quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

.: Filme mexicano “A Camareira” questiona: vale a pena viver?

Por Oscar D’Ambrosiojornalista e crítico de arte.

Não são poucas as vezes em que se tem a sensação de que a vida não tem sentido algum, tratando-se e uma série de acontecimentos que ocorrem arbitrariamente, levando do nada para lugar algum. Por transmitir justamente essa atmosfera, o filme mexicano “A Camareira” merece ser visto.

E não se trata de uma obra de arte fácil. A narrativa da história de uma camareira de um hotel luxuoso se passa praticamente inteira em seu local de trabalho. É ali que luta por uma promoção, estuda para obter uma formação melhor e tem pequenos momentos de alegria, longe de casa e do filho.

As relações são todas rápidas e vazias, como os momentos em que cuida do filho de uma hóspede argentina (breve participação marcante de Agustina Quinci) ou os diálogos com colegas no trabalho. Predomina a falta de perspectiva nos becos sem saída que demandam perfeição no trabalho rigor no horário e risco de desemprego a qualquer momento.

A direção de Lila Avilés reforça a opressão da personagem, perdida entre a vida dos outros. Mas encontra espaço para respirar e para conversar com o filho. Assim, vai amargando uma jornada marcada pelos fracassos e por uma jornada existencial em que não passos para avante ou para trás. Existe apenas um presente doloroso e comovente.

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