domingo, 2 de dezembro de 2007

.: Entrevista com Adriana, cantora católica talentosa

"Nunca neguei que a minha música e o meu dom vêm de Deus, e é só pra Ele a quem eu devo cantar" - Adriana


Por: Mary Ellen Farias dos Santos e Helder Miranda
Em dezembro de 2007



Uma cantora talentosa e cativante que soma mais de dez anos de carreira no meio católico. Saiba mais de Adriana!



Uma das artistas católicas de maior sucesso e mais de dez anos carreira. Adriana que assume uma postura humilde e tem uma voz que intimida por seu poder de tocar o coração de quem a escuta é a entrevistada do R.G. de dezembro. Ela que em maio deste ano, no estádio do Pacaembú, em São Paulo teve a honra de ficar frente a frente e cantar (claro!) para a maior autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana, o Papa Bento XVI.

É fácil afirmar que 2007 foi um ano cheio de bênçãos para Adriana. Outro acontecimento importante em sua carreira foi que durante dois shows em 24 de março, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, gravou seu primeiro DVD, Adriana ao Vivo, o qual também está disponível em CD. Para seus admiradores esta era uma dívida da cantora, pois seus fãs até recorreram ao site de relacionamentos, Orkut e criaram uma comunidade chamada Eu Quero um DVD da Adriana.

Pedido atendido. Esta produção traz duas músicas inéditas e canções que marcaram a carreira da evangelizadora, em especial as do seu último trabalho, o CD Mais Feliz, o qual recebeu seu segundo Disco de Ouro, concedido pela Paulinas-Comep. O primeiro Disco de Ouro foi recebido pelo álbum "Lindo Céu".


INÍCIO - Atualmente Adriana Paula de Almeida está consagrada pelo público como uma das mais expressivas vozes do meio católico. Ainda com sete anos, começou a tocar e a cantar nas missas da capela Senhor Bom Jesus, em Cruzeiro, interior de São Paulo, junto a um grupo de crianças. Iniciou-se como cantora e intérprete em 1994. Adriana tem como ministério e compromisso a evangelização (ardor missionário pedido pelo nosso Papa João Paulo II) através das canções que canta e dos shows que realiza. De acordo com a gravadora registra aproximadamente 100 mil discos vendidos.



RESENHANDO - Mais de 10 anos cantando músicas religiosas: 5 CDs e 1 DVD. Por que dedicar-se tantos anos à música católica?
Adriana - Porque a messe é grande e os operários são poucos. Sinto-me extremamente feliz com a missão que Deus me confiou. É árdua, mas é linda.


RESENHANDO - Você já foi convidada para gravar outras músicas que não religiosas? Caso positivo, por que não aceitou?
Adriana - Sim, fui convidada em 1997. Mas nunca neguei que a minha música e o meu dom vêm de Deus, e é só para Ele a quem eu devo cantar. Reconheço que a música é um milagre de Deus na minha vida.


RESENHANDO - Para quem não conhece o seu trabalho, qual música você recomenda ouvir? Por que?
Adriana - Poxa, são tantas! (risos) Mas hoje eu recomendaria “Abraço de Pai”, na versão do DVD é claro.


RESENHANDO - Na sua opinião, qual a música mais marcante de todos seus CDs? Por quê?
Adriana - São muitas porque cada uma delas registra fases da minha história. Ultimamente está sendo a música “Humano amor de Deus”, música que o Pe. Fábio de Melo fez pra mim. É a minha vida escrita ali.



RESENHANDO - De todos seus CDs, qual o melhor? Por quê?
Adriana - Não tem o melhor. Acho que cada um veio com o amadurecimento necessário tanto espiritualmente quanto musicalmente falando. Amo todos.


RESENHANDO - Em "Mais Feliz", seu último CD gravado em estúdio, há preferência por alguma canção? Por quê?
Adriana - Humano amor de Deus”! Pela vida que há na música, a minha. O Padre Fábio traduziu fielmente a minha vida.


RESENHANDO - A música "Nossa Missão" é um presente para os seus fãs pelo fato de trazer você com a participação de Dunga, Pe. Fábio de Melo, Eugênio Jorge, Eliana Ribeiro, Ziza Fernandes, Walmir Alencar, Celina Borges e Dalvimar Gallo. Como foi gravar com todas estas referências da música católica?
Adriana - Foi uma graça de Deus pra mim. Reunir pessoas que são referência no meu ministério, pessoas que me ensinaram muito e sobretudo pessoas que ajudaram na minha história de missão.


RESENHANDO - Como é ter amizade e/ou uma relação de carinho com pessoas especiais como Pe. Fábio de Melo, Pe. Jonas, Dunga, Eugênio Jorge, Ziza Fernandes, Celina Borges entre outros grandes evangelizadores?
Adriana - É uma honra, uma alegria que não conseguiria transcrever aqui. Faltou mencionar o Pe. Roberto da Toca de Assis.


RESENHANDO - "Humano Amor de Deus" fala direto ao coração. Como foi gravar a música de um grande amigo escrita para você?
Adriana - Ele traduziu a minha vida em música.


RESENHANDO - Músicas marcantes ficaram de fora do DVD "Adriana Ao Vivo". Como foi feita a escolha do repertório desta produção?
Adriana - Fiz meio que um laboratório antes, perguntando o que as pessoas queriam que eu gravasse e aí chegamos a esse repertório.


RESENHANDO - O DVD não traz alguma música em homenagem à Virgem Maria. Foi opcional ou uma estratégia para chegar até o público evangélico? 
Adriana - Não, não foi nenhuma estratégia e nem negação do que Maria significa pra mim. Tínhamos que gravar 15 canções e o que a galera pediu eu gravei. Mas tem uma música de Nossa Mãe lá no final do DVD, nos caracteres tem a música Coroação a Nossa Senhora.


RESENHANDO - Como você vê o ecumenismo? Você acha que cantores religiosos sofrem preconceito dos meios de comunicação?
Adriana - Eu espero que o ecumenismo aconteça de fato, entre as duas partes. Porque até hoje eu acho unilateral, só a igreja católica é mais aberta para isso.


RESENHANDO - Você saiu da CODIMUC e foi para a Paulinas - COMEP. Que diferenças você sente? Há alguma interferência em seu trabalho atual?
Adriana - Acho que seria anti-ético falar de uma ex gravadora. Fui muito feliz lá o tempo em que fiquei, mas hoje vivo um outro momento no qual também sou muito mais feliz.



RESENHANDO - Qual o papel de um cantor independentemente de seu segmento?
Adriana - Amar o que se faz. Ter ética e sobretudo respeitar o outro, sem passar por cima de ninguém. 


RESENHANDO - O que falta para sua realização profissional e pessoal?
Adriana - Não fico buscando muitas coisas não. Graças a Deus as coisas sempre aconteceram e ainda acontecem como Deus quer.


RESENHANDO - Em um de seus shows (em Santos), você disse que teve de optar entre amor e música. Hoje, qual o balanço que você faz de sua escolha?
Adriana - Não optar por amor, mas um amor e a missão. Hoje louvo a Deus porque Ele quis assim. Ele sabia de tudo, e hoje, eu vivo a graça de contemplar a vitória de Deus na minha vida.


RESENHANDO - Quais seus planos para o futuro?
Adriana - Não sei, só Deus sabe. O que eu gostaria é de poder continuar evangelizando através da canção até quando Deus quiser.


RESENHANDO - Como você define Deus?
Adriana - Ele é o centro da minha vida. Tudo o que faço, penso e sou é porque Ele está em mim. 


PING-PONG:

Gosto de: Estar com a minha família
Não gosto de: Falsidade
Meus cantores favoritos são: Cosme (gravou no DVD comigo), Dalvimar Gallo, Pe Fábio de Melo, Eliana Ribeiro, Adelso Freire, Pe Cleidimar, Suely Façanha, Maninho, meus backings do DVD, etc... Não daria pra colocar todos.
Meus escritores favoritos são: Pe. Fábio de Melo, Pe Léo, Pe Jonas Abib, Max Lucado


Discografia
Reencontro
Qual é a Chave
Lindo Céu
Mais Feliz
Adriana ao Vivo

.: Entrevista com Maykon Novaes, ator de as Noites do Terror do Playcenter

"Não estamos ali para machucá-los, e sim para dar um brilho no evento [...] mexer com o lado lúdico e imaginário de cada visitante" - Maykon Novaes


Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em dezembro de 2007


Uma estátua maligna que encantou a muitos visitantes por sua aparência nada sanguilonenta.


