Mostrando postagens com marcador SetimaArte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SetimaArte. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: Crítica: "A Odisseia" é "absolute cinema" com epopeia clássica

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2026


A história das histórias da literatura ocidental em uma produção impecável de grudar os olhos do público na telona, do início ao fim. Eis "A Odisseia" dirigida e roteirizada por Christopher Nolan (Dunkirk), quem entrega uma adaptação épica do poema, a epopeia clássica atribuída a Homero. Assim, a nova produção torna-se totalmente indispensável a ponto de ser necessário assistir ao espetáculo numa grande sala de cinema, não somente pela imagem gigantesca e as belas panorâmicas, mas por apresentar conteúdo e, por vezes, ditar o ritmo tal qual o poema.

Em cartaz nos cinemas, a produção que soma 2 horas e 53 minutos de literatura visual de narrativa não-linear é puro deleite. Não somente pelo elenco estelar (e nitidamente muito bem escalado) que inclui Matt Damon (Air: A História por Trás do Logo) na pele do protagonista Odisseu, Anne Hathaway (Instinto Materno) como a fiel esposa que tece a mortalha interminável para a escolha de um novo pretendente, além de Tom Holland (Telêmaco), Robert Pattinson (Antínoo), Lupita Nyong'o (Helena de Troia), Zendaya (deusa Athena) e outros (todos com tempo de tela proveitosos), mas pela entrega final de tamanha epopeia que é tal qual o meme atual muito usado: "Absolute Cinema".

A grandiosidade do poema que narra feitos heroicos, intervenções divinas e aventuras extraordinárias por meio de uma linguagem colossal se faz presente no longa de edição ágil, roteiro extremamente amarradinho e trilha sonora de arrepiar. Em meio a idas e vindas na narrativa, acompanha-se as aventuras do herói grego Odisseu (Matt Damon) e sua trajetória enfrentando monstros e a fúria de deuses como Poseidon ao regressar para casa após a Guerra de Troia, para reencontrar a esposa Penélope e o filho Telêmaco que resistem bravamente a pretendentes ao trono.

Acompanhar cada etapa da façanha mais extraordinária da literatura universal, seja das aventuras de Odisseu, esbarrando no gigante ciclope Polifemo, filho de Poseidon, na poderosa deusa e feiticeira da ilha de Eeia, Circe (Samantha Morton, de "A Baleia"), ouvir o canto das sereias, ser aprisionado por Calipso (Charlize Theron, de "O Escândalo"), a ninfa da ilha de Ogígia, assim como a luta de Penélope e Telêmaco em protegerem Ítaca de modo inteligente é um entretenimento totalmente empolgante. Tudo é como uma aula ilustrada na mais alta categoria. Com uma fotografia de encher os olhos, "A Odisseia" é sem dúvida um filme que marcará presença no Oscar 2027 e tem tudo para levar o prêmio em importantes categorias. Imperdível!

A Odisseia. (The Odyssey). Diretor: Christopher Nolan. Roteiro: Christopher Nolan. Gênero: Épico, Aventura e Ação. Duração: 172 minutos (2h e 52min). Elenco principal: Matt Damon (Odisseu), Anne Hathaway (Penélope) e Tom Holland (Telêmaco). Trilha Sonora: Ludwig Göransson. Sinopse: Odisseu, rei de Ítaca, embarca em uma jornada para retornar para casa após a Guerra de Troia.


Trailer de "A Odisseia"


Leia+

.: Resenha crítica de "Dunkirk", dirigido por Christopher Nolan

.: Crítica: "Air: A História por Trás do Logo" é surpreendentemente incrível

.: Crítica de "O Escândalo", estrelado por Nicole Kidman e Charlize Theron

: Crítica: "Ela Disse" é filme-denúncia sobre assédio sexual e agressão sexual

.: Resenha crítica: "Instinto Materno" entrega desfecho cruel e inimaginável

.: Resenha crítica de "Amor e inocência" com Anne Hathaway e James McAvoy

.: Crítica de "O Escândalo", estrelado por Nicole Kidman e Charlize Theron

.: Crítica: "A Baleia" fisga do início ao fim e Fraser tem tudo para levar Oscar

.: Crítica: "A Baleia" é detestado porque críticos de cinema odeiam teatro

.: Resenha crítica de "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton

.: Julio Medem reconstrói a história e coloca açúcar em “8 Décadas de Amor”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A trajetória de um amor que insiste em sobreviver ao tempo e às agruras de um país move “8 Décadas de Amor”, novo longa de Julio Medem que chega à plataforma de streaming Reserva Imovision. Conhecido por obras como “Lúcia e o Sexo” e “Os Amantes do Círculo Polar”, o cineasta espanhol constrói uma narrativa guiada por coincidências, circularidade e afetos em permanente tensão. Protagonizado por Javier Rey e Ana Rujas, o filme acompanha Octavio e Adela, nascidos em 14 de abril de 1931, marco da proclamação da Segunda República Espanhola.

