quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

.: Entrevista: Marcelo Alves, do "BBB 26": "Meu maior adversário fui eu mesmo"


Ao relembrar a trajetória no reality show, ele reconhece erros cometidos no programa e afirma que deveria ter se expressado mais. Foto: Globo/ Beatriz Damy

Da casa de vidro para o "BBB 26", Marcelo Alves foi eliminado no quinto paredão da temporada, com 68,56% dos votos, na última terça-feira, dia 17 de fevereiro, em uma disputa contra Solange Couto e Samira Sagr. Ao relembrar a trajetória no reality show, ele reconhece erros cometidos no programa e afirma que deveria ter se expressado mais. "Senti falta de externar meus pensamentos. Era importante que o público soubesse o que eu estava pensando. Algumas atitudes me irritavam, mas eu não falava. Planejava conversar com Ana Paula antes do paredão para mostrar que estava com eles, mas não fiz. O rompimento com Maxiane e Marciele apenas confirmou o que eu já pensava, mas não estava mostrando para fora. Na minha cabeça, eu estava bem-posicionado, mas não deixei isso claro para o público, que era o principal", observa. Em entrevista, o ex-participante analisa os fatores que atrapalharam a permanência dele na competição e faz um balanço de sua passagem pelo programa. Marcelo também revela o que teria feito de diferente e como seria seu pódio com quem ainda segue na disputa.


Como resume o que foi o "Big Brother Brasil" para você? 
Marcelo Alves - O "BBB", para mim, foi a realização de um sonho. Eu me inscrevo desde 2014. Sei que tive minhas flutuações no jogo. Não consegui me mostrar por inteiro, tive minhas falhas e consigo reconhecê-las. Dentro da casa já percebia isso, e aqui fora só se confirmou. Mas estou muito feliz, viveria tudo de novo. Se fosse chamado novamente para participar, iria com outros olhos, com outra garra, com um posicionamento diferente e sendo 100% eu. Acredito que não consegui entregar totalmente quem eu sou.


Quais foram os erros e acertos dessa experiência?
Marcelo Alves - Erro foi não ter conseguido me doar 100% por causa de medos e inseguranças relacionados à minha sexualidade. Eu tinha muito receio de como isso iria repercutir aqui fora, tanto para mim quanto para minha família. Ser gay não é fácil, e isso me deixava inseguro. Outro erro foi me apegar rápido às pessoas e ser leal muito cedo, o que me fez tomar partido por outros e me perder no jogo. Eu deveria ter me posicionado de um lado só, não importava qual, mas firme. Infelizmente, percebi isso apenas no final, quando já era tarde.

Apesar de não ser tão próximo ao grupo do quarto Sonho da Eternidade, houve ocasiões em que você e o Breno se juntaram a eles para combinar votos. Como avalia essa posição de jogo?
Marcelo Alves - Sempre tive carinho pelas pessoas do quarto da Eternidade, como Babu, Juliano, Boneco (que veio comigo da casa de vidro) e Chay. Tive uma questão pequena com Ana Paula, mas lá dentro tudo ganha proporções maiores. Acabei tomando a dor do que aconteceu com Maxiane. Hoje, vendo de fora, percebo que a situação com Ana Paula foi mínima e eu a transformei em algo grande. Gosto muito dela, mesmo com as implicâncias. Faltou percepção e força para me situar em um lugar só. Minha questão foi tomar dores que não eram minhas e esquecer que o jogo era individual. Um exemplo foi a situação com Jonas, que virou justificativa para ele me colocar no paredão, mesmo não tendo sido algo diretamente comigo.

A prova do líder da última semana marcou um rompimento entre você, a Maxiane e a Marciele?Marcelo Alves - Senti falta de externar meus pensamentos. Era importante que o público soubesse o que eu estava pensando. Algumas atitudes me irritavam, mas eu não falava. Planejava conversar com Ana Paula antes do paredão para mostrar que estava com eles, mas não fiz. O rompimento com elas [Maxiane e Marciele] apenas confirmou o que eu já pensava, mas não estava mostrando para fora. Na minha cabeça, eu estava bem-posicionado, mas não deixei isso claro para o público, que era o principal.


Como acredita que as duas irão se posicionar daqui para frente? E o Breno, após a sua saída?
Marcelo Alves - Já sentia que iria sair, porque tinha consciência da minha flutuação e de não estar me entregando por inteiro. Tive crises de ansiedade e insegurança pela questão da sexualidade e pelo medo de minha família ser atacada. Antes de sair, falei para o Breno: “Se posicione. Fique do lado dos meninos, Babu, Juliano e Boneco.” Mas sei que as meninas vão querer conversar com ele, e Breno cede muito fácil. Espero que não ceda, porque minha eliminação foi consequência disso. Se elas tivessem me colocado sentado [na prova do Líder] uma ou duas vezes e eliminado Jonas ou Cowboy, que são fortes em provas, eu ou Breno poderíamos ter vencido a liderança e mudado o cenário. Infelizmente, percebi isso tarde demais..


Depois da indicação do líder Jonas, você relembrou que ele o havia colocado no primeiro castigo do monstro da temporada e que não teria argumentos para votar em ti. Imaginava receber essa indicação ou o voto dele te pegou de surpresa? 
Marcelo Alves - Eu já imaginava. Minutos antes do paredão, senti que seria eu e perguntei ao Breno se estava preparado, porque seríamos os dois na berlinda. Jonas tinha colocado Babu, que puxou Sarah, e ela saiu. Então, se ele colocasse Juliano, poderia eliminar Alberto, amigo dele. Ele preferiu o caminho mais fácil. Infelizmente, estamos em uma fase do jogo em que eles acham que os pipocas são fracos. Tenho até dó quando colocarem Chai no paredão, porque vão ver que não somos fracos. Fico feliz por Chaiany, que tem um coração enorme e uma inocência boa. Inclusive, Ana Paula perguntou a Jonas por que ele me indicou, e ele disse que as outras opções, Milena e Chai, estavam imunizadas. Ou seja, mais uma vez, tudo sobre os pipocas. Mas é aí que eles vão se surpreender.

Considera ter sido ele seu maior adversário no programa? Ou outra pessoa? 
Marcelo Alves - Acredito que meu maior adversário fui eu mesmo. Se tivesse seguido minhas intuições e me firmado de um lado da casa, sem ficar no meio, teria ido muito bem. Não tive nenhum adversário que me desestabilizasse de verdade.

Neste paredão, o grupo do qual ele faz parte conseguiu colocar três adversários na berlinda. Acha que faltou articulação ou foi questão de sorte?
Marcelo Alves - Eu conseguia articular bem, mas não pensei que o voto de Alberto estava vetado. Se tivesse percebido isso, teria articulado para colocar Jordana e Maxiane no paredão. Quando fui indicado, queria ter ido com Maxiane, mesmo que saísse. Podia ter gritado na sala: “Votem em Maxiane!”, mas não fiz. Talvez tivesse mudado tudo. Para mim, seria mais confortável sair contra ela do que contra pessoas do meu grupo.

Você e o Breno protagonizaram o primeiro beijo da edição e desde então mantiveram uma relação próxima dentro da casa. Foi ele seu maior aliado? 
Marcelo Alves - Sim. Falei para ele que, se não estivesse tão próximo, eu teria me perdido ainda mais. Mesmo com meus medos e inseguranças, ele conseguia me reconectar comigo em momentos difíceis. Foi uma aproximação genuína, de afeto, que quero levar para fora da casa, seja da forma que for.

Que amizades fez no "BBB" e deseja cultivar aqui fora?
Marcelo Alves - Chai, Leandro, Juliano, Babu, Samira e Breno, claro. Quero ver como ficará a situação com Ana Paula e Milena, porque tenho carinho por elas. As outras meninas ainda me deixam chateado, então prefiro falar das pessoas de quem tenho certeza.

Quais são seus planos a partir de agora? Pretende seguir atuando na Medicina e voltar para Currais Novos (RN)? 
Marcelo Alves - Meus planos serão conforme Deus me guiar. Se aparecer trabalho, adoro fotografar, fazer publicidade, televisão... O que vier, estarei aberto. Se não, volto para minha cidade para exercer a Medicina com orgulho, porque amo ajudar pessoas. Comentei com Babu que um dos meus maiores sonhos é ir até a África para ajudar com meu trabalho quem realmente precisa.

