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terça-feira, 23 de junho de 2026

.: Crítica: "Toy Story 5" aborda realidade provocando a emoção do público

Cartaz de "Toy Story 5"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Quem poderia imaginar que a história dos brinquedos do pequeno Andy ganhariam tantos capítulos, ou melhor, tantos desdobramentos a ponto de ter cinco sequências? Eis que em junho de 2026 nas telas de cinema está em cartaz "Toy Story 5" presenteando o público com duas cenas pós-créditos. Uma que funciona como complemento do desfecho, enquanto que a última é uma número musical dos brinquedos.

Sem Andy, toda a história acontece em torno da pequena Bonnie, a garotinha que herdou todos os brinquedos do jovem que foi para universidade. Ainda encantada como o universo da imaginação, ela cria situações diversas, mas quando tenta um contato com os irmãos gêmeos da casa vizinha, é tomada pela timidez.

Assim, a vaqueira Jessie segue como a dona do coração da menina que também faz a boneca ser par romântico do astronauta Buzz Lightyear (é bom se preparar para uma invasão massiva do herói, gerando boas sequências e risadas). Sem amigos e muito envergonhada, surge uma tábua de salvação para que Bonnie crie elos com seus amigos: o eletrônico Lilypad, um tablet tecnológico que acaba assumindo o posto de vilã da trama.

Contudo, "Toy Story" mergulha na realidade do isolamento social em que todos se "conhecem" sem se ver e realmente conversar, reforçando o quanto Bonnie continua sem amigas mesmo tendo uma Lilypad e passando por uma festa do pijama com as meninas que nunca lhe deram bola. Em tempo, a cena de Bonnie mostrando o tablet para as "amigas" faz lembrar a de Lilo mostra a Xepa para as garotas em "Lilo & Stitch". Embora sejam situações distintas, o desinteresse das meninas pela garotinha e seu item termina quase que igual.

Desta vez, o foco da trama de "Toy Story" está no isolamento e o medo do abandono, refletido não somente em Bonnie, mas também em Jessie. Aliás, o peso da carga emocional vem também da vaqueira que recorda da primeira dona, a garota Emily. Por obra do destino, a boneca faz um volta ao passado que  agora está alterado e um pouco modernizado. No entanto, tal arco na trama se faz importante para  que Bonnie alcance o maior objetivo: fazer amizade.

Com o vibrante e encantador colorido Disney "Toy Story 5" emociona ao entrelaçar a história de Bonnie e Jessie, resgata Woody e Betty Bop para dar uma forcinha e solucionar um problema, traz o Garfinho agora casando, enquanto insere novos personagens, como por exemplo, o incrivelmente divertido Amigo Rolinho e, com sabedoria faz refletir ao chamar a atenção do público a respeito das conturbadas e distantes relações atuais. Imperdível!


"Toy Story 5" (Toy Story 5). Gênero: Animação, Comédia e Aventura. Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris. Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris. Duração: 1h 40 minutos. Classificação Indicativa: 6 anos. Distribuição: Walt Disney Pictures. Elenco: Woody: Tom Hanks (EUA) / Marco Ribeiro (BR), Buzz Lightyear: Tim Allen (EUA) / Guilherme Briggs (BR), Jessie: Joan Cusack (EUA) / Mabel Cezar (BR), Lilypad (O Tablet - Vilã): Greta Lee (EUA) / Maisa Silva (BR), Amigo Rolinho: Conan O'Brien (EUA) / Rafael Infante (BR). Sinopse: O trabalho de Buzz, Woody, Jessie e do resto da turma fica exponencialmente mais difícil quando eles enfrentam uma nova ameaça na hora da brincadeira.

Trailer de "Toy Story 5"




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segunda-feira, 22 de junho de 2026

.: Clássico, "O Império dos Sentidos" reacende debate sobre sexo e poder


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Entre os filmes mais vistos da plataforma de streaming Reserva Imovision, o drama erótico “O Império dos Sentidos” ainda testa os limites do olhar. Lançado originalmente em 1976, o filme dirigido por Nagisa Ôshima volta vem sendo redescoberto pela nova geração e confirma a vocação de colocar os espectadores em um lugar incômodo. Ambientado no Japão de 1936, o longa-metragem acompanha Sada Abe (Eiko Matsuda), ex-prostituta que passa a trabalhar como empregada na hospedaria de Kichizō Ishida (Tatsuya Fuji). A relação entre os dois cresce rápido, alimentada por desejo, posse e um impulso que não encontra freio. O que poderia ser apenas mais uma história de paixão se transforma em um mergulho radical na obsessão, conduzido até um desfecho que a própria história real já havia tornado célebre.

