sábado, 4 de julho de 2020

.: Detonautas Roque Clube faz live neste domingo e lança clipe de "Fica Bem"



Detonautas Roque Clube promove o Rock e lança clipe de Fica Bem em live no canal do YouTube da banda. Foto: Fabiano Santos

Para comemorar o mês do Rock, o Detonautas Roque Clube faz live neste domingo, dia 5, às 18h, diretamente do estúdio Mobília Space, pelo canal do YouTube – (https://www.youtube.com/detonautas). Na ocasião, a banda de Tico Santa Cruz (vocal), Renato Rocha (guitarra), Fábio Brasil (bateria), DJ Cleston (percussão e programações), Phil (guitarra) e André Macca (baixo) lança o clipe do single "Fica Bem".

Composta e produzida inteiramente durante a quarentena, o clipe de "Fica Bem" ganhou a participação mais que especial de pessoas que estão trabalhando durante a quarentena, profissionais de vários setores do país que emprestaram suas histórias para o videoclipe. Fica Bem foi produzido no mês de junho pela JL Produções, com direção geral de Julio Loureiro e dirigido por Junior Aieta.

“Uma homenagem a todos os profissionais que estão na linha de frente expondo suas próprias vidas, ao risco da contaminação ao Coronavírus, inclusive das suas famílias, muitas vezes”, explica Tico Santa Cruz. Uma das maiores bandas de rock de sua geração, o Detonautas fez sua primeira live em maio, quando apresentou seus sucessos em formato acústico e conquistou mais de 400 mil fãs.

Para o Detonautas Roque Clube o ano de 2020 começou com muitos shows pelo país, aliados aos trabalhos para o lançamento com a Sony Music. Agora, em virtude da quarentena e enquanto aguarda novas diretrizes, a banda trabalha no repertório deste novo projeto com encontros virtuais entre os seus integrantes – com ligações telefônicas, troca de arquivos de áudio para novas composições – para manter vibrante a energia positiva, marca registrada do DRC.

.: Livro ensina a como descobrir mentiras por trás das máscaras


Em plena quarentena, especialista em psicologia da mentira dá dicas preciosas de como analisar o comportamento de alguém que mente, inclusive em home office. Fotos: Charles Guedes

Em tempos de pandemia, o uso constante de máscaras esconde algumas expressões, especialmente os diversos movimentos da boca, como os sorrisos, e os seus inúmeros significados possíveis. Mesmo assim, é possível perceber indícios de meias verdades ou mentiras completas em muitos gestos e sinais, até mesmo em atividades à distância e online, como o home office.

“Mesmo com limitação da leitura dos micro sinais faciais por conta do uso de máscaras ou por estar a distância, é possível perceber indícios de que a pessoa está tentando fazer com que algo não verdadeiro, uma mentira, seja assimilado como sendo uma verdade. Para isto, é fundamental analisar um conjunto de gestos e comportamentos”, afirma o pesquisador e especialista em psicologia da mentira, Georg Frey. Entre as diversas possibilidades de comportamentos, gestos e ações corporais a serem observados, Georg Frey destaca:

Pessoalmente ou em vídeo chamadas

Olhos - Observe se a pessoa está piscando muito. Piscar rapidamente e com frequência maior que o normal é forte indício de que a fisiologia dessa pessoa está alterada. Piscamos mais quando mentimos porque não conseguimos controlar o nosso sistema nervoso autônomo (SNA). Quando nos sentimos em perigo, com risco de sermos pegos e sofrermos algum tipo de punição ou vergonha, nossa adrenalina dispara, aumentando a freqüência cardíaca, dilatando as nossas pupilas. O piscar mais faz parte desse conjunto de reações, inclusive como tentativa natural do corpo em manter os olhos abertos por mais tempo, caso uma fuga imediata seja necessária.

Mãos – Perceba os gestos feitos com as mãos. Como o corpo fala o tempo todo, os movimentos das mãos podem revelar esforços adicionais para que uma afirmação seja aceita. Um indicativo de esforço extra para que acreditem em nossas mentiras são o esfregar de mãos, o estalar e/ou apertar de dedos, um reflexo de uma força a mais que se faz para conter a ansiedade causada pelo ato de mentir.

Voz - Atenção se a pessoa gagueja em algum momento. Tropeçar em alguma sílaba ou ter dificuldade na pronúncia contínua e natural de uma palavra ou frase frequentemente pode ser associado a um comportamento ansioso. Ansiedade resultado de um cérebro que está trabalhando, freneticamente, na elaboração de histórias que convençam e garantam algum reconhecimento, privilégio, impunidade ou qualquer outro tipo de vantagem.

Pés - A posição dos pés, se eles apontam, mesmo que involuntariamente, para um desejo ou intenção de fuga. De forma absolutamente natural, o corpo programa posturas de fuga, como que para escapar de uma situação inconveniente por causa de uma mentira descoberta.

“É bom lembrar que mentir é algo absolutamente comum a qualquer tipo de pessoa. Independe do nível social, econômico, identidade sexual, idade, geografia ou religião. A única diferença já constatada é a de que homens mentem mais e as mulheres mentem melhor”, afirma Georg Frey. A mentira, também, varia em seus graus de perigo e intensidade. O psicopata é o detentor das mais elaboradas, convincentes e destrutivas mentiras. “Estar na teia de um psicopata, geralmente é sinônimo de ter a sua vida destruída”, lembra Georg. O mentiroso patológico, muitas vezes, precisa de intervenção e tratamento, como um dependente de drogas.

Para aqueles que acreditam que a modernidade inventou a mentira, é bom lembrar que historicamente a mentira está registrada como um traço da nossa humanidade. Encontramos vetores da mentira nas mitologias nórdica (Loki), grega (Hemera e Hermes), egípcia (Seth) e indígena brasileira (Anhangá). Mentir sempre fez e fará parte da condição humana. Não mentimos mais do que os nossos antepassados. Se hoje temos essa impressão, é por conta das redes sociais que têm a capacidade de multiplicar uma mentira, transformando-as em fake news.

O especialista lembra que as pessoas mentem pelos mais variados motivos, na maior parte das vezes esperando ter algum tipo de vantagem, seja financeira, profissional, social ou sexual. Quem mente dessa forma sabe dos riscos que corre, mas sempre acha que, de alguma forma, pode valer a pena. Em uma relação afetiva ou familiar, com as pessoas forçadas a uma maior convivência por causa da quarentena, as mentiras podem surgir com mais frequência e ter suas motivações expostas mais claramente.