Embora compartilhem origem temporal e geográfica, pertencem a universos sociais opostos. Ele cresce em um ambiente privilegiado; ela, em uma realidade marcada pela escassez. Ao longo de oito décadas, seus caminhos se cruzam em encontros intensos e desencontros que deixam marcas, enquanto a Espanha atravessa guerra civil, ditadura e redemocratização. Dividido em oito episódios, muitos deles encenados em planos-sequência, o longa-metragem percorre quase um século de história europeia sem abandonar o eixo íntimo dos personagens. A direção de fotografia de Rafael Reparaz aposta em variações de cor e textura para situar cada período, enquanto a trilha de Lucas Vidal sublinha o tom romântico que sustenta a narrativa. No elenco de apoio, nomes como Álvaro Morte, Tamar Novas e Carla Díaz ampliam o mosaico de relações que orbitam o casal central.

Premiado pelo público no Festival de Málaga, “8 Décadas de Amor” revela a ambição de Medem em articular história coletiva e experiência privada. Em entrevistas à imprensa europeia, o diretor destacou o desejo de abordar temas como polarização social, memória e transformação do papel feminino ao longo do século XX. A estrutura fragmentada, com saltos temporais, ecoa essa intenção ao transformar o romance em espécie de fio condutor para atravessar diferentes momentos históricos.

Há também um componente simbólico evidente na repetição do número oito, que organiza a narrativa e sugere ciclos, retornos e permanências. Essa escolha dialoga com a filmografia do diretor, frequentemente interessada em destinos que se cruzam de forma quase inevitável. Ao mesmo tempo, a dimensão histórica ganha peso ao inserir os personagens em eventos que moldaram a identidade espanhola contemporânea. Com 2h06 de duração, o longa aposta em um ritmo contemplativo, sustentado por reencontros que carregam tanto desejo quanto frustração. Entre escolhas pessoais e imposições externas, Octavio e Adela seguem caminhos distintos - inclusive ao lado de outros parceiros -, mas mantêm um vínculo que resiste às rupturas.

Ficha técnica
“8 Décadas de Amor” | “8” (Título original)
Gênero: drama, romance. Duração: 126 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 11 de junho de 2026. Idioma: espanhol. Direção e roteiro: Julio Medem. Elenco: Javier Rey, Ana Rujas, Álvaro Morte, Tamar Novas, Carla Díaz. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Von Trotta transforma Rosa Luxemburgo em retrato inquieto da política europeia


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A cinebiografia "Rosa Luxemburgo" chega à plataforma de streaming Reserva Imovision para resgatar a força inquieta de uma das figuras mais controversas e fascinantes da história política europeia. Dirigido por Margarethe Von Trotta, o longa-metragem alemão de 1986 aposta menos na rigidez da cinebiografia clássica e mais na pulsação humana de sua protagonista, vivida por Barbara Sukowa em uma interpretação que marcou época - premiada no Festival de Cannes daquele ano.

A narrativa acompanha Rosa Luxemburgo desde a atuação dela como intelectual e militante revolucionária até os anos de repressão, prisões e embates ideológicos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Polonesa de nascimento e figura central da esquerda alemã, Luxemburgo foi filósofa, economista e uma voz ativa dentro da social-democracia europeia, participando da fundação de movimentos que mais tarde desembocariam no Partido Comunista da Alemanha. A trajetória, encerrada de forma brutal em 1919, ecoa no filme como tensão constante entre pensamento e ação.

Von Trotta constrói essa figura histórica sem a engessar em discursos expositivos. Há política, claro, mas há também contradição, afeto, ironia e cansaço. A diretora, que consolidou uma filmografia dedicada a mulheres em conflito com seu tempo, encontra em Rosa um retrato que mistura firmeza intelectual e vulnerabilidade emocional. Essa abordagem se reflete na escolha de incorporar trechos reais das cartas da própria revolucionária, muitas delas escritas durante o cárcere, o que confere densidade e autenticidade ao texto.

Barbara Sukowa, que colaborou diversas vezes com a cineasta, mergulhou nos escritos originais de Luxemburgo para compor a personagem. O resultado é uma atuação que evita caricaturas e destaca a complexidade de uma mulher que recusava simplificações. Ao seu lado, Daniel Olbrychski contribui para dar corpo aos embates políticos e pessoais que atravessam a narrativa.

Realizado em plena Guerra Fria, o filme provocou debates intensos na Alemanha Ocidental, sobretudo por revisitar uma figura marxista em um período ainda marcado por divisões ideológicas profundas. Ainda assim, a diretora optou por não transformar a obra em panfleto, preferindo explorar as ambiguidades de sua personagem. "Rosa Luxemburgo" integra uma espécie de trilogia informal de von Trotta sobre mulheres historicamente engajadas, ao lado de outros retratos femininos igualmente densos. Décadas depois, o filme mantém sua força ao revisitar uma trajetória que segue provocando leituras diversas. 


