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sábado, 4 de julho de 2026

.: MIS realiza mostra de filmes pelos 75 anos da atriz Anjelica Huston


Entre os dias 7 e 12 de julho, serão exibidos dez títulos com a artista, com ingressos a partir de R$ 3,00

Na próxima quarta-feira, dia 8 de julho, a atriz Anjelica Huston completa 75 anos e o MIS - Museu da imagem e do Som de São Paulo, como parte de sua programação especial de férias, organiza uma mostra dedicada à sua carreira cinematográfica, exibindo dez filmes com a artista entre os dias 07 e 12 de julho, com ingressos entre R$ 3,00 (meia) e R$ 6,00 (inteira). O diretor geral do MIS e cineasta André Sturm assina a curadoria, que traz títulos com uma potente presença da atriz nas telas, sob direções memoráveis de nomes como Woody Allen, Francis Ford Coppola, Wes Anderson e o próprio pai da atriz, John Huston. A curadoria inclui ainda o longa “Agnes Browne: o despertar de uma vida”, dirigido, produzido e protagonizado pela própria Anjelica. 

Entre os destaques da mostra, estão “A Honra do Poderoso Prizzi”, que lhe rendeu um Oscar de Atriz Coadjuvante, atuando ao lado de Jack Nicholson; “Os Vivos e os Mortos”, último filme de John Huston, baseado no conto “The Death”, de James Joyce; “As Brumas de Avalon”, telefilme que conta a história do lendário Rei Arthur do ponto de vista das mulheres que o rodeavam; e “Os Excêntricos Tenenbaums”, primeira colaboração da atriz com o diretor texano Wes Anderson, algo que se repetiria mais cinco vezes em suas carreiras. 

“A Anjelica Huston vem de uma família tradicional de cinema. Seu pai e seu avô foram diretores grandiosos em suas épocas. Isso poderia deixá-la bem acomodada, mas não. Ela sempre soube escolher muito bem em que projetos estaria e colecionou vários filmes de excelência na carreira”, comenta o curador André Sturm. “Ela não foi para aquela prateleira de ‘leading lady’ hollywoodiana clássica, sua atuação sempre foi muito magnética e potente, dividindo protagonismo e mesmo coadjuvando com muito brilhantismo. Além disso, sempre foi, desde jovem, uma mulher muito elegante, muito sofisticada, sem pedantismo, com muita presença na tela”


Programação | Mostra Anjelica Huston 75 Anos

7 de julho, terça-feira
15h00 | Auditório MIS
"Os Vivos e os Mortos" ("The Dead", dir
eção John Huston, 1987, EUA, Reino Unido/Alemanha, 83 minutos, livre)
Durante uma tradicional reunião familiar do Dia de Reis, em Dublin, conversas, músicas e recordações ocupam o centro da noite. Aos poucos, pequenas revelações e memórias do passado alteram a percepção que os personagens têm de si mesmos e dos outros. 

17h00 | Auditório MIS
"Jardins de Pedra" ("Gardens of Stone", direção Francis Ford Coppola, 1987, EUA, 111 minutos, 14 anos) 
Em plena Guerra do Vietnã, um sargento veterano do exército americano trabalha na unidade responsável pelos funerais militares. Impedido de acompanhar os jovens soldados enviados ao front, ele tenta orientá-los e protegê-los antes da partida. Paralelamente, desenvolve uma relação afetiva com uma jornalista idealista. 

20h00 | Auditório MIS
"A Honra do Poderoso Prizzi" ("Prizzi's Honor", direção John Huston, 1985, EUA, 130 minutos, 12 anos) 
Charley Partanna é um assassino profissional leal à poderosa família mafiosa Prizzi, de Nova York. Durante um casamento, ele se apaixona por Irene Walker, sem saber que ela também trabalha como matadora de aluguel. O romance entre os dois rapidamente se mistura aos interesses e às traições do crime organizado. 


8 de julho, quarta-feira
15h | Auditório MIS
"As Brumas de Avalon" ("The Mists of Avalon", dir
eção Uli Edel, 2001, Alemanha/Rep. Tcheca/EUA, 183 minutos, 14 anos)
Em uma Bretanha dividida entre antigas tradições pagãs e o avanço do cristianismo, Morgana é criada na ilha de Avalon sob a orientação das sacerdotisas da religião ancestral. Enquanto o jovem Arthur ascende ao trono, as mulheres ao seu redor procuram influenciar os rumos do reino e preservar o equilíbrio político e espiritual da região. Ao longo dos anos, alianças, rivalidades e deveres familiares moldam o destino dos personagens. 

18h00 | Auditório MIS
"Crimes e Pecados" ("Crimes and Misdemeanors", dir
eção Woody Allen, 1989, EUA, 104 minutos, 14 anos)
Um respeitado oftalmologista tem a vida mergulhada em uma crise quando sua amante ameaça revelar seu relacionamento extraconjugal à sua esposa. Paralelamente, um documentarista tenta concluir um filme enquanto enfrenta dificuldades profissionais e conjugais. As trajetórias dos dois homens se desenvolvem em paralelo, e, conforme suas escolhas produzem consequências inesperadas, ambos são obrigados a confrontar os próprios valores e responsabilidades. 

20h00 | Auditório MIS
"Inimigos: Uma História de Amor" ("Enemies, a Love Story", dir
eção Paul Mazursky, 1989, EUA, 119 minutos, 14 anos)
Na Nova York do pós-guerra, um sobrevivente do Holocausto vive com a mulher polonesa que o ajudou a sobreviver durante a ocupação nazista. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento secreto com outra sobrevivente da guerra. Sua vida se complica ainda mais quando sua primeira esposa, que ele acreditava ter morrido durante o conflito, reaparece inesperadamente. Ele tenta conciliar as três relações e as consequências de suas escolhas. 


9 de julho, quinta-feira 
15h00 | Auditório MIS
"Os Imorais" ("The Grifters", direção Stephen Frears, 1990, EUA, 110 minutos, 16 anos) 
Um pequeno golpista vive aplicando fraudes de baixo risco. Após ser espancado durante uma tentativa de golpe, ele acaba sob os cuidados da mãe, uma operadora experiente no mundo das apostas e trapaças. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento com uma mulher que também vive de golpes e enganos. À medida que as três trajetórias se cruzam, surgem disputas de interesse, desconfiança e manipulação entre eles. 

