sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

.: Entrevista com Rodrigo Santos, em livro, DVD e muita música

"Então contei verdades, boas ou ruins. Momentos mágicos, momentos terríveis e muita história".Rodrigo Santos 

Por Luiz Gomes Otero
Em dezembro de 2015

O músico e compositor Rodrigo Santos pode ser classificado como um "workaholic" na música. Dono de uma fonte inesgotável de criatividade, ele decidiu colocar em um livro biográfico todas as suas experiências registradas ao longo das últimas três décadas, com trabalhos marcantes nas bandas de Lobão, Léo Jaime e Kid Abelha, além do longo período com o Barão Vermelho, que ele passou a integrar oficialmente a partir de 1992. 

No livro, intitulado "Cara a Cara", ele faz um corajoso relato de sua experiência com o uso de drogas e o incrível processo de superação longe dos vícios, que resultou na decolagem de sua carreira solo e em projetos musicais bem sucedidos, como a recente parceria com o veterano guitarrista Andy Summers (da banda The Police) e o lançamento do DVD "Festa Rock", com clássicos do rock nacional. 

Isso sem falar nos seus elogiados álbuns solo, que conquistaram a crítica e o público por onde ele se apresenta, sempre acompanhado dos inseparáveis Lenhadores: o baterista Kadu Menezes e o guitarrista Fernando Magalhães. Confira a entrevista que o "incansável soldado do próximo passo" concedeu ao site Resenhando:

RESENHANDO - Como foi o processo de elaboração da sua autobiografia?
RODRIGO SANTOS - Eu preparei primeiro uma cronologia de tópicos desde o meu nascimento até os dias de hoje, com fatos, shows, lembranças, discos, artistas, bandas que tive, dependência e seus experimentos na adolescência, crescimento da musica, entrada nos Miquinhos, Leo Jaime, Barão, Lobão, Kid, Os Britos e tudo que se proporcionou com isso. As grandes influências no violão de 6, 12 e nylon, os grandes baixistas que me ajudaram a ludicamente aprender baixo dos discos que escutava quando criança. A minha quase morte com um mês de idade, a minha quase morte com 40 anos de idade. A clínica, a superação, os 10 anos de carreira solo e clínica. Depois de feitas as milhares de perguntas, respondi a todos com textos enormes e depois enxuguei. Lembrei de milhares de coisas ao escrever sobre aquelas das perguntas. Os depoimentos do livro também me remeteram a outras historias e acabou sendo complementar. Ligamos tudo a minha fixação pelos Beatles e onde comecei a tocar violão, entrar na música (e sair do desenho). A partir dali se desenvolve a parte musical. E depois de alguns experimentos, começa gradativamente a se desenvolver uma parte da dependência química sem eu saber. Silenciosamente. Então contei verdades, boas ou ruins. Momentos mágicos, momentos terríveis e muita história. Da ralação da carreira solo, os seis cds e dois dvds e agora o livro. Chamei um beatlemaníaco para escrever comigo e fizemos algumas sessões de Skype e visitas aqui em casa para transcrição depois. Ricardo Pugialli escreveu comigo. Foi muito prazeroso. Não escondi nada, absolutamente nada, no livro. Gosto de histórias verdadeiras. Se não for assim, melhor nem escrever. E agora passo a informação. É um almanaque dos 60, 70, 80, 90 e 2000. Inclusive nos depoimentos. Além das milhares de perguntas, que fiz a mim, a minha mãe, ao Leo Jaime, ao Lobão, ao Nani Dias, ao Kadu Menezes, a Paula Toller, ao Fernando Magalhães e ao Frejat. Elaborei o livro pelo foco da lente da verdade. Para ajudar as pessoas a entender o processo de dependência química dentro de qualquer trabalho. Ao mesmo tempo, mostrar meu lado musical e o fato de ter trabalhado com dezenas de artistas, me manteve vivo. O foco também foi a família, minha mulher com quem estou casado há quase 20 anos, meus filhos Leo e Pedro. Conto muito como consegui montar uma agenda de 15, 20 shows por mês desde que parei de me drogar. Energia canalizada para coisas construtivas.

