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domingo, 30 de agosto de 2026

.: Romance "Me Chame pelo Seu Nome" ganha versão em graphic novel


Adaptação ilustrada por Sarah Maxwell revisita o romance de André Aciman quase duas décadas depois da publicação do livro que conquistou leitores e chegou aos cinemas

Quase vinte anos depois de chegar às livrarias e conquistar uma legião de leitores, "Me Chame pelo Seu Nome", escrito por André Aciman, ganha uma nova forma de ser lido. A Editora Planeta lança no Brasil a adaptação em graphic novel do romance que se tornou um clássico contemporâneo e inspirou o premiado filme homônimo. Agora em quadrinhos, a história de Elio e Oliver preserva a intensidade emocional e a atmosfera do romance original, enquanto ganha uma narrativa visual capaz de aproximar a obra de novos leitores. As ilustrações de Sarah Maxwell dão rosto, movimento e textura àquele verão italiano que, convenhamos, já tinha ingredientes suficientes para causar estragos no coração de qualquer leitor.

Na Riviera Italiana, Elio recebe Oliver, hóspede de seu pai. O americano chega com uma boa dose de arrogância, camisas esvoaçantes e comentários irônicos, fazendo Elio acreditar que a convivência entre os dois será uma receita para a antipatia. Só que o verão tem seus próprios planos. Com o passar dos dias, a convivência transforma a implicância inicial em amizade. Elio e Oliver caminham por ruas arborizadas, compartilham almoços sob o sol e disputam partidas de tênis. Aos poucos, Elio passa a reparar em coisas que talvez preferisse ignorar: quer fazer Oliver rir, observa seus gestos e se deixa fascinar pelo brilho de sua pele à beira da piscina.

O que parecia amizade começa a ganhar outra dimensão. Durante as semanas daquele verão, a ligação entre os dois se intensifica até se transformar em uma experiência de intimidade profunda e rara, capaz de deixar marcas muito depois de as férias terminarem. A adaptação mantém o universo criado por Aciman e encontra nas imagens uma maneira própria de explorar os personagens e a atmosfera da narrativa. Para quem já conhece a história, a graphic novel oferece uma nova visita à Itália de Elio e Oliver. Para quem chega agora, fica o convite para descobrir por que aquele verão continua despertando suspiros quase duas décadas depois.

"'Me Chame pelo Seu Nome' começou como uma simples fantasia sobre estar em uma vila italiana com vista para o mar. Eu não fazia ideia de que esse devaneio se transformaria em uma história, muito menos em um romance. Enquanto escrevia, acabei me apaixonando por Elio e Oliver. Sarah dá vida a esses personagens e ao universo deles de uma forma totalmente nova, e o resultado é incrível. Estou muito feliz por trabalharmos juntos para que ainda mais leitores possam descobrir 'Me Chame pelo Seu Nome' nesta belíssima graphic novel”, comenta o autor André Aciman.

"Sinto-me muito privilegiada por ter adaptado essa história tão bonita para uma graphic novel, permitindo que ainda mais pessoas possam se emocionar e se conectar com ela. Espero que todos que lerem Me chame pelo seu nome sejam transportados de volta àquele verão na Itália e possam se apaixonar por esses personagens, vez após vez", conclui Sarah Maxwell-McNicol. Compre a adaptação em graphic novel do romance "Me Chame pelo Seu Nome" neste link.


Sobre o autor
André Aciman é autor best-seller do The New York Times por "Me Chame pelo Seu Nome", além de diversas obras de ficção e não ficção. Também é editor de The Proust Project e professor de literatura comparada da City University of New York. Vive com a esposa em Manhattan.

Sobre a ilustradora
Sarah Maxwell é uma artista e ilustradora de quadrinhos estadounidense baseada em Londres. Seu portfólio abrange uma ampla variedade de gêneros e estilos. Nas horas vagas, também trabalha como tatuadora. Apaixonada por quadrinhos, flores e tudo que remete ao universo medieval.

.: “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” na Bienal do Livro SP com Thalita Rebouças


Autora promove a adaptação cinematográfica de sua obra na Bienal e participa de sessões de autógrafos nos dias 5 e 6 de setembro, no estande da Rocco

Os leitores de Thalita Rebouças que passarem pela Bienal do Livro SP 2026 terão a chance de encontrar a escritora, garantir um autógrafo e, de quebra, saber um pouco mais sobre a adaptação cinematográfica de “Era Uma Vez Minha Primeira Vez”, baseada no livro homônimo da autora. O encontro acontece no estande da editora Rocco em duas oportunidades: no sábado, 5 de setembro, às 15h00, e no domingo, 6, às 17h30. Durante as sessões de autógrafos, serão distribuídos marcadores de livro com QR Code que leva à compra de ingressos para o filme, que chega aos cinemas em 17 de setembro.

Dirigido por Claudia Castro, o filme tem roteiro assinado por Thalita Rebouças e João Paulo Horta e mergulha no universo juvenil com leveza, humor e uma dose generosa de descobertas. Ritos de passagem, amadurecimento, amizade, sexualidade e a velha diferença entre estar com pressa e estar preparado para descobrir aparecem no caminho. No elenco principal estão Castorine, Duda Matte, Leticia Braga e Livia Silva. O quarteto divide a cena com Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.

A produção e a distribuição são da Na Paralela Filmes, com codistribuição da A Fábrica, em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. A produção conta ainda com coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme e investimento do BRDE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.


Quatro amigas, quatro descobertas e nenhuma fórmula pronta
Baseado no livro de Thalita Rebouças, o filme “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” leva para o cinema as descobertas e os ritos de passagem da juventude de maneira leve, madura e descomplicada. A trama acompanha quatro amigas - Teresa, Clara, Tuca e Patty - enquanto cada uma descobre, à sua maneira, que o despertar da sexualidade não segue manual de instruções. Expectativas, amizade e as diferenças entre pressa e descoberta dão o tom da história. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.

.: Barraco Editorial leva a literatura independente para a Bienal do Livro SP


Editora criada por Wesley Barbosa participa pela segunda vez consecutiva do maior evento literário da América Latina e apresenta "Viela Ensanguentada", "Os Barraquinhos da Favela" e "Ódio ao Poema"

Da venda de livros de mão em mão pelas ruas de São Paulo ao estande de uma das maiores feiras literárias do país. A trajetória da Barraco Editorial ganhou mais um capítulo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Criada em 2023 pelo escritor e editor Wesley Barbosa, a editora confirma presença na 28ª edição do evento, que será realizada entre 4 e 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi. 

Será a segunda participação consecutiva da Barraco Editorial na Bienal, levando ao público uma produção literária que coloca autores independentes e vozes das periferias brasileiras no centro da conversa. A proposta continua a mesma: abrir espaço para uma literatura que conhece a quebrada por dentro e que não precisa de tradução para falar sobre suas próprias experiências.

Entre os destaques está a segunda edição do romance "Viela Ensanguentada", de Wesley Barbosa. O editor também apresenta "Os Barraquinhos da Favela", seu primeiro livro infantil, lançado em julho de 2026 pela Editora Moderna, na Coleção Girassol. A obra tem ilustrações de Tainan Rocha e marca uma nova fase na produção do escritor, agora voltada ao público a partir dos seis anos. Escrito em primeira pessoa, "Os Barraquinhos da Favela" recupera memórias da infância de Wesley, que cresceu em barracos e moradias da periferia. O livro encara as dificuldades da vida na quebrada, incluindo a vulnerabilidade de casas de madeira castigadas e arrancadas pela força do vento, mas também encontra espaço para a imaginação e para as pequenas belezas do cotidiano.

Entre arroz e feijão recém-feitos, janelas quebradas e noites de céu aberto, a infância periférica aparece com suas dores e afetos. As estrelas e o horizonte, afinal, também cabem numa janela que já perdeu o vidro. Outro destaque da Barraco Editorial em 2026 é "Ódio ao Poema", de Vitor Miranda, que estará no estande da editora durante toda a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O título é o oitavo livro do autor e idealizador do Movimento Neomarginal.

