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terça-feira, 2 de junho de 2026

.: MIS SP celebra centenário de Marilyn Monroe com exposição, mostra e curso


Além da série fotográfica “Marilyn: a última entrevista”, em cartaz pelo Maio Fotografia no MIS 2026, Museu realiza a Mostra Marilyn Monroe 100 anos e oferece um curso sobre o tema. Na imagem, cena do filme "O Rio das Almas Perdidas", que será exibido na Mostra Marilyn Monroe 100 Anos. Foto: divulgação

No dia 1º de junho de 2026, foi celebrado o centenário da atriz e cantora Marilyn Monroe. De símbolo de beleza a ícone incontornável da cultura pop do século 20, Marilyn entrou para a história mundial de forma definitiva. Para registrar seus cem anos de nascimento e abrir diálogo com a sociedade sobre seu papel de atriz, o MIS, que inaugurou, em maio, a exposição “Marilyn: a Última Rntrevista”, pelo projeto Maio Fotografia no MIS 2026, realiza, no mês de junho, uma mostra de filmes e oferece um curso sobre a artista. Além disso, no fim do mês, o Museu ainda realiza uma edição especial do Doc.MIS com a exibição do documentário “Marilyn Monroe: o Fim dos Dias”.


Marilyn Monroe no streaming
A atriz Marilyn Monroe completaria 100 anos no dia 1.° de junho de 2026. Mais de seis décadas depois de sua morte, aos 36 anos, ela continua sendo a figura feminina mais reconhecida da história do cinema. Para celebrar o centenário da atriz, a plataforma Belas Artes À La Carte destaca uma coletânea especial com alguns dos filmes mais importantes da sua carreira: "O Segredo das Joias" (1950), de John Huston; "A Malvada" (1950), de Joseph L. Mankiewicz; "Conflito à Noite" (1952), de Fritz Lang; "Como Agarrar um Milionário" (1953), de Jean Negulesco; "Os Homens Preferem as Loiras" (1953), de Howard Hawks; e "O Pecado Mora ao Lado" (1955), de Billy Wilder. 

É uma boa chance de revisitar uma atriz que, durante muito tempo, acabou reduzida apenas à própria imagem. No fim das contas, Marilyn acabou se tornando tão eterna quanto os diamantes que ostentou em uma de suas performances mais icônicas Antes de virar estrela mundial, ela passou anos tentando conseguir espaço em papéis pequenos e produções em que quase sempre aparecia dentro do mesmo tipo de personagem. Aos poucos, porém, começou a chamar atenção pelo talento para a comédia, pela presença em cena e pelo carisma que tinha diante das câmeras. 

Foi a partir daí que ela passou a trabalhar com alguns dos diretores mais importantes do cinema, como John Huston, Joseph L. Mankiewicz, Fritz Lang, Billy Wilder e Howard Hawks. Com o tempo, vieram personagens mais interessantes e também o reconhecimento da indústria. Em 1960, Marilyn venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical por "Quanto Mais Quente Melhor", prêmio que ajudou a reforçar algo que muita gente já via nas telas: ela era uma atriz muito mais versátil do que os estúdios costumavam admitir.



Mostra “Marilyn Monroe 100 anos” | 2 a 7 de junho | R$ 6,00 (inteira) 
A curadoria do cineasta André Sturm selecionou doze títulos com participações menos ou mais proeminentes de Marilyn, mas com destaque especial para seus trabalhos menos reverenciados, de caráter mais intimista ou sóbrio. “Queria dar destaque para uma Marilyn Monroe séria na tela, ou ainda tímida no início de sua carreira no cinema”, conta o curador. “Seus filmes mais celebrados, sobretudo os dirigidos por Billy Wilder, são excelentes e já estão na memória dos espectadores. A ideia aqui era tentar revelar essa Marilyn menos pop, menos óbvia, menos objeto de desejo, por isso seus filmes mais ‘lado B’, por assim dizer. A gente vai poder ver uma Marilyn pré-magnetismo total”, explica. 

A lista de filmes inclui raridades, entre os quais “Idade Perigosa”, que marca o primeiro papel com fala de Marilyn Monroe; “Mentira Salvadora”, que traz sua primeira protagonista; “Só a Mulher Peca”, um drama noir do lendário diretor Fritz Lang; “O Rio das Almas Perdidas”, um western musical de Otto Preminger que mereceu ter seu pôster na sala da casa da atriz em Los Angeles; e dois filmes dirigidos por John Huston, incluindo “Os Desajustados”, o último trabalho de Marilyn no cinema. 


