Preparem os seus coraçõezinhos para a mais aguardada sequência literária desde que você finalizou a última página do último romance que você adorou ler. Em "É Assim que Começa", a aguardada sequência de "É Assim que Acaba"lançada pela editora Galera Record, os personagens Lily e Atlas - que serão interpretados no cinema por Blake Lively e Chris Wood - estão de volta. A continuação chega para consagrar novamente Coleen Hoovercomo a autora mais vendida do Brasil.
A escritora é um fenômeno editorial, acumulando não só milhões de visualizações no TikTok, mas também milhões de exemplares vendidos. Na sequência de "É Assim que Acaba", Lily Bloom continua administrando uma floricultura. Seu ex-marido abusivo, Ryle Kincaid, ainda é um cirurgião. Mas agora os dois estão oficialmente divorciados e dividem a guarda da filha, Emerson.
Quando Lily esbarra em Atlas, com quem não fala há quase dois anos, parece que finalmente chegou o momento de retomar o relacionamento da adolescência, já que ele também está solteiro e parece retribuir os sentimentos de Lily. Mas apesar de divorciada, Lily não está exatamente livre de Ryle. Culpando Atlas pelo fim de seu casamento, Ryle não está nada disposto a aceitar o novo relacionamento de Lily, ainda mais com Atlas, o último homem que aceitaria ver perto de sua filha e da ex-esposa.
Alternando entre os pontos de vista de Atlas e Lily, É assim que começa retoma logo após o epílogo de É assim que acaba. Revelando mais sobre o passado de Atlas e acompanhando a jornada de Lily para abraçar a sua segunda chance, no amor enquanto lida com um ex-marido ciumento, É assim que começa prova que ninguém entrega uma leitura mais emocionante do que Colleen Hoover. Garanta o seu exemplar de "É Assim que Começa" neste link.
O que disseram sobre o livro “Em uma história permeada de tensão com lampejos de esperança, Hoover captura perfeitamente as dores de um coração partido e a felicidade de começar de novo.” ― Kirkus Review
Não se fala outra coisa desde que a aguardada adaptação de "É Assim que Acaba", livro mais vendido no Brasil em 2022 e sucesso mundial da americana Coleen Hoover, definiu quem serão os rostos da história no cinema: a atriz Blake Lively, que ficou conhecida pelo papel de Serena van der Woodsen na primeira versão do seriado "Gossip Girl", e Justin Baldoni, galã da série "Jane the Virgin". Ambos viverão o casal protagonista Lily e Ryle. “Eles têm o que é preciso para trazer esses personagens para a vida”, comemorou a escritora nas redes sociais.
Considerado o livro do ano, que virou febre no TikTok e sozinho já acumulou mais de um milhão de exemplares vendidos no Brasil. É assim que acaba é o romance mais pessoal da carreira de Colleen Hoover, discutindo temas como violência doméstica e abuso psicológico de forma sensível e direta.
Em "É Assim que Acaba", a autora Colleen Hoover apresenta ao leitor Lily, uma jovem que se mudou de uma cidadezinha do Maine para Boston, se formou em marketing e abriu a própria floricultura. E é em um dos terraços de Boston que ela conhece Ryle, um neurocirurgião confiante, teimoso e talvez até um pouco arrogante, com uma grande aversão a relacionamentos, mas que se sente muito atraído por ela.
Quando os dois se apaixonam, Lily se vê no meio de um relacionamento turbulento que não é o que ela esperava. Mas será que ela conseguirá enxergar isso, por mais doloroso que seja? "É Assim que Acaba" é uma narrativa poderosa sobre a força necessária para fazer as escolhas certas nas situações mais difíceis. Considerada a obra mais pessoal de Hoover, o livro aborda sem medo alguns tabus da sociedade para explorar a complexidade das relações tóxicas, e como o amor e o abuso muitas vezes coexistem em uma confusão de sentimentos.Garanta o seu exemplar de "É Assim que Acaba" neste link.
O que disseram sobre o livro “Um romance corajoso, de partir o coração, que enfia as garras em você e não te solta... Ninguém escreve sobre sentimentos tão bem quanto Colleen Hoover.”— Anna Todd, autora da série "After"
“...Você vai sorrir em meio às lágrimas.”— Sarah Pekkanen, autora de "Perfect Neighbors"
“Imperdível. Com um drama fascinante e verdades dolorosas, esse livro retrata de maneira poderosa a devastação que o abuso pode causar - e a força de quem sobrevive a ele...”— Kirkus Review
"Quinze segundos. Esse é o tempo necessário para mudar completamente tudo o que você conhece sobre uma pessoa. Quinze segundos". Uma das importantes frases do livro "É Assim Que Acaba" ("It Ends with Us") de Collen Hoover já destaca o porquê é um grande sucesso entre os fãs de livros e romances nos dias atuais. O sucesso é tanto que a história se adaptou para o filme que está em cartaz na rede Cineflix Cinemas.
No filme, Lily (Blake Lively) é uma jovem dona de uma floricultura que acaba se apaixonando por Ryle (Justin Baldoni). A princípio, um relacionamento comum, passando por altos e baixos, até que a história toma um rumo diferente e apresenta sinais importantes a serem observados pelos cinéfilos, deixando de lado o destaque da palavra "amor". A psicanalista e terapeuta Ana Lisboa destaca que o livro e o filme ajudam a reparar nos principais indícios de um relacionamento conturbado, abusivo e reforça que o fim é a melhor solução, por mais que pareça ser difícil.
“Um outro ponto bem relevante na análise é que a realidade de Lily começa a ficar parecida com o relacionamento dos seus pais e isso volta à tona na vida da protagonista. Muitos casos de mulheres, da vida real, é ficar diante de brigas dos pais e se sentir responsável pela família, e não é o papel da mulher. Deixando esse rastro para seus relacionamentos futuros. Muitas ainda pensam que replicar a vida amorosa da mãe pode ser uma saída e não, isso não deve acontecer. Nós somos prioridades de nossas vidas, independente do que nossos pais fizeram ou façam”, explica a psicanalista.
Em paralelo, um amor antigo de Lily chega na história. Aos poucos, a trama conta um pouco sobre essa história antiga. Inclusive, Atlas (Brandon Sklenar) ajuda Lily em muitas situações e decisões atuais de sua vida. É um personagem chave para sua evolução. “A trama traz isso muito diretamente em diversos pontos. A comunicação e o poder de um apoio emocional em situações como em um relacionamento tóxico, por exemplo. Como é no caso de Lily com Atlas”, completa Ana Lisboa.
Mas a psicanalista acredita que o perdão e a cura, diante dos traumas do passado, é um dos destaques de toda história. Os personagens precisam enfrentar suas dores, aprenderem a perdoar tanto os outros quanto a si mesmos para construir uma nova vida, tanto falando de amor, quanto na vida profissional ou social. “Não é um processo fácil, mas é possível quando existe uma jornada de cura segura. Com apoio sincero, isso fica claro em pontos altos da vida de Lily”, destaca Ana.
E ainda falando da personagem principal, mesmo com seus problemas com os pais - que são inúmeros -, aparição de Ryle, que movimentou muito sua vida, Lily aprendeu, ao longo da história, a aceitar suas imperfeições e a trabalhar sua auto aceitação, longe do que é imposto pela sociedade. Além disso, ela também reflete sobre sua própria jornada, suas descobertas e conquistas, principalmente, quando ela consegue, no começo da história, comprar sua floricultura. “São nessas conquistas e descobertas que a jornada se torna mais clara para a pessoa, dando um significado, evolução e propósito de vida”, finaliza Ana. Compre o livro "É Assim Que Acaba" neste link.