Georg Frey, pesquisador, criminólogo, palestrante, comissário especial da Polícia, gestor em segurança pública, pós-graduado em Criminologia e Psicologia Criminal, fundador da U.A.C.H - Unidade de Análise do Comportamento Humano, autor do livro "Eu Sei Que Você Mente! Aprenda a Detectar Mentiras" (Ed Littera, 2019). Com 35 anos de experiência na análise do comportamento humano, tem ministrado a empresas e famílias consultorias particulares, treinamentos coletivos, cursos e workshops, no Brasil e no exterior.



.: Elza Soares e Flávio Renegado se apresentam em live neste sábado


Elza Soares e Flávio Renegado prometem muita música e bate-papo neste sábado. Foto: Pedro Loureiro

Dentro da programação de junho do #EmCasaComSesc, neste sábado, dia 4, às 19h, é a vez da irreverência da cantora Elza Soares em sarau intimista com participação do rapper Flávio Renegado. O Sesc São Paulo vem promovendo uma série de shows diários com transmissões pelo Instagram @sescaovivo e YouTube do Sesc São Paulo - youtube.com/sescsp 

Elza Soares e Flávio Renegado prometem muita música e bate-papo. A artista, que se reinventou aos 90 anos de idade com novos trabalhos, e o cantor mineiro que despontou em 2008 com o disco de estreia, "Do Oiapoque a Nova York", e agora apadrinhado por uma das grandes personalidades da história da música popular brasileira. 

No show vanguardista #OndaNegra, Elza (voz) e Renegado (voz, violão, guitarras, synths e programações eletrônicas), acompanhados por JP. Silva (voz de apoio, violão e bandolim), revisitam clássicos como, "Malandro", "Meu Guri", "Mulher do Fim do Mundo", "Espumas ao Vento", entre outros sucessos, além de músicas recém lançadas, como "Carinhoso" e seu último single, "Juízo Final", divulgado na semana passada e disponível nas plataformas de streaming

Completam o repertório versões clássicas como "A Carne", com intervenção de rap em eletroacústico que mistura samba ao rock, e sucessos da discografia de Flávio Renegado, como "Minha Tribo é o Mundo" e "Rotina". Bases, synths, violão acústico, pandeiro e guitarra embalam esse encontro inédito da música brasileira, que terá desdobramentos ainda neste mês de julho, quando lançam um hino samba-trap que traz na letra o orgulho das origens negras e interpretado por Elza Soares.

Domingo, dia 5, o mestre alagoano Sapopemba apresenta as tradições afro-brasileiras com os orixás e as entidades sagradas do álbum Gbó, que na lígua iorubá significa ouça. O repertório mescla composições autorais de Sapopemba e cantigas de candomblé, mais especificamente das nações Ketu, Ijexá, Angola e Jêje, que carregam a diversidade musical das muitas Áfricas que aportaram no Brasil. Um convite ao público para se deixar levar pela riqueza sonora do candomblé, somada à inventividade harmônica da canção popular. Em Gbó, Sapopemba celebra 30 anos de carreira musical e os mais de 50 como ogã.

No dia dedicado à música instrumental, assim como a programação do Instrumental Sesc Brasil, segunda-feira, dia 6, o duo formado por Roberta Valente (pandeiro) e Alexandre Ribeiro (clarinete) toca chorinho e samba. O repertório reúne obras de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Paulo Moura, João Donato, entre outros grandes compositores, e canções autorais do próprio Alexandre Ribeiro. Clássicos do cancioneiro brasileiro como "Rosa", "Cheguei", "Pelo Avesso" e "Ao Velho Pedro" são algumas das músicas do repertório.

Produtora e pesquisadora de música popular brasileira, Roberta integra importantes grupos paulistanos, como Chorando as Pitangas, Ó do Borogodó e o projeto Panorama do Choro, que acaba de lançar um registro audiovisual pelo Selo Sesc disponível gratuitamente na plataforma Sesc Digital. Herdeiro de grandes nomes do clarinete como Severino Araújo, K-Ximbinho, Luiz Americano, Abel Ferreira, Nailor Azevedo e Paulo Moura, Alexandre Ribeiro se destaca pela técnica e interpretação primorosa ao instrumento.

Na terça-feira, dia 7, o cantor e compositor Danilo Caymmi realiza sua primeira transmissão solo pela internet. O show, que conta com a participação do maestro João Egashira, intercala músicas que marcaram sua carreira e histórias e curiosidades desta trajetória de sucesso, iniciada ainda na juventude. Os parceiros de trabalho, os tempos áureos de composição com o pai, Dorival Caymmi, os anos com Tom Jobim e a época dos festivais serão lembrados na apresentação. No repertório estão "Nada a Perder", "Andança", "O Bem e o Mal", "Vatapá", entre outras canções. E, claro, "O que É que a Baiana Tem?", que não poderia ficar de fora.

Na quarta, dia 8, é dia de curtir o som de Fabiana Cozza, que irá antecipar algumas canções de seu novo disco, previsto para setembro e cujo espetáculo, ainda em processo de produção, terá direção musical e participação de Fi Maróstica. Canções do universo do sagrado na cultura afro-ameríndia brasileira completam o repertório. A paulistana, tida pela crítica e público com uma das importantes intérpretes da música brasileira contemporânea, vencedora de duas edições do Prêmio da Música Brasileira, como melhor cantora de samba e melhor álbum de língua estrangeira, já soma oito discos e três DVDs lançados.

No dia seguinte, quinta-feira, dia 9, tem a peculiaridade artística do músico, ator e apresentador Arrigo Barnabé em show com peças de "Clara Crocodilo", LP que marcou o início da Vanguarda Paulistana e que em 2020 completa 40 anos de lançamento. Para este repertório, Arrigo também selecionou algumas canções com letra de Luiz Tatit e Roberto Riberti; as valsas, como o próprio músico define, "Cidade Oculta", parceria com Eduardo Gudin e Roberto Riberti; "Londrina", de Tetê Espíndola, e "Sinhazinha em Chamas", de sua autoria. O público também terá a oportunidade de ouvir uma seleção de Tubarões Voadores, o seu segundo LP, e ainda "Canção dos Vagalumes" e "Canção do Astronauta Perdido".


