sábado, 1 de outubro de 2005

.: Entrevista com Wanessa Camargo, cantora

"Quem não gostar, só tem que respeitar" - Wanessa Camargo

Por: Helder Moraes Miranda

Em outubro de 2005


Wanessa Camargo fala sobre W: Não se sabe se porque a expectativa era grande, a redação do Resenhando esperava que fosse para ser um R.G especial, mas se tornou igual. A entrevistada em questão não respondeu todas as perguntas - vindas de fãs de toda região do Brasil. Questões que poderiam servir de esclarecimento, e para dar versões ao que foi contado pela grande imprensa. 

Diante destas questões, enviadas por e-mail, a entrevistada se mostrou monossilábica, o que não correspondeu à imagem expansiva que mostra em outros veículos. Mesmo assim, uma das cantoras mais promissoras da música brasileira merece, no mínimo, um registro. A você, boa leitura!

A filha: Zilú e Zezé Di Camargo passaram o Natal de 1982 à espera de seu primeiro filho. Wanessa Godói Camargo nasceu em 28 de dezembro. A menina nasceu e cresceu em Goiânia (GO), onde teve uma infância simples, mas feliz. "Nós fomos sempre tão unidos em casa, tive tanto carinho, que eu nem chegava a me dar conta das dificuldades financeiras", conta Wanessa. "Eu não me achava diferente das pessoas que tinham tudo". 

Quando menina, Wanessa sonhava se tornar artista. Ela via as cantoras famosas na televisão e imaginava como seria estar lá no palco também. Na época, seu pai integrava a dupla sertaneja Zazá & Zezé com um amigo, mas não tinha muito êxito. Então, Wanessa costumava brincar dizendo que se seu pai não conseguisse fazer sucesso, ela conseguiria e o ajudaria nas despesas. "Fui uma criança muito feliz e sonhadora", conta. "Não podia conhecer a Disney, como queria, mas sempre tive o principal, que é saúde, educação, família e um teto". 

Embora o orçamento fosse curto, Zilú e Zezé faziam questão de educar Wanessa em bons colégios particulares, porque não abriam mão de uma boa formação. Ela fez o maternal e o jardim 1 no Elefante Colorido, em Goiânia, mas não chegou a fazer o jardim 2, porque o dinheiro não deu. Depois de um ano sem aulas, ela passou a estudar em São Paulo (SP), tendo sido alfabetizada no colégio Pixoxó. Fez a 1a, 2ª e a 3ª séries do Ensino Fundamental no São Miguel Arcanjo e depois ficou no Mackenzie até o primeiro ano do Ensino Médio. 


Wanessa e seus colegas de turma eram de classes sociais diferentes, o que fez com que ela sofresse preconceito. "Muita gente zombava de mim, sofri muita humilhação. Os meninos, por exemplo, até me achavam bonita, mas me chamavam de pobretona para baixo. Todos iam de carro à escola, menos eu, e até isso era motivo de gozação. Uma vez, para me deixar feliz, meu pai pegou um fusca emprestado só para me dar o gostinho de ir à aula de carro", lembra Wanessa.

"Foram agressões que marcaram, mas eu sabia que era bem mais feliz que aquelas pessoas e sempre tive muito orgulho de meus pais. Eu não guardo rancor algum, não sinto raiva quando penso nisso. Apenas fico triste em ver como tem tanta gente que só pensa em dinheiro. É claro que hoje em dia eu moro numa casa melhor, tenho a oportunidade de viajar, de freqüentar certos lugares, mas minha felicidade não mudou". 

Zezé sempre foi uma grande influência artística para Wanessa, que costumava acompanhá-lo em seus shows. Ela pôde ver seu pai se tornar um compositor solicitado e, depois, cantor consagrado ao lado de seu tio, na dupla Zezé Di Camargo & Luciano, no início dos anos 90. Infelizmente, o sucesso também trouxe alguns problemas: entre 1998 e 1999, Wellington José, outro tio de Wanessa, passou três meses sob o poder de seqüestradores. O trauma familiar levou à decisão de que ela e seus irmãos (Camilla e Igor, mais novos) iriam morar nos EUA, onde ela cursou a 2ª série do Ensino Médio e parte da 3ª, no colégio American Heritage.