Ana Lisboa @analisboa Psicanalista, líder do maior movimento de Feminino e Mentalidade do Mundo, Ana Lisboa é especialista em construção de comunidades e terapias sistêmicas, sendo pioneira em grandes movimentos na história das Constelações Familiares, tanto no Brasil como na Europa. Atualmente, após impactar milhões de vidas em suas redes sociais e possuir uma comunidade de mais de 32 mil alunas em 41 países, Ana ensina mulheres a usarem sua potência máxima para conquistarem dignidade e liberdade. Professora, Palestrante, Advogada, Empresária, mestranda em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade de Lisboa, especialista em Direitos das Mulheres, com quase uma década de aprofundamento nos conhecimentos sistêmicos, é fundadora do Movimento Feminino Moderno e CEO do Instituto Conhecimentos Sistêmicos. Garanta o seu exemplar de "É Assim Que Acaba" neste link.
Assista na Cineflix Filmes de sucesso como "Deadpool & Wolverine" são exibidos na rede Cineflix Cinemas. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem noCineflix Santos, que fica Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN. O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.
A unidade Cineflix Cinemas Santos, localizada no Miramar Shopping, bairro Gonzaga, estreia no dia 8 de agosto, o longa, para ser assistido com balde de pipoca quentinha, "É assim que acaba".
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Estreia da semana na Cineflix Santos
"É assim que acaba"("It Ends With Us"). Ingressos on-line neste link. Gênero: drama, romance. Classificação:14 anos.Duração: 2h10.Ano: 2024. Distribuidora: Sony Pictures Motion Picture Group. Direção: Justin Baldoni. Roteiro: Christy Hall. Elenco: Blake Lively, Justin Baldoni, Brandon Sklenar. Sinopse:Adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome da autora Collen Hoover, apresenta a trama de Lily Bloom (Blake Lively), uma mulher que, após vivenciar eventos traumáticos na infância, decide começar uma vida nova em Boston e tentar abrir o próprio negócio. Como consequência dessa mudança de vida, Lily acredita que encontrou o amor verdadeiro em Ryle (Justin Baldoni), um charmoso neurocirurgião. No entanto, à medida que o relacionamento se torna cada vez mais sério, também surgem lembranças de como era o relacionamento de seus pais. Até que, repentinamente, Atlas Corrigan (Brandon Sklenar), seu primeiro amor e uma ligação com o passado - uma alma gêmea, talvez? - retorna para a vida de Lily. As coisas se complicam ainda mais, quando um incidente doloroso desencadeia um trauma do passado, ameaçando tudo o que Lily construiu com Ryle. Agora, com seu primeiro amor de volta em sua vida, ela precisará decidir se tem o que é preciso para levar o casamento adiante. Confira os horários: neste link
"Deadpool e Wolverine"("Deadpool and Wolverine"). Ingressos on-line neste link. Gênero: ação, comédia. Classificação:18 anos.Duração: 2h07.Ano: 2024. Distribuidora: Walt Disney Studios Motion Pictures. Direção: Shawn Levy. Roteiro: Ryan Reynolds, Shawn Levy, Wendy Molyneux, Rhett Reese, Zeb Wells, Paul Wernick, Lizzie Molyneux. Elenco: Ryan Reynolds (Wade Wilson/Deadpool), Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Emma Corrin (Cassandra Nova), Morena Baccarin (Vanessa). Sinopse:Wolverine está se recuperando quando cruza seu caminho com Deadpool. Juntos, eles formam uma equipe e enfrentam um inimigo em comum. Confira os horários: neste link
"Meu Malvado Favorito 4"("Despicable Me 4"). Ingressos on-line neste link. Gênero: animação infantil, comédia. Classificação:livre.Duração: 1h34.Ano: 2024. Distribuidora: Universal Pictures. Direção: Chris Renaud, Patrick Delage. Roteiro: Ken Daurio, Mike White.Vozes: Leandro Hassum (Gru), Maria Clara Gueiros (Lucy). Sinopse:Gru dá as boas-vindas a um novo membro da família, Gru Jr., que pretende atormentar seu pai. No entanto, sua existência pacífica logo desmorona quando um mentor do crime escapa da prisão e jura vingança contra Gru.. Confira os horários: neste link
"Divertida Mente 2"("Inside Out 2"). Ingressos on-line neste link. Gênero: animação infantil. Classificação:livre.Duração: 1h36.Ano: 2024. Distribuidora: Walt Disney Studios Motion Pictures. Direção: Kelsey MannRoteiro: Dave Holstein, Meg LeFauve.Vozes: Otaviano Costa (Medo), Dani Calabresa (Nojinho), Miá Mello (Alegria), Katiuscia Canoro (Tristeza), Gaby Milani (Inveja) e Fernando Mendonça (Vergonha). Sinopse:Com um salto temporal, Riley se encontra mais velha, passando pela tão temida adolescência. Junto com o amadurecimento, a sala de controle também está passando por uma adaptação para dar lugar a algo totalmente inesperado: novas emoções. Confira os horários: neste link
Em entrevista, Paula Barbosa comenta bastidores. Foto: Rede Globo
A vida pantaneira não é tão serena quanto dizem por aí. Após descobrir a traição de Tenório (Murilo Benício), em cenas que vão ao ar hoje à noite, dia 19 de maio, Maria Bruaca (Isabel Teixeira) vai se rebelar contra o marido e sua primeira atitude é largar mão de seu papel de funcionária dentro de casa. Ela começa não servindo mais o marido à mesa, como sempre fez, e não demora até que deixe de cozinhar também. Inicialmente ela não conta a Tenório e à Guta (Julia Dalavia) que ouviu a conversa dos dois, mas assim que ficam sabendo, ela coloca um basta na vida de submissão que levou até ali, o que faz com que Tenório precise contratar alguém. E este alguém será Zefa (Paula Barbosa), que chega à fazenda nos próximos capítulos.
Após sua chegada, Zefa rapidamente percebe a confusão em que foi se meter. Mas diferente do que pode parecer, apesar de perceber tudo o que acontece ao seu redor, Zefa é uma pessoa confiável, não passa pra frente o que deve ser mantido em segredo. “Ela se liga no que acontece ao seu redor muito rápido mesmo. Mas é uma pessoa boa, do bem! Ela não é maldosa, não é fuxiqueira. É, sim, solta. Fala o que vem à cabeça, as coisas que vê, e é muito bacana porque ela fala com as pessoas e o assunto morre ali; ela não vai passar a frente, nem nada disso. Acaba que ela, de certa forma, aconselha as patroas”, comenta Paula Barbosa sobre a personagem.
Enquanto precisa lidar com a revolta de Maria Bruaca, Tenório tem ainda outro assunto em sua cabeça: o futuro financeiro de suas famílias. Nos próximos capítulos, o autodeclarado empresário vai começar a incentivar o relacionamento de Tadeu (José Loreto) e Guta. Desde que descobre que ele também é filho de José Leôncio (Marcos Palmeira), Tenório tem outra postura diante do rapaz. Guta percebe a malícia do pai e se incomoda bastante.
Enquanto isso, na fazenda vizinha, José Leôncio tem seus próprios problemas para dar conta. A chegada de Irma (Camila Morgado) incomoda bastante Filó (Dira Paes), que nem imagina que a ex-cunhada de seu parceiro fará uma nova investida neste relacionamento. Irma não tira os olhos de José Leôncio; e Trindade (Gabriel Sater) não tira os olhos de Irma. O peão tenta se aproximar da “nova patroa”, como será chamada pelos funcionários da fazenda. Logo na primeira conversa dos dois ele lhe conta sobre as histórias do Velho do Rio (Osmar Prado) e Juma Marruá (Alanis Guillen), garantindo que são verdadeiras.
Na tapera, em cenas que vão ao ar a partir desta sexta-feira (20), Alcides (Juliano Cazarré) vai surpreender Juma contando sua história. Como Maria (Juliana Paes) e Gil (Enrique Diaz), ele também veio do Sarandí, no Paraná. Alcides confidencia à Juma que ele é filho do jagunço que matou e foi morto por seu irmão, Chico (Tulio Starling). E que foi para o Pantanal para se vingar do verdadeiro culpado por esta tragédia: Tenório, o homem que enganou os pais de Juma e outro lavradores. Alcides sugere, ainda, que Juma pergunte à Muda (Bella Campos) a verdade sobre sua chegada ao Pantanal. Nos próximos capítulos, é o que Juma fará. Contrariada e com medo de que Juma vire onça, Muda acaba cedendo e lhe conta tudo.
