quinta-feira, 16 de julho de 2020

.: Top Chef: entrevista com os jurados Emmanuel Bassoleil e Ailin Aleixo


Estreou no último dia 15 a segunda edição do talent show gastronômico "Top Chef", exibido pela Record TV. Confira as entrevistas com os jurados do programa: o chef Emmanuel Bassoleil e a jornalista e crítica gastronômica, Ailin Aleixo.
 
Emmanuel Bassoleil tem mais de 40 anos de carreira e é o responsável, há mais de 15 anos, pela cozinha do hotel Unique e do restaurante Skye, considerado um dos melhores estabelecimentos de hotéis pela revista “Hotel’s Magazine”. Já recebeu dezenas de prêmios e foi o primeiro chef do Brasil a receber a Ordem da Academia Culinária da França, em 1998. É autor de alguns livros, incluindo “Os Sabores da Borgonha”.

O que o público pode esperar da segunda temporada do Top Chef?
Se a primeira temporada já foi gostosa, a segunda vai ser mais deliciosa, com sabores diferentes e temperos apimentados.

Qual será o seu nível de exigência nas provas e nos desafios propostos?
O mesmo de sempre, seja no Top Chef ou no comando da minha cozinha. Serei criterioso, detalhista e sempre justo.

O que um competidor jamais pode fazer em uma cozinha do Top Chef?
Não pode viajar na maionese e fazer algo que nunca tenha feito ou que não saiba fazer.

Os participantes já conhecem a dinâmica do reality show. O que fazer para tirá-los da zona de conforto e surpreendê-los?
O próprio nível de cada uma das provas não deixa ninguém na zona de conforto. E como elas são diferentes, eles tendem a ficar sempre atentos.

Quais as diferenças pontuais entre os competidores da segunda temporada e da primeira temporada?
Os profissionais da segunda temporada, por já conhecerem a dinâmica da competição, estão ainda mais preparados.

A estreia do "Top Chef Brasil" será na mesma semana do "MasterChef". Como você avalia a concorrência? Há público para dois realities de gastronomia?
Há público, sim, para todos os programas gastronômicos. Um atende os chefs amadores, outros os profissionais. Da mesma forma que dois restaurantes podem funcionar e ter público na mesma rua, dois ou mais programas deste gênero podem estar no ar ao mesmo tempo.

Ao longo das gravações, você também ficará confinada para, em contato com o exterior, evitar o contágio do coronavírus? Que cuidados você tomará para não pegar coronavírus? Você ficará próxima aos participantes todas as vezes em que estiverem juntos no estúdio? Aconteceram provas, na primeira temporada, que os competidores ficavam muito perto de vocês todos.
Continuarei seguindo os protocolos de saúde que segui nos últimos meses, desde o início da pandemia e da necessidade do distanciamento social.

Além do "Top Chef", que projetos, que desenvolvia, tiveram de ser interrompidos por conta da pandemia?
Minhas atividades dentro do hotel Unique.

O que fez ao longo desses mais de cem dias de isolamento social?
Passei a cuidar mais da minha saúde, fazendo atividades físicas em minha casa mesmo e cuidando da minha alimentação. Com isso, consegui perder 10 kg. Além disso, criei um serviço de delivery para o Unique, que não existia, e formulei um novo cardápio. Fiz também algumas lives no Instagram.

Você atua em uma área bastante sensível da economia em tempos de pandemia que é a da gastronomia. Você acha que haverá uma diminuição de clientes, que, em um primeiro momento, estarão receosos de sair para comer fora? E mais: o quanto a crise econômica (milhares perderam o emprego, por exemplo) vai prejudicar o setor por um certo período?
Infelizmente, não temos esta resposta ainda. Mas acredito que, em um primeiro momento, a clientela vai diminuir. Vamos ter nos reinventar, com certeza.

O que você acha deste boom de receitas que foram criadas ou realizadas durante o isolamento social pelo público na internet? Muitos anônimos e famosos se aventuraram na cozinha durante o confinamento. Podem surgir bons talentos nessa hora?
Não sei se irão surgir novos talentos na cozinha, mas com certeza vão aparecer novos sucessos do Instagram. Eu me divirto assistindo a alguns vídeos postados nesta rede social. Acho super positivo, pois nunca se falou tanto em gastronomia e nunca se brincou tanto de chef em casa.

Você também chegou a se aventurar na cozinha e a fazer receitas durante o isolamento?
Eu não criei nada, mas cozinhei clássicos. Tirei do baú alguns velhos cadernos, com receitas de que havia me esquecido. Também mexi nos livros de receita de minha mãe.


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Jornalista e crítica gastronômica, Ailin Aleixo já trabalhou em publicações como VIP, Viagem e Turismo e Época. No rádio, apresentou boletins sobre gastronomia na CBN e AlphaFM. Em 2009, criou o Gastrolândia, um dos principais sites sobre o assunto do país, e, em 2016, deu início ao canal do YouTube Por Trás Da Kg, que procura desvendar os bastidores do cultivo de alimentos. Por fim, em 2020, lançou o podcast #VaiSeFood.

O que o público pode esperar da segunda temporada do "Top Chef"?
A segunda temporada está ficando sensacional! Competidores fortíssimos, cheios de talento e prontos para atender as exigências cada vez mais fortes da competição. Provas criativas, desafiadoras e que requerem o máximo de controle emocional: afinal, sem isso, não se vai longe no Top Chef. Como começamos a gravar antes de pandemia, a sensação é que demos uma pausa no ápice da tensão: foi como se tudo tivesse ficado congelado. A retomada fará o programa ainda mais especial e excitante.