E na sexta-feira, dia 10, tem a voz e o violão de Roberta Campos apresentando seus grandes sucessos autorais, como "De Janeiro a Janeiro", "Minha Felicidade" e "Abrigo", bem como releituras já consagradas em sua voz, destaque para "Casinha Branca" (Gilson e Joran) e "Quem Sabe Isso quer Dizer Amor" (Lô Borges e Márcio Borges). Seus últimos lançamentos também estão no repertório, como a releitura de "Último Romance" (Rodrigo Amarante), "Fique na Minha Vida", música de sua autoria gravada com Vitor Kley e "Vem me Buscar", outra autoral que, na gravação original, ganhou contornos dos tambores do Olodum.

A série Música #EmCasacomSesc também tem sido uma oportunidade para promover o Mesa Brasil, programa que conecta empresas doadoras e instituições sociais para o complemento de refeições de pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

Criado há 25 anos pelo Sesc São Paulo e hoje em operação em diversos estados do país, a iniciativa está com uma campanha para expandir sua rede de parceiros doadores e ampliar a distribuição de alimentos, produtos de higiene e limpeza em meio à crise causada pelo novo coronavírus. Também engajados pela causa, os artistas têm aproveitado as transmissões online para convocar as pessoas, principalmente empresários e gestores, a integrarem a rede de solidariedade. Para saber como ser um doador, basta acessar o site mesabrasil.sescsp.org.br.


sexta-feira, 3 de julho de 2020

.: Crítica: "DesCASAmento" torna o período de isolamento social mais leve


Por Helder Moraes Miranda e Mary Ellen Farias dos Santos, editores do Resenhando.

Em época de pandemia, cumprir o isolamento social por mais de três meses é um peso a ser superado facilmente às 20h das sextas-feiras, pois está em cartaz, online, pelo aplicativo Zoom, o espetáculo "DesCASAmento" estrelado por Patrick Aguiar e Amanda Carvalho. 

A montagem, encenada em casa, transmite aconchego e leveza, o que é um respiro em tempos de confinamento e emoção à flor da pele. O texto de Luis Fernando Verissimo, na comédia adaptada por Patrick Aguiar, faz refletir e rir das situações do cotidiano vividas por casais. Enquanto assistir presencialmente uma peça de teatro é algo perigoso para quem está como espectador e quem apresenta, utilizar a tecnologia para dar um pouco de alento pode ser considerado um ato heróico.

"DesCASAmento" foi a primeira peça que assistimos desde que a o coronavírus isolou as pessoas em casa e fechou os teatros. Antes dela, assistimos "Mãos Limpas", no Teatro Renaissance - com Juca de Oliveira, Fúlvio Stefanini, entre outros nomes, e não deu tempo de escrever nada, porque os atores, a maioria no grupo de risco, precisaram se ausentar. 

Recomeçar a assistir peças com a leveza de "DesCASAmento" é presságio de que as coisas estão perto de melhorar. O texto, adaptado das comédias da vida privada de Luis Fernando Verissimo fala sobre as desventuras amorosas de casais cujo matrimônio serve de pano de fundo para discussões profundas sobre as relações humanas. Todo o talento de Patrick Aguiar e Amanda Carvalho garantem qualidade a um texto que já é bom por si só. 

Você só tem esta e a outra sexta-feira para ver uma peça de teatro, ao vivo, na sua casa ou no lugar que você escolher. "DesCASAmento" fica em cartaz até dia 17, e as apresentações ocorrem sempre às 20h. Para assistir, basta entrar em contato pelo Instagram (@eupatrickaguiar ou @amandas_carvalho) ou pelo Whatsapp (11) 98227-6586. O valor do ingresso é R$ 35 ou contribuição consciente. A vida não está fácil, mas pode ser bem mais leve se você se permitir. 


.: Tudo sobre "‘Diário de Um Confinado", série produzida na quarentena



Pensada e produzida especialmente para a quarentena, a série multiplataforma faz uma crônica do isolamento social. Fotos: Globo/Glauco Firpo

A série "Diário de um Confinado" foi criada literalmente em casa e em família, por Joana Jabace e o marido Bruno Mazzeo. O projeto de dramaturgia foi idealizado para ser produzido durante a quarentena, de forma remota, com todas as limitações que o isolamento social requer, seguindo todas as normas de segurança. 

A série multiplataforma começou a ser exibida primeiro no Globoplay, no dia 26, depois na TV Globo, aos sábados de julho, a partir do dia 4. Também em julho, estreia dia 6 no Multishow e ganha pílulas ao longo do mês no GNT. Joana Jabace é quem faz a direção artística da série, gravada no apartamento onde o casal vive com os filhos, no Rio de Janeiro. “Temos na mesma casa um autor que também é ator e eu, que sou diretora. Usamos essa nossa especificidade a favor da arte. Acredito que o artista tem que se reinventar de acordo com as necessidades do tempo em que vive. Foi assim que tivemos a ideia deste projeto. O tipo de humor que o Bruno faz é engraçado, mas tem melancolia. E nos interessa falar deste momento que estamos vivendo de um jeito leve, mas também realista”, conta Joana Jabace.

A obra faz uma crônica sobre o dia a dia de um cidadão, Murilo (Bruno Mazzeo), que de repente se vê obrigado a tocar a vida dentro de casa. Seus compromissos pessoais e profissionais são todos remotos: a terapia, o encontro com os amigos. Pedir uma pizza nunca foi tão desafiador, e tantas dúvidas fazem com que muitas relações, mesmo que virtualmente, sejam estreitadas. Nunca se precisou tanto dos conselhos de mãe, tia ou do médico. Esses personagens que interagem com o confinado Murilo na trama são vividos por grandes nomes como Arlete Salles, Debora Bloch, Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Lúcio Mauro Filho, Renata Sorrah.

Bruno conta que as ideias do texto foram surgindo sempre a partir da realidade, diante da situação que o mundo atual enfrenta. “Como tudo o que escrevo, sobretudo quando escrevo sob o olhar da crônica, normalmente tem um pé na biografia - na autobiografia e na de cada um que está participando do projeto comigo. Tem um ditado italiano que diz que ‘na arte, tudo é autobiográfico’, porque vem de sensações, de referências que recebemos do mundo, coisas que vivemos, que os amigos vivem. ‘Diário de Um Confinado’ é um programa que busca uma identificação. Ao mesmo tempo, tem pitadas de uma loucurinha, que é o que a gente está vivendo, com sentimentos alterados. E é aí que entra a carga do humor”, detalha o autor.



