quinta-feira, 28 de junho de 2018

.: Introdução à Filosofia de Jean-Jacques Rosseau (1712-1778), por Marcio Costa


Por Marcio Costa*, em junho de 2018.

Rousseau foi um dos principais autores do Iluminismo, possuía uma forte influência enciclopédica, das ciências naturais e históricas, definido por Kant como “o Newton da moral”.

Foi um filósofo que viveu a filosofia da forma mais platônica possível, Platão dizia que as crianças deveriam ser educadas pelo Estado, desta forma, Rousseau entregou seus cinco filhos à adoção. Foi perseguido na França, pois suas obras foram consideradas uma afronta aos costumes morais e religiosos. Amante da natureza, morreu próximo a ela. Defensor da liberdade humana, um dos principais autores da Revolução Francesa.

Ele alegava que o homem nascia bom e a propriedade que o corrompia, o inverso do pensamento de Hobbes, o homem é o lobo do homem. 

Ferrenho defensor da “renaturalização do homem”, o homem deve voltar ao seu estado natural. Para Rousseau. o fundador da sociedade civil foi o indivíduo que cercou um terreno e disse: isto é meu, e mais errados foram seus semelhantes que não arrancaram as estacas e disseram: não, isto é nosso, a terra é de todos e seus frutos também. Para ele foi nesse ponto onde iniciaram as mazelas da sociedade, coisas que poderiam ter sido evitadas.

Enquanto os homens se contentaram com as suas cabanas rústicas, enquanto se limitaram a coser suas roupas de peles com espinhos ou arestas de pau, [...], enquanto se aplicaram exclusivamente a obras que um só podia fazer, e a artes que não necessitavam o concurso de muitas mãos, viveram livres, sãos, bons e felizes, [...] Mas, desde o instante que um homem teve necessidade do socorro de outro; desde que perceberam que era útil a um só ter provisões para dois, a igualdade desapareceu, a propriedade se introduziu, o trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas se transformaram em campos risonhos que foi preciso regar com o suor dos homens, e nos quais, em breve, se viram germinar a escravidão e a miséria, a crescer com as colheitas. ROUSSEAU. 2002. pág, 33 e 34)

Em seu “Contrato Social” defende a liberdade humana, mesmo entendendo que o homem perdeu a sua liberdade natural em troca da sua liberdade civil. “O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros. De tal modo acredita-se o senhor dos outros, que não deixa de ser mais escravo que eles” (ROUSSEAU. 2004. pág, 5). Entende que o homem deve retomar a sua liberdade natural e diz ainda que o povo é constrangido a obedecer e obedece. 

Propõe um conjunto de “convenções” para resolver esses problemas, o “Contrato Social”, que nada mais é que uma legislação para defender o direito de todos, já que ele acredita que a partir do momento em que vivemos em sociedade, não somos mais indivíduos, mas sim, cidadãos.

Mas para esse “contrato” ser eficiente, todos devem renunciar aos direitos individuais (privados) a favor de um bem comum (público), e, todos precisam obedecer às leis.

Enfim, cada qual, dando-se a todos, não se dá a ninguém, e, como não existe um associado sobre quem não se adquira o mesmo direito que lhe foi cedido, ganha-se o equivalente de tudo o que se perde e maior força para conservar o que se tem. (ROUSSEAU. 2004. pág, 10)

É um autor controverso, pois sua obra se encaixe no “Socialismo Contemporâneo”, onde prega-se a igualdade para todos, e é um modelo combatido pela sociedade atual, por mais que a desigualdade social seja facilmente identificada em países capitalistas, o modelo Socialista (comunista no senso comum) é visto como o causador das maiores mazelas.

A controvérsia também vem à tona no contexto do seu contrato social, pois se realmente o homem nasce bom, por mais que a propriedade o corrompa, facilmente ele voltaria a seu estado de origem e abriria mão de sua propriedade a outro cidadão. Penso que esse modelo de contrato pode sim levar a um regime absolutista, pois quem possui três imóveis por exemplo, não abrirá mão de dois para pessoas em situação de rua.

Mas para sanar essa lacuna, Rousseau propõe que o homem deve ser educado para desenvolver a “vontade geral”, ou seja, as condições de igualdade na sociedade e para isso, ele escreve a obra “Emílio, ou da Educação”.

Nascemos fracos, precisamos de força; nascemos carentes de tudo, precisamos de assistência; nascemos estúpidos, precisamos de juízo. Tudo o que não temos ao nascer e do que precisamos quando grandes nos é dado pela educação. (ROUSSEAU. 2010. pág, 34)

Apesar de ser tratada de forma individual, o objetivo de sua obra educacional é a formação do homem para o convívio em sociedade, como dito antes, é uma lacuna em seu contrato que ele preenche com essa obra. Por mais que tenha “aberto mão” dos filhos, ele é considerado um pilar também para a pedagogia, pois possui obras estudadas e analisadas até hoje nessa disciplina.

Rousseau também faz críticas à religião, inclusive foi preso por causa do contexto geral de sua obra, para ele a religião deveria deixar de lado o sobrenatural, ao que ele chama de a religião do cidadão.

[…] A religião nos ordena a crer que o próprio Deus, tendo tirado os homens do estado de natureza imediatamente depois da criação, eles são desiguais porque ele quis que o fossem; proíbe nos, porém, de formar conjecturas, tiradas somente da natureza do homem e dos seres que o rodeiam, sobre o que poderia ter acontecido ao gênero humano se tivesse ficado abandonado a si mesmo [...]. (ROUSSEAU. 2002. pág, 13)

E no contrato social, propõe a criação da religião civil, religião essa que seria uma mistura com a religião do cidadão, ele não propõe o fim da crença na divindade, mas elenca pontos que na sua visão, são importantes.

Os dogmas da religião civil devem ser simples, em pequeno número, enunciados com precisão, sem explicações nem comentários. A existência da Divindade poderosa, inteligente, benfazeja, previdente e providente, a vida futura, a felicidade dos justos, o castigo dos perversos, a santidade do contrato social e das leis: eis os dogmas positivos. Quanto aos dogmas negativos, reduzo-os a um único: é a intolerância, implícita nos cultos que excluímos. (ROUSSEAU. 2004. pág, 66)

Por fim, Rousseau foi um dos pilares para o Iluminismo, a Revolução Francesa e a Pedagogia, foi uma fonte de inspiração para o Direito e “possivelmente” para o Socialismo de Karl Marx, enfim, existiram pensadores com conceitos importantes e seguidos até a atualidade, e, um desses é Jean-Jacques Rousseau.

*Marcio Costa é ex-publicitário, dono de um canal de gastronomia no YouTube (AntiGourmet TV). Está cursando Licenciatura em Filosofia pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Apaixonado por Filosofia, Biologia, Sociologia, Política, Astrofísica e Gastronomia.

Referências Bibliográficas
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso Sobre a Origem da Desigualdade. Tradução, Rolando Roque da Silva. Edição Eletrônica, 2002. Editora Ridendo Castigat Mores.
__________. O Contrato Social. Tradução, Rolando Roque da Silva. Edição Eletrônica 2004. Editora Ridendo Castigat Mores.


__________. Coleção Educadores. Tradução: Verone Lane Rodrigues Doliveira. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010.

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