16h00 | Auditório LABMIS
"Agnes Browne - O Despertar de Uma Vida"
 ("Agnes Browne", direção Anjelica Huston, 1999, Irlanda/EUA, 92 minutos, 14 anos) 
Em Dublin, em 1967, Agnes Browne precisa reorganizar sua vida após a morte repentina do marido. Com sete filhos para criar, ela enfrenta dificuldades financeiras e passa a vender frutas e verduras em um mercado de rua. No cotidiano, ela conta com o apoio constante de sua melhor amiga, com quem divide os desafios e pequenas alegrias do dia a dia. Aos poucos, Agnes também lida com novas possibilidades de relacionamento e com a tentativa de reconstruir sua estabilidade familiar. 

17h00 | Auditório MIS
"Os Vivos e os Mortos" ("The Dead", direção John Huston, 1987, EUA, Reino Unido/Alemanha, 83 minutos, livre)
Durante uma tradicional reunião familiar do Dia de Reis, em Dublin, conversas, músicas e recordações ocupam o centro da noite. Aos poucos, pequenas revelações e memórias do passado alteram a percepção que os personagens têm de si mesmos e dos outros. 

18h00 | Auditório Labmis
"A Honra do Poderoso Prizzi" ("Prizzi's Honor", direção John Huston, 1985, EUA, 130 minutos, 12 anos) 
Charley Partanna é um assassino profissional leal à poderosa família mafiosa Prizzi, de Nova York. Durante um casamento, ele se apaixona por Irene Walker, sem saber que ela também trabalha como matadora de aluguel. O romance entre os dois rapidamente se mistura aos interesses e às traições do crime organizado.  

19h00 | Auditório MIS
"Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", direção Wes Anderson, 2001, EUA, 110 min, 14 anos) 
Royal Tenenbaum se afasta da família após anos de convivência conturbada com sua esposa e seus três filhos prodígios. Anos depois, ele retorna à casa da família afirmando estar doente, tentando reaproximar-se dos filhos já adultos, cada um lidando com suas próprias frustrações e trajetórias interrompidas. A convivência forçada faz com que antigas tensões e ressentimentos venham à tona, fazendo-os confrontar o passado e suas relações.


10 de julho, sexta-feira
15h00 | Auditório MIS
 
"Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", direção Wes Anderson, 2001, EUA, 110 min, 14 anos) 
Royal Tenenbaum se afasta da família após anos de convivência conturbada com sua esposa e seus três filhos prodígios. Anos depois, ele retorna à casa da família afirmando estar doente, tentando reaproximar-se dos filhos já adultos, cada um lidando com suas próprias frustrações e trajetórias interrompidas. A convivência forçada faz com que antigas tensões e ressentimentos venham à tona, fazendo-os confrontar o passado e suas relações.


17h00 | Auditório MIS 
"Agnes Browne - O Despertar de Uma Vida"
 ("Agnes Browne", direção Anjelica Huston, 1999, Irlanda/EUA, 92 minutos, 14 anos) 
Em Dublin, em 1967, Agnes Browne precisa reorganizar sua vida após a morte repentina do marido. Com sete filhos para criar, ela enfrenta dificuldades financeiras e passa a vender frutas e verduras em um mercado de rua. No cotidiano, ela conta com o apoio constante de sua melhor amiga, com quem divide os desafios e pequenas alegrias do dia a dia. Aos poucos, Agnes também lida com novas possibilidades de relacionamento e com a tentativa de reconstruir sua estabilidade familiar. 


19h00 | Auditório MIS
"Um Misterioso Assassinato em Manhattan" ("Manhattan Murder Mystery", direção Woody Allen, 1993, EUA, 104 min, 12 anos) 
Carol começa a suspeitar que seu vizinho possa ter assassinado a própria esposa após a morte repentina da mulher. Enquanto seu marido considera a hipótese absurda, ela decide investigar o caso por conta própria. À medida que surgem comportamentos e acontecimentos cada vez mais estranhos, o casal passa a seguir pistas e observar os movimentos do suspeito. A investigação amadora acaba envolvendo amigos, desencontros e uma série de situações inesperadas em diferentes pontos de Manhattan. 


11 de julho, sábado
15h00 | Auditório MIS

"Inimigos: Uma História de Amor" ("Enemies, a Love Story", direção Paul Mazursky, 1989, EUA, 119 minutos, 14 anos)
Na Nova York do pós-guerra, um sobrevivente do Holocausto vive com a mulher polonesa que o ajudou a sobreviver durante a ocupação nazista. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento secreto com outra sobrevivente da guerra. Sua vida se complica ainda mais quando sua primeira esposa, que ele acreditava ter morrido durante o conflito, reaparece inesperadamente. Ele tenta conciliar as três relações e as consequências de suas escolhas. 


16h00 | Auditório LABMIS

"Crimes e Pecados" ("Crimes and Misdemeanors", direção Woody Allen, 1989, EUA, 104 minutos, 14 anos)
Um respeitado oftalmologista tem a vida mergulhada em uma crise quando sua amante ameaça revelar seu relacionamento extraconjugal à sua esposa. Paralelamente, um documentarista tenta concluir um filme enquanto enfrenta dificuldades profissionais e conjugais. As trajetórias dos dois homens se desenvolvem em paralelo, e, conforme suas escolhas produzem consequências inesperadas, ambos são obrigados a confrontar os próprios valores e responsabilidades. 


17h00 | Auditório MIS 
"Um Misterioso Assassinato em Manhattan" ("Manhattan Murder Mystery", dir
eção Woody Allen, 1993, EUA, 104 min, 12 anos) 
Carol começa a suspeitar que seu vizinho possa ter assassinado a própria esposa após a morte repentina da mulher. Enquanto seu marido considera a hipótese absurda, ela decide investigar o caso por conta própria. À medida que surgem comportamentos e acontecimentos cada vez mais estranhos, o casal passa a seguir pistas e observar os movimentos do suspeito. A investigação amadora acaba envolvendo amigos, desencontros e uma série de situações inesperadas em diferentes pontos de Manhattan. 