Terça-feira, 2 de junho
18h00 | Auditório MIS 
"Torrentes de Ódio" 
("Clash by Night", dir. Fritz Lang, 1952, Estados Unidos, 105 min, 14 anos) 
Após anos fora, uma mulher retorna a sua cidade natal e tenta reconstruir a vida ao lado de um pescador trabalhador. O casamento, porém, entra em crise quando desejos reprimidos e frustrações pessoais vêm à tona. O filme combina melodrama e tensão emocional em um retrato duro das relações humanas. 

20h00 |Auditório MIS 
"O Segredo das Viúvas" 
("Love Nest", dir. Joseph M. Newman, 1951, Estados Unidos, 84 min, livre) 
Um casal recém-casado retorna a Nova York em busca de um apartamento e acaba alugando um imóvel em um prédio cheio de moradores excêntricos. A convivência provoca situações amorosas e mal-entendidos que envolvem ciúme, ambição e vida conjugal. A trama mistura romance leve e comédia urbana do pós-guerra. 


Quarta-feira, 3 de junho
18h00 | Auditório MIS 
"Anos Perigosos" 
("Dangerous Years", dir. Arthur Pierson, 1947, Estados Unidos, 62 min, 12 anos) 
Moradores de uma pequena cidade passam a temer a influência de um novo restaurante frequentado por jovens rebeldes. Um professor tenta afastar adolescentes da criminalidade, mas acaba envolvido em uma tragédia que leva um grupo de delinquentes a julgamento. O filme mistura drama juvenil e tribunal, refletindo preocupações do pós-guerra com a violência entre jovens. 

20h00 | Auditório MIS 
"Páginas da Vida" 
("O. Henry’s Full House", dirs. Henry Hathaway/Howard Hawks/Henry King/Henry Koster/Jean Negulesco, 1952, Estados Unidos, 117 min, 12 anos) 
Antologia inspirada em contos de O. Henry que reúne histórias independentes marcadas por ironia, drama e reviravoltas finais. Os episódios abordam temas como amor, sacrifício, crime e acaso, mantendo o tom humano e sentimental característico do escritor. 


Quinta-feira, 4 de junho
 
16h00 | Auditório MIS 
"Almas Descasadas / Travessuras de Casados" 
("We’re Not Married!", dir. Edmund Goulding, 1952, Estados Unidos, 86 min, 10 anos) 
Diversos casais descobrem simultaneamente que seus casamentos não têm validade legal devido a um erro burocrático. A notícia provoca crises, reconciliações e situações cômicas envolvendo relacionamentos e expectativas amorosas. 

17h00 | Auditório LABMIS 
"O Segredo das Joias" 
("The Asphalt Jungle", dir. John Huston, 1950, Estados Unidos, 112 min, 14 anos) 
Um criminoso experiente reúne especialistas para executar um grande roubo em uma joalheria. O plano parece perfeito, mas falhas humanas e ambições individuais conduzem o grupo a consequências inesperadas. O filme influenciou profundamente o cinema policial posterior. 

18h00 | Auditório MIS 
"O Rio das Almas Perdidas" 
("River of No Return", dir. Otto Preminger, 1954, Estados Unidos, 91 min, 14 anos) 
Durante uma perigosa viagem por um rio no oeste americano, três pessoas precisam enfrentar corredeiras, ataques e conflitos internos para sobreviver. A travessia transforma gradualmente a relação entre elas, marcada por desconfiança, ressentimento e aproximação afetiva. 

19h00 | Auditório LABMIS 
"Páginas da Vida" 
("O. Henry’s Full House", dirs. Henry Hathaway/Howard Hawks/Henry King/Henry Koster/Jean Negulesco, 1952, Estados Unidos, 117 min, 12 anos) 
Antologia inspirada em contos de O. Henry que reúne histórias independentes marcadas por ironia, drama e reviravoltas finais. Os episódios abordam temas como amor, sacrifício, crime e acaso, mantendo o tom humano e sentimental característico do escritor. 

20h00 | Auditório MIS 
"Os Desajustados" 
("The Misfits", dir. John Huston, 1961, Estados Unidos, 124 min, 14 anos) 
Uma mulher recém-divorciada se aproxima de homens solitários e deslocados no interior do oeste americano. Enquanto tentam encontrar sentido para a própria vida, os personagens enfrentam frustrações afetivas, desgaste emocional e a sensação de não pertencer mais ao mundo ao redor. 


Sexta-feira, 6 de junho
 
17h00 |Auditório LABMIS  
"Love Happy" 
("Love Happy", dir. David Miller, 1949, Estados Unidos, 91 min, livre) 
Integrantes de uma companhia teatral enfrentam dificuldades financeiras enquanto tentam manter um espetáculo em cartaz. Paralelamente, um roubo de joias desencadeia perseguições e confusões envolvendo criminosos e artistas. A trama mistura musical, comédia e suspense farsesco. 