Com estrutura e ritmo próximos de um manifesto político e estético, a obra transforma o próprio "Poema" em personagem. Distante do lirismo tradicional, ele ganha corpo e voz para encarar a violência urbana, a desigualdade social e as contradições do presente. Vitor Miranda coloca a literatura diante da realidade brasileira sem a preocupação de deixá-la confortável para quem lê.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

.: "Depois que Abri a Porta do Mar" leva Gabriela Curry à Bienal do Livro de SP


Autora transforma 25 anos entre Brasil e Portugal em crônicas sobre identidade, preconceito, feminismo, amadurecimento e as experiências que ajudam a construir uma trajetória

A escritora, jornalista e publicitária Gabriela Curry participa pela primeira vez da Bienal do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, para apresentar "Depois que Abri a Porta do Mar - Crônicas entre Dois Continentes", publicado pela Editora Lacre. O livro reúne crônicas inspiradas nos 25 anos em que a autora viveu entre Brasil e Portugal, depois de deixar o Espírito Santo, em 2001. "Eu estou em êxtase! Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que teria o meu metro quadrado na Bienal", conta Gabriela.

No dia 6 de setembro, a autora participa de um bate-papo no Espaço Escreva Garota, ao lado de Kika Gama Lobo e Manika Apsara. Com o tema "O que uma mulher precisa atravessar para contar a própria história?", o encontro aborda assuntos como silenciamentos, autorização para escrever, envelhecimento e carreira. Depois da conversa, as três autoras permanecem no espaço para conversar com o público, vender e autografar os livros.

"Foi justamente através de um impulsionamento da Kika que surgiu a ideia de criar o livro", explica Gabriela. Para transformar a proposta em publicação, ela resgatou textos escritos desde a adolescência e passou um mês em cafeterias do Rio de Janeiro reunindo materiais produzidos ao longo de duas décadas.

O título surgiu depois, a partir de uma imagem que traduz a relação afetiva da autora com os dois países. "Esse Atlântico tem uma porta. Imaginária, poética, mas muito real para mim. Eu a abro e chego em casa, em Portugal. Abro-a de novo e retorno para casa, no Brasil. Há 25 anos vivo nesse vai e vem atravessando essa porta sempre aberta e construindo, entre as duas margens, o meu caminho. E casa não é forçosamente um espaço físico, é mais um sentimento. Eu encontro abrigo nos dois lugares", afirma.

As experiências dessa travessia aparecem em diferentes momentos do livro. Gabriela recupera os primeiros anos de adaptação em Portugal, as impressões provocadas pela escola e a experiência de crescer longe do país onde nasceu. Também revisita o retorno ao Brasil, aos 34 anos, justamente a idade em que a mãe havia emigrado para Portugal.

"Há muitos textos que narram os primeiros anos de adaptação: as impressões, os sentimentos e as situações vividas nas escolas. Alguns contam como eu e minha irmã nos emancipamos tão cedo e a importância da confiança e educação da nossa mãe para enfrentarmos muitas coisas. Existem outros sobre os primeiros anos da minha volta ao Brasil, aos 34 anos — a mesma idade em que minha mãe emigrou para Portugal. É uma mistura interessante, porque o leitor acompanhará dois processos vividos em momentos e idades muito diferentes da minha vida", explica.

A escrita acompanha Gabriela desde cedo. Formada em Jornalismo pela Universidade do Porto, ela conta que sempre ouviu de pessoas próximas que deveria seguir carreira na comunicação. "Sou naturalmente midiática: crio, escrevo, capto, edito e tenho pouquíssima dificuldade em falar diante de uma câmera. Claro que ninguém nasce sabendo; vamos aprimorando, errando e aprendendo ao longo do caminho. Mesmo nos curtos períodos em que não tinha vínculos empregatícios, eu roteirizava, captava e editava meus próprios conteúdos para o Instagram", relata.

Depois da graduação, concluída em 2017, Gabriela tomou uma decisão ousada: comprou uma passagem só de ida para o Brasil com o objetivo de trabalhar como repórter. O destino foi o Rio de Janeiro. Em 2018, entregou um currículo na sede da Band e pouco tempo depois foi contratada. A passagem pela emissora durou alguns meses e é definida por ela como uma experiência "intensa e impactante".

A trajetória profissional, porém, encontrou novos caminhos na publicidade. Gabriela passou a construir carreira na área e se especializou em gestão de atendimento, atividade que reúne organização, visão estratégica e compreensão ampla do marketing. "Aos poucos, fui construindo minha carreira nessa área. Acabei me encontrando dentro da gestão de atendimento, uma área essencialmente relacional, que exige muita organização, visão estratégica e uma compreensão 360º do marketing. Minha primeira grande experiência em uma empresa global foi na Ogilvy Brasil, e ela foi uma verdadeira escola. Trabalhei com grandes marcas, processos altamente dinâmicos e desafios complexos. Foi uma base muito sólida e forte para a construção da minha carreira", conta.

Essa trajetória entre diferentes áreas e países também está presente nas páginas de "Depois que Abri a Porta do Mar". Aos 15 anos, Gabriela chegou a Portugal e passou a experimentar o cotidiano sob a perspectiva da cultura portuguesa. No lugar de Machado de Assis, conheceu Luiz de Camões. Antes do almoço e do jantar, incorporou o hábito português de tomar sopa. Entre costumes, descobertas e adaptações, construiu uma identidade marcada pela mistura das duas culturas.

Aos 16 anos, começou a trabalhar em telemarketing, uma experiência que, somada às viagens pela Europa e ao contato precoce com o universo profissional, ajudou a moldar sua personalidade. "Trabalhar tão cedo moldou traços da minha personalidade, como esse meu lado tão social e extrovertido. Trabalhar, e conviver com adultos já formados, inclusive em dado momento com a minha própria mãe, que pagavam boletos e tinham suas próprias responsabilidades, me deu muito cedo um senso de compromisso e responsabilidade com tudo o que faço", afirma.

A convivência entre Brasil e Portugal também provocou questionamentos sobre pertencimento. Gabriela passou por momentos em que não sabia exatamente como definir sua identidade ou explicar de onde era. "Hoje, é uma diversão que conduzo com leveza, mas houve momentos de crise, sem saber exatamente de onde eu era, a que lugar pertencia ou como deveria escrever. Eu não sabia nem como me apresentar. 'Mas és brasileira ou portuguesa?', 'onde você nasceu?'. Decidi incorporar tudo: sou brasileira, lusa, escrevo e falo tudo misturado. Atualmente, quando estou em Portugal, falo como uma portuguesa; quando estou no Brasil, falo como uma brasileira", relata.

O sentimento de não pertencimento também esteve relacionado a episódios de xenofobia que a autora vivenciou e transformou em matéria literária. O preconceito contra brasileiras na Europa aparece em uma das crônicas do livro, assim como uma situação envolvendo a irmã de Gabriela, que aos 13 anos reagiu a uma ofensa preconceituosa dentro da escola. "Sofri com estereótipos, rótulos, preconceitos. 25 anos atrás, para muita gente na Europa, brasileira era vista apenas como prostituta ou manicure. Até você explicar que não há problema algum em ser qualquer uma das duas, a conversa costumava ser longa, ou terminava em tapa (risos). Uma das minhas crônicas, inclusive, fala de um caso em que minha irmã, aos 13 anos, voou na jugular de um sujeito que gritou no corredor da escola: 'Lá vêm as brasileiras, filhas da put&!'. Ela respondeu na hora: 'Da minha mãe você não fala!'", lembra.

A experiência pessoal acabou dando à autora uma perspectiva mais ampla sobre temas como preconceito, feminismo, racismo e os direitos da população LGBTQIAPN+. Para Gabriela, a escrita também representa uma forma de não permanecer em silêncio diante dessas questões. "São causas que não pertencem a um grupo específico; elas devem ser olhadas e defendidas ativamente por todos nós. Escrevo sobre elas porque não posso passar omissa diante das inúmeras barbáries cometidas todos os dias contra mulheres, pretos e pessoas LGBTQIAPN+. Se você se cala, pode até não cometer o crime, mas se torna cúmplice daquilo que permite que continue acontecendo", finaliza.


Sobre Gabriela Curry
Nascida em 1985, no Espírito Santo, Gabriela Curry é licenciada em Jornalismo pela Universidade do Porto, em Portugal, e também construiu carreira na área de Publicidade. Anualmente, colabora com a revista portuguesa I Love Brides, mantendo a ligação com o universo da escrita e da comunicação. Ao longo da experiência entre diferentes culturas, lugares e encontros, Gabriela passou a compartilhar nas redes sociais crônicas escritas durante boa parte da vida. Aos poucos, conquistou leitores e consolidou seu trabalho autoral.

