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domingo, 12 de julho de 2026

.: Documentário “Mãe D’Água” revela ritual inédito e tensiona fronteiras culturais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Mãe D’Água”, novo documentário dirigido por Karim A. Soumaïla, estreia na estreia plataforma de streaming Reserva Imovision com um mergulho sensível e rigoroso em práticas espirituais e na memória viva do povo Kariri-Xocó. A produção acompanha o próprio cineasta franco-africano em uma jornada de iniciação ao ritual da jurema, conduzida dentro da aldeia, em Alagoas, território historicamente marcado por disputas e resistência cultural.

A presença de Soumaïla no ritual carrega um peso simbólico: pela primeira vez na história recente, a comunidade autoriza a participação de um estrangeiro nesse processo, tradicionalmente restrito. A decisão amplia o alcance do filme e transforma a experiência em registro raro, que articula pertencimento, escuta e responsabilidade. O diretor não se coloca como observador distante; assume o risco da vivência e incorpora ao filme as tensões desse encontro.

Ao longo de 53 minutos, “Mãe D’Água” constrói um percurso que cruza espiritualidade, identidade e política. A narrativa percorre histórias de luta pela terra, evidencia vínculos entre povos indígenas e afrodescendentes e recupera memórias que permanecem fora dos arquivos oficiais. A jurema, elemento central do ritual, aparece não apenas como prática religiosa, mas como elo entre gerações e forma de preservação de saberes ancestrais.

Karim A. Soumaïla, conhecido por trabalhos que investigam deslocamentos culturais e identitários, mantém aqui uma abordagem direta, com imagens que privilegiam o tempo do ritual e a escuta dos participantes. O documentário evita didatismos e aposta na experiência como forma de aproximação, convidando o espectador a acompanhar um processo que altera a percepção do próprio realizador sobre o Brasil e sobre si.

Produzido no Brasil, o filme dialoga com debates contemporâneos sobre território, ancestralidade e reconhecimento, ampliando o olhar para comunidades que seguem defendendo seus modos de vida diante de pressões externas. A estreia na Reserva Imovision reforça o espaço do documentário como instrumento de circulação dessas narrativas.

Ficha técnica
“Mãe D’Água” 
Gênero: documentário. Duração: 53 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: português. Direção e roteiro: Karim A. Soumaïla. Elenco: Povo Kariri-Xocó e Karim A. Soumaïla. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
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.: “O Rei e Eu” desembarca no streaming e reacende o fascínio dos grandes musicais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“O Rei e Eu” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte resgatando um dos musicais mais celebrados de Hollywood. Lançado em 1956, o filme dirigido por Walter Lang adapta para o cinema o sucesso da Broadway assinado por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com roteiro de Ernest Lehman. No elenco, Yul Brynner, Deborah Kerr e Rita Moreno conduzem uma narrativa que combina romance, embate cultural e espetáculo visual.

Ambientada no antigo Sião, a trama acompanha a professora britânica Anna Leonowens (Deborah Kerr), contratada para educar os filhos do rei Mongkut (Yul Brynner). O encontro entre os dois personagens se transforma em um jogo de forças marcado por diferenças de visão de mundo, protocolos rígidos e uma curiosidade crescente. Entre lições, rituais e tensões políticas, o vínculo que se estabelece evita simplificações e ganha densidade ao longo da narrativa.

O longa-metragem conquistou cinco Oscars, incluindo Melhor Ator para Yul Brynner, que superou nomes como James Dean e Kirk Douglas. A atuação consolidou o ator como a face definitiva do rei Mongkut, papel que ele interpretou milhares de vezes também nos palcos ao longo da vida. Deborah Kerr, por sua vez, teve suas canções dubladas por Marni Nixon, voz recorrente em grandes musicais da época, como “West Side Story” e “My Fair Lady”.

A produção também guarda episódios curiosos. Cogitou-se Marlon Brando para o papel do rei, enquanto Maureen O’Hara chegou a ser considerada para viver Anna. A escolha de Deborah Kerr partiu do próprio Brynner. Durante as filmagens, os figurinos pesados - alguns com mais de 15 quilos - exigiram esforço físico considerável da atriz. Já a famosa sequência ao som de “Shall We Dance?” demandou ensaios rigorosos para equilibrar elegância e tensão dramática.

Apesar do reconhecimento internacional e do sucesso de público, “O Rei e Eu” enfrentou resistência na Tailândia, onde foi proibido por ser considerado desrespeitoso à figura histórica do rei Mongkut. Ainda assim, o filme se mantém como referência estética e narrativa dentro do gênero musical, ocupando posição de destaque em listas do American Film Institute. A chegada ao streaming oferece uma nova oportunidade para revisitar um clássico que reúne cenários grandiosos, figurinos marcantes e uma história construída sobre choque cultural, poder e transformação.


Ficha técnica
“O Rei e Eu” | (“The King and I” (Título original)
Gênero: musical, romance. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 1956. Data de lançamento: 28 de junho de 1956. Idioma: inglês. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Lehman. Elenco: Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Rex Thompson. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

sábado, 11 de julho de 2026

.: “Acerto de Contas” confronta ética e paixão nas ruas de Nova Orleans


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Acerto de Contas” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um dos títulos mais sedutores do cinema policial dos anos 1980. Dirigido por Jim McBride e escrito por Daniel Petrie Jr., o longa-metragem - cujo título original é “The Big Easy” e que, em Portugal, recebeu o nome de “Nas Teias da Máfia” - aposta na mistura de investigação criminal com tensão romântica, ambientada em uma Nova Orleans pulsante.

Na trama, Dennis Quaid vive o detetive Remy McSwain, um policial carismático que navega com naturalidade por práticas pouco ortodoxas dentro da corporação. A rotina dele muda quando passa a investigar uma série de assassinatos ligados à própria polícia. É nesse cenário que surge Anne Osborne, promotora interpretada por Ellen Barkin, enviada para enfrentar a corrupção. O envolvimento entre os dois cresce na mesma proporção em que o caso se complica, colocando ética, desejo e poder em rota de colisão.

O elenco ainda reúne nomes como John Goodman e Ned Beatty, que ajudam a dar corpo a esse retrato de uma instituição corroída por interesses paralelos. A química entre Quaid e Barkin se tornou um dos pontos mais comentados à época do lançamento, com ambos os atores apontando o filme como um dos favoritos de suas carreiras.

Filmado integralmente em Nova Orleans, o longa incorpora com força a identidade local, da música zydeco às paisagens urbanas e ao sotaque cajun que marca a performance de Quaid. A cidade não serve apenas de cenário, mas dita o ritmo e o humor da narrativa, contribuindo para que o filme seja lembrado como uma das representações mais autênticas da região no cinema mainstream daquela década.

Outro dado curioso envolve o desenvolvimento do roteiro, que inicialmente se passaria em Chicago e tinha outro título. A mudança para Nova Orleans redefiniu o projeto e ajudou a consolidar o tom híbrido entre policial e romance. O próprio diretor voltaria a trabalhar com Dennis Quaid em “A Fera do Rock” (1989), explorando um registro completamente diferente.

Lançado em meio à renovação do cinema noir, “Acerto de Contas” acabou associado ao movimento neo-noir dos anos 1980, ainda que opte por uma abordagem mais leve, sem abrir mão das zonas cinzentas de seus personagens. Entre investigações, jogos de poder e relações atravessadas por interesse, o filme constrói um retrato envolvente de uma cidade em que charme e corrupção caminham lado a lado.


