domingo, 6 de novembro de 2016

.: "Não estou preocupado com popularidade", afirma Michel Temer

Em Brasília, a apresentadora Mariana Godoy foi ao encontro de Michel Temer, do PMDB, que assumiu a presidência da República após processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, para falar das principais propostas do novo governo e dos primeiros meses do mandatário à frente do País.

Para iniciar a entrevista, Temer discutiu o alto número de votos brancos e nulos, além das abstenções, nas principais capitais brasileiras nas eleições municipais e afirmou que é necessário repensar o sistema de votação no Brasil.

"Talvez seja preciso fazer uma reforma política e nessa reforma vai entrar em pauta o voto obrigatório. Talvez fosse o caso de examinar a hipótese do voto facultativo", afirmou o presidente. "Há naturalmente um mal-estar com a classe política e é preciso refazer os costumes políticos".

O peemedebista foi enfático ao defender a PEC 241, que tramitará como PEC 55 no Senado. Apesar da proposta querer criar um teto para os gastos públicos, Temer garantiu que áreas básicas como saúde e educação não serão afetadas e, rebatendo o que a maioria pensa, os investimentos serão cada vez maiores para esses setores.

"As pessoas acham que esse governo assumiu o poder para perseguir os trabalhadores, os pobres, para acabar com a saúde, para acabar com a educação. O teto dos gastos é um teto geral. Saúde e educação são temas fundamentais para o país e para a formação dos setores menos privilegiados. Se as pessoas lessem a proposta de emenda constitucional, que eu vejo que muita gente não leu... Nós organizamos um orçamento para o ano que vem (2017) que leva em conta o teto de gastos como se a PEC tivesse sido aprovada e aumentamos as verbas de saúde e de educação tirando de outra áreas", assegurou Temer.

Ele ainda descartou acabar com programas sociais criados nas gestões dos sucessores petistas Lula e Dilma Rousseff como o Bolsa Família e Fies - Fundo de Financiamento Estudantil. "Acabar com o Bolsa Família seria me chamar de idiota. E não apenas prosseguimos com o Bolsa Família, que não tinha uma revalorização há mais de dois anos e meio, como revalorizamos o programa em 12,5%", defendeu-se. "Não sei se todo mundo lê jornal, mas nós criamos 75 mil novas bolsas de estudo para o financiamento estudantil. Estou dando dados para mostrar como nós estamos incentivando tudo isso".

Para falar da área econômica, Michel Temer disse estar preocupado com a taxa de desemprego em 11,8% e explicou por que não consegue reduzir a taxa de juros drasticamente e assim diminuir a dívida pública.


"Não estou preocupado com popularidade. Temos 12 milhões de desempregados e um déficit de 170 bilhões de reais. Se não fizer cortes determinados, continua no déficit e isso gera desconfiança do mercado", pontuou o mandatário. "É preciso reduzir os juros com responsabilidade. No mercado financeiro, se o presidente da República começa a dar palpite cria um problema brutal, gerador até de inflação. Para gerar empregar, é necessário prestigiar o mercado e a iniciativa privada. É preciso incentivar o mercado dando-lhe credibilidade".

Questionado por Mariana Godoy se possui um estilo diplomático de governança, Temer descartou o adjetivo e rebateu: "A vida pública exige uma educação cívica. Meu governo se pauta fundamentalmente pela ideia do diálogo. Diálogo entre os poderes, com o empresariado, com os sindicatos e com os setores religiosos".

O presidente ainda esclareceu os pontos da reforma do ensino médio, criticada por inúmeras pessoas da área da educação, e explicou o motivo da proposta ser difundida como uma medida provisória."Questão da reforma do ensino médio está sendo tratada no Congresso há muito tempo. Estamos restabelecendo uma coisa que existia no passado. Nós queremos recuperar a ideia de, antes de entrar na universidade, poder fazer uma opção para se especializar em certas matérias. Não é verdade que aulas de educação física e de artes irão acabar. O que é triste e decepcionante é saber de gente que está no ensino médio e não sabe somar ou subtrair e não fala o português", criticou. "Aceitei fazer (a proposta) por medida provisória porque sabia que mobilizaria o Congresso Nacional e mobilizará, em definitivo, uma discussão sobre a reforma do ensino médio".

Ele também criticou as ocupações das escolas públicas, que impedirão quase 200 mil estudantes de realizarem o Enem - Exame Nacional do Ensino Médio nos dias 5 e 6 de novembro, segundo dados do Ministério da Educação: "O debate não acontece mais no plano das ideias, mas acostumou-se no Brasil a debater no plano físico. Não dá para vencer o protesto físico de um dia para o outro". Um dos assuntos mais debatidos nos últimos tempos, a reforma da previdência, que ainda está sendo analisada e estudada, de acordo com Michel Temer, é necessária para manter a saúde financeira do Brasil, já que o pagamento de aposentadorias é uma das principais causas da falência de alguns estados.

"Não adianta manter o sistema atual para que daqui cinco ou seis anos aqueles que hoje estão trabalhando e se aposentem ou os que já se aposentaram venham bater às portas e o poder público dizer que não tem como pagar. Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro estão quebrados por causa da Previdência", analisou. "Vamos tornar iguais tanto a previdência geral quanto a previdência pública. Não violaremos direitos de quem já adquiriu (a aposentadoria). Se não fizemos a reforma, não teremos dinheiro para pagar aposentados e, de repente, não teremos dinheiro para pagar salários".