O lado sombrio de algo inanimado há tantos séculos. Eis que o belo enfeite de grandes jardins surge com uma postura vilanesca: assustar os visitantes de um parque de diversões da grande São Paulo. Sim, a comemoração de 20 anos de Noites do Terror do Playcenter teve um  Monstro Estátua com um estilo diferente dos demais monstros.

Maykon Novaes, intérprete da personagem em questão, não tinha sangue fictício no rosto e no corpo, o seu diferencial estava no figurino em tom claro e maquiagem suave. Conheça o outro lado deste profissional que veio da cidade de Salto para assustar os visitantes do evento mais aguardado pelos Playmaníacos.




RESENHANDO - Comente um pouco sobre a sua trajetória artística, antes de tornar-se "monstro" das "Noites do Terror".
Maykon Novaes/Monstro Estátua - Eu sempre me interessei pela arte, mas nunca tive contato com a arte de interpretar por morar meio afastado do centro de São Paulo, morava no interior de São Paulo, em uma cidade chamada Salto. Lá nunca tive contato com esse tipo de arte. Meu primo, me chamou pra morar aqui em São Paulo com ele, e aqui já estava entrando no mundo circense, comecei a jogar malabares, Clawn, trapézio, lira, e etc.. Depois com uma certa experiência eu fui na produtora responsável pelo elenco das noites do terror, a ENERGIA, fiz meu cadastro, e fui chamado para participar do elenco das Noites do Terror - Playcenter.


RESENHANDO - As "Noites do Terror" do parque de diversões, Playcenter, completou 20 anos de existência neste ano. Como foi trabalhar neste grande evento comemorativo?
Maykon/Monstro Estátua - Foram os melhores dias da minha vida, uma experiência inexplicável todas as pessoas que conheci tem um espaço no meu coração e irei lembrar deles para sempre. Digo que trabalhar nas Noites do Terror é tudo muito mágico, a reação do público, o carinho , é tudo muito bom... Nessa edição de 20 anos tive a honra de trabalhar, com os melhores personagens de cada ano. Foi especial e mágico.


RESENHANDO - Já participou de outras edições das "Noites do Terror" e/ou eventos similares em outros parques? Como foi esta participação? 
Maykon/Monstro Estátua - Faz pouco tempo que estou em São Paulo, não tive a oportunidade de participar de outras edições das Noites do Terror, também não tive o privilégio de participar de eventos similares, fiz eventos como Clawn, malabres, e pirofagia. Com eventos de terror foi o primeiro. Essa edição de 20 anos foi minha primeira participação no evento, e se Deus quiser não vai ser o último. Esse ano atuei como uma estátua no cemitério principal.



RESENHANDO - Para você, como foi toda a preparação ao transformar-se em "monstro"? Quanto tempo leva para chegar à um resultado plausível, entre maquiagem e figurino?
Maykon/Monstro Estátua - Meu figurino não era muito complicado ao vestir, uns 5, 6 minutos... A maquiagem demora mais uns 30 minutos, porque a minha em especial tem mais detalhes em traços. Em torno de 40 minutos estava pronto.


RESENHANDO - No dia 28 de setembro de 2007, um garoto de 15 anos teve problemas de saúde no parque de diversões, Hopi Hari, veio a falecer e a causa da morte ainda não foi explicada. Após este acontecido você passou a ter receio em assustar os visitantes? Por quê?
Maykon/Monstro Estátua - Não, em nenhum momento tive esse receio. Nós como profissionais temos que fazer nosso trabalho e fazer o que se foi proposto a ser feito pela produtora. Mas, temos bom senso e não assustamos mulheres grávidas, pais com criança de colo, etc.


RESENHANDO - Enquanto "monstro" no parque lhe ocorreram momentos curiosos? Comente alguma curiosidade que lhe aconteceu.
Maykon/Monstro Estátua - Sim, claro, muitos momentos curiosos ocorreram, entre eles uma situação chata que ocorreu no parque, foi o de uma garota que entrou no parque com um spray de pimenta, para atingir os monstros. Ressalto esse acontecimento na tentativa de conscientizar as pessoas que somos profissionais, não estamos ali para machucá-los, e sim para dar um brilho no evento, provocar sustos, e principalmente mexer com o lado lúdico e imaginário de cada visitante. Espero que as pessoas visitem o parque para se divertir com a gente, nosso trabalho, e não com a intenção de machucar os atores que estão trabalhando. E para finalizar agradeço muito a vocês do Site, pelo carinho da Mary Ellen Farias dos Santos. Abraços a todos!! QUE VENHA "AS NOITES DO TERROR 2008".

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

.: O livro mais triste do mundo e a identificação alheia


Por Helder Moraes Miranda, editor do ResenhandoEm novembro de 2007.

Quer saber mais? Fernanda Young está de volta às prateleiras com o livro mais ousado de sua carreira.


Pessoas lidam com a dor de diferentes formas. Algumas, se vestem com a melhor roupa para se atirarem na frente do primeiro carro. Outras, abafam gritos no travesseiro. Umas, menos intensas, simplesmente choram. Essas lavam almofadas com lágrimas ou se trancam em qualquer banheiro público, dispostas a esconder o choro do olhar alheio e, ao sair dali, fingirem que está tudo bem. Nunca está, e a nova protagonista de Fernanda Young, no romance "Tudo que Você Não Soube" – lançado pela Ediouro no final de setembro – exterioriza isso de forma inusitada: tenta matar a mãe a marteladas.

Pela primeira vez um livro traz uma narrativa de Fernanda Young em primeira pessoa. O romance gira em torno das desventuras, em ordem não-cronológica, de uma personagem homônima que resolve contar tudo ao pai em um livro escrito para ele, porque não se falam há anos. Uma mulher que sempre reage: tentando martelar a mãe bruaca, se envolvendo com uma mulher na cadeia, se casando com um homem que na verdade representava uma tábua de salvação, tendo filhos com ele e, por fim, escrevendo um livro que remexe em feridas abertas. Tudo em busca da felicidade, ou de objetivos que possam transformar a vida em algo menos amargo.

Explicitamente, a personagem é uma carente. Como todos nós, que vivemos e morremos em busca da aprovação de olhares alheios. O que choca não é a tentativa de assassinato de uma mãe por meio de um martelo, é a maneira evidente de como cada um reage a dor. É um livro truncado, duro, que mostra uma escritora amadurecida, mas nem por isso menos intensa. Não chega a ser o melhor livro de Fernanda Young, mas está acima da média porque é escrito com uma verdade dificilmente identificada nos lançamentos que surgem nas prateleiras das livrarias. Se "O Efeito Urano" é o livro mais provocativo de Fernanda Young, "Tudo que Você Não Soube" é o mais ousado até agora.

Este lançamento também tem o mérito de comprovar uma característica que vem se firmando com a evolução a cada romance: Fernanda escreve como homem, característica que não tem qualquer conotação machista. Explico, ela não é mulher de escrever literatura feminina. Não afirmo, com isso, que homens têm textos melhores que as mulheres, ou que escritoras que produzem a rotulada “literatura feminina” são inferiores. O que quero dizer é que tem fôlego para escrever, de uma tacada só, coisas que fogem da ternura, sem que perca o lirismo.

Integra e honesta, seja em suas respostas durante as entrevistas, seja em seus livros sempre aguardados por um público cativo, ela se reinventa a cada livro. Relações entre pais e filhos nunca foram as melhores, desde que o mundo é mundo, e exteriorizar a raiva é sempre uma maneira de dizer que se está vivo e não ceder a hipocrisia que nos rodeia. "Tudo que Você Não Soube" é um livro que mostra que não estamos sós com nossa raiva, embora cada frustração seja única e compartilhá-las com alguém seja impossível. Não estamos sozinhos na dor, mas estamos. Entende?


Livro: "Tudo que Você Não Soube"
Autora: Fernanda Young
134 páginas
Ano: 2007
Editora: Ediouro

domingo, 18 de novembro de 2007

.: Resenha de "Three" de Ted Dekker, suspense que usa luta interna

Enigma e Pecado

Por: Cadorno Teles

Em novembro de 2007


"Three" de Ted Dekker, um suspense que usa a luta interna entre o bem e o mal para apavorar.


O que faria um homem normal de repente se tornar um criminoso, um psicopata? O que leva uma pessoa a matar e a ter prazer? Segundo Paulo de Tarso, o apóstolo, o pecado habita em cada um dos homens e cada um dos seres humanos é seu prisioneiro. Mesmo que alguém queira fazer o bem, o mal está ali presente. Usando os preceitos da crença cristã do pecado, o escritor norte-americano Ted Dekker traz um thriller que podemos chamar de um suspense psicológico cristão, Three (Thomas Nelson do Brasil, 352 páginas, R$ 49,90).

