Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Abílio Gil
Ousado e criativo, "Susi - O Musical" é tudo o que crianças e adultos precisam ouvir. Há coragem na espinha dorsal do espetáculo: ao colocar um menino no centro da história e em diálogo direto com uma boneca, a montagem desloca o eixo tradicional do universo feminino para um território mais poroso, em que o gênero deixa de ser fronteira e passa a ser um caminho. É inevitável a comparação com o fenômeno "Barbie - O Filme", mas “Susi - O Musical”, dirigido por Mara Carvalho, não se curva à tentação da cópia.
A rivalidade entre mulheres, tema espinhoso e frequentemente tratado de forma superficial, surge com densidade cômica na personagem Bárbara, interpretada com precisão por Bruna Guerin, que representa, na peça teatral, um produto de padrões inalcançáveis que o próprio espetáculo se dispõe a desmontar. Ao lado dela, a Susi de Priscilla (ou de sua competente substituta, na sessão assistida Clara Verdier) sustenta um equilíbrio delicado entre carisma e questionamento. Susi é inquieta e, diante do que foi colocado no espetáculo, brinca, confronta, aprende, erra, revisa e cresce, assim como o menino que interage com ela.
O elenco, aliás, opera em sintonia admirável. Há um senso de conjunto que impede o musical de escorregar para a afetação. As músicas bem resolvidas e eficientes cumprem o papel de avançar a narrativa sem se tornarem meros intervalos sonoros. A inteligência na construção pode ser sentida a cada cena. Mas “Susi - O Musical” não quer apenas entreter. Ao colocar o dedo na ferida das contradições da própria indústria que criou tanto a Susi quanto trouxe a Barbie para o Brasil, o espetáculo escancara um ciclo quase cruel: as crianças crescem, abandonam seus brinquedos e, no processo, deixam para trás também partes de si mesmos. O final, levemente melancólico, não dá respostas ao que pode acontecer, e isso é um mérito.
Se há um ponto de fragilidade, talvez esteja na cenografia, que poderia expandir ainda mais o universo imaginativo proposto. Em alguns momentos, sente-se falta de uma materialidade mais ousada, que acompanhe a ambição temática do texto. Ainda assim, o saldo é mais do que positivo. “Susi - O Musical” é uma homenagem à boneca, à memória, ao feminismo, mas sobretudo ao feminino em sua complexidade, suas fissuras e reinvenções.
Serviço
"Susi, o Musical"
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista / São Paulo
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h00
Temporada: de 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas, às 20h00, sábados e domingos 16h00 e 20h00
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia Entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia Entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114413) ou bilheteria local
Classificação etária: livre
Duração: 90 minutos
Capacidade: 827 lugares
Serviço
"Susi, o Musical"
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista / São Paulo
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h00
Temporada: de 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas, às 20h00, sábados e domingos 16h00 e 20h00
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia Entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia Entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114413) ou bilheteria local
Classificação etária: livre
Duração: 90 minutos
Capacidade: 827 lugares













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