Produção remota: em tempos de isolamento, um novo jeito de fazer
Para ser colocado em prática em dias de isolamento, foi necessário planejar para que "Diário de um Confinado" fosse feito remotamente, de acordo com o protocolo de segurança elaborado pela emissora, com uma série de cuidados para evitar a exposição dos profissionais. Para a produção, foi montada uma equipe multidisciplinar que conceituou e pré-produziu a série, com um importante diferencial: tudo deveria ser feito à distância. 

“Assistente de direção, produção de arte, montador, pós-produção, figurino, efeito especial. Todos os departamentos foram participando cada um de sua casa. Entramos de cabeça nesse desafio imbuídos de fazer dar certo e nos reinventarmos”, explica Joana. O projeto utiliza uma linguagem específica, com a qualidade de produção de televisão, mas feito em casa. 

“A ideia é realizar de um jeito artesanal, mas não amador. A luz e o enquadramento foram pensados dentro dessas premissas. É um projeto feito na minha casa mas poderia ter sido feito num estúdio. Tem um mood de dramaturgia, e nosso intuito é que o espectador embarque no universo do Murilo”, analisa a diretora. Toda a pós-produção da série, incluindo sonorização e edição, também está sendo feita remotamente, após a equipe assistir às gravações online, em tempo real.

Joana dirigiu presencialmente o marido, enquanto o restante do elenco foi dirigido à distância. Os atores convidados aparecem em chamadas de vídeo, mas também fizeram eles mesmos a captação de suas cenas com um kit de gravação, preparado para uso individual.

Sobre a rotina em casa, com a gravação dos episódios, Bruno conta que foi animado. “Em casa, com nossos dois filhos, tocamos todas as fases de uma produção: texto, filmagem, edição. Tudo foi desafiador, desde uma prova de roupa, com a figurinista olhando o meu armário por vídeo de celular e nós, montando o personagem com as peças do meu guarda-roupa. A maneira de escrever, de produzir, os roteiros, as soluções são o grande diferencial deste programa. Fomos solucionando as impossibilidades em todos esses setores, inclusive criativamente na dramaturgia, dando agilidade às cenas, mesmo sem o recurso de uma fuga para outros cenários. O grande diferencial de ‘Diário de um Confinado’ é a forma de fazer neste momento de isolamento social”, destaca o autor.

Soluções remotas de tecnologia em todo o ciclo de produção
Há alguns anos, a Globo vem encabeçando trabalhos com um pool de inovações tecnológicas e desenvolvendo soluções para produção remota, garantindo mais eficiência, principalmente em grandes eventos. Agora, em "Diário de Um Confinado", a emissora aplicou toda essa expertise na implementação da produção remota em todo um ciclo de um produto de dramaturgia. 

A solução foi desenhada em um momento em que o isolamento social tem sido protagonista, e visando garantir segurança, liberdade e agilidade para as equipes. Seguindo os protocolos de proteção dos Estúdios Globo, as etapas de montagem e preparação da locação foram conduzidas remotamente com uma equipe multidisciplinar. Para garantir um resultado de qualidade, todo o processo foi acompanhado virtualmente pelo time de Tecnologia Globo, que disponibilizou os materiais de captação e deu suporte remoto na montagem e nas configurações.

Essa é a primeira vez em que esse tipo de produção utiliza celulares com câmeras de alta performance para captação, além de soluções de monitoramento à distância e o controle completamente remoto da transferência de arquivos em nuvem para armazenamento e edição. Para os atores com participações especiais na produção, gravando individualmente em suas respectivas casas, os equipamentos incluíram dois celulares de última geração: um telefone conectado em uma web meeting que permite às equipes monitorar e acompanhar a gravação; e outro aparelho para captação em 4K. O kit conta ainda com tripés, microfones externos de ótima sensibilidade que permitem a monitoração a distância e ringlights para controlar a luz.

Já para a direção, foram disponibilizas câmeras com sensores full frame, estabilização, smartphones, monitoramentos, além de links de vídeo e itens de iluminação. Em ambos os casos, os materiais são ligados a um aplicativo de assistência remota que permite à Tecnologia apoiar e controlar toda a parte técnica durante as gravações. Um pedaço dessa gama de soluções abarca ainda outros times como assistentes de direção, cenografia, montagem, produção de arte, figurino, continuístas, técnicos de controle e grande parte da pós-produção, cada um em sua residência.

"Diário de Um Confinado" é uma criação de Joana Jabace e Bruno Mazzeo. A obra é escrita por Bruno Mazzeo, com Rosana Ferrão, Leonardo Lanna e Veronica Debom, e tem direção artística de Joana Jabace.

.: Hermann Hesse: nove curiosidades incríveis sobre o autor de "Knulp"


As três histórias da vida do andarilho Knulp estão entre os textos mais encantadores do escritor alemão e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Hermann Hesse. Lançado em abril, o livro editado pela editora Todavia, resgata a obra do autor para jovens leitores.

Hippie avant la lettre em plena Alemanha do fim do século XIX, um jovem Knulp vagueia de cidade em cidade e se hospeda na casa de conhecidos, que lhe dão teto, comida e algum afeto. Ele evita, no entanto, construir relações mais profundas, estabelecer laços definitivos: é um amante da liberdade.

Reunindo temas depois aprofundados nas obras de grande sucesso do escritor — a experiência existencial, a formação da personalidade, a contestação de velhos valores —, "Knulp" apresenta o herói poético que influenciaria diversos autores e toda uma geração de leitores. Separamos nove fatos sobre este autor que é considerado um dos maiores escritores do século XX e um dos precursores da contracultura.


1. Hermann Hesse nasceu em Calw, cidade no coração da Floresta Negra, sudoeste da Alemanha, em 2 de julho de 1877.


2. A partir dos 17 anos, Hesse tinha planos de emigrar para o Brasil. Desiludido com o progresso e as condições de vida na Europa, essa vontade era frequente em seus escritos. Mas isso nunca aconteceu.


3. O primeiro romance veio em 1904: "Peter Camenzind" — que a Todavia vai publicar —, livro recheado de referências biográficas e que serviu de inspiração para o movimento Wandervogel, grupo de jovens alemães que protestava contra a industrialização.


4. O avô materno era um estudioso da cultura indiana, e essa influência é bastante evidente na obra Hermann Hesse. Assim, o autor empreendeu uma primeira viagem à Índia em 1911.