18h00 | Auditório MIS 
"Mentira Salvadora" / "Mulheres em Coro" 
("Ladies of the Chorus", dir. Phil Karlson, 1948, Estados Unidos, 61 min, 10 anos) 
Uma jovem corista tenta construir carreira nos palcos enquanto divide a rotina com a mãe, também artista de teatro musical. Quando surge um romance com um homem de origem social mais alta, as diferenças de classe e as inseguranças familiares passam a interferir na relação. 

19h00 | Auditório LABMIS 
"O Rio das Almas Perdidas" 
("River of No Return", dir. Otto Preminger, 1954, Estados Unidos, 91 min, 12 anos) 
Durante uma perigosa viagem por um rio no oeste americano, três pessoas precisam enfrentar corredeiras, ataques e conflitos internos para sobreviver. A travessia transforma gradualmente a relação entre elas, marcada por desconfiança, ressentimento e aproximação afetiva. 

20h00 | Auditório MIS 
"Almas Desesperadas" 
("Don’t Bother to Knock", dir. Roy Ward Baker, 1952, Estados Unidos, 76 min, 14 anos) 
Uma babá emocionalmente fragilizada passa a agir de forma cada vez mais imprevisível durante uma noite em um hotel. O encontro com um hóspede solitário desencadeia conflitos psicológicos e situações inquietantes. O suspense explora solidão, trauma e paranoia. 


Sábado, 6 de junho 
16h00 | Auditório MIS 
"Só a Mulher Peca" 
("Clash by Night", dir. Fritz Lang, 1952, Estados Unidos, 105 min, 14 anos) 
Uma mulher retorna a sua cidade natal e tenta reconstruir a vida ao lado de um pescador trabalhador. O casamento, porém, é abalado por frustrações pessoais, desejos reprimidos e relações afetivas cada vez mais tensas. O filme mistura melodrama e realismo social em um retrato duro das relações humanas. 

17h00 | Auditório LABMIS 
"O Segredo das Viúvas" 
("Love Nest", dir. Joseph M. Newman, 1951, Estados Unidos, 84 min, livre) 
Um casal recém-casado retorna a Nova York em busca de um apartamento e acaba alugando um imóvel em um prédio cheio de moradores excêntricos. A convivência provoca situações amorosas e mal-entendidos que envolvem ciúme, ambição e vida conjugal. A trama mistura romance leve e comédia urbana do pós-guerra. 

18h00 | Auditório MIS 
"O Segredo das Joias" 
("The Asphalt Jungle", dir. John Huston, 1950, Estados Unidos, 112 min, 14 anos) 
Um grupo de criminosos planeja um sofisticado roubo de joias que promete render uma fortuna. Apesar da organização cuidadosa, interesses pessoais, traições e erros sucessivos começam a comprometer o plano. 

19h00 | Auditório LABMIS 
"Love Happy" 
("Love Happy", dir. David Miller, 1949, Estados Unidos, 91 min, livre) 
Integrantes de uma companhia teatral enfrentam dificuldades financeiras enquanto tentam manter um espetáculo em cartaz. Paralelamente, um roubo de joias desencadeia perseguições e confusões envolvendo criminosos e artistas. A trama mistura musical, comédia e suspense farsesco. 

20h00 | Auditório MIS 
"Os Desajustados" 
("The Misfits", dir. John Huston, 1961, Estados Unidos, 124 min, 14 anos) 
Uma mulher recém-divorciada se aproxima de homens solitários e deslocados no interior do oeste americano. Enquanto tentam encontrar sentido para a própria vida, os personagens enfrentam frustrações afetivas, desgaste emocional e a sensação de não pertencer mais ao mundo ao redor. 


Domingo, 7 de junho 
17h00 | Auditório MIS 
"Os Desajustados" 
("The Misfits", dir. John Huston, 1961, Estados Unidos, 124 min, 14 anos) 
Uma mulher recém-divorciada se aproxima de homens solitários e deslocados no interior do oeste americano. Enquanto tentam encontrar sentido para a própria vida, os personagens enfrentam frustrações afetivas, desgaste emocional e a sensação de não pertencer mais ao mundo ao redor. 

19h00 | Auditório MIS 
"Só A Mulher Peca" 
("Clash By Night", dir. Fritz Lang, 1952, Estados Unidos, 105 min, 14 anos) 
Uma mulher retorna a sua cidade natal e tenta reconstruir a vida ao lado de um pescador trabalhador. O casamento, porém, é abalado por frustrações pessoais, desejos reprimidos e relações afetivas cada vez mais tensas. O filme mistura melodrama e realismo social em um retrato duro das relações humanas. 