Ôshima, figura central da nouvelle vague japonesa, concebeu o projeto em parceria com o produtor francês Anatole Dauman, conhecido por trabalhos com Alain Resnais e Jean-Luc Godard. A coprodução entre Japão e França foi a saída encontrada para contornar a censura japonesa, que à época impunha cortes severos à representação do corpo e da sexualidade. Filmado no Japão e finalizado na França, o longa chegou ao público sem fazer nenhum tipo de concessão, o que explica tanto a notoriedade do filme quanto a série de proibições que a produção enfrentou ao redor do mundo.

A repercussão em Cannes, em 1976, dá a medida do impacto. A procura foi tamanha que o festival organizou sessões extras para dar conta do público. A curiosidade vinha acompanhada de escândalo: tratava-se de um filme com cenas de sexo explícito integradas à narrativa, algo raro no circuito de prestígio. Nos anos seguintes, “O Império dos Sentidos” seria banido em diversos países, enquanto outros o liberariam pouco depois, já sem cortes. No Japão, o próprio Ôshima enfrentou um processo judicial, encerrado apenas em 1982, com a absolvição dele.

O roteiro, também assinado por Ôshima, parte de depoimentos reais de Sada Abe, registrados pela polícia, e de relatos que circularam após o crime. A escolha dá ao filme uma base documental que contrasta com a encenação rigorosa. Cada gesto, cada repetição, cada deslocamento entre os corpos é pensado como parte de uma construção dramática que dispensa ornamentos. O diretor elimina distrações e concentra a ação em poucos espaços, criando um clima de confinamento que acompanha a escalada da relação.

Eiko Matsuda, vinda do teatro experimental, sustenta o filme com uma presença que oscila entre fragilidade e domínio. A personagem dela conduz o ritmo da relação, deslocando o eixo tradicional do olhar no cinema erótico. Tatsuya Fuji, por sua vez, compõe um parceiro que se entrega por completo, num jogo que se intensifica a cada cena. O que se vê é a insistência de um desejo levado até as últimas consequências.

A fotografia e o uso das cores dialogam com tradições visuais japonesas, especialmente o teatro kabuki. Tons de vermelho atravessam figurinos e objetos, marcando o ambiente e sugerindo uma tensão constante. Cada elemento parece colocado para amplificar o que está em cena. Reduzir “O Império dos Sentidos” a rótulos simplistas empobrece a experiência. O filme se constrói como um estudo sobre controle, entrega e destruição, articulando corpo e poder de maneira direta e que ainda desafia convenções e incomoda expectativas.

Quase cinquenta anos depois, a obra mantém sua capacidade de dividir plateias. Há quem veja ali um marco do cinema moderno; há quem rejeite o filme pela forma como expõe seus personagens. Entre uma reação e outra, permanece um trabalho que insiste em ser visto, discutido e reavaliado — e que, ao reaparecer em circuito, reafirma a força de um cinema que não se acomoda.

Ficha técnica
“O Império dos Sentidos” | “Ai no Korîda” (título original)
Gênero: drama erótico. Duração: 109 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1976. Idioma: Japonês. Direção: Nagisa Ôshima. Roteiro: Nagisa Ôshima. Elenco: Eiko Matsuda, Tatsuya Fuji, Aoi Nakajima, Yasuko Matsui, Meika Seri, Taiji Tonoyama. Distribuição no Brasil: Imovision (catálogo e relançamentos). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Suspense de 1956, "A Sombra" retorna para provocar novas leituras


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Produzido durante o chamado “degelo” político na Polônia, quando a censura afrouxava discretamente, “A Sombra” encontrou terreno para lidar com temas delicados. O filme chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um título que precisa ser redescoberto. Dirigido por Jerzy Kawalerowicz e escrito por Aleksander Ścibor-Rylski, o longa-metragem polonês de 1956 parte de um corpo lançado de um trem para construir um enigma difícil de ser decifrado. A investigação conduzida por policiais, agentes de segurança e um legista se fragmenta em três versões, situadas em momentos distintos: a Segunda Guerra Mundial, o imediato pós-guerra e a Polônia dos anos 1950. O filme, que tem no elenco os atores Zygmunt Kęstowicz, Adolf Chronicki e Tadeusz Jurasz, organiza o suspense a partir de relatos que se contradizem e se contaminam. Cada depoimento desloca o espectador, que passa a lidar com identidades instáveis e intenções ambíguas. 

A estrutura lembra o jogo de perspectivas popularizado por “Rashomon”, de Akira Kurosawa, mas Kawalerowicz prefere expandir o dispositivo: em vez de revisitar um único acontecimento, ele costura histórias que ecoam entre si, criando uma espécie de mosaico moral. A pergunta sobre quem foi o homem morto se transforma, aos poucos, em outra: o que define alguém em um cenário de vigilância, medo e lealdades frágeis? A câmera de Jerzy Lipman aposta em enquadramentos fechados e ângulos baixos, valorizando rostos tensos e ambientes carregados. O filme avança com movimento, perseguições e sequências envolvendo trens que imprimem ritmo e risco. Em algumas dessas cenas, os próprios atores dispensaram dublês.

