sábado, 21 de março de 2026

.: Filme “Uma Segunda Chance” aposta no perdão e desafia a rever julgamentos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

A adaptação de um fenômeno editorial costuma carregar um peso duplo: o da expectativa dos leitores e o da necessidade de traduzir em imagens aquilo que, no papel, já nasceu íntimo. É sob esse risco que estreia “Uma Segunda Chance”, versão cinematográfica do best-seller de Colleen Hoover, que está em cartaz na Rede Cineflix e nos cinemas brasileiros cercado por uma campanha que aposta na emoção como força motriz e, sobretudo, como promessa.

Dirigido por Vanessa Caswill, o longa adapta “Reminders of Him”, romance que consolidou Hoover como um dos nomes mais populares da literatura contemporânea. O roteiro é assinado pela própria autora em parceria com Lauren Levine, movimento que revela uma tentativa clara de preservar a essência do material original. Não por acaso, o filme se ancora em temas caros ao público da escritora: culpa, luto, maternidade e a difícil arquitetura do perdão.

Na trama, acompanhamos Kenna Rowan, interpretada por Maika Monroe, uma mulher que retorna à cidade natal após anos na prisão, carregando o peso de um erro irreversível. O reencontro com o passado não oferece redenção imediata: sua filha, Diem, cresce sob os cuidados dos avós, que resistem à reaproximação. É nesse terreno hostil que surge Ledger, vivido por Tyriq Withers, ex-jogador da NFL e dono de um bar, cuja empatia rompe a lógica do julgamento coletivo e abre espaço para um vínculo que oscila entre o afeto e o risco.

O elenco amplia a densidade dramática com nomes como Lauren Graham, Bradley Whitford e Rudy Pankow, além da cantora Lainey Wilson, cuja presença indica uma tentativa de dialogar com diferentes públicos. Nos bastidores divulgados pela Universal Pictures, chama atenção a ênfase na construção de química entre os protagonistas um elemento decisivo para sustentar a narrativa, que depende menos de reviravoltas e mais da intensidade emocional.

Outro dado relevante é a formação de uma equipe criativa majoritariamente feminina, o que se reflete na condução do olhar sobre a protagonista. Longe de romantizar o erro, o filme parece interessado em tensionar o julgamento social e explorar as zonas cinzentas entre culpa e possibilidade de recomeço - um caminho já apontado por críticas especializadas ao romance original, como as publicadas por veículos tradicionais como Kirkus Reviews e Publishers Weekly, que destacaram a complexidade emocional da obra.

Produzido pelas companhias Heartbones Entertainment e Little Engine, “Uma Segunda Chance” se insere no movimento recente de adaptações de romances contemporâneos voltados ao grande público, seguindo a trilha de outros sucessos de Hoover. A aposta é clara: transformar dor em narrativa compartilhável e, mais do que isso, em experiência coletiva de catarse. Resta saber se, diante das expectativas infladas por milhões de leitores, o filme conseguirá fazer o mais difícil: convencer que algumas histórias, mesmo marcadas por erros irreparáveis, ainda merecem ser contadas outra vez.

Ficha técnica:
“Uma Segunda Chance” | “Reminders of Him” (título original)
Gênero: drama / romance
Duração: 1h54
Classificação indicativa: 16 anos
Ano de produção: 2026
Idioma: inglês
Direção: Vanessa Caswill
Roteiro: Colleen Hoover e Lauren Levine
Elenco: Maika Monroe, Tyriq Withers, Lauren Graham, Bradley Whitford, Rudy Pankow, Lainey Wilson, Zoe Kosovic
Distribuição no Brasil: Universal Pictures
Cenas pós-créditos: não 

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

"Uma Segunda Chance" no Cineflix Miramar | Santos | Sala 4
De 19 da 25 de março | Sessões no idioma original | 15h30, 18h00 e 20h30 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. 
Ingressos neste link

.: Nacional, “O Velho Fusca” usa carro abandonado para reconstruir vínculos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

“O Velho Fusca” está em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, apostando em uma narrativa que combina humor, afeto e conflitos geracionais para dialogar com o público. Dirigido por Emiliano Ruschel e com roteiro de Bill Labonia, o longa-metragem chega ao circuito nacional com distribuição da A2 Filmes e produção da Ruschel Studios, consolidando mais um capítulo da parceria entre o diretor e produtores que já atuaram juntos em títulos como “Hidden Memories” e “Secrets”.

Ambientado no Rio de Janeiro, o filme acompanha o embate entre gerações a partir da relação entre um avô endurecido pela vida e um neto em busca de identidade. Interpretado por Tonico Pereira, o avô carrega traumas de uma juventude marcada pela guerra e sustenta uma visão crítica sobre o mundo contemporâneo. Do outro lado, o jovem Junior, vivido por Caio Manhente, tenta compreender esse passado enquanto projeta o próprio futuro. O elo entre eles surge de forma simbólica: um fusca abandonado na garagem, que se transforma em projeto de restauração e, ao mesmo tempo, em tentativa de reconstrução afetiva.