Ficha técnica
“Acerto de Contas” | “The Big Easy” (título original) | “Nas Teias da Máfia” (título em Portugal)
Gênero: policial, romance, drama. Duração: 1h42m. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1986. Data de lançamento: 21 de agosto de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Jim McBride. Roteiro: Daniel Petrie Jr. Elenco: Dennis Quaid, Ellen Barkin, John Goodman, Ned Beatty, Grace Zabriskie. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Alanté Kavaïté conduz “Beladona” e desafia o olhar sobre a finitude


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beladona” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em uma ficção científica de atmosfera rarefeita para encarar um tema que ainda provoca desconforto: o envelhecimento. Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, o longa-metragem francês parte de uma premissa inquietante para construir sua narrativa. Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz), uma jovem que vive isolada em uma ilha cuidando de um grupo de idosos que escaparam de uma política estatal que os remove do convívio social. A rotina, marcada por um equilíbrio frágil, ganha novos contornos com a chegada de Aline (Daphné Patakia), David (Dali Benssalah) e uma criança. O que parece sopro de vitalidade logo se converte em tensão: os moradores mais velhos começam a morrer, um a um, enquanto a suspeita cresce em torno dos visitantes.

Exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, o filme dialoga com discussões contemporâneas sobre etarismo e políticas de controle dos corpos. A própria diretora revelou, em entrevistas à imprensa europeia, que o roteiro começou a ser desenvolvido ainda em 2016, mas ganhou novas camadas durante a pandemia de Covid-19, quando a vulnerabilidade da população idosa passou a ocupar o centro do debate global. Essa experiência atravessa a construção dramática do longa, especialmente na maneira como o cuidado é tensionado pela liberdade.

Kavaïté, que também assina o roteiro, opta por acompanhar o ponto de vista de quem cuida, e não dos idosos, escolha que desloca o eixo tradicional dessas narrativas. Gaëlle surge como uma personagem em conflito: ao mesmo tempo em que protege, também restringe, revelando contradições que atravessam relações afetivas marcadas pela finitude. Há ecos evidentes de outras produções recentes que exploram distopias sobre envelhecimento, como o brasileiro “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro - comparação reconhecida pela própria diretora. Ainda assim, “Beladona” prefere um caminho mais introspectivo, investindo em uma encenação contida, fotografia de luz natural e uma narrativa que preserva lacunas. O resultado pode dividir o público: enquanto alguns embarcam na ambiguidade proposta, outros podem sentir falta de respostas mais concretas.

O elenco reúne nomes experientes como Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart e Jean-Claude Drouot, que ajudam a sustentar a tensão silenciosa que percorre o filme. Nadia Tereszkiewicz, por sua vez, carrega o peso dramático da protagonista com intensidade contida, reforçando a sensação de isolamento que define a obra. Sem recorrer a grandes reviravoltas, “Beladona” aposta em uma inquietação progressiva. O filme provoca ao encarar o envelhecimento sem romantização, abrindo espaço para discutir desejo, autonomia e os limites do cuidado em uma sociedade que ainda hesita em lidar com a velhice de forma plena.


Ficha técnica
“Beladona” | “Belladone” (Título original) 
Gênero: ficção científica, drama. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção e roteiro: Alanté Kavaïté. Elenco: Nadia Tereszkiewicz, Daphné Patakia, Dali Benssalah, Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart, Jean-Claude Drouot. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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quinta-feira, 9 de julho de 2026

.: "Coração Satânico" conduz o público a um labirinto sem saída


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"Coração Satânico" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  reafirmando seu lugar como um dos títulos mais perturbadores do cinema dos anos 1980, dirigido e roteirizado por Alan Parker. Lançado originalmente como "Angel Heart" e exibido em Portugal sob o título "Angel Heart – Nas Portas do Inferno", o longa-metragem mergulha no território onde o noir encontra o horror psicológico com uma segurança rara.

Na trama, o detetive particular Harry Angel, interpretado por Mickey Rourke em um de seus trabalhos mais marcantes, aceita investigar o paradeiro de um cantor desaparecido. O que começa como um caso aparentemente convencional ganha contornos cada vez mais inquietantes à medida que surgem mortes brutais, pistas desconexas e uma sensação constante de ameaça. Robert De Niro surge em cena como Louis Cyphre, figura enigmática e elegante, cuja presença carrega um peso que dispensa explicações imediatas. No elenco, ainda estão Charlotte Rampling e Lisa Bonet, esta última em um papel que causou forte repercussão à época do lançamento.

Baseado no romance "Falling Angel", de William Hjortsberg, o filme preserva a espinha dorsal da obra literária, mas altera pontos decisivos, sobretudo no desfecho, ampliando o impacto da revelação final. Parker opta por abandonar a narração típica do gênero policial e aposta na construção visual e sensorial, explorando o calor sufocante do sul dos Estados Unidos e a atmosfera carregada de Nova Orleans, cenário que substitui a Nova York do livro.

A produção também ficou marcada por episódios fora da tela. Marlon Brando chegou a ser cogitado para o papel de Louis Cyphre, enquanto Al Pacino e Jack Nicholson foram considerados para viver Harry Angel antes da escolha por Rourke. Já Robert De Niro, em uma composição precisa e controlada, teve liberdade incomum no set, conduzindo suas próprias cenas. O nome do personagem que interpreta não esconde a natureza da história, funcionando quase como um enigma à vista de todos.

Outro ponto que alimentou discussões foi a participação de Lisa Bonet, então conhecida por seu trabalho na televisão. As cenas de nudez e sexualidade provocaram controvérsia e levaram a cortes em algumas versões, além de debates sobre classificação indicativa em diferentes países. Décadas depois, o impacto permanece.

Visualmente, "Coração Satânico" sustenta um diálogo com o cinema noir clássico, ainda que em cores, com fotografia assinada por Michael Seresin e trilha de Trevor Jones, que ajudam a construir um ambiente inquietante e denso. O resultado é um filme que escapa de definições simples e se mantém como referência quando o assunto é a fusão entre investigação policial e horror metafísico.


Ficha técnica
“Coração Satânico” | "Angel Heart" (título original) | "Angel Heart – Nas Portas do Inferno" (título em Portugal)
Gênero: Suspense, terror. Duração: 113 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 1987. Idioma: Inglês. Direção: Alan Parker. Roteiro: Alan Parker, baseado na obra de William Hjortsberg. Elenco: Mickey Rourke, Robert De Niro, Charlotte Rampling, Lisa Bonet, Brownie McGhee, Stocker Fontelieu. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Bruce Lee explode na tela e redefine o kung fu em “A Fúria do Dragão”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Segundo filme de Bruce Lee, “A Fúria do Dragão” chega ao catálogo da plataforma de streaming Reserva Imovision reafirmando o impacto duradouro de Bruce Lee no cinema de ação. Dirigido e escrito por Wei Lo, o longa de 1972 - originalmente intitulado “Jing Wu Men” e conhecido em mercados internacionais como “Fist of Fury”, além de receber em Portugal o título “O Invencível” - permanece como uma peça-chave na consolidação do kung fu nas telas e na construção do mito em torno de seu protagonista.

A trama acompanha Chen Zhen (Bruce Lee), discípulo do mestre Huo Yuanjia, que retorna a Xangai para se casar e encontra seu mentor morto sob circunstâncias suspeitas. Durante o funeral, a humilhação imposta por um dojo japonês acirra tensões já latentes. Ao descobrir que houve envenenamento, Chen abandona qualquer contenção e parte para uma escalada de vingança que rapidamente ganha contornos trágicos. O elenco reúne ainda Nora Miao, James Tien, Maria Yi e Robert Baker, compondo um quadro típico das produções da Golden Harvest no início dos anos 1970.

