Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.
Se tem um salto alto que atravessa décadas sem perder o equilíbrio, ele atende pelo nome de "O Diabo Veste Prada". E agora, quase 20 anos depois, ele volta a ecoar pelos corredores - ainda mais largos - da Runway. Com Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci de volta ao jogo, "O Diabo Veste Prada 2", em cartaz nos cinemas, entrega mais do que figurinos impecáveis: aquele prazer quase culposo de revisitar um clássico que nunca saiu de moda - só estava aguardando a estação certa para reaparecer. A seguir, listamos cinco curiosidades que fazem essa sequência parecer menos um retorno e mais um reencontro com velhos conhecidos - daqueles que a gente jura que superou, mas continua stalkeando com carinho.
1. A sequência que ninguém quis... até querer muito
Diferente de tantas continuações que nascem por insistência de bilheteria, aqui o impulso foi outro: recusa. Logo após o sucesso de 2006, a equipe preferiu deixar a história em paz, intacta, como um bom vestido que não precisa de ajustes. Foi o tempo que mudou tudo. Duas décadas depois, com o jornalismo impresso em crise e o mundo digital ditando novas regras, a pergunta deixou de ser “por que voltar?” e passou a ser “como elas sobreviveram a isso?”. E, convenhamos, imaginar Miranda Priestly lidando com algoritmos já vale o ingresso.
2. A melhor cena (segundo Anne Hathaway) não tem Anne Hathaway
Nem sempre o auge de uma experiência é protagonizado por quem conta a história. A própria Anne Hathaway confessa que sua cena favorita envolve apenas - “apenas” - Meryl Streep desfilando como Miranda Priestly na Galleria Vittorio Emanuele II. A atriz pediu para assistir à gravação como quem invade discretamente um desfile privado e saiu de lá com a certeza de ter presenciado um daqueles momentos raros em que cinema, cenário e presença se alinham sem esforço. Não é pouca coisa.
3. Figurino: mais é mais (e muito mais)
Se no primeiro filme a moda já era personagem, aqui ela assume o protagonismo sem pedir licença. A figurinista Molly Rogers apostou em uma estética que mistura tempo e trajetória: Andy Sachs agora veste a experiência, combinando peças novas com achados vintage, enquanto Miranda permanece… Miranda. No placar final: mais de 45 looks para Hathaway e quase 30 para Streep - alguns criados exclusivamente para o filme. Porque, afinal, ninguém entra na Runway repetindo roupa. Nem depois de 20 anos.
4. Quando o figurino vem da farmácia
Há um certo prazer em descobrir que, por trás de toda sofisticação, existe acaso e até improviso. Em meio à busca por acessórios à altura de Miranda, quem resolveu o impasse foi a própria Meryl Streep, surgindo com um par de brincos de argola comprado… numa farmácia. Perfeitos. Discretos, mas não demais. Elegantes, mas sem competir com a peruca icônica. O detalhe? Era o único par. E a equipe passou as filmagens tratando aquelas argolas como se fossem joias da coroa.
5. Um escritório à altura do ego (e da história)
Se o mundo cresceu, a Runway não ficaria para trás. O novo escritório de Miranda Priestly foi reconstruído do zero e multiplicado por oito. Inspirado em redações reais como a da "Vogue", o espaço aposta em mesas longas e uma atmosfera que mistura imponência e tensão. É o tipo de lugar onde uma frase sussurrada pode soar mais ameaçadora que um grito. No fim das contas, "O Diabo Veste Prada 2" parece entender algo essencial: certos universos não envelhecem - só acumulam camadas. E, entre crises editoriais, figurinos impecáveis e silêncios cortantes, talvez a pergunta mais interessante não seja o que mudou, mas o que continua exatamente igual.













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