Se pudesse montar seu pódio agora que deixou a disputa, como ele seria? 
Marcelo Alves - Chai, Breno e Leandro.

.: Manual Crônico: Síndrome do pequeno imperador vencido


Quem não é visto, não é lembrado, e seria melhor continuar assim

Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_.

 Fui uma criança feliz.

Não que a minha infância tenha sido perfeita, longe disso. Nos anos noventa, ser criança em Cubatão não era lá essas coisas, já lhes adianto. Ainda assim, era totalmente possível. Embora eu tenha nascido na época do “Vale da Morte”, onde crianças nasciam sem cérebro, passei ileso, eu acho. Hoje, consigo fazer coisas básicas, organizar minha rotina, trabalhar um pouco (coisa de cinquenta e nove, sessenta aulas semanais, apenas) e escrever palavras no papel na esperança de ser lido. Enfim, deve ter alguma coisa aqui dentro.

Nesse período, este ex-menino franzino que aqui palreia abusava da liberdade não conquistada e se arriscava de bicicleta pelas ruas do bairro. Brincava de pega-pega e esconde-esconde, de polícia e ladrão, e até acreditava conseguir jogar bola. Nos dias mais ousados, ia mais longe, e catava maria-mulata (talvez você conheça por outro nome, paciência) no canal que desaguava no mangue. Quando me tornei rebelde, adentrei à mata para caçar passarinhos. Meu espírito ditador e carcereiro durou alguns anos, para a tristeza das belas avezinhas.

Morávamos numa edícula atrás de um prédio comercial, dotada de um quintal que formava um “U” no entorno da construção fronteira. Numa dessas laterais, fui chefe, dono, rei e imperador. Naquele meu pedaço, nada fugia às minhas garras. Como ali o chão era de terra, felinos zombeteiros de casa, e gatos quizilentos da rua invadiam para marcar território. Eu me enfurecia, bradava pela guerra, jurava de morte. Porém, quando dava a sorte de encontrá-los e capturá-los, sucumbia ante suas quatro pantufas e o ronronado sedutor.

No meu pedaço, cheguei a declarar-me prefeito. Já escrevi sobre isso. Fui prefeito da cidade das formigas. Construí dois montes de terra, liguei-os por uma ponte, atraí as pequenas e governei com mãos de ferro. Ai daquela que ousasse transpor a ponte sem o devido visto e passaporte! Aquele corredor era meu, invadido e tomado. Nessa época, o espírito do MST já me contaminava — desde que aquelas terras fossem apenas minhas, e de mais ninguém.

O problema estava no entorno. Sempre há vizinhos, e daquele lado havia muitos. Eram três casas ocupadas por inquilinos. Assim, a rotatividade de moradores era grande. Quando chegava alguma criança e eu conseguia travar alguma amizade, ganhava plateia. Adorava exibir o meu império, ostentar meus poderes, ser assistido em meu exercício democrático. Gostava de companhia também, é claro. Criança brinca melhor junto com outra, até mesmo eu.

Certa vez, chegou uma nova família. Fiquei ansioso por saber se havia criança. E havia. Às vezes, eu a ouvia falar. Aumentei meu tempo de atividade lúdica, toda hora espichando os olhos para saber se era visto. A criança, uma menina, nunca saía. Dias e dias se passavam, e nada. Os hábitos dos novos moradores eram diferentes, o que me deixava ainda mais incomodado e ansioso. Cheguei a ver a menina de longe. A curiosidade aumentou, mas nada além. Eu continuava a governar cruelmente as formigas, a declarar e perder guerras para os gatos, e a ser parcialmente feliz.

Não há choro que dure a noite toda, não há tristeza que dure para sempre.

Ou há.

Numa tarde, a janela do quarto vizinho estava aberta e dela saía, alta e fina, a voz da menina. Estava brava, fazia birra e chorava. Eis a chance mais real de contato que tive até aquele momento. Comecei a me movimentar e a cantar alto. Quem não é visto, não é lembrado, pensei no alto da sabedoria dos meus nove anos. A voz revoltada começou a se aproximar. Fiquei aguardando, afoito.

Da janela, brotou o rosto choroso, ranhento e descabelado da garota branca, que, ao me ver, proferiu, agora sem choro, nem vela, e cortante:

— Eita menino feio da gota. Parece um macaco.

E logo sumiu janela adentro.

Foram segundos arrebatadores que fizeram ruir o meu império, acabar com o meu governo e sentir, talvez pela primeira vez, que as diferenças existem e marcam.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

.: "Bertoleza" ganha nova e curtíssima temporada no Teatro Alfredo Mesquita


Com direção de Anderson Claudir, adaptação da Cia. Gargarejo desloca o protagonismo no romance “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, para quem verdadeiramente o merece. Foto: José de Holanda


Sucesso de crítica e público em diversas temporadas, o musical "Bertoleza", da Gargarejo Cia Teatral, estreou em 2020 e conquistou o prêmio APCA de melhor espetáculo daquele ano. E, para quem ainda não conseguiu assistir ao trabalho, a Cia. Gargarejo faz uma nova temporada gratuita no Teatro Alfredo Mesquita, de 20 de fevereiro a 1º de março de 2026, às sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 19h00. Aos domingos, terá intérprete de libras e roda de conversa. 

A montagem, com adaptação, direção e canções originais de Anderson Claudir, que também assina a dramaturgia ao lado de Letícia Conde, é inspirada no livro “O Cortiço”, clássico naturalista de Aluísio Azevedo. Mas, desta vez, o público conhece a história sob ponto de vista da Bertoleza, uma mulher negra que é tão importante para a construção do romance quanto o próprio João Romão, o protagonista original. Na trama, o oportunista Romão propõe uma sociedade à escrava Bertoleza, prometendo comprar a alforria dela. Eles começam uma vida juntos e constroem um pequeno patrimônio formado por um enorme cortiço, um armazém e uma pedreira.

Depois de acumular capital considerável, o ambicioso João Romão já não sabe como se tornar mais rico e poderoso. Envenenado pelo invejoso Botelho, ele decide se casar com Zulmira, a filha de Miranda, um negociante português recentemente agraciado com o título de barão. Mas, para isso, precisa se livrar da amante Bertoleza, que trabalha de sol a sol para lutar pelo patrimônio que eles construíram juntos.

Para a companhia, o grande desafio foi fazer com que uma narrativa do século 19 questionasse e problematizasse as relações criadas nos dias de hoje. Por isso, o projeto iniciado em 2015 foi ganhando novos contornos. “Quisemos investigar uma identidade brasileira, que vem da diáspora africana, e pensar em como isso nos afeta artisticamente. Assim, podemos criar novos signos para essa geração e dar uma voz para essa terra periférica”, conta Claudir.

No processo, o coletivo procurou a força da figura de Bertoleza em outras mulheres negras brasileiras negligenciadas pela História. Durante a encenação, o elenco relembra as histórias da vereadora Marielle Franco, militante da luta negra assassinada em março de 2018; da escritora Carolina Maria de Jesus, famosa pelo livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada"; da jornalista e professora Antonieta de Barros, defensora da emancipação feminina que foi apagada dos livros de História; da escritora Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira; e da guerreira Dandara, que viveu e lutou no período colonial.

A protagonista do espetáculo é interpretada pela atriz Lu Campos. E o elenco ainda conta com Ali Baraúna, Taciana Bastos, Roma Oliveira, Cainã Naira, Larissa Noel,  Palomaris, Edson Teles, Thiago Mota e Welton Santos e os stand-ins Lilian Rocha e Anderson Claudir. Completam a ficha técnica a direção musical de Eric Jorge, as músicas de Anderson Claudir, Andréia Manczyk, Eric Jorge e Juliana Manczyk, a preparação vocal e assistência de direção musical de Juliana Manczyk, a preparação de elenco de Eduardo Silva e a preparação corporal e coreografia de Taciana Bastos.


Relação profunda entre vida e obra
Para Lu Campos, interpretar Bertoleza tem um significado ainda mais profundo. No processo desde 2015, ela conta que vivenciou um chamado ancestral em 2017: suas antepassadas maternas deram-lhe a missão de quebrar o ciclo de opressão vivenciado por sua família desde os tempos de escravidão. “Espero que as mulheres pretas se sintam bem representadas na peça e a partir disso, busquem seus lugares de protagonismo nos variados âmbitos da vida”, conta.