Críticos da época reagiram com desconfiança ao retrato de um mundo povoado por agentes secretos e inimigos invisíveis, leitura que dialogava com o imaginário do stalinismo. O filme, no entanto, segue por outra via e expõe a fragilidade das certezas: heroísmo e traição mudam conforme o ponto de vista. Exibido no Festival de Cannes de 1956, o longa-metragem integra o movimento conhecido como Polish Film School, responsável por renovar a linguagem cinematográfica no país ao abordar as consequências da guerra com maior liberdade estética e densidade moral. Kawalerowicz, que mais tarde assinaria obras como “Madre Joana dos Anjos” e “Faraó”, já demonstrava aqui um domínio formal que chamaria atenção fora da Polônia, ainda que a filmografia dele permaneça menos difundida do que merece.


Ficha técnica
“A Sombra” | "Cień" (título original)
Gênero: drama, ação, suspense. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: não informada.
Ano de produção: 1956. Idioma: polonês. Direção: Jerzy Kawalerowicz. Roteiro: Aleksander Ścibor-Rylski. Elenco: Zygmunt Kęstowicz, Adolf Chronicki, Tadeusz Jurasz, Emil Karewicz, Ignacy Machowski, Bolesław Płotnicki, Bohdan Ejmont, Marian Łącz, Halina Przybylska, entre outros.
Distribuição no Brasil: não informada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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domingo, 21 de junho de 2026

.: “Muito Mais que um Crime” reafirma o vigor político de Costa-Gavras


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Lançado em 1989, “Muito Mais que um Crime” reestreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte com a assinatura firme de Costa-Gavras, cineasta que construiu carreira investigando as zonas de atrito entre poder, memória e justiça. Nesse filme, ele conduz um drama judicial que se move com tensão de thriller, sem recorrer a excessos formais, sustentado por um roteiro que prefere a revelação gradual ao choque fácil. A trama acompanha Ann Talbot (Jessica Lange), advogada respeitada que aceita defender o próprio pai, Mike Laszlo (Armin Mueller-Stahl), acusado de ter participado de crimes de guerra na Hungria durante a Segunda Guerra Mundial. 

O que começa como um gesto de lealdade familiar se transforma em um percurso incômodo, à medida que o tribunal expõe testemunhos, documentos e informações que colocam em xeque a imagem construída dentro de casa. O roteiro de Joe Eszterhas, inspirado em experiências pessoais - o pai dele foi acusado de colaboração com o regime nazista -, evita simplificações e constrói um embate moral que não se resolve com facilidade. A escrita aposta na ambiguidade e sustenta o conflito central: até onde vai a fidelidade a alguém quando a verdade ameaça desmoronar tudo o que se acreditava sólido? 

Jessica Lange conduz o filme com uma atuação de alta voltagem emocional, reconhecida com indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Sua Ann oscila entre convicção e dúvida, sem perder a densidade. Ao seu lado, Armin Mueller-Stahl compõe um pai que alterna afeto, orgulho e um jeito difícil de decifrar, elemento essencial para manter a tensão em cena. O elenco conta ainda com Frederic Forrest e Lukas Haas, reforçando um conjunto que sustenta o peso dramático sem dispersão.

Premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, o longa-metragem confirma a habilidade de Costa-Gavras em tratar temas espinhosos com firmeza na condução da história. Conhecido por títulos como “Z” e “Missing”, o diretor retoma aqui o interesse por estruturas de poder e pelas marcas que a história deixa nos indivíduos, sem recorrer a discursos didáticos. O julgamento funciona como motor dramático, mas o filme cresce nos momentos em que desloca o foco para o impacto íntimo das descobertas.

Há também um detalhe simbólico que marca a narrativa: a caixa de música do título original (“Music Box”). O objeto, aparentemente inofensivo, guarda pistas que se revelam decisivas. A escolha do nome não é gratuita e aponta para a ideia de memória guardada e, em algum momento, exposta. Entre as curiosidades, nomes como Kirk Douglas e Walter Matthau foram cogitados para o papel de Mike Laszlo, mas Costa-Gavras optou por Mueller-Stahl, cuja origem europeia acrescenta autenticidade ao personagem. Também se comenta que Jane Fonda chegou a ser considerada para o papel de Ann, antes da escolha por Jessica Lange.

