Clássico de Henry Hathaway coloca Marilyn Monroe no centro de uma trama de desejo, adultério e assassinato e chega ao catálogo da plataforma Belas Artes À La Carte
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
.: “Torrentes de Paixão” traz à tona a 1ª protagonista de Marilyn Monroe
Clássico de Henry Hathaway coloca Marilyn Monroe no centro de uma trama de desejo, adultério e assassinato e chega ao catálogo da plataforma Belas Artes À La Carte
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
.: “Agnus Dei” acompanha cordeiros e freiras em tradição secular em Roma
Ficha técnica
Gênero: documentário. Duração: 73 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 31 de agosto de 2025, na Itália. Idioma: italiano. Direção: Massimiliano Camaiti. Roteiro: Massimiliano Camaiti. Elenco: freiras beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília em Trastevere. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
.: "A Praga" estreia na Reserva Imovision como último horror inédito de Mojica
Filme rodado em 1980, considerado perdido por décadas e restaurado a partir de negativos encontrados no antigo escritório do cineasta, recupera um dos projetos mais singulares de José Mojica MarinsPor Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Em maio de 2012, José Mojica Marins esteve em Curitiba para a estreia de um espetáculo inspirado na própria trajetória. Ao terminar a apresentação, diante da plateia, anunciou em alto e bom som: “'A Praga' vem aí!”. A promessa levaria mais de uma década para se concretizar. Mojica morreu em fevereiro de 2020, sem ver concluído o projeto que acompanhou durante tantos anos. Agora, "A Praga", último filme inédito dele como diretor, chega ao catálogo da Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina, mais de quatro décadas depois das primeiras filmagens.
Na trama, Marina (Sílvia Gless) e Juvenal (Felipe Von Rhein) passeiam pelo campo e param diante da casa de uma senhora idosa para tirar fotografias. A brincadeira não termina bem. A mulher, interpretada por Wanda Kosmo, revela sua verdadeira identidade: é uma bruxa. Ao ser provocada, ela lança uma maldição sobre Juvenal. A transformação começa de maneira quase silenciosa, com pesadelos e mudanças de comportamento, mas rapidamente assume contornos cada vez mais perturbadores.
Uma ferida surge no corpo dele e passa a exigir carne crua para ser alimentada. O horror começa na deterioração física e psicológica do personagem. Juvenal perde gradualmente o domínio sobre o próprio corpo e tenta entender a origem daquela fome monstruosa. A punição sobrenatural transforma uma atitude aparentemente banal em um pesadelo que cresce até se tornar uma ameaça.
Uma praga que atravessou décadas, mudou de formato e quase desapareceu para sempre
A história por trás da produção poderia facilmente pertencer a um dos pesadelos criados pelo próprio Zé do Caixão. A ideia surgiu ainda nos anos 1960, quando "A Praga" foi concebido como um episódio de "Além, Muito Além do Além", programa de histórias macabras exibido pela TV Bandeirantes entre 1967 e 1968. O roteiro foi escrito por Rubens Francisco Lucchetti, um dos principais parceiros de Mojica na construção de seu universo fantástico. As gravações do programa, porém, desapareceram. O material da emissora foi perdido, mas a história ganhou uma nova vida em 1969, quando foi adaptada para os quadrinhos na revista "O Estranho Mundo de Zé do Caixão".
Mais de uma década depois, Mojica decidiu retomar a ideia. Em 1980, começou a filmar "A Praga" em Super-8. O dinheiro terminou antes que o projeto pudesse ser concluído e os negativos ficaram esquecidos durante anos. O material só seria reencontrado em 2007, quando o produtor Eugenio Puppo pesquisava o acervo de Mojica para uma retrospectiva. Os rolos estavam guardados no antigo escritório do cineasta, em São Paulo - dentro de um saco de lixo.
O reencontro com os negativos, no entanto, estava longe de significar o fim da jornada. As imagens não possuíam o registro sonoro necessário para recuperar os diálogos originais. A solução foi recorrer à leitura labial, realizada por Lakshmi Lobato, para reconstruir as falas e viabilizar uma nova dublagem. Débora Muniz assumiu a voz de Sílvia Gless, Eucir de Souza dublou Felipe Von Rhein e Luah Guimarãez emprestou a voz a Wanda Kosmo. O processo de restauração incluiu ainda correção de cores, tratamento de imagem, remasterização sonora, trilha musical e efeitos especiais.