Serviço |
MIS SP - Avenida Europa, 158 - Jd. Europa - São Paulo
Horários: terças a sextas, das 10h00 às 19h00; sábados, das 10h00 às 20h00; domingos e feriados, das 10h00 às 18h00. Ingressos: terças-feiras: gratuito; de quarta a domingo: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia) | megapass.com.br/mis
Classificação: livre

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e MIS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

.: 100 Anos de Marilyn Monroe é destaque no Belas Artes À La Carte


Nesta segunda-feira, dia 1º de junho, a atriz Marilyn Monroe completaria 100 anos. Mais de seis décadas depois de sua morte, aos 36 anos, ela continua sendo a figura feminina mais reconhecida da história do cinema. Para celebrar o centenário da atriz, a plataforma Belas Artes À La Carte destaca uma coletânea especial com alguns dos filmes mais importantes da sua carreira: "O Segredo das Joias" (1950), de John Huston; "A Malvada" (1950), de Joseph L. Mankiewicz; "Conflito à Noite" (1952), de Fritz Lang; "Como Agarrar um Milionário" (1953), de Jean Negulesco; "Os Homens Preferem as Loiras" (1953), de Howard Hawks; e "O Pecado Mora ao Lado" (1955), de Billy Wilder. 

É uma boa chance de revisitar uma atriz que, durante muito tempo, acabou reduzida apenas à própria imagem. No fim das contas, Marilyn acabou se tornando tão eterna quanto os diamantes que ostentou em uma de suas performances mais icônicas Antes de virar estrela mundial, ela passou anos tentando conseguir espaço em papéis pequenos e produções em que quase sempre aparecia dentro do mesmo tipo de personagem. Aos poucos, porém, começou a chamar atenção pelo talento para a comédia, pela presença em cena e pelo carisma que tinha diante das câmeras. 

Foi a partir daí que ela passou a trabalhar com alguns dos diretores mais importantes do cinema, como John Huston, Joseph L. Mankiewicz, Fritz Lang, Billy Wilder e Howard Hawks. Com o tempo, vieram personagens mais interessantes e também o reconhecimento da indústria. Em 1960, Marilyn venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical por "Quanto Mais Quente Melhor", prêmio que ajudou a reforçar algo que muita gente já via nas telas: ela era uma atriz muito mais versátil do que os estúdios costumavam admitir.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming de quem leva cinema a sério
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

.: "Delírio de Loucura" coloca veneno na receita da família perfeita


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

O cinema clássico norte-americano sempre encontrou maneiras elegantes de implodir a fachada hipócrita do comercial de margarina que ilustrava o "American Way of Life" na era Eisenhower. Mas poucos diretores ousaram tanto, e de forma tão visceral, quanto Nicholas Ray. Em "Delírio de Loucura", em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carteo cineasta pega a obsessão da classe média suburbana pelo sucesso e pela estabilidade e a injeta com uma dose cavalar de cortisona, transformando o sonho americano em um autêntico filme de terror doméstico.

Baseado no artigo jornalístico "Ten Feet Tall", publicado por Berton Roueché na revista The New Yorker em 1955, o roteiro de Cyril Hume e Richard Maibaum (com colaboração não-creditada do mestre do teatro Clifford Odets) acompanha o drama de Ed Avery. Interpretado com uma intensidade assustadora por James Mason, que também  produziu o longa-metragem, Avery é o epítome do cidadão exemplar: professor primário dedicado que, para fechar as contas do mês e mimar a esposa, trabalha secretamente como despachante de táxi. Quando crises terríveis revelam uma poliarterite nodosa, uma rara e letal inflamação das artérias, a medicina lhe oferece a salvação através de um hormônio experimental. O milagre da cura, contudo, cobra um preço alto demais quando o protagonista passa a abusar das doses e mergulha em uma psicose megalomaníaca.

O que se segue é uma das descrições mais perturbadoras da masculinidade tóxica e do totalitarismo familiar já registradas pelo CinemaScope. Ray sabota os espaços claustrofóbicos da residência dos Avery utilizando as cores e as lentes largas, geralmente reservadas para grandes faroestes, para sufocar o espectador. James Mason entrega uma atuação cirúrgica, transitando do pai amoroso ao tirano bíblico que evoca o sacrifício de Isaac para justificar um plano de homicídio seguido de suicídio. Ao seu lado, Barbara Rush brilha no papel da esposa impotente diante da heresia médica, e Walter Matthau, ainda longe de seus papéis cômicos consagrados, entrega uma performance sóbria como o amigo e a voz da razão que tenta conter a tragédia.

Curiosamente, os bastidores de "Delírio de Loucura" guardam uma pérola da Hollywood clássica. Marilyn Monroe, grande amiga de Nicholas Ray, estava filmando "Nunca Fui Santa" no estúdio vizinho e chegou a gravar uma participação especialíssima como enfermeira. Infelizmente para os cinéfilos, a cena foi totalmente cortada na sala de montagem devido a entraves contratuais rígidos entre a estrela e a Fox.