5. Depois de abandonar mulher e filhos na Alemanha e se estabelecer na Suíça, escreve "Rosshalde" (1914), livro em que fala do fracasso do matrimônio e da busca pela liberdade na sociedade conservadora e que a Todavia também vai publicar.


6. Em 1914, foi voluntário na Primeira Guerra Mundial. Percebendo as mazelas provocadas pelo conflito, escreveu uma crítica na qual apelou aos intelectuais alemães por menos nacionalismo e mais humanidade. Por esse texto, foi perseguido e ridicularizado.


7. Era um contumaz adepto da psicanálise. Fez análise com J. B. Lang e, posteriormente, com seu mestre, C. G. Jung. As sessões influenciaram os livros Demian (1919) e Sidarta (1922).


8. A partir dos anos 1960, seus livros se tornaram uma espécie de passaporte para a contracultura. Uma frase de Timothy Leary é bastante emblemática: “Antes da sua viagem de ácido, leia 'Sidarta' e 'O Lobo da Estepe'”, ambos de Hermann Hesse.


9. Para muitos leitores, os romances de Hesse são a porta de entrada para o mundo da ficção. O escritor Ferréz, que assina o posfácio da edição de "Knulp" lançada pela Todavia, revela que "Demian" foi o primeiro livro que ele leu, depois de ganhá-lo por acaso de um amigo. Ele ainda conta como Hermann Hesse influenciou sua trajetória e sua formação pessoal.


Além dessas nove curiosidades, Mario Santin, do editorial da Todavia, criou uma playlist no Spotify inspirada na leitura de "Knulp" que pode ser acessada neste link. A seleção musical incorpora o espírito livre do andarilho Knulp e, assim como o livro, faz uma ode à liberdade com músicas de Bob Dylan, Patti Smith, Joni Mitchell, Neil Young, Lou Reed e muito mais.



.: "Hebe" estreia na Globo no dia 30 e será exibida às quintas-feiras



Série chega às telas da TV Globo em julho. Foto: Globo/Fábio Rocha


Hebe Camargo é sinônimo de comunicação no Brasil. Uma verdadeira estrela, dona de uma intensidade e carisma sem igual. A partir do dia 30 de julho, sua trajetória poderá ser acompanhada semanalmente às quintas-feiras na série "Hebe", que vai mostrar desde o início da vida da apresentadora até o final dos seus dias. A obra foi criada e escrita por Carolina Kotscho, com direção artística de Maurício Farias e direção de Maria Clara Abreu.

Nascida em Taubaté, no ano de 1929, em uma família grande e sem condições financeiras, a menina que um dia ganharia o título de “eterna rainha da televisão brasileira” e arrebataria mais de 70% da audiência do país aprendeu a driblar, desde muito nova, adversidades como a pobreza e a fome, além de toda a rejeição e os olhares tortos que essa condição é capaz de provocar.

Em São Paulo, em plenos anos 40, ainda durante a adolescência, Hebe Maria Monteiro de Camargo se aventurou em um concurso de talentos como cantora e deu o pontapé inicial de sua vida artística. Dali, seguiu para o rádio e, pouco depois, migrou para a televisão, onde se tornou apresentadora. “Eu já fiz algumas biografias, portanto passei por esse processo algumas vezes. Sempre entro com uma curiosidade muito sincera, muito aberta, e costumo me apaixonar pelos defeitos dos personagens. Eu imaginava que a Hebe tinha questões muito profundas, porque devia ser muito difícil ser mulher e ser artista nesse país na época em que ela começou, sempre obrigada a lidar com todo tipo de preconceito. Ao mesmo tempo em que ela conquistou um espaço, lidou com muitas críticas e agressões. E não se passa ileso por isso”, comenta a autora Carolina Kotscho.

Hebe consagrou-se como figura icônica do país até a sua morte, aos 83 anos de idade. Carregada em exuberância, personalidade, opinião e um amor latente pela vida, esta artista capaz de conversar intimamente com o público, em um programa ao vivo e sem cortes, foi também amante, esposa, mãe, tia, filha, amiga, funcionária, e precisou lidar com os obstáculos e as dificuldades que cada um desses papéis lhe impôs no decorrer do tempo, firme no propósito de ser autora e diretora de sua própria vida. “Hebe vivia, de certa forma, uma contradição, porque era uma mulher tão à frente de seu tempo e, no entanto, também sonhou em ser e representou uma mulher do seu próprio tempo – a dona de casa, a rainha do lar, essa “madrinha do Brasil” que ela foi se tornando. Não é à toa que os programas da Hebe tinha um sofá no cenário, lembrando uma sala, uma casa. Acho que isso representa a Hebe em toda a sua complexidade e em toda a sua grandeza, com todas as suas fragilidades”, analisa o diretor Maurício Farias.

No elenco estão Andrea Beltrão, Valentina Herzage, Marco Ricca, Gabriel Braga Nunes, Danton Mello, Ângelo Antônio, Caio Horowicz, Flávio Migliaccio, Walderéz de Barros, Sandra Corveloni, Daniel de Oliveira, Emílio de Mello, com as participações de Camila Morgado, Otávio Augusto, Cláudia Missura, Felipe Rocha, Selma Egrei, Stela Miranda e Laila Garin, entre outros.
"Hebe" estreia na TV Globo no dia 30 de julho e vai ao ar às quintas-feiras, após "Fina Estampa". Original Globoplay, desenvolvida pelos Estúdios Globo, a série é criada e escrita por Carolina Kotscho, tem direção artística de Maurício Farias e direção de Maria Clara Abreu.

.: Breno Ruiz faz live com canções inéditas do projeto "Dentro de Casa"


Em repertório ao piano, Breno Ruiz fará um passeio pelas parcerias e oferecerá  muito choro, modinha e lundu. Foto: Sérgio Ferreira

Dentro da programação de junho do #EmCasaComSesc, nesta sexta-feira, dia 3, às 19h, tem o cantor, compositor e pianista Breno Ruiz em show com canções inéditas de seu novo projeto, "Dentro de Casa", e de seu primeiro álbum, "Cantilenas Brasileiras". O Sesc São Paulo vem promovendo uma série de shows diários com transmissões pelo Instagram @sescaovivo e YouTube do Sesc São Paulo - youtube.com/sescsp 

Em repertório ao piano, Breno fará um passeio pelas parcerias com Paulo César Pinheiro, Cristina Saraiva, Socorro Lira, Roberto Didio e Celso Viáfora, com muito choro, modinha e lundu - dança e canto de origem africana presente no Brasil. O jovem músico do interior paulista também traz canções gravadas por grandes nomes da música popular brasileira como "Caipira", que dá nome ao último disco de Mônica Salmaso, "Milagres", presente no disco de cinquenta anos do grupo MPB4 e "Viola de Bem Querer", do especial 40 anos do grupo Boca Livre.

