sábado, 12 de outubro de 2019

.: Crítica: Musical "Chaves" aposta no saudosismo e amadurece no teatro


Por Helder Moraes Miranda, em outubro de 2019.

É nítida a aposta que "Chaves - Um Tributo Musical" faz no saudosismo. De fato, o maior público que se pode ver no Teatro Opus foi o de pessoas com idade suficiente para terem assistido vários episódios de "Chaves" no SBT durante os anos 90. Mas o espetáculo também agrada crianças que, assim como as que já cresceram, assistem ao mesmo personagem nos mesmos episódios ainda no SBT e no Multishow. 

O público, adultos que cresceram diante de Chaves e os pequenos de agora que representam os fãs que se renovaram parecem não se cansar com o espetáculo de quase três horas. Todos estão envolvidos na história do fenômeno que é fácil de ser identificado: todos se identificam com algum personagem de Chaves. Todos, algum dia, foram o personagem título, Quico, Chiquinha, Nhonho...

Tudo isso em uma produção impécável: a qualidade do musical pode ser vista até pela recriação da Vila em que se passavam os episódios - idêntica ao do seriado dos anos 70. A seriedade e o respeito com que os atores interpretam papéis tão queridos pelo público também é evidente e transpassa as cenas, como uma espécie de quebra de quarta parede. O público acaba se tornando uma espécie de personagem a mais.

Mateus Ribeiro, que já foi outro personagem emblemático nos musicais - o Peter Pan, crítica neste link - está ainda melhor. Ele se reinventa como ator a cada papel e, ao mesmo tempo, impõe características muito originais a cada personagem que interpreta, o que soa como uma assinatura de qualidade.

Carol Costa, totalmente irreconhecível no papel de Chiquinha, também demonstra a mesma versatilidade. Ela, em nada, lembra a vigarista caipira de "Annie (crítica neste link) e Patrick Amstalden, imprime uma versão mais contida do professor Girafales, bem diferentes dos personagens anteriores em "Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812" (crítica neste link) e "Merlin e Arthur - Um Sonho de Liberdade "(crítica neste link). Diego Velloso se destaca também no papel de Quico: o gestual, a voz, a postura e o talento do ator fazem com que ele se torne o próprio Carlos Villagrán no papel que o consagrou. Após uma personagem marcante em "Sunset Boulevard" (crítica neste link), Andrezza Massei brilha na pele de "Dona Clotilde", "a Bruxa do 71". Ettore Veríssimo está irretocável nos papéis de "Seu Barriga" e o menino Nhonho.

Fabiano Augusto, famoso por comerciais de uma loja nacionalmente conhecida, é quem dá vida ao Chespirito. É ele quem potagoniza um dos momentos mais poéticos do espetáculo, quando ele canta uma música para Dona Florinda (Maria Clara Manesco, em uma interpretação muito competente). A dramaticidade da cena destoa um pouco do espetáculo, mas é nesse momento que o público, em meio ao colorido das atituydes e das ações, percebe que se trata de um tributo.

Mesmo que você não simpatize muito com o personagem mexicano, assistir a esse espetáculo é preeencher uma lacuna. Corra que está acabando a temporada. Além disso, é importante apontar que essa releitura não permite abusos como os do seriado , que já são datados, quando as crianças apanham de adultos. É o "Chaves" adaptado para os dias de hoje, embora, em pleno século XXI, ele ainda continue morando em um barrio e, ao mesmo tempo, frequentando a escola. Chaves é a prova viva de que a arte imita a vida. 


Serviço
"Chaves - Um Tributo Musical"
| Aproximadamente 3h  | Musical | Até 3 de novembro | Sextas, às 21h, sábados, às 16h e 20h, domingos, às 15h e 19h. Sessões extras nos dias dia 18, às 16h, e dia 24, às 21h | Teatro Opus | Sinopse:  o espetáculo homenageia o gênio da comédia Roberto Gómez Bolaños e todo o seu legado. A série segue divertindo e emocionando diferentes gerações até hoje. | Texto: Fernanda Maia |  Direção geral: Zé Henrique de Paula | Coreografia: Gabriel Malo |  Elenco: Mateus Ribeiro, Andrezza Massei, 

Patrick Amstalden, Maria Clara Manesco, Fabiano Augusto, Carol Costa, Diego Velloso, André Pottes, Ettore Veríssimo, Milton Filho, Larissa Landim, Nay Fernandes, Dante Paccola, Davi Novaes, Lucas Drummond, Marcelo Vasquez, Thiago Carreira | Av. das Nações Unidas, 4777 - Alto de Pinheiros - São Paulo |  Realização: Adriana Del Claro e Move Concerts  | Classificação: livre.

*Helder Moraes Miranda é bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.


Encerramento de "Chaves - Um Tributo Musical"




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