quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

.: Crítica: espetáculo "A Minicostureira" torna lúdico um drama universal


Por Helder Moraes Miranda, em fevereiro de 2019.

Não é exagero dizer que "A Minicostureira" é uma ousadia para o teatro infantil. Primeiro, por colocar em pauta temas espinhosos para o universo das crianças, como relacionamentos abusivos. Segundo por trazer a estética dos programas educativos da TV Cultura no início dos anos 90 para os palcos - algo completamente distanciado das gerações que hoje assistem conteúdos produzidos pelo YouTube, disponíveis a qualquer hora do dia. 

O público de hoje mudou, mas a essência da infância é a mesma. E é por isso que um espetáculo como "A Minicostureira" conversa tanto com diferentes gerações. Livremente inspirado no conto "A Moça Tecelã" de Marina Colasanti, e na carta "A Tecelã" do tarô Egípcio, o espetáculo infantil é escrito e protagonizado por Frann Ferraretto. A direção competente é das atrizes Débora e Cynthia Falabella, que foram crianças nos anos 90 e sabem, como ninguém, abordar as questões que são servidas, com muita delicadeza, para as crianças que assistem - sejam elas crescidas, ou não.

"A Minicostureira" conversa com as crianças de hoje, mas toca aqueles que foram crianças nas décadas anteriores, ao contar a história de Clara, uma menina inventiva e cheia de curiosidades que, após costurar um irmão imaginário por se sentir sozinha, passa a ser comandada por ele, que quer exercer um papel sobre o seu direito de ir e vir, as companhias que ela tem, as vontades da personagem. 

Após ganhar vida, esse ser inanimado começa a exercer sobre a "minicostureira" uma liderança que faz com que ela seja aprisionada. Aos poucos, a criatura afasta a criadora de seus amigos e a transforma em uma serva: apática e sem vontade própria. A criançada pode até não perceber que se trata de uma relação abusiva, mas entende que algo está errado.

A doçura de Frann Ferraretto, intérprete da personagem-título, consegue fazer com que a personagem gere empatia imediata com o público, que torce para que a protagonista da peça enxergue a situação com clareza e tome uma atitude que contribua para um desfecho satisfatório. 

No elenco, estão Bruno Ribeiro, que interpreta o peixe de pano que é o melhor amigo que uma criança pode ter, Antoniela Canto, como a santa protetora das costureiras, e Mateus Monteiro, que dá o tom certo de um personagem que não pode ser agressivo, mas que deixa nítido para todos que está errado - algo extremamente desafiador, sobretudo numa história elaborada para ser contada no universo infantil. Todos, peças fundamentais para que o texto conte uma história completa.

A interação das crianças com o espetáculo é uma espécie de quinto elemento em cena. O talento e a concentração desses artistas na construção da linha fina entre a sequência da história e a quebra da quarta parede de um público tão expansivo e eloquente torna tudo ainda mais mágico. 

"A Minicostureira" ensina ao brincar de faz de conta, dando noção do que é certo e errado para os menores e, até, para quem está nessa situação e não enxerga. É mais que um espetáculo infantil, é um serviço às novas gerações e até para quem vive em uma situação parecida.




Ficha técnica:  
Texto: Frann Ferraretto. Orientação Dramatúrgica: Silvia Gomez. Direção: Cynthia Falabella. Co-Direção: Débora Falabella. Elenco: Antoniela Canto, Bruno Ribeiro, Frann Ferraretto e Mateus Monteiro. Assistente de Direção: Flávia Fernandes. Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro. Trilha: Trio Pompéia – Chuck Hipólito, Thiago Guerra e Tiago Mago. Desenho de Luz: Aline Santini e Laiza Menegassi. Fotos e Vídeos: Leenkyung Kim. Design Gráfico: Alexandre Brandão. Consultoria de Movimento: Leonardo Bertholini. Operação de Som: Chuck Hipólito. Operação de Luz: Jefferson Bessa. Manipulação de bonecos: Gisele Pereira. Produção: Mesa2 produções Artísticas Ltda. Produção Executiva: Elisangela Monteiro. Adereços e Cabeças: Michele Rolandi. Bordados e Finalizações: Luma Yoshioka.  Costureira: Creuza Medeiros. Cenotécnico: Agilson dos Santos. Visagismo: Louise Helèn. Assessoria de imprensa: Madalena Martins.

"A Minicostureira"
Direção de Cynthia e Débora Falabella
Até 17 de março – Sábados e domingos, às 15h.
Ingressos: Plateia: R$ 50 / Balcão e frisas: 40.
Classificação: livre.
Duração: 60 minutos.
Gênero: comédia infantil

Teatro Porto Seguro
Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.
Telefone: (11) 3226.7300.
Bilheteria: de terça a sábado, das 13h às 21h e domingos, das 12h às 19h.
Capacidade: 496 lugares.
Formas de pagamento: cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.
Estacionamento no local: Estapar R$ 20 (self parking) - Clientes Porto Seguro têm 50% de desconto.
Serviço de Vans: Transporte gratuito Estação Luz – Teatro Porto Seguro – Estação Luz. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. Como pegar: Na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. Para mais informações, contate a equipe do Teatro Porto Seguro.
Bicicletário – grátis.
Gemma Restaurante: Terças a sextas-feiras das 11h às 17h; sábados das 11h às 18h e domingos das 11h às 16h. Happy hour quartas, quintas e sextas-feiras das 17h às 21h.
Vendas: http://www.tudus.com.br
Facebook: facebook.com/teatroporto
Instagram: @teatroporto

*Helder Moraes Miranda é bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

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