Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.
A reestreia de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" na Rede Cineflix e em cinemas brasileiros, neste sábado, dia 24 de janeiro, em versão estendida, recoloca na tela grande o capítulo final da trilogia dirigida por Peter Jackson, agora como parte das comemorações pelos 25 anos de "A Sociedade do Anel", adaptação do clássico de J. R. R. Tolkien. Lançado originalmente em 2003, o longa-metragem - vencedor de 11 Oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado - volta ao circuito, quando a Warner Bros. Pictures promove a exibição integral da trilogia em sessões especiais, um filme por dia, sempre em versão legendada. Trata-se de um convite tanto à memória afetiva de uma geração quanto à descoberta, em escala monumental, de uma das experiências cinematográficas mais ambiciosas do século XXI.
Concluindo a jornada iniciada dois anos antes, "O Retorno do Rei" acompanha a aproximação do desfecho da Guerra do Anel. Enquanto Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin) avançam rumo à Montanha da Perdição, enfrentando o esgotamento físico e a manipulação final de Gollum (Andy Serkis), os povos livres da Terra-média se reúnem para resistir ao cerco de Sauron. Gandalf (Ian McKellen) tenta salvar Minas Tirith do colapso moral e político imposto por Denethor (John Noble), Aragorn (Viggo Mortensen) assume o peso de sua herança e lidera homens, elfos e anões rumo a uma última esperança, enquanto Éowyn (Miranda Otto) rompe expectativas e protagoniza um dos momentos mais emblemáticos da saga.
Dirigido por Peter Jackson e escrito por ele em parceria com Fran Walsh e Philippa Boyens, a partir da obra de J.R.R. Tolkien, o filme encerra a trilogia com uma combinação rara de espetáculo épico, emoção íntima e rigor técnico. Não por acaso, tornou-se a maior bilheteria mundial de 2003, ultrapassando a marca de US$ 1,1 bilhão, além de figurar entre os títulos mais premiados da história do cinema. Para a crítica internacional, de veículos como The New York Times, The Guardian e Variety, o longa-metragem consolidou o feito de transformar uma obra considerada “infilmável” em fenômeno cultural e industrial, capaz de dialogar com públicos distintos sem sacrificar densidade dramática ou coerência narrativa.
A diferença entre a versão exibida originalmente nos cinemas e a versão estendida agora reapresentada é substancial e vai além do mero acréscimo de minutos. O corte de cinema tem cerca de 201 minutos; a versão estendida ultrapassa 250, acrescentando aproximadamente 50 minutos de cenas inéditas ou ampliadas. Esses acréscimos aprofundam personagens, relações políticas e consequências morais da guerra. Há mais tempo dedicado à loucura de Denethor, ao desgaste psicológico de Frodo, ao protagonismo de Éowyn no campo de batalha e, sobretudo, à dimensão simbólica do poder.
Quais são as cenas adicionais de "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (com spoiller)
Na versão estendida de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei", a narrativa ganha fôlego adicional e densidade dramática logo nos primeiros movimentos. Após a vitória em Isengard, Saruman surge novamente no alto da torre de Orthanc, protagonizando uma cena ausente do corte de cinema. O antigo mago enfrenta Gandalf, Théoden e Aragorn em um embate verbal carregado de ironia, ressentimento e decadência moral. A sequência encerra definitivamente seu arco, revelando o custo da corrupção pelo poder e oferecendo um desfecho mais coerente para um personagem central da trilogia.
Em Minas Tirith, a versão estendida aprofunda o colapso psicológico de Denethor. Cenas adicionais mostram sua relação abusiva com Faramir, marcada por humilhação e desprezo, deixando mais explícito o contraste entre o amor perdido por Boromir e a rejeição ao filho sobrevivente. O uso do Palantír por Denethor é sugerido de forma mais clara, reforçando que sua loucura não é apenas fruto do desespero, mas também da influência direta de Sauron. Gandalf, por sua vez, ganha mais espaço como figura política e estratégica, não apenas como guia espiritual.
A jornada de Aragorn, Legolas e Gimli pela Senda dos Mortos é significativamente expandida. O Exército dos Mortos não surge apenas como um recurso narrativo imediato, mas como um desafio moral e simbólico: almas presas por juramentos quebrados, que exigem de Aragorn mais do que coragem: querem legitimidade, palavra e liderança. O encontro é mais tenso, sombrio e ritualístico, reforçando o peso histórico da linhagem do herdeiro de Isildur.
A Batalha dos Campos de Pelennor também se torna mais extensa e brutal. Há novas escaramuças, maior atenção aos horrores da guerra e ao impacto humano do conflito. Merry e Éowyn ganham cenas adicionais após a queda do Rei-Bruxo de Angmar, enfatizando não apenas o heroísmo do feito, mas suas consequências físicas e emocionais. Éowyn, ferida e exausta, deixa de ser apenas símbolo de bravura para se tornar corpo vulnerável em meio à devastação.
Um dos acréscimos mais emblemáticos ocorre diante do Portão Negro. A Boca de Sauron aparece como emissário do mal, exibindo supostos pertences de Frodo e provocando desespero nos líderes aliados. A cena explicita a guerra psicológica travada por Sauron e testa os limites da esperança de Aragorn e Gandalf, reforçando que a batalha final não se dá apenas com espadas, mas com informação, medo e manipulação.
Em Mordor, a caminhada de Frodo e Sam é prolongada por momentos de silêncio, exaustão e desespero. A versão estendida enfatiza o colapso físico de Frodo e a solidão radical da missão, enquanto Sam assume, de forma ainda mais clara, o papel de sustentação ética e afetiva da jornada. A tensão com Gollum é ampliada, tornando seu fim ainda mais trágico e inevitável.
O pós-guerra também ganha novos contornos. A coroação de Aragorn é mais cerimonial, reforçando a restauração simbólica da ordem. Os reencontros são mais demorados, permitindo que o espectador assimile o custo emocional da vitória. Por fim, a despedida nos Portos Cinzentos é estendida, sublinhando a melancolia que atravessa o encerramento da trilogia: a vitória sobre o mal não apaga as marcas deixadas pelo caminho, e nem todos podem permanecer no mundo que ajudaram a salvar.
Ficha técnica
“O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” | “The Lord of the Rings: The Return of the King” (título original) | “O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei” (título em Portugal)
Gênero: fantasia épica, aventura. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2003. Idioma: inglês. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens (baseado na obra de J.R.R. Tolkien). Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Orlando Bloom, Miranda Otto, Andy Serkis, Cate Blanchett, Hugo Weaving, entre outros. Distribuição no Brasil: Warner Bros. Pictures. Duração: 251 min (versão estendida). Cenas pós-créditos: não.
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Cineflix Miramar | Santos
Dia 22 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" | Sala 3 | 18h00
Dia 23 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" | Sala 3 | 18h00
Dia 24 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" | Sala 3 | 18h00
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