Sem recorrer a grandes manobras estéticas, “Muito Mais que Um Crime” aposta na força da narrativa e na densidade de seus conflitos. O filme mantém o espectador atento até o desfecho, quando as peças finalmente se encaixam. O impacto não vem de um truque, mas daquilo que sempre esteve ali, à espera de ser encarado.


Ficha técnica
“Muito Mais que um Crime” | “Music Box” (título original) | “O Enigma da Caixa de Música” (título em Portugal)
Gênero: drama, suspense. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 13 anos. Ano de produção: 1989. Idioma: inglês. Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Joe Eszterhas. Elenco: Jessica Lange, Armin Mueller-Stahl, Frederic Forrest, Lukas Haas, Donald Moffat. Distribuição no Brasil: não especificada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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sábado, 20 de junho de 2026

.: Crítica: "Uma Infância Alemã" é história de amadurecimento e devoção


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Em busca de realizar o desejo da mãe, garotinho Nanning (Jasper Billerbeck) descobre que além do rio há uma realidade ainda mais cruel e capaz de fazê-lo romper a inocência diante da escassez de itens comuns como a farinha de trigo, por exemplo. Ambientado na primavera de 1945, "Uma Infância Alemã" (Amrum), apresenta uma aventura épica na ilha isolada de Amrum, no Mar do Norte.

O drama que acontece ainda nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial, leva o menino de 12 anos que aguarda o retorno do pai do front, a protagonizar uma verdadeira jornada do herói com uma trajetória emocionante, que o faz caçar focas, pescar à noite, trabalhar no campo para sustentar a mãe grávida e até o faz cair no erro de cometer alguns delitos. 

O longa exibido no Festival de Cinema Europeu IMOVISION 2026, baseado em memórias reais que pincelam o fim da guerra e segredos familiares profundos, entrega uma perspectiva emocional e psicológica sobre a Segunda Guerra Mundial. Logo, "Uma Infância Alemã" é um retrato delicado sobre o amadurecimento diante da realidade, assim como o impacto do fascismo e do trauma por meio dos olhos de uma criança criada dentro da ideologia nazista.

"Uma Infância Alemã" (Amrum). Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich. 


Trailer de "Uma Infância Alemã"


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.: Longa “The Doors” expõe excessos e controvérsias sobre Jim Morrison


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Oliver Stone nunca teve vocação para a neutralidade. Isso aparece com força em “The Doors”,  cinebiografia em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, e tenta capturar sem muita delicadeza o furacão chamado Jim Morrison. Lançado em 1991, o longa-metragem sempre foi embalado por expectativas altas, sustentadas pelo mito da banda que ajudou a redefinir os limites do rock e da contracultura norte-americana no fim dos anos 1960.

No centro de tudo está Val Kilmer, em uma atuação que beira o transe. Há relatos de que ele aprendeu cerca de 50 músicas do repertório da banda, cantando boa parte delas no próprio filme. Em estúdio, a voz dele chegou a confundir até integrantes originais do grupo, tamanha a precisão. O nível de dedicação cobrou um preço, já que o ator precisou de terapia ao final das filmagens para se desligar do personagem.

A narrativa acompanha Morrison desde os tempos de estudante de cinema na UCLA até a ascensão meteórica com o The Doors, passando por excessos, crises criativas e a espiral autodestrutiva que culminaria na morte precoce dele, aos 27 anos, em Paris. Stone aposta no hedonismo, no caos e em uma aura quase mística que transforma o vocalista no chamado “Rei Lagarto”. O elenco sustenta essa atmosfera com eficiência. 

Meg Ryan surpreende ao abandonar a imagem de comédias românticas para viver Pamela Courson, companheira de Morrison. Kyle MacLachlan, como Ray Manzarek, traz uma presença mais contida, enquanto Kevin Dillon (John Densmore) e Frank Whaley (Robby Krieger) completam a formação da banda. Entre participações curiosas, Billy Idol aparece como Cat, e Crispin Glover surge como Andy Warhol, em um retrato breve, mas marcante.

O roteiro, assinado por Stone em parceria com J. Randall Jahnson, opta por uma construção fragmentada, quase alucinada, que privilegia sensações em vez de fidelidade histórica. Integrantes da banda, especialmente Manzarek e Densmore, criticaram publicamente o filme por reduzir Morrison a um arquétipo de excessos, ignorando a inteligência, humor e inquietação intelectual dele. 

Décadas depois, o consenso permanece instável: o filme oscila entre documento cultural e fantasia estilizada. Mesmo com as controvérsias, a bilheteria superou ligeiramente o custo de produção, e o filme acabou consolidando uma imagem duradoura de Morrison para gerações que não o viram ao vivo. Para muitos, o Jim Morrison de Kilmer virou referência, o que, por si só, explica parte do incômodo dos músicos originais.