A narrativa se expande com a presença de um elenco que reúne nomes como Cleo Pires e Danton Mello, que voltam a contracenar após quase duas décadas, agora como os pais do protagonista. Também integram o filme Giovanna Chaves, Christian Malheiros, Isaías Silva, Yuri Marçal, Rodrigo Ternevoy, Leandro Lucca e Priscila Vaz. O conjunto de personagens contribui para ampliar os conflitos familiares e reforçar o tom de comédia dramática que estrutura o longa.

Um dos destaques da produção está na construção do ambiente carioca, que ultrapassa o papel de cenário para assumir função narrativa. Locações como a Urca ajudam a compor uma atmosfera solar e afetiva, enquanto a trilha sonora reforça a identidade cultural do filme ao reunir vozes como Jorge Aragão, Teresa Cristina, Diogo Nogueira, Xande de Pilares e Péricles, além de Jorge Vercillo e do rapper PK, criando um equilíbrio entre tradição e contemporaneidade. Conhecido por sua atuação em produções internacionais e por transitar entre o cinema brasileiro e o mercado norte-americano, Emiliano Ruschel imprime ao filme um olhar voltado ao entretenimento popular, sem abrir mão de temas como memória, trauma e reconciliação. 

Ficha técnica
“O Velho Fusca” (título original)
Gênero: comédia, família.
Duração: 97 minutos.
Classificação indicativa: 12 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: português.
Direção: Emiliano Ruschel.
Roteiro: Bill Labonia.
Elenco: Caio Manhente, Tonico Pereira, Cleo Pires, Danton Mello, Giovanna Chaves, Isaías Silva, Christian Malheiros, Yuri Marçal, Rodrigo Ternevoy, Leandro Lucca, Priscila Vaz, Emiliano Ruschel.
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não. 

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"O Velho Fusca" no Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
De 19 da 25 de março | Sessões no idioma original | 14h10, 16h20 e 18h30 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo
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.: "Devorador de Estrelas": Ryan Gosling enfrenta o fim do sol e redefine herói


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

A adaptação cinematográfica de "Devorador de Estrelas" chega à Rede Cineflix e aos cinemas de todo o Brasil impulsionada por uma combinação que a indústria aprendeu a reconhecer como aposta segura: ciência de alto conceito, protagonista carismático e uma narrativa que equilibra tensão existencial e humor. Baseado no best-seller de Andy Weir, o mesmo escritor de "Perdido em Marte", o filme transforma em imagens a jornada improvável de um professor do ensino fundamental lançado ao espaço profundo para salvar a humanidade.

Na trama, Ryland Grace, interpretado por Ryan Gosling, desperta sozinho em uma espaçonave, sem memória e cercado por cadáveres. Aos poucos, as lembranças retornam e revelam uma missão desesperada: investigar por que o Sol está morrendo e impedir a extinção da vida na Terra. O roteiro, assinado por Drew Goddard, preserva a estrutura fragmentada do romance original, alternando o presente claustrofóbico da nave com flashbacks que reconstroem o Projeto Fim do Mundo. A direção fica a cargo da dupla Phil Lord e Christopher Miller, conhecida por imprimir ritmo ágil e inventividade visual a narrativas complexas.

A produção mantém o compromisso com a ciência que consagrou o livro de Weir, incorporando conceitos de astrofísica e biologia interestelar sem abrir mão da acessibilidade - uma marca que críticos de veículos como The New York Times e The Guardian já destacavam na obra literária. Há também uma dimensão emocional que amplia o alcance do filme: o isolamento extremo de Ryland é atravessado por uma inesperada relação de amizade, elemento que desloca a narrativa do puro suspense científico para um território mais humano e sensível.

Curiosamente, o projeto ganhou força em Hollywood antes mesmo da publicação do livro, em um movimento semelhante ao que ocorreu com "Perdido em Marte". O envolvimento de Gosling como produtor, além de protagonista, reforça o caráter de aposta pessoal no material. Outro ponto que chama atenção é o desafio técnico de representar em tela uma comunicação não humana, aspecto central da história e tratado como um dos grandes trunfos do filme. Sem abrir mão do espetáculo visual, "Devorador de Estrelas" investe na inteligência do público, apostando que equações, hipóteses científicas e dilemas éticos podem coexistir com emoção e suspense. 

Ficha técnica
“Devorador de Estrelas” | “Project Hail Mary” (título original)

Gênero: Ficção científica, suspense
Duração: aproximadamente 140 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ano de produção: 2026
Idioma: inglês
Direção: Phil Lord e Christopher Miller
Roteiro: Drew Goddard
Elenco: Ryan Gosling
Distribuição no Brasil: Sony Pictures
Cenas pós-créditos: não

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"Devoradores de Estrelas" no Cineflix Miramar | Santos | Sala 3
De 19 da 25 de março | Sessões no idioma original | 14h00, 17h10 e 20h20 
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.: Com "Narciso", Jeferson De ressignifica mito e expõe feridas contemporâneas


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

O cinema brasileiro contemporâneo volta a tensionar mito e realidade com a estreia de “Narciso”, novo longa-metragem dirigido por Jeferson De, que está em cartaz na Rede Cineflix e nos cinemas brasileiros. Conhecido por obras como "Bróder" e "M8 - Quando a Morte Socorre a Vida", o diretor retoma um tema que já havia explorado no curta “Narciso Rap”, de 2004, agora ampliado em escala e ambição estética. O resultado é um filme que combina realismo fantástico e drama social para discutir identidade, pertencimento e as fraturas que atravessam a infância negra no Brasil.