Na noite de sábado, dia 4, é a vez da irreverência da cantora Elza Soares em sarau intimista com participação do rapper Flávio Renegado. Muita música e bate-papo com a artista que se reinventou aos 90 anos de idade com novos trabalhos e o cantor mineiro que despontou em 2008 com o disco de estreia, Do Oiapoque a Nova York, e agora apadrinhado por uma das grandes personalidades da história da música popular brasileira. 

No show vanguardista #OndaNegra, Elza (voz) e Renegado (voz, violão, guitarras, synths e programações eletrônicas), acompanhados por JP. Silva (voz de apoio, violão e bandolim), revisitam clássicos como, "Malandro", "Meu Guri", "Mulher do Fim do Mundo", "Espumas ao Vento", entre outros sucessos, além de músicas recém lançadas, como "Carinhoso" e seu último single, "Juízo Final", divulgado na semana passada e disponível nas plataformas de streaming

Completam o repertório versões clássicas como "A Carne", com intervenção de rap em eletroacústico que mistura samba ao rock, e sucessos da discografia de Flávio Renegado, como "Minha Tribo é o Mundo" e "Rotina". Bases, synths, violão acústico, pandeiro e guitarra embalam esse encontro inédito da música brasileira, que terá desdobramentos ainda neste mês de julho, quando lançam um hino samba-trap que traz na letra o orgulho das origens negras e interpretado por Elza Soares.


E no domingo, dia 5, o mestre alagoano Sapopemba apresenta as tradições afro-brasileiras com os orixás e as entidades sagradas do álbum Gbó, que na lígua iorubá significa ouça. O repertório mescla composições autorais de Sapopemba e cantigas de candomblé, mais especificamente das nações Ketu, Ijexá, Angola e Jêje, que carregam a diversidade musical das muitas Áfricas que aportaram no Brasil. Um convite ao público para se deixar levar pela riqueza sonora do candomblé, somada à inventividade harmônica da canção popular. Em Gbó, Sapopemba celebra 30 anos de carreira musical e os mais de 50 como ogã.

A série Música #EmCasacomSesc também tem sido uma oportunidade para promover o Mesa Brasil, programa que conecta empresas doadoras e instituições sociais para o complemento de refeições de pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

Criado há 25 anos pelo Sesc São Paulo e hoje em operação em diversos estados do país, a iniciativa está com uma campanha para expandir sua rede de parceiros doadores e ampliar a distribuição de alimentos, produtos de higiene e limpeza em meio à crise causada pelo novo coronavírus. Também engajados pela causa, os artistas têm aproveitado as transmissões online para convocar as pessoas, principalmente empresários e gestores, a integrarem a rede de solidariedade. Para saber como ser um doador, basta acessar o site mesabrasil.sescsp.org.br.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

.: Entrevista: Bruno Mazzeo fala sobre "Diário de Um Confinado"


Pensada e produzida especialmente para a quarentena, a série multiplataforma faz uma crônica do isolamento social. Foto: Globo/Glauco Firpo

A série "Diário de Um Confinado" estreia neste sábado na Globo e foi criada literalmente em casa e em família, por Joana Jabace e o marido Bruno Mazzeo. O projeto de dramaturgia foi idealizado para ser produzido durante a quarentena, de forma remota, com todas as limitações que o isolamento social requer, seguindo todas as normas de segurança.  A obra faz uma crônica sobre o dia a dia de um cidadão, Murilo (Bruno Mazzeo), que de repente se vê obrigado a tocar a vida dentro de casa. Autor e protagonista do seriado, Bruno Mazzeo fala sobre a estreia da série em período de isolamento social.

Como surgiu a ideia de escrever "Diário de Um Confinado"?
A ideia veio da Joana. Já estávamos vivendo o confinamento, ela ainda trabalhando em "Segunda Chamada", remotamente, e eu pensando em trabalhos mais à frente, porque estava organizado para só atuar este ano. Aí ela trouxe essa ideia: “e se pensarmos em algo que a gente possa gravar aqui em casa? Você escreve e atua, eu dirijo”. Começamos, então, a pensar em crônicas de uma pessoa confinada. Chamei a Rosana Ferrão, minha parceira no "Cilada", pensamos no formato e chegamos nesse, de fazer um diário com situações que a gente passa no confinamento, com algumas neuroses, paranoias...

Alguma das situações vividas por Murilo nesse período de isolamento já aconteceram com você? Você se vê de alguma forma nesse personagem que criou e vai interpretar? Ou se inspirou em pessoas próximas?
Como tudo o que escrevo, sobretudo quando escrevo sob o olhar da crônica, normalmente tem um pé na autobiografia e na de cada um que está participando comigo. Tem um ditado italiano que eu gosto muito que diz que “na arte tudo é autobiográfico” porque tudo vem de sensações minhas, de referências que recebo do mundo, coisas que vivo, que os amigos vivem. Este é um programa que busca uma identificação. Ao mesmo tempo, ele tem pitadas de uma loucurinha, que é o que a gente está vivendo, com sentimentos alterados, entre a euforia e a melancolia. E é aí que entra a carga do humor. Mas a ideia é partir sempre da realidade.

Não é a primeira vez que você e Joana trabalham juntos, mas essa é uma nova configuração de produção para ambos. Como está sendo levar esse trabalho totalmente para dentro de casa?
Já trabalhamos juntos em outros dois projetos – "A Regra do Jogo" e "Filhos da Pátria" – mas nunca tão próximos. Diretamente, esta foi a primeira vez, e isso era uma coisa que nós já queríamos muito. Gosto muito de trocar com a Joana, a gente tem muita ideia sempre, ela é muito inteligente, criativa, tem um olhar muito interessante. Sempre quisemos, mas outros trabalhos iam pintando. Eu não esperava que fosse em 2020, porque eu estava programado para atuar em outros projetos este ano todo. Muito menos que fosse acontecer nesse momento e fazendo algo que é uma novidade para todo mundo. Fomos descobrindo juntos como fazer, em casa, com dois filhos, tocando todas as fases. Eu já trabalho muito em casa escrevendo, mas agora tudo passou a acontecer aqui: texto, prova de figurino, filmagem, edição, filmagem, lançamento. Isso é mais uma novidade. Confesso que já vivi, no confinamento, uma gangorra de sensações e sentimentos. Num dia a gente acorda mais pra baixo, no outro está tranquilo. Num dia não quer sair do quarto, no outro está super querendo malhar pela internet. É uma loucura. Com o projeto eu já vivi isso também: logo que ele foi aprovado eu fiquei muito feliz e, depois, tenso pelo desafio. Hoje estou muito animado, achando muito legal o que realizamos.