No Rio Janeiro as coisas também não estão fáceis para Madeleine (Karine Teles). Passada uma semana do sumiço de Irma, ela e Mariana (Selma Egrei) recebem um carta, na qual ela conta que está no Pantanal para tentar ajudar no relacionamento de José Leôncio e Jove (Jesuita Barbosa). Madeleine diz à mãe que a irmã está tentando ficar com seu (ex) marido. Ela sai para desabafar com Gustavo (Caco Ciocler), mas descobre que Nayara (Victoria Rossetti) está morando com ele; e se sente traída por todos os lados. Num ímpeto, resolve ir para o Pantanal, mas o tempo não está favorável. Uma tempestade se aproxima, mas ela insiste em voar até lá, até que convence um dos pilotos de José Leôncio. Os dois encontram a tempestade do meio do caminho e correm risco de morte.
Zefa é cheia de vigor e disposição, adora cozinhar e cuidar da vida alheia. Bocuda e altiva, Zefa vai trabalhar para Tenório (Murilo Benício) por imposição da Maria Bruaca (Isabel Teixeira), logo após ela descobrir a outra família que o marido mantém em segredo em São Paulo. Zefa cai de paraquedas no olho de um furacão, se tornando alvo dos destemperos do patrão e da opressão da patroa. Confira a entrevista com Paula Barbosa!
Como estão sendo as gravações?
Como Zefa entra depois da maioria dos personagens, estavam todos gravando há um tempo, o que me deixou ainda mais animada para começar logo a gravar. Eu nunca tinha feito uma personagem que entrava tão para a frente na história. Foi novo para mim, ter que chegar em um ambiente onde todos já estão familiarizados, onde já estão há algum tempo, mas também foi bom por ser uma experiência nova. Fui muito bem recebida pelo meu núcleo. Murilo, Isabel e Júlia têm sido muito queridos comigo. Eles me deixam à vontade, a gente troca figurinhas. No início, eu estava estudando de acordo com o que eu imaginava. E aí, chegando, vi o tom que eles estão dando para os personagens. É diferente. Eles me deram uma força no começo, e foi bem bacana, me deixaram mais tranquila e à vontade.
Como você se preparou para dar vida à Zefa?
Em um primeiro momento, cheguei a assistir o que tinha da personagem em vídeos antigos na internet. Depois, parei e resolvi começar a criar a minha Zefa. Por ser uma nova versão, tivemos a oportunidade de receber muitos capítulos antes de começar a novela. Isso é muito legal, porque o trabalho fica mais completo. É melhor, porque, normalmente pegamos um personagem e recebemos só os primeiros capítulos. Aí, a novela entra no ar e a gente vai recebendo os próximos; é gostosa, também, essa expectativa, ver pra que lado que vai o personagem e tal, mas ter essa possibilidade de já iniciar, poder fazer um trabalho da trajetória toda da personagem ou quase toda só deixa o trabalho melhor. Então, a minha preparação foi essa. Muito estudo, ler muito texto, entender muito aquelas relações, estudar muito sobre as mulheres, meninas da região, música, sotaque, as histórias que elas contam. Fiz um trabalho muito intenso antes de gravar: estudo, pesquisa, leitura. Fui criando o corpo, toda a postura, o jeito de falar. A Zefa é engraçadíssima. Ela tem momentos muito divertidos, é leve. Então, quero passar essa energia leve dela. Essa coisa gostosa. Quando ela abre a boca para falar é divertido, é gostoso. Então, estou tentando trazer tudo isso em uma preparação corporal, vocal e com todo esse estudo que eu tenho feito.
Quem é Zefa? Como você vê a presença dela na fazenda Tenório?
A Zefa é uma pantaneira, nascida no Pantanal— poucos personagens da novela são de fato do Pantanal, e ela é uma dessas. Ela é muito, muito religiosa. Muito apegada a religião. Acho que é até uma forma dela ter alguma segurança, porque ela não tem pai nem mãe para instruir. A presença dela na fazenda é muito interessante porque sinto que, apesar de ela ser uma menina muito simples e humilde, é muito esperta. Acho que essa experiência de vida dela, de ter de se virar muito cedo, trouxe a ela uma esperteza. Ela se liga no que acontece muito rápido mesmo. E ela é uma pessoa boa, do bem! Ela não é maldosa, não é fuxiqueira. Ela é solta. Fala o que vem à cabeça, as coisas que vê, e é muito bacana porque ela fala com as pessoas e o assunto morre ali; ela não vai passar a frente nem nada disso. Acaba que ela, de certa forma, aconselha. Aconselha as patroas... O patrão menos, porque é mais durão, fechado, mas também fala coisas que ele precisa ouvir, que ninguém tem coragem de falar. Ela traz isso àquela casa: algumas verdades à tona. Fala algumas coisas com o jeitinho dela, com a leveza dela, mas que acaba fazendo os personagens pararem para pensar.
"Pantanal" é escrita por Bruno Luperi, baseada na novela original escrita por Benedito Ruy Barbosa. A direção artística é de Rogério Gomes e Gustavo Fernandez, direção de Walter Carvalho, Davi Alves, Beta Richard, Cristiano Marques e Noa Bressane. A produção é de Luciana Monteiro e Andrea Kelly, e a direção de gênero é de José Luiz Villamarim.
Tatiana Amaral, autora é baiana, casada e formada em Administração com habilitação em Marketing. Trabalhou por um tempo na área, mas nunca se sentiu realizada. Começou a escrever quando conheceu as fanfics e, já na sua primeira publicação, decidiu que era isso que queria fazer pelo resto da vida. Hoje, vive apenas da escrita e dedica seu tempo aos livros que ainda serão lançados. O público da autora é fiel desde que começou a escrever fanfics, sendo assim, Tatiana tomou coragem e começou a escrever seu primeiro livro. O resultado foi um reconhecimento imenso por parte dos leitores. O sucesso que a autora faz é devido a simpatia e atenção com que trata a todos. Tatiana Amaral já possui uma lista de livros publicados e um público leitor fiel ao seu trabalho. Ela é autora dos livros Segredo, Traições – Porque a vida não é um conto de fadas, Casei e agora? – As desventuras do meu casamento, e a consagrada trilogia Função CEO, que já está no segundo volume. Mas o sucesso está chegando, e sem ser aos poucos, com a trilogia Função CEO. Leitoras de todo país estão loucas para saber o desfecho dessa história de amor cheia de cenas quentes! O segundo livro mal foi lançado e já é um sucesso de público. O lançamento oficial foi feito na Bienal do Livro de São Paulo, onde a autora esgotou todo o estoque de Função CEO – A descoberta do amor. E as leitoras já estão ansiosas para o último livro da trilogia. A escritora também apóia movimentos para aumentar a divulgação dos livros nacionais. Sempre participa de feiras e projetos que incentivam os leitores a lerem mais livros publicados no Brasil. Sobre os livros: Segredos: O que você faria se tivesse que revelar segredos que envolvem o seu passado e o impede de se entregar a um amor? Este é o dilema de Cathy, que precisa decidir entre quebrar as barreiras do passado e confiar em Thomas ou aceitar que seus segredos são fortes o suficiente para impedi-la de amá-lo. Quando um segredo é capaz de destruir tudo o que você deseja, ele pode ser revelado? Thomas possui um segredo com este poder, e agora ele precisa escolher entre contar a Cathy e correr o risco de perdê-la ou não contar, e desta forma nunca conquistar a sua confiança. Quais segredos são capazes de impedir um amor?
