sexta-feira, 20 de março de 2026

.: Crítica musical: Rush em "2112" há 50 anos, a redenção da banda


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Há 50 anos, o trio canadense Rush vivia um dilema. Pressionados pela fraca vendagem dos segundo e terceiro álbuns ("Fly By Night" e "Caress of Steel"), os músicos Geddy Lee (baixo e vocal), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) receberam um ultimato dos executivos de sua gravadora na época: ou produziam um álbum com potencial radiofônico ou então seria o  fim da linha para eles. Foi exatamente nesse panorama que eles lançaram o álbum "2112", que se tornou o segundo mais vendido de toda a carreira do grupo.

Nesse processo foi importante o papel do empresário Ray Danniels, que convenceu os executivos a aguardarem o lançamento de mais um disco da banda antes de tomarem uma medida mais drástica. E o Rush conseguiu vencer o desafio da forma mais improvável. A faixa que abre o disco tem simplesmente 20 minutos, divididos em sete partes que ocupavam todo o lado A do disco. O enredo idealizado por Neil Peart foi inspirado em um livro da escritora Ayn Rand, intitulado A Nascente; Essa faixa mostra todo o potencial da banda para compor peças conceituais, narrando uma aventura futurista de um personagem que se vê sem condições de exercer sua individualidade e criatividade em um universo opressor.

O lado B abre com "A Passage to Bangkok", que se tornou um clássico do repertório da banda bastante executado nos shows ao vivo. E segue com "Twllight Zone" composta em homenagem a série famosa de TV americana homônima, que no Brasil se chamava Além da Imaginação. A faixa seguinte ("Lessons") foi composta por Lifeson enquanto que a bela balada "Tears" foi feita por Geddy Lee. O disco se encerra com "Something For Nothing", composta com letra de Peart e arranjada bem ao estilo que consagrou o Rush.

O álbum "2112" é apontado como um ponto de virada na carreira do grupo, que  passaria não só a contar com o apoio da gravadora como também se apresentariam em locais com maior capacidade de público nos anos seguintes.

"2112"

"A Passage to Bangkok"

"Something for Nothing"
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