Filmado em Hong Kong com orçamento modesto, o longa-metragem transformou limitações em estilo. As cenas de luta, coreografadas pelo próprio Bruce Lee, apostam na contundência dos golpes e na fisicalidade do ator, afastando-se do tom mais coreografado que dominava o gênero até então. Foi também nesse filme que Lee popularizou o uso do nunchaku no cinema, elemento que se tornaria inseparável da imagem dele.

O contexto histórico, ambientado na Xangai sob influência estrangeira no início do século XX, ecoa tensões reais entre chineses e japoneses, ainda frescas na memória coletiva à época da produção. Essa camada política impulsionou a recepção do filme na Ásia, onde se tornou um enorme sucesso de bilheteria e ajudou a projetar Bruce Lee internacionalmente. Nos Estados Unidos, chegou a ser relançado como “The Chinese Connection”, em uma tentativa de evitar confusão com o título anterior do ator.

Há curiosidades que ampliam o fascínio em torno do filme. Jackie Chan aparece brevemente como figurante em cenas de luta, antes de se tornar estrela global. O próprio Bruce Lee dublou o vilão interpretado por Robert Baker nas versões em mandarim e cantonês. Divergências criativas e pessoais levaram Lee a romper com o diretor Wei Lo após este trabalho, encerrando uma parceria que havia rendido seus primeiros sucessos no cinema. E o final abrupto, congelado no instante de um salto em direção ao confronto inevitável, tornou-se uma das imagens mais lembradas de sua filmografia.

“A Fúria do Dragão” se sustenta pela presença magnética de Bruce Lee e pela intensidade de suas sequências de combate. O filme cristaliza a figura do herói que reage à humilhação com fúria e paga o preço por isso continua sendo um retrato que dialoga com o imaginário de resistência de uma época e segue mobilizando plateias décadas depois.

Ficha técnica
“A Fúria do Dragão” | “Jing Wu Men” (título original) | “O Invencível” (título em Portugal)
Gênero: ação, drama. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1972. Data de lançamento: 22 de março de 1972 (Hong Kong). Idioma: mandarim, cantonês e inglês. Direção e roteiro: Wei Lo. Elenco: Bruce Lee, Nora Miao, James Tien, Maria Yi, Robert Baker, Fu Ching Chen, Shan Chin, Ying-Chieh Han, Chikara Hashimoto. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision (streaming). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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quarta-feira, 8 de julho de 2026

.: CineSesc promove mostra gratuita de clássicos e ambientação histórica


Os antigos cinemas de rua que marcaram gerações de paulistanos voltam a ocupar o imaginário da cidade a partir do feriado de 9 de julho, no CineSesc. A iniciativa "Cinemas de Rua: Da Augusta à Cinelândia Paulistana" vai transformar o hall da unidade em um espaço de imersão histórica e afetiva por meio de uma ambientação cenográfica inédita - equipada com letreiros luminosos, pôsteres reinterpretados e um grande mapa iconográfico. Para complementar a homenagem à era de ouro dos cinemas de rua, o CineSesc realiza uma mostra gratuita com clássicos restaurados da cinematografia mundial.

A escolha do CineSesc como palco para esta celebração reforça o valor do próprio espaço. Localizado na Rua Augusta, o cinema inaugurado em 1979 ocupa um endereço historicamente ligado ao circuito exibidor paulistano e preserva a tradição da calçada, do letreiro luminoso e da experiência de assistir a um filme em uma sala de rua. A nova ambientação permite discutir como, apesar de transformações, a cidade pode preservar experiências coletivas.

Ação convida o público a refletir sobre a permanência da experiência coletiva do cinema em meio às transformações da cidade. Programação conta com exibições de clássicos restaurados, como "Este Mundo É Um Teatro", dia 9, às 20h30, “Casablanca”, dia 10, às 20h00, e “Cantando na Chuva”, dia 17, às 20h00, conectando a memória das antigas salas de exibição aos filmes que ajudaram a construir a mística dessas telas urbanas.

Uma viagem no tempo pelo hall do CineSesc
A ambientação inédita idealizada pela equipe do CineSesc, com curadoria e direção de arte de Mauro Amorim e produção executiva de Patrícia Almeida, recriará a atmosfera de encanto das salas que funcionaram entre as décadas de 1940 e 1970 na capital paulista. O projeto oferece um mergulho na paisagem urbana do centro histórico de São Paulo por meio de intervenções visuais e artísticas. Confira os destaques.

Pinturas artísticas dos pôsteres: desenvolvidas pela artista Fernanda D’Boer, a série de cinco pinturas sobre papel (no formato clássico de cartazes de 100 × 70 cm) homenageia salas históricas do centro, como o Cine Marabá, Cine Comodoro, Cine Ipiranga, Cine Marrocos e o próprio CineSesc. As artes entrelaçam as fachadas arquitetônicas desses espaços a referências iconográficas de clássicos como Tubarão, La Dolce Vita, Vertigo, Bye Bye Brasil e Laranja Mecânica.

Grande mapa ilustrado: criado pelo estúdio Radiográfico, um painel detalhado guiará o público em uma jornada geográfica e cronológica, conectando os tradicionais cinemas da Rua Augusta à efervescente Cinelândia paulistana. Efeito cromático RGB: uma intervenção visual assinada por Marcos Muzi e Rafael Cotait propõe novos jogos de luzes e cores na recepção do público.

Cenografia nostálgica: o espaço contará ainda com uma fachada cenográfica inspirada nos antigos cinemas da cidade, um letreiro em neon exclusivo, vitrines expositivas com objetos históricos do universo cinematográfico e referências às saudosas bombonieres.

Programação de filmes – Mostra Especial Cinemas de Rua
Conectando a ambientação do hall à magia da projeção na tela grande, o CineSesc exibirá uma seleção especial de filmes de época com sessões gratuitas para o público. A programação vai contar com exibições de cópias restauradas de obras que fazem parte da história da arte cinematográfica.


Quinta-feira, dia 9 de julho, às 20h30 - "Este Mundo É Um Teatro" ("Stage Struck")
Direção: Allan Dwan, EUA, 1925, 70 minutos. 12 anos.

Uma jovem sonha em se tornar uma grande atriz. Quando seu namorado começa a flertar com uma artista de verdade, ela é consumida pelo ciúme e decide enfrentar sua rival. Entrada Gratuita.

Sexta-feira, dia 10 de julho, às 20h00 – "Casablanca"
Direção: Michael Curtiz, EUA, 1942, 102 minutos. 12 anos.
Durante os tensos anos da Segunda Guerra Mundial, o amargurado Rick reencontra um amor do passado em sua movimentada casa noturna na cidade de Casablanca, no Marrocos. Entrada Gratuita.

Sexta-feira, dia 17 de julho, às 20h00 – "Cantando na Chuva" ("Singin' in The Rain")
Direção: Stanley Donen e Gene Kelly, EUA, 1952, 103 minutos. Livre.

Uma das maiores obras-primas do cinema musical acompanha os bastidores de Hollywood e os desafios hilários e complexos enfrentados por uma produtora e seu elenco na transição do cinema mudo para o cinema falado. Entrada gratuita.