18h00 | Auditório Labmis 
"Jardins de Pedra" ("Gardens of Stone", direção Francis Ford Coppola, 1987, EUA, 111 minutos, 14 anos) 
Em plena Guerra do Vietnã, um sargento veterano do exército americano trabalha na unidade responsável pelos funerais militares. Impedido de acompanhar os jovens soldados enviados ao front, ele tenta orientá-los e protegê-los antes da partida. Paralelamente, desenvolve uma relação afetiva com uma jornalista idealista. 


19h00 | Auditório MIS 
"Os Imorais" ("The Grifters", direção Stephen Frears, 1990, EUA, 110 minutos, 16 anos) 
Um pequeno golpista vive aplicando fraudes de baixo risco. Após ser espancado durante uma tentativa de golpe, ele acaba sob os cuidados da mãe, uma operadora experiente no mundo das apostas e trapaças. Ao mesmo tempo, mantém um relacionamento com uma mulher que também vive de golpes e enganos. À medida que as três trajetórias se cruzam, surgem disputas de interesse, desconfiança e manipulação entre eles. 


12 de julho, domingo
15h00 | Auditório Labmis 

"Os Excêntricos Tenenbaums" ("The Royal Tenenbaums", direção Wes Anderson, 2001, EUA, 110 min, 14 anos) 
Royal Tenenbaum se afasta da família após anos de convivência conturbada com sua esposa e seus três filhos prodígios. Anos depois, ele retorna à casa da família afirmando estar doente, tentando reaproximar-se dos filhos já adultos, cada um lidando com suas próprias frustrações e trajetórias interrompidas. A convivência forçada faz com que antigas tensões e ressentimentos venham à tona, fazendo-os confrontar o passado e suas relações.


17h00 | Auditório Labmis
 
"As Brumas de Avalon" ("The Mists of Avalon", direção Uli Edel, 2001, Alemanha/Rep. Tcheca/EUA, 183 minutos, 14 anos)
Em uma Bretanha dividida entre antigas tradições pagãs e o avanço do cristianismo, Morgana é criada na ilha de Avalon sob a orientação das sacerdotisas da religião ancestral. Enquanto o jovem Arthur ascende ao trono, as mulheres ao seu redor procuram influenciar os rumos do reino e preservar o equilíbrio político e espiritual da região. Ao longo dos anos, alianças, rivalidades e deveres familiares moldam o destino dos personagens. 

Serviço | Mostra Anjelica Huston 75 Anos
De 7 a 12 de julho de 2026
Auditório MIS e Auditório LABMIS
Ingresso: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Ingressos à venda na plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS
Classificação: de acordo com cada filme

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual.

.: Filme italiano “A Vida À Parte” constrói retrato íntimo sobre exclusão e afeto


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“A Vida À Parte” estreia plataforma de streaming Reserva Imovision  e traz de volta o olhar sensível de Marco Tullio Giordana para os conflitos íntimos que acontecem nas relações familiares. Conhecido por títulos como “A Melhor Juventude”, o diretor italiano aposta novamente em uma história que se expande no tempo para observar, com precisão, as marcas visíveis e invisíveis que moldam os personagens dele.

Ambientado na Itália dos anos 1980, o filme acompanha o nascimento de Rebecca (Beatrice Barison), filha de uma família rica e socialmente respeitada. A chegada da menina, marcada por uma extensa mancha vermelha no rosto, altera o equilíbrio da casa e expõe problemáticas que já existiam. A mãe, Maria (Valentina Bellè), vê as expectativas dela perante a filha ruírem, enquanto a relação com a cunhada Erminia (Sonia Bergamasco), pianista consagrada, ganha contornos cada vez mais tensos.

O roteiro, assinado por Marco Tullio Giordana, Marco Bellocchio e Gloria Malatesta, adapta o romance homônimo de Mariapia Veladiano e percorre cerca de duas décadas da vida da família Macola. Ao longo desse período, o filme alterna pontos de vista e desloca o protagonismo, primeiro centrado na mãe e depois na própria Rebecca, que cresce enfrentando rejeições, constrangimentos e uma constante sensação de inadequação.

A música surge como eixo de reconstrução. É por meio dela que Rebecca encontra alguma forma de pertencimento, em contraste com o ambiente doméstico rígido e marcado por expectativas sociais. Um detalhe curioso reforça essa dimensão: as atrizes Beatrice Barison, Sonia Bergamasco, Sara Ciocca e Viola Basso executam as peças ao piano em cena, sem dublês, o que confere autenticidade às sequências musicais.

Selecionado para o Festival de Locarno, o filme foi exibido fora de competição. Com fotografia de Roberto Forza e trilha assinada por Dario Marianelli, o longa-metragem constrói um ambiente visual elegante, em contraste com o desconforto que se instala dentro da casa. A direção de Giordana opta por um ritmo paciente, permitindo que os conflitos se revelem em gestos e olhares para discutir padrões de beleza, pertencimento e as pressões exercidas dentro do núcleo familiar.

Ficha técnica
“A Vida À Parte” | “La Vita Accanto” (título original) | “A Vida À Parte” (título em Portugal).

Gênero: drama. Duração: 114 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 8 de junho de 2026 (Brasil). Idioma: Italiano. Direção: Marco Tullio Giordana. Roteiro: Marco Tullio Giordana, Marco Bellocchio, Gloria Malatesta. Elenco: Beatrice Barison, Sonia Bergamasco, Paolo Pierobon, Valentina Bellè. Distribuição no Brasil: Imovision / Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Francis Ford Coppola resgata história real e apresenta “Tucker” ao streaming


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com
 
“Tucker: Um Homem e Seu Sonho” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte mostrando um retrato inquieto de um empreendedor que ousou enfrentar gigantes - e pagou o preço por isso. Dirigido por Francis Ford Coppola, o longa-metragem de 1988 recupera a trajetória real de Preston Tucker, figura carismática e obstinada vivida por Jeff Bridges, que tenta lançar um automóvel revolucionário no imediato pós-guerra norte-americano.

O filme acompanha a ascensão e a queda de Tucker, um inventor que acreditava na reinvenção da indústria automobilística. Seu modelo, o Tucker 48, trazia soluções que décadas depois se tornariam padrão: farol central que acompanhava curvas, para-brisa projetado para se desprender em impactos e um olhar incomum para a segurança dos passageiros. O entusiasmo do protagonista, aliado à sua habilidade de convencimento, mobiliza investidores e curiosos, mas também desperta a reação de um sistema pouco disposto a abrir espaço para um novato.