Inspirado no mito clássico de Narciso - aquele que se apaixona pela própria imagem refletida -, o longa-metragem subverte a matriz original para deslocar o conflito do campo da vaidade para o da invisibilidade. Aqui, Narciso é um menino negro, órfão, que enfrenta a rejeição ao ser devolvido por uma família adotiva às vésperas do aniversário. Interpretado por Arthur Ferreira, o protagonista encontra na fantasia um possível refúgio: uma bola de basquete “mágica” promete realizar seu maior desejo. A partir desse dispositivo narrativo, o filme constrói uma travessia simbólica entre dois mundos: o da escassez afetiva e o da abundância ilusória.

O roteiro, assinado por Jeferson De em parceria com Cristiane Arenas, articula essa jornada com uma condição dramática central: o protagonista não pode ver o próprio reflexo, sob pena de perder tudo o que conquistou. A premissa ecoa tanto o mito quanto referências pictóricas, como a obra do pintor Caravaggio, cuja estética de luz e sombra dialoga com o contraste entre desejo e identidade que o filme propõe.

No elenco, além de Arthur Ferreira, destacam-se Bukassa Kabengele e Ju Colombo, que interpretam os responsáveis pelo lar temporário onde Narciso vive, compondo figuras de cuidado atravessadas por limites concretos. O filme ainda reúne nomes como Faiska Alves, Diego Francisco e Fernanda Nobre, além de participações especiais de Seu Jorge, Juliana Alves e Marcelo Serrado. A presença de Seu Jorge como o gênio que concede o desejo ao menino reforça a dimensão alegórica da narrativa, sem abrir mão de uma ancoragem emocional.

Antes de chegar ao circuito comercial, “Narciso” percorreu festivais internacionais, passando pelo Vancouver Black Independent Film Festival e pelo Montreal Independent Film Festival, onde recebeu menção honrosa. O filme também integra a seleção oficial do Pan African Film Festival, ampliando sua circulação em circuitos voltados à produção negra global.

Produzido pela Buda Filmes e distribuído pela Elo Studios, o filme reafirma a trajetória de Jeferson De como um dos principais articuladores de um cinema afro-brasileiro comprometido com representatividade e linguagem. Idealizador do manifesto Dogma Feijoada, o diretor mantém, aqui, sua preocupação em tensionar quem conta as histórias e de que lugar elas são contadas.


Ficha técnica
“Narciso”(título original)
Gênero: drama / fantasia
Duração: 1h30
Classificação indicativa: 12 anos
Ano de produção: 2026
Idioma: português
Direção: Jeferson De
Roteiro: Jeferson De e Cristiane Arenas
Elenco: Arthur Ferreira, Bukassa Kabengele, Ju Colombo, Faiska Alves, Diego Francisco, Fernanda Nobre, com participações de Seu Jorge, Juliana Alves e Marcelo Serrado
Distribuição no Brasil: Elo Studios
Cenas pós-créditos: não 

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"Narciso" no Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 19 da 25 de março | Sessões no idioma original | 19h00 e 21h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo
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sexta-feira, 20 de março de 2026

.: Crítica musical: Rush em "2112" há 50 anos, a redenção da banda


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Há 50 anos, o trio canadense Rush vivia um dilema. Pressionados pela fraca vendagem dos segundo e terceiro álbuns ("Fly By Night" e "Caress of Steel"), os músicos Geddy Lee (baixo e vocal), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) receberam um ultimato dos executivos de sua gravadora na época: ou produziam um álbum com potencial radiofônico ou então seria o  fim da linha para eles. Foi exatamente nesse panorama que eles lançaram o álbum "2112", que se tornou o segundo mais vendido de toda a carreira do grupo.

Nesse processo foi importante o papel do empresário Ray Danniels, que convenceu os executivos a aguardarem o lançamento de mais um disco da banda antes de tomarem uma medida mais drástica. E o Rush conseguiu vencer o desafio da forma mais improvável. A faixa que abre o disco tem simplesmente 20 minutos, divididos em sete partes que ocupavam todo o lado A do disco. O enredo idealizado por Neil Peart foi inspirado em um livro da escritora Ayn Rand, intitulado A Nascente; Essa faixa mostra todo o potencial da banda para compor peças conceituais, narrando uma aventura futurista de um personagem que se vê sem condições de exercer sua individualidade e criatividade em um universo opressor.

O lado B abre com "A Passage to Bangkok", que se tornou um clássico do repertório da banda bastante executado nos shows ao vivo. E segue com "Twllight Zone" composta em homenagem a série famosa de TV americana homônima, que no Brasil se chamava Além da Imaginação. A faixa seguinte ("Lessons") foi composta por Lifeson enquanto que a bela balada "Tears" foi feita por Geddy Lee. O disco se encerra com "Something For Nothing", composta com letra de Peart e arranjada bem ao estilo que consagrou o Rush.

O álbum "2112" é apontado como um ponto de virada na carreira do grupo, que  passaria não só a contar com o apoio da gravadora como também se apresentariam em locais com maior capacidade de público nos anos seguintes.