Ficha técnica
“Rosa Luxemburgo” | (“Rosa Luxemburg” (Título original) 
Gênero: drama, biografia Duração: 123 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1986. Idioma: alemão. Direção: Margarethe von Trotta. Roteiro: Margarethe von Trotta. Elenco: Barbara Sukowa, Daniel Olbrychski. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Drama coreano “A Guarda Costeira” revisita fronteira e desmonta ilusões


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A estreia de “A Guarda Costeira” na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte   recoloca em circulação um dos títulos mais incômodos da filmografia de Kim Ki-duk, cineasta sul-coreano que construiu carreira provocando plateias e festivais com narrativas de alta voltagem emocional. Lançado originalmente em 2002, o longa - cujo título original é “Haeanseon” e que em Portugal recebeu o nome de “A Linha da Costa” - acompanha o soldado Kang, integrante de uma unidade da guarda costeira que vigia uma área cercada por arame farpado, na fronteira simbólica entre Coreia do Sul e Coreia do Norte.

Interpretado por Jang Dong-gun, astro popular do cinema coreano nos anos 2000, o personagem é movido por uma obsessão: eliminar um suposto espião e, com isso, conquistar reconhecimento dentro da hierarquia militar. O que se desenha a partir dessa expectativa é um retrato duro sobre paranoia, disciplina e desumanização. Ao lado de Kim Jeong-hak e Park Ji-ah, o elenco sustenta um clima de tensão crescente, em que o erro — inevitável — desencadeia consequências devastadoras.

Kim Ki-duk assina direção e roteiro, imprimindo sua marca autoral em cada decisão estética. O filme nasce, em parte, de sua própria experiência como ex-integrante da Marinha sul-coreana, o que ajuda a explicar o rigor quase documental em algumas sequências e a violência crua que atravessa a narrativa. Durante as filmagens, realizadas em Jeonju e Seul ao longo de pouco mais de um mês, o diretor adotou métodos intensos, com poucos ensaios e estímulo a reações espontâneas do elenco.

Exibido no Festival de Veneza em 2002 e premiado no Festival de Karlovy Vary com o troféu da crítica internacional (FIPRESCI), “A Guarda Costeira” marcou um momento de virada na trajetória de Kim Ki-duk, que deixou de circular apenas em nichos para ocupar espaço mais amplo no circuito europeu. A história, centrada no equívoco fatal de um soldado que confunde um civil com inimigo, dialoga diretamente com o estado permanente de tensão na península coreana, transformando um episódio individual em comentário político de alcance mais amplo. Sem suavizar a brutalidade de seus personagens, o longa confronta o espectador com a lógica interna de um sistema que premia a violência e pune a dúvida.

Ficha técnica
“A Guarda Costeira” | (“Haeanseon” (Título original) | “A Linha da Costa” (Título em Portugal)
Gênero: drama, guerra. Duração: 1h31m. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2002. Data de lançamento: 22 de novembro de 2002. Idioma: coreano. Direção e roteiro: Kim Ki-duk. Elenco: Jang Dong-gun, Kim Jeong-hak, Park Ji-ah, Yoo Hae-jin, Kim Tae-woo. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.



Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

.: "A Divina Sarah Bernhardt" estreia nesta quinta nos cinemas brasileiros


Dirigido por Guillaume Nicloux e estrelado por Sandrine Kiberlain, "A Divina Sarah Bernhardt" chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de julho com distribuição da Imovision. Com uma abordagem que une drama histórico e romance, o filme é um mergulho no universo extravagante da famosa atriz francesa do século 19, considerada uma figura visionária e uma lenda do teatro. Ambientada na Paris de 1986, a trama acompanha a primeira celebridade do mundo, Sarah Bernhardt, no auge de sua glória como atriz e uma mulher à frente de seu tempo, sempre desafiando as convenções sociais.

Vencedora do César de Melhor Atriz por "Uma Juíza Sem Juízo", Sandrine Kiberlain dá vida à personalidade irreverente de Bernhardt em um drama biográfico que retrata as paixões, excentricidades e a incansável dedicação ao teatro da figura que ficou conhecida como "A Divina". A partir de dois episódios marcantes na vida da atriz - o jubileu de 1896, organizado por amigos em sua homenagem, e a amputação de sua perna direita em 1915 - o longa explora o relacionamento amoroso de Bernhardt com o ator Lucien Guitry e o encontro com diversas figuras importantes da época, como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Sigmund Freud e Émile Zola.

.: “Diamantes” reúne musas de Ferzan Özpetek e recria Roma dos anos 70


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Diamantes” chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  com a assinatura de Ferzan Özpetek, cineasta turco-italiano que volta a Roma dos anos 1970 para encenar um drama coral embalado por amor, disputas e memórias. No filme, um diretor reúne suas atrizes favoritas para um projeto que, pouco a pouco, ganha forma dentro de um ateliê de figurinos cinematográficos comandado pelas irmãs Alberta e Gabriella Canova, vividas por Luisa Ranieri e Jasmine Trinca.

A história do filme desliza entre realidade e ficção enquanto acompanha o cotidiano de mulheres que sustentam, com talento e urgência, a engrenagem invisível do cinema. Entre máquinas de costura, prazos apertados e pressões de uma grande produção, surgem histórias íntimas marcadas por perdas, amores interrompidos, violência doméstica e dificuldades financeiras. O roteiro, assinado por Özpetek, Elisa Casseri e Carlotta Corradi, aposta no entrelaçamento dessas trajetórias para construir um painel coletivo em que cada personagem encontra espaço para brilhar.

