sexta-feira, 3 de julho de 2020

.: Hermann Hesse: nove curiosidades incríveis sobre o autor de "Knulp"


As três histórias da vida do andarilho Knulp estão entre os textos mais encantadores do escritor alemão e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Hermann Hesse. Lançado em abril, o livro editado pela editora Todavia, resgata a obra do autor para jovens leitores.

Hippie avant la lettre em plena Alemanha do fim do século XIX, um jovem Knulp vagueia de cidade em cidade e se hospeda na casa de conhecidos, que lhe dão teto, comida e algum afeto. Ele evita, no entanto, construir relações mais profundas, estabelecer laços definitivos: é um amante da liberdade.

Reunindo temas depois aprofundados nas obras de grande sucesso do escritor — a experiência existencial, a formação da personalidade, a contestação de velhos valores —, "Knulp" apresenta o herói poético que influenciaria diversos autores e toda uma geração de leitores. Separamos nove fatos sobre este autor que é considerado um dos maiores escritores do século XX e um dos precursores da contracultura.


1. Hermann Hesse nasceu em Calw, cidade no coração da Floresta Negra, sudoeste da Alemanha, em 2 de julho de 1877.


2. A partir dos 17 anos, Hesse tinha planos de emigrar para o Brasil. Desiludido com o progresso e as condições de vida na Europa, essa vontade era frequente em seus escritos. Mas isso nunca aconteceu.


3. O primeiro romance veio em 1904: "Peter Camenzind" — que a Todavia vai publicar —, livro recheado de referências biográficas e que serviu de inspiração para o movimento Wandervogel, grupo de jovens alemães que protestava contra a industrialização.


4. O avô materno era um estudioso da cultura indiana, e essa influência é bastante evidente na obra Hermann Hesse. Assim, o autor empreendeu uma primeira viagem à Índia em 1911.


5. Depois de abandonar mulher e filhos na Alemanha e se estabelecer na Suíça, escreve "Rosshalde" (1914), livro em que fala do fracasso do matrimônio e da busca pela liberdade na sociedade conservadora e que a Todavia também vai publicar.


6. Em 1914, foi voluntário na Primeira Guerra Mundial. Percebendo as mazelas provocadas pelo conflito, escreveu uma crítica na qual apelou aos intelectuais alemães por menos nacionalismo e mais humanidade. Por esse texto, foi perseguido e ridicularizado.


7. Era um contumaz adepto da psicanálise. Fez análise com J. B. Lang e, posteriormente, com seu mestre, C. G. Jung. As sessões influenciaram os livros Demian (1919) e Sidarta (1922).


8. A partir dos anos 1960, seus livros se tornaram uma espécie de passaporte para a contracultura. Uma frase de Timothy Leary é bastante emblemática: “Antes da sua viagem de ácido, leia 'Sidarta' e 'O Lobo da Estepe'”, ambos de Hermann Hesse.


9. Para muitos leitores, os romances de Hesse são a porta de entrada para o mundo da ficção. O escritor Ferréz, que assina o posfácio da edição de "Knulp" lançada pela Todavia, revela que "Demian" foi o primeiro livro que ele leu, depois de ganhá-lo por acaso de um amigo. Ele ainda conta como Hermann Hesse influenciou sua trajetória e sua formação pessoal.


Além dessas nove curiosidades, Mario Santin, do editorial da Todavia, criou uma playlist no Spotify inspirada na leitura de "Knulp" que pode ser acessada neste link. A seleção musical incorpora o espírito livre do andarilho Knulp e, assim como o livro, faz uma ode à liberdade com músicas de Bob Dylan, Patti Smith, Joni Mitchell, Neil Young, Lou Reed e muito mais.



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