sábado, 23 de fevereiro de 2019

.: Netflix mostra documentário sobre a vida e obra de Sam Cooke


Por Luiz Gomes Otero*, em fevereiro de 2019.

O Netflix disponibilizou o documentário “As Duas Mortes de Sam Cooke”, que conta a vida e o legado de uma das lendas da soul music, considerado um dos pioneiros do estilo. Um intérprete que serviu e ainda serve de referência para muitos artistas, mas que também deixou uma lição na luta pelos Direitos Civis e contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Sam Cooke nasceu no Mississipi, nos Estados Unidos, filho de um pastor protestante. E vivenciou com a família a desigualdade de tratamento que havia na sociedade em relação aos negros. Isso seria um fator que serviria como estímulo para vencer na indústria da música e quebrar as barreiras do preconceito.

Integrou o grupo vocal Soul Stirrers nos anos 50 e começou a se sobressair com um vocal incrivelmente afinado e original. Um timbre de voz de beleza inigualável, que não demorou a ser descoberto pelas gravadoras. Seu primeiro hit, a balada, "You Send Me", se tornou um sucesso instantâneo em todas as rádios americanas.

O que se viu e ouviu depois foi uma sucessão de hits antológicos, entre os quais "Another Saturday Night", "Having A Party", "Bring It On Home To Me", "Wonderful World" e "Cupid", entre muitos outros. Em um curto espaço de tempo, Cooke mostrava os caminhos que poderiam ser seguidos pelos artistas, pavimentando de forma segura a estrada para a consolidação da soul music na indústria fonográfica.


O documentário conta com depoimentos de amigos de Cooke, como o cantor Smokey Robinson e a cantora Dionne Warwick, além de pessoas que trabalharam com ele no estúdio gravando suas canções. E é interessante descobrir o lado ativista de Cooke, que era um pouco abafado pelas gravadoras, que insistiam em investir na tendência mais pop de sua música. A produção destaca também o seu pioneirismo como empresário, ao fundar o seu próprio selo o SAR Records, em 1961.

É fato que Cooke incomodava o lado conservador da sociedade americana. Suas aparições em público na televisão e outras personalidades como o pugilista Muhammad Ali, mostravam que ele só queria ser tratado em condição de igualdade a qualquer outra pessoa, independente da cor de sua pele.

As condições em que morte ocorreu são até hoje consideradas um mistério. Ele foi assassinado em dezembro de 1964 por uma dona de um motel de Los Angeles, que alegou ter atirado em legítima defesa. Mas há quem ache que a morte de Cooke, então com apenas 33 anos, tenha sido uma trama armada para impedir que um negro continuasse vencendo na sociedade americana e quebrando as barreiras do preconceito. 

O hit lançado postumamente no ano seguinte, "A Change Is Gonna Come", é um hino contra o preconceito, de sua própria autoria. É uma canção que até hoje conserva a sua força, que acabou sendo incluída no filme que conta a vida do ativista político Malcom X.

Seja como for, o seu desaparecimento precoce acabou aumentando ainda mais o mito e a lenda em torno de sua obra. Não por acaso o britânico Rod Stewart cita ele como uma influência marcante na sua formação como cantor. Keith Richards, dos Rolling Stones, declarou certa vez que Sam Cooke era o melhor intérprete que ele já havia ouvido.



"Somebody Have Mercy"

"Twistin The Night Away"

"Cupid"


"A Change Is Gonna Come"

*Luiz Gomes Otero é jornalista formado em 1987 pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Trabalhou no jornal A Tribuna de 1996 a 2011 e atualmente é assessor de imprensa e colaborador dos sites Juicy Santos, Lérias e Lixos e Resenhando.com. Criou a página no Facebook Musicalidades, que agrega os textos escritos por ele.

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