Curiosamente, o papel quase teve outro destino. Ian Astbury, vocalista do The Cult, recusou o convite por discordar da abordagem do roteiro. Nomes como Bono e Michael Hutchence também demonstraram interesse, mas não avançaram. A escolha por Kilmer, hoje, parece inevitável. Selecionado para o Festival de Moscou em 1991 e revisitado anos depois na seção Cannes Classics, o filme segue provocando debate. Stone entrega um retrato intenso, por vezes exagerado, que transforma a trajetória da banda em uma experiência sensorial. Há momentos em que a encenação se sobrepõe ao fato, mas a energia permanece.


Ficha técnica
“The Doors” | “The Doors: O Mito de uma Geração” (título em Portugal)
Gênero: Musical, biográfico. Duração: 141 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1991. Idioma: inglês. Direção: Oliver Stone. Roteiro: Oliver Stone e J. Randall Jahnson. Elenco: Val Kilmer, Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Kevin Dillon, Frank Whaley, Kathleen Quinlan, Billy Idol, Crispin Glover, entre outros. Distribuição no Brasil: Columbia Pictures (Sony Pictures). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Filme “Caso 137” revisita protestos e questiona o papel da polícia


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O drama “Caso 137” estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision com a assinatura firme do diretor alemão radicado na França Dominik Moll, que volta ao território policial depois do premiado "A Noite do Dia 12". Nesse novo longa-metragem, ele afina ainda mais o olhar para os mecanismos internos da polícia francesa ao acompanhar uma investigação conduzida por quem deveria vigiar a própria instituição: a IGPN, conhecida como “a polícia da polícia”.

A trama segue Stéphanie Bertrand (Léa Drucker), encarregada de apurar o caso de um jovem gravemente ferido durante um protesto em Paris. O episódio remete diretamente às manifestações dos coletes amarelos, entre 2018 e 2020, quando denúncias de uso excessivo da força ganharam repercussão internacional. O roteiro, assinado por Moll em parceria com Gilles Marchand, parte de um evento fictício, mas reproduz situações reais amplamente documentadas pela imprensa europeia, incluindo casos de manifestantes atingidos por balas de borracha, prática questionada por organismos de direitos humanos.

O filme teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2025, onde disputou a Palma de Ouro e arrancou aplausos prolongados na sessão oficial. Depois, seguiu um percurso consistente em festivais e premiações, acumulando indicações importantes e consolidando o nome de Léa Drucker como peça central do projeto. A atriz foi reconhecida com o César de Melhor Atriz, reforçando o consenso crítico em torno da interpretação contida e precisa que ela entrega nesse filme.

Moll conduz a narrativa com rigor que lembra o documental. A câmera observa mais do que intervém, insistindo em salas de interrogatório, relatórios burocráticos e depoimentos que raramente se encaixam. Há um interesse claro em expor o funcionamento do sistema por dentro, sem atalhos dramáticos. O que se vê é um acúmulo de versões, tensões institucionais e pequenas fissuras que revelam o desgaste de uma estrutura que deveria garantir justiça, mas frequentemente se protege.

A investigação ganha densidade quando o caso deixa de ser apenas um número. A ligação pessoal da protagonista com a origem da vítima desloca o eixo do filme e coloca em jogo dilemas que não cabem em protocolos. Stéphanie não se transforma em heroína clássica; segue trabalhando, lidando com a rotina e negociando limites. Esse desenho evita idealizações fáceis e sustenta um retrato mais próximo da experiência concreta de quem opera dentro da máquina pública.

Outro ponto que chama atenção é a recusa em simplificar o conflito. O roteiro distribui responsabilidades e tensões entre diferentes lados: policiais pressionados, testemunhas desconfiadas, famílias feridas e um aparato jurídico que se move com lentidão Nos bastidores, em Cannes, o ator Théo Navarro-Mussy foi impedido de participar do tapete vermelho após acusações de violência sexual - decisão apoiada pela organização do festival e compreendida publicamente por Moll. O episódio acabou desviando parte da atenção midiática, ainda que não tenha afetado a recepção crítica do longa.

“Caso 137” trabalha com a frustração de processos que avançam sem necessariamente produzir respostas satisfatórias. A trilha discreta de Olivier Marguerit acompanha esse tom, quase imperceptível, deixando que o peso recaia sobre os diálogos e as lacunas institucionais, aquelas que se impõem pela impossibilidade de conclusão. O filme é um retrato incômodo de um sistema que investiga a si mesmo, encontra limites para agir e, ainda assim, falha.