Coppola conduz a narrativa com energia e certa leveza, combinando drama biográfico com toques de humor e um ritmo que evoca cinejornais e peças publicitárias da época. A fotografia de Vittorio Storaro recria os anos 1940 com cores vibrantes e uma atmosfera quase nostálgica, enquanto a trilha de Joe Jackson reforça o espírito inventivo do protagonista. No elenco, Joan Allen interpreta Vera Tucker, porto seguro emocional do personagem, e Martin Landau - premiado com o Globo de Ouro - dá densidade ao empresário Abe Karatz.

A história por trás do filme é quase tão persistente quanto a de seu protagonista. Coppola desejava levar o projeto às telas desde os anos 1970, mas encontrou resistência dos estúdios, que viam a trama como pouco atraente comercialmente. A produção só se viabilizou com o apoio decisivo de George Lucas, produtor executivo e amigo do diretor, que utilizou o prestígio conquistado com “Star Wars” para destravar o financiamento. O resultado carrega também ecos pessoais: o pai de Coppola chegou a investir em um dos carros de Tucker, o que aproxima o diretor do universo que retrata.

Entre as curiosidades, o longa-metragem reúne nomes centrais da chamada “Nova Hollywood”. Martin Scorsese aparece em participação especial, e a própria parceria entre Coppola e Lucas transforma o filme em um encontro simbólico de cineastas que redefiniram o cinema americano nos anos 1970. Fora das telas, a história de Preston Tucker teve desdobramentos inesperados: após o fracasso de sua empresa nos Estados Unidos, ele chegou a planejar a produção de um novo carro no Brasil, projeto interrompido por sua morte precoce em 1956.

Com duração de 110 minutos, “Tucker: Um Homem e Seu Sonho” aposta no carisma de Jeff Bridges para sustentar uma narrativa sobre ambição, mercado e resistência. Ao revisitar esse episódio da história industrial americana, o filme encontra ressonância em discussões que permanecem atuais: o espaço para inovação, o peso das grandes corporações e os limites impostos a quem tenta romper estruturas consolidadas.

Ficha técnica
“Tucker: Um Homem e Seu Sonho” | “Tucker: The Man and His Dream” (título original) | (“Tucker - O Homem e o Seu Sonho”(Título em Portugal)
Gênero: drama biográfico. Duração: 110 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1988. Data de lançamento: 12 de agosto de 1988 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: Arnold Schulman e David Seidler. Elenco: Jeff Bridges, Joan Allen, Martin Landau, Elias Koteas, Frederic Forrest, Christian Slater. Distribuição no Brasil: Paramount Pictures. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

.: Filme “Uma Janela Suspeita” reabre um thriller subestimado dos anos 1980


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

“Uma Janela Suspeita” estreia chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  e recoloca em circulação um thriller que, à época do lançamento, dividiu a crítica, mas encontrou seu público com o passar dos anos. Dirigido por Curtis Hanson, que mais tarde assinaria “Los Angeles – Cidade Proibida”, o filme adapta o romance "The Witnesses", de Anne Holden, com roteiro do próprio Hanson em parceria com a autora.

A trama acompanha Terry Lambert (Steve Guttenberg), jovem executivo envolvido com Sylvia Wentworth (Isabelle Huppert), esposa de seu chefe. Durante um encontro no apartamento dele, Sylvia presencia, da janela do quarto, um ataque violento contra uma mulher, Denise (Elizabeth McGovern). Para evitar a exposição do caso extraconjugal, ela se cala. Terry decide mentir à polícia e se apresentar como testemunha ocular. O gesto, que pretende proteger, vira armadilha: ao menor sinal de inconsistência, ele passa a ser uma das suspeitas.

Hanson organiza a narrativa com ecos claros do suspense clássico, sobretudo na ideia da testemunha acidental e do homem comum empurrado para uma engrenagem maior do que ele. O espectador acompanha o modo como a mentira compromete cada movimento seguinte. O roteiro introduz Denise como peça decisiva, deslocando a dinâmica do filme e criando um jogo de alianças instável.

Há curiosidades de bastidores que ajudam a entender o resultado. A produção enfrentou mudanças logo na primeira semana de filmagens, com substituição de parte da equipe técnica por decisão do produtor Dino De Laurentiis. Curtis Hanson, por sua vez, insistiu na contratação do diretor de fotografia Gilbert Taylor, conhecido por trabalhos como “Star Wars”, o que contribui para o contraste entre luz e sombra que marca o filme. As locações em Baltimore reforçam essa atmosfera urbana de vigilância constante.

No elenco, Guttenberg foge do registro cômico que o popularizou nos anos 1980 e assume um protagonista acuado, em progressiva perda de controle. Isabelle Huppert, já consagrada no cinema europeu, imprime frieza e ambiguidade à personagem, enquanto Elizabeth McGovern sustenta a virada dramática com firmeza. O trio central garante tensão mesmo quando o roteiro força coincidências ou estica a verossimilhança.

Na recepção inicial, o filme teve avaliações mistas - parte da crítica apontou problemas de lógica na trama -, mas também reconheceu a habilidade de Hanson em manter o interesse por quase duas horas. Comercialmente, o longa recuperou seu orçamento e permaneceu entre os mais vistos nas primeiras semanas de exibição nos Estados Unidos. Hoje, costuma ser revisitado como um passo importante na trajetória do diretor, já interessado em personagens encurralados por escolhas equivocadas. Há ainda uma atualização em curso: um remake chegou a ser desenvolvido pela Blumhouse, com direção de Ben Young.

