sábado, 1 de setembro de 2018

.: Resenha do impactante "Hex", de Thomas Olde Heuvelt

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em setembro de 2018


Há filmes de tirar o fôlego e grudar os olhos do público na telona, enquanto que há livros tão impressionantes e tensos que estimulam a leitura contínua -ou com raríssimas pausas. Mesclando o clássico e moderno, com total maestria, "Hex", de Thomas Olde Heuvelt, no conjunto texto e apresentação do produto final -capa dura, contra guardas ilustradas com figura-tema e extremidades das páginas coloridas em preto-, é excelente, além de chamativo por si só.

A publicação da Darkside, em 368 páginas, leva o público para Black Spring, pacata cidade da Holanda, que mantém em segredo a existência de uma bruxa. Feiticeira, Katherine Van Wyler condenada à fogueira, que sobreviveu e, após trezentos anos depois do ocorrido, ronda a cidade, mesmo com os olhos e boca costurados, além de correntes pelo corpo. 

"Hex" brinca com a realidade e a ilusão desde o início, ao descrever os pormenores de um acidente, ou seja, o choque da figura central do enredo por um enorme e antigo realejo. Diante da ocorrência, os moradores evidenciam preocupação, mas com cautela; exteriorizam urgência no socorro, mas sem soltar as sacolas de compras das mãos.


"Steve Grant virou a esquina do estacionamento atrás do Black Spring Market e Deli bem a tempo de ver Katherine van Wyler ser atropelada por um enorme e antigo realejo mecânico holandês. Por um minuto, achou que era ilusão de óptica porque, em vez de ser jogada de volta para a sua, a mulher pareceu se fundir nas volutas de madeira, asas de anjos cheias de penas e canos cromados de órgão. Foi Marty Keller quem empurrou o realejo para trás por seu engate de reboque e, seguindo as instruções de Lucy Everett, conseguiu pará-lo. Embora não se tenha ouvido nenhum som de pancada nem se tenha visto um filete de sangue quando Katherine foi atingida, as pessoas começaram a correr de todos os lados com a urgência que os habitantes de uma cidadezinha sempre parecem exibir quando acontece um acidente. No entanto, ninguém deixou cair as sacolas de compras para ajudá-la a se levantar... pois, se havia uma coisa que os moradores de Black Spring valorizavam ainda mais que a urgência, era uma insistência cautelosa em nunca se envolver demais nos assuntos de Katherine."


A cena testemunhada por Steve Grant é o ponta-pé inicial de "Hex". A sensação de calmaria de Black Spring -falsamente externada aos não residentes- não deixa os moradores longe da tecnologiaModernos, eles usam o "hexapp", aplicativo que monitora os passos da bruxa 24 horas por dia, com direito a relatos das aparições, incluindo o horário. Assim, a vigilância contínua intensifica a paranoia dos moradores, sem deixar a bruxa zangada.

Todo o trabalho é organizado para que visitantes não descubram tamanho segredo mortal. Os moradores sabem bem que não se deve mexer com ela, mas um grupo de adolescentes quebra as regras e começa a provocar Katherine para descobrir o grau de periculosidade daquela que os outros não podem ouvir os sussurros ou esbarrar nela de alguma forma. 

Quem assistiu os filmes "Footlose" ou "Juventude Transviada" vai estabelecer certa conexão com essa conduta: jovens quebrando regras de uma determinada região. Qual jovem nunca fez alguma besteirinha, não é mesmo? E é por desafios que os testes de "paciência" acontecem de modo assombroso.

Paralelo aos jovens antenados aos meios tecnológicos, como o jovem youtuber Tyler Grant, há a figura clássica da bruxa vingativa. Bastante reflexiva, seja pelo lado da punição com um toque macabro, o comportamento abusivo do ser humano, a trama apresenta uma narrativa imagética e toma rumo surpreendente.

Capa: O projeto gráfico da imagem de capa da Darkside, criação da Retina 78, é uma obra a ser interpretada, antes, depois da leitura e até em outros momentos. A criação estampa um círculo -representando o que é cíclico- com ausência de cor no centro, gerando novos círculos compostos por diversas setas -objeto que pode ferir mortalmente-, na cor branca, funcionando também como uma seta de fuga, mas que ruma para a ausência da claridade, fortalecendo que a história é cíclica. Logo, há a ilusão da saída do aprisionamento daqueles moradores. Já nas quatro bordas, as setas passam a ideia de continuidade e destacam haver crescimento. 

Contracapa: Embora apresente bordas com as setas pontiagudas na cor branca, acima e quebradas abaixo, o aprisionamento estampado na capa é mantido. Ao centro, na cor verde, há a silhueta de um homem, enquanto que um outro círculo branco, pequeno -em referência à lua, talvez-, une o círculo verde e de setas, o que, observada a distância, remete ainda mais a um olho. Talvez o olho da bruxa, o que tudo vê, mas que também precisa ser vigiada para que os habitantes da cidadela estejam em segurança.

Autor: Thomas Olde Heuvelt é autor de cinco romances e muitos contos fantásticos. Já foi publicado em inglês, holandês, chinês e, agora, em português. Ganhou o Harland Award (prêmio holandês na categoria de Melhor Fantasia) em três ocasiões, e o Hugo Award de 2014 na categoria Melhor Conto. Olde Heuvelt escreveu seu romance de estreia aos dezesseis anos e estudou Língua Inglesa e Literatura dos EUA em sua cidade natal, Nijmegen, e na Universidade de Ottawa, no Canadá. Desde então, ele se tornou autor best-seller na Holanda e na Bélgica. Considera Roald Dahl e Stephen King os heróis literários de sua infância, que incutiram nele o amor pela ficção macabra. HEX é a estreia de Olde Heuvelt como romancista. A Warner Bros. está atualmente desenvolvendo uma série de TV baseada no livro.

Livro: HEX
Título original: HEX
Autor: Thomas Olde Heuvelt 
Editora: Darkside Books
368 páginas

Leia os três primeiros capítulos de "HEX", aqui: issuu.com


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: 
@maryellenfsm


Trailer #ResenhandoIndica


Book Trailer


Há filmes de tirar o fôlego e grudar os olhos do público na telona, enquanto que há livros tão impressionantes e tensos que estimulam a leitura contínua -ou com raríssimas pausas. Mesclando o clássico e moderno, com total maestria, "Hex", de Thomas Olde Heuvelt, no conjunto texto e apresentação do produto final -capa dura, contra guardas ilustradas com figura-tema e extremidades das páginas coloridas em preto-, é excelente, além de chamativo por si só. A publicação da #Darkside, em 368 páginas, leva o público para Black Spring, pacata cidade da Holanda, que mantém em segredo a existência de uma bruxa. Feiticeira, Katherine Van Wyler condenada à fogueira, que sobreviveu e, após trezentos anos depois do ocorrido, ronda a cidade, mesmo com os olhos e boca costurados, além de correntes pelo corpo. 💀💀💀💀💀💀💀💀💀💀💀 Confira a #crítica completa de #Hex, de #ThomasOldeHeuvelt , no Resenhando.com.
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4 comentários:

  1. Livro com história é assim, muito bom!

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    1. De fato! Hex é uma excelente história, com muito conteúdo. Valeu o comentário. Grande abraço.

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  2. Vi na livraria e li o verso. Fiquei até intrigado. Agora preciso ler.

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  3. Boa dica
    Bruxa é legal
    Vem AHS Apocalypse com crossover das bruxas
    Vou ler esse livro também

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