Obra mescla suspense psicológico e drama familiar, inspirada na figura do pai do autor, e chega às livrarias pela Editora Mondru
Sobre o autor
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A jornada de Frodo, Sam e Gollum pelos Pântanos Mortos é consideravelmente ampliada. A câmera permanece mais tempo sobre os rostos submersos dos mortos da antiga guerra, e os diálogos adicionais entre Sam e Gollum aprofundam a ambiguidade moral da criatura, que passa a oscilar com mais clareza entre a submissão, o ressentimento e a manipulação. O Anel passa a pesar mais, não somente como objeto mágico, mas como instrumento psicológico de corrosão lenta.
Em Rohan, a versão estendida se detém no luto. O funeral de Théodred é mostrado com maior solenidade, permitindo que Théoden, Éowyn e Éomer expressem a dimensão íntima da perda. Há mais silêncio, mais tempo para o olhar vazio do rei e para a revolta contida de Éowyn, cuja dor deixa de ser apenas decorativa e se torna parte central da narrativa. Também se alongam os diálogos que revelam a fragilidade do reino diante da manipulação de Gríma Língua de Cobra.
Um dos acréscimos mais emblemáticos envolve Aragorn. Após o ataque dos wargs, a queda dele do penhasco não é apenas um momento de suspense, mas se transforma em um episódio de introspecção. Ferido, delirante, Aragorn revive sua ligação com Arwen em cenas oníricas que reforçam o conflito entre o amor e o dever. O reencontro com o cavalo Brego, que o resgata da morte, ganha contornos simbólicos mais fortes, sublinhando a ideia de retorno e resistência.
A passagem pela Floresta de Fangorn é substancialmente expandida. O conselho dos ents, o Entebate, é mostrado em toda a sua lentidão ancestral. Os diálogos adicionais evidenciam a recusa inicial dessas criaturas em se envolver na guerra dos homens, tornando sua decisão final - marchar contra Isengard após testemunhar a devastação da floresta - muito mais orgânica e politicamente carregada.
No Abismo de Helm, a preparação para a batalha se alonga. Há mais interações entre soldados, mais despedidas silenciosas, mais sensação de que aquele pode ser o último amanhecer. A presença dos elfos liderados por Haldir ganha maior peso emocional, culminando em sua morte de forma ainda mais dilacerante. A batalha em si não é apenas maior, mas mais exaustiva, com pausas que permitem sentir o cansaço, o medo e a inevitabilidade do confronto.
Em Ithilien e Osgiliath, Faramir assume protagonismo ampliado. Sua resistência ao Anel é construída com mais camadas, reforçando o contraste direto com Boromir. O ataque do Nazgûl em Osgiliath é estendido, transformando a sequência em um momento de tensão quase insuportável, no qual Frodo chega perigosamente perto da rendição absoluta. Sam, por sua vez, ganha falas decisivas que reafirmam seu papel como âncora moral da narrativa.
O ataque dos ents a Isengard também se beneficia da ampliação. A destruição das forjas de Saruman é mais detalhada, mais violenta e mais simbólica, funcionando como catarse ecológica e política. Ao final, o filme se encerra com um tom ainda mais amargo: Frodo, Sam e Gollum seguem adiante, e a versão estendida deixa mais claro que aquela jornada já não admite retorno possível.
Ficha técnica
“O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” | “The Lord of the Rings: The Two Towers”
Gênero: aventura, fantasia épica. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2002. Idioma: inglês. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Stephen Sinclair e Peter Jackson. Elenco: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Cate Blanchett, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Bernard Hill, Christopher Lee, Miranda Otto, David Wenham, Andy Serkis, Sean Bean, Karl Urban, Hugo Weaving, Liv Tyler. Distribuição no Brasil: Warner Bros. Pictures. Duração: cerca de 223 minutos (versão estendida). Cenas pós-créditos: não.