Muito antes disso, porém, Wanessa já tinha começado a explorar o seu lado artístico. Aos oito anos, ela cantava numa banda cover. A banda fazia versões para músicas de Xuxa e Leandro & Leonardo e se apresentava em clubes. Com 11 anos, começou a estudar teatro e logo foi escalada para o elenco de "Miausical", uma versão brasileira de "Cats" que ficou dois meses em cartaz em São Paulo, apesar da bilheteria decepcionante. Com 13 anos, Wanessa passou a se dedicar também à dança e ao sapateado. 

Aos 14 anos, surgiu a oportunidade de integrar o corpo de baile que acompanhava a dupla Zezé Di Camargo & Luciano em turnê. Wanessa fez teste para uma das vagas e foi aprovada. "Eu não levei vantagem na seleção por ser filha do patrão. Meu pai mesmo disse para o coreógrafo: 'Eu, mais que qualquer pessoa, não quero ver minha filha pagando mico. Se ela não for apta para o trabalho, é melhor que ela fique de fora'. 
Mas eu fui escolhida, até porque eu já estudava dança há tempos e tinha um preparo físico maravilhoso, pois fazia ginástica rítmica desportiva desde os 6 anos e pratiquei ginástica olímpica dos 11 aos 14 anos", conta. 


A jovem dançou nos shows de Zezé Di Camargo & Luciano até os 16 anos, pois seu tio foi seqüestrado e ela foi morar nos EUA. A experiência no exterior impulsionou sua carreira: Wanessa fazia parte do coral do colégio e acabou sendo convidada a integrar o Coral Jovem da Flórida, com o qual teve a oportunidade de se apresentar na sonhada Disney e em palcos célebres, como o Carnegie Hall, em Nova York. 

Wanessa fechou contrato com a gravadora BMG em 2000, antes mesmo de voltar para o Brasil - em 1999, ela tinha se apresentado no programa de Hebe Camargo e mostrado o seu talento como cantora. Quando voltou a morar em seu país, em 2001, seu primeiro CD já estava pronto. Wanessa chegou para trabalhar: fez um exaustivo roteiro de divulgação do disco em programas de rádio e TV e não demorou para alcançar o sucesso. 

"No início, as pessoas me olhavam com desconfiança. Antes mesmo de me ouvir, achavam que minha música não deveria ser boa, que eu estava tentando faturar em cima da fama do meu pai", ela lembra. "Tive que passar por cima disso, mas logo ficou claro que meu trabalho era completamente diferente do que se esperava. Mostrei que estava batalhando uma carreira a sério e que eu tinha qualidade". Dito e feito: seu CD de estréia vendeu 205 mil cópias, graças a hits como O amor não deixa, Apaixonada por você e Eu posso te sentir. 

Na American Inovative School, em São Paulo, Wanessa terminou o Ensino Médio. E a partir de maio de 2001, quando fez sua primeira apresentação solo (na casa paulista DirecTV Music Hall), passou a lidar com uma agenda de shows. 

Já habituada à intensa rotina de ensaios, sessões de fotografia, gravações de clipes e entrevistas, Wanessa lançou seu segundo álbum em 2001. Com os sucessos Eu quero ser o seu amor, Tanta saudade e Gostar de mim, este disco teve vendagem ainda maior: 300 mil cópias. No mesmo ano, estreou no cinema, no filme recordista de bilheteria Xuxa e os Duendes, de Rogério Gomes e Paulo Sérgio Almeida. E sua carreira como compositora se estabelece cada vez mais.