Ficha técnica
“Caso 137” | “Dossier 137” (título original) | “Dossiê 137” (título em Portugal)
Gênero: policial, drama. Duração: 1h56min. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção: Dominik Moll. Roteiro: Dominik Moll e Gilles Marchand. Elenco: Léa Drucker, Jonathan Turnbull, Mathilde Roehrich, Guslagie Malanda, Stanislas Merhar. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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sexta-feira, 19 de junho de 2026

.: No streaming, “Betty Blue” convoca o público a encarar a vertigem


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

A cópia restaurada de “Betty Blue” devolve ao circuito um filme que nunca se acomodou no passado. Dirigido e roteirizado por Jean-Jacques Beineix, a partir do romance de Philippe Djian, o longa-metragem reaparece em versão remasterizada para celebrar quatro décadas de um impacto que não se dilui. A estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte recoloca em evidência uma obra que mistura desejo, criação artística e vertigem emocional. O filme volta embalado por uma restauração em alta definição que valoriza as cores saturadas.

Na história, Zorg (Jean-Hugues Anglade) leva uma vida modesta à beira-mar até a chegada de Betty (Béatrice Dalle), uma mulher que desestabiliza tudo ao redor dela. O romance entre os dois avança de maneira intensa, física e instável. Entre mudanças de cidade, empregos improvisados e a tentativa de transformar um manuscrito em livro publicado, o casal se move por impulsos que os aproximam e, ao mesmo tempo, anunciam um término inevitável. O filme observa esse percurso sem freio moral e mostra o que acontece quando o amor e o descontrole caminham juntos.

Lançado originalmente em 1986, “Betty Blue” foi o oitavo maior sucesso de bilheteria na França naquele ano e alcançou reconhecimento internacional com indicação ao Oscar e ao BAFTA de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A trilha de Gabriel Yared, hoje amplamente reconhecida, ajuda a sustentar a atmosfera sensorial que marcou o cinema francês dos anos 1980, especialmente o chamado “cinema do look”, ao qual Beineix é frequentemente associado.

Há bastidores que ampliam a experiência de quem revisita o longa. As filmagens ocorreram ao longo de 13 semanas em locações como Gruissan, Marselha e Marvejols, explorando paisagens que alternam o solar e o melancólico. Beineix comentou, em entrevistas, que a química entre Béatrice Dalle e Jean-Hugues Anglade ultrapassava a encenação - uma energia que se infiltra em cena e ajuda a explicar a combustão do casal. Décadas depois, a versão do diretor, com cerca de 185 minutos, ganhou circulação ampliada e aprofunda a espiral de Betty, além de expandir o arco de Zorg.


“Betty Blue” | “37°2 Le Matin” (título original) | “Betty Blue – 37,2º de Manhã” (título em Portugal)
Gênero: drama, romance, erótico, psicológico. Duração: 120 minutos (versão original); 185 minutos (versão do diretor). Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1986. Idioma: francês. Direção: Jean-Jacques Beineix. Roteiro: Jean-Jacques Beineix, baseado no romance de Philippe Djian. Elenco: Béatrice Dalle, Jean-Hugues Anglade, Gérard Darmon, Consuelo de Haviland, Clémentine Célarié, Jacques Mathou, Vincent Lindon, entre outros. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Longa francês, “E Seus Filhos Depois Deles” expõe juventude à deriva


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“E Seus Filhos Depois Deles” chega na plataforma de streaming Reserva Imovision carregando o peso de uma origem literária premiada e o fôlego de uma adaptação ambiciosa. Dirigido pelos irmãos Ludovic e Zoran Boukherma, o longa francês transforma o romance homônimo de Nicolas Mathieu - vencedor do Prix Goncourt - em uma narrativa de formação.

Ambientado no leste da França, entre 1992 e o fim da década, o filme acompanha Anthony (Paul Kircher) e seus arredores ao longo de quatro verões que moldam sua passagem da adolescência à vida adulta. O ponto de partida é simples: tédio, um lago, uma garota. O que se segue, porém, é um encadeamento de escolhas impulsivas que escancaram tensões familiares, disputas de território e um sentimento difuso de estagnação social. 

Os Boukherma filmam esse universo com olhar atento ao detalhe cotidiano. A fotografia de Augustin Barbaroux encontra beleza nas ruínas industriais e na pele suada dos personagens, enquanto a trilha sonora mergulha nos anos 1990 com precisão afetiva, costurando referências que vão do pop ao rock da época. Com financiamento robusto, incluindo parcerias com grandes players europeus, o filme percorre diferentes locações e períodos, mantendo uma coerência estética que dialoga com o realismo do livro.

Exibido na competição do Festival de Veneza, “E Seus Filhos Depois Deles” rendeu a Paul Kircher o Prêmio Marcello Mastroianni, dedicado a jovens atores promissores. O reconhecimento reforça a aposta do filme em um elenco que equilibra nomes experientes, como Gilles Lellouche e Ludivine Sagnier, com rostos em ascensão. Há ainda participações que ampliam o interesse do público atento ao cinema francês contemporâneo, como Raphaël Quenard.

