segunda-feira, 30 de março de 2020

.: Assis Ângelo escreve primeiro cordel sobre o corona vírus

O corona vírus, ou Covid-19, é uma praga que está ameaçando o mundo. Sua primeira vítima foi anunciada em 17 de novembro de 2019, na China. De lá pra cá, milhares e milhares de pessoas foram infectadas e mortas na própria China, Europa e mundo todo.

Depois da China, a Itália é o país que mais tem sofrido com esse mal, seguida da Espanha. É comum os artistas da cultura popular, incluindo músicos, registrarem as mazelas que desabam sobre um país ou o planeta.

O jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo, paraibano de João Pessoa radicado na capital paulista desde 1976, foi o primeiro autor a escrever um folheto de cordel contando as diabruras do vírus. O folheto "Piolho do Cramunhão faz o Mundo Todo Tremer" acaba de ser publicado pela editora especializada Tupynanquim, do Ceará. 

A capa é assinada por Antônio Klévisson Viana, autor de centenas de folhetos, entre os quais A quenga e O delegado, este adaptado pela TV Globo, em 2001. Assis é autor de vários livros sobre cultura popular e presidente do Instituto Memoria Brasil (IMS ).

Esta não é a primeira vez que um vírus enche o mundo de medo. Do século XIV, na China surgiu a Peste Negra. Essa praga estendeu-se pela Europa e mundo todo, incluindo o Brasil. Até hoje há registros de pessoas ainda vitimadas por essa peste, inclusive no Nordeste brasileiro. No seu auge, dizimou um terço da população europeia.

A cólera também foi uma praga que assustou mundo, no século XVIII. Milhões de pessoas morreram ou ficaram cegas após contraírem esse mal. A varíola também matou muita gente. A Gripe Espanhola, que surgiu nos Estados Unidos, também matou milhões de pessoas entre 1918 e 1920. O dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) contou em crônica no jornal carioca O Globo o que lembrava desse mal na infância.

O compositor baiano Assis Valente (1911-1958), autor da canção de natalina "Boas Festas", deixou registrado na discografia brasileira o samba-choro "...E o Mundo Não se Acabou", gravado originalmente em 9 de março de 1938 e lançado à praça em abril do mesmo ano, pela Odeon.

Trechos do folheto "Piolho do Cramunhão Faz o Mundo Todo Tremer":

Filho da Peste Negra

Terror, horror, danação

O Bicho Feio mata

Pela boca, pela mão

Já nem se pode beijar

Isso é fato, meu irmão!

Ele anda por aí

Em Paris, Berlim, Milão

Com uma foice nas costas

Ataca de supetão

Tra-lá-lá ele pegou

Bem pra lá de um milhão

Apanhar o maldito vírus

É ganhar condenação

É ganhar um passaporte

Só de ida num caixão

O Bicho pega e mata

Sem qualquer explicação

Especialistas pedem

Pra o povo lavar mão

Pra o povo se cuidar

Pra não dar bobeira, não

Indícios fazem crer

Ser o Bode a maldição

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Ouvi repórter falar

No rádio, televisão

Terrível é esse vírus

Que maltrata cidadão

Que põe fim a bom abraço

E impede apertar mão

Porém há bobo que diz

Ser tudo isso invenção

Ser apenas fantasia

De repórter de plantão

Quanta bobagem é dita

Pra se chamar atenção!

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Corona vírus veta

Donald Trump em eleição

Por evitar reconhecer

A força do Cramunhão

No brasil, o presidente

Diz ser vírus invenção

A língua do Bolsovírus

Não cabe num caminhão

Pois diz tanta besteira

De arrepiar o Cunhão

Que continua preso

Cumprindo condenação...

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