Ficha técnica
“Uma Janela Suspeita” | “The Bedroom Window” (título original) | “A Janela do Quarto” (título em Portugal)
Gênero: suspense policial, drama. Duração: 112 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 16 de janeiro de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Curtis Hanson. Roteiro: Curtis Hanson e Anne Holden (baseado no romance "The Witnesses"). Elenco: Steve Guttenberg, Elizabeth McGovern, Isabelle Huppert, Paul Shenar, Carl Lumbly, Wallace Shawn, Frederick Coffin, Brad Greenquist. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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quinta-feira, 2 de julho de 2026

.: “A Vingança de Uma Mulher” conduz jogo psicológico de desejo e crueldade



Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

“A Vingança de Uma Mulher” (“La Vengeance d'une femme”), dirigido por Jacques Doillon, está em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte. Lançado em 1990 e exibido na seleção oficial do 40º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o longa-metragem parte de uma premissa simples e incômoda: uma viúva decide confrontar a amante do marido morto e, nesse encontro, reorganizar sua dor como método. Cécile, vivida por Isabelle Huppert, procura Suzy, interpretada por Béatrice Dalle, em Paris após o suicídio do marido. Convencida de que a amante tem responsabilidade na morte, ela constrói um jogo de aproximação e pressão emocional, em que cada palavra parece calculada para desestabilizar. O filme acompanha esse movimento com rigor, apostando em diálogos longos, olhares que se sustentam além do conforto e uma encenação que privilegia a presença física das atrizes.

O roteiro, assinado por Doillon em parceria com Jean-François Goyet, dialoga com a literatura de Fiódor Dostoiévski, especialmente “O Eterno Marido”, obra que investiga ciúme, ressentimento e obsessão. Essa base literária se traduz em uma narrativa concentrada, quase teatral, em que o conflito se desenrola pelo atrito constante entre as personagens. Isabelle Huppert conduz o filme com precisão e controle, explorando as ambiguidades de uma mulher que alterna acolhimento e agressividade com naturalidade inquietante. Béatrice Dalle responde com uma presença mais instintiva, criando um contraste que sustenta a tensão ao longo das mais de duas horas de duração. O restante do elenco - que inclui Jean-Louis Murat, Laurence Côte e Sebastian Roché - orbita esse confronto central, reforçando a atmosfera de instabilidade.

Outro dado que chama atenção é a forma como Doillon organiza o espaço cênico. Há uma economia de cenários e uma concentração nos corpos e nas vozes, o que aproxima o filme de uma experiência teatral filmada, sem abrir mão de uma mise-en-scène rigorosa. Críticos da época destacaram justamente esse caráter metódico da encenação, em que a vingança se constrói passo a passo, como se cada gesto obedecesse a um plano previamente traçado. Com 133 minutos de duração, “A Vingança de uma Mulher” exige do espectador disposição para acompanhar um ritmo deliberadamente controlado. A recompensa está na densidade das interpretações e na forma como o filme transforma um encontro em campo de guerra. Décadas depois, a obra permanece como um estudo incisivo sobre desejo, culpa e as formas silenciosas de violência que atravessam as relações íntimas.


Ficha técnica
“A Vingança de uma Mulher” | “La Vengeance d'une femme” (título original)
Gênero: drama. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1990. Idioma: francês. Direção: Jacques Doillon. Roteiro: Jacques Doillon e Jean-François Goyet, com base em “O Eterno Marido”, de Fiódor Dostoiévski. Elenco: Isabelle Huppert, Béatrice Dalle, Jean-Louis Murat, Laurence Côte, Sebastian Roché, David Léotard, Albert Le Prince, Brigitte Marvine, Pierre Amzallag, Jean-Pierre Bamberger. Distribuição no Brasil: não especificada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: "4x100: Correndo por Um Sonho" revisita derrota e busca redenção


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Aposta rara do audiovisual brasileiro, o drama esportivo “4x100: Correndo por Um Sonho” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision. Dirigido por Tomas Portella, conhecido por transitar entre o cinema comercial e projetos de maior ambição estética, o longa-metragem parte de uma derrota marcante nas Olimpíadas do Rio 2016 para construir uma narrativa sobre rivalidade, culpa e reconstrução coletiva.

A trama acompanha Maria Lúcia (Fernanda de Freitas), atleta que carrega o peso de um erro decisivo na final do revezamento 4x100, e Adriana (Thalita Carauta), que, após o fracasso, abandona as pistas e tenta sobreviver no circuito de lutas de MMA. Anos depois, às vésperas dos Jogos de Tóquio, elas se veem obrigadas a dividir novamente a mesma equipe, dessa vez ao lado de outras corredoras que também lidam com suas próprias frustrações e expectativas.

O roteiro, assinado por um grupo que inclui Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e o próprio Portella, costura diferentes conflitos pessoais sem perder de vista o eixo central: o trabalho em equipe como condição para qualquer vitória. O filme aposta em personagens com trajetórias distintas, evitando uma visão homogênea das atletas e abrindo espaço para discussões sobre machismo no esporte, desigualdade de investimento e a forma como a mídia constrói e destrói narrativas de sucesso.

Nos bastidores, a produção reúne nomes ligados à Gullane Filmes, com coprodução da Globo Filmes e Telecine. A ideia original partiu da atriz Roberta Alonso, que também integra o elenco, evidenciando um envolvimento criativo que ultrapassa a atuação. Parte das sequências de competição foi rodada entre São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto a etapa final teve cenas captadas em Tóquio, em uma breve janela de gravações que buscou aproximar a ficção do ambiente olímpico.

Um dos episódios mais comentados da produção envolve Thalita Carauta, que relatou ter sofrido lesões durante as filmagens das cenas de corrida, exigindo adaptações e uso de efeitos visuais. O compromisso físico do elenco contribui para a sensação de esforço real que o filme tenta transmitir, especialmente nas sequências de treino e competição. Lançado em 2021, após adiamentos causados pela pandemia de Covid-19, o longa dialoga com um momento em que o esporte voltou ao centro do debate público, impulsionado pela realização das Olimpíadas de Tóquio. A coincidência de calendário reforçou o interesse pela obra, que funciona também como vitrine para histórias pouco exploradas no cinema nacional.