Não é sua estréia em português, mas Three é a primeira ficção lançada pela filial brasileira da gigante norte-americana, conhecida no mercado por livros de auto-ajuda e de literatura institucional e de motivação. Dekker é um prolífero best-seller da Thomas Nelson Publisher, seus livros são classificados como ficção cristã, um subgênero ficcional, em que o cristianismo é retratado pelo ponto de vista positivou ou desempenha um papel importante no desenvolvimento da trama. É o caso de C. S. Lewis de As Crônicas de Nárnia ou Rick Sutcliffe, da série The Interregnum. Entre seus sucessos estão Thunder of HeavenSkinShowdownSaintBlessed ChildBlinkA Man Called Blessed e a trilogia WhiteRed e Black, livros que cruzam os gêneros de fantasia, suspense e terror, todos inéditos no Brasil.

Em Three, Ted aborda com habilidade o temor de alguém normal ao ser ameaçado de morte por um psicopata conhecedor de um terrível segredo acontecido na infância dessa pessoa. O protagonista é Kevin Parson, um seminarista de 28 anos, fascinado pela natureza do mal. Kevin é um jovem pacato, simpático e possuidor olhos azuis que expressam uma estranha ingenuidade para sua idade.

Após um debate sobre pecado com um professor, Kevin retorna para casa, quando recebe uma estranha ligação, de um homem chamado Richard Slater, que afirma conhecê-lo e sinistramente intima para confessar um pecado cometido por ele para o mundo ou o seu carro explodirá em três minutos. Depois de conseguir escapar, Kevin percebe que entrou em um jogo perigoso, envolto na perseguição de Richard Slater, um psicopata conhecido pelo FBI, obsecado pelo número três e pela morte.

A partir desse ponto, o tormento de Kevin se inicia. Ele procura por alguma pessoa em sua história que pudesse ter motivos para persegui-lo, e esquece algo reprimido, um pecado esquecido, uma coisa horrenda que aconteceu em sua infância. Ajudado por uma amiga daquela época, Samantha, uma policial, e por uma investigadora do FBI, Jennifer Peters, que seguia há anos os passos do Charadista, nome que Slater ganhou da polícia, Kevin Parson tenta sobreviver ao mesmo tempo em que a culpa o corrói por dentro. O autor constrói uma narrativa que entrelaça o pecado, o arrependimento, o tormento de uma personagem perturbada e com um passado reprimido em uma teia em que nada é o que parecer ser.

Os dois principais personagens, o bom Kevin e o cruel Slater, são construídas a partir da dualidade da natureza humana, com o agravante da complexidade deles serem a mesma pessoa ou como o próprio Slater divaga em uma de suas ameaças "Se o Bem e o Mal pudessem falar um com o outro, o que eles diriam?". Dekker explora a mente dos personagens nessa batalha interior entre o bem e o mal, conseguindo montar um eletrizante suspense, com mais reviravoltas do que o normal. Seus passos no desenvolvimento da trama são austeros, mas consegue intrigar no desvio do enigma dos personagens, no jogo de gato e rato entre Kevin e Slater e na caracterização do mal. Para um autor considerado cristão, já seria normal não encontrar cenas de profanação ou de sexo, mas excita pela violência e o suspense psicológico. Em um ritmo rápido e tenso, Three se destaca, apesar de alguns clichês, como um suspense convincente que surpreenderá em seu final. Vale a pena ler.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

.: Entrevista com Alaní Santiago e Ricardo Fernandez, atores

Nem só de terríveis sustos vive o homem, mas de boas conversas

Por: Mary Ellen Farias dos Santos e Helder Miranda

Em novembro de 2007


Eles te assustaram nos 20 anos das Noites do Terror do Playcenter e agora estão aqui para mostrar o quão humanos são.


Zumbis, vampiros, serial-killers, bruxas, mortos-vivos, estátuas macabras, guardiões do mal e até personagens universais que fazem parte do imaginário tenebroso da população estiveram à solta no mês de setembro e outubro de 2007 perambulando em São Paulo. Todo dizem que quem procura, acha. Este é o "X" da questão: encontrar! Porque é no cair da noite que você vê muitos e muitos monstros por toda parte de um parque que beira 40 anos de existência, localizado no meio da agitada cidade de São Paulo, na Barra Funda: o Playcenter.

Não há como fugir destes seres da escuridão! Escapar do Necrotério, da Passagem Nosferatus e da Vila das Trevas algo tão impossível de fazer quanto sair impune do Rio Estige, do Portal do Inferno, da Cidade de Dite e da Masmorra, além de não adiantar ter boas e longas pernas para correr o mais rápido possível por dentro do Pavilhão dos Condenados, do Cemitério, do Cine Terror, da Peste Negra, dos Vampiros do Rio Douro e do Santuário Satânico. O que fazer? Você é um intruso no habitat destes governantes do mal. A dica é: una diversão e sustos, e assim, tire muitas fotos!

2007: Neste ano o parque abrigou terríveis monstros para celebrar os 20 anos das Noites do Terror. Tanta produção não poderia ficar somente na lembrança daqueles que puderam viver momentos de tensão, de descontração, e claro, do maior e mais profundo terror. 

O site cultural Resenhando.com busca eternizar esta grandiosa festa e, para tanto, traz no mês de novembro um R.G. especial com dois atores que fizeram parte deste grande evento: eles que deram vida aos seres de outro mundo. 

Um foi o Zumbi Rodolfo que rastejava com o bolo dos 20 anos de Noites do Terror nas mãos (Alaní Santiago), enquanto que o maléfico Guardião do Cemitério (Ricardo Fernandez) deu uma nova "cara" para Fernandez, ator que participa das Noites do Terror do Playcenter desde a primeira edição do evento.

Confira agora o R.G. especial com os atores Alaní e Ricardo dois integrantes desta equipe que divertiram a todos os visitantes do Playcenter nesta festa do outro mundo. Saiba mais daqueles que ajudaram a fazer destes 20 anos de Noites do Terror algo para ser lembrado para sempre. Seja curioso e siga em frente nesta viagem sem volta!



RESENHANDO - Fale um pouco sobre a sua trajetória, antes de tornar-se "monstro" das "Noites do Terror".
Alaní/Zumbi 20 anos - Comecei a atuar aos treze anos de idade, e desde de então procurei me especializar na área. Acho que aos 15,16 anos eu fui pela primeira vez ao Playcenter - "Noites do Terror" - e gostei muito do que vi lá, então coloquei na cabeça que gostaria muito de um dia poder participar, pois achava tudo aquilo muito lúdico, lindo e encantador. Enfim, eu queria fazer Noites do Terror. Era um objetivo, um sonho!
Em 2005 soube que a Agência Space estaria fazendo os testes para o evento Noites do Terror. Não pensei duas vezes. Lá estava eu, com mais 200 pessoas e somente quatro vagas. Sem contar que no dia anterior já havia tido outros testes. Lembro que eu fiz o teste para fazer o Diabo, as outras pessoas que também fizeram eram ótimas. No término dos testes eles anunciaram quatro pessoas, eu lembro até hoje. Aprovados: eu, Ligia Campos, Borba e o Ezequiel. Nossa, na hora eu nem acreditei, fiquei super feliz saí pulando na rua de tanta alegria. Então, ali, começou a minha carreira de monstro do Playcenter. Em 2006, fui chamado para trabalhar com a Energia e diretamente com o diretor Valter Seben. Foi muito, mas muito gratificante poder trabalhar com esse diretor maravilhoso, "realmente uma aula" e estou até hoje com eles e muito feliz!!
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério - Bem eu era uma pessoa comum. Sempre gostei do lado artístico, estava no meu sangue. Eu trabalhava na Secretaria da Cultura, Assessoria de Imprensa. Eu fazia de tudo, mas o que mais gostava era quando tinha que cobrir algum show e me escalavam. Estava no meu mundo, mesmo estando na coxia. Trabalhei também em uma estamparia, era legal por causa dos amigos, mas não era isso que eu queria, e, sim o lado artístico... sempre gostei de assistir filmes de terror, suspense. 
  

