sexta-feira, 12 de junho de 2020

.: Entrevista especial com Jimmy Greene, músico de jazz


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico musical.


“A música traz inspiração e senso de propósito para o nosso mundo”

O músico Jimmy Greene vem conquistando seu espaço na seara do jazz instrumental. Seu mais recente álbum, o elogiado "While Looking Up", traz uma influência direta do estilo fusion e cool, tendo como uma referência o mestre John Coltrane, só para citar um exemplo. As canções, segundo ele, buscam retratar o seu momento atual, proporcionando ao ouvinte uma inspiração e senso de propósito nesse nosso mundo caótico em que vivemos. Em entrevista exclusiva para o Resenhando, ele conta como conseguiu consolidar a sua carreira, comenta o atual panorama da música, revela como superou a dor da perda trágica de sua filha em 2012 e afirma conhecer bem a nossa música brasileira: “Eu fiz uso de ritmos brasileiros nos meus últimos álbuns”.

Resenhando – Como você definiria a sonoridade do seu mais recente álbum, While Looking Up?
Jimmy Greene - A música em "While Looking Up" representa onde estou como artista e músico agora. Foi escrito com todo o amor, carinho e atenção aos detalhes que eu poderia dar. Destina-se a inspirar o ouvinte com beleza e um senso de propósito, enquanto lida com as realidades do nosso mundo caótico.


Resenhando – Ouvindo o disco, nota-se alguma influência de John Coltrane. Quais foram suas referências musicais?
Jimmy Greene - John Coltrane sempre será uma grande inspiração e sempre foi uma grande influência. Existem muitos outros saxofonistas e músicos que tiveram uma grande influência sobre mim, como Charlie Parker, Dexter Gordon, Sonny Rollins, Miles Davis, Stevie Wonder, Jackie McLean, Louis Armstrong, Chick Corea, Sonny Stitt, Freddie Hubbard, Horace Silver, Joe Henderson, Lester Young, Beethoven, Fred Hammond, Branford Marsalis, Bach, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Joe Lovano - e muito mais!


Resenhando – Como funciona o seu processo de criação na música?
Jimmy Greene - Para mim, a composição começa no piano e depois se move para o saxofone. A estrutura principal de uma música é trabalhada no piano - então os detalhes melódicos e de fraseado são geralmente trabalhados no saxofone.


Resenhando – Como está a situação do espaço para a música instrumental nos Estados Unidos. Há espaço nas rádios para o jazz instrumental?
Jimmy Greene - O negócio da música para o músico de jazz instrumental sempre poderia ser melhor. Poderia haver mais financiamento governamental e corporativo para nossa forma de arte. Poderia haver mais clubes, mais festivais de jazz e orçamentos maiores para os que já existem. Dito isto, existem clubes, festivais e organizações artísticas maravilhosas, como a Chamber Music America e muitas organizações artísticas regionais e estaduais, que apoiam a criação artística. Sim! Existem muitas estações de rádio na América que tocam jazz. De fato, existem dois na área de Nova York - WBGO em Newark e Real Jazz de Sirius XM- que tocam apenas música jazz.


Resenhando – Você esteve no Brasil algumas vezes. Quais foram as suas impressões da nossa cultura?
Jimmy Greene - Sim! Estive no Brasil quatro ou cinco vezes, se não me engano. Eu amo música brasileira e tive a chance de estudar um pouco sobre isso com meu amigo Rogerio Boccato. Eu fiz uso de ritmos brasileiros como partido alto, Moçambique e samba nos meus últimos álbuns


Resenhando - Fale sobre seu trabalho como educador musical e no The Artists Collective of Hartford.
Jimmy Greene - Jackie McLean foi meu maior mentor musical e um dos grandes saxofonistas da história da música que chamamos de jazz. Ele, sua esposa Dollie e vários outros artistas formaram o Coletivo de Artistas em 1970 - desde então, milhares de crianças, como eu, tiveram acesso a um treinamento de classe mundial nas artes do Coletivo. O Sr. McLean também me deu a oportunidade de ensinar lá, o que eu fiz ao longo dos meus anos de faculdade. É um lugar especial administrado por pessoas especiais. Tenho orgulho de ensinar jovens músicos hoje, assim como Jackie McLean me ensinou na minha juventude. É um privilégio transmitir a rica tradição dessa música. Sou professor e coordenador de departamento da Western Connecticut State University, em Danbury, Connecticut, e trabalho diariamente com alunos muito talentosos.


Resenhando – Fale sobre o The Ana Grace Project.
Jimmy Greene - O The Ana Grace Project foi iniciado por minha esposa, Nelba, após o assassinato de nossa filha em 2012. O projeto conecta comunidades e oferece ajuda e soluções reais para distritos escolares e famílias em risco, na esperança de que, ao fortalecer as conexões em nossas comunidades, possamos evitar futuros casos de violência sem sentido por armas de fogo. Tenho orgulho de fazer parte do conselho de diretores do Projeto Ana Grace e sinto que promover sua mensagem de “amor, comunidade e conexão para todas as crianças e famílias” é uma maneira maravilhosa de honrar a memória da minha garotinha.


"I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)"

"No Words"

"Steadfast"


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