O filme também enfrentou forte resistência da indústria farmacêutica. Gigantes como a Merck, nos Estados Unidos, e a Glaxo, no Reino Unido, manifestaram séria preocupação de que a fúria psicótica de Ed Avery gerasse pânico na população e boicote ao uso legítimo da cortisona. O temor corporativo, aliado à rejeição do público americano da época, que considerou a obra sombria e melodramática demais, resultou em um retumbante fracasso de bilheteria. O crítico Bosley Crowther, do The New York Times, chegou a rotular o filme como "tedioso".

O tempo, no entanto, é o senhor da razão e o melhor curador da arte. Foram os críticos franceses da Cahiers du Cinéma os primeiros a resgatar o valor da obra. François Truffaut teceu loas à precisão de Mason e à beleza visual da produção, enquanto Jean-Luc Godard colocou o longa na seleta lista dos dez melhores filmes sonoros americanos da história. Décadas mais tarde, a crítica contemporânea reconhece "Delírio de Loucura" não apenas como um alerta médico, mas como uma brilhante e atemporal acusação contra o conformismo, a pressão econômica sobre os professores e as rachaduras ocultas na estrutura da família tradicional. Uma obra-prima violenta, lírica e desesperada que ecoa até os dias de hoje.


Ficha Técnica:
“Delírio de Loucura” | "Bigger Than Life" (título original) | "Atrás do Espelho" (título em Portugal)
Gênero: drama / melodrama / drama psicológico. Duração: 95 minutos (1h 35min). Classificação indicativa: 14 anos (Recomendado/Approved na época). Ano de produção: 1956. Idioma: inglês. Direção: Nicholas Ray. Roteiro: Cyril Hume e Richard Maibaum (baseado no artigo "Ten Feet Tall" de Berton Roueché). Elenco: James Mason, Barbara Rush, Walter Matthau, Christopher Olsen, Robert F. Simon, Roland Winters, Rusty Lane. Distribuição no Brasil: 20th Century Fox (20th Century Studios). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte


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terça-feira, 26 de maio de 2026

.: Crítica: "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" é terror com mocinho desagradável



Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O terror psicológico "Hokum: O Pesadelo da Bruxa", dirigido e roteirizado por Damian McCarthy ("Oddity - Objetos Obscuros", "Madame Teia"), mergulha no folclore irlandês para entregar uma história de perdão entre mãe e filho. Contudo, um alerta precisa ser dado logo a princípio, uma vez que o protagonista, o romancista Ohm Bauman (Adam Scott, "Big Little Lies") de postura constantemente grosseira, age sempre de modo desagradável. Ainda que esteja sozinho e em outro país para espalhar as cinzas de seus pais, impede o público de torcer por sua sobrevivência numa pousada mal-assombrada por uma bruxa que arrasta correntes.

A qualidade da trama e a montagem repleta de sequências de pura tensão tornam a produção perfeita para os fãs do gênero. Muito por priorizar o desconforto psicológico por meio de silêncios e a desconstrução da realidade do protagonista em detrimento de soluções narrativas fáceis. No entanto, "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" segue uma fórmula para assustar o público, o que vira alerta a ponto de permitir que alguns sustos sejam evitados.

Em certos pontos o longa se conecta com outros. Remete ao clássico "O Chamado" pelas figuras usadas, como por exemplo, o círculo nos primeiros minutos da história paralela do longa, embora estabeleça uma maior conexão com o clássico de terror psicológico "O Iluminado", uma vez que o protagonista está isolado e confuso em um hotel assombrado. "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" consegue usar elementos do terror (já conhecidos) a favor. Por fim, consegue ser único.

É inegável que o terror atmosférico de "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" fisga a atenção do público ao colocá-lo para embarcar na desordem mental de Ohm e a dificuldade de lidar com um trauma de infância. Vale muito a pena assistir na telona de cinema e garantir uns bons sustos!


"Hokum: O Pesadelo da Bruxa" ("Hokum"). Gênero: Terror. Direção: Damian McCarthy. Roteiro: Damian McCarthy. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Films. Elenco: Adam Scott, David Wilmot e Florence Ordesh. Sinopse: O terror psicológico e folclore acompanha um romancista de terror que visita uma pousada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, sem saber que o lugar tem fama de ser assombrado.

