segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

.: “Era Uma Vez em Hollywood” e a violência em cada um de nós


Por Oscar D’Ambrosiojornalista e crítico de arte.

Uma das principais funções da arte é discutir o sentido do ser humano em sua caminhada existencial. Por isso, filmes como “Era Uma Vez em Hollywood”, do consagrado cineasta Quentin Tarantino, são sempre uma forma de refletir. A sua visão pode não ser agradável, mas é necessária para ter uma interpretação enriquecedora do que somos e do que podemos ser.

Para o cineasta americano, a violência é um elemento essencial. Na sua concepção de mundo, nada elogiosa para a espécie, existe em cada um de nós um potencial destruidor, animalesco, em que os sentimentos mais desprezíveis vêm à tona com toda força, num ato de desespero que brota das entranhas.

Na nova narrativa de Tarantino, três são os eixos principais: nos anos 1960, Leonardo DiCaprio interpreta um ator de um seriado de faroeste em busca de novos desafios; Brad Pitt dá vida ao seu dublê, que é um assistente pessoal de temperamento irascível; e Margot Robbie ilumina a tela com a sua interpretação de Sharon Tate, grávida do cineasta Roman Polanski.

Os dois primeiros se envolvem em uma matança ao serem atacados por integrantes de uma comunidade hippie. Ao serem ameaçados, reagem, respectivamente, com um lança-chamas e com as próprias mãos, arrebentando literalmente a cabeça de uma das invasoras contra a parede, na cena que é o clímax da narrativa.


Na casa vizinha, onde Sharon Tate reina, vive-se um mundo de fantasia, de festas e de confiança no futuro. A aproximação entre esses dois universos na cena final é a maneira como o Tarantino lida com a realidade. É, em sua concepção, perfeitamente real e possível que, após uma cena de extrema violência, as pessoas se aproximem e confraternizem. É a vida!

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