Quando duas pessoas com perspectivas diferentes se apaixonam é impossível não tentar resistir a este sentimento. Este é o caso de Thomas e Cathy. Thomas é um jovem ator de sucesso que tenta usufruir ao máximo as oportunidades que a sua carreira lhe oferece. Para ele, o amor é realidade ainda distante em sua vida e por causa disso vive um segredo que não pode ser revelado. Até que Cathy aparece. Cathy foi contratada para ser sua nova assistente e possui como principal objetivo de vida se destacar profissionalmente. Para ela, o amor é impossível, devido a um grande segredo que envolve a sua vida e que a torna extremamente reservada e misteriosa. Até Thomas surgir em sua vida. Juntos, eles viverão as mais inusitadas situações para que este amor seja concretizado, no entanto seus segredos precisam ser revelados e eles não têm certeza se desejam que isso aconteça. Traições: Porque a Vida não é um conto de fadas: "Por mais absurda que fosse a forma como me sentia e por mais imperdoável que tenha sido o motivo de eu ter fugido dele, a verdade era que: quanto mais o tempo passava, mais eu me conscientizava de que daria qualquer coisa para que tudo não passasse de uma mentira. O meu único desejo era que Thomas entrasse pela porta da casa com provas de que tudo foi um engano e que nós poderíamos voltar a viver o nosso amor. Mas quando o dia ia embora e a noite chegava, eu era forçada a entender que aquela nunca seria a minha realidade. Nada poderia apagar o que ele tinha feito, o que eu tinha visto, então a certeza do fim caía sobre mim como uma âncora pesada me afundando cada vez mais." Quando fantasmas do passado reaparecem na vida de Cathy, ela entende que apenas amar não é o suficiente para mantê-la ao lado do homem que ama. Thomas mais uma vez é obrigado a conviver com os segredos de Cathy. Todas as suas certezas foram destruídas e por isso não consegue mais achar a forma certa de conduzir o seu relacionamento. Assustado com os acontecimentos ele acaba por permitir que uma intriga destruísse tudo o que ele tinha construído e agora terá que lutar para provar à Cathy a verdade.
Casei e agora? - As desventuras do meu casamento:“Você pode se surpreender quando perceber que em algumas situações, sua nova experiência pode ser tornar o que existe de melhor e que muitas vezes ela não é o que você espera e sim algo bem mais profundo do que isso. Eu aprendi que quando valem a pena, as experiências podem ser úteis e necessárias. Dessa forma, mesmo que você pense que está dando um passo errado, pode ser que este seja o passo mais correto de toda a sua vida.” Cléo é uma jovem escritora, cheia de sonhos, que vive uma vida certinha com o seu noivo onde tudo está em seu devido lugar. Mas ela quer casar e para isso acaba concordando com uma condição inusitada: um acordo onde ambos deveriam ficar um mês separados para adquirir novas experiências. E é assim que ela, mesmo contra a sua vontade, acaba em Las Vegas, com suas amigas, para a sua “despedida de solteira estendida”. Sua única vontade é fazer o tempo passar mais rápido e poder voltar para o seu relacionamento. No entanto os planos de Cléo são ameaçados quando ela conhece Douglas, um rapaz alto, de cabelos e olhos negros e dono do sorriso mais bonito que já tinha visto na vida. A vida de Cléo muda completamente quando ela acorda, após uma noite de curtição, e descobre que está casada com Douglas. Ela não lembra como tudo aconteceu e agora precisa correr contra o tempo para conseguir o divórcio e voltar para casa a tempo de recuperar o seu relacionamento com John. Contudo, as coisas não são mais como eram antes. Cléo e Douglas viverão grandes aventuras enquanto precisam aguardar pelo divórcio. Embalados pelos novos sentimentos que brotam desta relação, precisaram escolher entre esquecer o passado e se permitirem viver este amor, ou esquecer a aventura e retornarem as suas vidas. Douglas sabe o que quer, mas Cléo tem medo de permitir esta mudança em sua vida. Casei. E agora? É um romance surpreendente, onde a realidade não é exatamente o que demonstra ser. Embarque você também nesta deliciosa aventura por Las Vegas. Função CEO – A descoberta do Prazer: “Você já sentiu vontade de tocar em algo que sabe ser proibido? Já teve o desejo irresistível de experimentar alguma coisa que sabe não ser socialmente ou eticamente correto? Tão proibido e ao mesmo tempo tão desejável que poderia destruí-la?” Não precisou mais do que um olhar para que entendesse que não tinha mais volta. Ela pertenceria a ele. Quando Melissa Simon iniciou o estágio como substituta da secretária executiva do CEO do grupo empresarial C&H Medical Systems, nunca imaginou no que estava se metendo. Robert Carter, líder e maior autoridade dentro da empresa seria o seu chefe. Não bastou mais do que um olhar para que Melissa entendesse que não tinha mais volta. Ela pertenceria a ele. Mas não sabia o que encontraria pela frente. Um jogo intrigante de sedução e descobertas, onde o amor é a única carta proibida. A entrega impensada a prazeres nunca antes sentidos e a certeza de que nada mais será como antes. Robert Carter é o chefe e ele estará no comando. Melissa Simon é a estagiária e estará disposta a obedecer às regras. Juntos eles descobrirão que sexo, prazer e amor, nunca mais serão a mesma coisa. Função CEO é uma deliciosa trilogia, onde o amor nem sempre é o melhor caminho. Função CEO – A descoberta do amor: “Uma vez minha mãe me disse que satanás era o anjo mais bonito do céu e o mais querido por Deus, mas sua beleza o fez acreditar que podia mais. Então, depois de uma guerra, foi atirado ao inferno, e jurou vingança. Para isso escolheu corromper a humanidade. Como? Alguns dizem que através do dinheiro, outros através das palavras, mas muitos juram que foi através da beleza. Robert tinha os três: dinheiro, persuasão e beleza. E roubava de mim todas as virtudes. Eu cobiçava, traía, roubava, tudo em nome do amor que sentia por ele.” Quando Melissa Simon encontrou Robert Carter seu mundo virou de cabeça para baixo. Quando aceitou ser sua amante, não fazia ideia do que seria estar ao seu lado. Robert Carter e Melissa Simon descobrem o amor, mas para vive-lo precisam se despir dos segredos que circundam a relação. Robert está disposto a contar a verdade. Melissa está segura do seu amor e disposta a enfrentar todos os problemas para permanecer ao seu lado. Juntos, eles vão descobrir que nem sempre o amor é suficiente, a verdade não é capaz de derrubar barreiras e o bem pode não vencer no final. O segundo livro da Trilogia Função CEO, está ainda mais emocionante, onde Melissa e Robert precisarão enfrentar um grande oponente: Tanya, e descobrir que ela não joga para perder.
Ao contrário do que se fala por aí, as pessoas não aprendem pela dor. A teoria da pedagoga Maya Eigenmann, autora dos livros "Pais Feridos, Filhos Sobreviventes e como Quebrar Este Ciclo" e "A Raiva Não Educa. A Calma Educa", é justamente ao contrário: por incrível que pareça, as pessoas aprendem pelo amor. Best-seller nacional, ela propõe uma verdadeira revolução amorosa, tão necessária para combater a sociedade em que estamos inseridos, quanto benéfica para corpo e alma.
Resenhando.com - Como surgiu a ideia de escrever o livro “Pais Feridos, Filhos Sobreviventes e como Quebrar Este Ciclo”? Maya Eigenmann - Esse livro veio com a intenção de dar um passo a mais em relação ao primeiro livro, de se aprofundar mais no autoconhecimento e guiar os leitores para reflexões específicas, para chegar a conclusões de maneira mais estruturada. Por isso, separei espaços de autorreflexão no livro. Queria também trazer um pouquinho mais de prática e faço isso com relatos pessoais, que foi um pedido dos leitores em relação ao primeiro livro. Queria mostrar para as pessoas que educar amorosamente e respeitosamente não é um luxo, mas uma necessidade básica do ser humano.