Para a atriz, estar nesse processo contribui para a sua expansão de consciência. Em busca de mais respostas sobre sua ancestralidade, ela também cursou a pós-graduação em Matriz Africana pela Facibra/Casa de Cultura Fazenda Roseira. “As pessoas precisam perceber quão rica e diversificada é a matriz africana, por isso ela deve ser resgatada e valorizada. Afinal, a África é o ventre do mundo”, emociona-se.

Ficha técnica
Musical "Bertoleza"

Direção, adaptação e letras: Anderson Claudir
Dramaturgia final: Anderson Claudir e Letícia Conde
Direção musical: Eric Jorge
Músicas: Anderson Claudir, Andréia Manczyk, Eric Jorge e Juliana Manczyk
Preparação vocal e Assistência de direção musical: Juliana Manczyk
Preparador de elenco: Eduardo Silva
Preparação corporal e coreografia: Taciana Bastos
Cenografia e figurino: Dani Oliveira e Victor Paula
Assistente de cenografia e figurino: Gabriela Moreira
Visagista: Victor Paula
Diretor de palco: Léo Magrão
Designer e operação de Luz: Andressa Pacheco
Vídeos: Aline Almeida
Desenho de som: Labsom - Laboratório Sonoro
Operação de som e microfonação: Kleber Marques e Julia Mauro
Elenco: Lu Campos, Ali Baraúna, Taciana Bastos, Roma Oliveira, Cainã Naira, Larissa Noel,  Palomaris, Edson Teles, Thiago Mota e Welton Santos.
Stand-ins: Lilian Rocha e Anderson Claudir
Direção de produção: Manczyk Produções


Serviço
"Bertoleza", da Gargarejo Cia Teatral
Temporada: 20 de fevereiro a 1º de março de 2026
Sextas e sábados 20h00; domingos às 19h00
Aos domingos há intérprete de libras e roda de conversa
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana, São Paulo
Ingresso: gratuito | Retirada na bilheteria com uma hora de antecedência
Duração: 90 minutos
Recomendação etária: 12 anos
Acessibilidade: o espaço possui acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida

.: “Susi, o Musical” chega aos palcos em produção inédita que revisita memórias


Musical traz de volta a icônica boneca brasileira em uma história inédita que mistura memória afetiva, humor, crítica social e músicas originais, prometendo emocionar e divertir toda a família. Foto: Abílio Gil e Márcio Ribas

Um dos maiores ícones da infância brasileira está prestes a ganhar nova vida nos palcos. A boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966 e que marcou gerações, retorna agora como protagonista de “Susi, o Musical”, idealizado e escrito por Mara Carvalho (“Gala Dalí”), com músicas de Thiago Gimenes (“Tom Jobim, o Musical”) e concepção e direção de Ulysses Cruz (“Iron – O Homem da Máscara de Ferro”). 

Apresentado pelo Ministério da Cultura e com patrocínio do Itaú, o espetáculo une memória afetiva, crítica social, fantasia e canções inéditas. Produzido pela Ulysses Cruz Arte & Entretenimento, o musical estreia no dia 21 de fevereiro, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com ingressos disponíveis pelo site da Sympla e na bilheteria local.

Na pele da Susi Original estará a cantora e atriz Priscilla, artista que iniciou sua trajetória ainda na infância, consolidou uma carreira sólida na música pop brasileira e vem ampliando sua atuação nos palcos e no audiovisual, destacando-se pela versatilidade vocal e cênica. O papel será alternado com a atriz Clara Verdier. Já a personagem Bárbara, rival simbólica que representa padrões importados e conflitos contemporâneos, será interpretada por Bruna Guerin. Representando outras versões e desdobramentos da boneca, estarão em cena Ariane Souza (Susi Safari), Luana Tanaka (Susi Fotógrafa), Daniela Dejesus (Susi Jogadora) e Beatriz Algranti (Susi Aeromoça/Swing). Entre os bonecos, o elenco conta ainda com Paulinho Ocanha (Kevin), Rodrigo Moraes (Falcon) e Leandro Melo (Beto). Já o pequeno Victor, filho da personagem Olga - vivida por Mara Carvalho - e protagonista infantil da narrativa, será alternado por Nico Takaki e Arthur Habert.

O musical acompanha a trajetória de Victor, um menino de imaginação fértil, hipnotizado pelo cotidiano limitante das telas que o impedem de enxergar o mundo como ele realmente é. Mergulhado em um sonho - ou seria um pesadelo? - Victor embarca em uma jornada fantástica na qual se defronta com seus medos e descobre novas perspectivas ao lado de Susi e de um grupo de personagens marcantes. Entre amigos e antagonistas, ele atravessa um verdadeiro rito de passagem, aprendendo a lidar com as transformações e contradições da infância rumo à adolescência.

Entre músicas, humor e emoção, o espetáculo aborda temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento, enquanto Victor descobre sua vocação e encontra um caminho de reconexão com sua própria história. A Susi, por sua vez, luta para reafirmar sua relevância diante das novas gerações, multiplicando-se em cena em diferentes versões - representando diversas profissões e etnias - que refletem a pluralidade da mulher brasileira e evidenciam sua resistência cultural frente ao brilho importado da concorrente internacional.

A ideia de transformar a boneca Susi em um musical surgiu de uma conversa entre Mara Carvalho e Ulysses Cruz, ainda em 2023, quando ambos comentavam sobre o impacto do filme “Barbie”, de Greta Gerwig e Noah Baumbach. Foi então que Mara lançou a provocação: “Por que não fazemos um musical sobre a Susi?”. A partir daí, nasceu o projeto que vem sendo desenvolvido desde então.

O diretor Ulysses Cruz destaca que o desejo de dar vida à montagem vem da vontade de explorar a ousadia artística e resgatar memórias afetivas da infância. Inspirado pelo impacto cultural da boneca e pela própria experiência com os brinquedos da Estrela, ele buscou construir uma narrativa inovadora, divertida e reflexiva. “Quero fazer um musical artístico, ousado, que vá além do óbvio. teatro musical é terreno fértil para muitos assuntos. Susi está nos dando a oportunidade de falar  sobre temas que não são usuais dentro dessa linguagem. Susi é para divertir e refletir ao mesmo tempo”.

A autora e idealizadora Mara Carvalho também vê em Susi a oportunidade de dialogar com questões contemporâneas, como autoconhecimento, amor-próprio e padrões de consumo. Ao lado de Ulysses, ela construiu um enredo que combina humor, emoção e crítica social, além de resgatar um ícone da infância brasileira que foi substituído por referências estrangeiras. “Quis falar de um produto que é nosso e foi substituído. Susi é memória, identidade e também crítica ao país que cria e apaga seus próprios filhos. Espero que o musical emocione, resgate lembranças e traga questionamentos”, explica Mara, reforçando a intenção de criar algo humano e verdadeiro, capaz de tocar o público de forma profunda.

Com diálogos afiados, projeções visuais e um desfile final apoteótico, “Susi, o Musical” alterna entre o universo real do quarto de Victor e o mundo simbólico das bonecas, promovendo reflexões sobre memória, individualidade e pertencimento, ao mesmo tempo em que explora o impacto da cultura de massa e a influência das novas gerações digitais.

A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Thiago Gimenes, é parte essencial da dramaturgia: a instrumentação e a orquestração evidenciam de forma clara a identidade de cada personagem e o ritmo da narrativa. Entre eletrônico e acústico, rock, pop, MPB, rap, trap e sonoridades dos anos 1970, a música acompanha a trajetória de Susi e Victor, funcionando como extensão do texto e revelando o subtexto da história. 

“A identidade de cada personagem ganha voz própria, transitando por estilos diversos. A ideia é fundir o eletrônico e o acústico, o antigo e o novo, criando uma narrativa sonora múltipla e integrada. A música faz a narrativa avançar, alternando entre momentos delicados e grandiosos para contar a história da Susi e sua trajetória atemporal”, explica Gimenes, reforçando o caráter inovador da proposta e a imersão que o público terá no musical.

Além de Susi e sua rival, o musical apresenta personagens icônicos como Beto e Falcon, em situações que equilibram humor e crítica. Propondo uma experiência lúdica e emocional, que mistura passado e presente, diversão e reflexão, o musical convida o público a revisitar memórias e refletir sobre o futuro, questionando padrões impostos e reafirmando a autenticidade como valor essencial.