RESENHANDO - De todos os momentos vivenciados em sua trajetória pessoal, qual foi o mais difícil na sua opinião?
R. S. - Decidir aceitar ajuda, definitivamente. Eu tinha de trocar o personagem que passei anos sendo fiel e acreditando piamente que eu deveria ser. Não foi fácil, mas nunca senti vontade de beber, de recair. Fui em frente, olhando o retrovisor, desmistificando algumas coisas e arregaçando a manga por outras. Já que vai falar sobre essa doença, que seja com verdade. Nunca recaí, completei dez anos e quatro meses e nunca subestimei a dependência química, doença sem cura. No meio disso, aprendi a me divertir, voltar a surfar, criar milhares de projetos e estar sempre com a família.

RESENHANDO - Além de tocar no Barão Vermelho desde 1992, você teve passagens marcantes na bandas de Lobão, Leo Jaime, além dos grupos Kid Abelha e Blitz. Quais as suas lembranças desse período pré-Barão?
R. S. - Maravilhosas. Três anos com João Penca e os Miquinhos Amestrados, mais três anos com Leo Jaime (muitos shows retratados no livro), mais cinco anos com Lobão, mais 22 anos de Barão Vermelho, mais dois anos e meio com Kid Abelha, mais 15 anos de Os Britos e três de Blitz. Muitos shows, muita diversão, muita viagem internacional, muitas doideiras. 

RESENHANDO - Como anda o projeto Os Britos e quem participa desse projeto atualmente?
R. S. - Está meio parado. Somos os mesmos. Eu. George Israel, Guto Goffi e Nani.

RESENHANDO - Recentemente você e Os Lenhadores tocaram com Andy Summers, da banda The Police, cantando hits da banda britânica e do rock nacional. Há previsão de repetir essa experiência novamente?
R. S. - Sim, está no meu site o vídeo com o show na integra. Foi maravilhoso ter um ídolo ao meu lado nos shows. E sim, repetiremos em 2016!

RESENHANDO - Na sua carreira solo, como compositor, quem foram suas referências musicais?
R. S. - Beatles, Neil Young, Novos Baianos, Raul Seixas, Cazuza, Legião Urbana,  Bob Dylan, John Lennon, U2, The Police, Lobão, Nando Reis, Fletwood Mac, etc.. 

RESENHANDO - Os Lenhadores (Fernando Magalhães e Kadu Menezes) seguem te acompanhando?
R. S. - Sim. Sempre!

RESENHANDO - Fale sobre o DVD "A Festa Rock" e sobre o conceito de produção musical desse lançamento.
R. S. - Muitas escolhas foram feitas desde que apresentei o projeto a (Roberto) Menescal, através do empresario Luiz Paulo Assunção. Ele deu a ideia de ser em medleys e colocar público no estúdio e uma música minha a cada volume. A minha ideia veio do site da MTV, onde tinha um blog em 2009. Eu fazia textos e ilustrações (parecido com que meu pai fazia do jazz e blues, em 1970). Peguei medleys de artistas que tinham a ver por geração, por andamento, por afinidade musical, por ser punk ou dançante. Muitos critérios. Escolhi as musicas e cronometrei tudo em casa. Queria gravar igual ao Beatles, em quatro dias. Todos tocando juntos. E coloquei isso na roda, sem mostrar as passagens a eles. Saímos tocando. "A História do Rock" se transformou em "A Festa Rock" e serão lançados 10 volumes.  Escolhi pelo andamento, por tipo de letras, pelo clima das canções, as décadas. Escolhi artistas que escutei quando pequeno e foram influências, além de gente das gerações seguintes. "A Festa Rock" é uma salada danada (risos), mas com o meu power trio tocando, ganha corpo, simplicidade e alma punk! Em quatro sessões, o disco estava pronto. Na verdade, estava pronto antes do CD “Motel Maravilha”, de 2013, mas preferi lançar o disco autoral naquele momento.

RESENHANDO - Quais são seus planos para o futuro (disco de inéditas, shows, etc.)?
R. S. - Muitos. Mas deixa eu curtir o presente, pois como dizem, "sou o incansável soldado do próximo passo". Tenho mais um livro pronto, dois projetos, um documentário e 70 musicas inéditas. Já viu, né?

"Remédios"

"Azul"

"Nunca Desista do Seu Amor"


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