quinta-feira, 20 de agosto de 2020

.: Grátis: André Garolli dirige peça atual de Eugene O’neill escrita em 1914

A encenação será apresentada ao vivo pelo Facebook do @teatrojoaocaetano com Camila dos Anjos, Fabrício Pietro e Wes Machado no elenco. Foto: Cath Giobbi

A peça teatral "Sede" foi escrita apenas dois anos após o naufrágio do Titanic, o que pode ter influenciado Eugene O'Neill a escrever uma peça dessa natureza. Um cavalheiro, uma bailarina e um marinheiro negro das Índias Ocidentais estão à deriva em uma balsa sem comida e água longe das rotas normais de navegação, cercadas por tubarões e lentamente enlouquecendo. "Sede" é uma peça sobre a luta pela sobrevivência dos três personagens.

Nesse momento de mudança e de ressignificar nosso espaço enquanto cadeia cultural a Cia Triptal 30 anos propõe a realização da encenação dramática do texto teatral de Eugene O’Neill, sob direção de André Garolli e interpretação de Camila dos Anjos, Fabrício Pietro e Wes Machado - três dos atores que mais se destacaram em "Inferno", peça do mesmo autor e diretor com crítica neste link - para transmissão ao vivo e gratuita via plataformas e/ou redes sociais online, possibilitando que continuemos a cadeia da economia criativa e nos levando a pensar em outras formas de poder estar presente nesse momento, alcançando ainda mais pessoas.

O diretor André Garolli realizou uma investigação profunda sobre a obra de Eugene O’Neill. Dirigiu diversas peças do dramaturgo, entre elas, “Luar sobre o Caribe”, "Longa Viagem de Volta para Casa”, "Macaco Peludo", “Rumo a Cardiff” (três Indicações ao Prêmio Shell, 2006) e "Zona de Guerra"(Prêmio APCA - Melhor Espetáculo Teatral de 2006). No ano em que a Cia Triptal completa 30 anos o diretor retoma o caminho do mar de O’Neill para dar continuidade a essa investigação.

"Sede" aborda em muitos aspectos a natureza humana e a filosofia dos comportamentos, e isto já seria material suficiente para discorrer em defesa da essencialidade deste texto, porém há analogias circunstanciais presentes nesta obra e que ampliam sua atualidade e as possibilidades de um amplo diálogo com o público.

"Deve ser horrível ouvir os gritos dos que estão morrendo...". "O que nós fizemos pra ter que sofrer assim?". "É como se uma desgraça após a outra acontecesse pra tornar nossa agonia mais terrível". "É horrível mesmo. Nós estamos enlouquecendo". "Para isso serviram todos os meus anos de trabalho?". "Já não me lembro mais dos dias". "Que criaturas dignas de pena somos nós".

Estas frases reunidas aleatoriamente estão presentes no texto escrito por O’Neill em 1914, "Sede". Frases que poderiam ser ditas neste episódio recente dos nossos tempos, o do surto coletivo, pandêmico. Nós, personagens reais, aparecemos isolados e distanciados de uma realidade então estabelecida. As certezas que sempre asseguraram nossos planos e ambições colapsaram. As diferenças que delimitavam nossos espaços e oportunidades nesta sociedade seguem rígidas. Agora estamos todos cercados. Há um inimigo invisível, letal e oportunista a espreita. Dizem que aguarda pelos mais fracos.

Em "Sede", o autor reúne em um mesmo bote salva-vidas um homem branco vestido em traje de noite, uma mulher branca vestida em traje completo de dançarina e um homem preto vestido em uniforme azul de marinheiro. Três figuras com papéis sociais bem definidos e que semanas antes ocupavam lugares distintos neste navio que naufragou. Sem demais sobreviventes à vista, estão os três à deriva, em alto mar, confinados, limitados e rodeados por tubarões. Impulsivamente, cada um resgatou do navio, em tempo, um único objeto, aquele que mais lhe representa em vida, a dançarina um colar de diamantes, o marinheiro uma faca, e o cavalheiro um cardápio de um banquete feito em sua homenagem, contudo todos carecem de algo mais elementar, comida e água. Só lhes resta esperar, questionar ou desesperar. Qual seria a dose precisa de humanidade para a humanidade não colapsar?

O autor
Eugene Gladstone O'Neill (Nova Iorque, 16 de Outubro de 1888 – Boston, 27 de Novembro de 1953) foi um dramaturgo anarquista e socialista estadunidense. Recebeu o Nobel de Literatura de 1936 e o Prêmio Pulitzer por várias vezes. Suas peças estão entre as primeiras a introduzir as técnicas do realismo influenciado principalmente por Anton Chekhov, Henrik Ibsen e August Strindberg. 

Sua dramaturgia envolve personagens que habitam as margens da sociedade, com seu comportamento desregrado, tentando manter inalcançáveis aspirações e esperanças do 'milagre norte-americano'. Tendo escrito apenas uma comédia, ("Ah, Wilderness!"), todas as suas peças desenvolvem graus de tragédia pessoal e pessimismo. Sua dramaturgia influenciou reconhecidamente um importante dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, além de uma de suas peças, a Imperador Jones ("The Emperor Jones"), ter sido o ponto de partida do Teatro Experimental do Negro de Abdias do Nascimento.

Ficha Técnica:
"Sede", de Eugene O’Neill, dentro do projeto Cia Triptal 30 anos.
Direção:
André Garolli.
Elenco: Camila dos Anjos, Fabrício Pietro e Wes Machado.
Produção: Cia. Triptal.
Serviço: live cênica no perfil do facebook do Teatro João Caetano - @teatropopularjoaocaetano
Apresentação: 21 de agosto. Sexta-feira às 21h.
Apresentação gratuita.
Duração:
50 minutos.
Classificação: 16 anos.

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