A montagem, que conta com o licenciamento da Estrela, reúne um time de diferentes criadores: Thiago Gimenes, responsável pelas músicas originais; Mara Carvalho e Thiago Gimenes, que assinam as letras; Rubens Oliveira, nas coreografias e direção de movimento; Verônica Valle, no cenário; Caia Guimarães e Deborah Casares nos figurinos; Alisson Rodrigues, no visagismo; Aline Santini, no desenho de luz; Gabriel D’Angelo associado com Fernando Wada, no desenho de som; Vanessa Veiga, na direção de elenco; Thiago de Los Reyes, na direção executiva; Andresa Gavioli, na produção executiva e Mauro Pucca na produção técnica.


Ficha técnica
"Susi, o Musical"
Equipe criativa e técnica:
Concepção e Direção Geral: Ulysses Cruz
Texto e letras: Mara Carvalho
Diretor residente e stage manager: Nicolas Ahnert
Direção musical:Thiago Gimenes
Direção executiva: Thiago de Los Reyes
Produção executiva: Andresa Gavioli
Produção técnica: Mauro Pucca
Direção de arte e cenografia: Verônica Valle
Figurinista: Caia Guimarães
Figurinista: Debora Casares
Visagista: Alisson Rodrigues
Assistente de figurino: Carol Poletto
Coreografia e direção de movimento: Rubens Oliveira
Iluminação: Aline Santini
Direção de elenco: Vanessa Veiga
Assistente de direção musical: Johnny Mantelato
Assistente de produção: Luma Litaiff
Assistente de Produção: Fernanda Gavioli
Assistente de coreografia: Fernanda Salla
Contrarregra 1: Nicolas Ives
Contrarregra 2: Daniel Ribeiro Corsino
Contrarregra 3: Estevam Fernandes
Maquinista: Paulo Mafrense
Camareira 1: Erika Farias
Peruqueira e Camareira 2: Andrea Almeida
Iluminador assistente e operador: Caio Maciel
Sound designer: Gabriel D’Angelo
Sound designer associado: Fernando Wada
Operador de som: Cauê Palumbo
Microfonista 1: Gabriel Vilas
Microfonista 2: Adriana Lima
Designer gráfico: Márcio Ribas
Redes sociais e comunicação: André Massa
Redes sociais: Ofélio Falcão
Conteúdo audiovisual: Gabriel Metzer e Arthur Bronzato
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Copyista: Rodrigo Nascimento
Assessoria jurídica e contratos: Marcelo Beck
Prestação de contas e contabilidade: William Chagas

Elenco
Susi: Priscilla
Alternante Susi: Clara Verdier
Bárbara: Bruna Guerin
Susi Safari: Ariane Souza
Susi Fotógrafa: Luana Tanaka
Susi Copa do Mundo: Daniela Dejesus
Victor: Arthur Habert
Victor: Nico Takaki
Olga: Mara Carvalho
Beto: Leandro Melo
Falcon: Rodrigo Moraes
Kevin: Paulo Ocanha
Swing Feminino: Beatriz Algranti

Banda
Tecladista: Henry Gomes
Baixista: Evandro Moisés
Baterista: Ramiz Oliveira
Guitarrista: Carlos Augusto

Serviço
"Susi, o Musical"
Local: Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - São Paulo/SP 
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h00
Temporada: de 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas 20h00, sábados e domingos 16h00 e 20h00
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia-entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia-entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla ou bilheteria local 
Classificação etária: livre
Duração: 90 minutos 
Capacidade: 827 lugares


.: "Rita Lee, Uma Autobiografia Musical" retorna ao Teatro Porto a partir de abril


Com Mel Lisboa, vencedora dos prêmios Shell e Fita, espetáculo dirigido por Marcio Macena e Débora Dubois retoma temporada no Teatro Porto. Abertura de vendas em 19 de fevereiro. Foto: divulgação

 
Com 292 apresentações desde a estreia em abril de 2024 e visto por mais de 250 mil pessoas, "Rita Lee, Uma Autobiografia Musical", estrelado por Mel Lisboa e dirigido por Marcio Macena e Débora Dubois, retorna ao Teatro Porto no dia 18 de abril, após turnê nacional com patrocínio da Porto, que passou por 24 cidades em 19 estados. A venda de ingressos começa em 19 de fevereiro, pelo site www.sympla.com.br/teatroporto e na bilheteria oficial do teatro. Leia a crítica da temporada anterior neste link: "Rita Lee: Uma Autobiografia Musical" é um acontecimento histórico.

Fenômeno de público, o espetáculo estreou em 26 de abril de 2024 no Teatro Porto e, ao longo de mais de um ano em cartaz, teve todas as sessões esgotadas. Pelo trabalho, Mel Lisboa, que interpreta Rita Lee a pedido da própria artista, recebeu os prêmios Shell e Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra de melhor atriz, além de indicações aos prêmios DID, APCA e, recentemente, ao Prêmio APTR de Teatro. 

A montagem também foi contemplada com o Prêmio Arcanjo Especial e com o Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra pelo júri popular. No Prêmio PRIO do Humor, recebeu indicações nas categorias direção e atriz, com Débora Reis, por sua atuação como Hebe Camargo. Débora Reis venceu ainda o Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra de atriz coadjuvante.

“Voltar ao Teatro Porto é como voltar para casa, foi ali que tudo começou. Estreamos no Teatro Porto e ficamos em cartaz por um ano e dois meses ininterruptos, então esse retorno carrega muita memória. É um espetáculo com uma trajetória da qual nos orgulhamos muito. A história da Rita é atemporal, segue atravessando gerações e formando novos fãs. Enquanto as pessoas quiserem ouvir essa história e saírem emocionadas do teatro, a vontade de seguir em cena continua. É isso que nos move", declara Mel Lisboa.

O musical tem roteiro e pesquisa de Guilherme Samora e direção musical de Marco França e Marcio Guimarães.  E ainda traz no elenco, interpretando personagens icônicos da nossa MPB, Bruno Fraga (Roberto de Carvalho), Fabiano Augusto (Ney Matogrosso), Tatiana Thomé (Censora Solange), Debora Reis (Hebe Camargo), Flavia Strongolli (Elis Regina), Yael Pecarovich (Gal Costa), Antonio Vanfill (Arnaldo Baptista e Charles Jones), Gustavo Rezende (Raul Seixas), Roquildes Junior (Gilberto Gil) e ainda o ator Lui Vizotto (swing).


Trajetória do espetáculo
Tudo começou quando Mel Lisboa pisou pela primeira vez em cena como Rita Lee, em 2014, no musical Rita Lee Mora ao Lado. Ela não poderia prever algumas coisas: primeiro, que seriam meses de casa cheia em um dos maiores teatros de São Paulo. Segundo, que a própria Rita Lee apareceria sem avisar, abençoaria sua performance e ainda voltaria para assistir ao espetáculo. Trabalho, aliás, que rendeu a Mel prêmios como melhor atriz e a colocou de vez entre os maiores nomes do teatro nacional, com uma frutífera e diversificada carreira. 

Desta vez, Mel conta a história de Rita com base no livro da cantora, lançado em 2016 e um dos maiores sucessos editoriais do Brasil. O livro narra os altos e baixos da carreira de Rita com uma honestidade escancarada, a ponto de ter sido apontado como “ensinamento à classe artística” pelo jornal O Estado de São Paulo. 

A ideia do novo musical surgiu quando Mel gravou a versão em audiolivro, como Rita, em 2022.  O texto de Rita, numa narrativa envolvente e perfeita para um musical biográfico, conta do primeiro disco voador avistado por ela ao último porre. Sem se poupar, ela fala da infância e dos primeiros passos na vida artística; de Mutantes e de Tutti-Frutti; de sua prisão em 1976, na ditadura; do encontro de almas com Roberto de Carvalho; das músicas e dos discos clássicos; do ativismo pelos direitos dos animais; dos tropeços e das glórias. 

“A vida de Rita precisa ser contada e recontada. Sua existência transformou toda uma geração. E continua a conquistar fãs cada vez mais jovens. Rita não é ‘somente’ a roqueira maior. Ela compôs, cantou e popularizou o sexo do ponto de vista feminino em uma época em que isso era inimaginável. Ousou dizer o que queria e se tornou a artista mais censurada pela ditadura militar. Na época, foi presa grávida. Deu a volta por cima e conquistou uma legião de ‘ovelhas negras’. Ela se tornou a mulher que mais vendeu discos no país e a grande poetisa da MPB”, completa Mel.