Ao adaptar um romance marcado por sua densidade social, os Boukherma optam por uma narrativa que privilegia a memória sensorial da juventude: o calor, o desejo, a frustração. Nem sempre o resultado alcança a complexidade do texto original, mas há consistência na maneira como o filme constrói seu retrato de uma geração que cresce entre promessas quebradas e horizontes estreitos.

Ficha técnica
“E Seus Filhos Depois Deles” | “Leurs Enfants Après Eux” (título original) | “Os Seus Filhos Depois Deles” (título em Portugal)
Gênero: drama. Duração: 2h21min. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2024. Idioma: francês. Direção: Ludovic Boukherma e Zoran Boukherma. Roteiro: Ludovic Boukherma, Zoran Boukherma, Nicolas Mathieu. Elenco: Paul Kircher, Angelina Woreth, Sayyid El Alami, Gilles Lellouche, Ludivine Sagnier. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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terça-feira, 16 de junho de 2026

.: Crítica: "Backrooms: Um Não Lugar" faz refletir sobre "eus"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Suspense psicológico "Backrooms: Um Não Lugar" promove encontros de "eus" de modo criativo e bastante assustador. No longa de ficção científica tudo começa com um paciente, dono de uma loja de móveis, Clark (Chiwetel Ejiofor, de "12 Anos de Escravidão³"), e uma psicóloga, Mary Kline (Renate Reinsve, de"Valor Sentimental"), em uma consulta profissional.

Bem acomodados, tudo segue dentro do habitual, até que a doutora pede para que o cliente simule que ela é a "ex" dele. Apesar da relutância, a encenação acontece, porém o "faz-de-conta" vai muito além, a ponto de ser a ponta do iceberg que é desenvolvido na profunda trama que vai além das aparências, esbarra na perda de referências, da noção de tempo e espaço.

Com direção de Kane Parsons (websérie  "Backrooms"), jovem cineasta e YouTuber norte-americano que ganhou notoriedade na internet com curtas de terror e animação, que chegou a Hollywood, como o diretor mais jovem da produtora A24, o longa de 1 hora e 50 minutos de duração provoca reflexões diversas. De fato, Backrooms é uma lenda urbana digital (creepypasta) sobre uma dimensão paralela infinita, formada por corredores labirínticos vazios, paredes amareladas e luzes.

A produção cinematográfica costura todo um jogo de sentidos enquanto assusta e desperta a mente buscando alternativas para sair de um espaço que tecnicamente não existe. A provocante viagem mental de "Backrooms: Um Não Lugar" acontece numa arquitetura infinita e corredores vazios, representando uma crítica existencial profunda ao isolamento moderno, ao capitalismo e às armadilhas da psique humana em meio à repetição do cotidiano. Imperdível!

"Backrooms: Um Não Lugar" (Backroom). Gênero: Terror, Ficção Científica e Suspense Psicológico. DireçãoKane Parsons. Roteiro: Will Soodik. Duração: 1h 50 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Imagem Filmes. Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell e Avan Jogia. Sinopse: Em 1990, o vendedor de móveis Clark descobre em sua loja um portal para os Backrooms. Fascinado e obcecado por mapear as anomalias do labirinto infinito de escritórios amarelados, ele acaba desaparecendo no local. A sua terapeuta, Dra. Mary Kline, mergulha na dimensão impossível para resgatá-lo, sendo forçada a confrontar seus próprios traumas e os horrores dos espaços vazios.

Trailer de "Backrooms: Um Não Lugar"



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terça-feira, 9 de junho de 2026

Crítica: "Todo Mundo em Pânico 6" é deboche saudosista imperdível



Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


A volta dos irmãos Wayans no controle do roteiro da franquia de deboche "Todo Mundo em Pânico", que chega ao sexto filme, é recheada de críticas divertidas e pesadas. Desde as bobeiras sem sentido da internet como o "six seven", até altas lições de pura consciência sobre os absurdos naturalizados da atualidade, incluindo o preconceito racial muito bem representados pelos grandes nomes da franquia Cindy (Anna Faris, de "Casa das Coelhinhas") e Brenda (Regina Hall, de "Uma Batalha Após a Outra").

Ver "Todo Mundo em Pânico 6" dirigido por Michael Tiddes ("Inatividade Paranormal" e "Cinquenta Tons de Preto"), na telona do cinema, resgatando o tempero perfeito da comédia mesclada a paródias de importantes produções, como os indicados e vencedores do Oscars 2026, "Pecadores""Uma Batalha Após a Outra". Sendo que o segundo filme abocanhou seis estatuetas, entre elas a de "Melhor Filme", e divide a atuação da atriz Teyana Taylor, que, na comédia entrega tudo com uma barriga tanquinho de entortar a faca do Ghostface enquanto empunha o Globo de Ouro com poder. 