Com Stefano Accorsi, Aurora Giovinazzo, Anna Ferzetti e Vinicio Marchioni no elenco, “Diamantes” chama atenção pela reunião de 18 atrizes italianas de destaque - um feito raro no cinema contemporâneo do país. A imprensa local tratou o longa como um encontro das musas de Özpetek, diretor conhecido por valorizar personagens femininas e dinâmicas familiares intensas. O resultado ecoa o melodrama vibrante que muitos associam ao cinema de Pedro Almodóvar, com cores marcantes, emoções à flor da pele e cenas coletivas carregadas de energia.

A origem do projeto está nas lembranças do próprio diretor, que frequentava oficinas de figurino no início da carreira, nos anos 1980, em Roma. Esse material autobiográfico se traduz na atenção aos detalhes - tecidos, cortes e texturas ganham protagonismo e ajudam a contar histórias que vão além do que se vê em cena. A trilha sonora, assinada por Giuliano Taviani e Carmelo Travia, acompanha esse movimento com sensibilidade.

Sucesso de público na Itália, “Diamantes” ultrapassou 16 milhões de euros em bilheteria e levou mais de 2 milhões de espectadores aos cinemas, tornando-se o maior êxito comercial da carreira de Özpetek, superando títulos consagrados como “A Janela da Frente” e “O Banho Turco”. O filme também marca mais uma colaboração do diretor com a cantora Giorgia, responsável pela canção-tema.

Ficha técnica
“Diamantes” | (“Diamanti” (Título original) 
Gênero: drama, comédia. Duração: 135 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 19 de dezembro de 2024 (Itália). Idioma: italiano. Direção: Ferzan Özpetek. Roteiro: Ferzan Özpetek, Elisa Casseri, Carlotta Corradi. Elenco: Luisa Ranieri, Jasmine Trinca, Stefano Accorsi, Aurora Giovinazzo, Anna Ferzetti, Vinicio Marchioni, Elena Sofia Ricci, Kasia Smutniak, Vanessa Scalera, entre outros. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.



Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

.: Crítica: "Moana" é o live action que ninguém pediu, mas é agradável

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2026


A história da princesa de uma comunidade da etnia Motonui, a desbravadora da Disney, "Moana" virou live action e antes mesmo de as gravações ganharem força, choveram críticas sobre a real necessidade de adaptar "Moana: Um Mar de Aventuras", recente animação de sucesso, com atores reais. Eis que "Moana" chega as telas de cinema (sem o público pedir) trazendo uma adaptação bastante fiel ao infantil de 2016.

Muito agradável de se ver na tela gigante de cinema, mesmo com os efeitos visuais defeituosos. De fato, há pontos favoráveis pela coragem de manter a história bastante solar, o que evidencia tais problemas, muito por movimentos bruscos. Contudo, a história repleta de magia faz lembrar que ali há uma trama de ficção.

Assim, "Moana" tem sequências nitidamente preparadas por computação gráfica, mas entrega o respeito de seguir a obra original e, claro, trazer Dwayne Jackson como o semideus egocêntrico Maui. E é um deleite vê-lo em carne e osso no papel que é a cara dele.

Como aquela que dá o nome da produção está a novata Catherine Laga'aia que encarna todo carisma e poder de Moana. De rostinho delicado e bem mais bonita do que a da animação, a atriz ganha o público já nos primeiros minutos de apresentação e fica fácil torcer pela Moana humana. 

"Moana' é extremamente agradável de se assistir e é uma excelente opção de entretenimento. As sequências musicais mantém as letras conhecidas e a empolgação de quem é fã simplesmente acontece. Na versão dublada Moana Waialiki leva a voz de Bia Vasconcellos, enquanto que Maui segue com Saulo Vasconcelos (o mesmo da animação de 2016) e a Vovó Tala tem a voz de Nabia Villela. Vale a pena conferir!


"Moana" (Moana). Gênero: Animação, Aventura, Musical. Direção: Ron Clements e John Musker. Roteiro: Jared Bush, Ron Clements, John Musker, entre outros. Trilha Sonora Original: Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foa'i e Mark Mancina. Elenco de Voz (Original): Auli'i Cravalho (Moana), Dwayne Johnson (Maui). Duração: 107 minutos. Sinopse: Moana acompanha uma corajosa jovem que, para salvar seu povo, parte em uma jornada épica pelo oceano para encontrar o semideus Maui e devolver o coração místico de Te Fiti

Trailer de "Moana"



Leia+

.: Crítica: "Moana 2" é encantadoramente lindo e colorido em viagem a Motufetu

.: "Moana 2" nos cinemas: descubra quem está de volta nesta sequência

.: Resenha crítica da animação "Divertida Mente"

.: Resenha crítica: "Divertida Mente 2" revela Segredo Sombrio de Riley

.: Resenha crítica de "Enrolados", animação Disney

segunda-feira, 13 de julho de 2026

.: Filme “Camille Claudel” escancara o preço da genialidade feminina


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

 “Camille Claudel” estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte e recoloca em circulação um dos retratos mais intensos já feitos sobre a criação artística e seus abismos. Dirigido por Bruno Nuytten, que até então era reconhecido sobretudo como diretor de fotografia, o longa-metragem de 1988 transforma a trajetória da escultora francesa em um estudo visual e emocional de grande fôlego.