Ficha técnica

“4x100: Correndo por Um Sonho”
Gênero: drama esportivo. Duração: 109 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2021. Idioma: português. Direção: Tomas Portella. Roteiro: Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e Tomas Portella. Elenco: Thalita Carauta, Fernanda de Freitas, Priscila Steinman, Cintia Rosa, Roberta Alonso, Augusto Madeira, Zezé Motta. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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terça-feira, 30 de junho de 2026

.: Crítica: “Caso 137” mira na alienação com vídeos de gatinhos contra crimes

"Caso 137" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Vídeos de gatinhos em sequência ou encarar problemas dentro da própria corporação. Eis o contraponto da protagonista do drama “Caso 137”: Stéphanie Bertrand interpretada pela versátil Léa Drucker. Com direção de Dominik Moll, alemão radicado na França, o longa que soma 1 hora e 56 minutos de duração apresenta um jogo de gato e rato em que quem tem culpa encontra uma rede de apoio para esconder os abusos cometidos, enquanto que quem tenta dar um basta nos erros de conduta, acaba a ponto de até perder o emprego.

Flertando com o true crime, o thriller investigativo ficcional inspirado em fatos reais “Caso 137” é o palco da agente da corregedoria francesa, Stéphanie que apenas tenta ser justa nas análises de cada situação delicada. Assim, ela acaba como responsável pela investigação interna do complexo caso de violência contra o jovem de uma cidade distante, Guillaume Girard (Côme Peronnet), que acaba gravemente ferido pela polícia em Paris durante um protesto caótico dos Coletes Amarelos (movimento de protesto de origem espontânea, que começou com manifestações na França em outubro de 2018 e, posteriormente, se espalhou para outros países). 

Disponível na plataforma de streaming Reserva Imovision, o roteiro, assinado por Moll em parceria com Gilles Marchand de “Caso 137”, une um evento fictício por meio de situações reais amplamente documentadas pela imprensa europeia, que resultaram em casos de manifestantes atingidos por balas de borracha, prática questionada por organismos de direitos humanos.

Na mescla de ficção a realidade, a produção pauta a trama no faro de apuração técnica, uma vez que o estrago feito na vida do jovem que participava de seu primeiro protesto é irreversível. Ao analisar discursos e unir provas contra os colegas de profissão, Stéphanie passa a viver num dilema mais profundo ao contornar o drama pessoal, incluindo o ex-marido (com uma nova namorada provocativa), o filho e a mãe. 

Em meio aos aparentemente infinitos e convidativos vídeos de gatinhos nas redes sociais, Stéphanie enfrenta o processo burocrático e psicológico da investigação, tendo a tensão do suspense com a sobriedade do drama social. O longa com estreia mundial no Festival de Cannes de 2025, que disputou a Palma de Ouro e levou o César de Melhor Atriz com Léa Drucker é imperdível!



Filme: "Caso 137" (Dossier 137). Gênero: policial, drama. Duração: 1h56min. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção: Dominik Moll. Roteiro: Dominik Moll e Gilles Marchand. Elenco: Léa Drucker, Jonathan Turnbull, Mathilde Roehrich, Guslagie Malanda, Stanislas Merhar. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

Trailer de "Caso 137"

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

.: “O Balão Vermelho” flutua sobre Paris e redefine olhar sobre a infância


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Um menino, um balão e uma cidade inteira ao redor. Assim é o média-metragem francês “O Balão Vermelho”, dirigido e roteirizado por Albert Lamorisse, que estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte. Filmado em 1956, o filme acompanha um menino solitário que encontra, nas ruas de Paris, um balão vermelho aparentemente comum, mas dotado de vontade própria. A partir desse encontro, a rotina ganha outra configuração, entre brincadeiras, perseguições e pequenas violências cotidianas.

Interpretado por Pascal Lamorisse, filho do diretor, o protagonista sustenta a narrativa com uma presença quase muda, guiada por gestos, olhares e deslocamentos pela cidade. Sabine Lamorisse e Georges Sellier completam o elenco principal, inserindo o menino em um mundo adulto pouco acolhedor, marcado por regras, repressões e uma certa indiferença. A escolha de filmar em locações reais, especialmente no bairro de Ménilmontant, reforça o contraste entre a Paris turística e a Paris vivida, com escadarias, cortiços e ruas estreitas.

Com 34 minutos, o filme alcançou um feito improvável: venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 1957, tornando-se até hoje o único curta ou média-metragem a conquistar a estatueta fora das categorias específicas de duração. Também levou a Palma de Ouro de curta-metragem no Festival de Cannes. As conquistas chamam atenção porque o roteiro praticamente abdica de diálogos e aposta na força das imagens e na relação visual entre o garoto e o balão.

A fotografia de Edmond Séchan explora o contraste entre o cinza urbano e o vermelho vibrante que aparece na tela. O balão assume presença, reage, insiste, escapa e retorna. A dinâmica entre os dois personagens, um de carne e osso e outro de ar, constrói uma espécie de amizade improvável, que oscila entre cumplicidade e ameaça constante. Há também um dado curioso que atravessa gerações: muito antes de animações contemporâneas atribuirem personalidade a objetos, Lamorisse já transformava um balão em personagem pleno, capaz de provocar empatia sem uma única fala. O efeito especial, simples para os padrões atuais, ainda surpreende pela precisão e pelo encanto.

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Ficha técnica
“O Balão Vermelho” | “Le Ballon Rouge” (título original)
Gênero: comédia, fantasia. Duração: 34 minutos. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 1956. Idioma: francês. Direção e roteiro: Albert Lamorisse. Elenco: Pascal Lamorisse, Sabine Lamorisse, Georges Sellier, Vladimir Popov, Paul Perey, Renée Marion, Michel Pezin. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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domingo, 28 de junho de 2026

.: “O Rei Pasmado e a Rainha Nua” transforma desejo em crise de Estado


Imagine a corte espanhola do século XVII entrando em estado de choque simplesmente porque o rei teve um desejo considerado escandaloso: ver a própria esposa nua. É a partir dessa premissa deliciosamente absurda que "O Rei Pasmado e a Rainha Nua" (1991), em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, dirigido por Imanol Uribe, constrói uma das sátiras mais divertidas e inteligentes do cinema espanhol dos anos 90. 

Depois de passar uma noite com uma prostituta, o jovem rei percebe que nunca viu o corpo da rainha — e decide corrigir isso imediatamente. O problema é que um pedido tão simples acaba provocando um verdadeiro terremoto moral dentro da corte. Padres, nobres, conselheiros e autoridades religiosas começam a discutir a situação como se o destino do reino dependesse daquilo. E é justamente aí que o filme fica ótimo. Quanto mais séria a reação das figuras de poder, mais engraçada se torna a situação. O roteiro transforma o espanto do rei diante da nudez em uma grande ironia sobre repressão, hipocrisia religiosa e controle dos desejos. Tudo isso sem perder o tom leve e bem-humorado.

