sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

.: Crítica de "Mais de 100 Histórias Maravilhosas", de Marina Colasanti

Por Helder Moraes Miranda
Em dezembro de 2017


Marina Colasanti é o nome da literatura em 2017. Oitenta anos, relançamento de livros e um livro inédito. Todos eles reunidos em uma única obra: "Mais de 100 Histórias Maravilhosas", lançado recentemente pela Global Editora. 

O lançamento agrega dez livros - nove deles publicados em ordem cronológica publicados ao longo de mais de 30 anos, e o inédito "Quando a Primavera Chegar". Mas não se engane. "Contos Maravilhosos" é o nome técnico que se dá para os contos de fada. O título foi colocado assim para que as pessoas não pensassem que é um livro voltado para "criancinhas", com "fadinhas", "bruxinhas" ou "histórias mágicas", como explica a própria autora. 

Não é. Os contos reunidos na obra servem para qualquer idade e estão ligados à essência do ser humano. Estão ligados aos sentimentos mais profundos, como amor, ciúme, inveja, medo e morte, muita morte, porque Maria Colasanti considera a morte um tema necessário, que deveria ser mais abordado na literatura. As possibilidades de interpretação, claro, são infinitas e se adaptam à qualquer idade.

"Mais de 100 Histórias Maravilhosas" começa do infanto-juvenil "Uma Ideia Toda Azul", publicado pela primeira vez em 1979, e segue por outros que foram publicados na sequência, como "Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento" (1982), "Entre a Espada e a Rosa" (1992), "O Homem Que Não Parava de Crescer" (1995), entre outros, finalizando pelo livro inédito, de 2017. Na cuidadosa edição da Global Editora, as ilustrações são da própria autora e o projeto gráfico de Eduardo Okuno.

No estilo inconfundível de Marina Colasanti, é estabelecido um diálogo com gente de todas as idades e classes sociais, levando ao coração histórias que se passam em cenários suntuosos, mas que sensibilizam por abordar temas que inquietam as pessoas de hoje. 

A diferença dos "contos maravilhosos" de Colasanti está na perspectiva de empoderamento feminino, palavra tão em evidência nos dias de hoje, mas que já era praticada pela escritora há mais de três décadas. No meio de reis, castelos, torres e seres mitológicos estão mulheres que são protagonistas de suas próprias histórias. 

Sendo assim, os textos, que porventura, poderiam ser datados por se tratar de uma trajetória literária, tornam-se moderníssimos. Veteraníssima, Marina Colasanti é mais moderna que os novatos na arte de escrever. "Mais de 100 Histórias Maravilhosas" é uma celebração à literatura brasileira, para adultos de todas as infâncias e crianças de todas as idades. 


"Quando a Primavera Chegar", o livro inédito
A chegada do aniversário de 80 anos de Marina Colasanti, completados em 26 de setembro, trouxe a ela muitas alegrias. Agora, em setembro, venceu o XIII Prêmio Ibero-Americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, mostrando, por meio de uma rica linguagem poética e da construção de personagens complexos, a qualidade literária de seu trabalho. 

Corrobora com esse reconhecimento a sua nova obra de contos infantojuvenis "Quando a Primavera Chegar" (Global Editora, 112 páginas, R$ 39), disponível nas livrarias em livro individual e no livro "Mais de 100 Histórias Maravilhosas". 

O livro individual conta com ilustrações da própria autora e projeto gráfico de Claudia Furnari e traz dezessete contos inéditos. Um crisântemo floresce na palma da mão, um menino nasce com um olho no meio da testa, um relojoeiro fabrica um robô, um rei precisa de povo. Tudo é surpreendente e tudo é verdadeiro no livre espaço do imaginário em que os contos deste livro acontecem. Mas não há estranhamento. Levado pela linguagem singular da autora, o leitor participa desse espaço, rumo a um encontro com suas próprias emoções.

Os festejos de Marina não param por aí, ela concorre também ao Hans Christian Andersen, cujo ganhador será revelado na Feira do Livro de Bolonha, em março de 2018.


80 anos de talento
Marina Colasanti nasceu em Asmara, na Eritreia, viveu em Trípoli, percorreu a Itália em constantes mudanças e transferiu-se com sua família para o Brasil. É casada com o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, com quem teve duas filhas. 

Viajar foi, desde o início, sua maneira de viver. Assim, aprendeu a ver o mundo com o duplo olhar de quem pertence e ao mesmo tempo é alheio. A pluralidade de sua vida transmitiu-se à obra. Pintora e gravadora de formação, é também ilustradora de vários de seus livros. Foi publicitária, apresentadora de televisão e traduziu obras fundamentais da literatura. Jornalista e poeta, publicou livros de comportamento e de crônicas, recebendo numerosos prêmios como contista.


Recentemente, como parte de uma série de ações de incentivo, pesquisa e valorização da leitura de literatura no Brasil, a Cátedra Unesco de Leitura PUC/Rio divulgou pelo décimo ano o Prêmio Selo Cátedra, com uma lista de obras consideradas as mais relevantes publicadas no ano para jovens e crianças. "Quando a Primavera Chegar", de Marina Colasanti, e "ABC dos Abraços", de Sérgio Capparelli, foram premiados.

Marina Colasanti: histórias maravilhosas ou contos de fada?

Marina Colasanti fala sobre "Quando a Primavera Chegar"

*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

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