo. A escuta e compreensão que não exerciam na vida aconteceu naquela hora dentro do teatro. Não pode haver melhor resposta que essa.


Você costuma colocar seus personagens em espaços fechados: um hospital, um apartamento, um quarto de hotel. Isso é escolha dramatúrgica ou confissão involuntária de que o Brasil anda sem espaço para o diálogo aberto?
Gustavo Pinheiro - São escolhas dramatúrgicas, mas por diferentes razões. No caso de “A Tropa”, queria confinar aqueles cinco homens em um quarto de hospital, um cenário que expõe uma tensão por si só, há sempre um perigo colocado, além disso casava com um dos pontos que a peça ressaltava, de um país adoecido pelas divergências. “A Lista” se passava em um apartamento porque a peça surgiu na pandemia e era onde todos estávamos: confinados em casa. Quando levamos a peça para o palco com plateia, aí ampliamos para a segunda parte, quando a peça vai para a praia de Copacabana: do isolamento à liberdade. E “Dois de Nós” se passa em um quarto porque é o cômodo-metáfora de um casal. Trata-se de um quarto de hotel porque eu queria que fosse um lugar que fizesse parte da jornada daquele casal, mesmo depois de tantos anos de história. Casais casam-se e separam-se, mas tem seus pontos de referência no caminho: uma música, uma comida, uma cidade, um quarto de hotel.


 Ao escrever para atores como Antonio Fagundes, Christiane Torloni e Lilia Cabral, o texto vem já “habitado” por essas personalidades ou você escreve como quem oferece um risco, esperando que eles contrariem tudo no palco?
Gustavo Pinheiro - Quando sei para quem estou escrevendo, como o Fagundes e a Lilia, sem dúvida a voz deles povoa o meu pensamento. Como sou espectador deles há muitos anos, imagino a inflexão, exploro caminhos que também os deixem felizes. Mas eles sempre me surpreendem. Onde eu enxerguei cinco metros, eles enxergam dez. Cavam novas possibilidades, divisões de frases, pausas, pontos de humor que eu sequer enxerguei. E isso é uma das coisas mais bonitas da profissão de autor. Nos casos em que não escrevi pensando em um ator específico, como a Chris, o Otavio Augusto, a Ana Beatriz Nogueira, Deborah Evelyn, sou surpreendido de maneira muito positiva. A verdade é que eu tenho a felicidade de ter sempre cruzado com atores e diretores geniais, com quem aprendi muito.


Seus textos emocionam sem apelar para sentimentalismo fácil. Em que momento você percebeu que o silêncio, a pausa e o não-dito podem ser mais violentos do que qualquer grande discurso?
Gustavo Pinheiro - Sou apaixonado por silêncios. Não qualquer silêncio, mas aquele silêncio preenchido de sentido, silêncio que não abandona o público, ao contrário, faz ele entender exatamente o que o personagem está pensando. É um dos meus maiores prazeres como espectador: ver um personagem pensando, engendrando uma saída, uma resposta, um caminho de pensamento. E fico feliz de poder proporcionar essa sensação a outros espectadores também.


Como jornalista, você foi treinado para observar a realidade; como dramaturgo, você a reinventa. Em qual dessas duas funções você se sente mais vulnerável e, portanto, mais verdadeiro?
Gustavo Pinheiro - Acredito que tanto o jornalista como o dramaturgo observam a realidade. Por isso Nelson Rodrigues escrevia tão genialmente, era um jornalista observador da condição e do comportamento humanos. A diferença entre o dramaturgo e o jornalista está com o que se faz com essa observação. O jornalista a relata de forma mais imparcial possível. O dramaturgo, pelo menos no meu caso, usa como material de trabalho. Tudo que leio, ouço, vejo no supermercado, no metrô, na fila do banco, no check in do avião, num velório, tudo pode virar inspiração para a ficção.


"Dois de Nós" fala sobre envelhecer sem endurecer. O teatro brasileiro está envelhecendo com dignidade ou repetindo fórmulas por receio de se tornar irrelevante?
Gustavo Pinheiro - Não creio que o teatro esteja envelhecendo, a cena sempre se renova. O que temos que estar atentos é se há alguém interessado em assistir o que está sendo mostrado no palco. Tenho prazer em comunicar, gosto de ser entendido, sem nivelar por baixo, priorizando a inteligência e a elegância. E tenho a honra de ser correspondido pelo público.