Depois de anos de trabalho, a versão definitiva foi apresentada pela primeira vez no Festival de Cinema de Sitges, na Espanha, em outubro de 2021. A restauração preservou as características visuais do material encontrado, incluindo grãos, desgastes e outras marcas deixadas pelo tempo. A intenção foi recuperar o filme sem apagar a aparência de uma produção realizada em 1980.
Wanda Kosmo é uma das presenças mais marcantes da produção. Como a bruxa, a atriz e diretora concentra boa parte da atmosfera inquietante do filme. Felipe Von Rhein acompanha a degradação de Juvenal, enquanto Sílvia Gless interpreta Marina, testemunha próxima da transformação do companheiro. José Mojica Marins também aparece diante da câmera, mas não como protagonista. Zé do Caixão surge como anfitrião e narrador, conduzindo o espectador pela história. A escolha recupera uma característica de "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", de 1968, também realizado em parceria com Lucchetti.
O filme que sobreviveu ao próprio criador e ganhou uma última chance de chegar ao público
O curta-metragem documental "A Última Praga de Mojica", de 17 minutos, acompanha o filme e ajuda a reconstituir essa trajetória improvável. Dirigido por Cédric Fanti, Eugenio Puppo, Matheus Sundfeld e Pedro Junqueira, reúne imagens de bastidores, depoimentos, registros das filmagens originais e reproduções da história em quadrinhos que esteve na origem do projeto. Depois da estreia em Sitges, a produção passou por eventos como Fantasporto e Festival do Rio, entre outros festivais dedicados ao cinema de gênero.
O percurso de "A Praga" é tão extraordinário quanto o próprio filme. Nasceu para a televisão, ganhou os quadrinhos, foi retomado por Mojica em Super-8, ficou inacabado, desapareceu durante décadas e acabou reencontrado entre materiais guardados em um saco de lixo. Sobreviveu ao abandono e chegou ao público quando seu próprio criador já não estava mais aqui para vê-lo.
Mojica não chegou a assistir à chegada de "A Praga" ao público. O filme, porém, preserva elementos que atravessaram sua carreira: o sobrenatural, o grotesco, a provocação e uma certa disposição para transformar o cotidiano em pesadelo. Agora, disponível na Reserva Imovision, "A Praga" finalmente cumpre a promessa feita por Mojica em Curitiba. Mais de quatro décadas depois das primeiras filmagens, a praga saiu das sombras.
Ficha técnica
"A Praga" (Título original) | "A Peste" (Título em Portugal) | "The Plague" (Título no exterior)
Gênero: terror. Duração: aproximadamente 51 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2021, a partir do material filmado originalmente em 1980. Data de lançamento: 2021, com estreia da versão definitiva no Festival de Cinema de Sitges; lançamento comercial brasileiro em 2023. Idioma: português. Direção: José Mojica Marins. Roteiro: Rubens F. Lucchetti. Elenco: Felipe Von Rhein, Sílvia Gless, Wanda Kosmo e José Mojica Marins. Distribuição no Brasil: Elo Studios. Streaming: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não.Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026
.: Crítica: "Uma Infância Alemã" é história de amadurecimento e devoção
Por Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com. Em maio de 2026
Em busca de realizar o desejo da mãe, garotinho Nanning (Jasper Billerbeck) descobre que além do rio há uma realidade ainda mais cruel e capaz de fazê-lo romper a inocência diante do recesso de itens comuns como a farinha de trigo. Ambientado na primavera de 1945, "Uma Infância Alemã" (Amrum), em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision, apresenta uma aventura épica na ilha isolada de Amrum, no Mar do Norte.
O drama que acontece ainda nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial, leva o menino de 12 anos que aguarda o retorno do pai do front, a protagonizar uma verdadeira jornada do herói com uma trajetória emocionante, que o faz caçar focas, pescar à noite, trabalhar no campo para sustentar a mãe grávida e até o faz cair no erro de cometer alguns delitos.
O longa exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, baseado em memórias reais que pincelam o fim da guerra e segredos familiares profundos, entrega uma perspectiva emocional e psicológica sobre a Segunda Guerra Mundial. Logo, "Uma Infância Alemã" é um retrato delicado sobre o amadurecimento diante da realidade, assim como o impacto do fascismo e do trauma por meio dos olhos de uma criança criada dentro da ideologia nazista.