Serviço
CineSesc
Exposição Cinemas de Rua - Da Augusta à Cinelândia Paulistana

Início da visitação: dia 9 de julho
Horários: segunda a domingo, das 13h15 às 22h00
Local: Hall | CineSesc - Rua Augusta, 2075 - São Paulo


Mostra de filmes
9 de julho, às 20h30 |
"Este Mundo É Um Teatro"
10 de julho, às 20h00 | "Casablanca"
17 de julho, às 20h00 | "Cantando na Chuva"
Entrada gratuita.Classificação indicativa: livre. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

.: Novo filme "Entrando Numa Fria" muda nome por causa de Ariana Grande


Em resposta aos fãs, Paramount Pictures muda título de filme com Ariana Grande para "Entrando Numa Grande Fria". Com Robert De Niro e Ben Stiller no elenco, quarto filme da franquia de comédia estreia em 26 novembro nos cinemas

Atendendo ao pedido dos fãs, a Paramount Pictures anunciou a atualização do título oficial da nova comédia com a atriz Ariana Grande no Brasil: “Entrando Numa Fria” vira “Entrando Numa Grande Fria”. A mudança faz referência ao sobrenome da artista, que divide o protagonismo do filme ao lado de Robert De Niro e Ben Stiller. 

Neste novo capítulo da franquia, Henry (Skyler Gisondo), filho de Greg (Ben Stiller) e Pam (Teri Polo), se apaixona por Olivia Jones (Ariana Grande), uma mulher que parece não combinar nada com ele. A sequência ainda conta com Owen Wilson, Beanie Feldstein e Blythe Danner no elenco. 

John Hamburg, que produziu “Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família”, agora assume a direção e o roteiro do quarto longa. O filme é produzido pela Delirious Media e a Particular Pictures. A distribuição é da Paramount Pictures.

.: "O Solitário" revisita o auge físico e dramático de Belmondo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"O Solitário" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  resgatando um tipo de cinema policial que fez escola na França dos anos 1980, com ação direta, ruas de Paris como cenário e um protagonista que carrega o peso da própria obstinação. Dirigido por Jacques Deray, o longa-metragem marca mais um encontro do cineasta com Jean-Paul Belmondo, parceria que ajudou a consolidar uma vertente popular e musculosa do thriller europeu.

Na trama, Belmondo interpreta Stan Jalard, policial que vê a vida virar do avesso após a execução de um colega durante uma operação. A partir daí, o que se desenha é uma caçada persistente ao responsável pelo crime, o bandido Charly Schneider (Jean-Pierre Malo), que reaparece anos depois, reacendendo uma busca atravessada por violência, corrupção e desgaste emocional. Michel Beaune completa o elenco principal como o comissário Pezzoli, figura que tensiona ainda mais o ambiente policial.

Com roteiro assinado por Jacques Deray, Simon Michaël e Alphonse Boudard, o filme aposta em uma narrativa linear, sustentada pelo carisma físico de Belmondo e por sequências de ação que dispensam dublês sempre que possível. À época das filmagens, o ator já se aproximava dos 55 anos e mantinha a tradição de realizar suas próprias cenas de risco, o que reforçava sua imagem de herói durão e indomável, uma assinatura que o público reconhecia de imediato.

"O Solitário" também evidencia uma mudança de tom na carreira do ator. Longe da leveza irreverente que marcou sua fase na nouvelle vague, Belmondo surge mais rígido, marcado pelo cansaço e por uma solidão que contamina cada decisão do personagem. Essa transição ajuda a entender por que o filme, mesmo com ambição comercial, carrega um subtexto mais amargo, refletindo um policial que já não acredita tanto nas regras que deveria defender.

Curiosamente, a produção chegou a ser comercializada em alguns países como uma espécie de continuação de "O Profissional" (1981), estratégia de mercado que não encontra respaldo na história. Na França, o desempenho nas bilheteiras ficou abaixo do esperado, indicando um certo desgaste desse tipo de narrativa policial naquele momento. Ainda assim, o longa permanece como registro de uma fase em que Belmondo dominava o cinema de ação europeu com presença e energia raras. Com duração enxuta e ritmo constante, "O Solitário" encontra força no embate entre um homem e aquilo que o mantém em movimento: a necessidade de fazer justiça, mesmo quando tudo ao redor parece já ter perdido o sentido.

Ficha técnica
“O Solitário” | "Le Solitaire" (título original)
Gênero: policial, ação. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 18 de março de 1987 (França). Idioma: francês. Direção: Jacques Deray. Roteiro: Jacques Deray, Simon Michaël, Alphonse Boudard. Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean-Pierre Malo, Michel Beaune. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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segunda-feira, 6 de julho de 2026

.: Quintas de luta e cinema: a coleção Bruce Lee em foco na Reserva Imovision


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Toda quinta-feira, o público tem encontro marcado com um verdadeiro ritual cinematográfico: a revisitação de um clássico essencial da Coleção Bruce Lee. A programação, em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision, abre com "O Dragão Chinês" e percorre uma sequência de títulos que não apenas marcaram época, mas ajudaram a redefinir o cinema de ação no mundo, como "A Fúria do Dragão", "O Voo do Dragão" - dirigido pelo próprio Bruce Lee - e os eletrizantes "Jogo da Morte" I e II. A estreia no streaming é uma oportunidade rara de acompanhar, em ordem, a construção de um mito e a consolidação de uma linguagem que influenciaria gerações.

Mas a experiência não se limita à força física ou à precisão coreográfica. Há também um componente sensorial que amplia o impacto dessas obras. Em "O Dragão Chinês", por exemplo, uma curiosidade que atravessa décadas chama a atenção dos mais atentos: em algumas versões do filme, é possível identificar trechos de músicas da banda Pink Floyd inseridos de forma não creditada na trilha sonora. Um detalhe quase clandestino, que revela tanto sobre práticas da época quanto sobre o diálogo inesperado entre culturas e que adiciona uma camada ainda mais fascinante à experiência.

Testemunhar "O Dragão Chinês", filme que abre a Mostra na Reserva Imovision, é assistir ao nascimento de uma lenda. Dirigido por Wei Lo e Chia-Hsiang Wu, o longa-metragem apresenta ao mundo a presença magnética de Bruce Lee em sua primeira grande atuação como protagonista. Na trama, Cheng é um jovem que tenta honrar um juramento de não violência, até ser empurrado ao limite ao descobrir uma rede criminosa infiltrada em uma fábrica de gelo na Tailândia. O que se segue é uma explosão de intensidade: golpes secos, movimentos milimetricamente coreografados e uma energia crua que atravessa a tela. Ali, mais do que um filme, nasce um novo código para o cinema de ação — direto, visceral e absolutamente inesquecível. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

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A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
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.: "Os Anarquistas" resgata fúria política e expõe dilemas de uma geração


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"Os Anarquistas" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte para ajudar a entender de onde veio parte da força do cinema sul-coreano que, anos depois, conquistaria o mundo. Dirigido por Yu Young-sik e com roteiro assinado por Park Chan-wook, o longa-metragem lançado no ano 2000 mergulha na Xangai dos anos 1920 para acompanhar um grupo de jovens coreanos dispostos a tudo contra a ocupação japonesa.

A narrativa se constrói a partir do olhar de Sang-gu, o mais jovem entre os revolucionários, que relembra sua entrada na célula anarquista e o aprendizado brutal de uma militância feita de atentados, assaltos e perdas sucessivas. Interpretado por Kim In-kwon, o personagem funciona como ponte entre o espectador e um grupo vivido por nomes que se tornariam gigantes do cinema asiático, como Jang Dong-gun, Kim Sang-jung e Jeong Jun-ho.