RESENHANDO - As "Noites do Terror" do parque de diversões, Playcenter, completou 20 anos de existência neste ano. Como foi trabalhar nesta comemoração de arrepiar?
Alaní/Zumbi 20 anos - Para mim foi ótimo, principalmente por estar carregando o tema do evento! Foi muito bom, mas ao mesmo tempo um grande desafio, aliás o evento girava em torno do meu personagem, né... Graças a Deus eu consegui criar um personagem onde eu tive um grande retorno do público do parque e do próprio Valter Seben. Não poderia ser melhor!
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério -  É uma vida, é uma satisfação e uma honra. Você faz tantos amigos, você vê tantos amigos irem embora, mas para quem gosta, tira de letra. Uma dica vou dar para quem sonha em atuar nas Noites do Terror... Não vá querer trabalhar pensando no dinheiro e sim se realmente está no seu sangue entrar para uma família de atores, pois lá dentro não é para qualquer um... Entrar pode até ser, mas o difícil é permanecer...


RESENHANDO - Já participou de outras edições das "Noites do Terror" e/ou eventos similares em outros parques? Como foi esta participação? 
Alaní/Zumbi 20 anos - Participo deste evento desde 2005, e pra mim é sempre um desafio diferente, um personagem diferente, uma vida diferente! É sempre ótimo, porque uma coisa eu digo... "Noites do Terror" não é pra qualquer um, é pra quem gosta meeeesmo. Para quem ama!
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério -  Não, sempre fui fiel ao Playcenter.


RESENHANDO - Que personagem e/ou de que outra forma participou das "Noites do Terror"? Dentre tais colaborações para o evento, qual mais lhe agradou fazer? Por que?
Alaní/Zumbi 20 anos - Olha para mim. Todos os personagens foram gostosos de trabalhar, ideologias, criações, figurinos, objetivos diferentes. Acho que o Rodolfo - "Zumbi Rodolfo" - personagem que eu fiz esse ano de 2007, foi o que mais marcou pra mim. Foi um desafio maior, pois os outros personagens anteriores a ele tinham adereços, eu podia falar, enfim era outra idéia. Agora o Rodolfo não, ele era totalmente expressão corporal, era um zumbi, eles não falam, eu tinha que mostrar todo o sofrimento dele, o porque dele estar com um bolo na mão, mostrar para as pessoas um verdadeiro zumbi. Acho que consegui passar isso para as pessoas, então, o Rodolfo marcou!!
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério -  Cada ano é diferente, uns dos outros. Como eu falei, eu amo o que faço e curto todas as personagens, porque até agora não repeti nenhum e já vi outro ator fazer o meu personagem do passado... fiquei muito feliz e honrado...   


RESENHANDO - Para você, como foi toda a preparação ao transformar-se em "monstro"? Quanto tempo leva para chegar à um resultado plausível, entre maquiagem e figurino?
Alaní/Zumbi 20 anos - Eu digo que a preparação para todo esse espetáculo é um ritual. (risos) Eu adoro! Olha quem foi meu maquiador desse ano de 2007! Rogério Maldonato! Ele era super ágil e fantástico, adorava o trabalho que fazia, ele deixava minha make pronta em torno de uns 15, 20 minutos, e ficava muito bom, era exatamente o que eu queria. Agora para por o figurino, ai já era um pouco mais demorado (risos), eu colocava uma peça, conversava, colocava outra e ia dar uma volta, e ai iaaaa... (risos) como eu disse era todo um ritual que só pra quem ama mesmo. (risos)
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério -  Faço pesquisa, assisto filmes e faço laboratório, leio bastante e se não tem onde encontrar eu mesmo construo de como deveria de fazê-lo e como o público iria recebe-lo. Depende da personagem que vou fazer, pois vai de um para outro, já fiz maquiagem que fiquei na cadeira do maquiador mais de 30 minutos. Quero destacar que o meu maquiador deste ano (Rodrigo Uchoa) está me maquiando há 5 anos. E voltando ao assunto em pauta: Este ano eu ficava pronto para atuar em 1:30 horas....


RESENHANDO - No dia 28 de setembro de 2007, um garoto de 15 anos teve problemas de saúde no parque de diversões, Hopi Hari, veio a falecer e a causa da morte ainda não foi explicada. Após este acontecido você passou a ter receio em assustar os visitantes? Por que?
Alaní/Zumbi 20 anos - Não me causou receio em assustar ninguém, pois quando eu me 
concentrava na minha personagem, não conseguia pensar em mais nada do que no mundo do Rodolfo. (risos)
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério -  Não. Sabe de uma coisa, quando estamos na personagem, não pensamos como nós e sim como o Monstro. Acidentes acontecem em qualquer lugar, com qualquer um, sabe pode até acontecer com você. (risos)


RESENHANDO - Enquanto "monstro" no parque já lhe ocorreram momentos curiosos? Comente alguma curiosidade que lhe aconteceu.
Alaní/Zumbi 20 anos - Sim uma vez em 2005 uma criança que tinha um problema de 
paralisia ficou encantada com a minha personagem. Ela queria por que queria ficar do meu lado, e começou a tirar fotos e queria me abraçar toda hora. Disse que gostava de mim, falava que eu era bonito, ficou me elogiando muito e passou a noite toda ali na sua cadeiras de roda observando o meu trabalho, só foi embora quando eu fui. Isso marcou muito. Foi lindo!
Ricardo Fernandez/Guardião do Cemitério -  Muitas vezes, vou lhe contar uma deste ano que foi hilário. Como sabe eu era o Guardião do Cemitério e comigo sempre estava o Portela, ele que fazia a Pirofagia. Um dia estávamos eu e o Portela no túmulo, ele de pé e eu sentado nos pés dele, quando chegou um visitante e perguntou ao Portela: Quem é você? Ele respondeu: Eu sou Jesus Cristo! O visitante olhou para mim e não contente me perguntou: E você? Eu rapidamente apontei para o Portela e respondi: Maria... Mãe dele... E ai não deu saímos da personagem e entramos no Mausoléu para cair na gargalhada, isso porque logo em seguida a Dama de Vermelho veio até nós e disse que tinham atirado pedra nela. Bastou. O grupo estava feito... Jesus, Maria e Maria Madalena. Bem, pena que o espaço é pequeno pois tenho um arquivo dentro de mim de 20 anos e muitas histórias... Quando precisar sabe onde me achar!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

.: Resenha da adaptação de "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes

Devaneios ricos de modernidade literária. Adaptação de Dom Quixote publicada pela Editora Ática tem apresentação da escritora Ana Maria Machado.

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em outubro de 2007



Um clássico da literatura escrito há 400 anos em linguagem acessível. Pode parecer algo impossível de se encontrar nos dias de hoje, mas não é. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, teve adaptação de Michael Harrison, publicada pela Editora Ática. Resultado: uma das obras-primas da literatura universal de todos os tempos reduzida a 120 páginas sem perder a qualidade, além de ainda conservar a inovação de Cervantes ao criar personagens comentando o próprio livro.

É claro que o mais aconselhável é ir em busca de exemplares originais ou traduções desta obra, porém a falta de interesse dos novos leitores pode-se perder e talvez, até fazer com que a leitura de Dom Quixote caia no esquecimento. Então, nada melhor que lançar a isca ao peixe e assim, atiçar a vontade e o prazer da leitura, iniciando-os no longo e fabuloso caminho da fantasia por meio desta simples e empolgante adaptação.

Em
 Dom Quixote há um fidalgo admirador das histórias de cavalaria que após tanto ler sobre os feitos dos cavaleiros medievais, ele decide se tornar um cavaleiro andante e viver sua própria história como herói, apesar de estar no século XVI. "O tio de Maria vivia numa aldeia de um canto empoeirado da Espanha. Era um homem ossudo, de uns cinqüenta anos, o tipo de fidalgo às antigas que ornamenta sua biblioteca com uma lança enferrujada e um escudo bichado, artefatos que o ajudam a viver no passado. Ele não era casado, naturalmente, mas acolhera a sobrinha em sua casa. Esta era uma moça sensível, e tinha seus dezoito anos. Uma velha ama dispensava aos dois cuidados de mãe. Os amigos que o fidalgo tinha na cidade eram as duas únicas pessoas instruídas: Tomás, o padre, e Nicolau, o barbeiro".

No entanto, o nobre senhor queria mais da vida, apesar de estar numa idade um tanto que avançada. Antes de sair em busca de aventuras medievais, ele ajeita sua armadura que fica perfeitamente pronta (em sucata e papelão) e o poderoso Rocinante (seu cavalo, um decrépito pangaré).

A primeira partida de nosso herói não acontece como o planejado por Dom Quixote de La Mancha. Por sorte, após viver uma desventura, o herói com o corpo moído, encontra um homem da mesma aldeia em que vivia e este o ajuda a chegar em casa. "A sobrinha e a ama ficaram muito contentes com sua volta. Elas lhe tiraram a armadura, limparam suas feridas e o colocaram na cama. Lá ele sonhou tais sonhos que as teriam assustado, se as duas pudessem ver o que se passava em sua pobre cabeça machucada".