A partir de uma inquietação da escritora Kika Gama Lobo, começou a desenvolver "Depois que Abri a Porta do Mar - Crônicas entre Dois Continentes", publicado pela Editora Lacre. Além da trajetória literária, Gabriela atua há nove anos como publicitária, com passagens por algumas das principais agências do mercado, entre elas Ogilvy, BETC Havas e Rock World. Ao longo desse período, desenvolveu projetos para grandes marcas e consolidou experiência em comunicação e gestão de contas.

Sem abandonar o jornalismo, escreve desde 2022 para a revista I Love Brides, em Portugal. Também produz roteiros, edita e cria conteúdos autorais de viagens para o Instagram, além de ter participado de diferentes projetos editoriais. No Brasil, trabalhou como repórter na TV Bandeirantes.


Serviço
Bienal do Livro de São Paulo 2026
Evento: Bate-papo "O que uma mulher precisa atravessar para contar a própria história?"
Participantes: Gabriela Curry, Kika Gama Lobo e Manika Apsara
Data: 6 de setembro de 2026
Local: Espaço Escreva Garota
Livro: "Depois que Abri a Porta do Mar – Crônicas Entre Dois Continentes"
Editora: Lacre
Onde comprar: Editora Lacre
Instagram: @gabycurry

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

.: "O Tesoureiro" revisita o caso PC Farias pelo olhar de Xico Sá


Livro recupera a investigação que levou o jornalista ao paradeiro do tesoureiro de Fernando Collor e reconstitui bastidores de um dos episódios mais emblemáticos da política brasileira. Foto: Renato Parada / C
apa: Veridiana Scarpelli

Em "O Tesoureiro: O Esquema de Corrupção, a Fuga Espetacular e a Morte de PC Farias", lançado pela Editora Todavia, o escritor Xico Sá retorna aos anos 1990 para reconstruir uma história que reúne política, investigação jornalística, fuga internacional e um assassinato que permanece cercado de dúvidas. O livro combina perfil, reportagem e memória para revisitar os bastidores da cobertura que colocou o jornalista no encalço de Paulo César Farias, personagem central do escândalo que abalou o governo de Fernando Collor de Mello. A capa é de Veridiana Scarpelli.

Repórter de política da Folha de S.Paulo naquele período, Xico Sá foi o primeiro jornalista a revelar o paradeiro de PC Farias depois que o empresário teve a prisão decretada, em 1993. Acusado de envolvimento em um esquema de corrupção ligado ao governo Collor, PC fugiu do Brasil e passou por diferentes países até ser localizado em Bangkok, na Tailândia.

A trajetória da fuga parece saída de uma narrativa de espionagem. Com peruca e sem o característico bigode, PC deixou uma fazenda no interior de Pernambuco em um bimotor com destino a Buenos Aires. O percurso ainda incluiu passagens pela Bahia, Paraguai, Uruguai e Londres, até a chegada à Tailândia. Depois de cumprir pena em Alagoas, ele foi assassinado em junho de 1996, ao lado da namorada, Suzana Marcolino. O crime, ocorrido em uma casa de Guaxuma, em Maceió, jamais foi completamente esclarecido.

Mais de três décadas depois dos acontecimentos que marcaram a política brasileira, Xico Sá recupera as informações que cercaram aquela cobertura. Entre as lembranças estão fontes que forneciam pistas em boates de Maceió, telefonemas anônimos, ameaças e os métodos de uma época em que a apuração jornalística dependia de viagens, telefones e contatos presenciais. O livro também registra uma transformação profunda na profissão. No início dos anos 1990, a internet ainda dava os primeiros passos e os celulares estavam longe da realidade atual. A rotina dos repórteres era marcada pelo fechamento diário dos jornais impressos e por uma cobertura que exigia presença constante no local dos acontecimentos.

É nesse ambiente que Xico Sá resgata a própria trajetória profissional. O jornalista mistura memória e investigação para reconstituir os caminhos percorridos durante a cobertura de PC Farias, incluindo episódios vividos ao lado de personagens da cena cultural pernambucana, como Chico Science e Doctor Mabuse. Um dos momentos narrados no livro acontece em junho de 1993. Xico estava em Recife, em um raro período de folga, quando uma notícia transmitida pelo rádio anunciou que a Justiça havia decretado a prisão preventiva de PC Farias por sonegação fiscal. A pausa acabou antes mesmo de começar. Por determinação da redação, o jornalista precisou retomar imediatamente a apuração e voltar a Maceió para acompanhar os passos do empresário.

A passagem também funciona como retrato de uma prática jornalística que dependia de telefones enormes, deslocamentos e uma rede de fontes construída no contato direto. O chamado "tijolão", celular cedido pela Folha, servia basicamente para fazer e receber ligações. A velocidade da informação era outra, e o fechamento de cada edição estabelecia o ritmo da investigação. Ao recuperar essas histórias, Xico Sá aproxima o passado dos dilemas do presente.

O resultado é um livro que acompanha a ascensão e a queda de uma das figuras mais controversas da Nova República enquanto também registra a formação de um jornalista diante de uma cobertura que atravessou política, corrupção, perseguições e mistérios. A narrativa preserva ainda a marca literária do autor, que se inspira em referências como Hunter S. Thompson e incorpora elementos de literatura policial à investigação. Entre as figuras que povoam a história está a misteriosa informante conhecida pelo codinome Brigitte Monfort, nome emprestado de uma personagem de romances populares. Compre o livro "O Tesoureiro", escrito por Xico Sá, neste link.


Sobre o autor
Xico Sá nasceu no Crato, no Ceará, em 1962. Iniciou a carreira jornalística no Recife e trabalhou durante anos como repórter investigativo. É autor de livros de contos e crônicas, apresentador do ICL Notícias e colunista do Diário do Nordeste. Compre os livros de Xico Sá neste link.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

.: “Gente Pobre” e “A Dócil” recolocam Dostoiévski no centro do debate literário


Novas traduções diretas do russo, lançadas pela Via Leitura, aproximam leitores contemporâneos de dois textos fundamentais do escritor e filósofo russo


A literatura russa voltou a ocupar espaço no imaginário do público brasileiro. De referências a Fiódor Dostoiévski na novela “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, ao crescimento da hashtag #russianliterature no TikTok, que já ultrapassa 180 milhões de visualizações, os clássicos do século XIX encontram uma nova geração de leitores interessada em histórias marcadas por conflitos humanos, questões sociais e mergulhos na subjetividade. 

O interesse também aparece nas livrarias. O mercado editorial brasileiro tem ampliado a publicação de coleções e novas traduções de autores russos, muitas delas realizadas diretamente a partir do idioma original. É nesse cenário que a Via Leitura lança “Gente Pobre e “A Dócil”, dois livros que ajudam a compreender por que Dostoiévski continua dialogando tão de perto com o presente. As novas edições têm tradução direta do russo assinada pela linguista e tradutora Natalia Petroff, formada pela USP e especialista no idioma. O trabalho busca preservar a força dos textos originais e, ao mesmo tempo, oferecer ao leitor brasileiro uma porta de entrada acessível para a obra do escritor.

Publicado originalmente em 1846, apresentando uma narrativa epistolar de forte dimensão social, “Gente Pobre” foi o primeiro romance de Dostoiévski. A narrativa acompanha, por meio de cartas, dois personagens humildes que compartilham sentimentos, expectativas e dificuldades provocadas pela pobreza. A troca epistolar revela tanto as limitações impostas pela condição social quanto a sensibilidade e a dignidade daqueles que vivem à margem. Compre "Gente Pobre", de Dostoiévski, neste link.

Concentra em poucas páginas um intenso estudo sobre a mente humana,“A Dócil” apresenta um dos momentos mais concentrados e perturbadores da literatura de Dostoiévski. Após o suicídio da jovem esposa, um homem tenta reconstruir os acontecimentos que levaram à tragédia. Entre lembranças, justificativas e contradições, a narrativa expõe temas como solidão, orgulho, incomunicabilidade e os impasses das relações afetivas. Compre "A Dócil", de Dostoiévski, neste link.

Essa capacidade de observar o indivíduo em seus momentos de maior fragilidade explicam a permanência de Dostoiévski. Culpa, medo, isolamento, desigualdade, relações humanas e conflitos psicológicos atravessam o tempo e encontram eco em questões discutidas atualmente, inclusive no campo da saúde mental. Os livros integram a coleção de literatura russa da Via Leitura, que também reúne títulos como “Memórias do Subsolo” e “Noites Brancas”. Com a iniciativa, o Grupo Editorial Edipro amplia o acesso a traduções diretas e aproxima do público brasileiro obras fundamentais da literatura mundial. Para quem ainda vê os clássicos russos como leituras distantes ou difíceis, os dois lançamentos também podem funcionar como ponto de partida. 