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Cineflix Miramar | Santos
Dia 22 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" | Sala 3 | 18h00
Dia 23 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" | Sala 3 | 18h00
Dia 24 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" | Sala 3 | 18h00
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.
Com alta procura desde a estreia, a exposição imersiva “Astro” amplia seus dias e horários de funcionamento em São Paulo. Em cartaz no Visualfarm Gymnasium, o primeiro laboratório permanente de artes imersivas da América Latina, a mostra passa a receber o público de quinta a domingo, oferecendo mais opções para quem busca um programa cultural que une ciência, arte, tecnologia e imaginação.
Instalada em um galpão de mais de 2.000 metros quadrados, “Astro” propõe uma verdadeira viagem pelo universo da astronomia, conectando passado, presente e futuro da exploração espacial. A experiência combina imagens autênticas captadas por missões espaciais, ambientes cenográficos monumentais, projeções em 360 graus, vídeo mapping, realidade virtual, instalações sonoras polifônicas e um planetário digital de última geração.
Logo na chegada, o visitante é convidado a atravessar um tobogã cenográfico que funciona como um portal simbólico para o cosmos. A partir daí, percorre salas que abordam desde os primeiros telescópios e a observação do céu na Antiguidade até os grandes desafios da ciência contemporânea, como a formação das galáxias, a energia escura, a matéria subatômica e a busca por vida fora da Terra. Tudo é apresentado em linguagem sensorial e acessível, despertando curiosidade em crianças, jovens e adultos.
Com curadoria científica do astrônomo João Fonseca e direção artística de Alexis Anastasiou, fundador da Visualfarm, a exposição traduz conceitos complexos em experiências visuais e imersivas, aproximando o público da ciência de forma intuitiva e envolvente. Um dos destaques é a área em que o visitante pode se transformar simbolicamente em astronauta, tornando-se protagonista da narrativa espacial.
Além de dialogar com grandes agências internacionais de pesquisa espacial, “Astro” também valoriza o olhar brasileiro sobre a ciência e a exploração do universo, reforçando o papel da imaginação, da educação e da tecnologia como ferramentas de pertencimento e futuro.
“A resposta do público mostrou que existe uma grande demanda por experiências culturais que unem conhecimento e encantamento. A ampliação dos horários é uma forma de permitir que mais pessoas vivam essa jornada pelo cosmos”, destaca Alexis Anastasiou.
Serviço
Exposição imersiva "Astro"
Visualfarm Gymnasium | Praça Olavo Bilac, 38 / São Paulo
Próximo a Avenida Angélica e estação metrô Mal. Deodoro
Quintas e sextas-feiras, das 11h00 às 19h00; sábados, das 10h00 às 20h00; e domingos, das 10h00 às 18h00.
Acessível para pessoas com mobilidade reduzida
Ingressos a partir de R$ 25,00 à venda na bilheteria do local ou em www.ticketmaster.com.br/
Entrada gratuita para crianças até 6 anos. Meia-entrada para estudantes.
Vendas para grupos.
Nesta quinta-feira, dia 22 de janeiro, estreia de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” na Rede Cineflix e cinemas de todo o Brasil, agora em versão estendida, recoloca na tela grande não apenas um fenômeno pop, mas um marco definitivo da história do cinema contemporâneo. Dirigido por Peter Jackson, transformou um projeto considerado “infilmável” em um acontecimento que alterou a relação entre literatura, cinema de gênero e grande público, o filme que inaugurou a trilogia baseada na obra de J.R.R. Tolkien volta ao circuito exibidor como celebração dos 25 anos do lançamento original, reafirmando o impacto estético, narrativo e industrial de uma produção que redefiniu o cinema épico no início do século XXI.