A solução de tudo? Fazer com que todos os preciosos livros de Dom Quixote virassem cinzas. "Mais que depressa emparedaram e caiaram a porta de sua biblioteca". Como qualquer lorde, Dom Quixote nada disse, pois ele sabia que aquilo era uma obra de feiticeiro. "Ele haveria de sair pelo mundo para procurá-lo e destruí-lo. Só então seus livros e sua biblioteca iriam reaparecer".

Assim, o fidalgo espanhol parte em nova jornada, desta vez acompanhado por Sancho Pança, um ingênuo lavrador. Sancho usa sua esperteza e "entra" nas histórias inventadas por Dom Quixote, as viagens se sucedem sob a alucinação de quem deseja combater as injustiças do mundo. Contudo, o lavrador que o acompanha mostra não ser bobo como parece inicialmente, afinal, seu objetivo é o pagamento prometido por Dom Quixote: uma ilha, só de Sancho.

A parte não tão divertida está na terceira expedição, pois os devaneios de Dom Quixote simplesmente acabam, apesar de ainda ter em mente que precisa salvar donzelas, vencer o Cavaleiro dos Espelhos e o Cavaleiro da Lua Cheia.

É no retorno final para casa que Dom Quixote descobre o quanto os livros são perigosos, e diz: "Os livros deviam ser queimados numa grande fogueira para evitar que desencaminhem as pessoas". Em contraponto o padre Tomás argumenta: "A culpa não é só dos livros, mas sim da nossa fraqueza, que nos faz acreditar naquilo que não deveria passar de um passatempo de uma noite de inverno. Não existe nenhum livro tão ruim que não tenha algo de bom".

Miguel de Cervantes: Nasceu em 1547, em Alcalá de Henares, cidade perto de Madri. Ainda jovem, viajou para a Itália e lutou contra os turcos na batalha de Lepanto, ferindo-se na mão esquerda, que ficou inutilizada. Aprisionado por piratas, só se libertou cinco anos depois. Mais tarde passou a residir em Lisboa. Em 1580, voltou à Espanha e chegou a trabalhar como cobrador de impostos. Devido a essa profissão, viajou por toda a Espanha, conhecendo de perto as dificuldades de seus conterrâneos. Lançou a primeira parte de Dom Quixote em 1605, obtendo sucesso imediato. Em 1615 publicou a segunda parte do livro. Morreu no ano seguinte, muito conhecido mas ainda sem recursos.

Dom Quixote publicado pela Ática: Faz parte da coleção O Tesouro dos Clássicos Juvenil que apresenta algumas das obras mais importantes da literatura mundial, adaptadas para o leitor jovem. A edição brasileira não se resume apenas ao texto adaptado e apresenta uma seção, "Por trás da história", ricamente ilustrada, com informações sobre o autor e seu contexto histórico. A coleção conta também com Odisséia, de Homero. Sua coleção-irmã lançou: O Tesouro dos Clássicos, tem livros mais curtos e conta com os títulos: O médico e o monstro, Ali Babá e os quarenta ladrões e A ilha do tesouro. As três publicações ganharam o prêmio "Altamente recomendável", categoria Tradução Criança, dado pela FNLIJ/2002. 

Você pode comprar o livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes em amzn.to/2ZL4kZu


Livro: Dom Quixote
Autor: Miguel de Cervantes
Adaptação: Michael Harrison
120 páginas
Ano: 2003
Ilustração: Victor G. Ambrus
Coleção: O Tesouro dos Clássicos Juvenil
Editora: 
Ática

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

.: Resenha de "O Amor É Uma Coisa Feia" e "Violências"

Contos de amor e brutalidades são temas centrais de dois lançamentos da 7 Letras. O Amor É Uma Coisa Feia e Violências, da editora 7 Letras, evidenciam os novos rumos da literatura brasileira

Por: Cadorno Teles

Em outubro de 2007



Discutíamos em uma roda, com alguns amigos, sobre a literatura que vemos se desenvolver no Brasil de hoje. Era uma reunião do Canto da Leitura, e o assunto tendeu aos blogs literários e aos novos autores que recentemente foram alvos de análises, reportagens e críticas. Essa grande fornada, como alguns críticos chamam, de novos autores, virtuais ou não, conseguiu despertar as editoras para publicarem seus trabalhos.

Uma destas editora é a carioca 7 Letras, de pequeno porte, mas que sempre traz ao público uma literatura nova com novíssimos autores brasileiros, que se tornaram conhecidos e premiados, como o Leonardo Brasiliense, que acaba de ganhar o Jabuti 2007 para Melhor Livro Juvenil com Adeus Contos de Fadas, de minicontos, e agora lança uma nova coleção Rocinante, em formato diferente, mas com a mesma visão em divulgar o que há de melhor na literatura em prosa.

Publicada deste 1993, a coleção sempre acompanhou a nova produção literária brasileira. E agora lança O Amor É Uma Coisa Feia, do baiano Gustavo Rios, e Violências, do paulista Igor Galante. Em O Amor É Uma Coisa Feia, o autor traz em seu livro de estréia 32 contos, que nos fala do amor amargo, da desilusão, do cinismo em negar o amor romântico, do amor como coisa disforme, que cresce e arrebata, mas, desmistificado, cai aflito em choro e tristeza.

Em contos felinos e outros tantos melancólicos, o autor caminha por trilhas das mais diversas, compartilhando com o leitor momentos de "amor desonesto", ou de pura desilusão, como em "Todo poeta é um perdedor", mas escreve de maneira consciente sua idéia de amor. Gustavo o trata com humor e ceticismo, não há rosas e nem espinhos, mas sombras sofridas e grotescas do amor romântico. Seria o amor coisa de literatos e adolescentes? Seria algo idiota? São perguntas que podemos fazer ao ler esse pequeno livro de leitura debochada e se, pensarmos bem, é bem real. Gustavo Rios, nascido em 1974, mora em Salvador e escreve regularmente nos blogs www.cozinhadocao.blogspot.com e www.feioamor.zip.net.


Livro: O Amor É Uma Coisa Feia
Autor: Gustavo Rios
85 páginas
Ano: 2007
Editora: 7 Letras

Violências, do jornalista Igor Galante, recentemente recomendado por um dos grandes escritores de nossa literatura, Moacyr Scliar, é bem mais curto e com outro âmbito: a violência, em seis contos, alguns esboços de um romance, que o autor coloca como uma preparação futura, ou como ele mesmo analisa, "ainda é o momento de conhecer, experimentar, aprender com a linguagem, testar narrativas, no tiro curto do conto, essa forma literária que eu não pretendo abandonar tão cedo".

Seu livro, de poucas mais de 60 páginas, traz histórias que denotam o binômio ternura/crueldade de uma forma instigante, mas terna. Fazendo arte literária, bem diferente da linguagem jornalística que usa normalmente. Mistério à la Poe, decadência, morte, brutalidade são ingredientes que Igor serve em uma linguagem hábil e medonhamente esmerada no ponto central do brutalismo, uma das tendências da literatura contemporânea. O apocalipse é o próprio mundo, está nas pessoas, está em tudo. Igor Galante nasceu em 1979, mora em São José do rio Preto, em que é repórter do jornal Diário da Região.
 


Livro: Violências
Autor: Igor Galante
64 páginas
Ano: 2007
Editora: 7 Letras

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

.: Resenha de " O Veado e a Onça", recontada por Ana Maria Machado

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em outubro de 2007


A inteligência na hora de lidar com uma onça: Clássico da literatura infantil recontado por Ana Maria Machado ensina aos pequenos que nem toda sociedade é viável, até mesmo entre os animais da floresta.


Grandes histórias para os pequenos leitores do século XXI. Publicação da Editora FTD traz uma divertida história clássica da literatura infantil recontada por Ana Maria Machado em O Veado e a Onça.

Toda história começa há muitos e muitos anos num povoado indígena, quando um veado decidiu construir uma casa. Logo encontrou um terreno dos sonhos: era bom, perto do rio, no alto de um barranco e protegido por árvores. Trabalhou o dia inteiro e, cansado, voltou para casa dos pais para dormir.

Em contraponto, ainda na mesma noite, uma onça, que também tinha o sonho de construir uma casa apareceu por lá, viu o mesmo terreno e também o achou perfeito. Aproveitou e trabalhou a noite inteira pensando que o deus da mata a estava ajudando a realizar seu sonho, depois cansada, foi para a casa dos pais para dormir.