Sobre Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski
(1821-1881) foi escritor, jornalista e filósofo russo. Considerado um dos grandes nomes da literatura universal e um dos precursores do pensamento existencialista, construiu uma obra marcada pela investigação dos conflitos psicológicos e das contradições humanas. Entre seus livros mais conhecidos estão “Crime e Castigo”, “O Idiota” e “Os Irmãos Karamázov”. Sua trajetória pessoal também foi marcada por dificuldades financeiras e familiares, além de períodos de exílio e intensa produção literária. A experiência de Dostoiévski diante da pobreza, da culpa, da perda e das relações humanas atravessou seus livros e ajudou a formar uma literatura que continua provocando leitores de diferentes gerações. Compre os livros de Dostoiéviski neste link.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” revela histórias por trás da trajetória


Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB

Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos, publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade. 

O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.

Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.

Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro  “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.

Sobre o autor
Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: "Bons Tempos: Yesteryear" chega às livrarias e satiriza mundo das tradwives


Livro de estreia de Caro Claire Burke, que já vendeu cerca de 1,4 milhão de exemplares nos EUA, ganha edição da Rocco e será adaptado para o cinema com Anne Hathaway. Foto: Riley Haakon

O fenômeno editorial americano “Bons Tempos: Yesteryear”, romance de estreia da jornalista Caro Claire Burke, chega oficialmente às livrarias brasileiras nesta segunda-feira, 17 de agosto, pela Editora Rocco. Diante da procura antecipada, a editora decidiu adiantar as vendas em 15 dias e já prepara uma segunda edição. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, exemplares começaram a chegar às livrarias neste fim de semana. O livro é uma sátira sobre tradição, fama, fé e a construção da feminilidade em uma época em que a vida perfeita pode ser cuidadosamente produzida para as redes sociais.

Nos Estados Unidos, o livro alcançou a expressiva marca de aproximadamente 1,4 milhão de cópias vendidas em apenas cinco meses. A obra também conquistou espaço entre os principais rankings literários, incluindo a lista de best-sellers do The New York Times e o BookTok Charts, ranking oficial do TikTok dedicado aos livros. A tradução brasileira é de Anna Castro. Com humor ácido, reviravoltas e uma boa dose de crítica social, Caro Claire Burke mira a cultura das influenciadoras digitais e, especialmente, o movimento tradwife, formado por mulheres que defendem um modelo de vida baseado em papéis tradicionais de gênero. 

A autora coloca essa idealização diante de uma realidade bem mais áspera ao transportar sua protagonista para o ano de 1855. O sucesso chamou a atenção de Hollywood antes mesmo da publicação brasileira. A Amazon MGM Studios adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica após uma disputa entre estúdios. Anne Hathaway está confirmada como protagonista e também como produtora do filme. Compre o livro “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.


Da vida perfeita nas redes sociais ao passado
A protagonista Natalie construiu uma imagem cuidadosamente planejada nas redes sociais. Milhões de seguidores acompanham sua rotina em uma fazenda aparentemente idílica, cercada por filhos, um marido que parece ter saído de um catálogo e uma vida guiada pela fé. Por trás das fotografias perfeitas, porém, existe uma verdadeira operação de bastidores. A casa conta com equipamentos modernos escondidos, a rotina é sustentada por funcionários e até o marido de Natalie participa da encenação de uma vida que parece perfeita. Tudo muda quando ela desperta em 1855.

Sem eletricidade, eletrodomésticos, equipe de produção ou qualquer das facilidades que ajudavam a construir sua persona digital, Natalie precisa enfrentar uma realidade que até então romantizava. Carregar lenha, lavar roupas à mão, lidar com crianças sujas e trabalhar fisicamente fazem parte de uma rotina que pouco combina com as imagens cuidadosamente produzidas para seus seguidores. O marido também mudou. O homem que antes funcionava como um acessório bonito na composição da família perfeita agora é um fazendeiro rústico e muito mais próximo da realidade daquele período.

Enquanto tenta entender o que aconteceu, Natalie começa a levantar hipóteses. Estaria participando de um reality show? Teria viajado no tempo? Seria tudo uma espécie de teste divino? Ou haveria algo ainda mais sombrio por trás daquela experiência? A situação coloca a personagem diante da própria farsa e transforma em pesadelo a vida que ela passou anos vendendo como ideal. Com uma narrativa que combina sátira, suspense e humor, “Bons Tempos: Yesteryear” aborda temas como tradição, fama, fé, feminilidade, exposição nas redes sociais e a construção de identidades cuidadosamente editadas para o público. Garanta o seu exemplar de “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.

.: Livro traz análise inédita e desmonta o mito do desenvolvimentismo de JK


“Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, de Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, reexamina as escolhas econômicas e políticas do ex-presidente e provoca uma discussão sobre inflação, endividamento e dependência estatal. Fotos: divulgação  


Às vésperas dos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto, o ex-presidente volta ao centro do debate com uma obra que propõe olhar para seu legado por uma perspectiva menos celebratória. Em “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, publicado pela LVM Editora, Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza revisitam a trajetória política de JK e colocam em discussão os custos econômicos e institucionais associados ao modelo que marcou seu governo. Conhecido pelo slogan “50 anos em 5”, pela construção de Brasília e pela expansão da indústria automobilística, Juscelino se tornou uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. A imagem de um presidente associado ao crescimento, à modernização e ao otimismo nacional é retomada pelos autores, que ampliam o foco para as consequências de longo prazo de suas escolhas.

Em vez de seguir o caminho de uma biografia convencional, o livro examina o desenvolvimentismo praticado por JK desde suas experiências à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e do Governo de Minas Gerais até a Presidência da República. O modelo tinha como pilares a forte participação do Estado, os grandes investimentos públicos e a atração de capital estrangeiro como instrumentos para acelerar a industrialização brasileira. O Plano de Metas concentrou esforços em áreas consideradas estratégicas, como energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Brasília, incorporada posteriormente ao programa, tornou-se a chamada “meta-síntese” de um governo que pretendia transformar rapidamente a estrutura econômica do país.

Os resultados foram expressivos. A economia brasileira registrou crescimento médio superior a 7% ao ano durante o período, enquanto a indústria avançou e a implantação das montadoras fortaleceu uma cadeia de fornecedores, criou empregos e ampliou a circulação de conhecimento técnico. Para Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, porém, os avanços precisam ser analisados junto aos efeitos produzidos pelo modelo. A atuação do Estado na definição de setores estratégicos, na concessão de incentivos e na proteção de determinadas atividades teria contribuído para consolidar uma relação de dependência entre empresas e poder público. “Juscelino tinha uma combinação rara de carisma, habilidade política e capacidade de transmitir confiança. Seu governo ficou associado à ideia de que o Brasil estava deixando para trás o atraso e entrando em uma fase de crescimento”, afirmam os autores.

O livro também coloca sob análise o aumento dos gastos públicos, o endividamento externo e a pressão inflacionária durante o período. Dados históricos do CPDOC apontam que a inflação média anual passou de 13,5%, entre 1948 e 1955, para 22,4% durante o governo JK. Parte dos investimentos, segundo a obra, foi viabilizada por operações externas de curto prazo e custo elevado. “Esse modelo produziu resultados importantes, como a expansão da infraestrutura e da indústria. Seria errado ignorar isso. Mas ele também fortaleceu uma cultura de dependência em relação ao Estado, estimulando subsídios, protecionismo e uma relação muito próxima entre poder público e grupos econômicos”, afirma Claret Jr. Compre o livro "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.


Brasília concentra os contrastes do período
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília se transformou no grande símbolo do projeto de modernização de Juscelino. A nova capital representou uma mudança política, arquitetônica e urbanística, além de reforçar a proposta de interiorização do desenvolvimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a construção consumiu recursos significativos em um país que ainda enfrentava dificuldades estruturais em setores como educação, saúde e saneamento. Para Lucas Berlanza, a capital sintetiza os ganhos e os dilemas do modelo desenvolvimentista.