Resenhando.com - O que torna as pessoas feridas, ao longo da vida? Maya Eigenmann - As feridas acontecem na nossa infância, principalmente, por causa dessa grande desconexão que há entre os pais e filhos. Os próprios pais também são filhos feridos, que se tornaram adultos feridos, e acontece todo esse ciclo transgeracional de trauma. Então, as feridas vêm principalmente dessa desconexão: a criança que chora e não é acolhida, a que dorme sozinha no escuro com medo, a com a qual gritam e essa criança não tem para onde fugir. Enfim, os casos são muitos, mas normalmente é quando os filhos não são respeitados nem vistos por quem eles realmente são.
Resenhando.com - O que isso pode refletir nos filhos dessas pessoas? Maya Eigenmann - O reflexo disso é que vamos, querendo ou não, replicar esses acontecimentos também nos nossos filhos, porque é o que recebemos. Eu sempre gosto de dar um exemplo, que é da comida que fica sobrando no prato: vamos supor que você era uma criança que tinha que comer tudo que estava no prato ou, senão, apanhava. Você associou que comida no prato é igual a perigo. Seu cérebro registra isso. Quando você cresce, tem filhos e eles não comem o que está no prato, o teu cérebro também fica em alerta. Claro que isso é um processo inconsciente, mas eu começo a querer controlar essa minha criança, obrigá-la a comer tudo para eliminar a sensação de perigo que eu sinto. E se eu não me conscientizar disso, meu filho acaba pagando o preço que eu também paguei lá na infância.
Resenhando.com - Qual é o primeiro passo para quebrar o ciclo de pais feridos e filhos sobreviventes? Maya Eigenmann - O primeiro passo é os adultos se conscientizarem dos próprios traumas e das próprias feridas. Isso, às vezes, vai significar perceber que a infância não foi tão florida como a gente imagina. Não de um lugar assim de acusação para com os pais, porque, como falei, eles também são pessoas feridas. Mas, sim, de entender que houve violência e negligência emocional, e isso ficou marcado. Se não olhar para isso, não vou cuidar e vou, querendo ou não, passar para frente
Resenhando.com - No seu livro você defende que não se prospera por meio da dor, mas sim pelo amor. Como se aproximar, então, de temperamentos mais resistentes? Maya Eigenmann - Quero citar um especialista maravilhoso, o Dr. Steven Porges, criador da Teoria Polivagal, que fala que muitos de nós estamos em um estado de alerta, resistência e agressividade, justamente, porque nos faltou acolhimento na infância. Não tivemos um apego seguro. Nos tornamos resistentes a tudo e a todos, inclusive, ao amor. Então, vamos supor que sou casada com uma pessoa que é resistente à ideia de educar pelo amor. Vou precisar entender que ela está hiper alerta, que é uma pessoa ferida e que só vou conseguir construir um diálogo em um espaço de muita segurança, porque é isso que nos desarma. É a sensação de segurança que nos torna generosos e amorosos. Talvez, a gente possa começar essa conversa com: "Nossa, meu bem, hoje de manhã nosso filho chorou, eu o acolhi enquanto chorava no meu colo e tive uma sensação tão estranha, porque, de um lado, me fazia tão bem vê-lo confiar no meu colo e, por outro, fiquei triste por lembrar que nunca recebi esse colo assim. Como é que você se sente com isso? Como é que era na sua infância? Como é que você se sente quando nosso filho chora?". É desse lugar de vulnerabilidade, honestidade emocional e amorosidade que a gente vai conseguir abrir um diálogo com pessoas que talvez tenham mais resistência.
Resenhando.com - Como a educação positiva pode mudar alguém? Maya Eigenmann - Então, essa pergunta é capciosa. Acredito que só muda quem quer. Não adianta impor isso a ninguém. Mas não acho que a educação positiva muda; na verdade, é a pessoa que vai mudar. O indivíduo que escolhe olhar para dentro de si e perceber as suas feridas. A educação positiva vai trazer o conhecimento, o conforto e a segurança de que o caminho é esse, que nós precisamos, sim, prosperar no amor, que precisamos dar amor, ser generosos e dar segurança uns aos outros. A gente precisa olhar para os nossos traumas. A educação positiva é uma placa, mas quem faz o caminho somos nós mesmos.
Resenhando.com - Como podemos usar a educação positiva em nosso favor? Maya Eigenmann - A educação positiva é o nosso caminho de volta para casa. É a sensação de se reencontrar com quem realmente somos. É um presente que temos hoje nessa geração, especificamente de ter acesso a essas informações para poder fazer diferente. É nesse sentido de como posso mudar, me transformar e, por consequência, modificar uma sociedade inteira, se todo mundo se envolvesse com educação positiva. Mas, mesmo que não sejam todos, muitos estão fazendo esse caminho.
Resenhando.com - Em sala de aula, sem apoio dos responsáveis, é possível fazer um trabalho com estudantes que apresentam temperamentos agressivos ou desinteressados? Maya Eigenmann - Primeiro, temos que entender que o sistema escolar é violento no sentido de que não colocamos a criança no centro, colocamos o conteúdo no centro. Então, precisamos entender isso antes de qualquer coisa, porque, senão, não colocaríamos um adulto apenas para cuidar de 30 crianças numa sala de aula. Isso é totalmente destrutivo para o professor e para o aluno. Não faz nenhum sentido funcionar dessa maneira. Mas, levando em consideração que temos essa realidade, o mais potente é o professor saber que tem muito poder de influência quando cuida do próprio estado emocional. Se ele entra desregulado em sala de aula, vai desregular os seus alunos também. Sei que isso é difícil, porque muitas vezes o professor trabalha três turnos por dia. O que pode ser feito nessa realidade é o professor tentar reduzir danos dentro do que é possível de se regular para estar disponível para os alunos. Mas sem políticas públicas também é muito mais difícil, porque vamos encontrar muita resistência, muito bloqueio e muita injustiça. O professor ganha pouco e tem que fazer muitos turnos. Se fossemos construir uma distopia, um professor poderia dar aula em espaços mais verdes, talvez, até mesmo sem parede alguma com dez alunos em cada turma durante a metade do dia. Seria muito mais proveitoso para o professor e para o aluno, mas a realidade é que colocamos 30 alunos dentro de uma caixinha, que são as paredes das salas de aulas, com um professor apenas.
Resenhando.com - Como pais, mães e educadores podem melhorar os vínculos afetivos com os mais jovens? Maya Eigenmann - A melhor maneira de aprimorar o nosso vínculo é cuidando dos nossos trabalhos, porque, na verdade, o que me impede de criar um vínculo saudável são as minhas sombras, os meus traumas e as minhas feridas. Por esse motivo, interpreto o comportamento da criança como algo perigoso, assim como o exemplo da comida, que a criança deixa o alimento no prato, e se ela chora ou faz birra, entendo que tenho que controlar. Isso gera desconexão. Se não me deixo ativar por esses comportamentos, a conexão permanece e o vínculo afetivo continua também, esse é justamente o “X” da questão.
Resenhando.com - Em que os vínculos fortalecidos entre pais e filhos podem melhorar - para melhor - uma personalidade? Maya Eigenmann - Na verdade, todos nós nascemos com uma autenticidade, cada um nasce com um eu próprio muito verdadeiro e cada um é diferente. Esse vínculo afetivo, amoroso e respeitoso vai fazer com que não precise maquiar quem sou para existir. Não é que vai melhorar a personalidade, mas uma relação afetuosa e respeitosa vai fazer com que essa criança não tenha que ser outra pessoa para agradar - ela não vai precisar performar para agradar. Ela não tem que mudar a sua autenticidade e a sua essência para que alguém goste dela. Então, não é que vai melhorar, mas vai dar a liberdade da criança ser quem ela é.