"Uma Infância Alemã" (Amrum). Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich.
Ficha técnica
"Uma Infância Alemã" | "Amrum" (título original)
Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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Trailer de "Uma Infância Alemã"
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Filme de Hong Sang-soo, lançado originalmente em 2010, acompanha uma estudante de cinema dividida entre um professor e um jovem realizador e transforma diferentes pontos de vista em matéria-prima
A escolha de “Pomp and Circumstance”, de Edward Elgar, especialmente da célebre “Marcha nº 1 em Ré maior, Op. 39”, acrescenta uma camada de ironia à produção. Tradicionalmente associada a cerimônias acadêmicas e formaturas, a música acompanha uma história ambientada no ambiente universitário, em que os personagens discutem arte, talento, carreira e fracasso enquanto enfrentam relações pessoais bem menos solenes. É uma oportunidade de conhecer uma fase particularmente inventiva da carreira de Hong Sang-soo. O filme pode provocar estranhamento por não entregar uma cronologia convencional. Em compensação, oferece ao espectador o prazer de desconfiar das próprias certezas e rever mentalmente aquilo que acabou de assistir.
Gênero: drama/comédia. Duração: 80 minutos. Classificação indicativa: 14 anos no Brasil; M/12 em Portugal. Ano de produção: 2010. Data de lançamento original: 16 de setembro de 2010. Idioma: coreano. Direção: Hong Sang-soo. Roteiro: Hong Sang-soo. Elenco: Lee Sun-kyun, Jung Yu-mi, Moon Sung-keun, Seo Young-hwa, Baek Jeong-rim, Lee Chae-eun e Um Tae-goo. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
.: Crítica: "O Convite" faz convocação claustrofóbica para reavaliar a relação
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em agosto de 2026
Baseada no filme e peça "Sentimental", do cineasta Cesc Gay, a comédia dramática "O Convite" é uma intrincada armadilha emocional que percorre desentendimentos surpreendentes para permitir que casal reavalie a relação. Ambientado num apartamento bem espaçoso (até que as conversas começam a afunilar os debates), a produção dirigida por Olivia Wilde, apresenta um casal em crise que recebe os vizinhos do andar de cima, o que torna o jantar caótico e totalmente hilário.
De um lado, em meio ao desgaste afetivo e o tédio conjugal, estão os donos do apartamento, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), que "aguardam" a chegada dos visitantes. Numa implicância silenciosa, os dois recebem o casal ardente Pinã (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton). De fato, Joe fica incomodado com os sons das festas sexuais dos vizinhos e, acaba sendo levado a verbalizar tamanho desagrado.
Em meio a cutucadas provocativas e bastantes claustrofóbicas que vão além das paredes daquele apartamento como cenário, surgem diálogos inteligentes regando o desconforto do casal com a curiosidade e vontade de sair do marasmo que mergulharam. Assim, o público embarca, mesmo que com receio, na tensão e humor bem balanceados de um relacionamento longo.
O filme que transita na contramão do moralismo, tem um roteiro reflexivo e maduro para uma trama conflitante e tão humana a ponto de permitir que o público, por vezes, consiga se identificar com determinados episódios de uma vida a dois. Sem forçar um desfecho, "O Convite" tem seus minutos finais em silêncio, deixando livre a interpretação do público, se ocorreu uma reconciliação ou apenas o término pacífico do casamento. Vale muito a pena conferir!
"O Convite" (The Invite). Gênero: Comédia, drama, romance. Direção: Olivia Wilde. Roteiro: Rashida Jones, Will McCormack e Cesc Gay. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Filmes. Elenco: Seth Rogen (Joe), Olivia Wilde (Angela), Penélope Cruz (Piña) e Edward Norton (Hawk). Sinopse: Joe e Angela formam um casal preso na rotina e com o relacionamento à beira de um colapso. A dinâmica muda quando eles decidem convidar os enigmáticos vizinhos do andar de cima, Hawk e Piña, para um jantar casual. O que seria uma noite tranquila transforma-se em um encontro repleto de revelações, constrangimentos e discussões sobre intimidade e desejos reprimidos.