Trailer de "Hokum: O Pesadelo da Bruxa"

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.: Warner Bros. Pictures inicia venda de ingressos antecipada para "Supergirl"


Estrelado por Milly Alcock e dirigido por Craig Gillespie, o segundo filme do novo universo da DC Studios chega aos cinemas no dia 25 de junho

A Warner Bros. Pictures acaba de anunciar que o início da pré-venda de ingressos para Supergirl na próxima quarta-feira, dia 3 de junho. O longa-metragem chega às telonas no dia 25 de junho, e os ingressos já poderão ser garantidos tanto para sessões após a estreia oficial, quanto para as sessões antecipadas, que acontecerão exclusivamente no dia 23 de junho. "Supergirl" acompanha Kara Zor-el (Milly Alcock), uma jovem kryptoniana que não deseja assumir seu papel como a heroína Supergirl. No entanto, uma aliada inesperada e um vilão que pode ameaçar toda a galáxia podem não lhe deixar opção além de encarar seu destino em uma grande aventura. 

"Supergirl" estreia nos cinemas brasileiros no dia 25 de junho de 2026, também disponível em sessões em IMAX e com acessibilidade. Para mais detalhes sobre sessões e horários, confira a rede de cinema mais próxima.  O novo longa-metragem da DC Studios chega às telonas com distribuição da Warner Bros. Pictures, vai estar em exibição nos cinemas do mundo todo nas férias de junho e julho de 2026, estrelado por Milly Alcock no duplo papel de Supergirl e Kara Zor-El. Craig Gillespie dirige o filme a partir do roteiro de Ana Nogueira. 

Quando um adversário tão inesperado quanto implacável parece muito próximo de ganhar a batalha, Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, não sem muita relutância, faz uma parceria improvável em uma épica jornada interestelar de vingança e justiça. Coestrelam "Supergirl", ao lado de Milly Alcock, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz, Emily Beecham e Jason Momoa. 

Os líderes do DC Studios, Peter Safran e James Gunn, assinam a produção de "Supergirl", baseado em personagens da DC criados por Jerry Siegel e Joe Shuster. O filme tem produção executiva de Nigel Gostelow, Chantal Nong Vo e Lars P. Winther. A equipe de produção criativa do cineasta Craig Gillespie atrás das câmeras inclui o diretor de fotografia Rob Hardy; o designer de produção Neil Lamont; a editora Tatiana S. Riegel; a figurinista Anna B. Sheppard; o supervisor de efeitos visuais Geoffrey Baumann; e a trilha sonora foi composta por Ramin Djawadi.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

.: Filme expõe bastidores de descoberta que sacodiu o mercado de arte


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

O documentário “O Caravaggio Perdido” chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  transformando uma história real do mercado de arte em narrativa de suspense, conduzida com rigor documental e ritmo de thriller. Dirigido por Álvaro Longoria, o filme acompanha, em tempo quase real, a redescoberta de uma pintura atribuída ao mestre barroco Michelangelo Merisi da Caravaggio, encontrada por acaso em um apartamento em Madri. O que parecia uma peça sem grande valor, prestes a ser leiloada por 1.500 euros, revela-se um possível tesouro artístico avaliado em dezenas de milhões, desencadeando uma corrida internacional entre especialistas, colecionadores e marchands.

Longoria, que também assina o roteiro, constrói o documentário a partir de acesso privilegiado aos bastidores dessa disputa. Ao longo de três anos e meio de filmagens, a câmera dele registra negociações sigilosas, tensões acadêmicas e interesses financeiros que orbitam o universo da arte. Participam desse jogo figuras como Maria Cristina Terzaghi, Jorge Coll e Filippo Benappi, que aparecem como personagens centrais de uma engrenagem movida por prestígio, dinheiro e obsessão. O diretor transforma mais de uma centena de horas de material bruto em uma montagem dinâmica, marcada por reviravoltas que, segundo ele próprio, alteravam continuamente o rumo da narrativa.

A obra em questão, o “Ecce Homo”, remonta ao início do século XVII, período em que Caravaggio vivia sob a sombra de acusações criminais e produzia algumas de suas telas mais intensas. O documentário resgata esse contexto histórico enquanto acompanha o processo de autenticação da pintura, colocando em evidência a fragilidade e a velocidade com que o mercado valida ou contesta atribuições dessa magnitude. A fotografia aposta em contrastes de luz e sombra que dialogam diretamente com o estilo do pintor italiano, enquanto a trilha sonora acentua o clima de tensão crescente.

Além de reconstituir a trajetória de uma obra, “O Caravaggio Perdido” expõe um sistema pouco transparente, em que interesses culturais e comerciais se entrelaçam. A pintura, hoje restaurada e reconhecida como autêntica, foi adquirida por cerca de 30 milhões de euros e encontra-se atualmente no Museu do Prado, em Madri. O desfecho reforça a percepção de que, no universo da arte, a descoberta de um “sleeper” pode reconfigurar fortunas e narrativas históricas em questão de dias.

Com indicação ao Prêmio Goya de Melhor Documentário, o filme confirma a habilidade de Longoria em capturar o inesperado e transformá-lo em cinema. Ao acompanhar uma história em constante mutação, o diretor oferece ao espectador uma reflexão sobre o valor simbólico e financeiro da arte em um mundo movido por cifras e consagrações tardias.