Lançado originalmente em 2001, no Brasil em 2002 por conta de "Xuxa e os Duendes", leia esta história aqui, o longa-metragem apresenta a Terra-média a partir da jornada de Frodo Bolseiro (Elijah Wood), um hobbit encarregado de destruir o anel - artefato forjado pelo Senhor do Escuro, Sauron, e capaz de subjugar todos os povos livres. Ao redor dessa missão, Peter Jackson constrói um épico de fôlego clássico, sustentado por um elenco coral que inclui Ian McKellen como o mago Gandalf, Viggo Mortensen no papel de Aragorn, Liv Tyler como Arwen, Cate Blanchett como Galadriel e Sean Astin como o inesquecível Samwise Gamgee. O roteiro, assinado por Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, opta por condensações e ajustes narrativos em relação ao romance original, mas preserva o eixo moral da obra: a tensão entre poder, responsabilidade e sacrifício.
A nova exibição ganha peso adicional por apresentar a versão estendida, lançada originalmente em home video e hoje tratada por muitos fãs como a forma “definitiva” do filme. Em termos objetivos, a diferença é clara: enquanto a versão exibida nos cinemas em 2001 tem 178 minutos, a edição estendida chega a aproximadamente 208 minutos, com cerca de 30 minutos adicionais. As cenas incluídas aprofundam personagens, relações e o próprio funcionamento da Terra-média.
Entre os acréscimos mais relevantes estão momentos mais longos no Condado, que reforçam o contraste entre a vida simples dos hobbits e a ameaça que se aproxima; a chamada “Conspiração do Anel”, em que Merry, Pippin e Sam revelam já saber da missão de Frodo, dando mais densidade à amizade entre eles; trechos ampliados do Conselho de Elrond, que tornam mais claros os impasses políticos entre elfos, homens e anões; além de passagens adicionais em Lothlórien, com destaque para a origem e o valor simbólico do lembas e para os presentes oferecidos por Galadriel à Sociedade. Há ainda pequenos, mas significativos, ajustes de ritmo e continuidade que tornam a narrativa mais coesa e emocionalmente envolvente.
Filmado majoritariamente na Nova Zelândia, com fotografia de Andrew Lesnie e trilha sonora de Howard Shore - vencedora do Oscar -, o filme consolidou um novo padrão técnico para o cinema fantástico, especialmente no uso integrado de efeitos visuais, cenografia real e paisagens naturais. O impacto foi imediato: mais de 887 milhões de dólares em bilheteria mundial, quatro estatuetas do Oscar e um lugar garantido na memória afetiva de diferentes gerações de espectadores. Em 2021, o reconhecimento institucional veio com a inclusão do longa no Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que o classificou como cultural, histórica e esteticamente significativo.
Logo no início, o Condado ganha mais tempo. Há cenas adicionais que mostram Bilbo lidando com a passagem do tempo após deixar Frodo com a herança do Anel, incluindo conversas mais longas sobre seus escritos e seu cansaço existencial. Gandalf também permanece mais tempo entre os hobbits, reforçando sua desconfiança crescente em relação ao objeto deixado por Bilbo e a tranquilidade apenas aparente daquele mundo rural que está prestes a ser abalado.
A partida de Frodo do Condado é ampliada por uma sequência crucial conhecida entre os fãs como a “Conspiração do Anel”. Nela, Sam, Merry e Pippin revelam que sempre souberam da missão de Frodo e que o seguem por escolha. Esse momento transforma a amizade entre eles em um pacto consciente, diminuindo o tom acidental da jornada e reforçando a ideia de lealdade como força motriz da história.
No caminho até Bri, os Nazgûl são apresentados de forma mais ameaçadora, com perseguições estendidas que intensificam a sensação de cerco. Em Bri, há cenas adicionais dentro da estalagem do Pônei Saltitante que aprofundam a tensão entre Aragorn e os hobbits, além de pequenos gestos que constroem a confiança gradual entre eles. Aragorn, aliás, ganha mais tempo de tela introspectivo, sugerindo desde cedo o peso de sua herança e sua relutância em aceitá-la.