Há algum tema que você não ousaria escrever sob hipótese alguma, não por censura externa, mas por algum limite que você pensa que não ousaria ultrapassar?
Gustavo Pinheiro - Acho que se pode e se deve escrever sobre tudo. Nunca me ocorreu de querer escrever sobre algum assunto e me autocensurar. Mais do que perder tempo pensando no que não posso escrever, prefiro me concentrar no que de fato tenho vontade de escrever, com verdade e honestidade. Acho bonito que eu seja um homem escrevendo personagens femininos para tantas mulheres no teatro. É sinal que esse diálogo pode acontecer, é saudável que aconteça, uma comprovação que somos capazes de nos ouvir e nos entender. Em “Antes do Ano que Vem”, quis escrever sobre suicídio, mas com humor. Mariana Xavier embarcou comigo nessa aventura e estamos em cartaz há quatro anos. Recebemos centenas de relatos de espectadores que repensaram a própria vida - e a possibilidade do suicídio - depois de assistirem à peça. Nossa missão está cumprida.


Depois de tantas histórias sobre encontros, acertos de contas e afetos em crise, o que ainda assusta você mais como autor: repetir a si mesmo ou finalmente escrever algo que o público talvez não queira assistir?
Gustavo Pinheiro - Sem dúvida alguma, escrever algo que o público não queira assistir. É para o público que eu trabalho. Se eu quisesse escrever para mim mesmo, fazia um diário. É o público quem paga o ingresso, a quem devo respeito e consideração. E isso não tem nada a ver com ser condescendente, abordar apenas temas para agradar. Ao contrário, não subjugo a capacidade da plateia, tanto que exploro muitos assuntos duros nos espetáculos, mas os espectadores embarcam conosco, eles entendem perfeitamente a razão de aqueles temas estarem sendo abordados de determinada forma.


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.: Entre fios, fé e desejo, "Filandras" reúne o universo feminino de Adélia Prado


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Relançamento da Editora Record, o livro "Filandras", escrito por Adélia Prado, reúne 43 contos curtos que se debruçam sobre a vida cotidiana de mulheres comuns, aquelas que aprendem a se mover, sonhar, desejar e sofrer no espaço íntimo da casa, entre as obrigações miúdas de todos os dias e os anseios acumulados ao longo de uma existência inteira. São narrativas que nascem do aparentemente banal, mas que revelam, pouco a pouco, a densidade emocional, moral e espiritual de personagens femininas atravessadas pelo tempo, pelo corpo e pela fé. Ao traçar múltiplos retratos dessas mulheres, os contos se interligam e constroem um contexto maior, formando um painel delicado, íntimo e profundamente humano da experiência feminina.

Publicado originalmente em 2001, o livro traz para a prosa os temas mais caros à obra de Adélia Prado: a religiosidade cotidiana, o amor vivido entre culpa e entrega, o desejo feminino muitas vezes silenciado, a inocência, a morte e a consciência aguda da finitude. Tudo aparece entrelaçado por fios finíssimos, como sugere o título do livro, mas fios que podem, a qualquer momento, se estreitar em nós fatais. É dessa tessitura sensível que se constrói o universo ficcional da autora, capaz de transformar histórias aparentemente pequenas em verdadeiros épicos da vida comum.

Entre as personagens, estão Ester, deprimida em meio às transformações físicas e emocionais da menopausa; Calixtinha, que engravida após um namoro secreto com Otavianinho; e a jovem sonhadora que vê no casamento com um funcionário da rede ferroviária a promessa de “solidez e conforto”. São mulheres impactadas por expectativas sociais, desejos íntimos e frustrações silenciosas, sempre narradas com empatia, humor contido e uma profunda compreensão da condição humana. A nova edição traz capa do premiado designer Leonardo Iaccarino sobre obras do artista plástico Pedro Meyer.

