quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

.: #RESENHANDOMAISLIDAS6 Ana Beatriz Brandão e seu pai

Por: Helder Miranda e Mary Ellen Miranda
Em agosto de 2014

"A partir do momento em que você publica, publica também partes que você às vezes não quer que sejam mostradas". - Ana Beatriz Brandão

Ela ainda é uma adolescente de apenas 14 anos, nem é a mais jovem autora a lançar um livro na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo - segundo consta, há uma menina de dez anos (Stella Robaina, com "Contos Arrepiantes", editora Literata) entre os autores, informação que Ana Beatriz Brandão recebe com entusiasmo. "Isso significa que tem mais gente despertando o talento para a escrita", diz a adolescente, que já escreveu 12 livros. A jovem que conseguiu publicar o seu primeiro exemplar, "Sombra de Um Anjo" e, no penúltimo dia da Bienal, conversou com o Resenhando.com e contou tudo sobre a sua paixão pela leitura e escrita.




RESENHANDO - O que a literatura representa em sua vida? 
ANA BEATRIZ BRANDÃO - Vixe! (risos) Tudo! Eu leio desde os cinco anos e, a partir daí, eu nunca parei. Comecei a escrever desde fevereiro do ano passado e, desde então, foram 12 livros, "Sombra de Um Anjo" é o primeiro a ser publicado. Meus pais até falam: "por que dar uma boneca se posso dar um livro?".

RESENHANDO - Qual é o seu livro preferido? 
A.B.B. - Tenho 200 livros em casa... e livros são como filhos... Não dá para escolher. Entre os meus bebês, os que foram escritos por mim, destaco "Sombra de Um Anjo". Mas desses 12 livros, só escrevi duas séries. Uma delas, de quatro livros.

RESENHANDO - Quando começou a escrever?
A.B.B. - Escrevo desde fevereiro do ano passado. "Sombra de Um Anjo" demorei dois meses e meio para escrever... Teve uma época que comecei a escrever quatro ao mesmo tempo. Claro que não deu certo, mas deu para dar a base de cada um. 


RESENHANDO - Para escrever 12 livros em pouco mais de um ano, é preciso ter disciplina...
A.B.B. - Eu acordava às sete e meia para ir para escola e ficava até uma e meia da tarde. Fazia atividades de arte extracurriculares... Com uma rotina dessas, em dia de semana eu conseguia escrever durante duas horas. Agora, dependia muito. Em um sábado, por exemplo, em que eu não saia, não saia da frente do computador e chegava a escrever oito horas por dia. Disciplina eu não tenho. Minha mãe briga comigo para eu fazer lição de casa! Para escrever, é diferente!

RESENHANDO - Você se considera uma autora prodígio?
A.B.B. - Não, porque eu acredito que existem autores muito mais talentosos que eu. Não gosto de me "autodenominar" alguma coisa, posso estar me equivocando...

RESENHANDO - Você prefere ler ou escrever?
A.B.B. - Escrever! Criar é diferente. A leitura, por mais que seja boa, é imposta pela cabeça de algum autor.

RESENHANDO - Na hora da leitura, qual é o seu estilo favorito?
A.B.B. - Literatura fantástica. Não gosto de livros muito parados ou que falem muito da mesma coisa. Gosto das séries "Harry Potter" (escrita pela britânica J. K. Rowling), "Percy Jackson e os Olimpianos" (escrita por Rick Riordan)...

RESENHANDO - Da série "Crepúsculo" (de Stephanie Meyer)...
A.B.B. - ... (risos). Não... Já li os livros da série quando tinha oito anos. Na época, gostei. Mas só foi me deparar com o universo dos vampiros, mesmo, "Drácula" (de Bram Stoker), enfim, vampiros clássicos... Aí você me pergunta se eu gosto de "Crepúsculo" e eu respondo... Cara, não! (risos). Eu tenho amigas "twilighters", não critico, mas não é para mim. 

RESENHANDO - Hoje, quais são os seus autores preferidos?
A.B.B. - São vários. Para citar alguns deles, Jorge Amado, George R. R. Martin (da série de livros de fantasia épica "As Crônicas de Gelo e Fogo", J. K. Rowling, Rick Riordan...

RESENHANDO - O que você prefere: filmes ou livros?
A.B.B. - Depende, porque quando eu leio um livro antes, e vejo o filme inspirado nele depois, eu fico histérica (risos). Eu vejo o filme e penso: "Não, isso não devia estar aqui!", "está faltando alguma coisa" ou até "como assim? Como isso aconteceu desse jeito?".

