O encontro integra o módulo dedicado aos dilemas contemporâneos da saúde mental e propõe uma reflexão sobre como o imaginário distópico, marcado pela sensação de um mundo sem futuro, vem impactando a subjetividade e o cotidiano das pessoas. Com entrada gratuita, a gravação será realizada na próxima quinta-feira, dia 23 de abril, às 19h00, na sede do Instituto CPFL, em Campinas, com transmissão ao vivo pelo canal do programa no YouTube.
Ao abordar temas como guerras, destruição ambiental, ataques a direitos e a intensificação de discursos de ódio, Miriam analisa como essas dinâmicas alimentam uma lógica de ruptura dos laços coletivos e fragilizam a vida em comum. Segundo ela, esse processo tem efeitos subjetivos importantes, como desmobilização, isolamento e dificuldade de sustentar vínculos sociais e afetivos. “Quando a lógica da guerra e da destruição se impõe como forma de organização social, os laços coletivos se fragilizam e o outro passa a ser visto como ameaça. Isso produz desamparo, angústia e, muitas vezes, retração da vida social”, afirma a psicanalista.
Ao longo do encontro, a psicanalista também propõe uma reflexão sobre estratégias de resistência frente às formas contemporâneas de dominação, articuladas a estruturas como patriarcado, colonialidade e capitalismo. Nesse contexto, a democracia é apontada como um horizonte possível para a reconstrução dos laços sociais. “A democracia não elimina os conflitos, mas cria condições para que possamos sustentá-los sem recorrer à eliminação do outro. É nesse espaço de tensão, negociação e construção coletiva que se torna possível reinstaurar um horizonte comum”, analisa.
Sobre a palestrante
Miriam Debieux Rosa é psicanalista e professora titular do Instituto de Psicologia da USP, onde coordena o Laboratório Psicanálise, Sociedade e Política (PSOPOL) e o Grupo Veredas, voltado aos estudos sobre psicanálise e imigração. Com pós-doutorado pela Université Paris Diderot (Paris 7), na França, desenvolve pesquisas sobre a dimensão sociopolítica do sofrimento, violência, migração e construção do laço social na contemporaneidade. Foi pró-reitora adjunta para Inclusão e Pertencimento da USP (2022–2025) e é autora e organizadora de diversas obras na área, com destaque para A clínica psicanalítica face ao sofrimento sociopolítico, vencedor do Prêmio Jabuti em 2017, além de Histórias que não se contam e As escritas do ódio, entre outros títulos.
Ambiente inspirador de troca e aprendizado
O Café Filosófico CPFL traz uma nova identidade visual e artística, incluindo cenário, para acompanhar a renovação do formato, que passa a ter a nova apresentadora, Tainá Müller, interagindo com os convidados e a plateia. O espaço do Café, na sede do Instituto CPFL, em Campinas, oferece uma atmosfera convidativa e aconchegante, onde cada detalhe é pensado para proporcionar uma experiência prazerosa. É possível tirar fotos em todos os lugares, incluindo o novo cenário. O local possui climatização e é acessível a pessoas com deficiência, além de contar com intérpretes de Libras para garantir a participação de todos. Há, ainda, um serviço de alimentação com cardápio de comidas e bebidas para consumo no local.
Após a gravação e exibição ao vivo, as palestras ganham uma versão editada que é exibida na TV Cultura, aos domingos, às 20h (com reprises às quartas, à 01h) e, posteriormente, disponibilizadas no YouTube. Vale destacar que os episódios transmitidos pela TV não correspondem necessariamente às gravações feitas durante a semana.
Serviço
Gravação Café Filosófico CPFL, com Miriam Debieux Rosa, psicanalista
Dia 23 de abril, quinta-feira, às 19h00
Instituto CPFL - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 - Chácara Primavera, Campinas/SP
Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h00
Participação on-line: canal do Café no YouTube













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