Ficha técnica
“O Caravaggio Perdido” | “The Sleeper” (título original) | “The Sleeper - O Caravaggio Perdido” (título em Portugal)
Gênero: documentário, suspense. Duração: 78 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: espanhol e italiano. Direção e roteiro: Álvaro Longoria. Elenco: Maria Cristina Terzaghi, Jorge Coll, Filippo Benappi. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte


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quarta-feira, 20 de maio de 2026

.: Crítica: "Mortal Kombat II" é puro entretenimento gamer com cultura pop


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O longa "Mortal Kombat II", dirigido por Simon McQuoid ("Mortal Kombat I"), é entretenimento gamer nostálgico estampado na telona de cinema em sua forma pura. A nítida evolução em relação ao filme de 2021, capaz de corrigir falhas do antecessor, ao focar diretamente no torneio e nas sequências de cenas de ação. Em 1 hora e 56 minutos, a produção entrega lutas coreografadas com excelência na atmosfera contagiante e facilitadora de estabelecer toda conexão com o clássico jogo.

Com muita pancadaria, sangue jorrando e momentos épicos em cenários que mudam constantemente, a produção automaticamente alimenta no público a sensação de estar assistindo a um modo história dos videogames. De fato, a ambientação com boa qualidade de computação gráfica, assim como cenários icônicos bem elaborados e as luta em meio a luz do dia ou antes do cair da noite, fugindo da constante escuridão para esconder falhas técnicas digitais, fazem o longa fluir a ponto de ser palatável, inclusive para quem não assistiu ao primeiro filme e/ou nunca jogou Mortal Kombat.

Sem tramas confusas, o longa de 2026 entrega a essência caótica e divertida da franquia clássica de lutas mortais por meio de personagens mais do que conhecidos. Assim, Johnny Cage (Karl Urban, saga "O Senhor dos Aneis", "The Boys"), personagem da série de jogos eletrônicos inspirado em Jean-Claude Van Damme, entra na história como todo o peso de ser um ator narcisista famoso por filmes de artes marciais, mas que está ultrapassado e até esquecido pelo público. No entanto, para lutar ele é necessário. Logo, o confuso Cage traz muito alívio cômico para a trama.

Contudo, cabe também a Josh Lawson ("O Fantástico Mundo de Blaze") interpretando Kano entregar muito bom humor com sacadas rápidas e divertidas, equilibrando a tensão e a violência garantindo boas risadas para o público. Destaque também para as cenas de protagonismo de Hanzo Hasashi, o Scorpion, na pele de Hanzo ("Trem Bala", "John Wick 4: Baba Yaga"), assim como a Kitana de Adeline Rudolph ("Hellboy e o Homem Torto"). 

"Mortal Kombat II" pode não ser o melhor filme de todos os tempos por ainda esbarrar em falhas pontuais, como certas representações de poderes, mas garante o seu lugar entre as melhores adaptações de videogames para o cinema. O resultado é um filme de puro entretenimento gamer regado de cultura pop que garante muita diversão. Vale a pena conferir na telona de cinema!

"Mortal Kombat II" ("Mortal Kombat II"). Gênero: Ação, artes marciais. Direção: Simon McQuoid. Roteiro: Jeremy Slater. Duração: 1h 56 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Carl Urban (Johnny Cage), Adeline Rudolph (Kitana), Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Raiden), Martyn Ford (Shao Kahn), Hiroyuki Sanada (Scorpion). Sinopse: A sequência do longa de 2021 traz o aguardado torneio entre a Terra e a Exoterra.

Trailer de "Mortal Kombat II"




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"Omen" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O primeiro longa congolês a estrear em uma mostra competitiva do Festival de Cannes, vencedor do prêmio Nova Voz, o drama fantástico "Omen" (Augure), é um mergulho em histórias distintas que se assemelham quando apresentadas em quatro capítulos que permeiam crenças que fortalecem feridas coloniais. De estética exuberante, repleta de simbolismos e sequências fascinantes, o filme que soma 1 hora e 30 minutos é uma crítica social onírica, que transita em contos de fadas, imprimindo a dinâmica do exílio, luto e desconexão com o próprio povo.

A narrativa de choque cultural pautada nas vidas de cultura africana, escrita e dirigida pelo artista belga-congolês Baloji apresenta histórias paralelas que se conectam por meio dos personagens Koffi (Marc Zinga), o rejeitado pela mãe na juventude por nascer com uma grande marca de nascença, Paco (Marcel Otete Kabeya), o menino de rua que lidera uma gangue que veste em roupas rosa e está em luto pela morte da irmã, Tshala (Eliane Umuhire), a irmã de Koffi, adepta do poliamor que se prepara para imigrar para a África do Sul e Mujila (Yves-Marina Gnahoua), mãe de Koffi, uma figura forte e controversa.