E assim a história vai, enquanto o veado trabalhava na casa de dia, a onça no período noturno. Ambos sempre pensando que o trabalho "adiantado" era uma ajuda do deus da mata. Contudo, quando o veado termina de construir sua casa, ele decide ficar e, passar a primeira noite em seu novo lar. Eis que a onça chega no começo da noite, olha a casa e fica furiosa por ter gente lá. O veado e a onça começam a discutir e percebem que os dois construíram a casa, um de dia e outro à noite.


"- Tenho uma idéia! - exclamou a Onça. - Se nós fizemos a casa juntos, podemos morar juntos. Somos sócios...
'Morar com uma onça', pensou o Veado. 'Não pode dar certo...'
- Acho até que vai ser muito bom - insistia ela. - você sai de dia para pastar, eu saio de noite para caçar. Nós não vamos nos encontrar nunca. E a casa vai estar sempre com alguém, sempre bem cuidadinha...
'Vai se perfeito', pensava a Onça. 'Fico com uma casa ótima, que nem deu muito trabalho, e ainda guardo uma reserva de comida dentro dela. Se algum dia não encontrar caça, créu! É só comer o sócio!'"



É claro que o veado fica receoso, mas acaba aceitando a proposta. A Onça, que não é nada boba, logo começa a assustar o veado para que ele vá embora e a deixe morando sozinha. Entretanto é a vez do Veado ser mais esperto e põe em prática sua brilhante idéia que faz com que a Onça vá embora para bem longe e o deixe em paz.

O Veado e a Onça faz parte da Coleção Lê pra mim, série de livros que contam histórias clássicas da literatura infantil contadas por duas damas brasileiras da literatura infanto-juvenil Ana Maria Machado e Ruth Rocha. Outros títulos da coleção: Joãozinho e Maria, Joãozinho e o Pé de Feijão, O Patinho Feio, O Barba-Azul, Os Músicos de Bremen, Dona Baratinha, Cachinhos de Ouro, João Bobo.

A autora: Ana Maria Machado é uma das maiores escritoras nacionais. Em 33 anos de carreira, escreveu mais de 100 livros – a maioria voltada para o público infanto-juvenil. Com essa vasta obra, não é de se estranhar a marca invejável de 14 milhões de exemplares vendidos no Brasil e em mais de 17 países, onde suas obras são publicadas. Sua prosa vigorosa coleciona incontáveis prêmios. Entre eles, um dos mais festejados foi o Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil mundial, concedido à escritora em 2000. No ano seguinte, Ana Maria Machado também foi contemplada com o prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Concedido pela Academia Brasileira de Letra, da qual ela é membro, esse é o prêmio máximo da literatura nacional. Site da autora: www.anamariamachado.com.br

Ilustradora: Suppa formou-se em arquitetura e morou um ano em Paris. Estudou francês e desenhou suas aventuras. Garantiu uma vaga na École d´Arts Appliqués Duperre, no curso de história em quadrinhos. Fez vários estágios enquanto estudava, entre eles o de colunista das histórias em quadrinhos do comandante Jacques Cousteau, e trabalhou quatro anos na Fundação Cousteau. Ilustrou revistas, campanhas publicitárias e livros infantis. Voltou ao Brasil vinte anos depois.


Livro: O Veado e a Onça
Autora: Ana Maria Machado
32 páginas
Ano: 2004
Ilustração: Suppa
Coleção: Lê Pra Mim
Editora: FTD

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

.: Resenha crítica de "Carrie", de Stephen King

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em outubro de 2007


Uma garota atormentada por seus mistérios: Após tanta repressão de amigos, garota descobre ter uma natureza misteriosa. Conheça Carrie, de Stephen King!


Todos os fãs de Stephen King conhecem a personagem Carrie, uma adolescente problemática, que é humilhada pelos colegas e perseguida por professores. Ela, por azar do destino, tem uma mãe fanática religiosa que a impede de levar uma vida normal, como as garotas de sua idade. Vítima da neurose da mãe que pensa que todo sinal de vida é pecado, e de seus colegas de escola, que não suportam nenhuma pessoa que não compartilhe os hábitos e gostos de "grupo", Carrie vive numa sufocante e triste solidão.

É castigada pela mãe porque ao se tornar mulher, inicia-se no suplício das maldições que Stephen divide em "A Maldição do Sangue", "A Maldição da Concepção" e "A Maldição do Homicídio". Rejeitada pelos colegas porque não é bonita, não sabe nada sobre sexo e é "estranha" sofre intermináveis humilhações. "Carrie seguindo-as obtinadamente nos passeios de bicicleta, um ano conhecida como baleia, no outro como cara-de-bonde, sempre cheirando a suor, incapaz de acompanhar a turma, pegando urticária de urinar no mato e todo mundo descobrindo (ei! coça-bunda, seu traseiro está comichando?). [...] Os beliscões, as pernas esticadas pelos corredores da escola para lhes passar rasteiras, os livros varridos de sua carteira, os cartões obscenos que metiam em sua pasta!".

Após este esvaziamento final, ela rompe com tudo e passa a ter uma força que ninguém conseguiria advinhar, uma força secreta com a qual poderia punir os seus agressores: a feia tem poderes telecinéticos. Contudo, um dia Carrie resolve se vingar de tudo e todos após ser humilhada na frente de todos da escola durante o Baile da Primavera.

Esta história é muito conhecida, fato que pode ser comprovado por meio de traduções do livro para vários idiomas. Em contraponto, a escrita de Carrie é bastante rasa, não que a culpa seja da tradução de Erika R. Engert Rizzo, mas é um todo, inclusive, as seqüências de acontecimentos escatológicos são terríveis, além de em certos momentos Stephen enveredar pela literatura "estilo Nora Roberts". Um exemplo é o seguinte trecho, logo no início do livro.



"- Pelo amor de Deus, Carrie, sua regra chegou! - exclamou ela. - Limpa isso!

- Ahn?

Lançou um olhar bovino à sua volta. Seu cabelo grudava-lhe no rosto como se fosse um elmo curvo; no ombro um monte de acne. Aos dezesseis anos, já trazia claramente estampada nos olhos a marca enganadora da mágoa.

- Ela acha que serve para pintar os lábios! - gritou de repente Ruth Regan em secreto regozijo, para depois estourar em alta gargalhada. Mais tarde Sue se lembrou do comentário e o encaixou no quadro geral, mas agora era apenas outro som sem sentido em meio a toda a confusão. 
Dezesseis anos? Pensava ela. Ela deve saber o que está acontecendo, ela...

Mais pingos de sangue. Carrie continuava a piscar olhando em volta para as colegas em lento aturdimento.

- Você está sangrando! - berrou Sue de repente furiosa. Você está sangrando, sua gorda balofa, idiota!

[...]

Súbito um Modess lhe foi acertado no peito e caiu no chão - plop! Uma flor rubra mancha o algodão absorvente e se espalhou
".



Sem comentários! Outro fator que torna o livro "fraquinho" é o grande desejo de o autor dar credibilidade para a história que conta, por esse motivo, mostra as fontes de trechos de "livros" e "jornais" que aparecem na história.

Enfim, fama não é sinônimo de qualidade, porém a história que intitulada (no Brasil) como Carrie, a estranha, virou filme que teve adaptação de Brian de Palma em 1976. Até novelas brasileiras tiveram os seus momentos "Carrie". A protagonista de "A Rainha da Sucata" e a também protagonista de "Chocolate com Pimenta", Ana Francisca, foram presenteadas pelos amigos com um banho de "sujeira" e a humilhação somente serviu para alimentar a força interior destas personagens que conseguiram vencer todas as barreiras da vida.

Stephen King: Tornou-se mundialmente famoso e próspero. Uma de suas casas no Maine, Estados Unidos. Stephen Edwin King (nascido em Portland, Maine, 21 de Setembro de 1947) é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Seus livros foram publicados em mais de 40 países e muitas das suas obras foram adaptadas para o cinema.

Embora seu talento se destaque na literatura de terror/horror, escreveu algumas obras de qualidade reconhecida fora desse gênero e cuja popularidade aumentou ao serem levadas ao cinema, como nos filmes "Conta Comigo", "Um Sonho de Liberdade" (contos retirados do livro "As quatro estações"), "Lembranças de um Verão" e "À Espera de Um Milagre".

Biografia: Quando Stephen tinha apenas dois anos, seu pai, Donald Edwin King, desertou sua família. Sua mãe, Nellie Ruth Pillsbury, criou sozinha King e seu irmão mais velho adotivo David, muitas vezes passando por graves dificuldades financeiras. A família se mudou para a cidade natal de Ruth, Durham, Maine mas também passaram vários períodos em Fort Wayne, Indiana e Stratford, Connecticut.