“Brasília sintetiza a lógica das grandes obras, da forte presença estatal e do crescimento acelerado, mas com pouca preocupação com os custos fiscais e os efeitos de longo prazo”
, afirma. A leitura proposta pelos autores procura escapar de interpretações simplificadoras. Brasília aparece, assim, como demonstração da capacidade de realização daquele governo e, simultaneamente, como exemplo dos desafios econômicos envolvidos na estratégia adotada.

JK coloca o papel do Estado em discussão
Embora se debruce sobre decisões tomadas entre as décadas de 1940 e 1960, “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo” busca estabelecer uma conexão direta com questões que continuam presentes no debate brasileiro: até onde deve ir a atuação do Estado na economia? Como financiar grandes investimentos? De que maneira combinar crescimento, responsabilidade fiscal, produtividade e participação privada?

“A experiência de JK mostra que é possível acelerar a economia por meio do gasto público e da expansão do investimento estatal. A questão é o que acontece depois. Quando esse crescimento vem acompanhado de inflação, endividamento e perda de eficiência, os custos aparecem mais cedo ou mais tarde”, afirmam Claret Jr. e Berlanza. A crítica apresentada no livro se concentra, portanto, na permanência de um modelo que atribui ao Estado a função de conduzir continuamente o crescimento econômico sem levar em conta, segundo os autores, limites fiscais, qualidade dos gastos, produtividade dos projetos e condições para a atuação do setor privado.


Os 50 anos da morte de Juscelino
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. A aproximação do cinquentenário também reacende o debate sobre as circunstâncias de sua morte. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade afirmou não haver elementos materiais que apontassem para um homicídio. Em 2026, porém, um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos voltou a levantar a possibilidade de atentado.“Caso um dia haja uma conclusão definitiva sobre as circunstâncias da morte de JK, isso certamente terá impacto na compreensão de seus últimos anos e de sua relação com a ditadura militar. Mas não altera o debate sobre o legado político e econômico de seu governo”, afirmam os autores. Garante o seu exemplar de "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.

domingo, 16 de agosto de 2026

.: Carla Madeira lança “Quando”, livro sobre laços que sobrevivem ao tempo


A escritora Carla Madeira volta às livrarias com “Quando”, quarto romance dela, publicado pela Editora Record. Depois do sucesso de "Tudo É Rio", "Véspera" e "A Natureza da Mordida", a autora mergulha novamente nas complexidades das relações humanas, desta vez tendo como pano de fundo o Brasil dos anos 1980. A trama acompanha Viridiana, mãe de Margarida, Valquíria e Tito, que se vê diante de uma situação extrema: após um acontecimento trágico, decide denunciar o próprio filho à polícia. A escolha provoca uma ruptura profunda na família e desencadeia consequências que atravessam duas décadas.

Vinte anos depois, o afastamento entre os personagens ganha a possibilidade de ser revisitado. Nesse reencontro com o passado, Carla Madeira conduz uma narrativa marcada por questões como maternidade, homofobia, violência, culpa, justiça, perdão e a permanência dos afetos mesmo diante de experiências capazes de transformar uma família. A obra conta com texto de orelha assinado por Rita von Hunty, que destaca a capacidade do romance de observar tanto as relações particulares quanto as estruturas sociais que atravessam a vida brasileira. O projeto gráfico da capa é assinado pelo premiado Leonardo Iaccarino, a partir da pintura "Apprehensive", de Rebecca Aldernet.

Escrito ao longo de quase quatro anos, "Quando" mantém uma das principais características da literatura de Carla Madeira: a combinação entre intensidade emocional, densidade psicológica e linguagem cuidadosamente trabalhada. O romance coloca seus personagens diante de dilemas morais complexos, evitando respostas definitivas e deixando em aberto questões sobre até onde pode chegar a justiça e o que significa, afinal, perdoar. Compre o livro "Quando", de Carla Madeira, neste link.


Sobre Carla Madeira
Nascida em Belo Horizonte, em 1964, Carla Madeira iniciou a trajetória acadêmica na Matemática, mas posteriormente se formou em Jornalismo e Publicidade. Atuou como professora de redação publicitária na Universidade Federal de Minas Gerais e trabalhou como sócia e diretora de criação da agência Lápis Raro. Pela Editora Record, publicou "Tudo É Rio", "A Natureza da Mordida" e "Véspera". Somados, os três romances já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos, consolidando a escritora entre os grandes fenômenos recentes da literatura brasileira.

As obras também avançam para outras linguagens. "Véspera" tem adaptação prevista para série da HBO Max, sob direção-geral de Joana Jabace, com Bruna Marquezine, Gabriel Leone e Camila Márdila no elenco. Já "Tudo É Rio" está sendo levado ao cinema pela Boutique Filmes, com estreia prevista para 2027. O romance também foi escolhido como Livro do Ano de 2023, na categoria de ficção lusófona, pelo Prêmio Livreiros Bertrand, em Portugal. Compre os livros de Carla Madeira neste link.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

.: Editora Trama lança "A Original", ficção científica sobre identidade


Obra de ficção científica que explora o uso da IA como controle dos seres humanos é lançado em parceria de dois vencedores do Hugo Awards

"A Original", novo lançamento da Editora Trama, ganha sua primeira edição impressa após ter sido concebido originalmente como um audiobook. Escrito em colaboração pelos premiados Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, o romance se passa em um futuro distante em que a humanidade venceu a morte natural graças a "nanitos injetáveis" que circulam pelo corpo, reparando danos e prolongando a vida indefinidamente. Nesse cenário, a sociedade passou a viver sob um modelo de renda igualitária e automação plena. Mas esse aparente paraíso cobra um preço: check-ins semanais obrigatórios em Estações de Renovação, onde a continuidade da vida depende de um rígido sistema de monitoramento.

É nesse contexto que vive Holly Winseed. Ao despertar em um hospital sem qualquer lembrança e com uma nova identidade imposta, ela descobre que se tornou uma Réplica Provisória. Agentes do governo lhe concedem apenas uma semana para cumprir uma missão impossível: localizar e eliminar sua Original, acusada de assassinar o próprio marido, Jonathan. Se conseguir, herdará seu lugar na sociedade. Se falhar, deixará de existir. Conforme a investigação avança, Holly descobre verdades que a levam a questionar não apenas o funcionamento daquele sistema, mas também sua própria identidade. Misturando thriller e ficção científica, A Original combina ritmo acelerado e suspense com reflexões sobre identidade, livre-arbítrio, vigilância, memória e o preço da imortalidade. Compre o livro "A Original", de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, neste link.


Sobre os autores
Brandon Sanderson é um dos principais nomes da fantasia e da ficção científica contemporâneas. Autor best-seller do The New York Times, conquistou milhões de leitores com séries como "Mistborn e Os Relatos da Guerra das Tempestades", além de ter concluído os últimos volumes da série "A Roda do Tempo", de Robert Jordan. Mary Robinette Kowal é escritora e marionetista norte-americana, vencedora dos prêmios Hugo, Nebula e Locus. Autora da aclamada série "Lady Astronaut", é reconhecida por combinar rigor científico, imaginação e personagens complexos em suas obras de ficção científica. Compre o livro "A Original", de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, neste link.

.: Primeiro livro adulto de John Green, "Um Final de Cinema" tem pré-venda


Com reflexões sobre os tensionamentos entre vida pública e vida privada, a obra resgata o nascimento da cultura da celebridade e apresenta um romance nos bastidores de Hollywood. Foto: Marina Waters


Nove anos depois de "Tartarugas Até Lá Embaixo", o autor best-seller John Green volta à ficção com o lançamento de seu primeiro livro adulto: "Um Final de Cinema". O livro já está em pré-venda e será publicado pela Intrínseca em outubro deste ano. O romance acompanha Kai Laramie e Juniper Castillo, dois jovens atores em ascensão que são escalados para estrelar a aguardada cinebiografia sobre o último ano de vida de Andy Warhol. Com reflexões sobre os tensionamentos entre vida pública e vida privada -  um tema que ecoa diretamente a própria figura de Warhol -, a obra resgata o nascimento da cultura da celebridade e apresenta um romance nos bastidores de Hollywood. A tradução é de Alda Lima.

Contada sob os pontos de vista de Kai e Juniper, a história se estende desde os primeiros dias de gravação até a estreia do longa. Quando o filme começa a fazer muito sucesso, os dois observam suas vidas saírem dos eixos, em sentidos ao mesmo tempo empolgantes, assustadores e dolorosos.  Nas palavras do próprio John Green, é uma história sobre se apaixonar, sobre conviver com trauma e sobre a nossa relação com a internet, onde trocamos pedaços de nós mesmos por atenção pública. Compre o livro "Um Final de Cinema", de John Green, neste link.