Em Valfenda, a versão estendida desacelera o ritmo para expandir o Conselho de Elrond. Há diálogos adicionais que explicitam os ressentimentos históricos entre elfos e anões, bem como a desconfiança em relação aos homens. Boromir surge menos como antagonista impulsivo e mais como alguém esmagado pela responsabilidade de defender Gondor. A decisão de Frodo de aceitar a missão, nesse contexto ampliado, soa ainda mais desesperada - e, paradoxalmente, mais corajosa.
A travessia da montanha Caradhras também é estendida, com discussões internas da Sociedade que evidenciam o desgaste físico e emocional do grupo antes mesmo de chegarem às Minas de Moria. Já em Moria, além de pequenos acréscimos de exploração do espaço, há um momento mais longo de luto após a queda de Gandalf, permitindo que o impacto da perda seja sentido coletivamente, e não apenas como choque narrativo.
Lothlórien talvez seja o trecho mais enriquecido pela edição estendida. Galadriel e Celeborn têm diálogos adicionais que esclarecem o papel político e espiritual daquele reino élfico. Frodo e Galadriel compartilham mais tempo juntos, aprofundando a dimensão profética do encontro entre ambos. É também nesse trecho que surgem explicações mais claras sobre o lembas, o pão élfico, e sobre os presentes dados a cada membro da Sociedade - elementos que terão consequências diretas nos filmes seguintes.
Durante a jornada pelo rio Anduin, há cenas que reforçam a tensão crescente em torno de Boromir e sua obsessão pelo Anel. Seu conflito interno deixa de ser abrupto e passa a ser construído em pequenos gestos e olhares, preparando melhor o terreno para sua queda moral. Em Parth Galen, o confronto entre Boromir e Frodo ganha nuances adicionais de culpa, desespero e arrependimento.
O desfecho da versão estendida se alonga levemente para mostrar as consequências imediatas da dissolução da Sociedade. A decisão de Frodo de seguir sozinho é cercada de mais silêncio e hesitação, enquanto a escolha de Sam de acompanhá-lo assume contornos ainda mais emocionais. Paralelamente, Aragorn, Legolas e Gimli discutem com mais clareza o novo rumo que devem tomar, reforçando a sensação de que aquela não é uma pausa entre filmes, mas o fim definitivo de um primeiro capítulo.
Ficha técnica
“O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” | “The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring” (título original) | “O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel” (título em Portugal)
Gênero: fantasia épica, aventura. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2001. Idioma: inglês. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, baseado na obra de J.R.R. Tolkien. Elenco: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Liv Tyler, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Sean Bean, Hugo Weaving, Ian Holm, Christopher Lee, entre outros. Distribuição no Brasil: Warner Bros. Pictures / New Line Cinema. Duração: aproximadamente 208 minutos (versão estendida). Cenas pós-créditos: não.
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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix Cinemas. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN. O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.
Cineflix Miramar | Santos
Dia 22 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" | Sala 3 | 18h00
Dia 23 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" | Sala 3 | 18h00
Dia 24 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" | Sala 3 | 18h00
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com
Em janeiro de 2026
"O Diário de Pilar na Amazônia", que surgiu para o púbico, há 25 anos, por meio de um livro escrito por Flávia Lins e Silva, anos depois chegou os palcos de teatro, está em cartaz nos cinemas com uma história de conscientização para a preservação da natureza. O longa de aventura e fantasia que agrada a todos da família, encanta o público de idades diferentes nas salas de cinemas Cineflix.
A produção começa com a trama da garota Pilar (Nina Flor) recebendo de seu avô Pedro (Roberto Bomtempo) uma rede amarela que é mágica. Logo depois, a menina fica indignada com a derrubada de uma árvore próxima a casa dela e resolve protestar. Contudo, após receber alguns sinais do item mágico, incluindo um gato, a menina e o amigo Breno (Miguel Soares) são embalados na rede a ponto de chegar na Amazônia.