Como diz Rita no livro, seu grande gol é ter feito um monte de gente feliz. E Mel, no palco como Rita, leva a sério essa missão: todas as vezes em que interpreta Rita, as pessoas se comportam como se estivessem num show. Cantando junto, batendo palma e, não raras as vezes, correndo para dançar na frente do palco no “bis” do espetáculo. "Rita Lee, Uma Autobiografia Musical" cria, portanto, uma versão inédita que mostra todas as facetas dessa grande cantora, compositora, multi-instrumentista, apresentadora, atriz, escritora e ativista dos direitos humanos e uma das maiores artistas brasileiras.


O espetáculo em números 
*Estreia em abril de 2024
*292 apresentações desde a estreia
*Um ano e dois meses em cartaz no Teatro Porto
*Público superior a 250 mil pessoas
*Turnê nacional por 24 cidades
*Passagem por 19 estados

Prêmios e indicações
*Prêmio Shell de Teatro, Melhor Atriz, Mel Lisboa
*Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra, Melhor Atriz, Mel Lisboa
*Prêmio Arcanjo Especial, espetáculo
*Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra, Júri Popular
*Prêmio Fita – Festa Internacional de Teatro de Angra, Atriz Coadjuvante, Débora Reis
*Indicação ao Prêmio DID, Mel Lisboa
*Indicação ao Prêmio APCA, Mel Lisboa
*Indicações ao Prêmio PRIO do Humor, categorias Direção e Atriz, Débora Reis
*Indicação ao Prêmio APTR de Teatro, Mel Lisboa (ainda não divulgado resultado)

Ficha Técnica
Roteiro e pesquisa: Guilherme Samora
Texto: Márcio Macena
Direção geral: Débora Dubois e Márcio Macena
Direção musical: Marco França e Marcio Guimarães
Coreografia: Tainara Cerqueira
Assistente de coreografia: Priscila Borges
Figurinista: Carol Lobato e Giu Foti
Iluminação: Débora Dubois e Luiz Fernando Vaz Jr
Elenco: Mel Lisboa, Bruno Fraga, Fabiano Augusto, Debora Reis, Flavia Strongolli, Yael Pecarovich, Antonio Vanfill, Gustavo Rezende, Roquildes Junior, Tatiana Thomé e Lui Vizotto
Assessoria de imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação
Coordenação de produção: Edinho Rodrigues
Realização: Brancalyone Produções


Serviço
"Rita Lee, Uma Autobiografia Musical"
Reestreia 18 de abril de 2026.
Temporada: De 18 de abril a 28 de junho. Sextas e sábados, às 20h; Domingos, às 17h.
Ingressos: Plateia: R$220 (inteira) / Balcão e Frisas: R$180 (inteira)
Valor Especial: R$ 50,00 (inteira)
 *O ingresso Valor Especial é válido para todos os clientes e segue o plano de democratização da Lei Rouanet, havendo uma cota deste valor promocional por sessão.
Classificação: 12 anos.
Duração: 120 minutos.

Teatro Porto 
Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.
Telefone (11) 3366.8700

Bilheteria
Aberta somente nos dias de espetáculo, duas horas antes da atração. 
Clientes Cartão Porto Bank mais acompanhante têm 50% de desconto.
Clientes Porto mais acompanhante têm 30% de desconto.
Capacidade: 508 lugares.
Formas de pagamento: Cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.
Estacionamento no local: Gratuito para clientes do Teatro Porto.
O Teatro Porto oferece aos clientes uma van gratuita partindo da Estação da Luz em direção ao prédio do teatro. O local de partida é na saída da estação, na Rua José Paulino/Praça da Luz. No trajeto de volta, a circulação é de até 30 minutos após o término da apresentação. E possui estacionamento gratuito para clientes do teatro.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

.: Cia. Ave Lola estreia "Sonho de Uma Noite de Verão" no Sesc Santo Amaro


A Ave Lola volta a São Paulo depois do sucesso de "Cão Vadio" e apresenta sua nova criação "Sonho de Uma Noite de Verão", com música ao vivo e o encontro direto com o público em temporada no Sesc Santo Amaro. Foto: Maringas Maciel


A trupe curitibana Ave Lola traz a São Paulo sua nova criação, "Sonho de Uma Noite de Verão", comédia de William Shakespeare, em temporada no Sesc Santo Amaro de 27 de fevereiro a 5 de abril. O grupo, que completa 15 anos de trajetória e soma mais de 300 mil espectadores em circulações nacionais e internacionais, apresenta uma montagem que integra música ao vivo, teatralidade popular e jogo físico como marcas da companhia.

Com direção de Ana Rosa Genari Tezza, o espetáculo costura diferentes tradições cênicas, entre elas o teatro de pavilhão, a comédia e o melodrama, incorporando linguagem musical executada ao vivo por Arthur Jaime e Breno Monte Serrat. Em cena, o elenco formado por Cesar Matheus, Helena de Jorge Portela, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Marcelo Rodrigues, Pedro Ramires, Wenry Bueno e Willa Thomas recria as camadas de fantasia e desordem afetiva que atravessam o texto.

A história acompanha o entrelaçamento de tramas amorosas e disputas no limite entre sonho e realidade. Quatro jovens de Atenas se perdem na floresta enquanto tentam decidir seus destinos amorosos, ao mesmo tempo em que o reino das fadas vive suas próprias tensões, guiadas pela disputa entre Oberon e Titânia, e pela travessura de Puck, que embaralha desejos e identidades.

O espetáculo sublinha o caráter festivo e imaginativo do original, apostando no jogo e na teatralidade explícita como elementos fundamentais para um teatro sofisticado e popular. “Num país de dimensões continentais é sempre uma conquista poder levar espetáculos para públicos diversos.  É ao mesmo tempo desafiador e gratificante, se compreendemos que parte do nosso ofício é viajar.” conta a diretora Ana Rosa Genari Tezza.

Criado em 2024, o espetáculo aprofunda a pesquisa da Ave Lola sobre teatro popular e seu diálogo com dramaturgias clássicas. Ao longo de sua história, a companhia desenvolveu uma assinatura própria que combina potência estética, música e ênfase no trabalho do ator, o que permitiu ao longo dos anos estabelecer uma forte comunicabilidade com o público heterogêneo, consolidando-se como um dos grupos de referência da cena brasileira. “Na Ave Lola, a música não é apenas ao vivo, ela é dramatúrgica. Ela estabelece ritmo, forma e estrutura da cena, com o mesmo peso da palavra. A música é criada no processo no calor da cena, enquanto os atores improvisam e depois, executada ao vivo durante às apresentações, pelos compositores”.

“Espero que o público do Sesc Santo Amaro se envolva, se divirta e fique próximo da gente. Que encontre no espetáculo um lugar de afeto pelo teatro e por esse texto tão vivo, tão ligado à juventude, ao erotismo e ao amor pela vida”, completa a diretora. 

A temporada do espetáculo Sonho de uma noite de verão no Sesc Santo Amaro é uma ação viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio de Instituto Joanir Zonta, Guabi Nutrição e Saúde Animal, Tecbril, Ecogen Brasil Soluções Energéticas, Gemü, HD Ferragens para Móveis, Tecsul Equipamentos e Serviços e produção da Trupe Ave Lola e Entre Mundos Produções Artísticas e realização Sesc, Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro.

Sobre Ave Lola
A Ave Lola é uma companhia de teatro que há mais de uma década vem encantando o público com espetáculos premiados que circulam o Brasil e o exterior. Reconhecida por sua pesquisa no teatro popular brasileiro, a companhia busca constantemente aprimorar sua linguagem teatral. Além disso, assina produção de livros, filmes, exposições, oficinas e articulação com artistas do mundo todo – sendo berço de projetos artísticos de diversas áreas. A companhia já conquistou 35 prêmios, entre eles Shell, Gralha Azul e indicações para o Cesgranrio. Desde a fundação, em 2010, a Ave Lola soma um público de mais de 300 mil pessoas em seus espetáculos. 

Toda a gestão da trupe é feita por mulheres, garantindo espaço e visibilidade para elas no mundo das artes. A começar por Ana Rosa Genari Tezza, fundadora, diretora e dramaturga. Nascida em Curitiba e criada na Amazônia Brasileira (Rio Branco – AC), tem mais de 30 anos de teatro, tendo seus últimos trabalhos como diretora artística amplamente reconhecidos pelo público e pela crítica especializada. Conta com indicações e premiações nacionais e internacionais, além de parcerias firmadas com grupos do Chile, Alemanha, Dinamarca, Holanda e França.