No centro da narrativa está Isabelle Adjani, em uma atuação que atravessa fases distintas da vida da personagem com vigor e precisão. A Camille Claudel interpretada por ela surge jovem, obstinada e inquieta, ganha força ao se afirmar como artista e, aos poucos, começa a se desorganizar diante de perdas, frustrações e isolamento. O desempenho rendeu a ela o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim e uma indicação ao Oscar, consolidando o trabalho como um dos pontos altos de sua carreira.

Ao lado dela, Gérard Depardieu interpreta Auguste Rodin com uma presença que oscila entre o mentor generoso e o homem incapaz de romper com suas próprias contradições. A relação entre os dois sustenta o eixo dramático do filme, misturando admiração artística, desejo, disputa e ressentimento. O elenco ainda reúne nomes como Laurent Grévill, Alain Cuny e Madeleine Robinson, compondo um ambiente familiar e social que pressiona e delimita os caminhos da protagonista.

O roteiro, assinado por Nuytten e Marilyn Goldin, parte da biografia escrita por Reine-Marie Paris, sobrinha-neta de Camille, e se mantém atento aos detalhes históricos. A reconstrução da Paris do final do século XIX aparece com rigor, tanto nos cenários quanto nos figurinos e na ambientação dos ateliês, onde o gesto artístico ganha dimensão quase física. A fotografia de Pierre Lhomme acompanha essa proposta com enquadramentos que lembram esculturas, valorizando textura, luz e volume.

Há ainda curiosidades que ampliam o alcance da obra. Isabelle Adjani já havia interpretado outra figura marcada por sofrimento psíquico em “A História de Adèle H.”, o que estabelece um curioso paralelo em sua filmografia. O filme também inclui uma cena que menciona a morte de Victor Hugo, conectando a narrativa a um momento histórico específico. Outro detalhe envolve Alain Cuny, que interpreta o pai da protagonista e, fora das telas, teve contato real com Paul Claudel, irmão da escultora.

“Camille Claudel” também acumulou reconhecimento em premiações importantes. Além das indicações ao Oscar, conquistou diversos prêmios César, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, fotografia, trilha sonora e direção de arte. A trilha assinada por Gabriel Yared reforça a atmosfera dramática, enquanto a duração extensa - cerca de 175 minutos - permite acompanhar a transformação da personagem com tempo e densidade. A chegada do longa ao catálogo do Belas Artes à La Carte amplia o acesso a uma obra que segue atual ao discutir autoria, reconhecimento e o lugar da mulher em um meio historicamente dominado por homens.


Ficha técnica
"Os Anarquistas" | "The Anarchists" (título original)
Gênero: drama, ação. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2000. Data de lançamento: 29 de abril de 2000. Idioma: coreano. Direção: Yu Young-sik. Roteiro: Park Chan-wook, Lee Moo-young, Bangnidamae. Elenco: Jang Dong-gun, Kim Sang-jung, Jeong Jun-ho, Lee Beom-soo, Kim In-kwon, Ye Ji-won. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

domingo, 12 de julho de 2026

.: “Mãe D’Água”: documentário revela ritual inédito e tensiona fronteiras


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Mãe D’Água”, novo documentário dirigido por Karim A. Soumaïla, estreia na estreia plataforma de streaming Reserva Imovision com um mergulho sensível e rigoroso em práticas espirituais e na memória viva do povo Kariri-Xocó. A produção acompanha o próprio cineasta franco-africano em uma jornada de iniciação ao ritual da jurema, conduzida dentro da aldeia, em Alagoas, território historicamente marcado por disputas e resistência cultural.

A presença de Soumaïla no ritual carrega um peso simbólico: pela primeira vez na história recente, a comunidade autoriza a participação de um estrangeiro nesse processo, tradicionalmente restrito. A decisão amplia o alcance do filme e transforma a experiência em registro raro, que articula pertencimento, escuta e responsabilidade. O diretor não se coloca como observador distante; assume o risco da vivência e incorpora ao filme as tensões desse encontro.

Ao longo de 53 minutos, “Mãe D’Água” constrói um percurso que cruza espiritualidade, identidade e política. A narrativa percorre histórias de luta pela terra, evidencia vínculos entre povos indígenas e afrodescendentes e recupera memórias que permanecem fora dos arquivos oficiais. A jurema, elemento central do ritual, aparece não apenas como prática religiosa, mas como elo entre gerações e forma de preservação de saberes ancestrais.

Karim A. Soumaïla, conhecido por trabalhos que investigam deslocamentos culturais e identitários, mantém aqui uma abordagem direta, com imagens que privilegiam o tempo do ritual e a escuta dos participantes. O documentário evita didatismos e aposta na experiência como forma de aproximação, convidando o espectador a acompanhar um processo que altera a percepção do próprio realizador sobre o Brasil e sobre si.

Produzido no Brasil, o filme dialoga com debates contemporâneos sobre território, ancestralidade e reconhecimento, ampliando o olhar para comunidades que seguem defendendo seus modos de vida diante de pressões externas. A estreia na Reserva Imovision reforça o espaço do documentário como instrumento de circulação dessas narrativas.