Baseado no romance "Crónica del Rey Pasmado", de Gonzalo Torrente Ballester, o filme brinca o tempo inteiro com a distância entre aparência e desejo dentro daquela sociedade rígida e cheia de protocolos. Visualmente, também chama muita atenção. Os figurinos, os interiores do palácio e toda a recriação da Espanha do século XVII ajudam a dar ainda mais charme para essa mistura de comédia histórica e crítica de costumes. E o elenco parece se divertir bastante com a proposta. Destaque especial para Fernando Fernán Gómez, que conquistou o Goya de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme. Aliás, "O Rei Pasmado e a Rainha Nua" saiu da cerimônia do Prêmio Goya 1992 com oito estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. 

Mas talvez o mais interessante seja perceber como a história continua atual. No fundo, o filme fala sobre sociedades que transformam algo simples e natural em escândalo coletivo. Uma dica de fim de semana perfeita para quem gosta de comédias inteligentes, sátiras históricas e filmes que usam humor para cutucar estruturas de poder sem nunca perder a elegância. O inverno chegou, todo mundo já andando encapotado... será mesmo que a rainha vai ficar peladona?

Ficha técnica
“O Rei Pasmado e a Rainha Nua” | “El rey pasmado” (título original) | “O Rei Pasmado” (título em Portugal)
Gênero: comédia, histórico, sátira. Duração: 104 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1991. Idioma: espanhol. Direção: Imanol Uribe. Roteiro: Imanol Uribe, Joaquín Oristrell e Rafael Azcona (baseado na obra de Gonzalo Torrente Ballester). Elenco: Fernando Fernán Gómez, María Barranco, Laura del Sol, Juan Diego, Gabriela Toscano. Distribuição no Brasil: Disponível em Belas Artes À La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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quarta-feira, 24 de junho de 2026

.: Filme "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" transforma desejo proibido


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Poucos filmes recentes abraçaram o romantismo trágico com tamanha convicção quanto "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados". Dirigido pela cineasta alemã Emily Atef, o longa-metragem é um dos mais vistos da  plataforma de streaming Reserva Imovision, carregando a atmosfera de um amor capaz de consumir tudo ao redor, enquanto observa um dos momentos mais decisivos da história contemporânea alemã: os meses que sucederam a queda do Muro de Berlim.

Baseado no romance homônimo da escritora Daniela Krien, o filme transporta o espectador para o verão de 1990, na antiga Alemanha Oriental. O país vive a expectativa da reunificação, mas a transformação política permanece ao fundo. O centro da narrativa é Maria, jovem prestes a completar 19 anos que divide os dias entre a fazenda da família do namorado, Johannes, e as páginas dos livros que devora compulsivamente. Entre eles, "Os Irmãos Karamázov", de Fiódor Dostoiévski, obra cuja presença dialoga diretamente com os conflitos morais e emocionais da protagonista.

Interpretada com impressionante magnetismo por Marlene Burow, Maria encontra no vizinho Henner, vivido por Felix Kramer, um homem marcado pela dureza da vida, pela solidão e por segredos nunca totalmente revelados. O encontro entre os dois desencadeia uma atração imediata, física e emocional, que cresce até assumir contornos obsessivos. Johannes, personagem de Cedric Eich, torna-se o terceiro vértice de uma relação atravessada por culpa, desejo e inevitáveis consequências.

Emily Atef assina a direção e também o roteiro, desenvolvido em parceria com Daniela Krien e Josune Hahnheiser. Conhecida por obras como "Mais que Nunca", a cineasta franco-alemã demonstra novamente interesse por personagens que enfrentam dilemas íntimos em períodos de profundas mudanças. Em "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados", ela constrói uma narrativa sensorial, apoiada em diálogos econômicos e em uma poderosa comunicação visual.

A atuação de Marlene Burow merece atenção especial. A jovem atriz sustenta a narrativa com uma presença ao mesmo tempo delicada e inquieta. O olhar da atriz frequentemente diz mais do que os diálogos. Felix Kramer, por sua vez, entrega um personagem difícil de decifrar, alternando brutalidade, fragilidade e melancolia. 

Os extensos campos da Turíngia, região onde ocorreram as filmagens, transformam-se em reflexo do estado emocional dos personagens. A câmera captura o calor do verão, a poeira das estradas rurais, a vastidão das plantações e os corpos em permanente tensão. O trabalho fotográfico cria um contraste marcante entre a liberdade aparente daquele cenário e os aprisionamentos afetivos vividos por Maria.

Selecionado para a Competição Oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2023, o longa-metragem despertou debates entre crítica e público. Enquanto alguns enxergaram uma vigorosa história de amadurecimento e descoberta sexual, outros questionaram a romantização de uma relação marcada pela diferença de idade e por evidentes desequilíbrios emocionais.

Curiosamente, embora a reunificação alemã seja um dos acontecimentos mais importantes do século XX, Emily Atef evita transformá-la em tema central. O processo histórico surge em pequenos detalhes: novos produtos vindos do Ocidente, mudanças de comportamento, sonhos de prosperidade e incertezas sobre o futuro. 

Entre referências literárias, paisagens de rara beleza e uma história de amor destinada ao conflito, "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" convida o espectador a percorrer os territórios contraditórios do desejo. O resultado é um retrato íntimo de uma geração que testemunhava o fim de um mundo enquanto tentava compreender os próprios sentimentos.

Ficha técnica
"Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" | "Irgendwann werden wir uns alles erzählen" (título original) | "Um Dia Havemos de Contar Tudo Uns aos Outros" (título em Portugal)
Gênero: drama, romance, histórico. Duração: 129 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2023. Idioma: alemão. Direção: Emily Atef. Roteiro: Emily Atef, Daniela Krien e Josune Hahnheiser. Elenco: Marlene Burow, Felix Kramer, Cedric Eich, Silke Bodenbender, Florian Panzner, Jördis Triebel, Christian Erdmann, Christine Schorn e Peter Schneider.
Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: "Crime de Amor" transforma romance operário em poderosa crítica social


Entre máquinas barulhentas, corredores de fábrica e apartamentos modestos da Itália industrial dos anos 70, “Crime de Amor”, dirigido por Luigi Comencini e em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, transforma uma história de amor aparentemente simples em algo muito mais devastador. É um filme sobre amor, mas também sobre trabalho, desigualdade, insegurança, além de preconceito e a tentativa de preservar afeto e dignidade em um mundo cada vez mais duro.