Há um cuidado visual que chama atenção já de início: a fotografia aposta em sombras densas, fumaça e uma iluminação que flerta com o expressionismo, enquanto as sequências de ação evocam o cinema de Hong Kong e o chamado “heroic bloodshed”, um subgênero do cinema de ação surgido em Hong Kong nos anos 1980, marcado por violência estilizada aliada a forte carga dramática. Popularizado por diretores como John Woo, traz protagonistas geralmente anti-heróis envolvidos em conflitos morais, com histórias que valorizam lealdade, amizade e sacrifício. As cenas de ação são coreografadas, com câmera lenta e tiroteios intensos, enquanto a narrativa costuma conduzir a desfechos trágicos ou melancólicos. A encenação acompanha o desgaste emocional dos personagens, que veem seus ideais se chocarem com a realidade de uma luta sem garantias.

"Os Anarquistas" também carrega um peso histórico relevante. Inspirado, ainda que livremente, em movimentos de resistência coreanos durante o domínio japonês, o filme foi a primeira coprodução entre Coreia do Sul e China, com filmagens realizadas em locações de Xangai e arredores. A reconstrução de época evita o artificial e aposta em cenários amplos e figurinos detalhados, resultado de uma colaboração com equipes locais experientes.

Lançado antes da explosão global do cinema coreano, o longa-metragem acabou ganhando outra dimensão com o passar dos anos. Revisto hoje, funciona como registro de uma geração de artistas que redefiniria a indústria, além de revelar um Park Chan-wook ainda em processo de afirmação como roteirista, pouco antes de dirigir títulos que se tornariam cultuados mundialmente. A luta política se mistura à amizade, à desconfiança e ao desgaste de quem passa a viver no limite. A trajetória do grupo aponta para um destino inevitável, conduzido por escolhas que cobram um preço alto demais.


Ficha técnica
"Os Anarquistas" | "The Anarchists" (título original)
Gênero: drama, ação. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2000. Data de lançamento: 29 de abril de 2000. Idioma: coreano. Direção: Yu Young-sik. Roteiro: Park Chan-wook, Lee Moo-young, Bangnidamae. Elenco: Jang Dong-gun, Kim Sang-jung, Jeong Jun-ho, Lee Beom-soo, Kim In-kwon, Ye Ji-won. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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sábado, 4 de julho de 2026

.: MIS realiza mostra de filmes pelos 75 anos da atriz Anjelica Huston


Entre os dias 7 e 12 de julho, serão exibidos dez títulos com a artista, com ingressos a partir de R$ 3,00

Na próxima quarta-feira, dia 8 de julho, a atriz Anjelica Huston completa 75 anos e o MIS - Museu da imagem e do Som de São Paulo, como parte de sua programação especial de férias, organiza uma mostra dedicada à sua carreira cinematográfica, exibindo dez filmes com a artista entre os dias 07 e 12 de julho, com ingressos entre R$ 3,00 (meia) e R$ 6,00 (inteira). O diretor geral do MIS e cineasta André Sturm assina a curadoria, que traz títulos com uma potente presença da atriz nas telas, sob direções memoráveis de nomes como Woody Allen, Francis Ford Coppola, Wes Anderson e o próprio pai da atriz, John Huston. A curadoria inclui ainda o longa “Agnes Browne: o despertar de uma vida”, dirigido, produzido e protagonizado pela própria Anjelica. 

Entre os destaques da mostra, estão “A Honra do Poderoso Prizzi”, que lhe rendeu um Oscar de Atriz Coadjuvante, atuando ao lado de Jack Nicholson; “Os Vivos e os Mortos”, último filme de John Huston, baseado no conto “The Death”, de James Joyce; “As Brumas de Avalon”, telefilme que conta a história do lendário Rei Arthur do ponto de vista das mulheres que o rodeavam; e “Os Excêntricos Tenenbaums”, primeira colaboração da atriz com o diretor texano Wes Anderson, algo que se repetiria mais cinco vezes em suas carreiras. 

“A Anjelica Huston vem de uma família tradicional de cinema. Seu pai e seu avô foram diretores grandiosos em suas épocas. Isso poderia deixá-la bem acomodada, mas não. Ela sempre soube escolher muito bem em que projetos estaria e colecionou vários filmes de excelência na carreira”, comenta o curador André Sturm. “Ela não foi para aquela prateleira de ‘leading lady’ hollywoodiana clássica, sua atuação sempre foi muito magnética e potente, dividindo protagonismo e mesmo coadjuvando com muito brilhantismo. Além disso, sempre foi, desde jovem, uma mulher muito elegante, muito sofisticada, sem pedantismo, com muita presença na tela”


Programação | Mostra Anjelica Huston 75 Anos

7 de julho, terça-feira
15h00 | Auditório MIS
"Os Vivos e os Mortos" ("The Dead", dir
eção John Huston, 1987, EUA, Reino Unido/Alemanha, 83 minutos, livre)
Durante uma tradicional reunião familiar do Dia de Reis, em Dublin, conversas, músicas e recordações ocupam o centro da noite. Aos poucos, pequenas revelações e memórias do passado alteram a percepção que os personagens têm de si mesmos e dos outros. 

17h00 | Auditório MIS
"Jardins de Pedra" ("Gardens of Stone", direção Francis Ford Coppola, 1987, EUA, 111 minutos, 14 anos) 
Em plena Guerra do Vietnã, um sargento veterano do exército americano trabalha na unidade responsável pelos funerais militares. Impedido de acompanhar os jovens soldados enviados ao front, ele tenta orientá-los e protegê-los antes da partida. Paralelamente, desenvolve uma relação afetiva com uma jornalista idealista. 

20h00 | Auditório MIS
"A Honra do Poderoso Prizzi" ("Prizzi's Honor", direção John Huston, 1985, EUA, 130 minutos, 12 anos) 
Charley Partanna é um assassino profissional leal à poderosa família mafiosa Prizzi, de Nova York. Durante um casamento, ele se apaixona por Irene Walker, sem saber que ela também trabalha como matadora de aluguel. O romance entre os dois rapidamente se mistura aos interesses e às traições do crime organizado. 


8 de julho, quarta-feira
15h | Auditório MIS
"As Brumas de Avalon" ("The Mists of Avalon", dir
eção Uli Edel, 2001, Alemanha/Rep. Tcheca/EUA, 183 minutos, 14 anos)
Em uma Bretanha dividida entre antigas tradições pagãs e o avanço do cristianismo, Morgana é criada na ilha de Avalon sob a orientação das sacerdotisas da religião ancestral. Enquanto o jovem Arthur ascende ao trono, as mulheres ao seu redor procuram influenciar os rumos do reino e preservar o equilíbrio político e espiritual da região. Ao longo dos anos, alianças, rivalidades e deveres familiares moldam o destino dos personagens. 

18h00 | Auditório MIS
"Crimes e Pecados" ("Crimes and Misdemeanors", dir
eção Woody Allen, 1989, EUA, 104 minutos, 14 anos)
Um respeitado oftalmologista tem a vida mergulhada em uma crise quando sua amante ameaça revelar seu relacionamento extraconjugal à sua esposa. Paralelamente, um documentarista tenta concluir um filme enquanto enfrenta dificuldades profissionais e conjugais. As trajetórias dos dois homens se desenvolvem em paralelo, e, conforme suas escolhas produzem consequências inesperadas, ambos são obrigados a confrontar os próprios valores e responsabilidades. 