Ficha técnica
“Mãe D’Água” 
Gênero: documentário. Duração: 53 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: português. Direção e roteiro: Karim A. Soumaïla. Elenco: Povo Kariri-Xocó e Karim A. Soumaïla. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: “O Rei e Eu” desembarca no streaming e reacende o fascínio dos musicais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“O Rei e Eu” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte resgatando um dos musicais mais celebrados de Hollywood. Lançado em 1956, o filme dirigido por Walter Lang adapta para o cinema o sucesso da Broadway assinado por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com roteiro de Ernest Lehman. No elenco, Yul Brynner, Deborah Kerr e Rita Moreno conduzem uma narrativa que combina romance, embate cultural e espetáculo visual.

Ambientada no antigo Sião, a trama acompanha a professora britânica Anna Leonowens (Deborah Kerr), contratada para educar os filhos do rei Mongkut (Yul Brynner). O encontro entre os dois personagens se transforma em um jogo de forças marcado por diferenças de visão de mundo, protocolos rígidos e uma curiosidade crescente. Entre lições, rituais e tensões políticas, o vínculo que se estabelece evita simplificações e ganha densidade ao longo da narrativa.

O longa-metragem conquistou cinco Oscars, incluindo Melhor Ator para Yul Brynner, que superou nomes como James Dean e Kirk Douglas. A atuação consolidou o ator como a face definitiva do rei Mongkut, papel que ele interpretou milhares de vezes também nos palcos ao longo da vida. Deborah Kerr, por sua vez, teve suas canções dubladas por Marni Nixon, voz recorrente em grandes musicais da época, como “West Side Story” e “My Fair Lady”.

A produção também guarda episódios curiosos. Cogitou-se Marlon Brando para o papel do rei, enquanto Maureen O’Hara chegou a ser considerada para viver Anna. A escolha de Deborah Kerr partiu do próprio Brynner. Durante as filmagens, os figurinos pesados - alguns com mais de 15 quilos - exigiram esforço físico considerável da atriz. Já a famosa sequência ao som de “Shall We Dance?” demandou ensaios rigorosos para equilibrar elegância e tensão dramática.

Apesar do reconhecimento internacional e do sucesso de público, “O Rei e Eu” enfrentou resistência na Tailândia, onde foi proibido por ser considerado desrespeitoso à figura histórica do rei Mongkut. Ainda assim, o filme se mantém como referência estética e narrativa dentro do gênero musical, ocupando posição de destaque em listas do American Film Institute. A chegada ao streaming oferece uma nova oportunidade para revisitar um clássico que reúne cenários grandiosos, figurinos marcantes e uma história construída sobre choque cultural, poder e transformação.


Ficha técnica
“O Rei e Eu” | (“The King and I” (Título original)
Gênero: musical, romance. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 1956. Data de lançamento: 28 de junho de 1956. Idioma: inglês. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Lehman. Elenco: Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Rex Thompson. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

sábado, 11 de julho de 2026

.: “Acerto de Contas” confronta ética e paixão nas ruas de Nova Orleans


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Acerto de Contas” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um dos títulos mais sedutores do cinema policial dos anos 1980. Dirigido por Jim McBride e escrito por Daniel Petrie Jr., o longa-metragem - cujo título original é “The Big Easy” e que, em Portugal, recebeu o nome de “Nas Teias da Máfia” - aposta na mistura de investigação criminal com tensão romântica, ambientada em uma Nova Orleans pulsante.

Na trama, Dennis Quaid vive o detetive Remy McSwain, um policial carismático que navega com naturalidade por práticas pouco ortodoxas dentro da corporação. A rotina dele muda quando passa a investigar uma série de assassinatos ligados à própria polícia. É nesse cenário que surge Anne Osborne, promotora interpretada por Ellen Barkin, enviada para enfrentar a corrupção. O envolvimento entre os dois cresce na mesma proporção em que o caso se complica, colocando ética, desejo e poder em rota de colisão.

O elenco ainda reúne nomes como John Goodman e Ned Beatty, que ajudam a dar corpo a esse retrato de uma instituição corroída por interesses paralelos. A química entre Quaid e Barkin se tornou um dos pontos mais comentados à época do lançamento, com ambos os atores apontando o filme como um dos favoritos de suas carreiras.

Filmado integralmente em Nova Orleans, o longa incorpora com força a identidade local, da música zydeco às paisagens urbanas e ao sotaque cajun que marca a performance de Quaid. A cidade não serve apenas de cenário, mas dita o ritmo e o humor da narrativa, contribuindo para que o filme seja lembrado como uma das representações mais autênticas da região no cinema mainstream daquela década.

Outro dado curioso envolve o desenvolvimento do roteiro, que inicialmente se passaria em Chicago e tinha outro título. A mudança para Nova Orleans redefiniu o projeto e ajudou a consolidar o tom híbrido entre policial e romance. O próprio diretor voltaria a trabalhar com Dennis Quaid em “A Fera do Rock” (1989), explorando um registro completamente diferente.