No ano seguinte, Wanessa já havia conquistado seu espaço, tendo seu talento como cantora reconhecido. Em novembro de 2002 lançou seu terceiro álbum, fez carreira na televisão, participando do especial Jovens Tardes, na Rede Globo de Televisão, sob direção de Marlene Mattos, sendo recorde de audiência no horário. Em outubro de 2003, encarou o desafio de gravar seu primeiro CD e DVD - Transparente, ao vivo, no Claro Hall (RJ), que foram lançados em março de 2004. Neste mesmo ano, aceitou o convite para desfilar como destaque da Escola de Samba G.R.E.S Beija Flor de Nilópolis, ajudando a escola a ser campeã do Carnaval 2004.

Ainda em 2004, fez uma participação especial no filme Cine Gibi, de Maurício de Souza, e também interpretou a personagem Diana no Sítio do Pica-Pau Amarelo, da Rede Globo de Televisão. No início de 2005, foi protagonista da campanha publicitária "Incentivo a Leitura", da Secretaria do Estado da Cultura do Governo de São Paulo e doou seu cachê para que este fosse investido na educação do estado. Além disso, teve seu site reconhecido por um dos maiores prêmios da internet brasileira (iBEST), conquistando a segunda posição na categoria personalidades.

Depois disso, diminuiu sua agenda de compromissos para se dedicar para o seu quinto álbum. Depois de muitas pesquisas, dias e noites compondo, lançou em agosto de 2005 seu mais novo e desafiante trabalho, onde tem participação efetiva em onze, das quinze faixas que compõem o disco. Nas horas vagas, Wanessa aproveita para se aprofundar ainda mais no campo musical, aprender novos idiomas, fazer cursos e ler, mas o tempo livre é bem pouco - Wanessa sabe que é preciso trabalhar duro para ter seus sonhos sempre realizados.


Discografia

CD Wanessa Camargo W (Agosto 2005)
CD e DVD Wanessa Camargo Transparente - Ao Vivo (Abril 2004)
CD Wanessa Camargo (Novembro 2002)
CD Wanessa Camargo (Novembro 2001)
CD Wanessa Camargo (Novembro 2000)

RESENHANDO - No seu novo CD, "W", você mudou totalmente de estilo. Por que esta mudança, e por que escolher um ritmo praticamente desconhecido entre os brasileiros? 
WANESSA CAMARGO - Meu produtor César Lemos, que mora nos Estados Unidos, me apresentou o ritmo e me apaixonei de cara, porque tem uma batida que nos faz sentir vontade de dançar, de mexer a cintura. Assim como nós brasileiros gostamos.


RESENHANDO -  Neste novo trabalho, além de mostrar sua evolução no mundo da música, você também mostrou que tem talento como compositora. Como você compõe e com qual música de "W" você mais se identificou? 
WANESSA CAMARGO - Eu me identifico com todas, do contrário não cantaria. Eu componho em horários inusitados, em momentos que estou sozinha e começo a escrever. Não tem hora, nem lugar certo.


RESENHANDO - Em todo seu repertório de músicas gravadas, qual é a predileta? E qual música gostaria de gravar?
WANESSA CAMARGO - Eu adoro todas as músicas deste CD, porque cada uma foi feita com o maior carinho e cuidado.



RESENHANDO - Na comunidade do Orkut "Shakira Brasil", você está sendo acusada de plagiar a música "La Tortura", da cantora Shakira, e copiar o estilo dela no clipe. O que acha disto? Você a utilizou como referência?
WANESSA CAMARGO - As pessoas adoram comparar, ao invés de ouvir e avaliar que a única coisa que tem em comum, é o ritmo - Reggaeton. Admiro e respeito o trabalho da Shakira, mas não copio ninguém. 


RESENHANDO - Ainda sobre Orkut, as comunidades contrárias a você tem mais gente do que as favoráveis. O que tem a dizer a estas pessoas?
WANESSA CAMARGO - Nada. Eu respeito a opinião dos outros. Só acho que para criticar, tem que ter fundamento, tem que conhecer.


RESENHANDO - Em seu blog, você se comunica com seus fãs e emite opiniões sobre atualidades. Qual a vantagem de ter este canal aberto com seu público?
WANESSA CAMARGO - É um contato que tenho diretamente com eles, sem nenhuma interferência. É um espaço em que me sinto mais próxima deles e eles também.


