segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

.: Resenha crítica de "Três Anúncios Para Um Crime", de Martin McDonagh

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em fevereiro de 2018



A sede de justiça é a válvula propulsora em "Três Anúncios Para Um Crime". Sem aceitar a inércia da polícia de Ebbing (Missouri) na busca pelo responsável do crime brutal que matou a filha, há sete meses, Mildred Hayes (Frances McDormand), a mãe encontra uma forma inteligente de levantar a poeira da pacata cidade. Mildred aluga três outdoors em uma estrada fora da movimentação habitual. Embora a estrada raramente seja usada, os anúncios colocam a cidade em polvorosa. 

Assim, os dizeres estampados afetam várias pessoas, particularmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby (Woody Harrelson), responsável pela investigação. Entre as provocações e situações geradas por desentendimentos variados, a produção não segue um ritmo constante, pois apresenta personagens de certa regularidade contrastando com outros oscilantes, que tornam a trama 100% envolvente, do início ao fim.

Por mais que a batalhadora Mildred seja uma mãe determinada em busca do culpado pelo estupro e assassinato de Angela (Kathryn Newton), a relação mãe e filha não é florida. A última conversa entre as duas é marcada por uma discussão, que envolve o jovem Robbie (Lucas Hedges), irmão da vítima. Até uma visitinha do ex-marido toma um rumo surpreendente.

Dramático, "Três Anúncios Para Um Crime" também é leve e usa certa dose de humor -inclusive humor negro. Seja o pagamento anônimo de um mês de aluguel do outdoor para Mildred ou as cartas do Delegado Willoughby para Anne, Mildred e Jason. Cartas essas que sopram grande parte do que acontecerá no longa dirigido por Martin McDonagh.

Por outro lado, o tratamento entre os familiares em "Três Anúncios Para Um Crimenão é exemplar, por vezes os filhos e, até, o ex-marido chamam Mildred de formas bastante agressivas. No entanto, tal rotulação se mostra comum entre os habitantes da região, pois é recorrente. Seja numa conversa entre o Delegado Willoughby e a esposa e até entre o destrambelhado Jason Dixon (Sam Rockwell) e mandona mãe Mama Dixon (Sandy Martin). 

filme selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2017, vencedor de quatro prêmios no Globo de Ouro, é um grito de revolta que engloba racismo, a criminalidade e a falta de punição. "Três Anúncios Para Um Crime" é um filme indispensável.


Filme: Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri /Reino Unido, EUA)
Duração: 1h 56min
Data de lançamento 15 de fevereiro de 2018 
Direção: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Lucas Hedges, Kathryn Newton
Gênero: Drama
Distribuidora: Fox Film do Brasil


*Editora do site cultural www.resenhando.com. É jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm


Trailer

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3 comentários:

  1. Filme eletrizante. Vai levar o Oscar. Merecido!

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  2. Filme raso, mas perto dos outros. Dá para o gasto.

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  3. Spoilers Abaixo: Uma teoria que pensei sobre o filme:

    Pessoal, assisti recentemente o filme e no final eu entendi uma coisa que, minha namorada que assistiu comigo não pensou nisso, mas depois que falei, concordou. Pode ser que vocês também tenham entendido isso, então comente caso vc já tenha percebido também.

    Bem, ao longo do filme somos apresentados a trama e então temos um final aberto, onde não temos certeza se o assassino da filha da protagonista é o policial que o Dixon pegou a amostra de sangue. Pois bem, eu entendi que o Xerife Bill (O que se suicida no meio do filme) JÁ SABIA desde o inicio quem era o assassino, ele estava apenas encobertando o individuo assassino.

    1) A fala de Mildred com o Padre no inicio, falando que quem protege o culpado é tão culpado quanto de um crime (Análogo a história da igreja com os padres).

    2) Bill (Xerife suicida) deixa cartas, uma delas para Mildred, pagando a conta dos outdoors para manter a investigação, e uma carta para Dixon, incentivando-o a investigar e ainda dizendo que pode encontrar o criminoso em uma Mesa de Bar (Ele sabia que o assassino frequentava bares).

    3) A corporação estava tentando proteger o policial, por ele ser um veterano de guerra, e isso pode ser retirado no diálogo final entre Dixon e o novo Xerife, que diz por entre linhas, que o suspeito estava em um local arenoso, e por isso não podia ser o assassino (o Missouri é arenoso!).

    4) Bill se matou, pois por já ter todos os problemas de saúde, não queria trazer para sua família todo o drama de entregar um colega de corporação como estuprador e assassino.

    Existem mais argumentos, mas não vou colocar todos aqui, pois ficaria um texto ainda maior, comentem se concordam, vlw!

    * Se esse tipo de Post não for do agrado do adm, peço que me avise e pode excluir sem problemas.

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