Ainda que Koffi seja introduzido primeiro na trama, a força da matriarca da família, Mama Mujila, o pilar da família, desenha o rumo do filho, Koffi que volta da Bélgica para a República Democrática do Congo acompanhado de sua noiva grávida. Sem conhecer a própria cultura devido a seu banimento, a relação conturbada com a mãe que o mandou para viver longe por considerá-lo feiticeiro. No entanto, é o desconhecido que conecta mãe, filho, filha (Tshala) e um garoto de rua. Todos marcados como um zabolo (feiticeiro maligno na língua suaíli).

Aliás, o ponto central de "Omen" (Augure) está no estigma de cada personagem ser rotulado pela sociedade local tradicional como "diabo" ou portador do "sinal do diabo". De um ritual para o descrédito instantâneo no outro seguindo uma crença para a anulação de cada indivíduo, a marcante colisão entre antigas crenças tribais, misticismo e as expectativas do mundo moderno, fazem com que a produção afrofuturista entregue um choque cultural brutal em meio a tentativas de pertencimento. Imperdível!

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"Omen" (Augure). Gênero: Drama, fantasia, thriller. Direção: Baloji. Roteiro: Baloji e Thomas van Zuylen. Duração: 1h 30 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: MUBI. Elenco: Marc Zinga (Koffi), Lucie Debay (Alice), Eliane Umuhire (Tshala), Yves-Marina Gnahoua (Mama Mujila) . Sinopse: A trama segue quatro personagens estigmatizados e acusados de serem "bruxos" ou "feiticeiros", que encontram uma maneira de se ajudar mutuamente para escapar de seus destinos socialmente impostos.

Trailer de "Omen"



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"Um Gato Em Paris" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


A animação francesa "Um Gato Em Paris" (Une vie de chat) é uma perfeita história de gato e rato, cabendo ao felino em questão o trabalho de costurar toda a trama. De estética artesanal feita à mão, numa atmosfera inspirada no Cinema Noir (estilo cinematográfico, fortemente associado a suspenses e dramas criminais de Hollywood), a produção dirigida por Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol, apresenta a história da garotinha Zoé que perdeu o pai nas mãos de um mafioso e tem uma mãe policial muito atarefada.

A menina muda cuida de seu animal de estimação, o gato Dino, sem imaginar que seu bichinho é um autêntico representante da vida boêmia a ponto de levar uma vida dupla, uma vez que no cair da noite ele é parceiro de um gatuno, o ladrão de bom coração, Nico. Contudo, o crime volta a bater de frente com a pequena Zoé que ao ser raptada, acaba sendo a chave para a solução de uma rede de criminalidade e ajuda a mãe a chegar em quem tanto deseja.

O longa de 1 hora e 10 minutos de duração, tem traços à mão em visual vibrante e cores quentes que remetem a pinturas em movimento que contribuem para a criação da atmosfera perfeita de suspense. Logo, o enredo policial, em cenários de linhas tortas e distorcidas, prende a atenção, gerando curiosidade em torno das reviravoltas e do desfecho. 

De enorme prestígio internacional e indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação, "Um Gato Em Paris" é voltado para todas as idades por transitar com maestria por temas diversos como luto, traumas, vingança e corrupção com maturidade e sobriedade. Vale a pena conferir na Reserva IMOVISION!

PRÊMIOS: A produção de trajetória celebrada em eventos do cinema mundial acumulou indicações a prêmios, além do Oscar (2012), na categoria de Melhor Filme de Animação, também esteve entre os favoritos do Prêmio César (2011), na categoria Melhor Filme de Animação (a principal premiação do cinema francês), no European Film Awards (2011) na categoria Melhor Filme de Animação Europeu e no Annie Awards (2012) esteve na categoria de Melhor Direção em uma Produção de Longa-Metragem.

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"Um Gato Em Paris" (Une vie de chat). Gênero: Animação, aventura, policial, infantil. Direção: Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd. Duração: 1h 10 minutos. Classificação Indicativa: livres. Distribuição: Bonfilm. Vozes originais: Dominique Blanc (Jeanne, a comissária de polícia), Bruno Salomone (Nico, o ladrão), Jean Benguigui (Victor Costa, o principal gângster/vilão), Bernadette Lafont ( Claudine), Oriane Zani (Zoé, a garotinha), Patrick Descamps (Lucas), Patrick Ridremont (Sr. Sapo). Sinopse: Dino, um gato que vive uma vida dupla: de dia mora com uma garotinha muda, e à noite ajuda um simpático ladrão a escalar os telhados da cidade.

Trailer de "Um Gato Em Paris"



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