O que se sabe sobre o livro
Para os jovens atores em ascensão Kai Laramie e Juniper Castillo, estrelar a tão aguardada cinebiografia sobre o último ano de vida de Andy Warhol é a oportunidade dos sonhos pela qual ambos esperavam. Juniper, uma ex-atriz mirim, não vê a hora de mostrar que está pronta para assumir papéis mais maduros e ser reconhecida na indústria. Já Kai, um ator estreante, não consegue parar de pensar se essa será sua primeira e única chance em Hollywood.

Após o lançamento, o filme vira um fenômeno, e Juniper e Kai finalmente alcançam o sucesso que sempre almejaram - e talvez o amor que não esperavam. Mas, ao mesmo tempo que suas carreiras decolam de uma hora para outra, a vida dos dois começa a sair dos eixos, forçando-os a aprender a navegar entre o estrelato e as dificuldades que a exposição traz.

Comovente e perspicaz, "Um Final de Cinema", escrito por John Green, é, nas palavras do próprio autor, um romance sobre amor, traumas e a relação com a internet, em que trocamos pedaços de nós mesmos por atenção pública. Uma história contemporânea, protagonizada por personagens sinceros e irreverentes, que vivem na pele o que se ganha e o que se perde quando se é visto.


Sobre o autor
John Green, autor premiado e best-seller do New York Times, é formado em língua inglesa e estudos religiosos pelo Kenyon College, em Ohio. Nasceu em 1977 em Indiana, onde vive com a mulher e o filho, e ao longo dos anos morou em Nova York, Illinois, Michigan, Flórida e Alabama. Atuou como redator na National Public Radio em Chicago, foi editor-assistente e de produção da revista de resenhas literárias Booklist e assinou críticas de livros para o New York Times. Personalidade ativa na internet, além de manter o próprio blog e o canal do YouTube Vlogbrothers, John coapresenta com o irmão Hank Green os vídeos do projeto “Crash Course”, um canal on-line com aulas gratuitas de diversas disciplinas. Compre os livros de John Green neste link.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

.: Livro "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria", será lançado em São Paulo


Neste quarto livro, escritora conduz o leitor por uma viagem entre fantasia, memória e história, tendo a imaginação como protagonista. Foto: divulgação

Foram anos até que "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria", chegasse às mãos do leitor. Com uma narrativa recheada de histórias, viagens e emoções que transitam em um universo onde realidade e imaginação se encontram, o livro será lançado no dia 15 de agosto, às 15h00, em tarde de autógrafos na Livraria Drummond, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

Escrito por Fernanda Pompeu e publicado pela Editora Labrador, a publicação conta as aventuras de Cá Camila, uma boneca de madeira criada por dois artesãos, que ganha vida e parte em direção ao desconhecido. Um simples gesto, o dedo apontando ao acaso em um lugar no globo terrestre, transforma-se no início de uma jornada que atravessa geografias, épocas e memórias, conduzindo a personagem por paisagens reais e imaginárias em uma celebração da liberdade, da invenção e do desejo de descobrir o mundo.

A história termina no sul da Bahia, cruza oceanos, passa pelas Malvinas, atravessa Machupicchu, redescobre Hiroshima e contorna o Rio de Janeiro. Mas a verdadeira viagem acontece dentro da própria linguagem. Com uma prosa que combina fantasia, referências históricas e reflexões filosóficas, Fernanda constrói um romance onde a imaginação não funciona como fuga da realidade, mas como ferramenta para compreendê-la.

"É um livro muito especial para mim. Comecei a escrever 'Cá Camila' em Trancoso, no sul da Bahia. Não havia roteiro nem planejamento. Eu só tinha o desejo de escrever um livro e fui descobrindo a história enquanto ela acontecia. Com o tempo, percebi que esse livro também estava me escrevendo. Espero que cada leitor faça essa viagem do seu próprio jeito e descubra que a alegria também pode ser uma invenção", define a autora.

Mais do que narrar uma aventura, Cá Camila ou uma invenção de Alegria celebra a arte. Logo nas primeiras páginas, o leitor acompanha o nascimento da protagonista pelas mãos de Alegria e Organsim, dois artesãos que transformam madeira, tecido e imaginação em vida. A partir desse gesto, a história propõe reflexões sobre temas sensíveis como criação, memória, identidade e pertencimento, reafirmando a literatura como um território onde o impossível encontra morada.

Nesse novo livro, Fernanda rompe fronteiras entre o real e o fantástico, convidando o leitor a viajar e se reinventar, onde cada porto alcançado transforma quem parte e cada paisagem visitada amplia as possibilidades do olhar e do sentir. "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria" propõe um novo encontro de Fernanda com seus leitores. Nesse romance, amadurecido ao longo de décadas, ela traz um olhar diferente, compartilhando com a protagonista uma história que reafirma a imaginação como força criadora, convidando os leitores a desvendarem novos caminhos e a embarcarem em suas próprias travessias. Compre o livro "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria" neste link.

 
Sobre Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu é escritora, jornalista e roteirista, com uma trajetória consolidada na literatura e na comunicação. Foi uma das roteiristas da série "Mundo da Lua", da TV Cultura, e construiu sua carreira escrevendo ficção, não ficção e conteúdos voltados a temas sociais e culturais. Autora de "64", "Escriba Errante" e "Quando Eu Era Velha", incentiva novos escritores por meio de oficinas e projetos de escrita e, nas redes sociais, compartilha reflexões sobre literatura e desafios da comunicação na era digital. Também aborda temas como inteligência artificial, envelhecimento, criatividade e comportamento, sempre com um olhar crítico, bem-humorado e sensível, aproximando o público de discussões atuais por meio da palavra e da experiência. Compre os livros de Fernanda Pompeu neste link.


Sessão de autógrafos
Data: sábado, dia 15 de agosto, às 15h00
Livraria Drummond – Conjunto Nacional | Avenida Paulista, 2073 - São Paulo

sábado, 8 de agosto de 2026

.: Entrevista com Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco"


Na entrevista abaixo, Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco", convida a avaliar as atitudes da humanidade em um mundo cada vez mais rápido e materialista. Foto: divulgação

Em um mundo que parece ter normalizado a competição, a rapidez, o sofrimento e a ansiedade, Fernando Cunha provoca as pessoas a pararem e refletirem sobre os caminhos que estão sendo trilhados pela sociedade. Autor de "O Dilema do Basilisco", uma obra filosófica que parte da pergunta “por que a humanidade não deve ser extinta?”, ele busca romper com a visão individualista do mundo para mostrar como alcançar objetivos materiais sozinho não tem significado.

No enredo, um personagem não identificado é convocado para responder a esse questionamento e defender a continuidade da própria espécie frente a uma inteligência artificial que se tornou a julgadora da população mundial. De acordo com o escritor, a publicação não tem o intuito de apresentar fórmulas prontas, mas de revelar as múltiplas perspectivas presentes em uma única pergunta.

“Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista”, explica ele. Compre o livro  "O Dilema do Basilisco", de Fernando Cunha, neste link.


A ideia de colocar a humanidade diante de uma inteligência artificial que decide seu destino parte de um dilema filosófico bastante conhecido. Como o Basilisco de Roko se insere no seu romance?
 
Fernando Cunha - O Basilisco de Roko representa uma inteligência artificial soberana que controla todos os recursos e teoricamente poderia retaliar aqueles que não contribuíram para sua formação. Apesar do aspecto maligno e destrutivo sugerido pelo experimento mental, o Basilisco é apresentado no prólogo como uma entidade que pergunta e observa, sem interferência, com o potencial de julgar toda a humanidade num piscar de olhos. Nesse contexto, a ideia do Basilisco se junta ao seu conceito original de ser um monstro mitológico cujo olhar petrifica o alvo. O protagonista se apresenta para responder à pergunta diante da inteligência onipotente e onisciente.


O livro parte de uma pergunta profunda: "Por que a humanidade não deve ser extinta?". Na sua perspectiva, qual a importância de pensar sobre esse tema no mundo em que vivemos?
 
