quarta-feira, 15 de julho de 2020

.: Entrevista: Felipe Bronze, apresentador do "Top Chef", que estreia nesta quarta


 Foto: Antonio Chahestian/Record TV

Criado nos Estados Unidos em 2006, o "Top Chef" já foi adaptado para mais de 20 países, incluindo França, Itália, Portugal, Espanha, Holanda, Canadá e México, entre outros. E nesta quarta-feira, dia 15, estreia a segunda temporada do talent show brasileiro, exibido na Record TV, a partir das 22h30, com a apresentação do chef Felipe Bronze.

Por seu restaurante Oro, localizado no Rio de Janeiro, Felipe Bronze tem duas estrelas Michelin, sendo um dos poucos profissionais da gastronomia brasileira com tal reconhecimento. Além de somar mais de 20 prêmios em sua carreira, ele ocupa a 67ª posição entre os melhores chefs do mundo, segundo a publicação especializada francesa Le Chef. Desde janeiro de 2019, mantém, na capital paulista, o restaurante Pipo. É autor de alguns livros, incluindo “Perto do Fogo”.


O que o público pode esperar da segunda temporada do "Top Chef"?

Felipe Bronze - Muita emoção. Esta temporada já começa dizendo a que veio desde o primeiro episódio, indicando que será uma edição inesquecível. Os chefs são muito fortes e a química entre nós jurados está ainda mais afinada.


Qual será o seu nível de exigência nas provas e nos desafios propostos?

Felipe Bronze - Impensável dar o título de "Top Chef" sem tirar tudo que um competidor pode dar. Seremos absurdamente exigentes, porém sempre com ternura!


O que um competidor jamais pode fazer em uma cozinha do 
"Top Chef"?
Felipe Bronze - Muita coisa pode dar errado numa competição desse nível, mas, se tivesse que destacar algo, seria jamais deixar de se divertir cozinhando. Os nervos precisam estar sob controle, há muita tensão, mas se divertir no processo é fundamental. Essa energia passa para a comida.


Os participantes já conhecem a dinâmica do reality show. O que fazer para tirá-los da zona de conforto e surpreendê-los?Felipe Bronze - O "Top Chef" tem muitos recursos de provas surpresas, inversões... É impossível estar confortável nessa competição. Cada prova é uma guerra.


Quais as diferenças pontuais entre os competidores da segunda temporada e da primeira temporada?Felipe Bronze - Difícil não ir caso a caso. Não gosto de generalizar falando de cozinheiros, com cada um tendo sua especialidade e um destaque específico. Como times, me parece que o da segunda temporada é mais forte como grupo. Está mais nivelado. Na primeira temporada, tínhamos excelentes profissionais, mas acreditávamos que uns seis disputavam de fato o título. Agora achamos que qualquer um pode ganhar. Com uma ou duas exceções (risos).


A estreia do "Top Chef" será na mesma semana do "MasterChef". Como você avalia a concorrência? Há público para dois realities de gastronomia?
Felipe Bronze - Os programas me parecem muito distintos: o "MasterChef" está consolidado, há muitos anos no ar, merece todo destaque que tem, e aposta, a meu ver, mais em cozinheiros amadores, o que leva a disputa para um lado mais emotivo. O "Top Chef" é um programa novo no Brasil, mas com histórico internacional fortíssimo, no qual os candidatos são profissionais incríveis que são testados das formas mais insanas. Sem falar do confinamento. O Mestre do Sabor também faz um trabalho excelente. Quanto mais programas de alto nível na TV, mais ganha a gastronomia brasileira.


Ao longo das gravações, você também ficará confinado para, em contato com o exterior, evitar o contágio do coronavírus? Que cuidados você tomará para não pegar coronavírus? Você ficará próximo aos participantes todas as vezes em que estiverem juntos no estúdio? Aconteceram provas, na primeira temporada, que os competidores ficavam muito perto de vocês todos.
Felipe Bronze - É uma situação nova, nunca vivi nada assim. Evidentemente vou respeitar e cumprir todo e qualquer protocolo para proteger a saúde dos competidores, da produção e a minha, naturalmente.


Além do "Top Chef", que projetos, que desenvolvia, tiveram de ser interrompidos por conta da pandemia?
Felipe Bronze - Muita coisa. Muita. Estava com um projeto pronto de um novo restaurante em São Paulo, uma cozinha somente para eventos, uma “dark kitchen”, que iria centralizar todo o meu negócio de delivery, e uma marca de sanduíches que viria no estilo franquia. Da noite para o dia, o mundo parou de girar. Não foi fácil, mas está todo o mundo na mesma. Agora é hora de se reinventar. 




Foto: Antonio Chahestian/Record TV


O que fez ao longo desses mais de cem dias de isolamento social?
Felipe Bronze - Agarrei muito meu filho. Trabalho insanamente há muitos anos, nunca tinha tido tanto tempo livre assim na vida. Evidentemente as circunstâncias são terríveis, mas consegui tirar algo de muito bom dessa parada obrigatória.


Você atua em uma área bastante sensível da economia em tempos de pandemia que é a da gastronomia. Você acha que haverá uma diminuição de clientes, que, em um primeiro momento, estarão receosos de sair para comer fora? E mais: o quanto a crise econômica (milhares perderam o emprego, por exemplo) vai prejudicar o setor por um certo período?

Felipe Bronze - Acho que será devastador para o setor de restaurantes. Ainda virão tempos ainda mais duros pela frente. O mundo vai mudar, o fluxo de gente vai cair demais, será tudo diferente. Não vejo um horizonte feliz até a descoberta de uma vacina ou de um tratamento eficaz.


O que você acha deste boom de receitas que foram criadas ou realizadas durante o isolamento social pelo público na internet? Muitos anônimos e famosos se aventuraram na cozinha durante o confinamento. Podem surgir bons talentos nessa hora?

Felipe Bronze - Não acredito que funcione como garimpo de talentos. Acho mais como válvula de escape. Mas evidentemente deve aparecer gente que leva jeito com as câmeras e com as panelas. Olhando mais para o lado do entretenimento, talvez sim.


Durante o período de isolamento, você chegou a criar alguma receita?
Felipe Bronze - Não é hora disso. O isolamento foi uma parada para me reconectar com o básico da vida. Claro que algumas decisões não esperam, e tudo que tive que fazer, eu fiz. E ainda haverá muito a ser feito. Mas não foi um período criativo profissionalmente para receitas. Talvez para novos modelos de negócio.


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