O líder do PMDB aproveitou para se posicionar favoravelmente às privatizações, que daria fôlego às finanças dos estados."Temos a ideia de privatizar muita coisa. Queremos fazer as concessões onde for possível privatizar. Com uma regulação adequada não tenho objeção com estrangeiros adquirindo grandes proporções de terras brasileiras". Michel Temer comentou as relações exteriores do Brasil com outros países, principalmente com vizinhos da América do Sul, como a Venezuela. Ele ainda garantiu que seguirá auxiliando refugiados vítimas de desastres ambientais, como no Haiti, ou de guerra, como na Síria.

"Quando nós assumimos o governo, designamos o José Serra para o Ministério (das Relações Exteriores), mas logo eu disse: 'Quero universalizar as relações do País'. Não podemos segmentar as relações por critérios ideológicos ou físicos. No caso da Venezuela, para ela ingressar no Mercosul plenamente é necessário cumprir determinados requisitos. A Venezuela entrou sem ainda haver cumprido plenamente esses requisitos", pontuou.

Ao ser questionado se prefere, nos Estados Unidos, a eleição de Hillary Clinton ou de Donald Trump, Michel Temer foi cauteloso, como pede seu posto: "Pergunta difícil, Mariana, porque a relação nossa com o Estados Unidos, como com qualquer país, é uma relação institucional, é de país para país, então fica difícil o presidente da República ter preferências por um ou por outro. O que nós queremos é que, eleito quem seja, que a relação com o Brasil seja uma relação produtiva". Temer não crê que seja impossível a vitória do candidato republicano: "Nada é impossível, às vezes a gente não consegue nem dizer quem vai ganhar aqui, numa eleição municipal".


Mariana Godoy perguntou se ele será candidato à presidência em 2018 e ele foi enfático: "Não. Eu tenho dito, com frequência, que o que eu quero é produzir um bom trabalho nesses dois anos e dois meses, colocar o Brasil nos trilhos pra que quem venha depois possa encontrá-los nos trilhos". Ele ainda disse não saber se o PMDB terá candidato ao pleito presidencial: "Nem quero antecipar isso, nós temos que esperar 2018".

Michel Temer se mostrou simpático à ideia de o Brasil aderir ao parlamentarismo e disse acreditar na possibilidade de se discutir, em uma reforma política, este tema. O político citou o processo de impeachment para ilustrar que no parlamentarismo se muda o governo com mais naturalidade e não haveria a crise que tivemos no país meses atrás. Para ele, nos Estados Unidos, "onde as instituições são sólidas", seria impensável cogitar que o vice-presidente não assumisse, fato que ocorreu no Brasil. "No parlamentarismo você tem soluções naturais, eu acho que seria útil para o país".

Mariana Godoy perguntou "como é governar o país com a operação lava jato no calcanhar" e Temer respondeu: "É muito fácil. Você sabe que a Lava Jato tem essa denominação, mas ela se passa no Judiciário, no Ministério Público, não tem nada a ver com o Executivo, se nós formos dar atenção a lava jato, quer dizer, o governo precisa paralisar porque tem um processo contra fulano ou beltrano, etc, você está prestando um desserviço ao país. Está violando o princípio da separação de poderes".

O presidente disse que país deseja para o filho 'Michelzinho': "Um país em que, primeiro lugar, ele tenha emprego, em segundo lugar, um país pacificado". Temer acenou para uma 'mudança de característica' do povo brasileiro, segundo seu ponto de vista: "O brasileiro é muito conciliador, mas de uns tempos pra cá começou a haver uma divisão no país". Ele não vê o fenômeno nacional da mesma forma que vê no resto do mundo e acredita que aqui essa característica é "raivosa".

Em um momento mais pessoal, Michel Temer contou lembranças dos tempos de escola, período em que teria tomado gosto pela literatura e se lembrou de um irmão que, segundo ele, pode tê-lo ajudado a desenvolver seu lado conciliador. Ao ser instigado a destacar um defeito, Michel Temer foi direto: "Não ousar demais. Se eu pudesse ousaria mais, mas agora é tarde". O presidente revelou, ainda, uma impressão que não se confirmou em sua vida: "Eu achava que ia ser escritor". Ele citou, ainda, alguns de seus escritores favoritos que, segundo ele, são inúmeros. Entre eles, está o brasileiro Machado de Assis. Temer citou, ainda, livros que recomendaria a um estrangeiro que quisesse conhecer o Brasil por meio da literatura.

Michel Temer revelou que todos poemas de seu livro "Anônima Intimidade" são dedicados à primeira-dama Marcela Temer e comentou alguns deles com Mariana Godoy. Ele ainda falou sobre o romantismo da mulher: "Para ela se apaixonar por mim tem que ser romântica". E prosseguiu: "Ela é muito suave e muito discreta e isso me agrada muito". Temer fez questão de desmentir os boatos de que ela teria um cargo no governo. O político falou, ainda, do filho: "O Michelzinho é muito divertido, traquinas às vezes".

O peemedebista disse não pensar em escrever um livro sobre sua fase à frente do poder Executivo e revelou um desejo distinto: "Quando eu parar, quero escrever um romance". Ao final da entrevista, Michel Temer falou sobre o que espera para os próximos anos e 'profetizou': "Que em 2018 a gente consiga ter novidades para fazer um novo programa".

Créditos Fotos: Divulgação RedeTV!

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