Lá, esbarram em Maiara (Sophia Ataíde) que está perdida dos pais, após ter seu povoado destruído por criminosos ambientais. No caminho de promover o reencontro da garota com os pais, entra em cena Bira (Thúlio Naab). Com o quarteto formado e unido para enfrentar a missão de impedir a derrubada de mais árvores, na telona, os vilões caricatos de Emílio Dantas como Serra, Marcelo Adnet como Dr. Ernesto, Rafael Saraiva como Zé Minhoca e Babu Santana como Montanha acrescentam deboche com um toque de medo. É nítido o quanto a escalação do elenco foi certeira.
Nessa jornada, lendas brasileiras tornam a trama ainda mais rica, como por exemplo, a do Curupira, mesclando de modo agradável e envolvente a fantasia, sem deixar de acrescentar a educação ambiental e a identidade cultural. Ao longo de 1 hora e 30 minutos, a trama é desenvolvida sem subestimar a inteligência do público jovem, uma vez que o elenco mirim dá conta do recado, entregando com muita naturalidade a interpretação dos amigos que amam a natureza.
O ritmo envolvente e fotografia impecável de "O Diário de Pilar na Amazônia", tornam o filme com direção de Duda Vaisman ("No Corre: Partiu Entrega") e Rodrigo Van Der Put ("Dois é Demais em Orlando"), uma produção cinematográfica brasileira de qualidade, desde a trama, incluindo todo o elenco, do mirim ao adulto, locações detalhadas e reviravoltas convincentes. Em certos momentos remete ao filme do mesmo gênero e também lindo "Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa".
De roteiro assinado por João Costa Van Hombeeck em parceria com a autora Flávia Lins e Silva, "O Diário de Pilar na Amazônia" dá vida à própria Amazônia que sofre ameaça severa, tendo ainda no elenco a atriz Nanda Costa, na pele da mãe de Pilar, uma jornalista, além de Rocco Pitanga, namorado da mãe da garota e Roberto Bomtempo, como o avô Pedro.
Produzido pela Conspiração, com coprodução e distribuição da The Walt Disney Company no Brasil, o filme é um infantil que transita pela responsabilidade social, ética e a informação sobre a realidade do nosso clima ambiental reforçando a necessidade de preservação do que ainda nos resta da natureza. Vale a pena conferir e em família!
* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm
Ficha técnica
“O Diário de Pilar na Amazônia” (título original)
Gênero: aventura, drama, família. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: português. Direção: Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Roteiro: João Costa Van Hombeeck e Flávia Lins e Silva. Elenco: Lina Flor, Miguel Soares, Sophia Ataíde, Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Babu Santana, Nanda Costa, Roberto Bomtempo. Distribuição no Brasil: The Walt Disney Company Brasil. Duração: 90 minutos. Cenas pós-créditos: não.
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Poucos espetáculos fazem tanto sentido quanto "Dois de Nós", em cartaz até dia 17 de maio, de sexta-feira a domingo, no Teatro Tuca. E não é pelo encontro histórico entre Christiane Torloni e Antonio Fagundes que a dramaturgia que promove - isso, por si só, já seria pouco diante da grandeza dos intérpretes dos protagonistas da novela "A Viagem"-, mas porque o espetáculo decide não tratar esse reencontro na arte como evento e, sim, como matéria viva.
Ao acompanhar o mesmo casal em diferentes fases da vida, confinado em um quarto de hotel, entre confissões atravessadas pelo tempo, pequenas crueldades e humor que nasce da ousadia de rir de si mesmo, a peça percorre uma vida inteira sem precisar sublinhar passagens. Tudo acontece no detalhe, no que escapa, no que se diz quase por acaso, como costuma ser quando o passado resolve pedir a pedra para atirar, quem sabe, para um acerto de contas definitivo.