"2112"

"A Passage to Bangkok"

"Something for Nothing"

.: “Falso Antigo”: Mario Adnet e Chico Adnet lançam álbum de inéditas


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Chegou nas plataformas o álbum “Falso Antigo”, projeto de composições inéditas, fruto da parceria dos irmãos Mario Adnet e Chico Adnet.  As nove faixas fazem uma ode bem humorada e afetiva ao passado da música popular brasileira, com canções inéditas que soam como se sempre tivessem existido. Entre invenção e homenagem, as músicas têm arranjos que recriam a estética da era do rádio com um toque de contemporaneidade.

O projeto conta com convidados especiais. Tem Roberta Sá em "Falso Baiano" e Mônica Salmaso no choro "Acende o Lampião".  Mosquito canta em "Samba Réquiem"; Pedro Miranda em "Fake Falso" e "Fred Astaire do Samba", e Pedro Paulo Malta em "Santinha". E tem ainda uma gravação da Jards Macalé em um dueto com Marcelo Adnet no samba de breque ‘De Aniceto ao Acetato’.

Em tons de crônica e ironia, as criações da dupla contam histórias. No samba de breque “De Aniceto ao Acetato”, os convidados Marcelo Adnet e Jards Macalé ecoam o último malandro Moreira da Silva: “O rei da voz é meu cliente...”, falando na compra e venda de canções, praticada entre compositores pobres e cantores cada vez mais conhecidos pelas ondas do rádio nascente, e, logo, pela indústria fonográfica.

O álbum conta também com participações de Ana Rabello (cavaquinho), Jorge Helder (baixo acústico), Marcelo Martins (sax), Everson Moraes (trombone, bombardino e oficleide) e Aquiles Moraes (trompete), além de Marcos Nimrichter (acordeon), Edu Neves (flautas e sax), Rogério Caetano (violão de 7 cordas) e Marcus Thadeu (percussão).

"Falso Baiano"

"Astronauta no Asfalto"

"Samba Réquiem"

.: Manual Crônico: Palavras, sem o Brasil o português não seria tão belo


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", a ser publicado pela Editora Patuá.

Que a Língua nos prega peças sabemos desde muito cedo. Eu, por exemplo, tropeço até hoje na palavra “exigência”. É um trava-língua dos diabos! Sempre me atravanca o caminho. No dia da criação das palavras, foi de uma leviandade pachorrenta colocar um “x” – com som de “z”, há de se frisar – ao lado de um “g”. Maldades da fonética. A minha hábil língua, nessa hora, bamboleia dentro da boca ao tentar modular o famigerado vocábulo; por fim, sibila em notas parecidas, samba, sapateia e enuncia qualquer coisa que seja próxima à pronúncia que se espera.

Se a criação das palavras também é obra de Deus, certamente sete dias não foram suficientes, e talvez por isso o Gênesis não esteja tão certo assim. Sabendo que o criador é alguém bastante ocupado, deve ter relegado à sua milícia tal tarefa. Estes, querendo um título a mais, deram-se o nome de lexicógrafos; ou dicionaristas, ainda que esse livro não existisse; pode ser que tenham desejado o nome de gramáticos, pois previam os ecos que a erudição da língua lhes traria. De todo modo, as palavras estão aí, belas e várias, para serem faladas, usadas e abusadas, ainda que não tão bem pronunciadas.

Vejamos.

Meu pai, por exemplo, gostava de lançar suas sentenças em alta velocidade. Suas falas pareciam jaculatórias apressadas de senhorinhas que rezam o Terço, embora ele tivesse um pouco de ojeriza dessa tão salutar devoção. “Repete coisa demais”, dizia. Não discordo. Inclusive, a Ave Maria sempre se torna mais graciosa quando se reza “bendita suas voz entre as mulheres”. Assim, a prece deve chegar mais perto dos céus, e quase me resgata a fé.

A Helena, por sua vez, durante o seu período de aprendizagem da fala, brindava o mundo com inúmeros neologismos. Costumava fiscalizar as “bernugas” que eu vestia para ir à padaria. Hoje, ela já está crescida, com seus quase dez anos, e raramente cria palavras. Custa-me muito lembrar de suas pérolas e me arrependo bastante de não ter feito um glossário das coisas que dizia.

Alguns amigos meus são muito bons com as palavras e com as situações que as envolvem. Um deles esbarrou nos limites da convivência entre idiomas. Estávamos no Sul, em uma cidade de colonização italiana, e por lá, o idioma de Dante Alighieri grassava por todos os cantos e bocas. Fomos tomar café da tarde numa casinha bem tradicional. A nonna, solícita, estendeu-lhe uma bandeja: “Formaggio, frei?”. Ele montou uma carranca de surpresa e sem pestanejar, perguntou: “Uai, não é queijo?.” Já um outro amigo se deliciava, rindo à solta, sempre que ouvia uma piada. Dizia ele “Não guento o Carlinhos com essas medótas!”. Medótas iam, medótas vinham, e as anedotas afluíam noite adentro, tirando-nos risos e gargalhadas.