RESENHANDO - Com quem você pretende, ou sonha, gravar um dueto?
WANESSA CAMARGO - Tem tanta gente... Rita Lee, Roberto Carlos, Nando Reis* são alguns deles.


RESENHANDO - Em seu início de sua carreira, houve a afirmação de que você desejava ser a Mariah Carey brasileira. Isto procede? Se for verdade, por que? 
WANESSA CAMARGO - A verdade é que admirava muito o trabalho da Mariah Carey e ela me inspirava. Porém, eu quero ser a Wanessa Camargo. Só isso.



RESENHANDO - Com a carreira estabilizada e conhecendo os bastidores, o que pensa atualmente sobre fazer parte do meio artístico? Existe rivalidade? 
WANESSA CAMARGO - É inevitável, se quero ser cantora. Não tenho opinião sobre isso, porque não convivo muito no meio. 


RESENHANDO - Como você lida com a distância da família durante as turnês? 
WANESSA CAMARGO - Sinto saudade, mas telefono sempre que possível. E faz parte, não tem jeito...


RESENHANDO - Como é ter um pai famoso?
WANESSA CAMARGO - Fico feliz por ter um pai que faz o que gosta e conquistou seu espaço.


RESENHANDO - O filme "Dois filhos de Francisco" foi aclamado pela crítica e pelo público. No que isto colabora para que você lance um olhar mais atencioso para as dificuldades enfrentadas por toda sua família antes da fama?
WANESSA CAMARGO - Eu já conheço a história e o filme é uma grande homenagem aos meus avós, que sempre batalharam para que sua família tivesse melhores condições. Eu já tenho um olhar atencioso sobre a situação do país, mas acho, que vai servir para que o resto do país também tenha e conheça uma história de uma família guerreira que conquistou o sucesso.


RESENHANDO -  Você pretende investir na dramaturgia? Fazer mais filmes? Na época da produção da novela América, revistas publicaram que você seria a protagonista, Sol, hoje interpretada por Déborah Secco. Isto é verdade?
WANESSA CAMARGO - Eu quero sempre cantar e fazer música. Se surgirem outros projetos interessantes, é claro que vou avaliar. Mas meu objetivo é cantar e levar meu novo show para todo o país.


RESENHANDO - Passados cinco anos de sua estréia, o que você gostaria de dizer aos que não acreditaram em seu sucesso?
WANESSA CAMARGO - Que escutem meu trabalho. Gosto é uma coisa muito pessoal. Quem não gostar, só tem que respeitar.


*Wanessa acaba de gravar com Nando Reis o dueto O lavrador, que faz parte da trilha sonora do filme 2 Filhos de Francisco.

Perguntas enviadas, que não foram respondidas:

RESENHANDO -  Recentemente, houve um boato de que estava internada por bulimia. O que realmente aconteceu e o que acha dos boatos que inventam sobre você? Até que ponto isto interfere na vida e machuca seu lado pessoal?

RESENHANDO - Como é sua relação pessoal com outros grupos? Com quais bandas e cantores você tem laços de amizade mais estreito? Rola muito assédio?

RESENHANDO - Como você analisa o cenário da música brasileira atualmente?

RESENHANDO - Quem são seus ídolos na música e quais bandas novas merecem destaque hoje?

RESENHANDO - O que a levou a declarar à revista VEJA que havia perdido a virgindade? Como ficou a relação com seu pai após ele ficar sabendo disto pela revista?

RESENHANDO - Após o traumatizante seqüestro de seu tio, você morou durante algum tempo nos Estados Unidos para fugir da violência no Brasil. O que a fez mudar de idéia e voltar?

RESENHANDO - O que diferencia Wanessa Camargo das outras cantoras pop?

RESENHANDO - Você tem feito diversas campanhas sobre a importância da literatura. Qual o papel dos livros para você, e quais seus livros e autor preferido?
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