segunda-feira, 29 de outubro de 2018

.: Crítica: "Todas as Crônicas - Clarice Lispector", necessário na modernidade


Por Helder Moraes Miranda, em outubro de 2018.

Clarice Lispector é uma entidade da literatura. Não apenas da brasileira, mas de todo o mundo. Não há quem saiba o minimo de literatura que não conheça, pelo menos, uma obra dessa escritora, ou quem nunca ouviu falar nela, mas, principalmente, não existe quem não a respeite, mesmo sem entendê-la. 

Agora o público tem a oportunidade de ter e conhecer todas as crônicas assinadas por ela em um único volume "Todas as Crônicas - Clarice Lispector", uma edição caprichada e corajosa da editora Rocco. Corajosa porque é uma ousadia lançar Clarice Lispector de uma só vez em um mundo recrudescente, em que os princípios parecem ter voltado para a pré-história após tantos direitos alcançados e tantos avanços para as minorias.

A modernidade de Clarice, mais contemporânea que os modernos de hoje, abraça esse mundo que precisa tanto de suas palavras, e os leitores, sobretudo os que passarão a conhecer a escritora a partir dessa obra, devem agradecer a isso. A obra começa com um lindo prefácio assinado por Marina Colasanti, em que a escritora relata a tímida convivência com Clarice Lispector no lugar de observadora e fã de Clarice que recebia seus textos para a publicação em jornal. 

Marina revela o tratamento solene que Clarice direcionava aos seus textos, em uma espécie de mistura entre saber o valor de sua escrita até para a posteridade e o respeito ao leitor que esperava a publicação dos textos. É um livro que figura entre os lançamentos do ano devido à sua importância histórica, emocional e também didática - já que o mundo e as próximas gerações precisam do olhar de cronista de Clarice Lispector até para melhorar o mundo.  

Organizado pelo editor Pedro Karp Vasquez, com pesquisa textual de Larissa Vaz, o livro é dividido em três partes: a primeira contempla as crônicas publicadas no "Jornal do Brasil", com o acréscimo de textos que não saíram na coletânea "A Descoberta do Mundo". A segunda parte reúne textos publicados em outros veículos da imprensa, muitos inéditos em livro. A terceira parte recupera os textos quase (esquecidos) do livro "Para Não Esquecer". Ou seja, é uma reunião definitiva da grandiosa produção de Clarice Lispector para jornais e revistas, entre eles, 120 textos inéditos em livro. 

Um presente da Rocco para os que amam Clarice Lispector, para os colecionadores de grandes obras de literatura, para aqueles que ainda não a conhecem e que têm uma possibilidade muito concreta de se apaixonar pela escrita dela. Em comum entre esses todos os públicos está a urgência de perceber - a partir do ponto de vista de Clarice - um mundo em que o inusitado acrescenta algo iluminado ao que poderia ser corriqueiro e passar despercebido. Ler Clarice Lispector, nesses textos soturnos, é pura resistência.



*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.


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