E é um trabalho com uma equipe envolvida, mas todo feito remotamente, tanto na produção quanto na sua atuação com o restante do elenco. Quais foram os desafios para colocar esse projeto, que, do início ao fim, acontece durante o isolamento, no ar?
Da minha parte, a única coisa que já era feita assim, de casa, e que eu faço muito, é o texto. De resto, tudo foi novidade para mim. Desde uma prova de figurino por chamada de vídeo, com a figurinista olhando meu armário e montando o Murilo com o meu guarda-roupa, até o gravar e editar em casa. Gravar com os filhos aqui, com a vida real seguindo... Olha, desafio não faltou. Adaptamos a nossa casa e, ao mesmo tempo, adaptamos algumas coisas no texto também para coisas que a gente tinha aqui. Não estávamos nos Estúdios Globo, onde um cenário, por exemplo, é construído de acordo com a necessidade do texto. Aqui foi o contrário. O que fizemos se pareceu um pouco com o teatro, em que o ator também é o contrarregra. Tem ainda o desafio da dramaturgia: não teve uma fuga, uma cena ali na esquina, não teve um personagem que chega. Usamos tudo aqui de dentro, nas nossas possibilidades, mas sem poder usar um efeito especial, por exemplo. E esses desafios tornaram esse trabalho ainda mais prazeroso e animador.

Você se envolveu na escolha do elenco?
Fomos pensando juntos. É um elenco muito em casa, são pessoas muito próximas, a gente se frequenta. Próximas a mim, ou à Joana ou aos dois. Curiosamente, finalmente contracenei com a Nanda (Fernanda Torres), depois de um fazer texto do outro. E tive a honra de fazer cenas pela primeira vez com Arlete Salles e Renata Sorrah, que estão entre minhas atrizes preferidas. Com Nanda e Lucinho (Lúcio Mauro Filho) o fato de termos total intimidade ajudou muito. E, finalmente, realizei o desejo de contracenar com Debi (Débora Bloch), mesmo que em condições completamente diferentes das de um set normal.

Você já atuou algumas vezes em obras escritas por você. Durante a escrita, já se imaginar como o personagem (dando o tom que ele certamente terá) facilita o processo? A experiência como ator ajuda a escrever uma história?
Nesse caso, das crônicas, me ajuda muito. Vou colocando na minha embocadura. Como eu também atuo, vou escrevendo, lendo, interpretando e já vou colocando numa embocadura próxima do natural de falar. Eu penso: “como eu falaria?”. Me facilita muito nesse momento.

"Diário de Um Confinado" é uma série de humor, mas Murilo mostra uma certa dose de melancolia, talvez pela solidão do confinamento. Para você, quais são as principais características dessa obra?
A maneira de escrever, a maneira de produzir, os roteiros, as soluções são o grande diferencial. E como a gente solucionou as impossibilidades em todos esses setores, inclusive criativamente na dramaturgia. Por exemplo, como a gente dá agilidade, não deixa cair o ritmo, se não tem uma fuga para outros cenários, outros universos. A melancolia é uma característica que eu gosto muito, porque, para mim, caminha junto. O humor vem de uma tragédia, e o que a gente está vivendo é uma tragédia. O que muda é o olhar, que transforma a tragédia em uma comédia, mas com essa base trágica. Pelo formato possível, a gente não podia fazer uma coisa muito longa, então são episódios mais curtos. Por isso, eu tive que ir mais direto ao assunto, mais direto na graça. A agilidade que eu estou imaginando é uma solução pra gente.

Quais têm sido os grandes aprendizados para vocês, como artistas e família, diante de tudo isso que a gente está vivendo com a pandemia?
Se tem uma coisa boa que veio com essa pandemia, para mim, foi a união da família. Durante boa parte desse tempo, as crianças ficaram felicíssimas, porque eles nunca têm a oportunidade de estar só com pai e mãe o tempo todo como tem acontecido. Mas tem as dificuldades do momento também: trabalho, as tarefas domésticas, eu com meu filho mais velho longe, a Joana longe dos pais. Acho que isso também fez a gente ficar muito unido, nos ajudando e convivendo harmonicamente. O trabalho vem coroar isso. Estamos vivendo o orgulho de ter feito esse projeto que nos uniu 100%: gravando, cuidando das crianças, arrumando a cama, sendo contrarregra, continuista... Acho que isso é o que há de mais positivo. Além de estar há um tempo sem sofrer com jogo do Vasco, o que não deixa de ser um grande alívio (risos).

O que o público pode esperar de "Diário de Um Confinado"?
O público pode esperar uma crônica de costumes. Não somos uma série de arco de personagem. "Diário de Um Confinado" são crônicas separadas por assuntos e vivências, porque é como a gente está vivendo agora, nessa variedade de sentimentos e acontecimentos. Passamos por muitas fases dentro de um confinamento, né? Eu já vivi muitas coisas nesse período: a frustração pela interrupção de projetos; meu aniversário, o aniversário de todos os meus filhos, já tive momentos de tédio, desesperança, depois esperança, desesperança de novo, um trabalho que começou e que vai acabar. São muitos acontecimentos e aprendizados. Essas crônicas falam de mim, e espero que de todos nós. Está engraçado, está humano. É, realmente, um olhar cômico sobre essa tragédia que estamos vivendo. No texto a gente não fala da doença, apesar de o personagem viver momentos de paranoia. Mas estamos focados nos costumes: um cara lidando com a solidão, com as tarefas domésticas, um cara tentando não enlouquecer. Como eu.



.: Renata Sorrah na live teatral "Em Companhia" neste domingo


A peça se articula a partir da fala pública de uma mulher em sua casa, vivendo a quarentena, em junho de 2020. Foto: Nana Moraes

Dentro de apresentações teatrais das lives #EmCasaComSesc, neste domingo, dia 5, às 21h30, a atriz Renata Sorrah encena "Em Companhia". Junto com o dramaturgo e diretor Marcio Abreu, a atriz constrói uma ação a partir de fragmentos dramatúrgicos das obras junto à companhia brasileira de teatro, coletivo de artistas de várias regiões do país. A peça pode ser assistida no YouTube do Sesc São Paulo youtube.com/sescsp -  e no Instagram do Sesc Ao Vivo - @sescaovivo.  