Ficha técnica
Espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão"
Companhia: Trupe Ave Lola
Autor: William Shakespeare
Tradução: Bárbara Heliodora
Direção: Ana Rosa Genari Tezza
Assistente de direção: Giovana de Liz
Direção musical e execução de música ao vivo: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat
Arranjos vocais: Julia Klüber
Composição da canção “Lullaby”: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat, Julia Klüber
Composição da canção “The Blue Boys Tale”: Cesar Matheus, Kauê Persona
Elenco: Cesar Matheus, Helena de Jorge Portela, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Marcelo Rodrigues, Pedro Ramires, Wenry Bueno, Willa Thomas
Coreografia e preparação corporal: Ane Adade
Preparação vocal: Julia Klüber
Iluminação: Beto Bruel, Rodrigo Ziolkowski
Cenografia: Daniel Pinha
Figurino: Ana Rosa Genari Tezza, Helena Tezza
Visagismo e adereços: Maria Adélia
Orientação de figurino: Eduardo Giacomini
Costura: Água Viva Decorações, Ari Lima, Marino Ferrera, Sandra Francisca Canonico
Camareira: Alyssa Riccieri
Montagem e operação de luz: Alexandre Leonardo Luft
Direção de palco: Marcelo Rodrigues
Assistentes de cenografia: Stella Pugliesi, Rita Sobrinho
Cenotécnicos: Anderson Quinsler, Paulo Batistela (Nietzsche), Vilson Kurz, Sérgio Richter
Assistente de cenotecnia: Anderson Bagio
Coordenação de projetos: Dara van Doorn, Laura Tezza
Direção executiva: Entre Mundos Produções Artísticas
Direção de produção: Dara van Doorn, Elza Forte da Silva Carneiro, Laura Tezza
Produção: Flavia Longo
Assistente de produção: Carlos Becker
Assistente financeiro: Alyssa Riccieri
Comunicação Ave Lola: Larissa de Lima, Agência Momo
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli
Assistência de comunicação: Cesar Matheus
Prestação de contas: Laura Tezza, Matheus Munhoz
Ilustrações e projeto gráfico: Raro de Oliveira
Registro audiovisual: Guilherme Danelhuk (Gnomos Filmes)
Registro fotográfico: André Tezza, Caíque Cunha, Maringas Maciel
Ave Lola São Paulo: Ricardo Grasson, Heitor Garcia
Residente internacional: Renata Lorca
Encontros que integraram o processo de criação do espetáculo: Oficina “Desconstrução da Palavra como Criação de Repertório Vocal e Corporal” com Luis Melo e “Conversas” com Chico Carvalho.

Serviço
Espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão"

Duração: 120 minutos. Classificação: 12 anos
Sesc Santo Amaro  - Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro / São Paulo
De 27 de fevereiro a 5 de abril. Sextas e sábados, às 19h30, e aos domingos, às 18h.
Ingressos:  R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada), R$ 15,00 (credencial plena).
Venda disponível on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pelo site https://centralrelacionamento.sescsp.org.br/, a partir de 17/02, ou nas bilheterias das unidades, a partir de 18 de fevereiro.
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h30 | Sábado, domingo e feriado, das 10h00 às 18h30.
Sessões com Libras: 13 de março (19h30), 21 de março (19h30), 29/3 (18h).
Sessões com Audiodescrição: 13 de março (19h30), 20 de março (15h00) e 27 de março (1000h).
Como Chegar de Transporte Público: 300m a pé da Estação Largo Treze (metrô), 900m a pé da Estação Santo Amaro (CPTM), 350m a pé do Terminal Santo Amaro (ônibus).
Acessibilidade: A praça dá acesso a todos os andares (subsolo | térreo | 1º pav. | 2º pav.) do prédio e aos espaços de atividades por meio de dois elevadores. A Unidade possui banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, espaço reservado no Teatro e conta com seis vagas especiais no estacionamento.

.: "Escola Modelo" reestreia no Teatro Vivo e retoma debate sobre racismo


Peça dirigida por Fernando Vilela traz em cena Pedro Granato e Letícia Calvosa refletindo as estruturas sociais sob diferentes perspectivas. Foto: Camila Rios

Dirigido por Fernando Vilela, o espetáculo "Escola Modelo" propõe uma reflexão direta sobre racismo estrutural, ações afirmativas e os impasses da educação brasileira. A montagem, protagonizada por Pedro Granato e Letícia Calvosa, reestreia no dia 28 de fevereiro, no Teatro Vivo, em São Paulo. A dramaturgia de Bruno Lourenço se constrói a partir do embate entre o privado e o público, o sonho e o trabalho, articulando referências de pensadores como Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant’anna Vaz.

O espetáculo parte das experiências pessoais dos dois intérpretes para atravessar o que é íntimo e o que é estrutural, o que é memória individual e política pública. Em cena, uma mulher negra que viveu os dilemas das cotas no acesso à universidade e um homem branco que atuou como gestor público de formação, refletem sobre como o racismo moldou suas trajetórias educacionais. 

“Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada”, conta a atriz.

Para Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é preciso questionar sobre a forma que algumas instituições têm inserido alunos em seus espaços. "Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais", reflete. 

A criação do texto partiu de duas forças condutoras, segundo Bruno Lourenço. “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas), explica. A peça se desenrola em uma ambientação que mescla elementos de sala de aula com a linguagem da contação de histórias, permitindo ao público uma imersão profunda nas reflexões propostas. Através do Teatro Épico de Bertolt Brecht, a encenação busca criar um distanciamento que possibilita o pensamento crítico, convidando os espectadores a questionar as estruturas sociais e educacionais vigentes.

“Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos? O público é parte fundamental da discussão. Pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos a serem tomados, quanto sociedade, quanto país”, diz o diretor Fernando Vilela. 

A cenografia, inspirada no filme "Dogville" de Lars von Trier, utiliza módulos rotativos que lembram lousas escolares, criando um espaço versátil que se transforma em diferentes ambientes conforme a narrativa avança. Cadeiras coloridas infantis dispostas entre o público reforçam a atmosfera escolar, enquanto os elementos cênicos provocam sobre as relações de poder e as dinâmicas sociais presentes no contexto educacional.


Ficha técnica
Espetáculo "Escola Modelo"
Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa. Direção: Fernando Vilela. Dramaturgia: Bruno Lourenço. Desenho de luz: Ariel Rodrigues. Direção de arte: Fernando Vilela. Figurino: Thais Sakuma. Preparação Vocal: Malú Lomando. Técnico de Palco e Técnico de Som: Diego Leo. Técnico de Luz: Ariel Rodrigues. Produção Executiva: Julia Terron. Assistência de Produção: Diego Leo. Fotos Divulgação: José de Holanda. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção e Realização:Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato. Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.


Serviço
Espetáculo "Escola Modelo"
Teatro Vivo - Av. Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi - São Paulo/SP - 04583-110
Capacidade do Espaço Convivência: 46 lugares
Temporada: De 28 de fevereiro a 29 de março de 2026. Sábados às 20h e domingos às 18h.
Ingressos: R$ 80,00 (inteira)/ R$ 40,00 (meia-entrada)
Duração: 75 minutos.
Classificação: 14 anos.
Bilheteria: (11) 3430-1524 - Horário de funcionamento da bilheteria: 2h antes da apresentação.
Estacionamento no local
Entrada pela Av. Roque Petroni Jr, 1464
Valor R$ 30,00 
Funcionamento duas horas antes da apresentação e até 30 minutos após a sessão.

.: "Hereditária", no Sesc Pompeia, tem canções originais e mitologia


Com indicações ao Prêmio Shell de Direção e Cenário, espetáculo inova na abordagem à acessibilidade, com audiodescrição e Libras integradas à dramaturgia. Foto: Thelma Vidales

 
Após temporadas no Rio de Janeiro, "Hereditária" estreou em São Paulo no Espaço Cênico do Sesc Pompeia e permanece em cartaz até o final do mês, de quarta a sexta-feira. Idealizado pela multiartista Moira Braga, o espetáculo parte da descoberta, aos sete anos de idade, de uma condição genética rara que causaria a perda de sua visão, para investigar os múltiplos sentidos da hereditariedade - do genético ao social. Há duas décadas, Moira vem construindo uma trajetória relevante na cena artística brasileira, especialmente no campo da cultura DEF. Atua como autora, bailarina, atriz e preparadora de elenco no teatro e no audiovisual.