Qual será o seu nível de exigência nas provas e nos desafios propostos?

Não seria "Top Chef" se a exigência não aumentasse temporada após temporada. Nível de exigência e excelência máximos, sempre.

O que um competidor jamais pode fazer em uma cozinha do "Top Chef"?
Não ter respeito pelo alimento. Ser arrogante. Irritar-se com as críticas dos jurados em vez de ouvi-las e melhorar com elas. Ficar na zona de conforto.

Os participantes já conhecem a dinâmica do reality show. O que fazer para tirá-los da zona de conforto e surpreendê-los?
Conhecem a dinâmica, porém não as provas: eis o X da questão! A segunda temporada trará provas incríveis, complexas, emotivas, desafiadoras, cansativas. Isso sem falar nos convidados altamente exigentes. Não vai ser nem um pouco fácil levar o prêmio de 300 mil reais pra casa, não.

Quais as diferenças pontuais entre os competidores da segunda temporada e da primeira temporada?
Os competidores da segunda temporada estão mais preparados técnica e emocionalmente. Mais focados. Usaram a primeira temporada como escola: e fizeram isso muito bem.

A estreia do "Top Chef" será na mesma semana do "MasterChef". Como você avalia a concorrência? Há público para dois realities de gastronomia?
Comida é um tema cada vez mais popular no entretenimento mundial. O número de documentários, realities, canais de YouTube, podcasts e perfis das redes sociais sobre o assunto só aumenta, o que mostra que o interesse continua crescente. Há público para todos os formatos.

Ao longo das gravações, você também ficará confinada para, em contato com o exterior, evitar o contágio do coronavírus? Que cuidados você tomará para não pegar coronavírus? Você ficará próxima aos participantes todas as vezes em que estiverem juntos no estúdio? Aconteceram provas, na primeira temporada, que os competidores ficavam muito perto de vocês todos.
Eu não deixarei o confinamento até que o vírus seja contido no Brasil ou uma vacina for descoberta. Irei de casa para o estúdio e do estúdio para casa - sempre usando máscara no caminho. Não sairei para restaurantes, shopping, passeios na rua ou em parques. Desta forma, protejo a minha saúde e a saúde de todos a minha volta. Os protocolos sanitários para a segunda fase das gravações serão bem severos, o que isso inclui repensar o formato das provas para que todos fiquem seguros.

Além do "Top Chef", que projetos, que desenvolvia, tiveram de ser interrompidos por conta da pandemia?
Faço curadoria de eventos gastronômicos, dou palestras, produzo conteúdo em vídeo sobre os bastidores da produção de alimentos e desenvolvo projetos ligados a turismo gastronômico. Tudo teve que parar.

O que fez ao longo desses mais de cem dias de isolamento social?
Limpei a casa como nunca antes, cozinhei, li muito, apertei e beijei meus gatos, surtei com a situação um bocado de vezes, assisti diversas séries boas, gravei meus podcasts (à distância, claro), fiz personal trainer via vídeo três vezes por semana, cuidei da horta que fiz no prédio onde moro.

Você atua em uma área bastante sensível da economia em tempos de pandemia que é a da gastronomia. Você acha que haverá uma diminuição de clientes, que, em um primeiro momento, estarão receosos de sair para comer fora? E mais: o quanto a crise econômica (milhares perderam o emprego, por exemplo) vai prejudicar o setor por um certo período?
Não há dúvida alguma que o setor da restauração passará por um período bem complicado, especialmente no Brasil, país com tanta desigualdade social. Milhões de pessoas perderam empregos e fontes de renda, o que gera impacto imediato no volume de dinheiro gasto em serviços não-essenciais, caso da alimentação fora do lar. Quem continua empregado, está muito mais preocupado em poupar por não saber o que será da economia nos próximos anos. Sendo assim, os restaurantes que conseguiram se manter firmes até agora - segundo a Abrasel, mais de 40% dos restaurantes fecharão até o final do ano - podem se preparar para uma clientela menor, assim como o gasto per capita mais baixo.

O que você acha deste boom de receitas que foram criadas ou realizadas durante o isolamento social pelo público na internet? Muitos anônimos e famosos se aventuraram na cozinha durante o confinamento. Podem surgir bons talentos nessa hora?
O isolamento social forneceu algo que muita gente alegava não ter e usava como desculpa para evitar a cozinha: tempo. Quem é privilegiado - me enquadro nessa categoria - e pode ficar em casa, seguro, aproveitou esse tempo para abrir livros de receita que ficavam pegando poeira na estante, acessar os sites favoritos e botar a mão na massa. Parece que metade do mundo começou a fazer pão! Em momentos desafiadores, mais do que descobrir talentos, o importante é nos conectarmos com o essencial da vida - e alimento é essencial. Todos nós deveríamos saber cozinhar (pelo menos o básico) da mesma maneira que todos deveríamos saber ler e escrever.

Você também chegou a se aventurar na cozinha e a fazer receitas durante o isolamento?
Cozinhei muito nesse isolamento. Muito, mesmo! Não apenas para usar produtivamente o tempo em casa, mas também para fazer receitas que, sabe-se lá a razão, sempre quis fazer e nunca fiz. Fiz pelo menos umas dez receitas de um livro excelente de comida vegana e descobri que amo pesto de castanha de caju e coentro. Cozinhei e sigo cozinhando especialmente para cuidar da minha saúde física e mental: como todos sabemos, mas esquecemos frequentemente, comida é nosso combustível! E dá, na boa, para aliar prazer de comer a uma dieta saudável, rica, colorida.


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