Pode ser que os fiscais da Língua e os puritanos da linguagem (falemos baixo para não atrair os gramáticos, melhor afugentar os conservadores) não se agradem muito do meu texto e me julguem ainda mais por eu ser professor de Língua Portuguesa. Não faz mal, não gosto muito deles. Dou pouca monta aos frutos de seus trabalhos, somente o necessário para que meus alunos aprendam a escrever memorandos, requerimentos, e-mails e uma redaçãozinha para o Enem. Mas há palavras que soam muito mais atrativas e gostosas quando subvertem a ortografia ou a fonética.

Vai dizer que você não abre um sorriso largo ao ouvir que é preciso limpar o imbigo do bebê? O pedreiro, depois de revestir um piso, a fim de evitar que o seu trabalho seja avacalhado, diz-nos: “Se for passar pra lá, pisa naquela tauba ali, pra não deixar marca”. Ou ainda, ao comprar um sorvete de casquinha, num dia quente. Percebendo que ele começa a derreter, não há melhor advertência que: “Lembe logo isso daí, antes que caia tudo no chão!”. Não existem palavras mais autênticas que estas: imbigo, tauba e lember. Uso-as sempre, que chego a esquecer da ortografia e da fonética oficiais delas. Pouco me importam, cada um que cuide de seu imbigo.

Uma amiga, professora de criancinhas em fase de alfabetização, já me contou inúmeras histórias e causos de sala de aula. Os pequenos dão show de criatividade e coragem a despeito da ortografia. Pisam sem dó na fonética e tornam nosso idioma ainda mais lindo. Eis o melhor deles:

— Tia, “xu” é com “x” ou com “ch”? – a pequena abordou a mestra.

— Depende, meu amor. Que palavra você quer escrever? – respondeu a professora, curiosa.

— Xujeira.

Ah, as crianças, como as adoro! Desde cedo, o nosso talento para abrilhantar a língua lusitana e torná-la ainda mais bela e brasileira se manifesta por todos os cantos.

.: #VivoLendo: "Flores do Deserto", de Márcio Catunda


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Quando serei o tempo de um silêncio de plenitude?

O enigma, a essência e a clareza nos espreitam através da capa colorida e do conteúdo poético expostos nas páginas deste livro de Márcio Catunda, publicado por Ventura Editora. Uma fonte repleta de mistérios, ironias e ensinamentos a jorrar ante nossos olhos. A sede se acentua ao provarmos a delicadeza fonética temperada ao sabor da trajetória e da vivência. Ao sorvermos em amplos goles o versejar agalopado e arraigado nas entranhas da nordestinidade, expandida pela universalidade das caminhadas, da erudição enriquecida nos quatro cantos do mundo, a obra de Catunda se agiganta e torna-se leme e bússola aos desbravadores deste deserto em que vivemos em meio a um cotidiano árido, acre e distópico, porém fecundo para íntimas reflexões e fugas interiores.

Adaptamo-nos aos desmandos, coniventes com a distopia infame. A constante preocupação ante os conflitos sociais e à minúscula movimentação dos seres comuns ante à contemporânea teia tecnológica opressiva, soma-se à evolução da espiritualidade e à imagética transcendente dos elementos resultando em poemas criativamente densos, concisos, repletos de sabedoria, humor e leveza, porém de um direcionamento certeiro e eficaz à fisgar a insaciável busca da clareza poética. Autor de uma grandiosa obra impressa, destaca-se por uma contínua trajetória criativa e de admirável e amplo manuseio poético, sempre em busca de um fortalecimento humanista e de interpretação e recepção coletiva para sua arte.

Na urna do obscurantismo o Bem e o Mal fingem que são inimigos. O livro complementa-se com prefácio do professor Willis Santiago Guerra Filho, orelhas a cargo de Anderson Braga Horta e Adelto Gonçalves, contra-capa por Jorge Ventura e capa de Val Melo. Fica evidente, ao término da leitura, a impressão de multi abrangência quimérica e de completude humana em que o teor poético destilado em sábio anti-academismo nos conduz através das trilhas floridas deste deserto.

quinta-feira, 19 de março de 2026

.: "O Velho Fusca" chega aos cinemas de todo o país nesta quinta-feira, 19

Com direção de Emiliano Ruschel, o longa-metragem é uma comédia com coração, que narra uma história sensível sobre superação de traumas familiares, o primeiro amor e o encontro entre diferentes gerações, tendo como cenário principal a cidade do Rio de Janeiro


A A2 Filmes e a Ruschel Studios lançam nos cinemas, incluindo a unidade Cineflix Cinemas de Santos, nesta quinta-feira, dia 19 de março, o longa-metragem "O Velho Fusca". A produção inicia sua trajetória comercial em circuito nacional, com exibições programadas para diversas regiões do país. Na região Norte, o filme será exibido em Ananindeua, Belém, Boa Vista, Macapá, Manaus, Marabá, Porto Velho, Rio Branco e Santarém. No Nordeste, as sessões ocorrem em Aracaju, Arapiraca, Eusébio, Fortaleza, Imperatriz, Jaboatão dos Guararapes, João Pessoa, Maceió, Mossoró, Natal, Olinda, Paulista, Penedo, Recife, Salvador, São Luís, Sobral, Teresina e Vitória da Conquista.