20h00 | Auditório MIS
"Inimigos: Uma História de Amor" ("Enemies, a Love Story", dir
eção Paul Mazursky, 1989, EUA, 119 minutos, 14 anos)
Na Nova York do pós-guerra, um sobrevivente do Holocausto vive com a mulher polonesa que o ajudou a sobreviver durante a ocupação nazista. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento secreto com outra sobrevivente da guerra. Sua vida se complica ainda mais quando sua primeira esposa, que ele acreditava ter morrido durante o conflito, reaparece inesperadamente. Ele tenta conciliar as três relações e as consequências de suas escolhas. 


9 de julho, quinta-feira 
15h00 | Auditório MIS
"Os Imorais" ("The Grifters", direção Stephen Frears, 1990, EUA, 110 minutos, 16 anos) 
Um pequeno golpista vive aplicando fraudes de baixo risco. Após ser espancado durante uma tentativa de golpe, ele acaba sob os cuidados da mãe, uma operadora experiente no mundo das apostas e trapaças. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento com uma mulher que também vive de golpes e enganos. À medida que as três trajetórias se cruzam, surgem disputas de interesse, desconfiança e manipulação entre eles. 

16h00 | Auditório LABMIS
"Agnes Browne - O Despertar de Uma Vida"
 ("Agnes Browne", direção Anjelica Huston, 1999, Irlanda/EUA, 92 minutos, 14 anos) 
Em Dublin, em 1967, Agnes Browne precisa reorganizar sua vida após a morte repentina do marido. Com sete filhos para criar, ela enfrenta dificuldades financeiras e passa a vender frutas e verduras em um mercado de rua. No cotidiano, ela conta com o apoio constante de sua melhor amiga, com quem divide os desafios e pequenas alegrias do dia a dia. Aos poucos, Agnes também lida com novas possibilidades de relacionamento e com a tentativa de reconstruir sua estabilidade familiar. 

17h00 | Auditório MIS
"Os Vivos e os Mortos" ("The Dead", direção John Huston, 1987, EUA, Reino Unido/Alemanha, 83 minutos, livre)
Durante uma tradicional reunião familiar do Dia de Reis, em Dublin, conversas, músicas e recordações ocupam o centro da noite. Aos poucos, pequenas revelações e memórias do passado alteram a percepção que os personagens têm de si mesmos e dos outros. 

18h00 | Auditório Labmis
"A Honra do Poderoso Prizzi" ("Prizzi's Honor", direção John Huston, 1985, EUA, 130 minutos, 12 anos) 
Charley Partanna é um assassino profissional leal à poderosa família mafiosa Prizzi, de Nova York. Durante um casamento, ele se apaixona por Irene Walker, sem saber que ela também trabalha como matadora de aluguel. O romance entre os dois rapidamente se mistura aos interesses e às traições do crime organizado.  

19h00 | Auditório MIS
"Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", direção Wes Anderson, 2001, EUA, 110 min, 14 anos) 
Royal Tenenbaum se afasta da família após anos de convivência conturbada com sua esposa e seus três filhos prodígios. Anos depois, ele retorna à casa da família afirmando estar doente, tentando reaproximar-se dos filhos já adultos, cada um lidando com suas próprias frustrações e trajetórias interrompidas. A convivência forçada faz com que antigas tensões e ressentimentos venham à tona, fazendo-os confrontar o passado e suas relações.


10 de julho, sexta-feira
15h00 | Auditório MIS
 
"Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", direção Wes Anderson, 2001, EUA, 110 min, 14 anos) 
Royal Tenenbaum se afasta da família após anos de convivência conturbada com sua esposa e seus três filhos prodígios. Anos depois, ele retorna à casa da família afirmando estar doente, tentando reaproximar-se dos filhos já adultos, cada um lidando com suas próprias frustrações e trajetórias interrompidas. A convivência forçada faz com que antigas tensões e ressentimentos venham à tona, fazendo-os confrontar o passado e suas relações.


17h00 | Auditório MIS 
"Agnes Browne - O Despertar de Uma Vida"
 ("Agnes Browne", direção Anjelica Huston, 1999, Irlanda/EUA, 92 minutos, 14 anos) 
Em Dublin, em 1967, Agnes Browne precisa reorganizar sua vida após a morte repentina do marido. Com sete filhos para criar, ela enfrenta dificuldades financeiras e passa a vender frutas e verduras em um mercado de rua. No cotidiano, ela conta com o apoio constante de sua melhor amiga, com quem divide os desafios e pequenas alegrias do dia a dia. Aos poucos, Agnes também lida com novas possibilidades de relacionamento e com a tentativa de reconstruir sua estabilidade familiar. 


19h00 | Auditório MIS
"Um Misterioso Assassinato em Manhattan" ("Manhattan Murder Mystery", direção Woody Allen, 1993, EUA, 104 min, 12 anos) 
Carol começa a suspeitar que seu vizinho possa ter assassinado a própria esposa após a morte repentina da mulher. Enquanto seu marido considera a hipótese absurda, ela decide investigar o caso por conta própria. À medida que surgem comportamentos e acontecimentos cada vez mais estranhos, o casal passa a seguir pistas e observar os movimentos do suspeito. A investigação amadora acaba envolvendo amigos, desencontros e uma série de situações inesperadas em diferentes pontos de Manhattan. 


11 de julho, sábado
15h00 | Auditório MIS

"Inimigos: Uma História de Amor" ("Enemies, a Love Story", direção Paul Mazursky, 1989, EUA, 119 minutos, 14 anos)
Na Nova York do pós-guerra, um sobrevivente do Holocausto vive com a mulher polonesa que o ajudou a sobreviver durante a ocupação nazista. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento secreto com outra sobrevivente da guerra. Sua vida se complica ainda mais quando sua primeira esposa, que ele acreditava ter morrido durante o conflito, reaparece inesperadamente. Ele tenta conciliar as três relações e as consequências de suas escolhas. 


16h00 | Auditório LABMIS

"Crimes e Pecados" ("Crimes and Misdemeanors", direção Woody Allen, 1989, EUA, 104 minutos, 14 anos)
Um respeitado oftalmologista tem a vida mergulhada em uma crise quando sua amante ameaça revelar seu relacionamento extraconjugal à sua esposa. Paralelamente, um documentarista tenta concluir um filme enquanto enfrenta dificuldades profissionais e conjugais. As trajetórias dos dois homens se desenvolvem em paralelo, e, conforme suas escolhas produzem consequências inesperadas, ambos são obrigados a confrontar os próprios valores e responsabilidades. 


17h00 | Auditório MIS 
"Um Misterioso Assassinato em Manhattan" ("Manhattan Murder Mystery", dir
eção Woody Allen, 1993, EUA, 104 min, 12 anos) 
Carol começa a suspeitar que seu vizinho possa ter assassinado a própria esposa após a morte repentina da mulher. Enquanto seu marido considera a hipótese absurda, ela decide investigar o caso por conta própria. À medida que surgem comportamentos e acontecimentos cada vez mais estranhos, o casal passa a seguir pistas e observar os movimentos do suspeito. A investigação amadora acaba envolvendo amigos, desencontros e uma série de situações inesperadas em diferentes pontos de Manhattan. 


18h00 | Auditório Labmis 
"Jardins de Pedra" ("Gardens of Stone", direção Francis Ford Coppola, 1987, EUA, 111 minutos, 14 anos) 
Em plena Guerra do Vietnã, um sargento veterano do exército americano trabalha na unidade responsável pelos funerais militares. Impedido de acompanhar os jovens soldados enviados ao front, ele tenta orientá-los e protegê-los antes da partida. Paralelamente, desenvolve uma relação afetiva com uma jornalista idealista. 