Trailer de "O Convite"
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.: Baseado no livro de Colleen Hoover, "Verity" chega aos cinemas brasileiros
Adaptação do best-seller de Colleen Hoover reúne Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett em thriller psicológico marcado por segredos, desejo e obsessão
A Sony Pictures apresentou o primeiro trailer de "Verity", adaptação cinematográfica do thriller psicológico homônimo escrito por Colleen Hoover. O longa-metragem tem estreia prevista nos cinemas brasileiros para 1º de outubro. A prévia aposta em uma atmosfera carregada de suspense, desejo e desconfiança, apresentando a relação cada vez mais inquietante entre os personagens interpretados por Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett.
Na história, Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma escritora que atravessa dificuldades financeiras e profissionais até receber uma proposta inesperada: assumir a conclusão de uma famosa série literária de Verity Crawford (Anne Hathaway), autora que ficou impossibilitada de continuar o trabalho depois de sofrer um misterioso acidente.
Para realizar a tarefa, Lowen se instala na residência da família Crawford. Durante sua permanência no local, porém, encontra anotações perturbadoras escritas por Verity, nas quais acontecimentos obscuros envolvendo o marido da autora são registrados de maneira íntima e assustadora. À medida que avança na leitura, Lowen passa a questionar os limites entre aquilo que foi inventado e o que realmente aconteceu. A convivência com a família transforma o trabalho literário em uma experiência cada vez mais perigosa, marcada por desejo, manipulação, segredos e obsessão.
O elenco também reúne outros nomes de destaque, entre eles Brady Wagner, Asel Swango, Daniel Echevarria, Ismael Cruz Córdova, Michael Abbott Jr., Tom Galantich e Emily McEnroe. A direção é de Michael Showalter, responsável por Uma Ideia de Você, a partir de roteiro assinado por Nick Antosca, conhecido pela série "The Act". O filme "Verity" chega aos cinemas brasileiros em 1º de outubro, exclusivamente nas telonas. Compre o livro "Verity", de Colleen Hoover, neste link.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
.: "A Paixão de Cristo" volta aos cinemas brasileiros em versão remasterizada
Mais de 20 anos após seu lançamento, filme dirigido por Mel Gibson será exibido novamente nos cinemas em dezembro, como preparação para a chegada da aguardada continuação. Imagem: divulgação
"A Paixão de Cristo", produção dirigida por Mel Gibson em 2004, voltará aos cinemas brasileiros em uma versão remasterizada em 4K. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela Heaven Content e pela Paris Filmes por meio das redes sociais. A nova exibição está programada para dezembro de 2026, embora a data específica ainda não tenha sido divulgada pela distribuidora. O relançamento acontece às vésperas da estreia de "A Ressurreição de Cristo: Parte Um", sequência dirigida novamente por Gibson e que dará continuidade à história apresentada no longa de 2004.
A continuação
.: Com Marlon Brando, "Sua Excelência, o Embaixador" expõe erros da diplomacia
Drama político de George Englund, lançado em 1963, chega ao Belas Artes à La Carte e recupera uma história sobre poder, nacionalismo e arrogância diplomática
O ator Marlon Brando assume o papel de um diplomata americano em "Sua Excelência, o Embaixador", filme de 1963 que chega ao streaming Belas Artes À La Carte e soa absolutamente atual diante das circunstâncias em que o Brasil vem enfrentando diante dos Estados Unidos. Dirigido por George Englund, o filme coloca o astro no centro de uma trama política ambientada em Sarkhan, país fictício do Sudeste Asiático marcado por conflitos internos, disputa ideológica e crescente tensão com os Estados Unidos.
O roteiro é de Stewart Stern e adapta o romance homônimo publicado em 1958 por William J. Lederer e Eugene Burdick. O livro tornou-se um fenômeno editorial nos Estados Unidos e entrou no debate político da Guerra Fria ao questionar a atuação diplomática americana no sudeste asiático. O impacto da obra literária foi tão grande que John F. Kennedy demonstrou interesse pelo livro e chegou a enviar exemplares a senadores americanos, segundo registros históricos. A criação do Corpo da Paz durante seu governo também costuma ser relacionada ao ambiente político provocado pelo sucesso da publicação.
No elenco, Brando interpreta Harrison MacWhite, enquanto Eiji Okada vive Deong, líder oposicionista local, que já havia alcançado reconhecimento internacional por "Hiroshima, Meu Amor", de Alain Resnais, lançado em 1959. Também fazem parte do filme os atores Sandra Church, Pat Hingle, Arthur Hill, Jocelyn Brando, Reiko Sato e Kukrit Pramoj completam o elenco principal. A história gira em torno de Harrison Carter MacWhite, um intelectual experiente que sobrevive a uma tumultuada sabatina no Senado americano antes de ser nomeado embaixador. Ao chegar a Sarkhan, encontra uma realidade bem diferente daquela imaginada em Washington.