Enquanto boa parte dos grandes contistas brasileiros da segunda metade do século XX voltou seu olhar para as mazelas da urbanização acelerada e da vida nas grandes metrópoles, Adélia segue na direção oposta. O foco dela está no interior, no microcosmo da pequena cidade, onde os grandes dramas se revelam nas miudezas. É ali que o humano se manifesta com mais nitidez. Personagens como Dona Ceres, Olinda e Célia, recorrentes na obra da escritora, andam de ônibus de linha, trocam conselhos na calçada, receitam remédios caseiros, emprestam açúcar a quem bate palma diante do portão. Gestos simples que, sob a escrita da autora, ganham espessura simbólica e poética.

O livro também resgata figuras emblemáticas, como Dona Doida, personagem que remete à peça encenada por Fernanda Montenegro nos anos 1980. Aqui, ela surge como uma mulher humilde e cômica, levada ao hospital por causa do “istrés”, termo que, em sua deformação popular, revela tanto humor quanto fragilidade. A linguagem de Adélia Prado, aliás, valoriza essas falas imperfeitas, esses deslizes do idioma que dizem muito sobre quem fala e sobre o mundo que as cerca.

No plano estilístico, "Filandras" se destaca tanto pela força do que é dito quanto pela potência do que permanece em silêncio. A escrita é contida, precisa, mas profundamente sugestiva. Em uma “terra de donasmarias”, a visão católica se manifesta não como doutrina rígida, mas como angústia metafísica, dúvida existencial e tentativa permanente de conciliação entre o corpo e o espírito. O mundo que emerge dessas narrativas, como define uma das narradoras do livro, é simultaneamente “maravilhoso e imperfeito”- definição que poderia servir de síntese para toda a obra de Adélia Prado. Compre o livro "Filandras", de Adélia Prado, neste link.

Sobre a autora
Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde vive até hoje e que se tornou cenário recorrente de sua obra. Começou a escrever versos aos 15 anos, após a morte da mãe, experiência que marcaria profundamente sua relação com a palavra e com o sagrado. Formou-se no Magistério em 1953 e iniciou a carreira como professora em 1955. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos.

Antes do nascimento da filha caçula, Adélia e o marido ingressaram no curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, formando-se em 1973, um ano após a morte do pai da escritora. Poucos anos depois, enviou seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que os submeteu à leitura de Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond classificou os textos como “fenomenais” e recomendou sua publicação ao editor Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago.

O resultado foi o lançamento de "Bagagem", em 1976, no Rio de Janeiro, em um evento que reuniu nomes como Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon. Desde então, a obra de Adélia Prado consolidou-se como um dos pilares da literatura brasileira contemporânea, abrangendo poesia, contos, romances, livros infantis e teatro - sempre marcada por uma escrita que une o sagrado e o profano, o cotidiano e o absoluto, o riso e a dor. Compre os livros de Adélia Prado neste link.

.: Show: Fernanda Abreu se apresenta no Sesc Belenzinho


A cantora carioca celebra os 35 anos de carreira com vários sucessos como Rio Graus e Veneno da Lata. Foto: Murilo Alvesso

 
Nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2026, o Sesc Belenzinho recebe a cantora Fernanda Abreu. As apresentações acontecem na sexta e sábado, às 20h30, na Comedoria da unidade. Neste show, a cantora e compositora carioca celebra os 35 anos de carreira solo com a apresentação dos sucessos de seu repertório, que vão do pop dançante ao funk carioca. Hits como "Rio 40 Graus", "Veneno da Lata" e "Garota Sangue Bom", que estarão no show, destacam Fernanda como uma artista atemporal sem perder a ousadia. O show é uma viagem musical onde comemora seus 35 anos de carreira solo desde o lançamento de seu 1º álbum SLA Radical Dance Disco Club em 1990. 

Fernanda divide o palco com sua banda, composta por músicos que dispensam apresentações como Tuto Ferraz (bateria e programação eletrônica), André Carneiro (baixo), Billy Brandão (guitarra) e Marcos Tavares (teclados), Alegria Mattos (vocais), Victórya Devin (bailarina). O repertório escolhido contempla músicas de todos os seus álbuns já lançados. Desde seu álbum de estreia até músicas do seu último disco de inéditas "Amor Geral". Muitas das canções se tornaram hits de sua emblemática discografia, como o clássico chapa quente Rio 40 Graus, Garota Sangue Bom, Veneno da Lata, Kátia Flávia, Você pra mim, Baile da pesada, Jorge de Capadócia, É hoje, entre outros. 

