quinta-feira, 1 de março de 2018

.: "The Post" reforça estereótipo ridículo de jornalista que quer salvar o mundo


Por Helder Moraes Miranda, em fevereiro de 2018.

Sabe aquele estereótipo de jornalista super comprometido com a notícia que enfrenta o mundo e todas as consequências para publicar um texto bombástico? É mais ou menos isso que acontece com "The Post - A Guerra Secreta" ("The Post"), um dos indicados a Melhor Filme de 2018.

E, baseado na história real do controverso papel dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, foi isso que aconteceu de fato e, de alguma forma, de maneira romanceada. O filme que conta a história dos jornalistas Ben Bradlee e Kat Graham , editores do jornal The Washington Post, que recebem um estudo detalhado sobre o controverso papel dos Estados Unidos na guerra.

Dirigido e escrito por Steven Spielberg, e estrelado por Meryl Streep e Tom Hanks, o longa-metragem é muito parecido com "Spotlight", vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2016, só que pior. Primeiro porque o assunto de "The Post" não é tão fácil de entender, principalmente para as novas gerações, quanto "Spotlight", que trata de um assunto universal e que todos, em todos os tempos, entendem: a pedofilia na igreja.

Mas o que incomoda é o estereótipo de super jornalista que passa por cima de tudo para conseguir um furo jornalístico. Pode ter acontecido bem na década de 70, de fato a época do filme, mas que vem sendo repercutida ao longo dos anos por pessoas que querem aparentar o mesmo - o perfil de "super jornalista" -, em um contexto diferente e, em uma época em que tudo é tão instantâneo que todos podem reportar o que quiserem para todo mundo. Os "super jornalistas" de hoje são arrogantes como os do filme, mas querem parecer humildes. Não cumprimentam quem está ao lado, espezinham colegas de profissão, mas querem fazer reportagens sobre a miséria dos pobres nos lixões e a vida dura de prostitutas - só para reforçar os interesses do que querem retratar esses profissionais sensacionalistas.

Tom Hanks está no ápice da canastrice: "entrão", machista e "metido a ousado". Meryl Streep não apresenta nada de espetacular, mas ainda tem o mérito de contar outra história: o de quanto as mulheres não eram levadas em consideração. Ainda não são como deveriam, mas a situação do sexo feminino em quase quatro décadas melhorou muito.

Quem se destaca, e é pouco aproveitada no longa-metragem, é Sarah Paulson, que deveria aparecer mais. Mas é um filme superestimado que tem o mérito de tentar trazer à lembrança dos que vivenciaram e ao conhecimento das novas gerações uma história que estava esquecida. Mas só isso.

Nome: "The Post - A Guerra Secreta"
Título Original: The Post
Origem: EUA
Ano de produção: 2017
Gênero: Drama
Duração: 116 min
Classificação: 12 anos
Direção: Steven Spielberg

Elenco: Tom Hanks, Meryl Streep, Sarah Paulson, Michael Stuhlbarg

*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

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