Fernando Cunha - A pergunta sobre a possibilidade de extinção é provocadora porque no dia a dia não temos o costume de avaliar como as nossas atitudes impactam a vida dos outros. Somos pressionados por um mundo rápido e materialista a pensar que somos especiais frente aos outros, e isso nos gera ambição, ansiedade e sofrimento. A pergunta tem um condão de machucar a visão individualista perpetuada nos dias de hoje pela necessidade de enriquecimento rápido e realizações sociais comparativas, substituindo-a pouco a pouco por uma visão mais integradora, reconhecendo que um “eu” sozinho que se destaca não significa nada.


O protagonista não tem nome. Existe um significado para essa escolha?
Fernando Cunha - A falta de identidade do protagonista é um dos pilares da obra. O fato de ele não ter identidade faz com que o leitor queira preenchê-la por conta própria. Ora o leitor se sente no papel dele, ora no papel do ouvinte Basilisco. Uma importante lição dessa escolha do autor é que o apego à identidade também é uma possível fonte de sofrimento.


O contato com o budismo também ocupa um lugar importante na sua trajetória. Como essa filosofia atravessa a construção do romance? 
Fernando Cunha - A sabedoria budista talvez seja o principal pano de fundo de "O Dilema do Basilisco". O livro é sobre alguém que precisa responder uma pergunta diante do absoluto incompreensível. É exatamente isso que fazemos quando nos enveredamos para áreas como filosofia, espiritualidade e autoconhecimento. O protagonista pode representar cada um na sua jornada de evolução. Cada um tem seu próprio Basilisco para olhar nos olhos e dar a resposta que ele espera. Quando a resposta esgota todo o sofrimento, abre-se espaço para luz e felicidade. No fundo, o livro é um processo de iluminação (nirvana).


Em vários momentos, ciência e espiritualidade dialogam na narrativa. De que maneira esses campos se complementam? 
Fernando Cunha - Ciência e espiritualidade são maneiras diferentes de se buscar a verdade. Mas no livro, para encontrar a verdade é preciso destruir (ou pelo menos provocar) as verdades pessoais convencionais. Os capítulos provocam as certezas que formamos ao longo da vida e das experiências humanas. Dessa forma, a mente rejuvenesce para uma mente infantil, ávida por descobertas. A mente curiosa pode remover os obstáculos dos nossos preconceitos para conseguir enxergar a verdade-última, aquela que realmente dá o sentido de todas as coisas.


Em vez de oferecer respostas definitivas, a obra apresenta perguntas. O que você espera provocar no leitor ao final da leitura? 
Fernando Cunha - A ideia de não trazer respostas é a grandiosidade da obra. Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista. O objetivo é provocar no leitor uma quebra de identidade, de apego e de agarramento ao “em si”, para que ele nasça novamente num caminho de compaixão e sabedoria.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

.: A voz por trás de Pikachu agora inspira uma nova geração de leitores


Em estreia na literatura infantil, a dubladora Lhays Macedo lança "A camaleoa Luni", uma história sobre identidade, pertencimento e autoaceitação com edição impressa e audiobook. Foto: Divulgação | Editora Mundo Cristão


Durante anos, a voz de Lhays Macedo acompanhou a infância de milhões de brasileiros em séries, filmes e animações. Agora, a dubladora conhecida por dar vida a personagens como Pikachu ("Pokémon: O Filme -Eu Escolho Você!"), Polly Papagaio ("Peppa Pig"), Lucky Prescott ("Spirit - Cavalgando Livre", da Netflix) e Lola Loud ("The Loud House", da Nickelodeon), troca os estúdios de dublagem pelas páginas de "A Camaleoa Luni". Neste livro infantil, com versão também em audiobook, a artista narra uma história que dialoga com um tema cada vez mais presente: a busca pela própria identidade. 

Publicado pela Editora Mundo Cristão e com ilustrações de Laura Mocelin, o lançamento marca a estreia literária da atriz, diretora de dublagem e influenciadora, que reúne mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais. A narrativa transforma questões profundas em uma leitura leve, acessível e significativa para crianças e suas famílias. O enredo se passa na vila de Aguaviva, onde mora Luni, uma camaleoa capaz de mudar de cor quando quiser. Mas o que parece ser um dom extraordinário logo se transforma em um desafio. Na tentativa de ser aceita e se encaixar nos grupos ao seu redor, ela muda tanto que acaba se afastando de quem realmente é. 

A partir dessa metáfora, Lhays Macedo provoca reflexões sobre pertencimento, autoestima e autenticidade. Voltado para a faixa etária de 4 a 8 anos, o livro conduz os pequenos leitores por uma jornada de autodescoberta que ganha força quando Luni parte até a misteriosa Fonte da Verdade. Ao longo do caminho, ela encontra respostas que transformam a própria visão sobre si mesma. Outro destaque são as ilustrações de Laura Mocelin, artista de projeção internacional que ilustra a aventura da personagem e o universo de Aguaviva, ampliando a experiência de leitura com imagens coloridas e divertidas. 

A camaleoa Luni oferece ainda um ponto de apoio para pais, educadores e famílias que buscam conversar com as crianças sobre valores e saúde emocional. Depois de anos dando voz a protagonistas marcantes, Lhays Macedo agora encontra nas páginas um espaço para transmitir uma mensagem especial: dentro do coração, cada pessoa carrega um valor único que não depende da aprovação dos outros. Compre o livro "A Camaleoa Luni" neste link.


Sobre a autora
Lhays Macedo é atriz, dubladora e diretora de dublagem, com quase duas décadas de carreira no audiovisual. Já deu voz a centenas de personagens em filmes, séries, desenhos, animes, games e novelas, como Pikachu  em "Pokémon: O Filme - Eu Escolho Você!". Dirige a dublagem do "Bible Project Português" e soma mais de 4 milhões de seguidores em suas redes sociais, criando conteúdo sobre fé, maternidade e os bastidores de sua profissão. 

Sobre a ilustradora
Laura Mocelin é ilustradora e diagramadora especializada em livros infantis. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFFS Erechim, mas a arte tomou seu coração desde os primeiros rabiscos na infância. Hoje é representada internacionalmente pela Illo Agency e tem uma lista de mais de cem livros ilustrados. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

.: "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, é relançado pela Editora Fósforo


Em 1974, quase 50 anos antes de ser laureada com o Prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux publicava o primeiro romance dela, "Os Armários Vazios", uma incursão visceral pela ficção e espécie de gérmen literário de uma escrita que ficaria cada vez mais contida, se transformando no novo gênero que a consagrou. Neste livro, uma jovem de 20 anos, Denise Lesur, acaba de realizar um aborto e rememora a trajetória de sua ascensão de classe, escrevendo cada detalhe com as tintas da bile. Filha de donos de um café-mercearia, Ninise, como é chamada pelos pais, se vê dividida entre dois mundos e teme que a gravidez indesejada tenha posto tudo a perder. A nova edição, traduzida por Mariana Delfini, é publicada pela Editora Fósforo.

Para além da crise pessoal, o aborto representa uma mancha no mundo burguês, limpo, ordenado e elegante, no qual Denise conseguira ingressar depois de muitos anos de escolarização e controle de suas maneiras; é um resquício do meio onde cresceu, um cenário repleto de desejo e vulgaridade. Acreditando ter chegado longe, a protagonista disseca o ambiente popular, as palavras, os modos, as diferenças de uma classe e outra, além da vergonha que sente de seus pais.

E se os temas podem parecer semelhantes aos de obras posteriores como O acontecimento, "O Lugar", "A Vergonha", o que impressiona em "Os Armários Vazios" é a linguagem rápida, entrecortada e pulsante, livre de autocensura e que urge em captar todo o vivido para que não seja esquecido, para que a verdade não seja postergada. Nele, tem-se a possibilidade de conhecer Ernaux sem as arestas aparadas. Trata-se da obra que revelou para o mundo o trabalho da autora, o qual, desde então, segue impressionando com todas as suas facetas. Compre o livro "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, neste link.


Sobre a autora
Annie Ernaux
nasceu em 1940, em Lillebonne, na França. Estudou na Universidade de Rouen e foi professora do Centre National d’Enseignement par Correspondance por mais de 30 anos. Os livros dela são considerados clássicos modernos na França. Em 2022, Ernaux recebeu o prêmio Nobel de literatura pelo conjunto de sua obra. Compre os livros de Annie Ernaux neste link.

domingo, 2 de agosto de 2026

.: Obra finalista do International Booker e mais livros de Ana Paula Maia em box


A premiada Ana Paula Maia reúne em nova edição, no box "Saga dos Brutos", os sucessos "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos""Carvão Animal""De Gados e Homens" e "Assim na Terra como Embaixo da Terra". Este último, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2018, chegou em 2026 a finalista do International Booker Prize, prêmio literário britânico e um dos mais importantes do mundo dado a obras traduzidas para o inglês. O projeto gráfico é do premiado Leo Iaccarino.