A população local reage à presença americana, enquanto o país enfrenta uma guerra civil iminente. Para MacWhite, porém, o cenário parece se resumir ao confronto entre Estados Unidos e comunismo. A dificuldade do personagem está em compreender que o sentimento contrário aos americanos também pode representar uma luta por autonomia e identidade nacional. A partir daí, suas decisões provocam consequências cada vez mais graves e colocam em xeque a maneira como Washington enxerga seus aliados e adversários.
A adaptação cinematográfica surgiu de uma experiência do próprio diretor do filme no sudeste asiático. Segundo o catálogo do American Film Institute, Englund e Brando viajaram juntos pela região em um programa de assistência técnica das Nações Unidas. A experiência despertou no diretor o interesse em realizar uma produção sobre a área e acabou levando-o ao romance de Lederer e Burdick. Outro detalhe curioso está em Kukrit Pramoj. Político e intelectual tailandês, ele participou da produção como consultor cultural e interpreta o primeiro-ministro de Sarkhan. Anos depois, em 1975, Pramoj se tornaria primeiro-ministro da Tailândia. O filme ainda teve cenas realizadas em Bangkok, inclusive na Universidade Chulalongkorn.
Sarkhan, a nação inventada pela história, funciona como uma composição de diferentes realidades do sudeste asiático. A escolha permitiu que os autores discutissem a política externa americana sem transformar a trama em um retrato direto de um único país. O próprio filme acompanha o choque entre projetos de desenvolvimento, interesses geopolíticos e as demandas da população local. Na época do lançamento, a recepção foi dividida. O jornal The New York Times reconheceu a força da atuação de Brando e apontou a complexidade do diplomata interpretado pelo ator, embora tenha criticado o rumo que o roteiro toma depois de um início promissor. O filme também teve desempenho modesto nas bilheterias e não recebeu indicação ao Oscar.
No Brasil, o filme foi originalmente lançado como "Quando Irmãos se Defrontam", título registrado em documentos cinematográficos brasileiros da época. Não deixa de ser um capítulo curioso da filmografia de Brando: um filme político no qual o ator deixa de lado personagens explosivos para interpretar um homem convencido de que conhece a realidade de um país estrangeiro até descobrir que está errado. Com duas horas de duração, "Sua Excelência, o Embaixador" preserva o interesse de uma produção que olha para a política externa americana em plena Guerra Fria e mostra que o modus operandi norte-americano continua o mesmo.
Ficha técnica
"Sua Excelência, o Embaixador" | "The Ugly American" (título original)
Gênero: drama, thriller político e aventura. Duração: 120 minutos. Classificação indicativa: 14 anos no lançamento brasileiro de 1963. Ano de produção: 1963. Data de lançamento: 2 de abril de 1963 nos Estados Unidos. Idioma: inglês. Direção: George Englund. Roteiro: Stewart Stern, baseado no romance de William J. Lederer e Eugene Burdick. Elenco: Marlon Brando, Eiji Okada, Sandra Church, Pat Hingle, Arthur Hill, Jocelyn Brando, Kukrit Pramoj, Judson Pratt, Reiko Sato, George Shibata, Judson Laire, Philip Ober, Yee Tak Yip, Carl Benton Reid, Simon Scott e Frances Helm. Distribuição no Brasil: Universal. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
.: Filme "Homem-Aranha: Um Novo Dia" alcança 10.ª maior bilheteria da história
"Homem-Aranha: Um Novo Dia" acaba de alcançar mais uma marca expressiva nas bilheterias. Duas semanas depois de chegar aos cinemas, a nova aventura do herói da Marvel já ultrapassou US$ 1,7 bilhão em arrecadação mundial e ocupa a décima posição entre as maiores bilheterias de todos os tempos. O longa-metragem também já havia feito história no Brasil ao registrar a maior estreia da história do cinema no país. Agora, com US$ 1.708.805.242 acumulados, segundo dados do Box Office Mojo, o filme supera outras grandes produções e passa a integrar um ranking dominado por alguns dos maiores fenômenos comerciais da história do cinema.