Nullo, interpretado por Giuliano Gemma, é um jovem operário do norte da Itália que se apaixona por Carmela, vivida por Stefania Sandrelli, uma trabalhadora siciliana ligada a tradições familiares e religiosas muito fortes. O relacionamento entre os dois surge de forma delicada em meio à rotina pesada da fábrica. Mas aos poucos o filme vai revelando que aquele romance também carrega grandes tensões sociais. 

Existe um choque constante entre o norte industrializado e politizado da Itália e o sul mais conservador e tradicional representado por Carmela. E tudo isso aparece de forma muito natural dentro da relação dos personagens. Ao mesmo tempo, o ambiente de trabalho vai ganhando um peso cada vez maior na narrativa. As condições tóxicas da fábrica começam a afetar diretamente a saúde de Carmela, e o filme passa então a mostrar como aquele amor tenta sobreviver num sistema brutal, desumano e indiferente ao sofrimento dos trabalhadores. 

O mais bonito em “Crime de Amor” é a maneira como Luigi Comencini mistura romance e crítica social sem transformar os personagens em símbolos ou discursos ambulantes. Tudo parece muito vívido e próximo da realidade, e isso torna o impacto emocional ainda mais forte. Apresentado em competição no Festival de Cannes de 1974, o filme reúne dois rostos importantíssimos do cinema italiano daquela época. Giuliano Gemma, conhecido principalmente pelos faroestes italianos, mostra nesse filme um lado muito mais sensível e contido. Já Stefania Sandrelli entrega uma atuação delicada e extremamente emocionante, daquelas que permanecem na memória muito depois do final. 

Ficha técnica
"Crime de Amor" | "Delitto d'amore" (título original) | "Delito de Amor" (título em Portugal)
Gênero: drama, romance. Duração: 108 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1974. Idioma: italiano. Direção: Luigi Comencini. Roteiro: Luigi Comencini e Ugo Pirro. Elenco: Giuliano Gemma, Stefania Sandrelli, Brizio Montinaro, Renato Scarpa, Rina Franchetti, Emilio Bonucci, Pippo Starnazza, Walter Valdi, Bruno Cattaneo, Luigi Antonio Guerra e Carla Mancini. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

.: Crítica: "Toy Story 5" aborda realidade provocando a emoção do público

Cartaz de "Toy Story 5"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Quem poderia imaginar que a história dos brinquedos do pequeno Andy ganhariam tantos capítulos, ou melhor, tantos desdobramentos a ponto de ter cinco sequências? Eis que em junho de 2026 nas telas de cinema está em cartaz "Toy Story 5" presenteando o público com duas cenas pós-créditos. Uma que funciona como complemento do desfecho, enquanto que a última é uma número musical dos brinquedos.

Sem Andy, toda a história acontece em torno da pequena Bonnie, a garotinha que herdou todos os brinquedos do jovem que foi para universidade. Ainda encantada como o universo da imaginação, ela cria situações diversas, mas quando tenta um contato com os irmãos gêmeos da casa vizinha, é tomada pela timidez.

Assim, a vaqueira Jessie segue como a dona do coração da menina que também faz a boneca ser par romântico do astronauta Buzz Lightyear (é bom se preparar para uma invasão massiva do herói, gerando boas sequências e risadas). Sem amigos e muito envergonhada, surge uma tábua de salvação para que Bonnie crie elos com seus amigos: o eletrônico Lilypad, um tablet tecnológico que acaba assumindo o posto de vilã da trama.

Contudo, "Toy Story" mergulha na realidade do isolamento social em que todos se "conhecem" sem se ver e realmente conversar, reforçando o quanto Bonnie continua sem amigas mesmo tendo uma Lilypad e passando por uma festa do pijama com as meninas que nunca lhe deram bola. Em tempo, a cena de Bonnie mostrando o tablet para as "amigas" faz lembrar a de Lilo mostra a Xepa para as garotas em "Lilo & Stitch". Embora sejam situações distintas, o desinteresse das meninas pela garotinha e seu item termina quase que igual.

Desta vez, o foco da trama de "Toy Story" está no isolamento e o medo do abandono, refletido não somente em Bonnie, mas também em Jessie. Aliás, o peso da carga emocional vem também da vaqueira que recorda da primeira dona, a garota Emily. Por obra do destino, a boneca faz um volta ao passado que  agora está alterado e um pouco modernizado. No entanto, tal arco na trama se faz importante para  que Bonnie alcance o maior objetivo: fazer amizade.

Com o vibrante e encantador colorido Disney "Toy Story 5" emociona ao entrelaçar a história de Bonnie e Jessie, resgata Woody e Betty Bop para dar uma forcinha e solucionar um problema, traz o Garfinho agora casando, enquanto insere novos personagens, como por exemplo, o incrivelmente divertido Amigo Rolinho e, com sabedoria faz refletir ao chamar a atenção do público a respeito das conturbadas e distantes relações atuais. Imperdível!


"Toy Story 5" (Toy Story 5). Gênero: Animação, Comédia e Aventura. Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris. Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris. Duração: 1h 40 minutos. Classificação Indicativa: 6 anos. Distribuição: Walt Disney Pictures. Elenco: Woody: Tom Hanks (EUA) / Marco Ribeiro (BR), Buzz Lightyear: Tim Allen (EUA) / Guilherme Briggs (BR), Jessie: Joan Cusack (EUA) / Mabel Cezar (BR), Lilypad (O Tablet - Vilã): Greta Lee (EUA) / Maisa Silva (BR), Amigo Rolinho: Conan O'Brien (EUA) / Rafael Infante (BR). Sinopse: O trabalho de Buzz, Woody, Jessie e do resto da turma fica exponencialmente mais difícil quando eles enfrentam uma nova ameaça na hora da brincadeira.

Trailer de "Toy Story 5"




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