Resenhando.com - Em um mundo repleto de intolerância e narcisismo, quais são os benefícios físicos e emocionais de uma relação baseada no afeto? Maya Eigenmann - A intolerância, o narcisismo e o preconceito vêm da nossa infância na qual não fomos genuinamente amados. Assim, começa a projetar a raiva nas outras pessoas, porque, no fundo, a criança não pode odiar e ter raiva dos pais. Ela vai ter que achar outro objeto e outra pessoa para projetar essa raiva. Uma frase importantíssima da psicóloga espanhola Ivonne Laborda diz: "Quando vivemos criticando os nossos filhos, eles não deixam de nos amar, deixam de amar a si próprios". Eles vão começar a não gostar de si mesmos e projetar essa raiva em outras pessoas.
Resenhando.com - A revolução que o mundo de hoje precisa é pelo amor? Maya Eigenmann - Sim. É totalmente uma revolução amorosa, porque quando entendemos que é no amor que prosperamos, sentimos segurança e ficamos bem e que dar amor não vai fazer uma criança ficar mal acostumada. Na verdade, dar amor vai construir sua personalidade em termos de poder ser autêntica. Quando entendo isso, crio uma pessoa para ser honesta, amorosa, generosa e que não vai só olhar para o próprio umbigo. Se muitos fizerem isso com os próprios filhos, vamos começar a ter uma pequena revolução acontecendo de fato. Garanta o seu exemplar de "Pais Feridos, Filhos Sobreviventes e como Quebrar Este Ciclo", escrito por Maya Eigenmann, neste link.
"Alguns leitores reportaram que foram tocados por algo que nem sabem explicar - será a nossa humanidade em comum? -, que há frases que dão arrepio, que a alma se revela. Tentei nomear aquilo que todo mundo sente, independente de gênero, mas que tem dificuldade de explicitar", afirma a artista em entrevista exclusiva. Foto: Everton Amaro.
Solange Sólon Borges- é pura poesia. O livro que ela lançou recentemente, "À Espera dos Girassóis", é só um reflexo da profundidade desta mulher gigante, que alinha nos textos a força do feminino. Além de poeta, Solange Sólon Borges é paulistana, jornalista, especialista em comunicação, mestra em Estudos Culturais (Filosofia/USP Leste).
Também publicou o livro de poemas "Jardins Irregulares", transitou pelo conto com "Janelas Abertas para Uma Canção Desesperada", escreveu um romance "Todos os Homens são Girassóis", e ainda encantou crianças com os títulos infantis "A História do Cachorro Cheirudo", "Meninas Também Crescem" e "A História do Bichinho Gordão". Solange Sólon Borges é mais que uma mulher de textos profundos, é um ser cujo olhar diante da vida precisa ser levado a sério. Nesta entrevista exclusiva, você pode conhecer um pouco mais a respeito desta grande artista.
Resenhando.com - Por que o título "À Espera dos Girassóis"? Solange Sólon Borges- O título remete à ideia de que todo ser humano almeja a luz - representação da paz, tranquilidade, felicidade conquistada. Para que se alcance esse estado, é necessário semear, cuidar das sementes e esperar que brotem e devolvam esse cuidado em forma de beleza. É essa a analogia que quis fazer ao brincar com o título.
Resenhando.com - Que características você tem de um girassol? Solange Sólon Borges- O girassol, além de solar, é lindíssimo, com suas pétalas muito vivas, e não é uma planta tímida; seu caule se destaca no meio das outras. Dela tudo se aproveita, óleo, sementes, fruto comestível, um ciclo completo. Os incas faziam referência ao girassol em homenagem ao seu deus do Sol. Um girassol jovem se vira em busca do sol, o mais velho fica fixo, refletindo a sua maturidade. O girassol por si só guarda a sua poesia. Além do mais, um campo de girassóis é a coisa mais linda de se ver, um tapete para deitar a alma. Como amo Vincent van Gogh, ele retratou girassóis pela sua exuberância e colorido, por refletir a vida e a alegria.
Resenhando.com - O que os leitores podem esperar deste livro? Solange Sólon Borges- A proposta do livro é proporcionar uma viagem pelo universo feminino, um mergulho, com as expectativas que se pode guardar diante da família, de si mesma, das estações que muda a perspectiva e o humor. Por isso, construí o texto dividido em partes, como os "Jardins Regulares", que revela o desejo de harmonia, de beleza e permanência, em contraponto ao meu primeiro livro Jardins irregulares, que considero mais hermético. Passeio pelos cômodos de uma casa - porto seguro de cada um de nós - ao tratar da hora do banho a dois, de cozinhar juntos, do quarto como campo sagrado, daquele que sai, de quem fica, de quem retorna. Alguns leitores reportaram que foram tocados por algo que nem sabem explicar - será a nossa humanidade em comum? -, que há frases que dão arrepio, que a alma se revela. Tentei nomear aquilo que todo mundo sente, independente de gênero, mas que tem dificuldade de explicitar.
Resenhando.com - A exposição de uma jornalista em escrever e publicar poemas é maior? Solange Sólon Borges- Apesar de o ofício de escrever ser o mesmo, no jornalismo o exercício é dar objetividade ao texto, no literário, trabalhar com o eu lírico. Muitas vezes, as pessoas se surpreendem ao olhar para o meu texto poético e não reconhecer a jornalista acostumada a ter um texto direto, porque o texto literário é um voltar-se para dentro, nem sempre compreensível à primeira leitura. Creio que há exposição maior, sim, pois traz muito da intimidade, mas o retorno também é gratificante.
Resenhando.com - Em que você se expõe mais, e por outro lado, em que você mais se preserva, em seus textos? Solange Sólon Borges- Penso que exponho muito a expectativa feminina frente à vida, ao outro, seus ideais e como tenta conciliar os diversos aspectos de sua vida e os rumos possíveis a serem tomados. Creio que são pontos em comum a todas as mulheres, apesar dos caminhos serem diversos. Exponho muito a minha alma e talvez me permita preservar os que estão à minha volta, meus amores, não os nomeio para que sejam universais... ao deixar no ar se o que foi retratado realmente ocorreu, um mistério a ser desvendado. Aquela mulher existe de fato? Aquele homem é real? Aquela casa poderia existir?
Resenhando.com - O que une a Solange de antes, aquela que começou a escrever poemas, e a de agora - uma reconhecida jornalista e escritora independente? Solange Sólon Borges- O elemento unificador é a maturidade conquistada a duras penas, diga-se. São 36 anos de atividade jornalística e mais de 40 na literária. Desde jovem me aventurei a escrever, mas confesso que tenho uma pasta "secreta" (opa, contei um segredo) de impublicáveis, pois são meros exercícios. É preciso ter discernimento onde se erra e se acerta, o que pode ser melhorado ou destruído. E, para isso, é preciso ter distanciamento afetivo do texto - para ser crítico - e deixar o tempo fazer o seu trabalho: possibilitar vivências necessárias para que as experiências ganhem contorno e expressão, para que se siga em frente e se olhe o passado com outros olhos. Creio que a jornalista hoje é menos idealista.
Resenhando.com - O que mais iguala e o que mais difere essas duas mulheres de épocas diferentes? Solange Sólon Borges- No começo da carreira a gente sempre pensa que pode influenciar tanto a sociedade que as mudanças serão inevitáveis. O jornalismo - em sua forma clássica - vive uma crise: hoje todos são geradores de conteúdo e o sistema é o mesmo com seus mecanismos de pressão. Um salto poderá ser dado rumo a uma sociedade mais organizada e igualitária, mas trata-se mais de uma alteração interior, e penso que a poesia pode auxiliar nesse entendimento: é preciso ter um olhar amoroso para com o outro; é necessário cultivar amor, compaixão, fidelidade aos seus princípios, parceria, respeito. Hoje acho que sou mais uma profissional das letras do que do jornalismo e voltei-me à prosa poética e o ritmo interior de uma frase, sua musicalidade própria. Foi uma evolução, creio.