A dramaturgia, escrita pela atriz em parceria com o diretor do espetáculo, Pedro Sá Moraes, entrelaça acontecimentos da vida pessoal e da ancestralidade de Moira a referências históricas, científico-sociais e mitológicas - como o mito grego das Moiras, três irmãs funestas que tecem o destino de todos os seres. Entre o biográfico, o poético e o político, a peça reflete sobre o quanto de nossas vidas é predeterminado e o quanto temos poder de escolha. 

"'Hereditária' aborda temas sensíveis, doença, morte, perdas. Mas não é sobre isso. Penso que esse espetáculo é sobretudo uma história de amor à Vida. O público é convidado a refletir sobre o que são nossas heranças e nossa hereditariedade: aquilo que nos chega pela ancestralidade, o que se perde pelo caminho e as heranças que escolhemos carregar. Heranças congênitas, sociais, culturais e simbólicas que atravessam corpos e histórias", explica Moira.

No Palco, a idealizadora contracena com duas outras atrizes: Luize Mendes Dias, que também é intérprete de Libras, e a multi-instrumentista Isadora Medella. A Língua Brasileira de Sinais e a audiodescrição estão integradas de forma orgânica desde a dramaturgia até as movimentações cênicas, expandindo as fronteiras do que tradicionalmente se compreende como acessibilidade.  

A narrativa é costurada por canções originais compostas por Pedro Sá Moraes, que também assina a direção musical ao lado de Isadora Medella. O trabalho foi inspirado no conceito de Teatrocanção, no qual a musicalidade orienta o ritmo da atuação e a pulsação das cenas. "A canção é uma forma de expressão muito poderosa, porque chega no corpo e no afeto, antes da racionalidade. As formas musicais brasileiras, em especial, são parte da nossa herança compartilhada e por isso possibilitam uma experiência mais íntima das metáforas e das reflexões do espetáculo. De certo modo, essa musicalidade ajuda a criar a ponte que sai da história da Moira, e vira história de cada um", comenta o diretor.

O cenário, concebido como uma instalação visual e sonora pelo músico e artista plástico Ricardo Siri, é formado por objetos que produzem sons ao serem pisados, tocados, percutidos ou deslocados em cena. Pessoas cegas e com baixa visão são convidadas a fazer uma visita guiada antes da abertura das portas, para explorar os elementos cenográficos de forma tátil, ampliando a experiência sensorial do espetáculo.

A direção de movimento, assinada por Edu O., performer e professor da UFBA, primeiro professor de dança cadeirante de uma universidade pública brasileira, Edu é referência nacional no debate sobre Arte DEF, incorporando à criação reflexões sobre capacitismo e o que define como bipedia compulsória.

A trajetória de Moira Braga ganhou projeção nacional a partir de 2022, com sua participação na novela Todas as Flores, da TV Globo, onde atuou como preparadora de elenco e intérprete da personagem Fafá. Em 2024, retornou à emissora como preparadora de elenco da novela Renascer e 2025 do longa-metragem Antártida.  Para a artista, esse reconhecimento reforça a importância de que profissionais com deficiência sejam convocados não apenas para falar sobre deficiência, mas para exercer plenamente suas funções criativas. 

Ficha técnica
Espetáculo "Hereditária"
Idealização: Moira Braga
Dramaturgia: Moira Braga e Pedro Sá Moraes.
Direção: Pedro Sá Moraes.
Elenco: Isadora Medella, Luize Mendes Dias e Moira Braga.
Canções originais: Pedro Sá Moraes.
Direção musical: Pedro Sá Moraes e Isadora Medella.
Direção de movimento: Edu O.
Cenografia: Ricardo Siri.
Figurino: Vania Ms. Vee.
Iluminação: Ana Luzia De Simoni.
Iluminador assistente (montagem e adequação de rider): Guiga Ensá.
Operação de luz: Eloah Mendes.
Técnico de som: Hernán Romero.
Identidade visual: Vinícius Santilli | Grambolart.
Designer (edição das peças gráficas): Fernando Alax.
Fotos: Junior Zagotto, Felipe Rodrigues, Pedro Sá Moraes, Thelma Vidales.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Consultoria em Libras: Jadson Abraão.
Consultoria em audiodescrição: Felipe Monteiro.
Contabilidade: Davi Andrade.
Produção executiva: Júlia Pires.
Direção de produção: Jordana Korich.
Co-realização: Movimento Falado Ltda., Sá Moraes Produções e Educação e Grande Mãe Produções. 


Serviço
Espetáculo "Hereditária" 
Até dia 27 de fevereiro de 2026.
Dias e horários: quarta a sexta-feira, às 19h30; quinta-feira também com sessão vespertina, às 16h00.
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: 12 anos.
O espetáculo conta com tradução em Língua Brasileira de Sinais e audiodescrição em cena aberta, além de visita guiada ao cenário para pessoas cegas e com baixa visão.
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Sem estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal: sescsp.org.br/pompeia

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

.: Espetáculo "Escute as Feras" abre a programação teatral do Cultura Artística


Adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin, é protagonizado por Maria Manoella e com direção musical de Lúcio Maia. Foto: Ariela Bueno


Após receber os primeiros espetáculos teatrais desde sua reabertura em 2024, o Cultura Artística inicia 2026 com a temporada de "Escute as Feras", de 27 de fevereiro a 12 de abril, às sextas-feiras e sábados, às 20h00, e aos domingos, às 18h00, no Pequeno Auditório. Idealizado por Maria Manoella e Fernanda Diamant, o projeto é uma livre adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin. De grande repercussão mundial, a obra recebeu o prêmio François Sommer de 2020 por sua contribuição à reflexão a respeito das relações entre homem e natureza.

Nastassja Martin teve seu rosto desfigurado por um urso pardo em um encontro inesperado na região de Kamchatka, na Sibéria, em 2015. A autora então parte do relato desse acontecimento para pensar questões sociais, políticas e existenciais. A adaptação teatral foi escrita pela atriz Maria Manoella, juntamente com a filósofa e editora Fernanda Diamant e a diretora Mika Lins. O texto se concentra em pontos de contato entre essa história e a realidade brasileira, entre essa mulher e todas as mulheres, em uma peça que se descola do realismo da obra de não ficção e estimula o sonho e os sentidos.

O resultado é ao mesmo tempo um espetáculo solo de Maria Manoella, e uma experiência artístico-sonora conduzida ao vivo pelo músico Lúcio Maia, que assina a direção musical. Além disso, conta com Daniela Thomas na direção de arte, Fabio Namatame no figurino, direção de movimento de Vivien Buckup, colaboração dramatúrgica de Ana Paula Pacheco e direção de Mika Lins.


Ficha técnica
Espetáculo "Escute as Feras"

Idealização: Maria Manoella e Fernanda Diamant
Adaptação teatral: Fernanda Diamant, Mika Lins, Maria Manoella Colaboração dramatúrgica: Ana Paula Pacheco
Direção: Mika Lins
Co- direção: Fernanda Diamant Com: Maria Manoella e Lúcio Maia
Direção Musical, Produção, Composição e execução: Lúcio Maia Direção de Arte: Daniela Thomas
Iluminação: Caetano Vilela Figurino: Fábio Namatame
Direção de Movimento: Vivien Buckup Produção: Corpo Rastreado


Serviço
Espetáculo "Escute as Feras"

De 27 de fevereiro a 12 de abril, às sextas-feiras e sábados, às 20h00 / domingos, às 18h00 Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação / São Paulo. Ingressos: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada) – disponíveis aqui.