Christiane Torloni surge em estado de graça. Há uma linha tênue entre a atriz e a personagem, e não no sentido confortável da identificação, mas naquele ponto em que a biografia chega a virar tensão dramática. Quando ela afirma, no texto do espetáculo, que a tragédia credencia para a vida, não soa como diálogo decorado. Ali está alguém que já atravessou o incêndio e voltou sem pressa para o lugar que a pertence. Torloni domina o espaço com uma elegância que impõe silêncio e contemplação. Da comédia ao drama no ritmo das nuances da personagem, ela é magnética sem recorrer a truques, intensa sem excessos, e faz do palco um lugar onde o tempo parece obedecer apenas a ela.
Antonio Fagundes opta por outro caminho igualmente eficaz. O personagem dele carrega o cansaço de quem andou demais e ainda assim não perdeu o gosto pela conversa. Há charme, claro, mas há sobretudo uma escuta refinada em cena. Fagundes constrói um homem em suspensão, errante sem ser perdido, e conduz o público a uma catarse que não vem do grito, mas do reconhecimento. O riso, às vezes, aparece quase como defesa, até deixar de ser.
Thiago Fragoso e Alexandra Martins aparecem como forças próprias. Fragoso injeta intensidade e urgência no mesmo homem que Fagundes sustenta com contenção - o encontro das duas camadas é um dos achados mais inteligentes do espetáculo. Um complementa o outro em lados antagônicos. Alexandra, por sua vez, evita qualquer sombra de imitação. A personagem que divide com Torloni, na versão dela, tem outra temperatura, outra pulsação, e isso enriquece o jogo cênico em vez de simplificá-lo. O resultado é um mosaico que não se fecha em nostalgia, mas se expande em complexidade.
O texto de Gustavo Pinheiro confirma uma maturidade que já se espera dele. Depois de "A Lista", ele aprofunda o gesto de mergulhar na alma humana e paralisar o espectador. As situações se encadeiam com humor afiado, mas há no texto dele uma escrita que provoca sem alarde, que cutuca sem destacar o óbvio, e que deixa o público com aquela sensação incômoda e preciosa de ter sido arrebatado por algo que continua depois da última fala.
Sob a direção precisa de José Possi Neto, "Dois de Nós" evita o risco do conforto que poderia rondar um elenco tão consagrado. Nada é automático nesse espetáculo e tudo funciona muito bem. O palco é espaço de risco, de escuta, de confronto íntimo. Isso faz com que o espetáculo não termine quando as luzes se apagam. O público sai diferente porque sai melhor. "Dois de Nós" é teatro para a vida. Ensina a rir de si mesmo, a encarar as próprias tragédias sem solenidade, a entender que crescer não significa endurecer. Em tempos de espetáculos apressados em agradar, esse prefere ficar na memória.
Ficha técnica
Espetáculo "Dois de Nós"
Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: José Possi Neto
Assistente de direção: Antonio Fagundes
Elenco: Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins
Figurinos e cenários: Fábio Namatame
Desenho de luz: Wagner Freire
Desenho de som: Labsom
Música original: André Abujamra
Produção: Antonio Fagundes
Produção executiva: Gustavo de Souza e Alexandra Martins
Assistente de produção: Vanessa Campos
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany
Serviço
Espetáculo "Dois de Nós"
Teatro Tuca - Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes / SP
Telefone: (11) 3670-8455
Horários: quintas e sextas-feiras, às 21h00, sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00. Ingressos: R$ 200,00 e R$ 100,00 (meia). Vendas: www.sympla.com.br ou na bilheteria do teatro de terça-feira a sábado, das 14h00 às 20h00, e domingos, das 14h00 às 18h00, Capacidade: 672 espectadores. Acessibilidade: sim. Duração: 90 minutos. Gênero: comédia. Classificação: 12 anos. Temporada: até 17 de maio . Redes Sociais: @doisdenosteatro / @fafacultural