Sempre apontando em novos caminhos, Fernanda Abreu atualiza mais um capítulo na história de sua brilhante e sólida trajetória única, fazendo jus ao título de eterna "Garota Carioca Suingue Sangue Bom". Os ingressos estão disponíveis no portal sescsp.org.br e nas bilheterias físicas das unidades Sesc, a R$ 70,00 (inteira), R$ 35,00 (meia-entrada) e R$ 21,00 (Credencial Sesc).


Serviço
Show de Fernanda Abreu
Dias 6 e 7 de fevereiro de 2026. Sexta e sábado, às 20h30
Local: Comedoria (850 lugares)
Valores: R$ 70,00 (inteira); R$ 35,00 (meia entrada), R$ 21,00 (Credencial Sesc)
Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos

 
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho / São Paulo
Telefone: (11) 2076-9700
sescsp.org.br/Belenzinho

 
Estacionamento

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.
Transporte Público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

.: Helena Ritto e Jonathan Farias do "Quintal da Cultura" em cartaz no teatro


"Ciranda das Flores" estreia no dia 31 de janeiro, no BTG Pactual Hall, e marca o retorno aos palcos de Helena Ritto e Jonathan Farias, intérpretes de Dorotéia e Osório no "Quintal da TV Cultura". Os atores estiveram em cartaz por um ano e meio com A Incrível Viagem do Quintal. O elenco conta ainda com a atriz e flautista Beatriz Amado, e a direção geral é de Bernardo Berro. Foto: divulgação


Criado por Helena Ritto e Fábio Brandi Torres, do "Quintal da Cultura", o musical infantil "Ciranda das Flores" propõe uma aproximação sensível com o universo da infância por meio da música e das narrativas populares. Flores e personagens simples são usados como metáforas para sentimentos humanos, abordando temas como afeto, escuta, amizade e respeito às diferenças. Em cena, uma trupe de teatro constrói histórias ambientadas em um jardim imaginário, narradas por uma personagem misteriosa. 

Helena Ritto e Jonathan Farias interpretam um casal que atravessa três narrativas interligadas, entre elas a de uma florista e um lenhador que vivem um amor silencioso, além das versões metafóricas de Cravo e Rosa e Alecrim e Botão de Rosa. Costurado por canções tradicionais de domínio público, o espetáculo aposta em humor, música ao vivo e interação com o público.

Indicado para crianças a partir de três anos, "Ciranda das Flores" busca dialogar também com os adultos, valorizando a escuta, a imaginação e o prazer de compartilhar histórias. O espetáculo é uma produção da Morente Forte Produções Teatrais, que celebra 40 anos de atuação nas artes cênicas, em um percurso feito de encontros, escuta e criação, no qual cada projeto se constrói como parte de uma relação viva com o público e com o fazer artístico.


Ficha técnica
Espetáculo "Ciranda das Flores"

Texto: Helena Ritto e Fabio Brandi Torres
Elenco: Beatriz Amado, Helena Ritto e Jonathan Faria
Direção musical e direção artística: Bernardo Berro
Direção de movimento e coreografias: Zuba Janaina
Concepção de cenário, figurino: Helena Ritto e Jonathan Faria
Produtoras Selma Morente e Célia Forte
Assessoria de imprensa Thais Peres
Social media e conteúdo para redes sociais Isabella Pacetti
Camareiro e contrarregra: Toninho Pita
Assistente de produção Carol Ariza
Assistente administrativa Alcení Braz
Administração: Magali Morente
Coordenação de projeto: Egberto Simões
Uma produção Morente Forte Produções Teatrais


Serviço
Espetáculo "Ciranda das Flores"
Duração: 50 minutos
Local: BTG Pactual Hall
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - São Paulo
Temporada: de 31 de janeiro a 5 de abril
Sessões: sábados e domingos, às 15h
Ingressos: R$ 60,00 a R$ 120,00
Classificação: livre
Acessibilidade: sessões acessíveis em todas as apresentações