19h00 | Auditório MIS 
"Os Imorais" ("The Grifters", direção Stephen Frears, 1990, EUA, 110 minutos, 16 anos) 
Um pequeno golpista vive aplicando fraudes de baixo risco. Após ser espancado durante uma tentativa de golpe, ele acaba sob os cuidados da mãe, uma operadora experiente no mundo das apostas e trapaças. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento com uma mulher que também vive de golpes e enganos. À medida que as três trajetórias se cruzam, surgem disputas de interesse, desconfiança e manipulação entre eles. 


12 de julho, domingo
15h00 | Auditório Labmis 

"Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", direção Wes Anderson, 2001, EUA, 110 min, 14 anos) 
Royal Tenenbaum se afasta da família após anos de convivência conturbada com sua esposa e seus três filhos prodígios. Anos depois, ele retorna à casa da família afirmando estar doente, tentando reaproximar-se dos filhos já adultos, cada um lidando com suas próprias frustrações e trajetórias interrompidas. A convivência forçada faz com que antigas tensões e ressentimentos venham à tona, fazendo-os confrontar o passado e suas relações.


17h00 | Auditório Labmis
 
"As Brumas de Avalon" ("The Mists of Avalon", direção Uli Edel, 2001, Alemanha/Rep. Tcheca/EUA, 183 minutos, 14 anos)
Em uma Bretanha dividida entre antigas tradições pagãs e o avanço do cristianismo, Morgana é criada na ilha de Avalon sob a orientação das sacerdotisas da religião ancestral. Enquanto o jovem Arthur ascende ao trono, as mulheres ao seu redor procuram influenciar os rumos do reino e preservar o equilíbrio político e espiritual da região. Ao longo dos anos, alianças, rivalidades e deveres familiares moldam o destino dos personagens. 

Serviço | Mostra Anjelica Huston 75 Anos
De 7 a 12 de julho de 2026
Auditório MIS e Auditório LABMIS
Ingresso: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Ingressos à venda na plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS
Classificação: de acordo com cada filme

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual.

.: Filme italiano “A Vida À Parte” constrói retrato íntimo sobre exclusão e afeto


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“A Vida À Parte” estreia plataforma de streaming Reserva Imovision  e traz de volta o olhar sensível de Marco Tullio Giordana para os conflitos íntimos que acontecem nas relações familiares. Conhecido por títulos como “A Melhor Juventude”, o diretor italiano aposta novamente em uma história que se expande no tempo para observar, com precisão, as marcas visíveis e invisíveis que moldam os personagens dele.

Ambientado na Itália dos anos 1980, o filme acompanha o nascimento de Rebecca (Beatrice Barison), filha de uma família rica e socialmente respeitada. A chegada da menina, marcada por uma extensa mancha vermelha no rosto, altera o equilíbrio da casa e expõe problemáticas que já existiam. A mãe, Maria (Valentina Bellè), vê as expectativas dela perante a filha ruírem, enquanto a relação com a cunhada Erminia (Sonia Bergamasco), pianista consagrada, ganha contornos cada vez mais tensos.

O roteiro, assinado por Marco Tullio Giordana, Marco Bellocchio e Gloria Malatesta, adapta o romance homônimo de Mariapia Veladiano e percorre cerca de duas décadas da vida da família Macola. Ao longo desse período, o filme alterna pontos de vista e desloca o protagonismo, primeiro centrado na mãe e depois na própria Rebecca, que cresce enfrentando rejeições, constrangimentos e uma constante sensação de inadequação.

A música surge como eixo de reconstrução. É por meio dela que Rebecca encontra alguma forma de pertencimento, em contraste com o ambiente doméstico rígido e marcado por expectativas sociais. Um detalhe curioso reforça essa dimensão: as atrizes Beatrice Barison, Sonia Bergamasco, Sara Ciocca e Viola Basso executam as peças ao piano em cena, sem dublês, o que confere autenticidade às sequências musicais.

Selecionado para o Festival de Locarno, o filme foi exibido fora de competição. Com fotografia de Roberto Forza e trilha assinada por Dario Marianelli, o longa-metragem constrói um ambiente visual elegante, em contraste com o desconforto que se instala dentro da casa. A direção de Giordana opta por um ritmo paciente, permitindo que os conflitos se revelem em gestos e olhares para discutir padrões de beleza, pertencimento e as pressões exercidas dentro do núcleo familiar.

Ficha técnica
“A Vida À Parte” | “La Vita Accanto” (título original) | “A Vida À Parte” (título em Portugal).

Gênero: drama. Duração: 114 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 8 de junho de 2026 (Brasil). Idioma: Italiano. Direção: Marco Tullio Giordana. Roteiro: Marco Tullio Giordana, Marco Bellocchio, Gloria Malatesta. Elenco: Beatrice Barison, Sonia Bergamasco, Paolo Pierobon, Valentina Bellè. Distribuição no Brasil: Imovision / Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Francis Ford Coppola resgata história real e apresenta “Tucker” ao streaming


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com
 
“Tucker: Um Homem e Seu Sonho” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte mostrando um retrato inquieto de um empreendedor que ousou enfrentar gigantes - e pagou o preço por isso. Dirigido por Francis Ford Coppola, o longa-metragem de 1988 recupera a trajetória real de Preston Tucker, figura carismática e obstinada vivida por Jeff Bridges, que tenta lançar um automóvel revolucionário no imediato pós-guerra norte-americano.

O filme acompanha a ascensão e a queda de Tucker, um inventor que acreditava na reinvenção da indústria automobilística. Seu modelo, o Tucker 48, trazia soluções que décadas depois se tornariam padrão: farol central que acompanhava curvas, para-brisa projetado para se desprender em impactos e um olhar incomum para a segurança dos passageiros. O entusiasmo do protagonista, aliado à sua habilidade de convencimento, mobiliza investidores e curiosos, mas também desperta a reação de um sistema pouco disposto a abrir espaço para um novato.

Coppola conduz a narrativa com energia e certa leveza, combinando drama biográfico com toques de humor e um ritmo que evoca cinejornais e peças publicitárias da época. A fotografia de Vittorio Storaro recria os anos 1940 com cores vibrantes e uma atmosfera quase nostálgica, enquanto a trilha de Joe Jackson reforça o espírito inventivo do protagonista. No elenco, Joan Allen interpreta Vera Tucker, porto seguro emocional do personagem, e Martin Landau - premiado com o Globo de Ouro - dá densidade ao empresário Abe Karatz.

A história por trás do filme é quase tão persistente quanto a de seu protagonista. Coppola desejava levar o projeto às telas desde os anos 1970, mas encontrou resistência dos estúdios, que viam a trama como pouco atraente comercialmente. A produção só se viabilizou com o apoio decisivo de George Lucas, produtor executivo e amigo do diretor, que utilizou o prestígio conquistado com “Star Wars” para destravar o financiamento. O resultado carrega também ecos pessoais: o pai de Coppola chegou a investir em um dos carros de Tucker, o que aproxima o diretor do universo que retrata.

Entre as curiosidades, o longa-metragem reúne nomes centrais da chamada “Nova Hollywood”. Martin Scorsese aparece em participação especial, e a própria parceria entre Coppola e Lucas transforma o filme em um encontro simbólico de cineastas que redefiniram o cinema americano nos anos 1970. Fora das telas, a história de Preston Tucker teve desdobramentos inesperados: após o fracasso de sua empresa nos Estados Unidos, ele chegou a planejar a produção de um novo carro no Brasil, projeto interrompido por sua morte precoce em 1956.