 

.: Mostra sobre desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira em Santos

Na primeira imagem, em preto e branco, Bergson Gurjão Farias aparece com a noiva Simone e a irmã Tânia, em Volta de Jurema, Fortaleza-Pernambuco. Na segunda foto, décadas depois, Tania e Simone estão sentadas em primeiro plano e o lugar onde antes fora ocupado por Bergson está vazio. A irmã Tânia recordará para sempre o momento em que olhou para baixo querendo arrumar a bolsa no colo, no mesmo instante em que o seu pai, Jennifer Farias, fez a última foto em que ela está com seu irmão. Bergson foi assassinado entre maio e junho de 1972 no Araguaia. Somente em julho de 2009, seu corpo foi identificado no Cemitério de Xambioá, no Tocantis, e sua família pode sepultar seus restos mortais. Foto: Gustavo Germano


Uma das principais referências no trabalho de memória política no país, o Núcleo de Preservação da Memória Política - NM, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Santos - IHGS, instituição dedicada ao fortalecimento da consciência coletiva por meio da preservação e difusão da história regional, apresentam a exposição "Ausências Brasil", do fotógrafo argentino Gustavo Germano — uma obra de profundo impacto visual e simbólico sobre os desaparecimentos forçados durante a ditadura militar (1964 – 1985) no Brasil. A exposição ficará aberta ao público de 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026.

A abertura oficial acontecerá no sábado, 28 de fevereiro, com programação especial de visita mediada com historiador, roda de conversa com ex-presos políticos e Sarau Musical. “Ausências Brasil” reúne doze pares de fotografias, contrapondo fotos de álbuns antigos de famílias de vítimas da ditadura militar no Brasil, com aquelas produzidas com familiares e amigos nos mesmos locais, em 2012. Neste sentido, as ausências nas obras de Gustavo Germano revelam muitas presenças: a presença da dor e da saudade, da injustiça e seus paradoxos, a presença da própria pessoa desaparecida.

Com o objetivo de lançar um olhar sensível sobre o tema da perseguição política e os desaparecidos do período da ditadura militar, os visitantes conhecerão rostos, histórias e poderão refletir sobre as possibilidades das vidas ceifadas pela brutalidade do sistema repressor. O projeto da Exposição Ausências foi iniciado na Argentina, motivado pelo desaparecimento do irmão do fotógrafo, Eduardo Raúl Germano, que foi detido e desaparecido pela ditadura daquele país em 17 de dezembro de 1976, e cujos restos mortais foram identificados somente em 2014 pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. O projeto se expandiu para outros países latinos, a maioria alvos da Operação Condor – campanha de repressão e terrorismo de Estado orquestrada pelas ditaduras no Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos. “Ausências Brasil” foi realizada em 2012, com fotografias do Ceará ao Rio Grande do Sul.

Além da exposição, haverá uma série de atividades educativo-culturais, como visitas mediadas, formação de educadores e rodas de conversa com ex-presos políticos, fomentando debates sobre os impactos da violência de Estado, tanto no passado quanto no presente. Com o objetivo de formar cidadãos mais conscientes e críticos, a exposição reflete sobre os abusos de poder, as perseguições e os desaparecimentos forçados ocorridos durante a ditadura militar no Brasil e suas repercussões na atualidade.

Um dos objetivos do projeto, segundo a museóloga do NM Kátia Felipini Neves, é refletir sobre a importância da democracia e da reparação simbólica. “Cada vez que a gente apresenta essa exposição, é uma forma de reparar essas famílias”, diz.

A escolha da cidade de Santos deu-se em virtude de sua importância no cenário político nacional, contando com a luta de lideranças populares por direitos e democracia. Das intervenções do Estado Novo de Getúlio Vargas nos anos 1930 à Ditadura Militar (1964-1985), sofreu censura, perseguições, torturas e outras graves violações dos direitos humanos. Um dos símbolos dessa violência foi o navio-prisão Raul Soares, ancorado no porto de Santos e utilizado como cárcere e centro de interrogatório durante a repressão militar. Em todas as circunstâncias, a cidade assumiu um papel ímpar na resistência.

Para Sergio Willians, diretor executivo do IHGS, “Ao receber a exposição Ausências Brasil, o Instituto reafirma seu compromisso histórico com a memória, a pesquisa e o direito à verdade, pois preservar a história local e nacional — em todas as suas faces — significa honrar os que sofreram, reconhecer os que resistiram e inspirar as novas gerações a valorizar a liberdade, a democracia e a dignidade humana. E que o IHGS, enquanto guardião da memória santista, coloca-se como espaço legítimo e necessário para acolher iniciativas que iluminem os períodos sombrios do passado e promovam reflexão crítica e cidadania”.

O Núcleo Memória é uma instituição dedicada à preservação da memória política e à promoção dos direitos humanos e conta com uma vasta agenda de ações, como as visitas mensais ao antigo DOI-Codi/SP, os Sábados Resistentes no Memorial da Resistência de São Paulo e cursos voltados para o campo da memória política. A realização da exposição só foi possível com o apoio do Deputado Estadual Antonio Donato e das instituições parceiras.  

Agenda da exposição
27 de fevereiro (sexta-feira)

14h00 às 15h30 – Encontro de Formação de Educadores
28 de fevereiro – sábado
15h30 às 16h30 – Visita educativa mediada
16h30 às 17h30 – Roda de Conversa com ex-presos políticos
18h00 – Abertura Oficial, com a presença de Sérgio Willians e Bruna Barbosa, do IHGS, Maurice Politi e Katia Felipini, do NM, e de Antonio Donato, Deputado Estadual 
18h30 - Sarau Musical 

2 de abril (quinta-feira)
14h00 às 16h30 – Formação de Educadores e Roda de Conversa com ex-presos políticos


Serviço
Exposição "Ausências Brasil" no Instituto Histórico e Geográfico de Santos

De 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026
Av. Conselheiro Nébias, 689 - Boqueirão, Santos – SP
Entrada gratuita
Horário de Visitação: de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 17h00. Sábados e Domingo fechados.
Visitas educativas: a exposição contará com educador para mediação das visitas tanto para grupos pequenos como para grupos escolares também na parte da manhã. A exposição conta com recursos de audiodescrição para pessoas com deficiência visual.
Visitas educativas mediante agendamento pelo telefone (13) 3222-5484 ou e-mail ihgs@ihgs.com.br a partir do dia 20 de fevereiro.

.: "Cara de Um, Focinho de Outro": Thaís Fersoza é anunciada como dubladora

Atriz e apresentadora emprestará a voz à personagem Diane, a Tubarão. Foto: divulgação

A magia da Disney invadiu a folia paulistana neste Carnaval. O estúdio firmou uma parceria inédita com o bloco “Sertanejinho do Teló”, comandado pelo cantor Michel Teló, no último domingo, dia 15 de fevereiro, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, para promover "Cara de Um, Focinho de Outro", a nova animação da Pixar. Durante o desfile, o trio elétrico foi palco de um momento especial para os fãs: o anúncio oficial de Thaís Fersoza como voz de Diane, uma das personagens do filme. Ela será Diane, a tubarão.

A atriz e apresentadora subiu ao trio ao lado do marido, Teló, para celebrar a novidade e interagir com o público. A recepção calorosa dos foliões confirmou a sinergia entre o casal e o projeto, aquecendo os motores para o lançamento do longa nos cinemas. Unindo diversão e conscientização, "Cara de Um, Focinho de Outro" conta a história de Mabel, uma jovem que ama e protege a natureza. Para impedir que um bosque que abriga os animais seja destruído, ela transfere a própria mente para um castor robótico realista. Infiltrada no mundo selvagem, ela une forças aos bichos em uma aventura animal.

Com experiência na dublagem ao dar voz à Babá em "Muppet Babies" (2018), Thaís Fersoza se junta a um elenco de vozes que já conta com ninguém menos do que a também atriz Renata Sorrah, lenda da teledramaturgia brasileira, que faz sua estreia como dubladora. "Cara de Um, Focinho de Outro" chega aos cinemas do Brasil em 5 março de 2026.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


Cineflix Miramar | Santos

No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: "Varda por Agnès": diretora ensina em documentário storytelling e cine-writing


Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o documentário  "Varda por Agnès" tem como a arte o tema central, acompanhando a vida do expoente do cinema. No filme, a própria Agnès Varda deixa sua biografia como testamento de uma vida guiada pelo cinema, pela fotografia e pela arte. De mãe da Nouvelle Vague a ícone feminista, a diretora Agnès Varda expõe processos de criação e revela a própria experiência com o fazer cinematográfico. 

A cineasta dá um enfoque especial no método de storytelling que ela denomina de “cine-writing”, uma espécie de fórmula utilizada por ela na grande maioria de seus documentários e ficções, revisando a sua carreira de maneira única e emocionante, neste filme que encerra a sua carreira de 64 anos. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Varda por Agnès" 
Direção: Agnès Varda | França | 2019 | 115 minutos | Documentário | 12 anos
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 
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