O desenvolvimento de "Homem-Aranha: Um Novo Dia" foi anunciado em outubro de 2024 pela Marvel Studios e pela Sony Pictures. Desde então, o projeto se tornou um dos mais acompanhados pelos fãs, impulsionado pelas notícias sobre as filmagens, rumores envolvendo o elenco e pela campanha de divulgação protagonizada por Tom Holland e Zendaya. Na trama, Peter Parker tenta seguir em frente depois que sua identidade foi apagada da memória das pessoas. Enquanto continua atuando como o Amigão da Vizinhança e protegendo Nova York, o herói se depara com uma série de crimes misteriosos que o conduz até uma conspiração de proporções muito maiores.
Tom Holland retorna ao papel de Peter Parker ao lado de Zendaya, novamente como MJ, e Jacob Batalon, que interpreta Ned. O elenco também reúne Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk e Michael Mando como Escorpião. Outra novidade é a presença de Jon Bernthal como o Justiceiro, personagem que faz sua estreia nos cinemas. Liza Colón-Zayas, conhecida por The Bear, e Sadie Sink, de Stranger Things, também fazem parte da produção.
A direção é de Destin Daniel Cretton, responsável por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. O roteiro foi escrito por Erik Sommers e Chris McKenna, dupla que já trabalhou em outros filmes do universo do Homem-Aranha. Distribuído pela Sony Pictures, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" é produzido pela Columbia Pictures em parceria com a Marvel Studios e a Pascal Pictures.
As dez maiores bilheterias da história do cinema
Na liderança está "Avatar" (2009), de James Cameron, com US$ 2.923.710.708 arrecadados mundialmente. Em segundo lugar aparece "Vingadores: Ultimato" (2019), com US$ 2.799.439.100, seguido por "Avatar: O Caminho da Água" (2022), também dirigido por Cameron, com US$ 2.334.484.620. A quarta posição pertence à animação chinesa "Ne Zha 2" (2025), que soma US$ 2.270.700.370. Logo atrás está "Titanic" (1997), outro fenômeno de Cameron, com US$ 2.264.812.968. Em sexto lugar aparece "Star Wars: O Despertar da Força" (2015), com US$ 2.071.310.218, enquanto "Vingadores: Guerra Infinita" (2018) ocupa a sétima colocação, com US$ 2.052.415.039. Na oitava posição está outro filme do herói aracnídeo: "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" (2021), que acumulou US$ 1.921.426.073. "Zootopia 2" (2025) aparece em nono lugar, com US$ 1.866.647.950. Fechando o top 10, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" registra US$ 1.708.805.242. Os dados são da Box Office Mojo.
O cinema foi buscar o público em casa
Depois de anos marcados pelos efeitos da pandemia e pela consolidação do streaming, 2026 desponta como um dos períodos mais fortes para a indústria cinematográfica desde a retomada das atividades. O ano já reúne cinco filmes com mais de US$ 1 bilhão em arrecadação mundial: "A Odisseia", de Christopher Nolan, "Homem-Aranha: Um Novo Dia", "Super Mario Galaxy", "Michael" e "Toy Story 5".
A lista ainda pode crescer. As projeções do mercado apontam "Duna: Parte Três" e "Vingadores: Doomsday" como candidatos a alcançar a marca até o fim do ano. Se as previsões se confirmarem, 2026 terá o maior número de produções bilionárias desde 2019, quando nove filmes ultrapassaram US$ 1 bilhão. Parte importante desse movimento passa pela Gen Z. O público entre 14 e 29 anos representou quase 40% dos espectadores pagantes na América do Norte no último ano e teve participação decisiva no desempenho de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", respondendo por metade de sua audiência de estreia na região.
A recuperação também está relacionada ao próprio modelo de consumo. O aumento no preço médio dos ingressos nos Estados Unidos, que passou de cerca de US$ 9 em 2019 para aproximadamente US$ 13,50 atualmente, elevou a receita por espectador. Ao mesmo tempo, formatos premium como IMAX, Dolby Cinema, ScreenX e 4DX transformaram a ida ao cinema em uma experiência mais sofisticada e imersiva. O cenário de 2026 revela ainda uma diversidade de produtos capazes de atrair públicos diferentes: animações, cinebiografias musicais, superproduções de heróis e adaptações de obras literárias de enorme tradição. No caso de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", o fenômeno ajuda a explicar como um personagem conhecido há décadas continua encontrando novas gerações dispostas a acompanhá-lo nas salas de cinema.
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