Com duração de 110 minutos, “Tucker: Um Homem e Seu Sonho” aposta no carisma de Jeff Bridges para sustentar uma narrativa sobre ambição, mercado e resistência. Ao revisitar esse episódio da história industrial americana, o filme encontra ressonância em discussões que permanecem atuais: o espaço para inovação, o peso das grandes corporações e os limites impostos a quem tenta romper estruturas consolidadas.

Ficha técnica
“Tucker: Um Homem e Seu Sonho” | “Tucker: The Man and His Dream” (título original) | (“Tucker - O Homem e o Seu Sonho”(Título em Portugal)
Gênero: drama biográfico. Duração: 110 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1988. Data de lançamento: 12 de agosto de 1988 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: Arnold Schulman e David Seidler. Elenco: Jeff Bridges, Joan Allen, Martin Landau, Elias Koteas, Frederic Forrest, Christian Slater. Distribuição no Brasil: Paramount Pictures. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

.: Filme “Uma Janela Suspeita” reabre um thriller subestimado dos anos 1980


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

“Uma Janela Suspeita” estreia chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  e recoloca em circulação um thriller que, à época do lançamento, dividiu a crítica, mas encontrou seu público com o passar dos anos. Dirigido por Curtis Hanson, que mais tarde assinaria “Los Angeles – Cidade Proibida”, o filme adapta o romance "The Witnesses", de Anne Holden, com roteiro do próprio Hanson em parceria com a autora.

A trama acompanha Terry Lambert (Steve Guttenberg), jovem executivo envolvido com Sylvia Wentworth (Isabelle Huppert), esposa de seu chefe. Durante um encontro no apartamento dele, Sylvia presencia, da janela do quarto, um ataque violento contra uma mulher, Denise (Elizabeth McGovern). Para evitar a exposição do caso extraconjugal, ela se cala. Terry decide mentir à polícia e se apresentar como testemunha ocular. O gesto, que pretende proteger, vira armadilha: ao menor sinal de inconsistência, ele passa a ser uma das suspeitas.

Hanson organiza a narrativa com ecos claros do suspense clássico, sobretudo na ideia da testemunha acidental e do homem comum empurrado para uma engrenagem maior do que ele. O espectador acompanha o modo como a mentira compromete cada movimento seguinte. O roteiro introduz Denise como peça decisiva, deslocando a dinâmica do filme e criando um jogo de alianças instável.

Há curiosidades de bastidores que ajudam a entender o resultado. A produção enfrentou mudanças logo na primeira semana de filmagens, com substituição de parte da equipe técnica por decisão do produtor Dino De Laurentiis. Curtis Hanson, por sua vez, insistiu na contratação do diretor de fotografia Gilbert Taylor, conhecido por trabalhos como “Star Wars”, o que contribui para o contraste entre luz e sombra que marca o filme. As locações em Baltimore reforçam essa atmosfera urbana de vigilância constante.

No elenco, Guttenberg foge do registro cômico que o popularizou nos anos 1980 e assume um protagonista acuado, em progressiva perda de controle. Isabelle Huppert, já consagrada no cinema europeu, imprime frieza e ambiguidade à personagem, enquanto Elizabeth McGovern sustenta a virada dramática com firmeza. O trio central garante tensão mesmo quando o roteiro força coincidências ou estica a verossimilhança.

Na recepção inicial, o filme teve avaliações mistas - parte da crítica apontou problemas de lógica na trama -, mas também reconheceu a habilidade de Hanson em manter o interesse por quase duas horas. Comercialmente, o longa recuperou seu orçamento e permaneceu entre os mais vistos nas primeiras semanas de exibição nos Estados Unidos. Hoje, costuma ser revisitado como um passo importante na trajetória do diretor, já interessado em personagens encurralados por escolhas equivocadas. Há ainda uma atualização em curso: um remake chegou a ser desenvolvido pela Blumhouse, com direção de Ben Young.

Ficha técnica
“Uma Janela Suspeita” | “The Bedroom Window” (título original) | “A Janela do Quarto” (título em Portugal)
Gênero: suspense policial, drama. Duração: 112 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 16 de janeiro de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Curtis Hanson. Roteiro: Curtis Hanson e Anne Holden (baseado no romance "The Witnesses"). Elenco: Steve Guttenberg, Elizabeth McGovern, Isabelle Huppert, Paul Shenar, Carl Lumbly, Wallace Shawn, Frederick Coffin, Brad Greenquist. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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quinta-feira, 2 de julho de 2026

.: “A Vingança de Uma Mulher” conduz jogo psicológico de desejo e crueldade



Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

“A Vingança de Uma Mulher” (“La Vengeance d'une femme”), dirigido por Jacques Doillon, está em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte. Lançado em 1990 e exibido na seleção oficial do 40º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o longa-metragem parte de uma premissa simples e incômoda: uma viúva decide confrontar a amante do marido morto e, nesse encontro, reorganizar sua dor como método. Cécile, vivida por Isabelle Huppert, procura Suzy, interpretada por Béatrice Dalle, em Paris após o suicídio do marido. Convencida de que a amante tem responsabilidade na morte, ela constrói um jogo de aproximação e pressão emocional, em que cada palavra parece calculada para desestabilizar. O filme acompanha esse movimento com rigor, apostando em diálogos longos, olhares que se sustentam além do conforto e uma encenação que privilegia a presença física das atrizes.

O roteiro, assinado por Doillon em parceria com Jean-François Goyet, dialoga com a literatura de Fiódor Dostoiévski, especialmente “O Eterno Marido”, obra que investiga ciúme, ressentimento e obsessão. Essa base literária se traduz em uma narrativa concentrada, quase teatral, em que o conflito se desenrola pelo atrito constante entre as personagens. Isabelle Huppert conduz o filme com precisão e controle, explorando as ambiguidades de uma mulher que alterna acolhimento e agressividade com naturalidade inquietante. Béatrice Dalle responde com uma presença mais instintiva, criando um contraste que sustenta a tensão ao longo das mais de duas horas de duração. O restante do elenco - que inclui Jean-Louis Murat, Laurence Côte e Sebastian Roché - orbita esse confronto central, reforçando a atmosfera de instabilidade.

Outro dado que chama atenção é a forma como Doillon organiza o espaço cênico. Há uma economia de cenários e uma concentração nos corpos e nas vozes, o que aproxima o filme de uma experiência teatral filmada, sem abrir mão de uma mise-en-scène rigorosa. Críticos da época destacaram justamente esse caráter metódico da encenação, em que a vingança se constrói passo a passo, como se cada gesto obedecesse a um plano previamente traçado. Com 133 minutos de duração, “A Vingança de uma Mulher” exige do espectador disposição para acompanhar um ritmo deliberadamente controlado. A recompensa está na densidade das interpretações e na forma como o filme transforma um encontro em campo de guerra. Décadas depois, a obra permanece como um estudo incisivo sobre desejo, culpa e as formas silenciosas de violência que atravessam as relações íntimas.


Ficha técnica
“A Vingança de uma Mulher” | “La Vengeance d'une femme” (título original)
Gênero: drama. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1990. Idioma: francês. Direção: Jacques Doillon. Roteiro: Jacques Doillon e Jean-François Goyet, com base em “O Eterno Marido”, de Fiódor Dostoiévski. Elenco: Isabelle Huppert, Béatrice Dalle, Jean-Louis Murat, Laurence Côte, Sebastian Roché, David Léotard, Albert Le Prince, Brigitte Marvine, Pierre Amzallag, Jean-Pierre Bamberger. Distribuição no Brasil: não especificada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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