Ainda criança, testemunhou um acidente horrível - um de seus amigos ficou preso em uma ferrovia e foi atropelado por um trem. Muitas pessoas falam que isso inspirou seu lado negro e suas criações perturbadoras, mas ele mesmo descarta essa idéia.

King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the Crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.

De 1966 à 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna entitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influênciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos insipiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).

King ensinou inglês na Academia Hampden em Hampden, Maine. Ele e sua família moravam em um trailer, e ele escreveu histórias curtas, a maioria para revistas masculinas. Como é relatado na introdução de Carrie, se um de seus filhos ficassem resfriados, Tabitha brincaria, "Qual é, Steve, pense nisso como um de seus monstros." Stephen também desenvolveu um problema com bebidas, que levou mais de uma década para ser resolvido.

Ficando famoso: Stephen logo começou vários romances. Uma de suas primeiras idéias era uma moça jovem com poderes psíquicos, mas ele descartou a idéia. Sua esposa resgatou os esboços do lixo e o encorajou a voltar a escrever sobre isso. Após terminar o romance, ele o intitulou "Carrie" e mandou para o Doubleday. Ele recebeu $2,500 dólares adiantados (não muito para um romance, mesmo naquela época) mas os direitos autorais fizeram com que ele recebesse $400,000 posteriormente. Pouco antes do livro ser publicado, sua mãe morreu de Câncer no Útero. Sua tia Emrine leu o romance para ela antes de sua morte.

King admitiu que nessa época ele estava constantemente bêbado e que foi alcoolotra por mais de uma década. Ele também constatou que baseou o personagem Jack, do livro O Iluminado, nele mesmo. Sua família e amigos interviram, jogando fora, na sua frente, todos os seus vícios. Stephen cortou o alcool e qualquer tipo de droga por volta de 1980 e se mantêm sóbrio desde então.


Obras
1963 "The Aftermath" (romance não publicado)
1970 "Sword in the Darkness" (romance não publicado)
1973 "Blaze" (romance não publicado)
1974 "Carrie" filme; "Carrie a estranha", 1976
1975 "Salem's Lot" - A Hora do Vampiro - filme; A Mansão Marsten
1977 "Rage" - Fúria (sob o pseudônimo Richard Bachman)
"The Shining" - O Iluminado
1978 "Night Shift" - "O Túnel do Horror" (conto do livro Sombras da Noite)
"The Stand" - "A Dança da Morte"
1979 "The Dead Zone" - "A Zona Morta", "A Hora da Zona Morta"
The Long Walk - A Longa Marcha (sob o pseudônimo de Richard Bachman)
1980 "Firestarter" - "A Incendiária" filme; "Vingança em Chamas"
1981 "Cujo" - "Cão Raivoso"
"Danse Macabre" - "Dança Macabra"
"Roadwork" - "A Auto-Estrada" (sob o pseudônimo de Richard Bachman)
1982 "Creepshow" - "Show de horrores" (banda desenhada, ilustrada por "Bernie Wrightson")
"The Dark Tower I: The Gunslinger" - "A Torre Negra Vol. I - O Pistoleiro" (originalmente publicado na revista The Magazine of Fantasy and Science Fiction, dividido em cinco partes: "The Gunslinger", "The Way Station", "The Oracle and the Mountains", "The Slow Mutants" e "The Gunslinger and the Dark Man")
"Different Seasons" - "As Quatro Estações" (contos que deram origem aos filmes; "Conta Comigo", "O Aprendiz", e "Um Sonho de Liberdade").
"The Running Man" - "O Sobrevivente" (sob o pseudônimo Richard Bachman)
1983 "Christine" - "Christine"; filme: "Christine, o Carro Assassino"
"Pet Sematary" - "O Cemitério"; filme: "Cemitério Maldito"
"Cycle of the Werewolf" - "A Hora do Lobisomem" (ilustrado por Bernie Wrightson), filme; "Bala de prata"
1984 "The Talisman" - "O Talismã" (escrito em parceria com Peter Straub)
"Thinner" - "Maldição do Cigano" (sob o pseudônimo de Richard Bachman), filme; "A Maldição do Cigano"
1985 "Skeleton Crew" - "Tripulação de esqueletos"
"The Bachman Books" - "Os Livros de Bachman" (livro que reune os contos: "A Longa Marcha", "Fúria", "A Auto-Estrada", "O Sobrevivente")
1986 "It" - "A Coisa"
1987 "The Eyes of the Dragon" - "Os Olhos do Dragão"
"Misery" - "Angústia", filme; "Louca Obsessão"
"The Dark Tower II: The Drawing of the Three" - "A Torre Negra Vol. II - A Escolha dos Três"
1988 "The Tommyknockers" - "Os Estranhos"
1989 "The Dark Half" - "A Metade Negra"
"Dolan's Cadillac" (edição limitada)
"My Pretty Pony" (edição limitada)
1990 "The Stand: The Complete & Uncut Edition"
"Four Past Midnight" - "Depois da Meia Noite"
1991 "Needful Things" - "Trocas Macabras"
"The Dark Tower III: The Waste Lands" - "A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas"
1992 "Gerald's Game" - "Jogo Perigoso"
1992 "The Lawnmower Man" - "O Passageiro do Futuro"
1993 "Dolores Claiborne" - "Eclipse Total"
"Nightmares & Dreamscapes" - "Pesadelos e Paisagens Noturnas" (livro(s) de contos)
1994 "Insomnia" - "Insônia"
1995 "Rose Madder" - "Rose Madder"
"Umney's Last Case"
1996 "The Green Mile" - "À Espera de um Milagre (publicado originalmente numa série mensal, com o nome de "O Corredor da Morte", dividida em seis partes: "The Two Dead Girls", "The Mouse on the Mile", "Coffey's Hands", "The Bad Death of Eduard Delacroix", "Night Journey", e "Coffey on the Mile")
"Desperation" - "Desespero" filme: "Desespero"
"The Regulators" - "Os Justiceiros" (sob o pseudônimo de Richard Bachman)
1997 "Six Stories" (contos) (não publicado)
"The Dark Tower IV: Wizard and Glass" - "A Torre Negra Vol. IV - Mago e Vidro"
1998 "Bag of Bones" - "Saco de Ossos"
1999 "Storm of the Century" - "Tempestade do Século"
"The Girl Who Loved Tom Gordon"
"The New Lieutenant's Rap" (edição limitada)
"Hearts in Atlantis"
"Blood and Smoke" (audio-livro)
2000 "Riding the Bullet" - "Montado Na Bala" (lançado originalmente como e-book), conto do livro "Tudo é Eventual"
"The Plant" - "A Planta" (lançado como e-book)
"Secret Windows" - "A Janela Secreta"
"On Writing: A Memoir of the Craft" (autobiografia)
"Dreamcatcher" - "O Apanhador de Sonhos"
2001 "Black House" - "A Casa Negra" (seqüência de "O Talismã"; escrita em parceria com Peter Straub)
2002 "From a Buick 8" - "Buick 8"
"Everything's Eventual: 14 Dark Tales" - "Tudo é Eventual"
2003 "The Dark Tower I: The Gunslinger" - "A Torre Negra Vol. I - O Pistoleiro" (versão revista e expandida)
"The Dark Tower V: Wolves of the Calla" - "A Torre Negra Vol. V - Lobos de Calla"
2004 "The Dark Tower VI: Song of Susannah" - "A Torre Negra Vol. VI - Canção de Susannah"
"The Dark Tower VII: The Dark Tower" - "A Torre Negra Vol. VII - A Torre Negra"
"Faithful: Two Diehard Boston Red Sox Fans Chronicle the Historic 2004 Season"
2005 "The Colorado Kid"
2006 "Celular (Cell)"
"The Secretary of Dreams" (edição limitada em dois volumes)
"Lisey's Story"
2008 "Duma Key" (Previsto para Janeiro de 2008)

:: Fonte da biografia: Wikipedia


Livro: Carrie
Autor: Stephen King
344 páginas
Ano: 1985
Editora: Abril Cultural

.: Entrevista com Fábio Lamachia, escritor

Vida nova com o pé na estrada

Da Redação do Resenhando

Em outubro de 2007


Conheça Fábio Lamachia, um jovem insatisfeito com a agitação da cidade grande que aprendeu a viver e achou um sentido para a vida ao lado de um cão labrador.



Em setembro de 2003, Fábio Lamachia ainda não havia completado 29 anos quando, frustrado com uma desilusão amorosa e o sucesso relativo de seu primeiro livro, Sonho Verde – sobre a experiência de quatro meses em uma mina de esmeraldas – decidiu deixar um emprego promissor na área de marketing e cair na estrada sem rumo.