A região Sudeste recebe a obra em Araçatuba, Araraquara, Barra do Piraí, Barra Mansa, Barueri, Bauru, Belo Horizonte, Betim, Botucatu, Cabo Frio, Campinas, Campos dos Goytacazes, Contagem, Cotia, Cruzeiro, Duque de Caxias, Franca, Guarulhos, Hortolândia, Indaiatuba, Ipatinga, Itaboraí, Itapetininga, Itaquaquecetuba, Itu, Jacareí, Jundiaí, Mauá, Mogi Guaçu, Montes Claros, Niterói, Nova Friburgo, Osasco, Petrópolis, Piracicaba, Pirassununga, Poços de Caldas, Praia Grande, Presidente Prudente, Resende, Ribeirão Preto, Rio Claro, Rio de Janeiro, Santa Bárbara d'Oeste, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, São Roque, Serra, Sorocaba, Sumaré, Taboão da Serra, Taubaté, Três Rios, Uberlândia, Vargem Grande do Sul, Vila Velha e Volta Redonda.

No Centro-Oeste, o lançamento contempla Aparecida de Goiânia, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Dourados, Rio Verde, Sinop, Valparaíso de Goiás e Várzea Grande. Já na região Sul, a estreia acontece em Balneário Camboriú, Blumenau, Brusque, Canoas, Cascavel, Caxias do Sul, Criciúma, Curitiba, Florianópolis, Guaratuba, Joinville, Londrina, Maringá, Paranaguá, Passo Fundo, Pelotas, Ponta Grossa, Porto Alegre, Rio Grande, São José dos Pinhais e São Leopoldo. A classificação indicativa de "O Velho Fusca" é de 12 anos.

​O filme acompanha o choque inevitável entre o avô (Tonico Pereira), um velho amargurado, isolado e de convicções rígidas, e seu neto, Junior, protagonizado por Caio Manhente (“D.P.A — O Filme” e “Vai Na Fé”), um jovem sensível que busca seu lugar no mundo. O ponto de partida é um velho fusca abandonado na garagem do avô, que se torna o objeto de desejo de Junior e um elo capaz de reunir uma família fraturada por brigas do passado.

​O seu avô é um homem endurecido por uma juventude brutal, tendo sido enviado para a guerra em outro país ainda na adolescência. Ele não esconde seu desprezo pela geração atual, a qual classifica como excessivamente sensível, criando um ambiente de constante tensão e sarcasmo. Para conquistar o carro, Junior precisa não apenas restaurar o veículo, mas também aprender a lidar com as feridas emocionais e o passado violento de seu avô.

Além de Caio e Tonico nesta relação que utiliza a reforma do fusca como uma metáfora para a reconstrução de afetos, a trama ganha outros contornos a partir dos demais personagens vividos por um elenco estelar. Cleo Pires e Danton Mello voltam a contracenar juntos na tela do cinema, agora interpretando os pais de Caio Manhente. O núcleo central também é formado por Giovanna Chaves, Isaías Silva, Christian Malheiros, Yuri Marçal, Rodrigo Ternevoy, Leandro Lucca e Priscila Vaz.

O espírito carioca transborda em cada frame de “O Velho Fusca”, transformando o Rio de Janeiro em um personagem central da narrativa. Com locações charmosas como o bairro da Urca, a produção captura a luz e a atmosfera solar da cidade. Essa identidade é reforçada por um elenco que é a cara da cidade, assim como pela trilha sonora, trazendo hinos interpretados por lendas do samba e da MPB como Jorge Aragão, Teresa Cristina, Diogo Nogueira, Xande de Pilares e Péricles. Há também músicas de Jorge Vercillo e do rapper PK, efetivando o equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo.

Com distribuição da A2 Filmes e coprodução de Cleo Pires (Ayrosa Produções), UNO Filmes e La Duka Produções, “O Velho Fusca” consolida a parceria entre a A2 Filmes, os produtores Alexandre Freire, Ronaldo Bettini Junior e Almir Santos e a Ruschel Studios, que já rendeu títulos como "Hidden Memories" e “Secrets”.



FICHA TÉCNICA

Direção: Emiliano Ruschel

Roteiro: Bill Labonia

Produção: Ruschel Studios

Produtores: Emiliano Ruschel, Ronaldo Bettini Junior, Alexandre Freire, Almir Santos, Jo Rauen

Coprodução: Ayrosa Produções, UNO Filmes, La Duka Produções, Flores & Filmes, Fábrica Sonora

Coprodutores: Cleo Pires, Diego Timbó, Flávia Goulart, Beatriz Rhaddour, Victor Pinto

Produção Associada: Herika Sodré, Giovanna Chaves, Edinea Tomaz, Bruna Ciocca e Patrick Fornari, Sonora Digital

Produtor Executivo: Leilah Maria, Felipe Flores, Mauren Pessôa de Mello, Fabiana Oliveira Amorim, Nanashara Piazentin, Marcelo Zambelli

Elenco: Caio Manhente, Tonico Pereira, Cleo Pires, Danton Mello, Giovanna Chaves, Isaías Silva, Christian Malheiros, Yuri Marçal, Rodrigo Ternevoy, Leandro Lucca, Priscila Vaz, Emiliano Ruschel

Participações Especiais: Herika Sodré, Erica Paes, King Saints, Nina Sofia, Carla Cristina Cardoso, Gabriel Rocha, Victor Pinto

Direção de Fotografia: Ricardo Rheingantz

Direção de Arte: Eliane Heringer

Produtor de Elenco: Jacqueline Oliveira

Montagem: Fábio Lobanowsky, edt.