Resenhando.com - Qual foi o critério de escolha das poesias para o livro? Solange Sólon Borges- Neste livro, especificamente, dividi o livro em duas partes. "Chão de Serpentes & Equilíbrio" traz poemas soltos, escritos em diversos momentos, mais duros, nem sempre sentimentais. Já a primeira parte foi feita em um fluxo contínuo, praticamente. Imaginei que poesia haveria no dia a dia em um lar e fiz um passeio pela casa - a sólida, onde habitamos, mas que leva à estrutura interior, a que nos habita, repleta de sonhos e expectativas, chegadas e partidas, emoções e naufrágios. Como, por exemplo: “Há dias de sol tão forte que me abro inteira - feito cortinas -, assim as perdas queimam e secam as cicatrizes. Quero violetas com flores porque o trabalho de cura é só meu”, um exemplo de comparação do jardim exterior e interno, com os quais brinco, ao trazer também "Motivos de Chegadas", "A Casa dos Sabores", "A Linguagem das Águas", "As Estações do Amor (Temporais, Verão, Primavera, Outono, Inverno)".
Resenhando.com - Que conselhos você dá para as pessoas que pretendem enveredar pelos caminhos da escrita? Solange Sólon Borges- Leiam muito bons autores. É preciso ter repertório, além de imaginação. Já ouvi autores jovens afirmarem que não gostam de ler para não serem influenciados ou que nunca muda um texto porque ele nasceu assim. Bobagem, todos somos influenciados uns pelos outros. Essa é a grande troca da vida e do labor literário. Uma coisa é ter a lista de autores que o influenciaram, outra, é cometer plágio. A linguagem com a qual trabalhamos é a mesma, reinventá-la como Graciliano Ramos e Manoel de Barros [“o mundo não foi feito em alfabeto”, como diz ele] é um ato genial, um serviço de carpintaria que nem sempre se alcança. Mas o importante é encontrar a própria voz, o estilo, o jeito que se escreve, o que demanda exercício, espírito crítico, editar um texto quantas vezes for necessário. Não há texto que nasça pronto e não possa ser melhorado. Ao se olhar para como os grandes escrevem, apontam para a disciplina e às vezes chegam ao fim do dia e jogam fora tudo o que foi escrito para, no dia seguinte, retornar ao ponto inicial. Esse desapego é maturidade e espírito crítico, essencial para se desenvolver no campo das letras.
Resenhando.com - Quais livros foram fundamentais para a sua formação enquanto escritora e leitora? Solange Sólon Borges- Desde jovem leio muito, contando com o incentivo dos meus pais, que nunca me negaram um livro. Na infância, fui fisgada pelos gibis e pulei rapidamente para Monteiro Lobato e seu sítio, "Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos, "Éramos Seis", de Maria José Dupré, "Pollyana", livros que, de modo geral, influenciaram a minha geração. Saltei para Machado de Assis (que estrutura de texto!), e li muito dos nossos brasileiros, pegando livros em bibliotecas: Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, José J. Veiga, Gibran Khalil Gibran, a poetisa Orides Fontela, a romancista Letícia Wierzchowski, de "A Casa das Sete Mulheres", "Sal", "Uma Ponte para Terebin". Mas também leio muitos livros de história e de filosofia. E adoro um bom mistério: já li tudo de Conan Doyle, sou fã de Sherlock Holmes. Também me agrada a ficção científica, nada como Ray Bradbury, H. G. Wells, Aldoux Huxley, Anthony Burgess, os distópicos, como "1984", "A Revolução dos Bichos" e "Laranja Mecânica". Leio muito os latino-americanos e os espanhóis, Isabel Allende, Gabriel Garcia Marques, Julio Cortázar, Jorge Luis Borges no topo, mas também um escritor espanhol que conheci recentemente e pelo qual me apaixonei Ildefonso Falcones. Tenho uma mania: quando vou a outro país, quero conhecer primeiro as livrarias e peço indicações. Assim, conheço gente nova e sempre me surpreendo. Na viagem que fiz a Cartagena de las Índias, na Colômbia, trouxe livros do Gabo, claro, mas conheci uma poetisa maravilhosa, Piedad Bonnett, de uma sensibilidade ímpar: “Las cicatrizes son las costuras de la memória...”. Há tanta gente boa para se conhecer, tantos livros incríveis nos esperando... essa conversa entre culturas é uma dádiva.
Resenhando.com - Como e quando começou a escrever? Solange Sólon Borges- Fui alfabetizada muito cedo: mamãe era professora e comecei a ler precocemente. Eu me lembro de uma composição (na minha época se chamava assim!), no segundo ano primário, que deu vazão à minha imaginação: o escritório, fechado à noite, estava uma bagunça na manhã seguinte, pois os objetos ganhavam vida... o lápis dançava com a caneta, o furador usava as bolinhas de papel como confete e rolava uma baita festa! Minha professora, Maria Judith Cassoli, ficou encantada e falou que, no futuro, eu seria escritora ou jornalista. Ela acertou. Nunca mais parei de escrever desde então, coisas ruins, medianas, sofríveis, até encontrar o meu próprio tom.
Resenhando.com - Quais escritores mais influenciaram a sua trajetória artística e pessoal? Solange Sólon Borges- No jornalismo, a linguagem fluente de Machado de Assis e João do Rio e seu ritmo flaneur. Clarice Lispector, especialmente, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Mario de Sá Carneiro, Florbela Espanca, Cora Coralina, Tagore e Carlos Drummond, para citar alguns. A lista é longa... citaria mais uns 30, entre os expoentes do new journalism, o jornalismo literário.
Resenhando.com - É difícil ser escritora no Brasil? Solange Sólon Borges- E como! De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura, a venda de livros de poesia representa 1,2% das vendas e se vende mais literatura estrangeira do que brasileira. mas, como sabem, viver de literatura, no Brasil, é um risco e um ato mágico. Eu arrisco.
Resenhando.com - O quanto para você escrever é disciplina? Solange Sólon Borges- Escrever é ato que exige disciplina, pois é necessário autocrítica constante e o fato de se escrever com constância aprimora o estilo e o repertório e é preciso comprometimento com o texto. Claro está que, em alguns momentos, o texto surge numa explosão espontânea, mas nem sempre é assim.
Resenhando.com - É mais inspiração ou transpiração? Solange Sólon Borges- Há mais transpiração mesmo, não adianta ficar só contando com uma ‘musa’ que desce para o nosso plano. Eu escrevo todos os dias, como jornalista, por dever de ofício, ou escritora, mas também me dou o direito de ter os períodos de pausa e ampla vagabundagem. Escrever deve ser algo prazeroso e não doloroso, mas às vezes o ato de escrever é algo tão profundo, que remexe memórias íntimas e causa certa aflição mesmo.
Resenhando.com - Quanto tempo por dia você reserva para escrever? Solange Sólon Borges- Deve-se estar apto a aproveitar esse momento sensível ou prontificar-se a escrever sobre determinado tema, que eu começo e nem sei onde irá parar. Muitas vezes acordei com uma imagem na cabeça que se transformou em um texto literário e até com uma frase completa e é necessário dar vida a isso. Muitas vezes, um texto em pouco tempo mostra o seu esqueleto, mas devo me debruçar sobre ele para levá-lo ao término, e aí não é possível definir o tempo empregado. Já escrevi contos em duas horas e outros que mexi durante anos na estrutura até entender que estava pronto diante do proposto.
Resenhando.com - Você tem um ritual para escrever? Solange Sólon Borges- Já escrevi de tantas formas que nem sei se posso dizer que há um ritual. Às vezes, na rua, algo vem à mente e então preciso procurar um café para sentar-me e escrever. Sempre tenho papel e caneta comigo e o bloco de notas do celular é hoje um poderoso aliado. Também rabisquei alguns trechos durante um trabalho jornalístico e os guardei depois para o literário. Gosto de escrever durante viagens, mas também de estar em um ambiente silencioso, de preferência com uma boa taça de vinho, o que ajuda a relaxar e dar fluxo ao texto. Tenho hábitos noturnos e fico na minha escrivaninha disponível para perceber se algum texto irá brotar ou não. Já aconteceu de saírem vários, na sequência, e, em outros dias, nada surge. O mais importante é estar à disposição para entender que algo foi maturado no subconsciente e está vindo à tona. Por preguiça ou sono, algumas vezes deixei esse momento passar, anotei frases que surgiram, mas perdi a completude do poema. É difícil explicar como acontece esse processo, do subconsciente para o papel, mas quando ele vem eu tento parar tudo e dar atenção a esse instante que nunca mais voltará.