Lançado em meio à renovação do cinema noir, “Acerto de Contas” acabou associado ao movimento neo-noir dos anos 1980, ainda que opte por uma abordagem mais leve, sem abrir mão das zonas cinzentas de seus personagens. Entre investigações, jogos de poder e relações atravessadas por interesse, o filme constrói um retrato envolvente de uma cidade em que charme e corrupção caminham lado a lado.


Ficha técnica
“Acerto de Contas” | “The Big Easy” (título original) | “Nas Teias da Máfia” (título em Portugal)
Gênero: policial, romance, drama. Duração: 1h42m. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1986. Data de lançamento: 21 de agosto de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Jim McBride. Roteiro: Daniel Petrie Jr. Elenco: Dennis Quaid, Ellen Barkin, John Goodman, Ned Beatty, Grace Zabriskie. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Alanté Kavaïté conduz “Beladona” e desafia o olhar sobre a finitude


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beladona” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em uma ficção científica de atmosfera rarefeita para encarar um tema que ainda provoca desconforto: o envelhecimento. Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, o longa-metragem francês parte de uma premissa inquietante para construir sua narrativa. Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz), uma jovem que vive isolada em uma ilha cuidando de um grupo de idosos que escaparam de uma política estatal que os remove do convívio social. A rotina, marcada por um equilíbrio frágil, ganha novos contornos com a chegada de Aline (Daphné Patakia), David (Dali Benssalah) e uma criança. O que parece sopro de vitalidade logo se converte em tensão: os moradores mais velhos começam a morrer, um a um, enquanto a suspeita cresce em torno dos visitantes.

Exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, o filme dialoga com discussões contemporâneas sobre etarismo e políticas de controle dos corpos. A própria diretora revelou, em entrevistas à imprensa europeia, que o roteiro começou a ser desenvolvido ainda em 2016, mas ganhou novas camadas durante a pandemia de Covid-19, quando a vulnerabilidade da população idosa passou a ocupar o centro do debate global. Essa experiência atravessa a construção dramática do longa, especialmente na maneira como o cuidado é tensionado pela liberdade.

Kavaïté, que também assina o roteiro, opta por acompanhar o ponto de vista de quem cuida, e não dos idosos, escolha que desloca o eixo tradicional dessas narrativas. Gaëlle surge como uma personagem em conflito: ao mesmo tempo em que protege, também restringe, revelando contradições que atravessam relações afetivas marcadas pela finitude. Há ecos evidentes de outras produções recentes que exploram distopias sobre envelhecimento, como o brasileiro “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro - comparação reconhecida pela própria diretora. Ainda assim, “Beladona” prefere um caminho mais introspectivo, investindo em uma encenação contida, fotografia de luz natural e uma narrativa que preserva lacunas. O resultado pode dividir o público: enquanto alguns embarcam na ambiguidade proposta, outros podem sentir falta de respostas mais concretas.

O elenco reúne nomes experientes como Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart e Jean-Claude Drouot, que ajudam a sustentar a tensão silenciosa que percorre o filme. Nadia Tereszkiewicz, por sua vez, carrega o peso dramático da protagonista com intensidade contida, reforçando a sensação de isolamento que define a obra. Sem recorrer a grandes reviravoltas, “Beladona” aposta em uma inquietação progressiva. O filme provoca ao encarar o envelhecimento sem romantização, abrindo espaço para discutir desejo, autonomia e os limites do cuidado em uma sociedade que ainda hesita em lidar com a velhice de forma plena.


Ficha técnica
“Beladona” | “Belladone” (Título original) 
Gênero: ficção científica, drama. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção e roteiro: Alanté Kavaïté. Elenco: Nadia Tereszkiewicz, Daphné Patakia, Dali Benssalah, Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart, Jean-Claude Drouot. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

.: "Coração Satânico" conduz o público a um labirinto sem saída


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"Coração Satânico" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  reafirmando seu lugar como um dos títulos mais perturbadores do cinema dos anos 1980, dirigido e roteirizado por Alan Parker. Lançado originalmente como "Angel Heart" e exibido em Portugal sob o título "Angel Heart – Nas Portas do Inferno", o longa-metragem mergulha no território onde o noir encontra o horror psicológico com uma segurança rara.

Na trama, o detetive particular Harry Angel, interpretado por Mickey Rourke em um de seus trabalhos mais marcantes, aceita investigar o paradeiro de um cantor desaparecido. O que começa como um caso aparentemente convencional ganha contornos cada vez mais inquietantes à medida que surgem mortes brutais, pistas desconexas e uma sensação constante de ameaça. Robert De Niro surge em cena como Louis Cyphre, figura enigmática e elegante, cuja presença carrega um peso que dispensa explicações imediatas. No elenco, ainda estão Charlotte Rampling e Lisa Bonet, esta última em um papel que causou forte repercussão à época do lançamento.

Baseado no romance "Falling Angel", de William Hjortsberg, o filme preserva a espinha dorsal da obra literária, mas altera pontos decisivos, sobretudo no desfecho, ampliando o impacto da revelação final. Parker opta por abandonar a narração típica do gênero policial e aposta na construção visual e sensorial, explorando o calor sufocante do sul dos Estados Unidos e a atmosfera carregada de Nova Orleans, cenário que substitui a Nova York do livro.

