segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Deixa que Eu Conto - Volume 2: Rabiscos", de Maria Braga Canaan


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Deixa que Eu Conto - Volume 2: Rabiscos", publicado pela Costelas Felinas Editora, a autora Maria Braga Canaan aprofunda um projeto literário que se constrói à margem das classificações tradicionais. A autora propõe uma escrita que não se submete a gêneros rígidos nem a expectativas formais, optando por textos que surgem como fragmentos de pensamento, impressões sensíveis e confissões veladas.

A escolha do termo “rabiscos” é fundamental para a compreensão da obra. Longe de indicar precariedade ou improviso inconsequente, o conceito funciona como chave estética do livro. Os textos nascem do gesto imediato, do registro quase cru daquilo que pulsa, mas carregam uma densidade emocional e reflexiva que revela domínio da linguagem e consciência do próprio fazer literário. A espontaneidade, aqui, não exclui profundidade; ao contrário, é por meio dela que a autora alcança um grau elevado de intimidade com o leitor.

Neste volume os pensamentos, afetos e contradições que normalmente permanecem ocultos, tornam-se visíveis em uma escrita fragmentária. Essa postura confere ao livro uma força particular, fazendo da leitura uma experiência de aproximação, a fragmentação não fragiliza a obra; pelo contrário, sustenta sua unidade.

A linguagem é direta, mas não simplista. Há uma economia de palavras que intensifica o impacto de cada frase, exigindo uma leitura atenta e pausada. Assim, Deixa que eu Conto – Volume 2: Rabiscos se firma como um livro que valoriza o processo criativo e a verdade do instante. Ao transformar a escrita em gesto de risco e de honestidade radical, Maria Braga Canaan entrega uma obra sensível, provocadora e profundamente humana.
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