RESENHANDO - Quais os seus planos futuros na área da literatura?
A.B.B. - Não sei, porque eu não suporto gramática. Gosto mais de biologia. Como eu amo de escrever, e não gosto de classificar as palavras, quero ser roteirista. 

RESENHANDO - E na escola, não tratam você como uma aberração por ser escritora?
A.B.B. - Não! Como conheço desde pequena o pessoal da minha classe, e só escrevo há um ano e meio, já me conhecem e sabem como sou. Algumas pessoas que não falavam comigo agora, pelo menos, me cumprimentam, perguntam alguma coisa...

RESENHANDO - E existe alguma cobrança a mais em relação às notas na escola por você já ter um livro publicado?
A.B.B. - Não, sou uma garota como qualquer outra e quero ser tratada de maneira igual. Escrevendo ou não, cada um tem o seu talento, não gosto de ser vista como "a menina diferente que escreve". O que gosto de fazer é encorajar as pessoas que conheço a lerem, alguns nunca tinham lido um livro por vontade própria, outros até começaram a escrever. Quanto às notas na escola, eu fiquei de recuperação em redação. Não considero que dê para desenvolver uma história em 40 linhas... 

RESENHANDO - O que há de você nos livros que escreve?
A.B.B. - Tudo, cada livro tem um pouco do autor. Nos meus livros, exponho o que gosto e expresso as minhas opiniões, às vezes consigo disfarçar um pouco. Mas por conta da exposição, quase desisti na última hora. Uma noite antes do lançamento, eu dizia: "não quero isso para mim, cancela". Porque para publicar é um livro é preciso bastante coragem. A partir do momento em que você publica, publica também partes que você às vezes não quer que sejam mostradas.

RESENHANDO - Você está preparada para as críticas?
A.B.B. - Eu comemoro sempre que tem algum elogio. Agora, crítica eu não sei, ainda não vieram. Quando comecei e escrever este livro, vieram me falar que era parecido com "Fallen" (em português, "Anjo Caído, o primeiro romance da série de livros de ficção sobre anjos da escritora norte-americana Lauren Kate). Com isso, eu mudei vários e vários capítulos. Fiquei com trauma deste livro (risos). Não gosto nem que citem na minha frente, eu fico histérica (risos)!

RESENHANDO - Por que escolheu o universo paranormal como temática?
A.B.B. - Porque o nosso dia a dia já é chato o suficiente. É bom fugir um pouquinho (risos).


RESENHANDO - E por que seu livro se chama "Sombra de Um Anjo"?
A.B.B. - Porque não falo literalmente de um anjo. O livro é sobre aqueles cujo destino das pessoas estão nas mãos. Quando eu terminei o livro, percebi que tinha algo a mais no título... A sombra de um anjo representa proteção.

RESENHANDO - Como se sente entre os mais jovens autores desta Bienal?
A.B.B. - Eu me sinto normal. Na verdade, eu me sinto feliz não sendo a mais nova (a escritora de dez anos Stella Robaina). Isso significa que tem mais gente despertando o talento para a escrita. 

RESENHANDO - Qual é o seu objetivo com a escrita?
A.B.B. - Mostrar para as pessoas que existem morais diferentes. Mesmo se a vida estiver muito ruim, ainda existe o lado da luz, e nele não pode haver nenhum tipo de preconceito. O que quero transmitir, com isso, é que tudo pode ser possível.

BREVE ENTREVISTA COM O PAI DA AUTORA, ALESSANDRO BRANDÃO
Existe uma fórmula para estimular um filho a se tornar escritor? Para o empresário Alessandro Brandão, pai da jovem escritora Ana Beatriz Brandão, não há nada específico para isso. "São algumas coisas que você faz para corrigir o rumo e dar uma direção. No caso da Ana, o que fizemos serviu para contribuir no formação de uma escritora". 

Segundo Alessandro, sempre depois de levar a filha a um restaurante, les terminavam o passeio em uma livraria. Lá, ela escolhia vários títulos infantis, e ele se cansava de ficar, por várias vezes, sentado no carpete da livraria, lendo para ela. "Também dava livros de presente, nada muito diferente. A partir daí, uma leitora foi surgindo e a escritora foi fluindo naturalmente", explicou.

De acordo com ele, "O Pequeno Príncipe", a obra-prima do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, foi o primeiro livro lido por Ana Beatriz, aos cinco anos. Ele também destaca a coleção de 13 livros da série  "Querido Diário Otário", do gênero infanto-juvenil do escritor e ilustrador estadunidense Jim Benton, publicado no Brasil pela editora Fundamento. "Ela acabava um e comprávamos a sequência. Aí ela lia mais um. Com isso, acredito que despertamos nela o prazer pela leitura", conclui.
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