Fábio era um jovem escritor paulistano de um livro só, o coração dilacerado por um amor frustrado e inconformado com a rotina alucinante da cidade grande quando decidiu largar tudo – inclusive uma carreira promissora – para cair na estrada em busca de aventuras e de um sentido para a vida. Encontrou um cachorro labrador preto, um filhote amarelo sensato e calmo e uma sueca aventureira, que acabou dando a ele uma filha no meio de aventuras engraçadíssimas, enquanto cruzavam, de jipe, as mais improváveis e surpreendentes paisagens do território brasileiro, do litoral ao sertão.

É a história de como uma pessoa descobre o Brasil e a si mesmo, em um exemplo de superação. Meu Chapa (Geração Editorial-Ediouro, 224 págs., mais caderno fotográfico colorido, R$ 29,90) não é apenas outro livro sobre cachorros e como os seres humanos se relacionam com eles. Mais do que isso, é a história de como uma pessoa em conflito resolve seus dramas interiores e encontra a felicidade enquanto vive aventuras engraçadas e envolventes.

Fábio Lamachia, rejeitado pela ex-namorada, insatisfeito e inconformado com a vida, e no limiar dos 30 anos, resolve romper com tudo e começar de novo. De espírito aventureiro – já passara quatro meses trabalhando numa mina de esmeraldas, aventura que narrou em seu primeiro livro, Sonho Verde – ele pega a estrada outra vez, agora definitivamente. Quer ser um andarilho, nada mais, e dedicar-se a seu projeto de vida: escrever sobre o que viveu.

A solidão o leva a buscar uma companhia – um cão, que ele comprou com o dinheiro da venda de sua prancha de surfe. Um cão cheio de defeitos, que vai ensiná-lo a viver. É na companhia desse bicho desengonçado e trapalhão que Fábio começa sua aventura rumo à felicidade e ao autoconhecimento. Chapa é pouco disciplinado, rebelde, travesso, e sempre apronta confusões, mas é com esse cachorro travesso – e com o companheiro sereno que surge no meio da história, o labrador amarelo Farofa – que Fábio descobre o que significa dedicar-se a um ser vivo integralmente. O jovem insatisfeito que fugiu da cidade grande em busca de um caminho acaba encontrando vários.

É Chapa – o companheiro constante – que vai jogá-lo nos braços de Jenny, uma arquiteta sueca que também abandona tudo para seguir o namorado de quem está grávida. Ancorado atualmente em Trancoso, do lado de Porto Seguro, na Bahia, com seus cães já adultos, a mulher e a filha Lorena, Fábio explora o turismo e começa a dedicar-se a seu projeto de vida.


RESENHANDO - Tanto em Sonho Verde quanto em Meu Chapa, você busca realizações. No primeiro, a busca é debaixo da terra, no interior de uma mina de esmeraldas. No outro, ao ar livre, com seu cão, estrada afora. Quais as diferenças e semelhanças entre os dois livros? 
FL – Nas duas aventuras, saí em busca de algo diferente da rotina estressante de uma cidade grande como São Paulo. Quando fui para a Bahia garimpar esmeraldas, além de viver no alto de uma montanha maravilhosa, almejava ganhar dinheiro de um jeito mágico para poder começar uma vida investindo os rendimentos em uma pousada ou algo parecido, o que não ocorreu. Quando eu estava lá, descendo em cabos de aço num poço de 75 metros, convivendo com um povo ímpar, percebi que o que mais valia era a história que vivenciava, e comecei a relatá-la em um caderninho, dia a dia. No livro Meu Chapa parti também com destino à Bahia. Queria promover mais o meu livro Sonho Verde e tive a idéia e iniciativa de distribuí-lo nos pontos turísticos da Chapada Diamantina, local em que pretendia morar. Para tanto, ter uma companhia era a questão. Depois de pouco tempo que peguei o Chapa, ele já me deixava descabelado com suas estripulias. Aquele cão de temperamento bombástico me dava motivos para escrever algumas coisas todos os dias! 


RESENHANDO - O processo de criação e redação dos dois livros foi igual? 
FL – Sim, nos dois livros anotava palavras-chave depois do ocorrido e desenvolvia posteriormente os textos.


RESENHANDO - Você escrevia sempre logo depois dos fatos? Tudo neles aconteceu, ou há um pouco de ficção?
FL – Tudo ocorreu mesmo, apenas alterei a ordem cronológica em algumas passagens, isso nos dois livros. No livro sobre o garimpo, usei nomes fictícios para vários personagens, depois que muitos garimpeiros me pediram anonimato. Já no Meu Chapa, os nomes das personagens permaneceram reais. 


RESENHANDO - Qual deles deu mais trabalho? E mais alegria? Por quê?
FL – Tive muito mais trabalho no primeiro livro. Escrevi totalmente solitário e demorei muito mais tempo. Tive de ler, reler e reescrever milhões de vezes. No Meu Chapa, meu terceiro livro, a escrita já corria mais solta e Jenny me ajudou muito ao opinar sobre o que pôr ou não no texto. Tive muito mais alegria em fazer o Meu Chapa com a Jenny grávida ao meu lado, e posteriormente com a Lorena, me olhando docemente da cadeirinha. Cada parágrafo foi feito com muito carinho.


RESENHANDO - Em Meu Chapa, a busca do sonho e do autoconhecimento se realizou plenamente. Além do Chapa, você encontrou Jenny, com quem se casou e tem uma filha, Lorena, que ganhou o capítulo mais bonito do livro, sobre o amor e a paternidade. Agora, feliz, você tem planos de viajar com a família em busca de novas aventuras para escrever outros livros? 
FL – Esse é mais um projeto, lógico, incluindo a Lorena e os cães. Queremos agora desbravar toda a América de carro, e começaremos pelo extremo sul. A vida é uma só, temos que andar por aí, para conhecermos o mundo em que vivemos!


RESENHANDO - Como é o seu dia-a-dia na tranqüila Trancoso? 
FL - Trancoso é um pequeno paraíso, me proporciona enormes alegrias, como acordar ainda no escuro e rumar para a praia com os cachorros. Surfo, corro, e volto para casa de cabeça aberta para escrever e brincar com a minha filha. 


RESENHANDO - Quer viver aí para sempre? São Paulo nunca mais? 
FL – Gosto muito daqui, mas como sempre na minha vida de andarilho, não considero o lugar definitivo. 


RESENHANDO - O que você está escrevendo atualmente? 
FL – Estou sempre botando idéias no papel, agora se elas virarão outros livros isso ainda nem eu sei. Ao mesmo tempo, incentivo a Jenny a finalizar seu primeiro livro. Ela tem, assim como eu, idéias muito inovadoras a respeito de criar filhos sem frescuras, soltos em meio à natureza e aos animais.


RESENHANDO - Com apenas dois livros publicados (além de Sonho Verde, tem o Pedras Preciosas do Brasil, edição bilíngue), você já vivia de direitos autorais, algo raro no Brasil. Agora a situação deve melhorar mais ainda com a publicação de Meu Chapa. Como conseguiu isso?
FL – Por se tratar de livros de aventura e pedras preciosas, imaginei que o interesse pelos livros seria maior em locais relacionados diretamente com os assuntos. Distribuí então os exemplares em pontos que não são livrarias, normalmente locais de espera "forçada" em atrações turísticas pelo Brasil. Por incrível que pareça o local que mais vende Sonho Verde é no simplório boteco do Seu Gilmário, no Poço Encantado, atração imperdível da Chapada Diamantina. Os livros também têm razoável saída nas lojas especializadas em pedras preciosas em diversos estados brasileiros, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas é muito difícil hoje em dia viver apenas de livros, por isso faço passeios turísticos de jipe pelas belas paisagens do sul da Bahia, e quando surge o interesse vendo algumas esmeraldas remanescentes da minha época de garimpo. Daí vem um extra. 


RESENHANDO - Em algumas passagens do Meu Chapa, vocês adotaram cachorros de rua. Isso continua? 
FL – Claro que sim. Esse "instinto" de protetor dos animais, que aprendi com a Jenny e sua família, hoje se enraizou em mim. Normalmente os cães que recolhemos das ruas vão para o sítio Vagalume, descrito no capítulo 26 do livro. Porém pegamos há alguns meses em Trancoso o Zé, um pointer que estava abandonado e doente em frente a uma padaria. Tratamos dele com tanto carinho, e ele nos cativou de tal forma com seu jeitão desengonçado, que hoje o Zé tem o seu cantinho na nossa casa e também um assento no jipe, virou mais um integrante da família.
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