Na peça com Renata Sorrat, mesclam-se textos das peças "Esta Criança", "Krum" e "Preto", que construíram juntos, e ainda trechos de outras obras que auxiliaram na pesquisa e criação dos trabalhos, além de fragmentos de outras obras de sua trajetória. A peça se articula a partir da fala pública de uma mulher em sua casa, vivendo a quarentena, em junho de 2020. 

Temas como isolamentos, lamentos, obscurantismos, nacionalismos crescentes, belicismos exacerbados, preconceitos e extremismos religiosos estarão em pauta, em uma sequência vertiginosa de momentos de intensidade da atriz. Com texto e direção de Marcio Abreu e colaboração artística de Felipe Soares, Giovana Soar, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria, a peça tem criação e produção assinadas pela companhia brasileira de teatro. 

Sobre a atriz, Renata Sorrah tem mais de 40 anos de carreira, marcados por impactantes e inesquecíveis atuações em espetáculos, filmes e na televisão, que fazem dela, indiscutivelmente, um dos grandes nomes das artes cênicas no Brasil. Para conferir a programação de teatro, basta acessar as páginas youtube.com/sescsp ou o novo endereço do Sesc São Paulo no Instagram criado especialmente para a série Sesc Ao Vivo instagram.com/sescaovivo, às segundas, quartas, sextas e domingos, sempre às 21h30.

.: Casagrande descobre o prazer da sobriedade e passa história a limpo


Em novo livro, escrito ao lado do amigo e jornalista Gilvan Ribeiro, Casão conduz os leitores em uma viagem repleta de emoção, dor, paixão, dúvida, procura, descoberta e redenção.

Depois de expulsar seus demônios e contar sua história de amizade com Sócrates, chegou a hora de Casagrande mergulhar fundo em si mesmo. "Travessia", novo livro de Walter Casagrande Jr lançado pela Globo Livros, pode ser considerado o mais íntimo dos três já lançados pelo ex-jogador, escritos ao lado de Gilvan Ribeiro. Nada foi deixado de fora da trajetória intensa e inquieta do astro dos gramados.

O livro parte do comovente depoimento de Casagrande durante a final da Copa do Mundo de 2018, quando revelou ter passado sóbrio todo o período da competição. Casão mostra como nunca antes o seu lado mais humano, entre recaídas, histórias emocionantes que envolvem amores, música, drogas, espiritualidade, política, entre outros ingredientes, em um papo íntimo e aberto. 

O gigante que antes colocava medo nos adversários dentro de campo expõe seus medos e traumas durante a luta contra a dependência química, além de sua rotina e momentos importantes dos últimos anos. Depoimentos reveladores e inéditos de grandes amigos famosos, como Baby do Brasil, Nasi, Nando Reis, Paulo Miklos e Branco Mello, que acompanharam de perto e tiveram papel fundamental na recuperação do ex-jogador, estão no livro que também traz um caderno de fotos do arquivo pessoal de Casão. 

"Travessia" mostra a trajetória de Casagrande até se livrar das drogas, a ressocialização de História de Amor", em 2016. Amigos desde os anos 1980, a dupla compartilha a paixão por futebol e cultura, em uma parceria de mais de três décadas. Nascido em 15 de abril de 1963, em São Paulo, Casão foi atacante de Corinthians, Caldense, São Paulo, Porto, Ascoli, Torino e Flamengo. Disputou a Copa do Mundo de 1986. Desde 1997, é comentarista da TV Globo. Gilvan nasceu em Bauru, São Paulo, em 1964, e trabalhou como repórter, editor e colunista em veículos como Folha de S.Paulo, Folha da Tarde, Diário Popular, Diário de S.Paulo, Agora e ESPN/Brasil.

Trecho do livro
Apesar da aparência lastimável, Casão não se dava conta da própria situação degradante. Sentia-se capaz de suportar qualquer quantidade da droga. "Eu lembro que minha ex-mulher ficou lá, tentando mostrar pra ele que não podia ser assim: ‘Você não é infalível, tem que se cuidar’, ela dizia. Mas ele falava: ‘Eu sou um leão, eu aguento tudo!’. Ele realmente acreditava nisso, que nada poderia derrubá-lo. Foi muito ruim mesmo ver o cara naquela situação." - Kiko Zambianchi

.: Lula Ribeiro em repertório autoral na live "O Amor É Sempre Assim"


Parcerias com grandes músicos e homenagens a compositores já gravados pelo cantor fazem parte do repertório da live. Foto: Ilana Lansky

Dentro da programação de junho do #EmCasaComSesc, quinta-feira, dia 2 de julho, às 19h, o cantor e compositor sergipano Lula Ribeiro apresenta seu repertório autoral com foco no último disco, "O Amor É Sempre Assim". Parcerias com grandes músicos, como Zeca Baleiro, Vander Lee e Alexandre Nero estarão no repertório, além de homenagens a compositores já gravados pelo cantor, como Luiz Melodia, Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Paulinho Moska. 

O Sesc São Paulo vem promovendo uma série de shows diários com transmissões pelo Instagram @sescaovivo e YouTube do Sesc São Paulo - youtube.com/sescspPensado para ser uma celebração musical junto ao público em casa, o show de Lula Ribeiro traz ainda músicas de discos anteriores, como "Mercê de Você", "Te Amo Aracaju", "Congênito", "Você Não Tava Lá" e "Muito Prazer"

A série Música #EmCasacomSesc também tem sido uma oportunidade para promover o Mesa Brasil, programa que conecta empresas doadoras e instituições sociais para o complemento de refeições de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Criado há 25 anos pelo Sesc São Paulo e hoje em operação em diversos estados do país, a iniciativa está com uma campanha para expandir sua rede de parceiros doadores e ampliar a distribuição de alimentos, produtos de higiene e limpeza em meio à crise causada pelo novo coronavírus. 

Também engajados pela causa, os artistas têm aproveitado as transmissões online para convocar as pessoas, principalmente empresários e gestores, a integrarem a rede de solidariedade. Para saber como ser um doador, basta acessar o site mesabrasil.sescsp.org.br.

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