A produção também ficou marcada por episódios fora da tela. Marlon Brando chegou a ser cogitado para o papel de Louis Cyphre, enquanto Al Pacino e Jack Nicholson foram considerados para viver Harry Angel antes da escolha por Rourke. Já Robert De Niro, em uma composição precisa e controlada, teve liberdade incomum no set, conduzindo suas próprias cenas. O nome do personagem que interpreta não esconde a natureza da história, funcionando quase como um enigma à vista de todos.

Outro ponto que alimentou discussões foi a participação de Lisa Bonet, então conhecida por seu trabalho na televisão. As cenas de nudez e sexualidade provocaram controvérsia e levaram a cortes em algumas versões, além de debates sobre classificação indicativa em diferentes países. Décadas depois, o impacto permanece.

Visualmente, "Coração Satânico" sustenta um diálogo com o cinema noir clássico, ainda que em cores, com fotografia assinada por Michael Seresin e trilha de Trevor Jones, que ajudam a construir um ambiente inquietante e denso. O resultado é um filme que escapa de definições simples e se mantém como referência quando o assunto é a fusão entre investigação policial e horror metafísico.


Ficha técnica
“Coração Satânico” | "Angel Heart" (título original) | "Angel Heart – Nas Portas do Inferno" (título em Portugal)
Gênero: Suspense, terror. Duração: 113 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 1987. Idioma: Inglês. Direção: Alan Parker. Roteiro: Alan Parker, baseado na obra de William Hjortsberg. Elenco: Mickey Rourke, Robert De Niro, Charlotte Rampling, Lisa Bonet, Brownie McGhee, Stocker Fontelieu. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Bruce Lee explode na tela e redefine o kung fu em “A Fúria do Dragão”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Segundo filme de Bruce Lee, “A Fúria do Dragão” chega ao catálogo da plataforma de streaming Reserva Imovision reafirmando o impacto duradouro de Bruce Lee no cinema de ação. Dirigido e escrito por Wei Lo, o longa de 1972 - originalmente intitulado “Jing Wu Men” e conhecido em mercados internacionais como “Fist of Fury”, além de receber em Portugal o título “O Invencível” - permanece como uma peça-chave na consolidação do kung fu nas telas e na construção do mito em torno de seu protagonista.

A trama acompanha Chen Zhen (Bruce Lee), discípulo do mestre Huo Yuanjia, que retorna a Xangai para se casar e encontra seu mentor morto sob circunstâncias suspeitas. Durante o funeral, a humilhação imposta por um dojo japonês acirra tensões já latentes. Ao descobrir que houve envenenamento, Chen abandona qualquer contenção e parte para uma escalada de vingança que rapidamente ganha contornos trágicos. O elenco reúne ainda Nora Miao, James Tien, Maria Yi e Robert Baker, compondo um quadro típico das produções da Golden Harvest no início dos anos 1970.

Filmado em Hong Kong com orçamento modesto, o longa-metragem transformou limitações em estilo. As cenas de luta, coreografadas pelo próprio Bruce Lee, apostam na contundência dos golpes e na fisicalidade do ator, afastando-se do tom mais coreografado que dominava o gênero até então. Foi também nesse filme que Lee popularizou o uso do nunchaku no cinema, elemento que se tornaria inseparável da imagem dele.

O contexto histórico, ambientado na Xangai sob influência estrangeira no início do século XX, ecoa tensões reais entre chineses e japoneses, ainda frescas na memória coletiva à época da produção. Essa camada política impulsionou a recepção do filme na Ásia, onde se tornou um enorme sucesso de bilheteria e ajudou a projetar Bruce Lee internacionalmente. Nos Estados Unidos, chegou a ser relançado como “The Chinese Connection”, em uma tentativa de evitar confusão com o título anterior do ator.

Há curiosidades que ampliam o fascínio em torno do filme. Jackie Chan aparece brevemente como figurante em cenas de luta, antes de se tornar estrela global. O próprio Bruce Lee dublou o vilão interpretado por Robert Baker nas versões em mandarim e cantonês. Divergências criativas e pessoais levaram Lee a romper com o diretor Wei Lo após este trabalho, encerrando uma parceria que havia rendido seus primeiros sucessos no cinema. E o final abrupto, congelado no instante de um salto em direção ao confronto inevitável, tornou-se uma das imagens mais lembradas de sua filmografia.

“A Fúria do Dragão” se sustenta pela presença magnética de Bruce Lee e pela intensidade de suas sequências de combate. O filme cristaliza a figura do herói que reage à humilhação com fúria e paga o preço por isso continua sendo um retrato que dialoga com o imaginário de resistência de uma época e segue mobilizando plateias décadas depois.

Ficha técnica
“A Fúria do Dragão” | “Jing Wu Men” (título original) | “O Invencível” (título em Portugal)
Gênero: ação, drama. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1972. Data de lançamento: 22 de março de 1972 (Hong Kong). Idioma: mandarim, cantonês e inglês. Direção e roteiro: Wei Lo. Elenco: Bruce Lee, Nora Miao, James Tien, Maria Yi, Robert Baker, Fu Ching Chen, Shan Chin, Ying-Chieh Han, Chikara Hashimoto. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision (streaming). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.
Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.