Resenhando.com - Qual o mote que faz você ficar mais confortável para escrever? Uma frase? Uma imagem? Um incômodo? Solange Sólon Borges- Um pouco de tudo, como disse, já acordei no meio da noite com uma imagem, uma frase pronta na cabeça, que acabou virando um poema ou um conto. Mas, muitas vezes, é esse incômodo mesmo de colocar para fora algo que está no inconsciente, eu nem sei como nomear exatamente isso que fica ali martelando. Então, quando surge esse incômodo que é mais forte do que eu, paro tudo e vou escrever, colocá-lo para fora, pois é como se tivesse vida própria e eu não tenho controle sobre isso. É preciso respeitar esses mecanismos e trabalhar com eles a seu favor.
Resenhando.com - Em um processo de criação, o silêncio e isolamento sao primordiais para produzir conteúdo ou o barulho não te atrapalha? Solange Sólon Borges- Já escrevi em lugares extremamente ruidosos, como um café, por exemplo. A atmosfera ali é propícia à escritura e me isolo tanto, em uma bolha, que sequer percebo o que está acontecendo à volta, mas é um momento de anotar ideias, fazer rascunhos. Em outros momentos, gosto de ficar quieta no meu canto, em pleno silêncio, para me dedicar totalmente a um texto intimista, que exige mais reflexão. Só não consigo escrever ouvindo música, que geralmente me distrai completamente. Na finalização de um texto, necessito do silêncio mesmo, pois fico lendo em voz alta para perceber o ritmo, a musicalidade, se tudo está no lugar certo, para encontrar o tom e a voz. Cada um tem um processo.
Resenhando.com - Como conciliar a rotina de uma jornalista com o ato de ser escritora e escrever os textos autorais? Solange Sólon Borges- Eu trabalhei por muitos anos na Rádio Bandeirantes, em São Paulo, e o querido José Paulo de Andrade, que volta e meia me pedia algum texto específico, para o Dia das Mães, das Crianças, da Poesia, por exemplo, que ele lia geralmente no jornal "Pulo do Gato", sempre me perguntava como eu conseguia "virar o botão" da jornalista para a escritora e fazer textos tão diversos. Eu sempre respondi que não sabia mesmo. Nesse caso, era até a confluência do jornalismo com a literatura, que se transformava numa crônica radiofônica. Fiz isso também na Rádio Gazeta AM, onde meus textos eram lidos pelo saudoso Moraes Sarmento. Acho que a grande diferença é que a construção jornalística, especialmente a de rádio, é a construção de um texto bem mais direto e objetivo em sua estrutura. O texto literário permite subverter a ordem, apesar de também necessitar de lógica para o seu entendimento e permitir uma cadência rítmica que dá vazão à lírica e à musicalidade própria de um texto poético. É possível conciliar esses dois lados, como muitos escritores fizeram, atuando como jornalistas e se dedicando à vida literária ao mesmo tempo ou em momentos distintos de suas carreiras.
Resenhando.com - Para você, quais as características separam um texto bom de um ruim? Solange Sólon Borges- Creio que um texto precisa ter coerência, para ser entendido, e certa elegância, para cativar o leitor, sem contar o aspecto gramatical, ou seja escrever respeitando algumas regras, mas sem ser escravo delas, dar outro propósito às palavras, fugir do banal. O texto ruim é quando se percebe que ele não tem uma razão de existir, não tem um propósito concreto, não foi trabalhado, se torna verborrágico e vazio. Já joguei muito texto fora porque percebi que não era o momento daquele texto ter nascido e às vezes a mesma ideia pode aparecer em outro momento de forma mais clara e burilada. Escrever é mais "jogar fora" do que deixar permanecer. É preciso desapego. Para escrever bem, gasta-se horas, em uma poltrona, conhecendo humildemente o texto de outros autores, suas ideias, como usar uma determinada palavra dentro de um contexto, ganhar repertório e criar imagens. E às vezes é o momento mesmo: quando li João Cabral de Melo Neto pela primeira vez, não gostei do texto, não era o meu momento de enfrentar um texto tão dramático e a construção que ele fazia. Ao revisitá-lo, tempos depois, entendi sua profundidade e agora gosto muito e o respeito. Isso vem com a maturidade de leitora também. Há textos que já olhei, para poder avaliar e criticá-los, e não fazem parte do meu universo como leitora. Para mim, são sofríveis, como os romances hot, febre atual, e Paulo Coelho, nada me acrescentam e não gosto do estilo. Mas ler algo é sempre melhor do que não ler nada. E, claro, também estou sujeita ao fato de outras pessoas lerem o que escrevo e simplesmente não gostarem. Por sorte, a literatura pode ser democrática.
Resenhando.com - O que há de autobiográfico nos textos que escreve? Solange Sólon Borges- Há demais, eu diria. Escrever é se expor, carrega tons autobiográficos, pelo que se leu de outros autores, pelo que se viveu, e que ficou amadurecendo no próprio interior. Trata-se de uma interpretação muito pessoal com uma visão própria do mundo. Quando me exponho em um poema diante da alegria, de um desalento, um rompimento, acaba sendo muito intimista com tons biográficos. No meu romance "Todos os Homens São Girassóis", agraciado tempos atrás com o prêmio Clio da Academia Paulistana da História, há pedaços da minha infância e adolescência que são bem autobiográficos. Porém, misturo outra voz que seria aquela que ressoa em cada ser humano, na qual uma pessoa pode se reconhecer, pois todos nós nascemos com expectativas, não sabemos o que virá pela frente, como se desenrolará nossa história pessoal, o que planejamos para a vida e, na verdade, tomou outro rumo. É uma forma de dizer que nosso controle sobre a vida é ínfimo e usei minha história pessoal para promover essa reflexão que é universal, apesar de biográfica.
Resenhando.com - Hoje, quem é a Solange Sólon Borges por ela mesma? Solange Sólon Borges - Essa é a pergunta mais difícil de responder talvez. Eu não sei, me desconstruo e construo como pessoa a cada dia. Sempre fui muito sonhadora e imaginei para mim uma vida que não se concretizou, mas que sob muitos aspectos foi melhor do que o planejado. Ao olhar-me em retrospecto, gostaria de ter mais momentos promissores, mas tudo isso me fez amadurecer como pessoa e ser quem sou: sentimental demais, perceber tudo com forte profundidade, e nem sei se isso é bom ou ruim, mas é assim que sou e faz parte da minha gênese. A vida é uma brisa e procuro vivê-la intensamente com um olhar mais sutil dentro do cosmos que habitamos. Não é tarefa fácil despregar-se da materialidade que nos rodeia para compreender essa sutileza, o que etéreo e está à volta. Vivo em parte nesse mundo e tento vê-lo de forma mais translúcida e tranquila, mas, isso só vem com a maturidade. Penso que estou bem com isso e me sinto feliz e realizada. Há generosidade inclusive na adversidade. Entre tantas lições que precisamos aprender durante a pandemia, atravessei um processo criativo extremamente interessante, quando eu e o amigo Coca Valença escrevemos juntos o livro "Mudei Meu Passado, e Agora?", que se encontra em gráfica. Ou seja, duas cabeças e quatro mãos e foi um exercício interessante aprimorar esse texto e ceder em alguns aspectos diante da opinião do parceiro literário, o trabalho de dar e receber, e especialmente agradecer, nessa nossa humana trajetória.