Bilheteria
Terça a sábado, das 13h00 às 20h30
Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, até o início da apresentação

Vendas Sympla
https://bileto.sympla.com.br/event/113971/d/352884?algoliaID=2949d80673b5fd462c368e29d381d62c&_gl=1*11dxxo4*_gcl_au*NTg0NTAwNjQzLjE3Njc5MDc0ODk.*_ga*NjUyNzgzMDkyLjE3NTk4NjE4Nzc.*_ga_KXH10SQTZF*czE3NjgzMzE2NzUkbzYkZzAkdDE3NjgzMzE2ODEkajU0JGwwJGg3MTM4MDMzNjA.

.: HBO anuncia série documental que promete bastidores do fenômeno Rouge


Dirigida por Tatiana Issa que também assina a produção executiva ao lado de Guto Barra. a produção reúne as integrantes Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils e Lu Andrade para compartilharem, pela primeira vez, sua própria versão da história. Foto: Kelly Fuzaro 

A HBO acaba de anunciar a produção de uma nova série documental que vai revisitar, de forma inédita, a trajetória do grupo Rouge, um dos maiores fenômenos musicais dos anos 2000, que marcou gerações e continua sendo lembrado por fãs mais de duas décadas depois. A série está em fase de gravação e ainda não tem data de lançamento prevista.  

Dirigida por Tatiana Issa que também assina a produção executiva ao lado de Guto Barra. a produção reúne as integrantes Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils e Lu Andrade para compartilharem, pela primeira vez, sua própria versão da história. Li Martins ficou de fora da reunião, segundo a HBO, todas as integrantes do Rouge foram convidadas a integrar o projeto. Da audição para o reality show "Popstars" (SBT, 2002) ao estrelato, passando pelo rompimento e pelas carreiras individuais, a série promete revelar memórias, afetos e bastidores nunca antes contados. 

O grupo foi formado em 2002 em parceria com a Sony Music, em um momento em que a indústria fonográfica mundial era dominada por grupos de jovens talentos como Spice Girls, Destiny’s Child, Backstreet Boys e N’Sync. No Brasil, o Rouge se tornou um marco: vendeu cerca de 6 milhões de cópias, conquistou três discos de ouro, três de platina e um de platina dupla pela Pro-Música Brasil.  

Ao longo da trajetória, o grupo lotou turnês, estrelou campanhas publicitárias, participou de produções audiovisuais e lançou uma linha de produtos licenciados. Em 2006, a banda chegou ao fim em meio a polêmicas e desentendimentos. Agora, quase 20 anos depois, são as próprias artistas que retomam a narrativa, revelando dores, aprendizados e vitórias.  

A série documental é uma coprodução da Producing Partners com a Warner Bros. Discovery. A série é dirigida por Tatiana Issa que também assina a produção executiva ao lado de Guto Barra. Por parte da Warner Bros. Discovery a supervisão é de Mariano César, Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Marina Pedral. 

.: Em cartaz no Sesc Digital, "Aprender a Sonhar" enfoca o acesso à educação


Em cartaz no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o documentário "Aprender a Sonhar" enfoca questões sociais de pertencimento em relação ao acesso à educação. No filme de Vítor Rocha, estudantes negras e indígenas que ingressam na universidade por meio das políticas de cotas, são acompanhadas ao longo de sete anos, articulando trajetória individual e transformação estrutural, sem romantizar os obstáculos do percurso e o choque de uma estrutura acadêmica que se vê na necessidade de aprender com os saberes ancestrais e a cultura popular.

Quando estudantes negras e indígenas realizam o sonho de cursar uma faculdade, estimuladas pela política de cotas, levam consigo conhecimentos ancestrais que têm muito a ensinar à academia. O filme acompanha os personagens ao longo de sete anos, entre 2016 e 2022, numa emocionante jornada de superação e transformação social. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Aprender a Sonhar"
Dir.: Vítor Rocha | Brasil | 2025 | 83min | Documentário | 10 anos
Disponível até 20 de março de 2026  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital
  
A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital.
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