segunda-feira, 28 de setembro de 2026

.: “O Deus das Urnas” investiga a força da religião nas eleições brasileiras


Livro de Alexandre Landim acompanha as disputas presidenciais de 2010 a 2022 e analisa como católicos e evangélicos passaram a ocupar lugar de destaque nas estratégias eleitorais

Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, a religião ganhou espaço nos palanques, nos discursos de candidatos e nas estratégias de campanha. O movimento despertou debates sobre a relação entre fé e política e serviu de ponto de partida para o sociólogo Alexandre Landim escrever “O Deus das Urnas: Evangélicos e Católicos em Eleições Presidenciais no Brasil”, lançado pela Editora Telha. A obra acompanha as eleições realizadas entre 2010 e 2022 para investigar como as identidades religiosas se relacionam com as escolhas políticas dos brasileiros. 

Ao longo da pesquisa, Landim observa a presença crescente de temas religiosos nas campanhas e procura compreender de que maneira questões como aborto, costumes, valores familiares e diferentes concepções sobre o papel do Estado passaram a integrar a disputa pelo voto. Em “O Deus das Urnas”, o discurso religioso aparece também como instrumento de mobilização eleitoral. A pesquisa mostra que católicos e evangélicos não formam grupos homogêneos e que suas identidades religiosas apresentam diferenças no comportamento político. Segundo os estudos reunidos pelo sociólogo, essa distância nas preferências eleitorais aumentou nas últimas décadas, especialmente a partir de 2010.

O resultado ajuda a iluminar uma mudança no cenário político brasileiro. A filiação religiosa passou a dialogar de maneira mais evidente com fatores sociais, econômicos e ideológicos na formação das preferências eleitorais. Igrejas, lideranças religiosas e candidatos também passaram a participar de maneira mais intensa da construção das agendas públicas. Para sustentar a investigação, Landim reúne mais de uma centena de pesquisas de opinião, além de um amplo conjunto de materiais publicados pela imprensa. O levantamento permite observar a presença da religião na política brasileira ao longo do tempo, acompanhando mudanças de comportamento e estratégias eleitorais que ganharam força nas últimas campanhas presidenciais.

A pesquisa evita tratar a participação religiosa na política como fenômeno passageiro. Ao acompanhar diferentes eleições, o autor examina a maneira como candidatos incorporaram referências religiosas aos discursos e como essas mensagens passaram a dialogar com parcelas específicas do eleitorado. Sociólogo formado pela Universidade de São Paulo, mestre pela Universidade Estadual do Ceará e doutor pela Universidade Federal do Ceará, Alexandre Landim pesquisa religiões no Brasil há mais de uma década. Professor de Sociologia do Instituto Federal do Ceará, ele transforma parte dessa trajetória acadêmica em um livro voltado tanto a pesquisadores quanto a leitores interessados em política, comportamento, religião e cultura.


Sobre o autor
Alexandre Landim é paulistano e radicado em Fortaleza, no Ceará, desde 2012. Sociólogo e escritor, dedica-se há mais de dez anos ao estudo das religiões no Brasil. É cientista social pela Universidade de São Paulo (USP), mestre pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com período de estágio na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. É professor de Sociologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Também publicou o romance “De onde estou já fui embora” (2019), vencedor do edital das Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza.
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