Direção de Trilha Sonora: Diego Timbó

Som Direto: Juan Quintans

Produção: Ruschel Studios

Distribuição: A2 Filmes

País de Origem: Brasil

Ano de Produção: 2026

Gênero: Comédia, Família

Duração: 97 minutos

Classificação Indicativa: 12 anos



SOBRE O DIRETOR EMILIANO RUSCHEL

Emiliano Ruschel é o protagonista do filme "Maverick: Caçada no Brasil", distribuído internacionalmente pelo Amazon Prime em mais de 190 países. No Brasil, atualmente, o filme pode ser visto no canal AMC. Emiliano se divide entre Los Angeles e o Brasil desde 2014, quando venceu o prêmio de Melhor Ator no Los Angeles Brazilian Film Festival pelo filme "Forever Nevermore".

Com uma trajetória que abrange cinema, séries de TV, novelas e teatro, Emiliano integrou o elenco de "VIPS", dirigido por Toniko Melo e produzido por Fernando Meirelles, onde contracenou com Wagner Moura. Em "Desafinados", sob a direção de Walter Lima Jr, atuou ao lado de Selton Mello e Rodrigo Santoro. Na televisão, interpretou oficial da SS na minissérie "Passaporte para a Liberdade" (internacionalmente conhecida como "O Anjo de Hamburgo"), dirigida por Jayme Monjardim, onde contracenou com Sophie Charlotte, Rodrigo Lombardi e Tarcísio Filho.

Em breve chega também ao streaming o filme “Quarta-feira de Cinzas”, que Emiliano Ruschel protagonizou ao lado de Kéfera Buchmann e Daniela Escobar. Em dezembro chegará aos cinemas o filme “Aba Larga”, dirigido e protagonizado por Emiliano Ruschel, com Werner Schunemann e grande elenco. Mais recentemente, o ator e diretor fez "Hidden Memories", dirigido por Emiliano, além do drama "Secrets", este contando com sua direção e protagonismo ao lado de Danni Suzuki, filme que foi vencedor do prêmio de Melhor Filme no Marbella International Film Festival, filmes disponíveis na Amazon Prime.


SOBRE A UNO FILMES

Com uma trajetória marcada pela diversidade, inovação e força de impacto em suas produções cinematográficas, a UNO Filmes consolidou-se no mercado nacional ao assinar o longa-metragem “Me Tira da Mira”. O filme desempenhou um papel fundamental na retomada cultural do país no período de volta aos cinemas pós-pandemia; a produção alcançou projeção nacional ao figurar entre as 20 maiores bilheterias do ano, sendo distribuída em mais de 480 salas em todo o Brasil.

Expandindo esse legado, a produtora está em fase de finalização de seus próximos lançamentos para as telonas: os longas-metragens “Uma Babá Gloriosa” e “Entrelaçados”, previstos para lançamento em 2026. Paralelamente, a produtora se encontra em produção do próximo longa, “Um Casal Quase Normal”. 

A produtora também se destaca pelo seu trabalho ímpar na curadoria e produção de trilhas sonoras dos seus longas-metragens, tratando a música como parte integrante da experiência cinematográfica. Esse diferencial é evidenciado no álbum do longa-metragem “Me Tira da Mira”, que contou com mais de 27 artistas nacionais e internacionais, entre eles Elza Soares, Xamã, Pabllo Vittar, Alcione, e no álbum da trilha sonora do filme “O Velho Fusca”, que tem a participação de artistas como Jorge Aragão, Péricles, Teresa Cristina, Xande De Pilares, Jorge Vercillo e Luiza Martins.


SOBRE A A2 FILMES

A2 Filmes surgiu da convergência dos trabalhos de competentes executivos da área de entretenimento que, ao longo dos anos, estabeleceram-se como referência no mercado e se uniram para criar uma empresa capaz de oferecer não apenas licenciamento de conteúdo para toda a América Latina, como também realizar diretamente a distribuição de produtos em todas as plataformas, digitais e também nos cinemas.


Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


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quarta-feira, 18 de março de 2026

.: Diário de uma boneca de plástico: 18 de março de 2026

Querido diário,

Estava pensando a respeito do senso comum totalmente raso da atualidade e que acaba sendo abraçado de bom grado. É nítida a gigante preguiça de praticar o pensamento próprio. Então, com o celular em mãos e sem nem ler todo um texto ou assistir um vídeo por completo, apenas se replica, sem nem saber do que se trata tal conteúdo, muitas vezes. 

Seja pela necessidade de ser um dos primeiros a espalhar algum acontecimento ou pela falta de compreensão a respeito do assunto. Afinal, usar a massa encefálica é um exercício que requer um certo tempo. Assim, proliferar a ignorância é muito palatável. 