O longa é uma verdadeira explosão de nostalgia durante 1 hora e 36 minutos de duração. Ao promover encontros e reencontros, com roteiro de Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez, volta à raiz. Ao colocar  Teyana como a primeira garota do sexto longa, resgata que Carmen Electra foi a primeira das garotas quando atendeu o telefonema do Ghostface em "Todo Mundo em Pânico" (2000), sendo perseguida pelo jardim de casa e tem o silicone retirado.

Sem esconder a fórmula da franquia, "Todo Mundo em Pânico 6" a segue com muita acidez e promove o resgate de personagens clássicos como o quarteto Cindy, Brenda, Ray (Shawn Wayans, de "As Branquelas") e Shorty (Marlon Wayans, de "GOAT"), além de reintegrar o elenco com Greg (Lochlyn Munro, de "As Branquelas"), Gail (Cheri Oteri), Doofy (Dave Sheridan, de "O Pequenino"). Até o ex de Cindy, Bobby (Jon Abrahams, de "A Casa de Cera") e o mordomo Hanson (interpretado pelo comediante Chris Elliott), conhecido como o Mãozinha, retornam. Sabiamente, o sexto filme abre espaço para discutir e criticar as escolhas tomadas dentro da própria franquia de paródias irônicas.

Em meio ao elenco estelar de "Todo Mundo em Pânico 6" há novidades. Assim como alguns filmes do gênero terror encontraram uma saída para dar um novo fôlego, "Todo Mundo em Pânico 6" também apresenta os filhos dos sobreviventes que agora estão na mira do grande vilão da trama. Surge na história Waldinha ou Tuesday, não Wandinha ou Wednesday como em "Família Addams" (Savannah Lee Nassif), uma das duas filhas adotas de Cindy Campbell, assim como Sara (Olivia Rose Keegan). 

Criticando o medo moderno de ser cancelado e a patrulha ideológica da internet, o comportamento das pessoas nas redes sociais, retratando o vício em internet como uma "doença crônica", cutuca ainda a política abusiva de Trump e a função efetiva do ICE. "Todo Mundo em Pânico 6" ironiza até a onda de filmes de terror intelectuais ou "cult", abraçando abertamente a chacota e os clichês óbvios.

Resgatando os personagens marcantes da franquia e com grande elenco, "Todo Mundo em Pânico 6"  diverte, mas dá um recado maior dado e reforça que os personagens matrizes não podem ser substituídos, nem mesmo por seus filhos. De fato, não é a nova geração que entrega saudosismo, mas os coroas. A autocrítica também marca presença quando debate na telona os desvios nas tramas da franquia assim como a trocas de atores ou a ausência deles.

Cheio de referências críticas a filmes que  dão liga para cada narrativa diversa estão "Escape Room", "Terrifier", "M3gan", "Pânico", "Pecadores", "Halloween", "Sorria", "A Substância" e o prazo de validade da idade feminina aceita em Hollywood, citando até Demi Moore. "Todo Mundo em Pânico 6"  contempla com deboche um dos maiores marcos do cinema LGBTQIA+ e do drama romântico moderno "O Segredo de Brokeback Mountain", assim como o recente sucesso nos cinemas "Michael"

Vale muito a pena assistir "Todo Mundo em Pânico 6" dublado, uma vez que as vozes na versão nacional são de Priscila Amorim (Anna Faris como Cindy), Marisa Leal (Regina Hall como Brenda), Duda Ribeiro (Shawn Wayans com Ray) e Jorge Lucas (Marlon Wayans como Shorty). Boa diversão e não perca!


"Todo Mundo em Pânico 6" ("Scary Movie"). Gênero: Comédia, Paródia. Direção: Michael Tiddes. Roteiro: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez. Duração: 1h 36 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Paramount Pictures. Elenco: Anna Faris como Cindy Campbell, Regina Hall como Brenda Meeks, Marlon Wayans como Shorty Meeks, Shawn Wayans como Ray Wilkins, Jon Abrahams como Bobby Prinze, Lochlyn Munro como Greg Phillipe, Dave Sheridan como Doofy Gilmore, Cheri Oteri como Gail Hailstorm, Chris Elliott como Hanson, Anthony Anderson. Sinopse: A trama se passa 26 anos após os eventos originais. O grupo de amigos formado por Cindy, Brenda, Shorty e Ray encontra-se novamente na mira de um assassino mascarado implacável, em uma história recheada de sátiras aos maiores sucessos recentes do cinema de terror (como Halloween, Sorria e Pecadores).


Trailer de "Todo Mundo em Pânico 6"



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