Maia dialoga com o cinema, com inspirações no horror e no suspense. Enterre seus mortos, também vencedor do prêmio São Paulo, ganhou adaptação para o cinema em 2025, e a autora roteirizou a série Desalma (Globoplay). "A Saga dos Brutos" reúne histórias de homens que abatem porcos, recolhem o lixo, desentopem esgoto, quebram asfalto, apagam incêndios, cremam corpos e comandam prisões. O retrato da vida amarga desses seres embrutecidos pelas tarefas que executam também é uma fotografia cruel do meio onde vivem. Compre o box de livros "Saga dos Brutos" neste link.

Duas narrativas retratam homens submetidos à brutalidade do cotidiano. Em um subúrbio sufocante, Edgar Wilson e Gerson sobrevivem abatendo porcos e apostando em rinhas de cães. Na segunda história, trabalhadores da limpeza urbana enfrentam o caos após uma greve de coletores de lixo, enquanto Erasmo Wagner inicia uma jornada de acerto de contas com o passado. Compre o livro neste link.

Ernesto Wesley, Ronivon e Edgar Wilson são trabalhadores marginalizados, presos à dureza de suas funções e escolhas. Em uma atmosfera claustrofóbica, Ana Paula Maia revela personagens ambíguos, marcados pela violência, pela morte e pela perda de dignidade. Compre o livro neste link.

Dois anos após Carvão animal, Edgar Wilson trabalha em um matadouro bovino. Mortes inesperadas de animais levam funcionários a questionamentos sobre trabalho, destino e existência em um cotidiano brutal e invisível. Compre o livro neste link.

Em uma colônia penal construída sobre um passado de tortura e assassinatos, o projeto de ressocialização dá lugar a um campo de extermínio. Nos últimos dias de funcionamento da prisão, horrores vêm à tona em uma narrativa impactante que analisa cenários de violência e desumanização. Compre o livro neste link.


Sobre a autora
Ana Paula Maia é escritora e roteirista. Tem nove livros publicados, incluindo "Assim na Terra como Embaixo da Terra", "Carvão Animal", "De Gados e Homens" e "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos", publicados pela Editora Record; e foi traduzida na Alemanha, Estados Unidos, Sérvia, França, Argentina e Itália. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, "Assim na Terra como Embaixo da Terra" foi finalista do International Booker Prize 2026, um dos principais prêmios da literatura mundial. Compre os livros de Ana Paula Maia neste link.

.: Após a Flip, Valter Hugo Mãe percorre cidades brasileiras com novo romance


Autor português participa de bate-papos, festivais literários e sessões de autógrafos para celebrar o lançamento de "O Século dos Imbecis". Foto: divulgação

Após participar da Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor Valter Hugo Mãe segue pelo Brasil para uma turnê de lançamento de "O Século dos Imbecis", novo romance publicado pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros. Até dia 15 de agosto, o escritor passará por São Luís, integrando a programação do Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa, do Festival da Palavra de Curitiba; do Festival Literário de Niterói (FLIN) e Rio de Janeiro, em sessão de autógrafos na
Livraria da Travessa de Ipanema. Ele já passou por Brasília e São Paulo,

Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os vícios e as virtudes da sociedade contemporânea. Com capa dura e projeto gráfico assinado pelo artista português Albuquerque Mendes, o livro acompanha Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, que vive em um palacete no alto das montanhas e exerce enorme fascínio sobre os habitantes de um pequeno vilarejo. O personagem é conhecido por uma característica insólita: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe a montanha, mais lúcido e brilhante se torna. Entre o realismo mágico, o humor e a delicadeza característica da obra do autor, o romance reflete sobre o que há de mais contraditório na experiência humana. Compre o livro "O Século dos Imbecis", de Valter Hugo Mãe, neste link.


"A felicidade estava tão disponível no espetáculo da burrice, que todos se aproveitavam daquela que fosse alheia tanto quanto podiam" 
Um homem que emburrece ao descer a montanha. Um vilarejo movido por ambições, paixões e ressentimentos. Mulheres que, com gestos discretos e revolucionários, desafiam convenções e transformam a vida coletiva. Em "O Século dos Imbecis",, novo romance de Valter Hugo Mãe, a realidade e o fantástico se entrelaçam em uma narrativa que investiga, com humor, ironia e sensibilidade, aquilo que há de mais contraditório na experiência humana.

No alto das montanhas ergue-se a Malandrinha, palacete que domina a paisagem de uma pequena comunidade. Ali vive Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, conhecido por uma característica peculiar: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe, mais lúcido se torna. Em torno dessa figura fascinante, desenrola-se uma trama em que desejo, inveja, vergonha, ganância, empatia, solidariedade e estupidez atravessam a vida dos personagens e revelam os mecanismos mais íntimos da convivência humana.

Entre a sátira social e o realismo mágico, Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os excessos, os preconceitos, as crenças e as fragilidades que moldam a vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o romance encontra nas personagens femininas uma força transformadora capaz de desafiar hierarquias, reinventar destinos e apontar novos caminhos para a coletividade.

Considerado um dos mais importantes escritores da literatura contemporânea em língua portuguesa, Valter Hugo Mãe é autor de obras marcantes como O filho de mil homens, adaptado para o cinema pela Netflix, A desumanização e A máquina de fazer espanhóis, entre outros sucessos. Depois de Educação da tristeza, livro em que se aproximou da biografia para refletir sobre a experiência do luto, o autor retorna ao terreno da ficção com a mesma prosa lírica e singular que o consagrou internacionalmente. 

Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe revisita temas centrais de sua obra - pertencimento, afeto, poder, fragilidade e esperança - para criar um romance ao mesmo tempo divertido e inquietante, capaz de provocar o riso enquanto lança um olhar mordaz sobre quem somos. Uma história que transforma o absurdo em beleza e convida o leitor a reconhecer, nos personagens da Malandrinha, algo de si mesmo. Publicado em edição de capa dura com ilustração assinada pelo artista português Albuquerque Mendes, "O Século dos Imbecis" já chegou às livrarias em pela Biblioteca Azul. 


Sobre o autor
Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. Sua obra foi traduzida para diversas línguas, e recebeu prestigiado acolhimento em muitos países. É autor dos romances "Deus na Escuridão", "As Doenças do Brasil", "Contra Mim" (Grande Prêmio de Romance e Novela - Associação Portuguesa de Escritores); "Homens Imprudentemente Poéticos";  "A Desumanização";  "O Filho de Mil Homens";  "A Máquina de Fazer Espanhóis" (Prêmio Oceanos);  "O Apocalipse dos Trabalhadores";  "O Remorso de Baltazar Serapião" (Prêmio Literário José Saramago);  "O Nosso Reino" e "O Século dos Imbecis". Escreveu "Educação da Tristeza", uma não-ficção, e também alguns livros para todas as idades, entre os quais:  "Contos de Cães e Maus Lobos", "O Paraíso São os Outros", "As Mais Belas Coisas do Mundo",  "Serei Sempre o Teu Abrigo" e "A Minha Mãe É a Minha Filha". Todas essas obras são publicadas no Brasil pela Biblioteca Azul. Compre os livros de Valter Hugo Mãe neste link.


Confira a programação:

São Luís (MA)
Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa
Bate-papo e sessão de autógrafos

Dia 6 de agosto, quinta-feira, às 18h00.
São Luís Hall - Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, Jaracati - São Luís (MA)

Curitiba (PR)
Festival da Palavra de Curitiba
Bate-papo “A Delicadeza Contra a Brutalidade” e sessão de autógrafos
Dia 8 de agosto, sábado, às 20h00
Auditório do Museu Oscar Niemeyer - Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico - Curitiba (PR)

Niterói (RJ)
Festival Literário de Niterói (FLIN)
Bate-papo e sessão de autógrafos

Dia 14 de agosto, sexta-feira, em horário a confirmar
Reserva Cultural Niterói — Avenida Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói (RJ)

Rio de Janeiro (RJ)
Lançamento de "O Século dos Imbecis"
Sessão de autógrafos

Dia 15 de agosto, sábado, às 18h00
Livraria da Travessa de Ipanema - Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema - Rio de Janeiro (RJ)

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