Há falas descabidas e sem conexão que o não uso do cérebro reflete as justificativas sem profundidade e infundadas. Perdendo até mesmo para certas conversas de botequim com palavras soltas em meio a um gole e outro.

É um tanto que lamentável testemunhar tamanha alienação uma vez que a internet está aí para ser usada e, com sabedoria, acrescenta muito e para o bem. Ainda mais em tempos de inteligência artificial em que uma mentira pode ser revelada numa simples pesquisa.

De toda forma vale lembrar que espalhar fake news é crime, previsto no Código Penal. Logo, a melhor forma de evitar problemas jurídicos e não contribuir para a desinformação é checar as informações antes de compartilhar. 

Bora sair do senso comum e refletir por conta própria e pela mente alheia!


Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,




.: Crítica: "O Testamento de Ann Lee" é maçante ao tratar a fé extrema

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em março de 2026


O radicalismo levado ao ponto máximo pela fé. Eis a cinebiografia musical "O Testamento de Ann Lee" (The Testament of Ann Lee), inspirado na vida de uma das primeiras líderes femininas religiosas. A produção com o protagonismo e o poderoso vocal de Amanda Seyfried ("Meninas Malvadas", "Mama Mia!") leva o público ao estranhamento diante da transe cinematográfica de fé na telona Cineflix Cinemas de Santos.

Reverenciada por seus seguidores, Ann Lee prega a igualdade social e de gênero como fundadora da seita devocional dos Shakers, resumindo a filosofia de organização extrema e funcionalidade dos Shakers com a máxima: "Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar". Logo, os seguidores de Ann Lee são moldados a defender que o caos exterior reflete um caos interior, sendo necessário manter a ordem era um ato de devoção e disciplina espiritual. 

Tal máxima ia além da regra de organização doméstica, mas também servia como uma expressão profunda da espiritualidade Shaker, que via ordem, limpeza e utilidade como formas de adoração e perfeição divina. Assim, a garota traumatizada por presenciar atos obscenos entre os pais, cresce e vive uma relação abusiva com seu parceiro, entrega-se de corpo e alma ao celibato, repassando tal prática para seus seguidores, ainda que precise manter de fora da religião familiares. 

Ann Lee também pregava que a purificação da alma vinha do trabalho manual rigoroso, assim como da vida comunitária organizada. Enquanto que Deus era visto como masculino e feminino, naquela comunidade era proibido o orgulho e o excesso material, sempre para voltar o pensamento a algo maior, daí o lema "Mãos ao Trabalho, Corações a Deus". 

Embora existam pontos envolventes na trama a falta de ritmo por de 2 horas e 17 minutos de "O Testamento de Ann Lee" acaba pesando. Sem contar no didatismo com uma narração, do início ao fim. Nem mesmo a parte musical consegue escapar e torna a experiência um tanto que maçante diante da fé extrema. A trama ambientada na segunda metade do século XVIII, entrega forte denúncia da intolerância religiosa e seus abusos (breve momento do filme em que fisga o público). Aos fãs de filmes religiosos, "O Testamento de Ann Lee" é imperdível!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN



"O Testamento de Ann Lee"(The Testament of Ann Lee). Gênero: biografia, drama, musical,  históricoDireção: Mona Fastvold. Roteiro: Mona Fastvold e Brady Corbet. Duração: 2h 17min. Distribuição: Walt Disney Studios. Elenco: Amanda Seyfried (Ann Lee), Thomasin McKenzie, Lewis Pullman, Tim Blake Nelson, Christopher Abbott. Sinopse: A trajetória de Lee como o "Cristo feminino" na criação de uma sociedade utópica no século XVIII. O drama histórico e musical dirigido por Mona Fastvold, estrelado por Amanda Seyfried como a fundadora do movimento Shaker. 

Trailer


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terça-feira, 17 de março de 2026

.: A força da imaginação em “Meu Cavalo Azul Não Existe”


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Meu Cavalo Azul Não Existe", editado pela Costelas Felinas Editora, Hilda Curcio constrói uma narrativa delicada e sensível que dialoga diretamente com o universo da infância e com os desafios de preservar a imaginação diante das regras do mundo adulto.

A trama parte de um episódio simples, mas carregado de significado: uma criança retorna da escola entristecida após ser criticada pela professora por ter escrito sobre um cavalo azul. Esse pequeno conflito cotidiano torna-se o ponto de partida para uma reflexão maior sobre criatividade, liberdade de pensamento e a importância de acreditar nas próprias ideias.

Com uma escrita afetuosa e acessível, a autora leva o leitor para uma jornada emocional em que a imaginação surge como uma poderosa ferramenta de resistência e descoberta pessoal. O cavalo azul, símbolo do olhar livre e inventivo da criança, passa a representar tudo aquilo que muitas vezes é questionado ou reprimido quando não se encaixa nos padrões estabelecidos.

Hilda Curcio mostra que a verdadeira magia está na capacidade de manter viva os sonhos e a criatividade. Indicado para leitores a partir de seis anos, "Meu Cavalo Azul Não Existe" é uma história que conversa tanto com crianças quanto com adultos, baseada em um acontecimento real, a obra é uma literatura sensível e que apóia o direito de ser diferente e que celebra o universo infantil e toda sua imaginação.

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